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Importação de aço da China deixa investimentos da siderurgia em compasso de espera

A indústria siderúrgica brasileira acompanha em compasso de espera a definição de novas medidas contra a importação de aço da China. As empresas do setor suspenderam investimentos em expansão na capacidade produtiva e reivindicam que o governo federal adote mecanismos de defesa comercial mais efetivos do que o sistema cota-tarifa.

O sistema foi criado pela União em 2024 e combina taxas de 25% com cotas de importação para 25 produtos de aço classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), mas não tem conseguido impedir o crescimento do aço importado chinês no mercado nacional.

De acordo com o Instituto Aço Brasil, as importações de aço no mercado brasileiro seguiram em expansão em 2025, com a entrada de 6,4 milhões de toneladas. Desse volume, 5,7 milhões de toneladas foram de laminados, um salto de 20,5% em comparação ao ano anterior. A importação de produtos laminados alcançou o maior volume em 15 anos.

Atualmente, o volume de laminados de aço que entra no país é 168% superior à média das importações entre 2000 e 2019, de 2,2 milhões de toneladas. Esse crescimento levou a penetração de importados (“import penetration”) para 21%, ante o patamar histórico de 9,7%.

Consequentemente, a produção brasileira de aço bruto alcançou 33,3 milhões de toneladas em 2025, uma queda de 1,6% frente ao ano anterior, segundo o Instituto.

O Aço Brasil afirma que a atual penetração de importados é “inaceitável” e que a concorrência com uma competição considerada predatória no comércio mundial do aço já causou o fechamento de 5 mil vagas de emprego e o corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos no setor.

Para o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço do Brasil (Inda), Carlos Loureiro, a alíquota do sistema cota-tarifa não tem sido efetivo para impedir uma inundação de aço chinês no país, que já sofre o impacto de uma alta taxa básica de juros (Selic), que inibe investimentos.

“Se não vier nada com relação a dumping, nós vamos ter de novo mais um ano perdido. O sistema cota-tarifa não serviu para nada, porque 25% não segura nada da China. Da China tem que vir muito mais que 25%”, declarou.

O CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, apontou que a empresa tem investimentos importantes para serem feitos no Brasil, como a ampliação da capacidade da usina siderúrgica de Timóteo, no Vale do Aço, mas que estão os planos estão “absolutamente suspensos” por conta do cenário com a concorrência contra o aço importado chinês.

A retomada dos investimentos passará pelos movimentos do ambiente de negócios brasileiro, afirmou, em um cenário que hoje desafia a indústria instalada no Brasil. Villela apontou que o crescimento das importações é mais do que o dobro do crescimento do mercado brasileiro de aço inoxidável e o cenário não é muito diferente também na linha de aço eletrolíticos.

“Em um cenário de crescimento dessa magnitude da importação versus o próprio crescimento do mercado, os investimentos de crescimento e capacidade deixam de ser atrativos no curto prazo, até que a gente veja uma luz no fim do túnel, para que o mercado brasileiro passe a ter regras mais justas de competição”, destacou o CEO da Aperam.

Perto da Aperam, em Ipatinga, cidade vizinha a Timóteo no  Vale do Aço, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) também avalia recalcular a rota dos investimentos frente ao aço importado com origem na superpotência asiática.

O diretor corporativo de relações institucionais e comunidades da Usiminas, André Chaves, cita uma frustração da siderúrgica após passar por um plano de investimento robusto. A empresa investiu pesado nos últimos anos para aumentar a produtividade e esperava estar com um nível de ocupação da capacidade instalada em um nível muito maior do que o atual.

Somente a reforma do Alto-forno 3, responsável por 70% da produção da Usiminas, consumiu R$ 2,7 bilhões.

“Hoje a gente tem uma ociosidade que é muito acima daquilo que são os níveis saudáveis para a indústria siderúrgica. Isso para nós é um motivo de muita preocupação e um motivo de colocar sob muita atenção. Não tomamos uma decisão clara de um cancelamento de algum projeto específico, mas a gente olha com muita atenção e revisa semanalmente, periodicamente, a nossa agenda de investimentos”, apontou.

Ele ressaltou que hoje, a Europa, os Estados Unidos e alguns países asiáticos têm medidas para combater o comércio considerado desleal com o aço chinês e que o Brasil deveria adotar o mesmo caminho. “Nós não estamos pedindo proteção. A gente está precisando combater algo que é desleal, ilegal, uma vez que é reconhecido internacionalmente que a prática de dumping é algo ilegal”, argumentou.

