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Produção mundial cai 4,2% em março e 2,3% no primeiro trimestre

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 159,9 milhões de toneladas em março de 2026, uma redução de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A Ásia e a Oceania produziram 119,3 milhões de toneladas em março, um decréscimo de 3,9% sobre março do último ano. A China produziu 87 milhões de toneladas, 6,3% a menos que em março de 2025, enquanto a Índia produziu 15,3 milhões de toneladas no mês, um incremento de 9,4% sobre o mesmo mês de 2025. Japão e Coreia do Sul produziram 6,9 milhões de toneladas e 5,4 milhões de toneladas de aço bruto em março, respectivamente, com queda de 4,1% e aumento de 1,5% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Os países do Bloco Europeu produziram 11,4 milhões de toneladas de aço em março de 2026, ou 4,6% a menos que no mesmo mês do ano passado. A Alemanha produziu 3,3 milhões de toneladas, uma alta de 7,5%. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,8 milhões de toneladas, um crescimento de 4,9% sobre março de 2025, enquanto a África – Egito, Líbia e África do Sul – produziu 2,2 milhões de toneladas de aço bruto em março, 11,6% superior na comparação com março de 2025. Já os países da CIS produziram 6,6 milhões de toneladas, 7,9% a menos sobre o mesmo mês do último ano, com a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,4 milhões de toneladas, um recuo de 11,4% sobre o mesmo mês de 2025. Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – produziram 3,5 milhões de toneladas de aço bruto e viu o volume despencar 33,5% na comparação com um ano antes. O Vietnã teve produção estimada de 2,2 milhões de toneladas no mês, 5,7% superior a março do último ano.

A produção na América do Norte cresceu 3,5% em março de 2026, somando 9,5 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas, e cresceram 5,2% em relação ao desempenho de março do ano passado, enquanto a América do Sul alcançou 3,6 milhões de toneladas e caiu 0,5%, comparado a um ano antes. O Brasil registrou produção de 2,8 milhões de toneladas, 2,5% inferior a março do último ano.

No primeiro trimestre de 2026, a produção global de aço bruto foi de 459,2 milhões, um recuo de 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Ásia e Oceania produziram 341,7 milhões de aço bruto no primeiro trimestre de 2025, queda de 2,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A UE produziu 11,4 milhões t de aço bruto no primeiro trimestre de 2026, 4,6% a menos em relação ao mesmo trimestre de 2025. A produção de aço bruto da América do Norte foi de 27,5 milhões de toneladas entre janeiro e março de 2026 e cresceu 2,3% em relação a um ano antes, enquanto Rússia e outros CIS + Ucrânia produziram 18,9 milhões de toneladas de aço bruto no primeiro trimestre de 2026, um decréscimo de 9,8% sobre o mesmo período de 2025, enquanto a América do Sul produziu 10,2 milhões de toneladas no trimestre, 1,9% a menos que o primeiro trimestre do último ano.

 

Produção brasileira de aço bruto registra 8,1 milhões/t no 1T26: queda de 3,1% , diz IABr

A redução é referente ao mesmo trimestre em 2025. As exportações no primeiro trimestre de 2026 atingiram 2,8 milhões de toneladas, e em valor US$ 1,8 bilhão, respectivamente, crescimento de 12,1% no volume e queda de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro trimestre as importações registraram 1,8 milhão toneladas, aumento no volume de 4,2% , em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão, crescimento de 0,9% ante o mesmo período do ano anterior.

A produção brasileira de aço bruto foi de 2,8 milhões de toneladas em março de 2026, uma queda de 2,5% frente ao apurado no mesmo mês de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 6,1% inferior à registrada em março de 2025. A produção de semiacabados para vendas foi de 800 mil toneladas, uma retração de 0,9% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2025, dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr), no dia 20 de abril de 2026 (segunda-feira).

Quanto as vendas internas, elas avançaram 4,9% frente ao apurado em março de 2025 e atingiram 1,9 milhão de toneladas(t). O consumo aparente de produtos de aço foi de 2,4 milhões de toneladas, 1,1% superior ao apurado no mesmo período de 2025.

Exportações — As exportações de março de 2026 registraram 584 mil toneladas, ou US$ 413 milhões, o que resultou em queda de 25,8% e de 22,9%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2025.

Importações — As importações de março de 2026 foram 608 mil toneladas e de US$ 599 milhões, uma redução de 8,3% em volume e aumento de 9,5% em valor na comparação com o registrado em março de 2025.

