Preços do aço iniciam julho estáveis, mas importações e estoques podem alterar trajetória no segundo semestre

Preços do aço iniciam julho estáveis, mas importações e estoques podem alterar trajetória no segundo semestre

Os preços dos aços comercializados no mercado spot brasileiro mantêm um cenário de estabilidade neste início de julho. As variações apuradas até o momento são pouco expressivas e indicam acomodação tanto entre os aços planos quanto nos produtos longos e na sucata ferrosa.

Apesar da baixa volatilidade observada nos índices, o mercado permanece atento a fatores que poderão mudar essa trajetória ao longo do mês e durante o segundo semestre. Entre eles estão o volume de aço importado, os níveis de estoques da distribuição, a demanda da indústria e da construção civil, o câmbio e a possibilidade de novos reajustes anunciados pelas siderúrgicas.

Aços planos apresentam pequenas quedas

Entre os aços planos, o Índice do Aço Laminado a Quente, também conhecido como BQ, registra queda de 0,14% em julho na comparação com junho. O indicador passou de 364,55 para 364,05 pontos.

O Índice do Aço Laminado a Frio, ou BF, apresenta recuo um pouco maior, de 0,20%, passando de 353,7 para 353 pontos.

Já o Índice da Chapa Grossa permaneceu estável, sem alteração entre junho e julho.

As variações inferiores a 0,2% indicam que, por enquanto, não há um movimento generalizado de redução dos preços dos aços planos. O comportamento é mais próximo de uma acomodação ou estabilidade técnica do que de uma tendência consistente de queda.

Aços longos também permanecem acomodados

O cenário é semelhante no segmento de aços longos. Os índices da barra chata e do tubo industrial redondo não apresentaram variação na comparação mensal.

O vergalhão foi o produto com a maior redução percentual entre os itens acompanhados. Seu índice recuou 0,34%, de 368 para 366,75 pontos.

Embora seja a queda mais significativa entre os produtos analisados, o percentual continua relativamente baixo e ainda não caracteriza uma mudança expressiva na formação dos preços do segmento.

O comportamento do vergalhão deverá continuar relacionado principalmente ao ritmo da construção civil, ao nível de estoques dos distribuidores e à concorrência entre fornecedores no mercado spot.

Sucata tem leve valorização

Na direção oposta, o Índice da Sucata Ferrosa apresentou pequena alta de 0,10%, passando de 101,9 para 102 pontos.

A variação também é considerada limitada. No entanto, a sucata deve permanecer no radar do mercado, uma vez que alterações mais intensas no custo da matéria-prima podem afetar a produção das usinas semi-integradas e, posteriormente, os preços dos aços longos.

Mercado spot opera sem pressão definida

Os dados mostram um mercado sem uma direção clara de preços neste começo de julho. Dos sete produtos analisados, três permaneceram estáveis, três registraram pequenas quedas e apenas a sucata apresentou leve alta.

Esse quadro reforça a percepção de estabilidade no mercado spot. Compradores não demonstram, até o momento, disposição para formar estoques de maneira agressiva, enquanto distribuidores e fornecedores procuram preservar volumes e margens em um ambiente de demanda moderada.

A estabilidade, entretanto, não significa ausência de riscos de variação durante o restante do mês.

Importações são um dos principais fatores de pressão

O comportamento das importações continua sendo um dos elementos mais importantes para a definição dos preços internos.

Em abril, as importações brasileiras de aços planos somaram 166,6 mil toneladas, queda de 43,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, o INDA. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, porém, a redução foi de apenas 1,9%, para 1,07 milhão de toneladas.

O presidente do INDA, Carlos Loureiro, avalia que uma redução mais consistente da entrada de material estrangeiro pode criar condições para novos reajustes das siderúrgicas nacionais. A lógica é que uma oferta menor de produtos importados reduz a pressão competitiva sobre as usinas brasileiras e abre espaço para recuperação das margens.

