Medida para conter preço do diesel tem impacto limitado sobre inflação, apontam analistas

Medida para conter preço do diesel tem impacto limitado sobre inflação, apontam analistas

A decisão do governo federal de zerar tributos sobre o diesel e criar mecanismos de compensação para conter a alta do combustível deve aliviar parte da pressão sobre os preços no Brasil, mas o impacto sobre a inflação tende a ser limitado. Avaliações de economistas indicam que, embora a medida ajude a suavizar os efeitos da disparada do petróleo no mercado internacional, ela não é suficiente para neutralizar completamente o aumento dos custos energéticos na economia.

O pacote anunciado busca reduzir o impacto imediato da alta do petróleo, intensificada por tensões geopolíticas que elevaram as cotações globais da commodity. Para isso, o governo decidiu eliminar a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel e oferecer subsídios para produtores e importadores do combustível. A expectativa é que as medidas reduzam em cerca de R$ 0,64 o preço do litro do diesel, considerando a combinação de corte de impostos e subvenção financeira.

Além disso, o governo também instituiu uma taxação temporária sobre a exportação de petróleo e derivados, com o objetivo de compensar a perda de arrecadação causada pela desoneração. A estimativa oficial é de que o pacote tenha impacto fiscal de cerca de R$ 30 bilhões, mas com efeito neutro nas contas públicas graças à nova tributação sobre as exportações.

Alívio pontual para um insumo estratégico

O diesel tem papel central na economia brasileira, especialmente no transporte de cargas e na produção agrícola. Qualquer variação relevante no preço do combustível costuma repercutir em toda a cadeia produtiva, afetando custos logísticos e o preço final de diversos produtos.

Por essa razão, o objetivo da medida é evitar que o choque internacional do petróleo se transforme rapidamente em pressão inflacionária doméstica. Ao reduzir temporariamente o custo do combustível, o governo busca preservar a estabilidade de preços em setores sensíveis, como alimentos, transporte e logística.

Especialistas avaliam, no entanto, que o efeito direto sobre a inflação deve ser relativamente pequeno. Isso ocorre porque o diesel representa apenas uma parte da composição do índice de preços ao consumidor e porque outros fatores — como câmbio, demanda e custos de produção — também influenciam o comportamento da inflação.

Alta global do petróleo continua sendo fator determinante

Mesmo com a desoneração, a dinâmica do mercado internacional de petróleo segue sendo o principal determinante do custo do combustível. A recente escalada das cotações globais, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevou o preço do barril e aumentou a pressão sobre países importadores de derivados.

No caso brasileiro, a situação é ainda mais sensível porque parte do diesel consumido no país precisa ser importada. Estimativas apontam que cerca de um quarto da oferta nacional depende do mercado externo, o que torna o país vulnerável às oscilações internacionais de preços.

Dessa forma, mesmo com medidas de alívio tributário, o impacto do petróleo mais caro tende a persistir na economia, especialmente se o cenário externo permanecer volátil.

Equilíbrio entre controle de preços e sustentabilidade fiscal

Para analistas, o pacote representa uma tentativa de equilibrar duas prioridades: conter a inflação e preservar o equilíbrio fiscal. Ao compensar a renúncia tributária com novas fontes de arrecadação, o governo busca evitar que a política de controle de preços gere desequilíbrios nas contas públicas.

Embora o efeito inflacionário seja considerado modesto, economistas avaliam que a medida pode ajudar a reduzir incertezas e oferecer maior previsibilidade para setores intensivos em transporte, como agronegócio e logística.

Nesse contexto, o pacote funciona como um instrumento de curto prazo para suavizar choques externos, enquanto o desempenho da inflação brasileira continuará dependendo, em grande medida, da evolução do mercado internacional de petróleo e das condições econômicas globais.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 13/03/2026