Brasil e mundo com excesso de capacidade na produção

O líder de Energia e Recursos Naturais da EY, Afonso Sartório, aponta que a siderurgia não só nacional, como a internacional, enfrenta grandes excessos de capacidade instalada. No Brasil, com uma produção de 33 milhões de toneladas no último ano, há ainda capacidade para produzir mais 17 milhões, o que resultaria no potencial de 50 milhões de toneladas produzidas por ano.

No mundo o cenário é ainda mais impressionante. O excesso de capacidade é da ordem de 600 milhões de toneladas por ano. Cerca de metade da produção mundial de aço, de 1,8 trilhão de toneladas, vem da China, o que gera uma necessidade do gigante asiático alocar o produto no mercado.

Ele analisa que a adoção de qualquer medida comercial tem que ser balanceada, para não impactar negativamente outros setores da economia brasileira.

“É importante proteger a indústria de produção de aço, mas a gente tem que olhar a indústria e os consumidores como um todo. Se encarece muito o custo do aço a partir dessa importação, vai tendo efeitos nas outras etapas da cadeia produtora do Brasil - a indústria de manufatura pesada, por exemplo", analisa.

"Isso reflete na capacidade de investimento das empresas que vão usar esses produtos e na capacidade ou de rentabilizar esses produtos ou a demanda dos consumidores por um encarecimento. Tem um impacto na economia do país”, complementa.

Saída pode estar na descomoditização e economia verde

O consultor da EY apontou que uma alternativa frente ao desafiador cenário para a indústria siderúrgica seria focar na sustentabilidade, por meio de um entendimento entre governo federal e a indústria para o fomento e/ou parcerias comerciais com mineradoras para projetos verdes, que tem acesso a fundos diferenciados.

“Uma siderurgia mais verde e menos descomoditizada. São mercados de muito volume e um mercado que tem muito excesso de capacidade, então não vale a pena focar a estratégia futura nos próximos anos em volume. Você tem que tentar encontrar nichos em que o seu produto tenha uma aceitação diferenciada, e a descarbonização e a descomoditização, as aplicações especiais, formam um caminho legal”, avalia.

Esta seara tem sido analisada com lupa pela Aperam. A empresa recentemente fechou contratos para o fornecimento de energia solar e eólica e produz carvão vegetal com certificação florestal, selo que garante uma gestão responsável das florestas. Além disso, produz um aço inox com níquel que é composto por aproximadamente 50% de sucata.

Apesar de se considerar bem posicionada na economia sustentável, a valorização do aço verde no mercado ainda gera certa dúvida para o futuro da Aperam.

“A gente cada vez mais busca alternativas para evoluir mais ainda. Hoje nós temos uma pegada de carbono muito eficiente e eu acredito que trará uma vantagem competitiva para nós. O mercado ainda vai, assim, não na velocidade que a gente gostaria de valorização, mas eu acredito que esse é um caminho sem volta”, disse.

A Usiminas também tem investido no fornecimento de energia solar e gás natural como foco em uma produção com menores emissões de gases de efeito estufa, mas a utilização da sucata é mais limitada tecnicamente. A siderúrgica é voltada para a produção de aços planos, insumo em que a aplicação da sucata não é tão viável, especialmente em alguns nichos de mercado, como o setor automotivo.

“A Usiminas é uma produtora de aço que considera a sucata, dentro dos limites técnicos para as propriedades de aplicação dos aços, que considera o benchmarking internacional para todas essas classes de aço. E a gente considera outras alternativas”.

 
Fonte: O Tempo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/01/2026

 

China mantém liderança na produção mundial de aço, mas perde tração em 2025; veja ranking

A China continua a liderar, com folga, o ranking de maior produtor mundial de aço, com mais da metade do volume de metal bruto produzido. É também o país onde mais se consomem produtos siderúrgicos. O segundo colocado, a Índia, está vários degraus abaixo, porém em contínuo ritmo de expansão anual (ver os dez maiores fabricantes em tabela abaixo).

Os números foram divulgados nesta sexta-feira, 23, em Bruxelas (Bélgica), durante a publicação anual do balanço da Associação Mundial do Aço (Worldsteel).

