Estoques elevados na China mantêm pressão sobre mercado internacional de aço

Estoques elevados na China mantêm pressão sobre mercado internacional de aço

A redução da produção de aço na China ainda não foi suficiente para eliminar o desequilíbrio entre oferta e demanda no maior mercado siderúrgico mundial. Mesmo com menor atividade das usinas, as exportações permanecem em níveis historicamente elevados e os estoques de produtos planos encerraram agosto acima dos registrados um ano antes, mantendo pressão competitiva sobre o mercado internacional.

Em julho, a China produziu 76,9 milhões de toneladas de aço, queda de 8,1% frente a junho e de 3,5% na comparação anual. O consumo aparente recuou ainda mais, para 67,2 milhões de toneladas, retração de 8,9% no mês e de 4,4% frente a julho de 2025, segundo relatório setorial do BB Investimentos.

As exportações chinesas permaneceram acima de 10 milhões de toneladas, patamar classificado pelo BB-BI como historicamente elevado. Ainda assim, os estoques de aço continuaram altos: nos laminados planos, encerraram agosto 18,4% acima do mesmo período do ano passado.

O quadro indica que a redução da produção ainda convive com demanda doméstica enfraquecida e estoques elevados. Para outros mercados siderúrgicos, a manutenção das exportações chinesas em patamares elevados preserva a pressão competitiva internacional, ainda que os efeitos sejam diferentes conforme produto, origem e região.

China e Estados Unidos seguem em direções diferentes

A divergência entre os principais mercados aparece também nas cotações da bobina laminada a quente. Na China, o BQ ficou em média em US$ 453 por tonelada em agosto, praticamente estável frente ao mês anterior, em ambiente de demanda fraca e estoques elevados.

Nos Estados Unidos, o movimento foi oposto. A cotação média do BQ avançou 3,1% em agosto e encerrou o mês acima de US$ 1.200 por tonelada, maior nível em quatro anos. A produção americana de aço bruto ficou próxima de 7,3 milhões de toneladas, 2,8% superior à de um ano antes, com utilização da capacidade das usinas próxima de 80%.

A diferença mostra mercados submetidos a condições distintas de oferta, demanda e comércio. Enquanto a siderurgia americana opera com elevada utilização de capacidade e preços em alta, a China ainda enfrenta dificuldade para absorver internamente sua produção.

Confiança da siderurgia brasileira recua

No Brasil, os últimos indicadores consolidados de atividade siderúrgica utilizados pelo BB-BI, referentes a julho, apresentaram melhora na comparação mensal. As vendas internas cresceram 4,1%, para aproximadamente 1,9 milhão de toneladas, enquanto o consumo aparente avançou 2,6%, para 2,2 milhões de toneladas. As exportações superaram 1 milhão de toneladas, alta mensal de 9,8%.

As importações totais, ainda nos dados de julho utilizados pelo relatório, recuaram 19,9% frente a junho, para 383 mil toneladas, equivalentes a 17,2% do consumo aparente. Entre janeiro e julho, somaram 3,3 milhões de toneladas, queda de 20,4% na comparação anual.

A melhora de alguns indicadores correntes não se refletiu, porém, na percepção das empresas. O índice de confiança da indústria do aço caiu para 43 pontos em agosto, redução de 2,6 pontos frente a julho. O componente relacionado às expectativas recuou 7,4 pontos no mês, enquanto a avaliação da situação atual da empresa caiu 4,1 pontos.

O resultado sugere cautela do setor diante das condições esperadas para os próximos meses, mesmo após a melhora mensal observada em parte dos indicadores de julho.

Dados de agosto mostram mudança na composição das importações

Os números mais recentes do comércio exterior, já referentes a agosto e analisados pela Infomet, acrescentam uma nova dimensão a esse cenário. O comportamento das importações brasileiras passou a apresentar diferenças importantes entre produtos.

Levantamento da Infomet sobre a base detalhada por NCM do Comex Stat/MDIC mostrou que as entradas de vergalhão caíram 86,4% em agosto frente a julho, para 2,7 mil toneladas, enquanto as de fio-máquina recuaram 71,1%, para 9 mil toneladas.

Nos planos, o movimento foi diferente. As importações agregadas cresceram 15% frente a julho, enquanto a cesta de bobinas a quente não decapadas, em rolos e de aço não ligado acompanhada pela Infomet avançou pelo segundo mês consecutivo, de 54,7 mil toneladas em julho para 58,4 mil toneladas em agosto, alta de 6,8%.

A origem do BQ também mudou. Japão e Taiwan responderam juntos por 48,2 mil toneladas, mais de 80% do volume da cesta analisada pela Infomet, enquanto as entradas provenientes da China diminuíram de 4,2 mil para 1,5 mil toneladas.

Essa mudança é relevante diante do quadro internacional. A menor participação direta da China em determinado fluxo brasileiro não elimina necessariamente a influência de sua siderurgia sobre o mercado global. Com exportações chinesas ainda em níveis historicamente elevados, outros produtores também disputam mercados internacionais em um ambiente de oferta abundante.

Estoques mantêm China no radar

O quadro do minério de ferro reforça a fraqueza dos fundamentos chineses. As importações da commodity pela China somaram 109 milhões de toneladas em agosto, alta de 0,4% frente ao mês anterior, enquanto os estoques superaram 140 milhões de toneladas, cerca de 10% acima da média semanal dos últimos três anos.

Os preços do minério recuaram 2% na média de agosto, mas voltaram à faixa de US$ 100 por tonelada na primeira semana de setembro, movimento atribuído pelo BB-BI à redução pontual dos estoques portuários, à recomposição de estoques pelas siderúrgicas e ao aumento dos fretes marítimos.

A redução da produção chinesa ainda não eliminou o desequilíbrio entre oferta e demanda de aço no país. Enquanto exportações permanecem historicamente elevadas e estoques de planos superam os níveis do ano passado, a pressão competitiva internacional continua sendo um fator para a siderurgia brasileira — mesmo quando os fluxos diretos da China perdem participação em determinados produtos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/09/2026