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Importações brasileiras de aço mudam de direção entre planos e longos em agosto

As importações brasileiras de aço apresentaram movimentos distintos entre as principais famílias de produtos em agosto. O forte aumento observado em julho nos desembarques de vergalhão e fio-máquina não se repetiu, enquanto as importações de aços planos voltaram a crescer.

Levantamento da Infomet, elaborado a partir dos dados detalhados por NCM do Comex Stat/MDIC, mostra que as importações da cesta de vergalhão recuaram de 20,1 mil toneladas em julho para 2,7 mil toneladas em agosto, queda de 86,4%. No fio-máquina, as entradas diminuíram de 31,1 mil para 9 mil toneladas, retração de 71,1%.

Os dados consolidados de agosto foram disponibilizados pela Secretaria de Comércio Exterior em 4 de setembro. A base permite acompanhar os fluxos por produto e origem, além de peso líquido, valor FOB, frete e seguro.

Salto dos longos perde força

A reversão foi particularmente intensa nos embarques originários do Egito. No vergalhão, o volume egípcio passou de 18,2 mil toneladas em julho para 2,3 mil toneladas em agosto. No fio-máquina, caiu de 26,2 mil para 8,1 mil toneladas.

A concentração por origem e a forte redução no mês seguinte reforçam a leitura de que o salto de julho esteve relacionado principalmente a desembarques específicos, e não ao início de uma expansão contínua das importações de longos. Os dados de setembro serão necessários para confirmar essa interpretação.

Uma análise da XP sobre os números da Secex aponta a mesma direção para a família dos longos. Considerando a cesta utilizada pela instituição, as importações recuaram 26% frente a julho, para 66 mil toneladas, embora ainda tenham ficado 21% acima de agosto de 2025.

O valor CIF médio do vergalhão passou de aproximadamente US$ 640 para US$ 621 por tonelada. No fio-máquina, permaneceu praticamente estável, de US$ 692 para US$ 696 por tonelada.

Esses valores incluem produto, frete e seguro, mas não representam o custo final nacionalizado, que também incorpora tributos, tarifas e demais despesas da operação.

Planos seguem direção diferente

Nos produtos planos, o comportamento foi distinto. Segundo a XP, as importações da família alcançaram 235 mil toneladas em agosto, aumento de 15% frente a julho, mas ainda 17% abaixo do mesmo mês de 2025. O avanço mensal concentrou-se principalmente em produtos revestidos, com acréscimo de 19 mil toneladas, e em bobinas laminadas a frio, com alta de 28 mil toneladas.

Na cesta de bobinas a quente de aço não ligado acompanhada pela Infomet, as importações passaram de 54,7 mil toneladas em julho para 58,4 mil toneladas em agosto, alta de 6,8%. Foi o segundo avanço mensal consecutivo, depois das 16,2 mil toneladas registradas em junho.

Na comparação com agosto de 2025, entretanto, o volume ainda ficou 22,1% menor.

A composição das origens também mudou. Japão e Taiwan forneceram juntos 48,2 mil toneladas em agosto, equivalentes a mais de 80% da cesta de BQ analisada pela Infomet. As entradas provenientes da China diminuíram de 4,2 mil para 1,5 mil toneladas.

O movimento mostra que uma redução da participação chinesa não significa necessariamente queda equivalente da concorrência importada. Outros fornecedores podem ocupar espaço no mercado brasileiro, tornando necessária uma leitura dos fluxos por produto e origem, além dos volumes agregados.

O valor CIF médio da cesta de BQ permaneceu praticamente estável, passando de US$ 578 para US$ 576 por tonelada. Assim como nos longos, essa referência não representa o custo efetivamente nacionalizado do material.

Demanda mantém ambientes distintos

A diferença entre planos e longos também aparece no mercado doméstico. Nos últimos dados disponíveis do Instituto Aço Brasil, referentes a julho, o consumo aparente de produtos planos ficou praticamente estável frente ao mesmo mês de 2025, com queda de 0,6%, enquanto nos longos a retração chegou a 10,4%.

