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Brasil já é o maior importador de carro chinês do mundo

O Brasil se tornou em 2026, pela primeira vez, o principal importador de carros chineses no mundo. De janeiro a maio deste ano o país comprou US$ 5,2 bilhões em veículos eletrificados ou convencionais, superando compradores mais tradicionais como Rússia (US$ 5 bilhões) e Bélgica (US$ 3,8 bilhões) para chegar ao topo do ranking.

Os dados da alfândega chinesa mostram que as compras automóveis do gigante asiático mais que dobraram em relação aos US$ 2,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado - alta de 146,9%. Naquele momento, o Brasil ocupava o sexto lugar entre maiores importadores.

 

O movimento é liderado pelos carros eletrificados, cuja importação somou US$ 4,5 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. Apenas nos meses de abril e maio, o volume alcançou US$ 2,7 bilhões.

O Brasil também assumiu a dianteira das importações no segmento específico de automóveis eletrificados. Bélgica (US$ 3,8 bilhões) e Reino Unido (US$ 3,4 bilhões) completam o top 3. A fatia de elétricos e híbridos no total das importações de veículos da China para o Brasil passou de 33% em 2021 para 87% em 2025.

Entre os motivos apresentados por analistas para a forte aceleração das importações nessa categoria estão a corrida para aproveitar de tributação menor no país, uma política de exportações mais agressiva da China para compensar a fraqueza da demanda doméstica e a crescente aceitação do consumidor, não apenas brasileiro, dos veículos eletrificados - puros ou híbridos -, nicho que as chinesas dominaram, deixando tradicionais montadoras americanas, europeias e outras asiáticas comendo poeira.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) organizados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostram que o país comprou US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre em veículos chineses - mais que o dobro de todas as importações de origem francesa (US$ 2,6 bilhões).

Entre categorias, o destaque ficou com os híbridos plug-in, que responderam por pouco mais da metade (US$ 2,79 bilhões) desse total. O grupo dos veículos eletrificados respondeu por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou da China no período.

Diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, Tulio Cariello destaca como motivo da aceleração da importação o calendário de aumento das tarifas de importação brasileira, que passou de 25% e 30% a depender da categoria para 35%.

“Houve intensificação das importações para escapar da tarifa. A partir de agora, deve ocorrer alguma acomodação, à medida em que as vendas no mercado doméstico sejam atendidas pelo estoque formado”, diz. “Por outro lado, não acredito que haverá queda forte, uma vez que há interesse alto do brasileiro, inclusive das classes média e média alta. O carro elétrico virou um desejo de consumo, e carro elétrico se tornou sinônimo de carro chinês.”

De janeiro a junho, o país vendeu 215.023 veículos eletrificados leves, alta de 125% ante as 95.493 unidades vendidas no mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). É um ritmo seis vezes maior que o do setor como um todo, que avançou 19,4% no período, nas estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No Brasil, a fatia dos eletrificados na venda domestica saltou para 18% em junho, de 7,7% na mesma comparação.

Ainda segundo a Anfavea, o emplacamento de carros elétricos no primeiro semestre saltou a 91 mil, contra 31 mil no mesmo período de 2025, alta de 193%. Já o de híbridos plug-in cresceu 90% e o de híbridos convencionais, 81%.

Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset Management (Bram), nota que a alta das importações também tem passa pelo maior fomento das exportações como um todo por parte da China. “A demanda doméstica caiu bastante. Os dados do segundo trimestre mostram esse descompasso do mercado doméstico crescendo em ritmo bem mais moderado que as exportações. O setor externo complementa o doméstico”, diz.


"Não acredito que haverá queda forte [da importação], uma vez que há interesse alto do brasileiro”
— Tulio Cariello

Divulgado na semana passada, o PIB chinês do segundo trimestre expandiu 4,3% em base anual, abaixo expectativas de analistas, que culparam o consumo mais frágil que o esperado das famílias e do governo. O movimento e levanta dúvidas sobre a capacidade do país de atingir a meta estabelecida por Pequim de crescimento para o ano, que é de 4,5% a 5%.