O setor no primeiro trimestre de 2026 — No acumulado de janeiro a março de 2026 a produção brasileira de aço bruto foi de 8,1 milhões de toneladas(t), o que representa uma queda de 3,1% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 5,6 milhões de toneladas, redução de 3,5% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2025. A produção de semiacabados para vendas totalizou 2,1 milhões de toneladas de janeiro a março de 2026, um aumento de 0,3% na mesma base de comparação.

Ainda no primeiro trimestre de 2026, as vendas internas foram de 5,1 milhões de toneladas o que representa uma retraç ão de 1,1% quando comparadas com igual período do ano anterior.

Já o consumo aparente nacional de produtos de aço foi de 6,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre. Este resultado representa uma queda de 0,8% frente ao registrado no mesmo período de 2025.

Exportações — As exportações no primeiro trimestre de 2026 atingiram 2,8 milhões de toneladas, ou US$ 1,8 bilhão. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 12,1% e queda de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

Importações — As importações alcançaram 1,8 milhão toneladas no acumulado até março de 2026, um aumento de 4,2% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão e expandiram 0,9% no mesmo período de comparação.

Produção regional — Quanto a distribuição regional da produção de aço bruto, de semiacabados e laminados no mês de março de 2026, despontam os estados Minas Gerais; Rio de Janeiro ; Espírito Santo; São Paulo, respectivamente nesta ordem.

Ranking de produção de aço bruto na América Latina — A produção de aço bruto em março de 2026 na América Latina, o Brasil aparece em primeiro lugar, respectivamente: Brasil; México; Argentina; Peru; Colômbia; Chile; Equador; Guatemala; Cuba; El Salvador; Uruguai/ Venezuela; Paraguai.

Ranking mundial de produção de aço bruto — A produção mundial do aço bruto em março de 2026 o Brasil aparece em nono lugar respectivamente, em uma lista de cerca de 40 países: China; Índia; Estados Unidos; Japão; Rússia; Coréia do Sul; Turquia; Alemanha; Brasil; Irã; Vietnã; Itália; Formosa(Taiwan); México; Canadá; Espanha; Arábia Saudita.

ICIA — O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de abril de 2026 cresceu 2,4 pontos, e chegou aos 51,7 pontos, e ficou na linha dos 50 pontos, — linha divisória entre confiança e falta de confiança para os próximos seis meses.

 

*Com agências de notícias (Brasil Mineral e Portal Fator)

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/04/2026

 

Demanda por aço deve reagir em 2026, diz CEO da ArcelorMittal Pecém

O mercado brasileiro de aço deve apresentar desempenho melhor em 2026 na comparação com 2025, avalia o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres. Em entrevista à CNN, o executivo afirmou que alguns dos principais setores consumidores do produto já demonstram condições mais favoráveis de atividade.

Segundo Torres, áreas como construção civil, linha branca e até o setor automotivo indicam melhora nas perspectivas de demanda por aço no país. “Esses setores estão com condições de mercado melhores, o que tende a refletir em uma recuperação gradual do consumo de aço”, afirmou.

A expectativa de avanço no mercado doméstico, se deve a um movimento coordenado do setor siderúrgico de pressão no governo por medidas adicionais de defesa comercial diante do aumento das importações, especialmente vindas da China.

Torres destacou que o volume de aço importado no Brasil cresceu significativamente nas últimas duas décadas. De acordo com ele, esse avanço tem pressionado a competitividade da produção nacional.

“O crescimento de material importado foi de 160% nas últimas duas décadas. O aço importado chinês que chegou ao Brasil foi de 5,7 milhões de toneladas em 2025, quase duas vezes a produção da ArcelorMittal Pecém. Isso traz uma competição desleal com o aço produzido no Brasil”, disse.

O tema ganhou força recentemente após o governo brasileiro ampliar o número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) incluídas no sistema de cota-tarifa para produtos de aço que excederem limites de importação. Além disso, foi aberta uma investigação antidumping envolvendo 25 produtos siderúrgicos de origem chinesa.

As medidas atendem a demandas do setor por maior proteção comercial e seguem movimentos semelhantes adotados por países da Europa e da América do Norte.

Para o executivo, o custo de produção do aço chinês não estaria dentro de uma faixa considerada natural de mercado, o que levanta questionamentos sobre as condições de concorrência internacional.