Isso significa que a forte redução das importações de vergalhão e fio-máquina ocorreu justamente no segmento que apresentava maior enfraquecimento da demanda doméstica. A menor entrada de material estrangeiro, portanto, não representa automaticamente recuperação do poder de preço das usinas.

Nos planos, a recuperação das importações ocorre em um mercado ainda limitado pelos estoques da distribuição. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, referentes a julho, os estoques somavam aproximadamente 1,2 milhão de toneladas, equivalentes a 3,6 meses de vendas. As vendas dos distribuidores estavam 4,4% abaixo de julho de 2025.

O mercado chinês também não produziu, no período, uma nova onda baixista capaz de explicar isoladamente a mudança dos fluxos brasileiros. Na semana encerrada em 4 de setembro, o vergalhão HRB400E subiu 34 yuans, para 3.338 yuans por tonelada. A produção de BQ das 37 usinas acompanhadas pela Mysteel aumentou 2,4%, para 2,95 milhões de toneladas, depois de duas semanas de retração. (Mysteel — preços; Mysteel — produção de BQ)

Pressão importada muda de composição

Os dados de agosto reduzem o risco imediato de que o salto de julho tenha marcado o início de uma nova onda de importações de vergalhão e fio-máquina. A confirmação dependerá, porém, da continuidade do movimento nos próximos meses.

Nos planos, a dinâmica foi diferente. As importações agregadas voltaram a crescer, enquanto a cesta de BQ acompanhada pela Infomet permaneceu acima de 50 mil toneladas pelo segundo mês consecutivo. A mudança das origens mostra ainda que a concorrência externa não deve ser avaliada apenas pela participação da China.

Para usinas, distribuidores, revendas e compradores industriais, agosto reforça a necessidade de acompanhar as importações produto a produto. Longos e planos seguem dinâmicas diferentes, enquanto mudanças de origem podem preservar a pressão competitiva externa mesmo quando determinado fornecedor perde participação.
 

Metodologia: levantamento da Infomet elaborado sobre a base detalhada por NCM do Comex Stat/MDIC, atualizada em 4 de setembro de 2026. A cesta de vergalhão considera o NCM 7214.20.00 e o NCM 7213.10.00, este último correspondente ao fio-máquina nervurado utilizado como vergalhão em rolo. O NCM 7213.10.00 não foi novamente incluído na cesta de fio-máquina, evitando dupla contagem. Para fio-máquina, foram considerados os NCMs 7213.20.00, 7213.91.10, 7213.91.90, 7213.99.10, 7213.99.90, 7227.20.00 e 7227.90.00. Para bobinas a quente de aço não ligado, foram considerados os NCMs 7208.10.00, 7208.25.00, 7208.26.10, 7208.26.90, 7208.27.10, 7208.27.90, 7208.36.10, 7208.36.90, 7208.37.00, 7208.38.10, 7208.38.90, 7208.39.10 e 7208.39.90. A cesta reúne produtos em bobinas simplesmente laminados a quente, incluindo materiais decapados, não decapados e com motivos em relevo. Não inclui chapas fora de rolo, aços ligados ou inoxidáveis e, portanto, não representa o total das importações brasileiras de laminados a quente.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/09/2026

Estoques elevados na China mantêm pressão sobre mercado internacional de aço

A redução da produção de aço na China ainda não foi suficiente para eliminar o desequilíbrio entre oferta e demanda no maior mercado siderúrgico mundial. Mesmo com menor atividade das usinas, as exportações permanecem em níveis historicamente elevados e os estoques de produtos planos encerraram agosto acima dos registrados um ano antes, mantendo pressão competitiva sobre o mercado internacional.