A indústria siderúrgica chinesa, apesar da sua pujança, parece ter batido no teto e começa a refluir. Depois de ter superado a barreira de 1 bilhão de toneladas fabricadas em plena pandemia, em 2020, a China encerrou o ano passado com recuo de 4,4%, em 960,8 milhões de toneladas de aço bruto. Em dezembro, o recuo foi de 10,3%.

O volume global de aço bruto fabricado foi de 1,804 bilhão de toneladas, com retração de 2% sobre 2024. A China representou 53% do volume total.

O resultado chinês é decorrente da desaceleração econômica do país, cujo Produto Interno Bruto (PIB) ficou na casa de 5% de alta na comparação com 2024.

O mercado imobiliário, grande consumidor de aço na China, regrediu nos últimos anos — saiu de 30% a 35% do volume consumido para cerca de um quinto do total da demanda, conforme informações de publicações especializadas.

Em seu relatório de outubro, de perspectivas de curto prazo (Short Range Outlook-SRO), a Worldsteel informou que previa continuidade da trajetória de queda na demanda por aço na China em 2025, com redução da ordem de 2%. Isso se refletia no volume de aço ofertado pelas siderúrgicas do país.

“Essa previsão representa uma moderação na tendência de baixa observada desde 2021, impulsionada principalmente pela retração contínua do mercado imobiliário. Para 2026, projetamos que a queda desacelere mais, para 1%, à medida que o mercado imobiliário se estabilize”, destacou a entidade.

Mesmo com barreiras em diversas partes do mundo, em especial nos Estados Unidos, onde tem uma tarifa de 70% e não tem vendido praticamente nada, a China exportou no ano passado um recorde de 119,02 milhões de toneladas, alta de 7,5% frente a 2024, de acordo com a Associação Chinesa de Ferro e Aço (CISA). As vendas ao exterior cresceram para tentar compensar (parcialmente) a retração do mercado doméstico, avaliam especialistas.

A força da Índia

Ao mesmo tempo, conforme a Worldsteel, a siderurgia da Índia manteve seu ritmo de crescimento anual de 8% a 9%. “Nossas projeções indicam que a demanda por aço na Índia continuará a crescer, com aumento de cerca de 9% entre 2025 e 2026, impulsionada pelo crescimento contínuo em todos os setores consumidores de aço”.

Nesse cenário, a Índia encerrou 2025 com produção de 164,9 milhões de toneladas, o que representou expansão de 10,4% na comparação com 2024. O plano do governo indiano é de, até o fim desta década, superar a marca de 250 milhões de toneladas de produção de aço bruto para atender à demanda interna da economia do país mais populoso do mundo.

O país conta com reservas abundantes de minério de ferro para dar suporte à sua indústria de aço. “Em 2026, a demanda por aço no país deverá ser quase 75 milhões de toneladas maior do que a registrada em 2020?, destacou a Worldsteel.

Surpresas de EUA e Turquia

O ranking da associação mundial do aço trouxe duas mudanças de posições: os Estados Unidos saltando para a terceira posição, tradicionalmente ocupada pelo Japão, e a Turquia superando a Alemanha, saltando para o sétimo lugar.

A siderurgia americana, que ganhou tração com imposição de tarifas de 50% na importação de aço por Donald Trump, encerrou 2025 com produção de 82 milhões de toneladas, representando aumento de 3,1% contra 2024.

A produção de aço na Turquia vem se destacando ao longo de uma década. Inicialmente, passou a figurar entre os dez maiores países produtores. Depois superou o Brasil e, agora, a Alemanha, onde essa atividade está estagnada.

A Turquia cresceu 3,3% (para 38,1 milhões de toneladas) enquanto a Alemanha teve tombo de 8,6% (para 34,1 milhões de toneladas).

O Brasil aparece em nono lugar do ranking da Worldsteel, repetindo a posição dos últimos anos. A produção em 2025 ficou em 33,3 milhões de toneladas, recuo de 1,6% frente ao ano anterior. O país já chegou a fabricar 36 milhões, volume máximo que a indústria atingiu em sua história.