Segundo ele, o custo de produção chinesa não está dentro de uma “faixa natural”, o que interfere na competição leal de mercado.

No cenário externo, a siderurgia brasileira também enfrenta desafios. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% a produtos brasileiros (entre eles o aço), exportadoras como a ArcelorMittal Pecém passaram a enfrentar maior dificuldade para competir no mercado americano.

Diante disso, empresas com produção local nos Estados Unidos, como a Gerdau, acabam tendo vantagem competitiva nesse ambiente tarifário. Ainda assim, o executivo afirma que o mercado americano continua estratégico para a companhia.

“O mercado americano ainda é muito atrativo mesmo com a taxação, porque permite colocar aço de alto valor agregado. Por isso conseguimos nos manter nesse mercado”, afirmou.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/04/2026

Lula critica acordo em Goiás e questiona concessão de terras raras aos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou um possível acordo envolvendo a exploração de terras raras em Goiás e questionou a atuação do governador Ronaldo Caiado. As declarações foram divulgadas em publicação na rede social X (antigo Twitter), que repercutiu trechos de entrevista concedida pelo chefe do Executivo federal.

“O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União. Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir", afirmou Lula. Em outro momento, o presidente classificou a negociação como “uma vergonha”.

As críticas ocorrem após a venda da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR), em operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. A transação, anunciada na segunda-feira (20), envolve uma das poucas produções relevantes de terras raras fora da Ásia, o que ampliou o debate no governo federal sobre soberania nacional e controle de recursos estratégicos.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), considerada a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil, em produção desde 2024. A empresa também se destaca por produzir terras raras pesadas de alto valor, como disprósio, térbio e ítrio — insumos fundamentais para setores como veículos elétricos, energia renovável, defesa, semicondutores e indústria aeroespacial.

Atualmente, mais de 90% da produção global desses minerais está concentrada na China, o que intensifica a disputa internacional por cadeias de suprimento alternativas. Nesse contexto, a aquisição da Serra Verde por uma empresa apoiada por capital e agências dos Estados Unidos reforça o interesse geopolítico sobre o setor.

Segundo comunicado da própria mineradora brasileira, a operação permitirá a criação de uma das maiores empresas globais do segmento. “As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou a companhia.

O acordo inclui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos, que prevê o abastecimento integral da produção da fase inicial da mina a uma empresa de propósito específico (SPV), financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados. O contrato estabelece preços mínimos garantidos para os minerais, o que, segundo a USAR, assegura estabilidade financeira ao projeto. “O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirmou a empresa.

A mineradora também destacou que a união das operações resultará em uma companhia com presença em diferentes países, incluindo Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, abrangendo toda a cadeia produtiva — da mineração à fabricação de ímãs.

 
Fonte: Brasil 247
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/04/2026

 

Terrabras expõe disputa entre soberania nacional e capital estrangeiro nas terras raras

A disputa pelo controle das terras raras brasileiras revela a tensão entre a defesa da soberania nacional e os interesses do capital estrangeiro. A proposta de criação da estatal Terrabras ganha força diante do avanço de mineradoras apoiadas por governos externos.

A norte-americana USA Rare Earth comprou a mineradora Serra Verde, que opera a mina Pela Ema em Minaçu, no estado de Goiás. Essa é a única mina fora da Ásia capaz de produzir em escala quatro elementos essenciais para ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas e equipamentos de defesa.

O acordo contou com financiamento da Development Finance Corporation, agência governamental dos Estados Unidos ligada ao Departamento de Estado. Os contratos garantem o fornecimento por 15 anos com destino exclusivo ao mercado norte-americano, sem etapas de refino no Brasil.

O governo dos EUA anunciou um aporte de 1,6 bilhão de dólares para fortalecer a cadeia de suprimentos de minerais críticos. A medida integra os esforços americanos para reduzir a dependência de minerais chineses — enquanto aprofunda a dependência brasileira de um único comprador.

Entidades como o Instituto Brasileiro de Mineração e a Associação de Minerais Críticos, junto com a Embaixada dos Estados Unidos, pressionam contra a criação da Terrabras. Parlamentares alinhados a esses interesses também atuam no Congresso Nacional, conforme análise do portal CartaCapital.

O Projeto de Lei 2780 de 2024 institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e tramita em regime de urgência. O relator Arnaldo Jardim, do Cidadania, posicionou-se contra a criação de estatal, argumentando que o Estado deve apenas regular o setor.