Por outro lado, as exportações, por sua vez, avançaram 27% em junho na comparação interanual, bem acima da projeção de 18%. Apenas a exportação de veículos saltou 71,2% em junho na comparação com igual mês de 2025, batendo 1,06 milhão de unidades, segundo o Financial Times. Sozinha, a BYD teria vendido 175 mil carros para o mercado externo, alta de 95%. As vendas externas responderam por 43% da produção da gigante do setor.

No caso dos veículos eletrificados, pesa também o fato de que a China entende que o produto é competitivo e tem tecnologias modernas. “Para o Brasil e outros mercados, à medida que produtos são testados e aprovados pela população, vira uma situação de quanto mais tem, mais vai ter. Neste sentido, não vejo freada na entrada de veículos chineses, é uma mudança estrutural. Pode haver queda com a nacionalização da produção, mas sabemos que este é um processo lento”, nota D’Atri.

Ao menos oito marcas chinesas já produzem ou anunciaram intenção de produzir no Brasil, seja com fábrica própria, seja em parceria com montadoras já instaladas, mas o gigante asiático possui mais de uma centena de fabricantes. A economista avalia, no entanto, que nem todas as marcas que aqui chegarão podem terminar produzindo localmente.

“Alguns produtos, mesmo com as novas tarifas, manterão preços vantajosos e qualidade que não se encontra aqui, ainda que o preço fique menos convidativo. O consumidor pode optar por pagar a mais pelo pacote, e as fabricantes também podem oferecer desconto para se manter competitivas no mercado.”

Vigente desde o início de julho, a tarifa de 35% para eletrificados e híbridos veio acompanhada de uma nova cota de importação com alíquota zero para carros semimontados (SKD) ou desmontados (CKD) no valor de US$ 463 milhões. A renovação da cota gerou protestos por parte da Anfavea, mas se encaixa na estratégia do governo federal de atrair essas montadoras para o país, diz João Carmo, da 4intelligence.

“Era algo esperado e uma via de mão dupla. O governo mantém aberta uma porta - pequena - para a importação como forma de dar mais tempo para as chinesas se estabelecerem no país e, futuramente, trazer sua produção para cá”, diz o economista. Ele lembra que políticas de incentivo recente ao setor, como o Move Brasil para taxistas e motoristas de aplicativo, e o Mover, privilegiam eficiência energética e, com isso, integram a estrutura de incentivos do governo em direção à eletrificação da frota.

A internalização da produção para atender o mercado doméstico pode, futuramente, ajudar no reequilíbrio ou reversão da balança de veículos, segue o economista. “O país ainda é exportador para a Argentina, Colômbia e México, e as chinesas também têm interesse em acessar esses mercados.”

Como mostrou o Valor, a balança de automóveis fechou o primeiro semestre com déficit de US$ 5,32 bilhões, o mais profundo da série histórica iniciada em 1997. Enquanto as exportações patinaram, na esteira da menor demanda de mercados como o argentino, as importações explodiram, alcançando US$ 7,79 bilhões. A fatia chinesa saltou de 5% em 2021 para 72% ano passado. Entre categorias, a parcela dos 100% elétricos, híbridos ou híbridos plug-in passou de 17% para 79%.

Welber Barral, sócio da consultoria BMJ, acrescenta o fato de que muitos países desenvolvidos aplicaram tarifas maiores que as brasileiras aos elétricos chineses. “Explica, até certo ponto, o desvio de comércio em direção ao mercado brasileiro, que permanece relativamente mais aberto que os demais.”

Ele também avalia que a guerra no Oriente Médio no primeiro semestre e o salto dos preços de petróleo ajudaram a impulsionar a atratividade do segmento. “Existe essa avaliação que o [presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump acabou ajudando muito a agenda verde por causa dos sustos e da imprevisibilidade em relação ao preço do combustível, especialmente nos países desenvolvidos.”

D’Atri minimiza o peso do episódio. “Acho que é a questão é mais estrutural. O choque de preços foi temporário e não houve efetivamente uma restrição de produto, como em outros momentos”, diz. “O carro chinês tem vantagens competitivas que independem desse choque pontual. O desafio é outro: abastecimento e manutenção, mas estes também têm diminuído bastante. As empresas que começam a se estabelecer também acabam expandindo para o pós-venda e desenvolvendo parcerias locais com fornecedores.”