O Instituto Aço Brasil afirma que o setor no País poderia estar produzindo mais não fosse a forte entrada de aço importado no mercado local — 5,78 milhões de produtos laminados em 2025 —, principalmente da China. O setor tenta estancar as importações com ações antidumping levadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Domínio das companhias chinesas

A Worldsteel publica também, a cada ano, a lista das 50 maiores fabricantes de aço. A liderança é chinesa. Nas dez maiores, seis são companhias da China, que, em geral, têm a presença do Estado na sua estrutura de capital. O grupo Baowu, fruto de uma série de fusões de siderúrgicas, é a número 1, com 130 milhões de toneladas de produção em 2024 (ver lista das dez maiores). O ranking referente a 2025 deve ser publicado ao longo do ano.


A ArcelorMittal, com sede oficial em Luxemburgo, e corporativa em Londres, é a segunda da lista, com metade do volume produzido pela Baowu. A empresa, que já foi a líder global, é controlada pela família do empresário indiano Lakshmi Mittal, No ranking das 50, aparecem quatro americanas: Nucor (16ª), Cleveland-Cliffs (23ª). U.S. Steel (29ª) e Steel Dynamics (43ª).

Somente duas companhias latino-americanas figuram entre as 50 maiores do mundo. O grupo ítalo-argentino Techint, dono da Ternium e que pertence ao empresário Paolo Rocca, na 28ª posição. No 33º lugar está a brasileira Gerdau, comandada pela dinastia familiar Johannpeter Gerdau.

A Worldsteel estimou, para 2026, em seu relatório (SRO) de outubro — em abril haverá uma atualização — uma leve recuperação de 1,3% na demanda global de aço, para 1,77 bilhão de toneladas.

 
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 26/01/2026

Aço: distribuidores defendem repasse gradual de reajustes e alertam para estoques elevados

O setor de distribuição de aços planos no Brasil avalia que os reajustes anunciados pelas usinas devem ser repassados aos clientes de forma gradual. O aumento, divulgado para janeiro, provocou uma antecipação de compras, elevando os estoques das distribuidoras acima da média histórica. A expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de que os preços fiquem cerca de 12% superiores aos praticados em 2025.

“As usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo. Nós é que não estamos conseguindo implantar o aumento para os nossos clientes, estamos implantando parcialmente, porque o nosso estoque dos distribuidores está muito alto. O anúncio de preço para janeiro fez com que houvesse uma antecipação muito grande, uma compra maior do que seria normal”, explica o presidente executivo da Inda, Carlos Jorge Loureiro.

Estoques acima do padrão histórico

O estoque das distribuidoras cresceu cerca de 50 mil toneladas, passando de 1,08 milhão para 1,13 milhão de toneladas.

“Apesar de dezembro ser um mês em que os estoques costumam aumentar, esse nível está acima do padrão. O normal seria algo em torno de 3,7 a 3,8 vezes o giro. Chegar a 4,5 vezes é muito elevado e está bem acima do que seria desejável”, afirma Loureiro.

Um novo reajuste pode ocorrer no fim de fevereiro, segundo o executivo, condicionado a uma reunião do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que deve discutir as acusações de dumping feitas pelas siderúrgicas brasileiras contra a China.

A possibilidade de novo aumento também é vista como uma forma de pressionar as distribuidoras a anteciparem novas compras antes de um eventual reajuste adicional.

Um dos argumentos que embasam a acusação de dumping é a evolução dos preços do laminado a quente entre 14 de dezembro e 14 de janeiro. Nos Estados Unidos, o aumento foi de US$ 38 por tonelada, chegando a US$ 983. Na Europa, a alta foi de US$ 23, com a tonelada custando US$ 735. Já na China, a variação foi de apenas US$ 2, com o produto passando a US$ 405 por tonelada – valor bem abaixo da média mundial, de US$ 458.

O preço é classificado por Loureiro como “inacreditável”. “Há, de fato, dumping e um subsídio governamental muito forte ao aço chinês”, afirma. O tema deve ser discutido pelo governo brasileiro e, caso as irregularidades sejam confirmadas, a tendência é a aplicação de uma taxa adicional ou o estabelecimento de cotas para a importação do produto.

Perspectivas fracas para o início de 2026

De acordo com o presidente do Inda, o início de 2026 não deve ser positivo, conforme levantamento realizado junto aos associados, embora a expectativa seja de melhora no segundo semestre. A projeção inicial aponta para um crescimento modesto de 1,5% no ano.