Em julho, a China produziu 76,9 milhões de toneladas de aço, queda de 8,1% frente a junho e de 3,5% na comparação anual. O consumo aparente recuou ainda mais, para 67,2 milhões de toneladas, retração de 8,9% no mês e de 4,4% frente a julho de 2025, segundo relatório setorial do BB Investimentos.

As exportações chinesas permaneceram acima de 10 milhões de toneladas, patamar classificado pelo BB-BI como historicamente elevado. Ainda assim, os estoques de aço continuaram altos: nos laminados planos, encerraram agosto 18,4% acima do mesmo período do ano passado.

O quadro indica que a redução da produção ainda convive com demanda doméstica enfraquecida e estoques elevados. Para outros mercados siderúrgicos, a manutenção das exportações chinesas em patamares elevados preserva a pressão competitiva internacional, ainda que os efeitos sejam diferentes conforme produto, origem e região.

China e Estados Unidos seguem em direções diferentes

A divergência entre os principais mercados aparece também nas cotações da bobina laminada a quente. Na China, o BQ ficou em média em US$ 453 por tonelada em agosto, praticamente estável frente ao mês anterior, em ambiente de demanda fraca e estoques elevados.

Nos Estados Unidos, o movimento foi oposto. A cotação média do BQ avançou 3,1% em agosto e encerrou o mês acima de US$ 1.200 por tonelada, maior nível em quatro anos. A produção americana de aço bruto ficou próxima de 7,3 milhões de toneladas, 2,8% superior à de um ano antes, com utilização da capacidade das usinas próxima de 80%.

A diferença mostra mercados submetidos a condições distintas de oferta, demanda e comércio. Enquanto a siderurgia americana opera com elevada utilização de capacidade e preços em alta, a China ainda enfrenta dificuldade para absorver internamente sua produção.

Confiança da siderurgia brasileira recua

No Brasil, os últimos indicadores consolidados de atividade siderúrgica utilizados pelo BB-BI, referentes a julho, apresentaram melhora na comparação mensal. As vendas internas cresceram 4,1%, para aproximadamente 1,9 milhão de toneladas, enquanto o consumo aparente avançou 2,6%, para 2,2 milhões de toneladas. As exportações superaram 1 milhão de toneladas, alta mensal de 9,8%.

As importações totais, ainda nos dados de julho utilizados pelo relatório, recuaram 19,9% frente a junho, para 383 mil toneladas, equivalentes a 17,2% do consumo aparente. Entre janeiro e julho, somaram 3,3 milhões de toneladas, queda de 20,4% na comparação anual.

A melhora de alguns indicadores correntes não se refletiu, porém, na percepção das empresas. O índice de confiança da indústria do aço caiu para 43 pontos em agosto, redução de 2,6 pontos frente a julho. O componente relacionado às expectativas recuou 7,4 pontos no mês, enquanto a avaliação da situação atual da empresa caiu 4,1 pontos.

O resultado sugere cautela do setor diante das condições esperadas para os próximos meses, mesmo após a melhora mensal observada em parte dos indicadores de julho.

Dados de agosto mostram mudança na composição das importações

Os números mais recentes do comércio exterior, já referentes a agosto e analisados pela Infomet, acrescentam uma nova dimensão a esse cenário. O comportamento das importações brasileiras passou a apresentar diferenças importantes entre produtos.

Levantamento da Infomet sobre a base detalhada por NCM do Comex Stat/MDIC mostrou que as entradas de vergalhão caíram 86,4% em agosto frente a julho, para 2,7 mil toneladas, enquanto as de fio-máquina recuaram 71,1%, para 9 mil toneladas.

Nos planos, o movimento foi diferente. As importações agregadas cresceram 15% frente a julho, enquanto a cesta de bobinas a quente não decapadas, em rolos e de aço não ligado acompanhada pela Infomet avançou pelo segundo mês consecutivo, de 54,7 mil toneladas em julho para 58,4 mil toneladas em agosto, alta de 6,8%.