 

 
Fonte: Valor
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 28/07/2026

 

Amazônia Legal concentra quase metade dos processos de mineração de minerais estratégicos no Brasil

A Amazônia Legal concentra quase metade dos processos de mineração relacionados a minerais considerados críticos e estratégicos no Brasil, mas ainda explora uma parcela limitada de seu potencial. As informações fazem parte de um diagnóstico elaborado pela Agência Nacional de Mineração, divulgado pela Agência Gov, que busca oferecer uma base técnica para a construção de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Atualmente, a atividade mineral na região está concentrada principalmente na extração de ferro, bauxita, cobre e ouro. Minerais fundamentais para setores como tecnologia, defesa e transição energética, entre eles cobalto, terras raras e potássio, ainda não possuem produção significativa na Amazônia Legal.

Segundo João Vasconcelos, representante da ANM citado no estudo, “uma política pública de minerais críticos e estratégicos só é robusta quando parte de evidência”.

Quase metade dos processos está na Amazônia Legal

De acordo com o levantamento, 48,2% dos processos minerários de minerais estratégicos registrados no Brasil estão localizados na Amazônia Legal.

O Pará concentra 51% desses processos, seguido por Mato Grosso, com 19%, e Rondônia, com 10,3%. O ouro predomina em cerca de 67% das operações analisadas, indicando que a atividade mineral regional permanece fortemente concentrada em poucos produtos.

O diagnóstico aponta que a diversificação da mineração dependerá da ampliação dos investimentos em pesquisa geológica, inovação tecnológica e infraestrutura.

Investimentos somaram R$ 40,4 bilhões

Entre 2006 e 2024, foram investidos R$ 40,4 bilhões em minas e usinas relacionadas a minerais estratégicos na Amazônia Legal.

O cobre respondeu por 31,3% dos recursos, seguido por projetos de níquel, alumínio, ouro e manganês. Apesar do volume expressivo de investimentos, o estudo destaca a ausência de produção relevante de potássio, terras raras e cobalto.

Esses minerais são considerados essenciais para a fabricação de equipamentos eletrônicos, baterias, sistemas de defesa, turbinas eólicas e veículos elétricos.

Pesquisa ainda está concentrada em ouro e cobre

Os investimentos em pesquisa mineral chegaram a R$ 4,9 bilhões no período analisado. O ouro concentrou 65,8% desse valor, enquanto o cobre recebeu 19,1%.

A ANM avalia que será necessário ampliar e diversificar os esforços de pesquisa para transformar o potencial geológico da região em produção efetiva de minerais estratégicos.

A expansão da pesquisa também é apontada como condição necessária para reduzir a dependência brasileira de importações e fortalecer cadeias industriais ligadas à transição energética.

Preservação ambiental e direitos indígenas

O diagnóstico ressalta que o aproveitamento das reservas minerais da Amazônia Legal deve ser acompanhado de uma governança socioambiental rigorosa.

Parte relevante do potencial mineral está localizada em áreas protegidas, territórios indígenas ou regiões de elevada sensibilidade ambiental. Por isso, o estudo defende consulta prévia às comunidades afetadas, licenciamento ambiental adequado e destinação de recursos para o desenvolvimento sustentável dos municípios envolvidos.

“Não dá para planejar o aproveitamento mineral da região de forma responsável sem reconhecer que parte relevante do potencial está em áreas protegidas”, afirmou Vasconcelos.

A ANM também destaca que a exploração mineral deve respeitar os direitos dos povos originários e ser acompanhada de instrumentos capazes de evitar desmatamento, contaminação de rios e conflitos fundiários.

Projetos estruturantes dependem de avanços

O estudo aponta a necessidade de destravar projetos considerados estruturantes para o setor mineral brasileiro, entre eles Autazes, Araguaia e Vermelho.

Para que esses empreendimentos avancem, será necessário ampliar a segurança regulatória, fortalecer parcerias entre os setores público e privado e garantir que as operações cumpram critérios ambientais e sociais.

A demanda global por minerais críticos deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionada pela expansão das energias renováveis, dos veículos elétricos, da indústria de defesa e das tecnologias digitais.