Essa posição ignora a intervenção ativa dos Estados Unidos por meio da Development Finance Corporation e de contratos de longo prazo que drenam recursos estratégicos sem agregar valor ao país. O senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, afirmou em evento da CPAC 2026 no Texas que o Brasil seria a solução para os norte-americanos reduzirem a dependência da China — revelando a que interesses serve essa agenda.

O deputado federal Pedro Uczai, do PT, autor da proposta da Terrabras, articula junto a movimentos populares pela aprovação da estatal. O deputado Glauber Braga, do PSOL, também defende o controle público sobre os minerais estratégicos.

O governo federal ainda não definiu o tema como prioridade central em sua agenda. A secretária de Comércio Exterior Tatiana Prazeres admitiu que esses minerais têm sido usados como moeda de negociação para obter redução de tarifas sobre produtos brasileiros.

A análise do portal CartaCapital destaca que a exploração mundial de minerais críticos é marcada por forte presença estatal. Países como a China e os Estados Unidos protegem suas cadeias com restrições rigorosas à atuação de capital estrangeiro — enquanto pressionam o Brasil a abrir as suas.

A Constituição Federal estabelece que as jazidas minerais pertencem à União. Defensores da Terrabras veem na estatal o instrumento necessário para evitar que o país permaneça como simples exportador de matérias-primas estratégicas, sem soberania sobre sua própria riqueza mineral.

 
Fonte: O Cafezinho
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 22/04/2026

 

Brasil e Alemanha reforçam parceria industrial e miram dobrar comércio em cinco anos

A indústria brasileira intensificou sua agenda internacional e colocou a Alemanha no centro de sua estratégia de expansão global. Durante a Hannover Messe 2026 — considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo — representantes do Brasil defenderam o fortalecimento da parceria bilateral com o país europeu e estabeleceram a meta de dobrar o comércio entre as duas economias nos próximos cinco anos.

Atualmente, a corrente de comércio entre Brasil e Alemanha supera US$ 20 bilhões anuais, mas ainda é vista como aquém do potencial. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o momento global abre uma janela de oportunidade para ampliar essa relação, especialmente diante da reorganização das cadeias produtivas e da busca por parceiros confiáveis no cenário internacional.

Delegação recorde e protagonismo brasileiro

A estratégia brasileira ganhou força com o envio de uma delegação robusta à Alemanha. Mais de 260 representantes da indústria — entre empresários e executivos — participam da missão liderada pela CNI em parceria com a ApexBrasil, com presença em fóruns de negócios e na programação oficial da feira.

O protagonismo é ainda maior nesta edição, já que o Brasil ocupa a posição de país parceiro da Hannover Messe 2026. Isso amplia a visibilidade internacional da indústria nacional e cria oportunidades para apresentar projetos, atrair investimentos e firmar acordos de cooperação tecnológica.

Além da feira, a agenda inclui o Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) e reuniões da Comissão Mista de Cooperação Econômica (Comista), fóruns nos quais governos e setor privado discutem temas estratégicos para o avanço das relações bilaterais.

Tecnologia, energia e transição industrial

Entre os principais eixos da cooperação estão áreas de alta tecnologia e inovação, como digitalização industrial, inteligência artificial e automação. A transição energética também aparece como prioridade, com destaque para biocombustíveis, descarbonização e soluções sustentáveis.

O Brasil busca se posicionar não apenas como fornecedor de matérias-primas, mas como parceiro na geração de valor e no desenvolvimento tecnológico conjunto. Nesse contexto, a matriz energética renovável brasileira surge como um diferencial competitivo, especialmente para atender às demandas da indústria europeia por soluções de baixo carbono.

Outro ponto relevante nas negociações é o avanço de acordos estruturais, como o tratado para evitar a dupla tributação e a implementação do acordo Mercosul–União Europeia, considerados fundamentais para destravar investimentos e ampliar o fluxo comercial.

Nova geopolítica favorece aproximação

A reaproximação entre Brasil e Alemanha também reflete mudanças no cenário global. A crise energética europeia e a reorganização das cadeias produtivas têm levado países a buscar parceiros mais estáveis e sustentáveis — tendência conhecida como “friendly-shoring”.