A origem do BQ também mudou. Japão e Taiwan responderam juntos por 48,2 mil toneladas, mais de 80% do volume da cesta analisada pela Infomet, enquanto as entradas provenientes da China diminuíram de 4,2 mil para 1,5 mil toneladas.

Essa mudança é relevante diante do quadro internacional. A menor participação direta da China em determinado fluxo brasileiro não elimina necessariamente a influência de sua siderurgia sobre o mercado global. Com exportações chinesas ainda em níveis historicamente elevados, outros produtores também disputam mercados internacionais em um ambiente de oferta abundante.

Estoques mantêm China no radar

O quadro do minério de ferro reforça a fraqueza dos fundamentos chineses. As importações da commodity pela China somaram 109 milhões de toneladas em agosto, alta de 0,4% frente ao mês anterior, enquanto os estoques superaram 140 milhões de toneladas, cerca de 10% acima da média semanal dos últimos três anos.

Os preços do minério recuaram 2% na média de agosto, mas voltaram à faixa de US$ 100 por tonelada na primeira semana de setembro, movimento atribuído pelo BB-BI à redução pontual dos estoques portuários, à recomposição de estoques pelas siderúrgicas e ao aumento dos fretes marítimos.

A redução da produção chinesa ainda não eliminou o desequilíbrio entre oferta e demanda de aço no país. Enquanto exportações permanecem historicamente elevadas e estoques de planos superam os níveis do ano passado, a pressão competitiva internacional continua sendo um fator para a siderurgia brasileira — mesmo quando os fluxos diretos da China perdem participação em determinados produtos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/09/2026

 

Guerra de preços dos carros novos faz seminovos perderem até 21% do valor em 2026

A intensa batalha de preços no mercado de automóveis zero quilômetro está gerando um efeito colateral severo para concessionárias: a rápida desvalorização dos veículos seminovos que ficam parados nos pátins. Dados levantados pela Auto Avaliar, apresentados durante o evento Fenabrave 2026, indicam que os valores realmente negociados no mercado profissional (B2B) para carros com até três anos de uso caíram 9,3% entre janeiro e junho. Para comparação, a tabela oficial da Fipe registrou uma queda de apenas 2,4% no mesmo período, mostrando que o impacto no comércio de usados é muito mais profundo.

Alguns modelos específicos sofreram ainda mais. O levantamento aponta quedas de mais de 20% nos valores negociados de carros muito procurados, como o Corolla 2025 (-21,2%), T-Cross 2025 (-20,9%) e HR-V 2025 (-20%). Outros modelos populares, incluindo Nivus, Corolla Cross, Yaris e SW4, também estão entre os que mais perderam valor em apenas seis meses.

Principais pontos da crise nos seminovos

Queda real de 9,3% nos preços de seminovos (B2B), superando a desvalorização da tabela Fipe.
Descontos nos zero km chegaram a R$ 55 mil, criando risco imediato de prejuízo para lojistas.
Carros como Corolla e T-Cross 2025 perderam mais de 20% do valor no primeiro semestre.
Marcas chinesas já representam 22,8% do mercado mensal, intensificando a concorrência.
Concessionárias precisam reprecificar rapidamente para evitar que o capital parado vire prejuízo.
Esse movimento coincide com o aumento das promoções nos veículos novos. Entre maio e agosto, as montadoras anunciaram descontos brutais, bônus e novas condições de pagamento. O Mitsubishi Outlander PHEV teve redução de R$ 55 mil, seguido pelo Suzuki e-Vitara com R$ 50 mil, Fiat Fastback Hybrid com R$ 38,5 mil e o BYD Song Pro com R$ 28,5 mil. Marcas tradicionais, como Hyundai, Jeep, Volkswagen e Nissan, também entraram na disputa, oferecendo condições especiais para modelos como Creta, Compass, T-Cross e Nivus.