Nesse contexto, a Amazônia Legal poderá desempenhar um papel estratégico, desde que a exploração de seus recursos seja realizada com planejamento, controle público, preservação ambiental e respeito às populações locais.

 
Fonte: Brasil 247
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/07/2026

Após tarifaço de Trump, Lula discute acordo China-Mercosul com Xi Jinping

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite de domingo (26/07) e defenderam o aprofundamento da cooperação bilateral em áreas estratégicas, além da aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China.

Em nota, o governo brasileiro afirmou que a ligação durou mais de uma hora e tratou "da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países".

"O presidente Lula ressaltou que seu governo segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Ambos coincidiram a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo MERCOSUL-China, que contemple as necessárias flexibilidades", diz ainda o comunicado.

A ligação telefônica veio poucos dias após a entrada em vigor de uma nova tarifa de 25% implementada pelo governo de Donald Trump contra parte das exportações brasileiras. Na semana passada, os Estados Unidos também anunciaram uma segunda tarifa, de 12,5%, contra 60 de seus parceiros comerciais — entre eles o Brasil —, sob a alegação de que teriam falhado em combater adequadamente o trabalho forçado.

A nota do Planalto não cita explicitamente o tarifaço como um dos temas discutidos na ligação entre Xi Jinping e Lula.

Em sua própria nota sobre a conversa, o governo chinês ressaltou que "diante de novas circunstâncias e desafios", Brasil e China devem se posicionar "firmemente do lado certo da história" e desempenhar um papel maior "na reforma e no aprimoramento do sistema de governança global, e na defesa da equidade e da justiça internacionais".

Ainda segundo Pequim, Xi teria afirmado na ligação que a China valoriza muito "o status internacional e a importante influência do Brasil", e apoia o país "na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial".

"Xi Jinping afirmou que a China está pronta para fortalecer ainda mais a coordenação estratégica bilateral e multilateral com o Brasil, mantendo assim o ímpeto positivo na construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado", diz a nota.

 
Fonte: Terra
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 27/07/2026

 

Distribuição de aço: Após forte queda nas vendas em junho, setor de aço deve iniciar recuperação só em 2027, aponta Citi

O setor de distribuição de aço no Brasil registrou em junho a maior queda mensal de vendas do ano, segundo relatório do Citi após reunião mensal do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), referente a julho de 2026. Para o banco, a recuperação consistente de preços e margens no setor só deve se materializar em 2027.

Conforme o Citi, as vendas de distribuidores caíram 6,9% em junho ante maio, e a projeção da INDA para julho aponta nova queda de 2% no mês.

Os estoques do setor subiram para 3,7 meses de vendas em junho, com expectativa de 3,8 meses em julho, patamar acima do nível considerado normalizado, próximo de 3,0 meses.

Aço em excesso trava recuperação de preços

Ainda segundo o relatório, tentativas de recuperação de preços seguem esbarrando na resistência de uma cadeia que carrega estoque em excesso. As compras dos distribuidores somaram 323,8 mil toneladas em junho, queda de 4,9% ante maio, mas alta de 4,4% na comparação anual, com o acumulado do ano em 1.949,5 mil toneladas, retração de 1,9% ante o primeiro semestre de 2025.

O Citi destacou que laminados a quente seguem como a categoria mais fraca no acumulado do ano, com queda de 6,9%, enquanto produtos galvanizados seguem em alta de 10,9% no mesmo período. As vendas de junho totalizaram 317,7 mil toneladas, queda de 6,9% ante maio, com o acumulado de 2026 em 1.916,0 mil toneladas, recuo de 0,9%.

Importações de aço em colapso

Do lado das importações, o volume nacional de aço plano somou 239,1 mil toneladas em junho, queda de 35,6% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, o recuo chega a 24% ante igual período de 2025, totalizando 1.428,4 mil toneladas, segundo o levantamento repassado pelo Citi.

Bobinas a quente lideraram a retração das importações, com queda de 86% em junho e 48% no acumulado do ano, mesmo com medidas antidumping em vigor para a categoria. Laminados a frio recuaram 43% no acumulado, enquanto produtos galvanizados caíram apenas 7,1% no mesmo período.