Nesse contexto, o Brasil ganha relevância por combinar disponibilidade de recursos naturais, capacidade industrial e segurança energética. Para líderes da indústria, o país reúne condições para se tornar um aliado estratégico da Alemanha em setores-chave da nova economia.

Perspectivas de longo prazo

A mobilização em torno da Hannover Messe indica uma tentativa clara de reposicionar o Brasil no mapa industrial global. Mais do que ampliar exportações, a estratégia busca atrair investimentos, fomentar inovação e integrar o país às cadeias de valor de alta tecnologia.

Se a meta de dobrar o comércio bilateral for alcançada, o movimento pode representar um salto qualitativo na relação entre os dois países — com impactos diretos na competitividade da indústria brasileira e na inserção do país em uma economia cada vez mais orientada por tecnologia e sustentabilidade.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 20/04/2026

Após medidas de proteção ao mercado, produção de aço cresce e volume de importação cai em março

A produção de aço bruto no Brasil atingiu 2,81 milhões de toneladas em março, representando um crescimento de 11,4% em relação a fevereiro. Os números são semelhantes aos de março de 2025, que foi de 2,88 milhões de toneladas. Os dados são do Instituto Aço Brasil (Iabr).

As importações recuaram de 629 mil toneladas em fevereiro para 608 mil toneladas em março deste ano. Mas, em valores, subiram de US$ 492 milhões para US$ 599 milhões. As importações de março de 2026 representam redução de 8,3% em volume e aumento de 9,5% em valor na comparação com o registrado em março de 2025.

A queda em volume das importações e da produção em março com relação ao mês anterior — embora fevereiro tenha menos dias úteis — coincide com a adoção de medidas de proteção ao mercado contra produtos siderúrgicos provenientes da China, que foram adotadas no fim de fevereiro pelo governo federal.

O antidumping contra a China — medida de defesa comercial aplicada para taxar produtos importados vendidos a preços artificialmente baixos, geralmente subsidiados para aumentar a competitividade internacional — foi publicado na edição de 18/02 do “Diário Oficial da União”. As taxas passaram a valer após a publicação para três categorias: agulhas hipodérmicas, laminados planos de aço-carbono e aços laminados planos.

A resolução do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) foi assinada no dia 13 de fevereiro, atendendo a uma demanda antiga do setor. O Iabr não disponibilizou fontes para comentar os resultados e para informar se há relação nos números com a adoção do antidumping.

Segundo o balanço do Iabr, as vendas internas avançaram 4,9% frente ao apurado em março de 2025 e atingiram 1,9 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos de aço foi de 2,4 milhões de toneladas, 1,1% superior ao mesmo período de 2025.

As exportações de março de 2026 foram de 584 mil toneladas, ou US$ 413 milhões, o que representou uma queda de 25,8% em volume e de 22,9% em valor em relação ao mesmo mês de 2025.

Acumulado de janeiro a março

A produção brasileira de aço bruto no primeiro trimestre de 2026 somou 8,1 milhões de toneladas, queda de 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Aço Brasil. Na mesma base de comparação, as importações de laminados alcançaram 1,57 milhão de toneladas, alta de 8,3%. Em termos anualizados, o volume de entrada desse produto no país é estimado em 6,26 milhões de toneladas, patamar que representa o triplo da média anual registrada entre 2000 e 2019 (de 2,2 milhões de toneladas) e 9% acima dos 5,75 milhões de toneladas registrados em 2025.

As vendas internas totalizaram 5,1 milhões de toneladas entre janeiro e março, com recuo de 1,1%. O consumo aparente de produtos de aço foi de 6,6 milhões de toneladas, queda de 0,8%. Já as exportações alcançaram 2,8 milhões de toneladas no período, crescimento de 12,1%.

Confiança em alta

O Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) fechou abril em 51,7 pontos, com avanço de 2,4 pontos. A manutenção do índice próxima à linha dos 50 pontos indica que a melhora, ainda que moderada, reflete as expectativas dos executivos das siderúrgicas para os próximos seis meses, em um cenário que segue marcado por incertezas quanto à situação atual.

O indicador de expectativas para os próximos seis meses cresceu 8,2 pontos frente ao registrado anteriormente, para 56,6 pontos. O índice que mede as expectativas sobre a economia brasileira aumentou 3,4 pontos e atingiu 40,8 pontos. O indicador de expectativas sobre a própria empresa aumentou 10,6 pontos e situou-se em 64,5 pontos.

 
Fonte: O Tempo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/04/2026