Segundo Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, a lógica do mercado mudou. "O carro não precisa sair da garagem para perder valor. Quando uma montadora reduz significativamente o preço do zero quilômetro ou lança uma condição agressiva de financiamento, ela cria imediatamente uma nova referência para o consumidor. O seminovo que estava precificado com base no cenário anterior passa a carregar um risco de capital", explica o executivo.

Como o desconto no novo afeta o usado

A pressão sobre os lojistas fica evidente ao comparar o custo final de um carro novo em promoção com um seminovo. Na simulação da Auto Avaliar, um Jeep Compass Sport zero km, com preço de tabela de R$ 174 mil, foi negociado por R$ 147 mil após um desconto de R$ 27 mil. Se o consumidor usar um carro usado de R$ 88 mil como entrada, sobram apenas R$ 59 mil para financiar em 30 parcelas sem juros. Já um Volkswagen Taos Comfortline 2025, seminovo, que valia em média R$ 164 mil, foi negociado por R$ 159 mil. Nesse caso, seriam necessários R$ 71 mil para financiamento. Com uma taxa de 1,6% ao mês, o custo total do seminovo chegaria a R$ 177.954, ficando R$ 30.954 mais caro que o zero km, com parcelas cerca de 50% maiores.

Victorazzo alerta: "Quando o consumidor percebe que consegue levar um zero quilômetro pagando menos ou com uma condição financeira muito melhor, o preço do seminovo precisa reagir. O problema é que a concessionária pode ter comprado aquele carro semanas antes, usando uma referência de mercado que já deixou de existir". Isso significa que o lucro esperado pode virar prejuízo repentinamente.

Velocidade da desvalorização e risco de capital

Um dos maiores alertas do estudo é a rapidez com que os preços reais mudam. O preço médio efetivamente pago pelos carros zero km caiu 3,5% entre 2025 e junho de 2026, enquanto o preço público (de tabela) caiu apenas 1,5%. Isso indica que as lojas já estão operando com margens menores do que as tabelas oficiais sugerem. O risco é alto porque os carros ficam parados no estoque. O estudo aponta um giro médio de 36 dias, uma margem bruta de 10,1% e um valor médio de venda de R$ 89.781. Nesse período, uma nova promoção pode mudar o jogo inteiro.

Para o executivo, a prioridade do lojista mudou de proteger a margem de lucro para proteger o capital investido. "Uma margem aparentemente boa pode desaparecer se o veículo permanecer no estoque durante uma nova rodada de descontos". A entrada das marcas chinesas amplifica essa pressão. Em julho, elas representaram 22,8% do mercado (60,5 mil unidades) e 52,4% dos carros importados. Com 1.360 pontos de venda, essas marcas já ocupam 16,2% da rede de distribuição. O mercado de usados também é robusto, com 7,9 milhões de unidades vendidas entre janeiro e julho de 2026, numa proporção de quase 5 usados para cada novo.

Estratégias para vender mais rápido e lucrar

A Auto Avaliar recomenda que as concessionárias incorporem a velocidade da desvalorização na decisão de compra. A empresa sugere quatro frentes: comprar pelo preço correto, reprecificar com agilidade, acelerar a saída do estoque e melhorar a rentabilidade no financiamento (F&I). A ideia é definir, logo quando o carro chega, o teto de preço de compra, o canal de venda e o prazo máximo para ficar na loja. A tecnologia e a inteligência artificial estão sendo usadas para recomendar quando manter, repricionar ou acelerar a venda de cada veículo. Como conclui Victorazzo: "O melhor momento para definir como sair de um carro é quando ele entra no estoque. Em um mercado estável, esperar pode custar margem. Em uma guerra de preços, pode custar capital".

 
Fonte: BRA1
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 09/09/2026

Após aprovação no congresso, lei de minerais críticos segue para sanção de Lula; entenda o “marco das terras raras”

O Senado aprovou nesta quarta-feira (2) o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, prevendo cerca de R$ 7 bilhões em incentivos para estimular a produção e destinados também ao processamento e à transformação no país de minerais considerados essenciais para tecnologias como veículos elétricos, baterias, smartphones e equipamentos de defesa.