“Estamos começando o ano com perspectivas ruins. Fizemos um levantamento com os associados e, embora possa haver alguma melhora nas próximas semanas, o desempenho inicial foi muito fraco. Caso se confirme a previsão de vendas de 285 mil toneladas, isso representaria um crescimento de apenas 15% em relação a dezembro. No entanto, em janeiro do ano passado, foram vendidas 320 mil toneladas, ou seja, estamos quase 11% abaixo do resultado anterior”, explica Loureiro.

A expectativa de redução nas importações de aço no segundo semestre pode contribuir para um desempenho melhor nos últimos seis meses do ano. Segundo o executivo, as importações podem recuar entre 15% e 20%. Ainda assim, o setor não prevê crescimento expressivo.

Importações atingem maior participação em dez anos

Os aços planos importados representaram 29,5% do total consumido no Brasil em 2025, percentual superior ao registrado em 2024 (22,5%) e em 2023 (23,4%), atingindo o maior patamar dos últimos dez anos.

Levantamento do Inda mostra que, na última década, as importações de aços planos cresceram 111%, passando de 1,579 milhão de toneladas em 2015 para 3,329 milhões de toneladas em 2025. O avanço se intensificou a partir de 2021, quando as importações superaram 2 milhões de toneladas.

A China segue como principal fornecedora, com mais de 2,3 milhões de toneladas em 2025, seguida pela Coreia do Sul, com quase 650 mil toneladas, e pelo Egito, com 141 mil toneladas.

“A China cresceu 0,6%, mas o grande destaque foi a Coreia do Sul, com crescimento de 380% nas exportações para o Brasil em relação ao ano anterior. O Egito também teve alta expressiva, de 240%”, destaca Loureiro.

Exportações crescem apesar das tarifas dos EUA

As exportações de aços planos cresceram 22,8% entre 2024 e 2025, passando de pouco mais de 6,5 milhões de toneladas para mais de 8 milhões.

“Apesar dos problemas relacionados ao dumping e das tarifas impostas pelos Estados Unidos, houve um crescimento significativo nas exportações de placas, que passaram de 6 milhões para 8 milhões de toneladas, um avanço de 22,8%”, comemora o presidente do Inda.

Os Estados Unidos foram o principal destino do aço brasileiro, respondendo por 46,6% das exportações, o equivalente a 469,5 mil toneladas. Segundo Loureiro, mesmo com o aumento das tarifas norte-americanas de 25% para 50%, as compras do produto brasileiro continuaram.

 
Fonte: Cidades & Minerais
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/01/2026

 

Distribuidores de aço plano esperam 3º ano de crescimento fraco em 2026

As vendas de aços planos por distribuidores no Brasil este ano devem subir 1,5%, o terceiro ano seguido de fraco crescimento, com um desempenho melhor no segundo semestre ante a primeira metade do ano, afirmou a Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) nesta quinta-feira (22).

"O crescimento do ano (2025) foi muito fraco. Prevíamos 1,5% (de alta) e cresceu 1,3%", afirmou o presidente do Inda, Carlos Loureiro, nesta quinta-feira ao comentar o volume de 3,89 milhões de toneladas vendidas por distribuidores no ano passado. "Foram dois anos muito fracos, 1,1% em 2024 e agora 1,3%", acrescentou, citando como fator de pressão a importação de aço em grandes volumes pelo Brasil.

A venda dos distribuidores de aço plano em dezembro caiu 20,4% ante novembro e recuou 0,4% na comparação anual, para 248,3 mil toneladas. Para janeiro, a expectativa é de expansão de 15% ante o mês anterior, para 285,6 mil toneladas, mas isso representa uma queda de 10,8% na comparação com janeiro de 2025.

E depois de terem repassado aumentos de preços de 5% a 8% aos distribuidores em janeiro, as usinas estão indicando novos reajustes, de mesma intensidade, em fevereiro, disse Loureiro.

Mas a força de imposição deste segundo reajuste, disse o presidente do Inda, dependerá da decisão do governo de adotar ou não neste mês medidas antidumping contra importações de aço laminado a frio.

"O assunto do antidumping está sendo uma ameaça, mas não uma realidade", disse Loureiro, citando que desde o final do ano passado o setor siderúrgico tem aguardado as medidas de defesa comercial pelo governo, expectativa que em parte ajudou nas compras dos distribuidores em dezembro, que subiram 5,7% ante um ano antes.

"Todas as usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo... Nós (distribuidores) é que não conseguimos implantar (aos clientes)", disse Loureiro, citando que, com isso, o estoque dos distribuidores terminou 2025 em nível "muito alto": a 1,129 milhão de toneladas, 11,4% acima do final de 2024 e equivalente a 4,5 meses de vendas.