Por origem, o Vietnã liderou as importações de aço plano em junho, com 38,3% do volume total, seguido por China (24,1%), Áustria (14,4%, concentrada em chapas grossas), Coreia do Sul (13,1%) e Taiwan (3,7%). No acumulado do ano, porém, a China segue dominante, com 52,6% das importações totais de aço plano, o equivalente a 821,9 mil toneladas.

Aço chinês segue relevante apesar do antidumping

Mesmo com as medidas antidumping em vigor para laminados a quente, a China mantém participação de 29,1% nas importações dessa categoria no acumulado do ano, atrás apenas da Coreia do Sul, com 50,7%. O Egito aparece na sequência, com 19,3%. Em produtos galvanizados, a China concentra 78,7% do volume importado no período.

Para o Citi, o cenário reforça o tom cauteloso já sinalizado na reunião anterior da INDA. O banco avalia que a demanda ainda não avança em ritmo suficiente para absorver os estoques acima do normal, o que reduz o incentivo dos distribuidores para aceitar reajustes de preço.

Normalização de estoques só no fim do ano

Segundo o Citi, a normalização dos estoques do setor não deve ocorrer antes do fim de 2026. O banco avalia que esse ajuste é o principal fator para destravar uma recuperação mais consistente de preços e margens, com efeitos mais visíveis a partir de 2027.

O ritmo dessa normalização, segundo o relatório, depende da aceleração da demanda final, sobretudo nos setores automotivo e de bens de capital, além da dinâmica cambial, que segue como fator relevante para novos reajustes de preço.

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/07/2026

 

Produção mundial de aço cresce 1,7% em junho

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 155,7 milhões de toneladas em junho de 2026, um aumento de 1,7% em relação ao mesmo mês do último ano. A Ásia e a Oceania produziram 115,2 milhões de toneladas em junho, um crescimento de 1,5% sobre junho de 2025. Apenas a China produziu 83,7 milhões de toneladas, 0,4% a mais que em junho do ano passado, enquanto a Índia produziu 14,1 milhões de toneladas no mês, um incremento de 4,5%. Japão e Coreia do Sul produziram 6,8 milhões e 5,3 milhões de toneladas de aço bruto em junho, respectivamente, com alta de 1,3% e recuo de 0,9%.  

Os países do Bloco Europeu produziram 10,8 milhões de toneladas de aço em junho de 2026, ou 4,6% superior que no mesmo mês de 2025, sendo que a Alemanha produziu 2,9 milhões de toneladas, um acréscimo de 9,5% sobre junho de 2025. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,7 milhões de toneladas, um aumento de 10,4% sobre junho do último ano. A Turquia produziu 3,3 milhões de toneladas, 14,7% a mais que junho do ano passado. 

A África -- Egito, Líbia e África do Sul – produziu 2,2 milhões de toneladas de aço bruto em junho e cresceu 20%, na comparação com junho do último ano. Já os países da CIS produziram 6,8 milhões de toneladas, uma diminuição de 2,2%, com destaque para a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,6 milhões de toneladas, mas caiu 3,4% no mês. Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – registraram produção de 4 milhões de toneladas de aço bruto, 13,4% inferior na comparação com junho de 2025.  

A produção na América do Norte cresceu 5% em junho de 2026, somando 9,5 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas, 3,5% a mais que em junho de 2025, enquanto a produção na América do Sul alcançou 3,5 milhões de toneladas, queda de 0,3% sobre junho de 2025. A produção brasileira somou 2,8 milhões de toneladas e teve ligeiro crescimento 0,1% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre de 2026, a produção global de aço bruto atingiu 931,5 milhões de toneladas e registrou queda de 0,7% em relação aos seis primeiros meses de 2025.  

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/07/2026

Tarifa dos EUA reforça estratégia brasileira para setores considerados estratégicos

As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros desencadearam uma reação que vai além das medidas emergenciais de apoio às empresas exportadoras. Ao anunciar novos instrumentos de financiamento e ampliar programas voltados à indústria, o governo brasileiro sinaliza uma estratégia que procura transformar um choque comercial em oportunidade para fortalecer segmentos considerados estratégicos para a economia nacional.

