Importações brasileiras de aço mudam de direção entre planos e longos em agosto
As importações brasileiras de aço apresentaram movimentos distintos entre as principais famílias de produtos em agosto. O forte aumento observado em julho nos desembarques de vergalhão e fio-máquina não se repetiu, enquanto as importações de aços planos voltaram a crescer.
Levantamento da Infomet, elaborado a partir dos dados detalhados por NCM do Comex Stat/MDIC, mostra que as importações da cesta de vergalhão recuaram de 20,1 mil toneladas em julho para 2,7 mil toneladas em agosto, queda de 86,4%. No fio-máquina, as entradas diminuíram de 31,1 mil para 9 mil toneladas, retração de 71,1%.
Os dados consolidados de agosto foram disponibilizados pela Secretaria de Comércio Exterior em 4 de setembro. A base permite acompanhar os fluxos por produto e origem, além de peso líquido, valor FOB, frete e seguro.
Salto dos longos perde força
A reversão foi particularmente intensa nos embarques originários do Egito. No vergalhão, o volume egípcio passou de 18,2 mil toneladas em julho para 2,3 mil toneladas em agosto. No fio-máquina, caiu de 26,2 mil para 8,1 mil toneladas.
A concentração por origem e a forte redução no mês seguinte reforçam a leitura de que o salto de julho esteve relacionado principalmente a desembarques específicos, e não ao início de uma expansão contínua das importações de longos. Os dados de setembro serão necessários para confirmar essa interpretação.
Uma análise da XP sobre os números da Secex aponta a mesma direção para a família dos longos. Considerando a cesta utilizada pela instituição, as importações recuaram 26% frente a julho, para 66 mil toneladas, embora ainda tenham ficado 21% acima de agosto de 2025.
O valor CIF médio do vergalhão passou de aproximadamente US$ 640 para US$ 621 por tonelada. No fio-máquina, permaneceu praticamente estável, de US$ 692 para US$ 696 por tonelada.
Esses valores incluem produto, frete e seguro, mas não representam o custo final nacionalizado, que também incorpora tributos, tarifas e demais despesas da operação.
Planos seguem direção diferente
Nos produtos planos, o comportamento foi distinto. Segundo a XP, as importações da família alcançaram 235 mil toneladas em agosto, aumento de 15% frente a julho, mas ainda 17% abaixo do mesmo mês de 2025. O avanço mensal concentrou-se principalmente em produtos revestidos, com acréscimo de 19 mil toneladas, e em bobinas laminadas a frio, com alta de 28 mil toneladas.
Na cesta de bobinas a quente de aço não ligado acompanhada pela Infomet, as importações passaram de 54,7 mil toneladas em julho para 58,4 mil toneladas em agosto, alta de 6,8%. Foi o segundo avanço mensal consecutivo, depois das 16,2 mil toneladas registradas em junho.
Na comparação com agosto de 2025, entretanto, o volume ainda ficou 22,1% menor.
A composição das origens também mudou. Japão e Taiwan forneceram juntos 48,2 mil toneladas em agosto, equivalentes a mais de 80% da cesta de BQ analisada pela Infomet. As entradas provenientes da China diminuíram de 4,2 mil para 1,5 mil toneladas.
O movimento mostra que uma redução da participação chinesa não significa necessariamente queda equivalente da concorrência importada. Outros fornecedores podem ocupar espaço no mercado brasileiro, tornando necessária uma leitura dos fluxos por produto e origem, além dos volumes agregados.
O valor CIF médio da cesta de BQ permaneceu praticamente estável, passando de US$ 578 para US$ 576 por tonelada. Assim como nos longos, essa referência não representa o custo efetivamente nacionalizado do material.
Demanda mantém ambientes distintos
A diferença entre planos e longos também aparece no mercado doméstico. Nos últimos dados disponíveis do Instituto Aço Brasil, referentes a julho, o consumo aparente de produtos planos ficou praticamente estável frente ao mesmo mês de 2025, com queda de 0,6%, enquanto nos longos a retração chegou a 10,4%.
Isso significa que a forte redução das importações de vergalhão e fio-máquina ocorreu justamente no segmento que apresentava maior enfraquecimento da demanda doméstica. A menor entrada de material estrangeiro, portanto, não representa automaticamente recuperação do poder de preço das usinas.
Nos planos, a recuperação das importações ocorre em um mercado ainda limitado pelos estoques da distribuição. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, referentes a julho, os estoques somavam aproximadamente 1,2 milhão de toneladas, equivalentes a 3,6 meses de vendas. As vendas dos distribuidores estavam 4,4% abaixo de julho de 2025.
O mercado chinês também não produziu, no período, uma nova onda baixista capaz de explicar isoladamente a mudança dos fluxos brasileiros. Na semana encerrada em 4 de setembro, o vergalhão HRB400E subiu 34 yuans, para 3.338 yuans por tonelada. A produção de BQ das 37 usinas acompanhadas pela Mysteel aumentou 2,4%, para 2,95 milhões de toneladas, depois de duas semanas de retração. (Mysteel — preços; Mysteel — produção de BQ)
Pressão importada muda de composição
Os dados de agosto reduzem o risco imediato de que o salto de julho tenha marcado o início de uma nova onda de importações de vergalhão e fio-máquina. A confirmação dependerá, porém, da continuidade do movimento nos próximos meses.
Nos planos, a dinâmica foi diferente. As importações agregadas voltaram a crescer, enquanto a cesta de BQ acompanhada pela Infomet permaneceu acima de 50 mil toneladas pelo segundo mês consecutivo. A mudança das origens mostra ainda que a concorrência externa não deve ser avaliada apenas pela participação da China.
Para usinas, distribuidores, revendas e compradores industriais, agosto reforça a necessidade de acompanhar as importações produto a produto. Longos e planos seguem dinâmicas diferentes, enquanto mudanças de origem podem preservar a pressão competitiva externa mesmo quando determinado fornecedor perde participação.
Metodologia: levantamento da Infomet elaborado sobre a base detalhada por NCM do Comex Stat/MDIC, atualizada em 4 de setembro de 2026. A cesta de vergalhão considera o NCM 7214.20.00 e o NCM 7213.10.00, este último correspondente ao fio-máquina nervurado utilizado como vergalhão em rolo. O NCM 7213.10.00 não foi novamente incluído na cesta de fio-máquina, evitando dupla contagem. Para fio-máquina, foram considerados os NCMs 7213.20.00, 7213.91.10, 7213.91.90, 7213.99.10, 7213.99.90, 7227.20.00 e 7227.90.00. Para bobinas a quente de aço não ligado, foram considerados os NCMs 7208.10.00, 7208.25.00, 7208.26.10, 7208.26.90, 7208.27.10, 7208.27.90, 7208.36.10, 7208.36.90, 7208.37.00, 7208.38.10, 7208.38.90, 7208.39.10 e 7208.39.90. A cesta reúne produtos em bobinas simplesmente laminados a quente, incluindo materiais decapados, não decapados e com motivos em relevo. Não inclui chapas fora de rolo, aços ligados ou inoxidáveis e, portanto, não representa o total das importações brasileiras de laminados a quente.
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/09/2026