Por outro lado, caso as importações voltem a crescer ou os produtos estrangeiros continuem chegando ao Brasil com preços competitivos, a capacidade das usinas de transferir aumentos ao mercado poderá ser limitada.

As importações foram um dos principais fatores de pressão sobre os preços e sobre o desempenho da distribuição nos últimos anos. Em 2025, as compras brasileiras de aços planos no exterior cresceram 24,1%, alcançando 3,33 milhões de toneladas.

Estoques ainda podem limitar reajustes

Outro ponto de atenção é o nível dos estoques existentes na cadeia.

Mesmo com a diminuição recente das importações, estoques elevados nos distribuidores, consumidores e portos podem retardar uma recuperação mais forte dos preços. Enquanto houver material disponível adquirido anteriormente, compradores tendem a resistir a novas tabelas e a negociar descontos no mercado spot.

Em maio, o INDA afirmou que os estoques da distribuição ainda permaneciam altos, apesar da queda das importações registrada em abril.

Esse fator ajuda a explicar por que uma eventual tentativa de reajuste das usinas não necessariamente aparece de forma imediata nos índices de preços. Entre o anúncio de um aumento e sua efetiva aplicação, há negociações, consumo dos estoques antigos e diferentes condições comerciais oferecidas a cada cliente.

Demanda deve determinar sustentação dos preços

A demanda doméstica também será decisiva para o comportamento dos preços ao longo do segundo semestre.

No início de 2026, o INDA projetou crescimento de apenas 1,5% nas vendas de aços planos pela distribuição, o que representaria o terceiro ano consecutivo de expansão limitada. A entidade esperava um desempenho mais favorável no segundo semestre do que na primeira metade do ano.

O cenário de juros elevados continua restringindo investimentos, compras de bens duráveis e novos projetos industriais. Ao mesmo tempo, segmentos como construção, máquinas, equipamentos, energia, infraestrutura e indústria automotiva podem gerar maior consumo caso apresentem aceleração nos próximos meses.

Para que eventuais reajustes se sustentem, será necessário que a procura acompanhe a redução da oferta importada. Sem uma recuperação do consumo, aumentos anunciados pelas siderúrgicas poderão ser parcialmente absorvidos por descontos e negociações comerciais.

Câmbio e custos também entram na conta

Além das importações e da demanda, o câmbio pode provocar mudanças nos preços.

Uma valorização do dólar encarece o aço estrangeiro e torna a produção nacional relativamente mais competitiva. Esse movimento tende a favorecer reajustes internos. Já um real mais valorizado reduz o custo de importação e pode aumentar novamente a concorrência com produtos provenientes da China e de outros mercados asiáticos.

Custos de matérias-primas como minério de ferro, carvão metalúrgico, energia e sucata também influenciam as decisões das usinas, embora seus efeitos nem sempre sejam repassados de maneira imediata ao consumidor.

Perspectiva para julho

Com base nos índices apurados até agora, o cenário predominante para julho é de estabilidade, com pequenas oscilações negativas em determinados produtos.

Não há, neste momento, evidências de uma queda generalizada dos preços dos aços no mercado brasileiro. Também ainda não aparece nos indicadores uma recuperação ampla capaz de sustentar aumentos expressivos.

A tendência poderá mudar caso haja uma redução mais intensa das importações, queda dos estoques e melhora da demanda. Nesse cenário, as siderúrgicas nacionais poderão encontrar condições mais favoráveis para tentar novas recomposições de preços.

Por outro lado, a permanência de estoques elevados, o consumo moderado e a concorrência entre distribuidores podem manter o mercado spot acomodado e dificultar o repasse integral de eventuais reajustes.

Assim, julho começa marcado pela estabilidade, mas com um equilíbrio ainda sensível. Pequenas alterações na oferta importada, no câmbio ou no ritmo dos pedidos poderão determinar se os preços encerrarão o mês praticamente inalterados ou se iniciarão um movimento mais claro de alta ou de baixa.

 
 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 15/07/2026