Nos últimos dias, foram anunciadas medidas que incluem a ampliação do Plano Brasil Soberano, novas linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas, apoio à cadeia de minerais críticos e fertilizantes e mecanismos destinados a preservar investimentos industriais. Paralelamente, empresas e entidades representativas intensificam esforços para diversificar mercados e reduzir a dependência de destinos específicos para suas exportações.

O conjunto dessas iniciativas revela uma mudança importante na forma como o Brasil responde às turbulências do comércio internacional. Em vez de limitar sua atuação à compensação das perdas provocadas pelas tarifas, o país passa a direcionar recursos para segmentos considerados essenciais à competitividade industrial e à segurança econômica de longo prazo.

A reação deixa de ser apenas comercial

Historicamente, disputas tarifárias costumavam ser enfrentadas por meio de negociações diplomáticas ou medidas voltadas à manutenção das exportações.

Desta vez, porém, a resposta brasileira incorpora uma dimensão mais ampla.

O fortalecimento de setores industriais passa a integrar a estratégia econômica.

Isso significa que o tarifaço deixa de ser tratado apenas como um problema de comércio exterior e passa a influenciar decisões relacionadas à política industrial, ao financiamento da produção, à mineração e ao desenvolvimento tecnológico.

Na prática, o episódio reforça uma tendência observada em diferentes economias: choques geopolíticos passam a acelerar políticas voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

Setores estratégicos entram no centro da política industrial

Entre os segmentos priorizados pelo governo estão minerais críticos, fertilizantes e diferentes atividades ligadas à indústria de transformação.

A escolha não ocorre por acaso.

Esses setores desempenham papel relevante tanto para a segurança econômica quanto para a competitividade industrial.

Minerais críticos são fundamentais para baterias, veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, eletrônicos, equipamentos militares e infraestrutura digital.

Fertilizantes influenciam diretamente a produtividade do agronegócio, um dos principais motores das exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, máquinas, equipamentos industriais e outros bens de capital permanecem essenciais para elevar a produtividade da indústria nacional.

Essa seleção demonstra que a política industrial passa a priorizar atividades consideradas estruturantes para o crescimento econômico.

Minerais críticos ganham importância geopolítica

Entre todas as iniciativas anunciadas, poucas chamam tanta atenção quanto a inclusão dos minerais críticos entre os segmentos beneficiados pelas novas linhas de financiamento.

A decisão acompanha uma tendência internacional.

Estados Unidos, União Europeia, Japão e China disputam o acesso a minerais utilizados na transição energética e na indústria de alta tecnologia.

Lítio.

Terras raras.

Níquel.

Grafite.

Cobre.

Esses recursos deixaram de representar apenas commodities minerais.

Transformaram-se em ativos estratégicos para a competitividade industrial e para a segurança nacional.

Ao direcionar recursos para esse segmento, o Brasil procura ampliar sua participação em cadeias produtivas consideradas prioritárias para a economia global nas próximas décadas.

Máquinas e equipamentos permanecem sob pressão

Enquanto o governo amplia instrumentos de apoio, representantes da indústria alertam para desafios que ultrapassam as tarifas americanas.

Para o setor de máquinas e equipamentos, a crescente presença de produtos chineses no mercado brasileiro continua sendo uma preocupação estrutural.

Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a concorrência internacional, especialmente em segmentos de maior intensidade tecnológica, exerce impacto mais duradouro sobre a indústria nacional do que medidas tarifárias pontuais.

Essa percepção amplia o debate sobre competitividade.

Não basta responder às tarifas.

Também será necessário fortalecer a capacidade da indústria brasileira de competir em preço, tecnologia, inovação e produtividade diante do avanço dos fabricantes asiáticos.

Diversificação de mercados ganha força

Outro efeito observado após o anúncio das tarifas é a intensificação da busca por novos destinos para as exportações brasileiras.

Empresas de diferentes segmentos passaram a acelerar negociações com mercados alternativos, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

Esse movimento já pode ser observado em setores como proteína animal, mineração, agronegócio e manufatura.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, empresas da cadeia bovina ampliam esforços para expandir vendas a outros mercados internacionais e buscam novas aplicações para subprodutos, como o sebo bovino destinado à produção de biodiesel.

