Criação de estatal de terras raras gera críticas e levanta debate sobre papel do Estado

Criação de estatal de terras raras gera críticas e levanta debate sobre papel do Estado

A proposta de criação de uma estatal brasileira voltada à exploração de terras raras tem provocado críticas no debate econômico. Em editorial, o jornal O Globo classificou a iniciativa como uma “péssima ideia”, argumentando que a medida pode trazer mais prejuízos do que benefícios ao país.

O texto destaca que, embora os minerais de terras raras sejam estratégicos para setores como tecnologia, energia limpa e defesa, a criação de uma empresa estatal não seria o caminho mais eficiente para desenvolver essa cadeia produtiva.

Riscos de ineficiência e custo ao contribuinte

Segundo o editorial, experiências passadas no Brasil indicam que empresas estatais frequentemente enfrentam problemas de gestão, baixa eficiência e interferência política. Esse histórico levanta dúvidas sobre a capacidade de uma nova estatal competir em um mercado global altamente técnico e competitivo.

Além disso, há preocupação com o impacto fiscal. A criação de uma empresa pública exigiria investimentos elevados, com risco de retorno incerto, o que poderia aumentar a pressão sobre as contas públicas.

Alternativas via iniciativa privada

O posicionamento defende que o Brasil já possui reservas relevantes de terras raras e poderia atrair investimentos privados para explorá-las, desde que haja um ambiente regulatório estável e previsível.

Nesse sentido, o papel do Estado deveria se concentrar na regulação, no licenciamento ambiental eficiente e no incentivo à inovação — e não na atuação direta como produtor.

Mercado global competitivo

Outro ponto levantado é a forte concorrência internacional, especialmente da China, que domina a cadeia global de terras raras. Entrar nesse mercado exige escala, tecnologia e integração industrial — fatores que podem ser mais rapidamente desenvolvidos por empresas privadas com experiência global.

Debate estratégico continua

Apesar das críticas, a discussão sobre terras raras segue relevante. Esses minerais são considerados essenciais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia, o que coloca o Brasil em posição potencialmente estratégica.

A controvérsia gira, portanto, menos em torno da importância do setor e mais sobre qual modelo de desenvolvimento deve ser adotado — com maior protagonismo estatal ou liderança da iniciativa privada.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/04/2026