China reduz produção de aço, enxuga estoques e sustenta recuperação gradual dos preços globais
China reduz produção de aço, enxuga estoques e sustenta recuperação gradual dos preços globais
O mercado siderúrgico chinês começou a dar sinais mais claros de recuperação no fim de abril de 2026, impulsionado por uma combinação de cortes de produção, redução expressiva dos estoques e melhora gradual da demanda doméstica. Ainda que o cenário econômico chinês permaneça marcado pelas fragilidades do setor imobiliário e por uma atividade industrial desigual, o movimento recente trouxe maior sustentação aos preços do aço e elevou o otimismo entre produtores e traders internacionais.
Dados divulgados pela associação chinesa da indústria siderúrgica mostram que as principais usinas do país reduziram significativamente os níveis de produção na reta final de abril. A produção média diária de aço bruto caiu cerca de 3,6% em comparação com o período anterior do mês, enquanto a produção de gusa também recuou, refletindo um esforço coordenado de contenção da oferta diante das margens comprimidas e da demanda ainda moderada.
Esse movimento ocorre em um contexto no qual o governo chinês e as siderúrgicas seguem tentando combater o problema estrutural de excesso de capacidade produtiva. Nos últimos anos, o país acumulou um enorme parque industrial voltado à produção de aço, mas o enfraquecimento do mercado imobiliário reduziu substancialmente o consumo interno de materiais ligados à construção civil, pressionando os preços e afetando a rentabilidade do setor.
A desaceleração da produção, porém, começou a produzir efeitos imediatos sobre o equilíbrio do mercado. Os estoques de aço nas usinas chinesas registraram uma queda expressiva no fim de abril, em um dos movimentos de desestocagem mais relevantes dos últimos meses. A redução superior a 17% nos volumes armazenados indicou uma melhora na circulação de materiais e uma recomposição parcial da demanda antes do feriado do Dia do Trabalho na China.
Além da diminuição dos estoques nas usinas, os estoques spot de diversos produtos siderúrgicos também recuaram nos principais centros de distribuição do país. Produtos como vergalhões, bobinas laminadas a quente e fio-máquina apresentaram retração nos níveis armazenados, sinalizando maior absorção pelo mercado doméstico.
O comportamento da produção também revelou uma mudança importante no foco das siderúrgicas chinesas. Embora o aço bruto tenha recuado, a fabricação de produtos acabados registrou avanço moderado, demonstrando uma preferência crescente por materiais de maior valor agregado e maior competitividade internacional. Esse movimento acompanha a estratégia chinesa de ampliar a participação de produtos siderúrgicos mais sofisticados em sua pauta exportadora.
No mercado doméstico, os preços do aço reagiram positivamente ao aperto da oferta e ao fortalecimento sazonal da demanda. As bobinas laminadas a quente registraram recuperação ao longo das últimas semanas, sustentadas tanto pela redução da produção quanto pela melhora do sentimento do mercado.
No segmento de vergalhões, utilizado principalmente na construção civil, a recuperação foi ainda mais perceptível. Distribuidores relataram aumento no volume de negócios após o feriado prolongado, com reforço da demanda em regiões industriais e intensificação das movimentações entre diferentes províncias chinesas, aproveitando diferenças regionais de preços.
Outro fator importante para a valorização do aço foi a alta dos custos das matérias-primas utilizadas na produção siderúrgica. O coque metalúrgico, insumo fundamental para os altos-fornos, registrou novas tentativas de reajuste por parte dos produtores, elevando os custos operacionais das usinas e contribuindo para sustentar os preços finais dos produtos siderúrgicos.
Além dos fundamentos internos, questões macroeconômicas e geopolíticas também ajudaram a fortalecer o sentimento positivo no mercado chinês. A expectativa de possíveis avanços nas relações comerciais entre China e Estados Unidos trouxe maior apetite especulativo para os contratos futuros de commodities metálicas, favorecendo o mercado de aço nas bolsas chinesas.
No comércio exterior, a China voltou a ampliar seus embarques de aço acabado em abril na comparação com março, beneficiada pela recuperação parcial da logística global. Muitos carregamentos que haviam sido adiados anteriormente, em função das tensões no Oriente Médio e das dificuldades no transporte marítimo, acabaram sendo embarcados ao longo de abril.
Apesar dessa recuperação mensal, as exportações chinesas ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos primeiros meses de 2026, os embarques seguem em trajetória de retração, refletindo tanto a desaceleração da demanda global quanto as crescentes barreiras comerciais impostas por diferentes mercados ao aço chinês.
Mesmo assim, a competitividade internacional da siderurgia chinesa continua elevada. Os preços de exportação de produtos como bobinas laminadas, galvanizados, chapas grossas e vergalhões registraram alta moderada ao longo de abril, mas ainda permanecem atrativos frente aos materiais produzidos em outros grandes polos siderúrgicos globais.
Produtos de maior valor agregado, especialmente os aços elétricos utilizados em setores industriais avançados, ganharam destaque nas exportações chinesas recentes. Esse segmento vem apresentando crescimento consistente, apoiado pela expansão da indústria automotiva elétrica, de equipamentos eletrônicos e de infraestrutura energética.
Ainda assim, analistas seguem cautelosos quanto à sustentabilidade dessa recuperação. O setor imobiliário chinês continua sendo o principal ponto de preocupação para o mercado siderúrgico. A atividade da construção civil permanece fraca, limitando uma retomada mais robusta da demanda doméstica por aço.
Por isso, embora o corte de produção esteja oferecendo suporte imediato aos preços e melhorando o equilíbrio entre oferta e demanda, a expectativa predominante é de apenas uma leve redução da produção total chinesa de aço em 2026 na comparação com 2025.
O cenário atual aponta para um mercado mais equilibrado no curto prazo, mas ainda altamente dependente da recuperação econômica chinesa, da evolução das tensões comerciais globais e da capacidade do setor siderúrgico de manter a disciplina produtiva diante de qualquer melhora adicional das margens.
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/05/2026