A diversificação geográfica reduz riscos comerciais e amplia a resiliência das exportações brasileiras diante de mudanças na política tarifária de parceiros internacionais.

A siderurgia acompanha as mudanças

Embora o aço não esteja no centro das medidas anunciadas, a siderurgia acompanha atentamente os desdobramentos da nova política industrial.

Isso ocorre porque boa parte dos setores beneficiados utiliza produtos siderúrgicos em seus processos produtivos.

Equipamentos para mineração.

Máquinas agrícolas.

Implementos rodoviários.

Equipamentos industriais.

Infraestrutura energética.

Todos esses segmentos apresentam elevada intensidade de consumo de aço.

Assim, o fortalecimento dessas cadeias tende a produzir efeitos indiretos sobre a demanda por produtos siderúrgicos e pela indústria metalmecânica.

Quanto maior a capacidade da indústria nacional de produzir equipamentos de maior valor agregado, maior tende a ser o consumo interno de aço transformado.

A resposta brasileira amplia o papel do Estado

As medidas também indicam uma evolução na atuação do Estado em relação à política industrial.

Em vez de adotar apenas instrumentos horizontais, válidos para todos os setores da economia, o governo passa a concentrar recursos em atividades consideradas estratégicas.

Essa abordagem aproxima o Brasil de políticas atualmente adotadas por diversas economias desenvolvidas.

Estados Unidos.

União Europeia.

China.

Coreia do Sul.

Todos ampliaram, nos últimos anos, programas voltados ao fortalecimento de cadeias industriais específicas.

Nesse contexto, o tarifaço funciona como catalisador de uma estratégia que já vinha sendo desenhada.

Competitividade dependerá de mais do que crédito

Apesar da ampliação do financiamento público, especialistas lembram que a competitividade industrial depende de fatores muito mais amplos.

Infraestrutura logística.

Energia.

Segurança jurídica.

Inovação.

Qualificação profissional.

Tributação.

Produtividade.

Todos esses elementos influenciam diretamente a capacidade das empresas brasileiras de competir nos mercados internacionais.

O crédito representa um instrumento importante, mas sua efetividade dependerá da capacidade de transformar investimentos em ganhos permanentes de eficiência e inovação.

A geopolítica redefine prioridades econômicas

O episódio também evidencia como questões geopolíticas passam a influenciar cada vez mais as decisões econômicas.

Tarifas comerciais.

Minerais críticos.

Segurança das cadeias produtivas.

Diversificação de fornecedores.

Esses temas deixam de ocupar apenas o debate diplomático e passam a orientar investimentos públicos e privados.

A economia internacional torna-se menos dependente exclusivamente da lógica da eficiência de custos e mais influenciada por fatores relacionados à segurança econômica e ao posicionamento estratégico dos países.

Nesse ambiente, políticas industriais voltam a ganhar protagonismo.

Perspectivas

As tarifas impostas pelos Estados Unidos funcionaram como um importante gatilho para acelerar discussões que já vinham ganhando espaço na política econômica brasileira. Mais do que responder a um episódio específico do comércio internacional, o governo procura utilizar esse contexto para fortalecer setores considerados estratégicos, ampliar investimentos industriais e reduzir vulnerabilidades em cadeias produtivas relevantes.

Para segmentos como mineração, siderurgia, metalurgia, máquinas e equipamentos, a nova estratégia pode criar oportunidades adicionais de crescimento, especialmente se os investimentos em minerais críticos, infraestrutura e bens de capital contribuírem para elevar a competitividade da indústria nacional.

Ao mesmo tempo, o episódio reforça que os desafios estruturais da economia brasileira permanecem. A concorrência internacional, em especial a expansão da indústria chinesa em diversos mercados, continuará exigindo ganhos de produtividade, inovação e capacidade tecnológica.

Nesse cenário, o tarifaço tende a ser lembrado menos pelos efeitos imediatos sobre as exportações e mais pelo papel que desempenhou ao acelerar uma reorganização das prioridades da política industrial brasileira, aproximando desenvolvimento econômico, segurança das cadeias produtivas e geopolítica industrial.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 23/07/2026