Como a Câmara dos Deputados já havia analisado a matéria, e como não houve alteração no mérito da proposta, ela segue à sanção presidencial.

A proposta cria um fundo garantidor com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União e estabelece ainda R$ 5 bilhões em créditos fiscais ao longo de cinco anos para projetos ligados ao beneficiamento e à industrialização desses minerais em território nacional.

O projeto integra uma lista de temas considerados prioritários pelo governo para serem votados nesta última semana de trabalhos efetivos do Congresso antes das eleições gerais de outubro. Pouco depois da aprovação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tuitou sobre a votação.

“Estamos criando as condições para que sejamos capazes de dominar o ciclo completo de extração, produção, manufatura e exportação das chamadas terras raras. Com isso, vamos gerar riquezas e empregos de qualidade em nosso país, que tem a segunda maior reserva desses minerais no planeta”, defendeu Lula na publicação.

A aprovação do projeto ocorre em um momento em que governos e empresas em todo o mundo disputam acesso a minerais estratégicos, como lítio, terras raras, níquel, grafite e cobre, fundamentais para a transição energética e para a fabricação de tecnologias avançadas.

O Brasil, neste cenário, desponta como um importante detentor de minerais diversos, com relevantes reservas mapeadas, mas depende de avanços regulatórios que destravem investimentos, inclusive para avançar no mapeamento de territórios ainda não conhecidos.

De acordo com o projeto relatado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), será criado o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), destinado a reduzir riscos para investimentos em empreendimentos do setor.

O mecanismo poderá oferecer garantias para operações de crédito e financiar instrumentos de mitigação de riscos, incluindo proteção contra oscilações de preços.

Além dos recursos da União, o Fgam poderá receber aportes voluntários de Estados, municípios, entidades internacionais e organismos multilaterais.

A proposta institui ainda o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), que ficará responsável por definir quais substâncias serão classificadas como minerais críticos e estratégicos, revisando periodicamente a lista.

“Melhor consenso político possível”

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa as mineradoras no Brasil, Pablo Cesário, afirmou que o projeto aprovado foi fruto de uma evolução ao longo do tempo e representa o melhor consenso político possível.

“Ele mantém a abertura para o investimento produtivo no Brasil na área de mineração, ao mesmo tempo que alinha o país com mudanças legislativas que estão acontecendo ao redor do mundo”, disse Cesário, a jornalistas, após a aprovação do Senado.

“A gente criou uma política de adensamento das cadeias minerais, que é o que todo mundo está fazendo.”

O presidente do Ibram disse ainda que o instituto permanecerá no debate para a sanção e regulamentação do projeto e planeja apresentar ao governo federal propostas para a regulamentação dos dispositivos da nova política pública, com vistas à previsibilidade e segurança jurídica no setor.

Em declarações anteriores, Cesário havia manifestado preocupação com atribuição do Cimce de analisar fusões, aquisições, entrada de capital estrangeiro e transferência de ativos minerais. Nesta quarta-feira, o presidente do Ibram disse que houve uma evolução do texto sobre esse tema, que deixou de exigir análise prévia dos projetos.

“O que acabou ficando é uma expressão que chama-se homologação. Esse trabalho analítico e de homologação deve estar restrito àqueles projetos que têm o maior impacto sobre os critérios que estão lá na lei, que é de soberania, segurança nacional. Isso, é claro, é uma fração pequena do que acontece na mineração hoje”, disse ele.

“O debate que a gente vai ter na regulamentação é o que precisa passar por esse processo de análise governamental e quais são os critérios que devem ser tomados… A regulamentação vai dizer o que precisa ser analisado, com que critérios e com que prazo.”

Definições

O texto define minerais críticos como aqueles sujeitos a risco de abastecimento e cuja escassez poderia afetar setores considerados prioritários para a economia nacional, incluindo a transição energética, a segurança alimentar e a defesa.