O Inda espera uma queda nas importações de aço plano pelo Brasil este ano, em parte decorrente da expectativa sobre a adoção de sobretaxas pelo governo por conta dos processos antidumping, que além de laminados a frio e galvanizados incluem laminados a quente.

Segundo a entidade, as importações de aços planos no Brasil em dezembro subiram 66,6%, para 205,7 mil toneladas, encerrando o ano em alta de 24,1%, para 3,33 milhões. Loureiro afirmou que a partir do segundo trimestre deve ocorrer uma redução das importações, diante da queda nas filas de desembarques nos portos do país, notadamente no Sul, onde está a principal porta de entrada de aço no Brasil, o porto de São Francisco do Sul (SC).

"O último lineup deu menos de 500 mil toneladas, já chegou acima de 1 milhão de toneladas", afirmou.

Nas contas do Inda, no ano passado, a participação das importações em relação à produção nacional de aços planos chegou a 29,5%, maior nível dos últimos 10 anos. Já ante as vendas de aços planos no mercado interno a importação foi equivalente a 32,5%, também maior nível em 10 anos. Já considerando apenas as vendas dos distribuidores, as importações de aço no ano passado foram equivalentes a 85,5% do volume comercializado pelo setor. Em 2020, essa proporção era de cerca de 26%.

No ano passado, o maior exportador de aço ao Brasil foi a China, com 2,32 milhões de toneladas, 0,6% acima do volume de 2024, segundo os dados do Inda. O destaque das origens ficou com Coreia do Sul, que elevou as exportações de aços planos ao Brasil em quase cinco vezes em 2025, para cerca de 650 mil toneladas. O Egito também foi destaque, com crescimento das vendas ao Brasil que passaram de 40,7 mil toneladas em 2024, para 141,4 mil em 2025.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/01/2026

Brasil enfrenta desafios para se consolidar no mercado de terras raras

O Brasil detém 23% das reservas de terras raras do planeta, ficando atrás somente da China. Mas, o país ainda não tem legislação específica e infraestrutura adequada para extrair e aproveitar o potencial dessas riquezas naturais. Além disso, o impacto ambiental da extração dos minérios é um grande desafio.

Os estados de Minas Gerais, Goiás e Pará detém a maior concentração de terras raras. Por enquanto, o Brasil se limita à exportação em estado bruto dos minerais por falta, principalmente, de tecnologia e infraestrutura de processamento.

“Não basta ter a reserva mineral, a gente tem que ter também o parque para que haja a agregação de valor, a produção de um bem que tenha aplicação final para o consumidor”, afirmou Israel Lacerda, consultor legislativo especialista em minas e energia.

Os poderes Executivo e Legislativo concordam que é urgente regulamentar o setor, atrair investimentos e desenvolver a cadeia de valor, para agregar valor ao produto final e reduzir a dependência chinesa. No Parlamento, as discussões envolvem a necessidade de um marco legal para a exploração sustentável desses elementos críticos.

“Hoje, nós temos projetos de mineração de terras raras aqui no Brasil, a maioria na mão de empresas multinacionais, mas não estamos trabalhando o beneficiamento. Então, temos que romper essa situação que nós estamos de ser um mero exportador do produto bruto para, realmente, entrarmos na cadeia de maior valor agregado, que é fundamental para o nosso país”, declarou o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Fernando Haddad, ministro da Fazenda (PT), concorda que o país precisa deixar de ser “um simples exportador de mais uma commodity”.

“Eu espero que nós possamos fazer com a Europa, com a China, com os Estados Unidos, que são nossos parceiros, acordos de cooperação tecnológica para agregar valor no Brasil. Concordo plenamente que tem que ser objeto de deliberação dos poderes da República, em especial do Congresso Nacional”.

Com a demanda global crescente e o incentivo a cadeias de suprimento fora da Ásia, o Brasil tem condições de se tornar um player relevante. As vantagens estratégicas incluem a matriz energética limpa, diversificação mineral, já que as terras raras são associadas ao nióbio, fosfato e estanho, e o interesse crescente de empresas internacionais e fundos de inovação.