Já os minerais estratégicos são aqueles em que o Brasil possui reservas relevantes e potencial para geração de superávit comercial, desenvolvimento tecnológico ou redução das emissões de gases de efeito estufa.

A proposta também cria um cadastro nacional de projetos do setor e determina que áreas com potencial para minerais críticos e estratégicos sejam priorizadas nos leilões realizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

Outro dispositivo prevê que empresas de mineração, beneficiamento e transformação desses minerais destinem, durante os seis primeiros anos após a regulamentação da lei, parte de sua receita operacional bruta ao fundo garantidor e a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica ligados ao setor.

A aprovação do projeto ocorre em meio aos esforços de diversos países para reduzir a dependência da China nas cadeias globais de fornecimento de minerais estratégicos e ampliar a capacidade doméstica de processamento desses insumos.

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/09/2026

Siderurgia avança para aços de maior valor, mas enfrenta pressão sobre competitividade

A siderurgia brasileira avança em uma estratégia de maior valor agregado, com investimentos em produtos mais sofisticados, processamento e soluções de engenharia, ao mesmo tempo em que enfrenta dois desafios: transformar a descarbonização em diferencial econômico e preservar competitividade diante das importações.

O movimento aparece em novos investimentos industriais. A ArcelorMittal confirmou projeto em Tubarão (ES) para instalar laminação a frio e uma nova linha de revestimento contínuo, ampliando a oferta para setores como automotivo, construção civil e linha branca. A iniciativa integra uma estratégia de expansão no downstream, que inclui também aquisições recentes de empresas de processamento e soluções em aço.

Nos aços longos, a mesma transformação envolve ampliar o processamento antes da entrega ao cliente. Na construção, a estratégia passa por substituir gradualmente o fornecimento convencional de barras por soluções cortadas, dobradas, montadas ou soldadas, além de serviços de engenharia e entregas coordenadas com as etapas da obra.

A lógica acompanha a crescente industrialização da construção. Com custo de capital elevado, reduzir prazo de execução, mão de obra no canteiro e desperdícios pode ter peso crescente na viabilidade dos empreendimentos. Para as siderúrgicas, isso abre espaço para competir não apenas pelo aço fornecido, mas pela produtividade proporcionada ao cliente.

Menor carbono ainda busca reconhecimento econômico

Outra frente dessa transformação é a descarbonização. Materiais produzidos com menor intensidade de carbono começam a entrar nas estratégias de fornecimento de empresas preocupadas com metas ambientais, enquanto mecanismos de financiamento sustentável e regulações internacionais ampliam a discussão.

Esse interesse, porém, ainda não se traduz de maneira consistente em disposição para atribuir valor econômico adicional ao produto. O mercado brasileiro começa a reconhecer o atributo ambiental, mas permanece em estágio inicial na remuneração dos investimentos necessários para reduzir emissões.

A questão ganha importância porque a transição exige mudanças em processos, maior utilização de fontes renováveis, desenvolvimento tecnológico e outras iniciativas industriais. Também existem caminhos para reduzir emissões por meio do próprio projeto dos produtos: aços de maior resistência, por exemplo, podem permitir menor utilização de material para determinadas aplicações, reduzindo o consumo total de recursos na construção.

Assim, a descarbonização passa a envolver não apenas como o aço é produzido, mas também quanto aço é necessário para desempenhar determinada função.

Importações ampliam pressão sobre a cadeia

Enquanto a indústria procura agregar valor, a concorrência externa continua no centro das discussões. Nesta semana, uma audiência pública na Câmara dos Deputados reuniu representantes do governo, trabalhadores e entidades da cadeia do aço para discutir os efeitos das importações sobre competitividade, produção, investimentos e empregos.