 
Fonte: PB News
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/01/2026

Novo resultado fraco derruba Brasil em ranking da indústria global

A produção industrial brasileira cresceu menos de um terço do observado na média da indústria global, no terceiro trimestre de 2025, segundo estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), feito com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido, na sigla em inglês) e antecipado ao Valor.

No levantamento, a atividade industrial no país cresceu 0,2% no trimestre encerrado em setembro de 2025, ante o segundo trimestre do ano passado. No mesmo período comparativo, a indústria global manufatureira mostrou alta de 0,7%, na produção. Ante mesmo trimestre de ano anterior, o quadro foi pior. Enquanto a indústria global mostrou alta de 3,9%, a indústria no Brasil teve queda de 0,6% na produção.

O fraco desempenho fez com que o Brasil caísse cinco posições, na passagem do segundo para o terceiro trimestre, no ranking global de atividade industrial do Iedi. Na listagem, feita com informações de 80 países, o Brasil caiu para 65ª posição. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o tombo foi pior: queda de 44 posições no terceiro trimestre do ano passado.

Juros altos por período prolongado de tempo foram a razão para a performance ruim até setembro do ano passado, afirmou Rafael Cagnin, diretor-executivo do Iedi.

Atualmente a Selic, taxa básica de juros que norteia juros de mercado, opera a 15% ao ano, maior patamar desde 2006 e está nesse nível há seis meses. O juro elevado diminui o ritmo industrial em duas frentes, disse Cagnin. Reduz o consumo interno via crédito, o que afeta negativamente encomendas à indústria. Por outro lado, notou, deixa mais caro, para o industrial, o capital de giro via financiamentos - necessário à indústria, para compra de maquinário e consequente modernização.

Cagnin explicou que, mesmo com perspectiva de corte na Selic em 2026, não acredita em grande retomada da indústria neste ano. “Um corte [da Selic] só teria efeito [na economia real] no fim do ano”, explicou. Ele lembrou que cortes na taxa básica de juros têm efeito defasado no mercado, de seis a oito meses.

No estudo, o especialista comentou que o tombo da atividade industrial brasileira foi expressivo o suficiente para influenciar a média da produção industrial latino-americana. No terceiro trimestre de 2025, a América Latina mostrou recuo de 0,6% ante o segundo trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, o recuo foi de 0,1%, na produção industrial latino-americana.

Outro aspecto que ajuda a explicar o menor ritmo de avanço industrial, ante a média mundial, tem a ver com o fator estrutural, acrescentou o economista.

De acordo com ele, a indústria manufatureira global tem cerca de 45% de estrutura industrial focada em ramos de alta e média-alta tecnologias. São aqueles impulsionados por automação, digitalização, inteligência artificial e tecnologias “descarbonizantes” - como placas solares. Esses têm apresentado maior demanda nos últimos anos. Isso ajuda a explicar a média global industrial, com saldo positivo, até terceiro trimestre, notou.

No Brasil, essa fatia estrutural não chega a 30% da indústria de transformação. Isso porque setores de alta e média-alta tecnologia, além de mais dinâmicos globalmente, são mais dependentes de juros por serem muito impulsionados via crédito. Significa que em ambiente de juros altos investir em tais campos torna-se mais caro do que em outros países.

Assim, tendo em vista fatores conjunturais, como juros altos, e estruturais da indústria, o especialista comentou ser “muito provável” que o Brasil continue na “segunda metade do ranking global”, no quarto trimestre de 2025.

Esse ritmo mais fraco da indústria pode prosseguir este ano, reiterou. Isso porque, segundo ele, as atuais condições que derrubaram a produção industrial brasileira devem continuar a operar na maior parte de 2026.

Para a retomada sustentável e de longo prazo na indústria, Cagnin defendeu algumas mudanças no quadro macroeconômico, especialmente nas taxas de juros que são, no entendimento dele, “sistematicamente altas”.

Entre as recomendações, está incorporar a reforma tributária, simplificando impostos, para a cadeia industrial. Outras linhas de ações defendidas foram redução de custos de energia à indústria e alocação de investimentos na formação de cadeias produtivas de tecnologias descarbonizantes.

Também para 2026, o técnico disse ainda esperar alguma acomodação na produção da indústria mundial. Isso porque o mundo opera com grau elevado de incertezas devido à nova condução da geopolítica global pelo presidente americano Donald Trump. Ambientes assim, disse, não estimulam novos investimentos por parte da indústria global.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 22/01/2026