Nos aços longos, mecanismos de defesa comercial vêm avançando sobre algumas categorias, enquanto outros produtos permanecem em análise. A discussão do setor é que a redução recente dos volumes importados não elimina a necessidade de acompanhar possíveis práticas desleais e seus efeitos sobre a produção brasileira.

O debate também começa a avançar para além do aço básico. Segundo dados apresentados pelo Metalsul, as importações de arames, cabos, perfis, tiras e outros produtos processados de aço cresceram 95% entre 2019 e 2025, alcançando 821 mil toneladas.

A entidade defende que monitoramento e instrumentos de defesa comercial considerem também os produtos transformados, argumentando que a pressão competitiva pode migrar ao longo da cadeia mesmo quando determinados produtos siderúrgicos passam a contar com medidas específicas.

Essa discussão ganha relevância justamente quando a estratégia das siderúrgicas brasileiras caminha na direção oposta à simples venda de commodities: ampliar processamento, produzir localmente itens antes importados, incorporar engenharia e oferecer soluções de maior valor agregado.

O desafio da siderurgia brasileira começa, assim, a ultrapassar a produção de mais aço. A disputa passa por produzir materiais mais sofisticados, reduzir carbono, entregar soluções de maior valor e conseguir que esses diferenciais sejam reconhecidos pelo mercado — ao mesmo tempo em que a concorrência externa avança também sobre os produtos transformados da cadeia.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/09/2026

 

Capital chinês avança no Brasil, mas conteúdo local definirá impacto sobre a indústria

O Brasil tornou-se o principal destino mundial dos investimentos chineses em 2025. Empresas do país asiático aplicaram US$ 6,1 bilhões no mercado brasileiro, crescimento de 45% em relação a 2024 e maior volume desde 2017. O Brasil respondeu por 10,9% de todo o investimento chinês realizado no exterior no período.

O movimento amplia uma relação econômica que já vai muito além do comércio. Enquanto o Brasil exporta para a China principalmente soja, minério de ferro, petróleo, carnes e celulose, importa máquinas industriais, eletrônicos, produtos químicos, painéis solares, veículos eletrificados, semicondutores e outros manufaturados. Agora, o capital chinês também avança em setores estratégicos instalados dentro do país.

A energia concentra a maior parcela desses investimentos. Entre 2007 e 2025, empresas chinesas destinaram US$ 36,5 bilhões a projetos brasileiros de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, equivalentes a 43,6% do volume acumulado no período.

A mineração apresenta uma nova frente de crescimento. Os aportes chineses no setor triplicaram em 2025, alcançando US$ 1,76 bilhão, em meio ao interesse por cobre, níquel, ouro, grafite e terras raras. Desde 2007, os investimentos acumulados na mineração brasileira somam US$ 6,75 bilhões.

A presença também alcança a infraestrutura de transportes. O Trem Intercidades São Paulo–Campinas e o Trem Intermetropolitano Jundiaí–Campinas foram concedidos a um consórcio liderado por empresa chinesa, com investimento previsto de US$ 2,6 bilhões. Capital chinês também está presente em trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).

Para a indústria brasileira, porém, o impacto desses investimentos dependerá não apenas do volume de capital aplicado. Grandes projetos de mineração, energia e transportes podem criar demanda por aço, máquinas, equipamentos, componentes, engenharia e serviços, mas a extensão desse efeito estará relacionada à participação efetiva de fornecedores e capacidades produtivas instaladas no país.

A própria CNT destaca que o financiamento externo pode contribuir para ampliar a infraestrutura e a capacidade logística, mas defende planejamento capaz de evitar assimetrias concorrenciais, concentração setorial e dependência tecnológica ou operacional em áreas estratégicas.

O avanço do capital chinês pode ajudar a financiar infraestrutura e ampliar a capacidade produtiva em setores nos quais o Brasil necessita de investimentos. Para a indústria, entretanto, o resultado será medido também por quanto desses projetos conseguirá gerar engenharia, fornecimento, tecnologia e produção dentro do país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 01/09/2026