Preços do aço na Europa sobem impulsionados por energia cara e novas políticas comerciais
Preços do aço na Europa sobem impulsionados por energia cara e novas políticas comerciais
Os preços do aço na Europa registraram alta significativa em 2026, refletindo um cenário de custos elevados e mudanças nas regras do comércio internacional. Segundo análise do Bank of America, o avanço é resultado de uma combinação de fatores estruturais, incluindo políticas ambientais mais rígidas, energia mais cara e ajustes nas importações.
No primeiro trimestre, o preço médio das bobinas laminadas a quente (HRC) atingiu cerca de €660 por tonelada — um aumento de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já no mercado à vista, os valores chegaram a €700 por tonelada, acumulando uma alta de cerca de €100 frente ao final de 2025.
Energia e carbono pressionam custos
Um dos principais motores dessa valorização é o aumento dos custos energéticos, que têm impacto direto na produção siderúrgica — altamente dependente de eletricidade e combustíveis. Estima-se que cerca de €20 por tonelada do aumento recente esteja diretamente ligado à energia.
Além disso, a implementação do Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM) também contribui para encarecer o aço importado e favorecer a produção local. A medida faz parte da estratégia europeia de descarbonização e busca equilibrar a concorrência com países que possuem regras ambientais menos rígidas.
Protecionismo e reorganização do mercado
Outro fator determinante é o endurecimento das políticas comerciais. A União Europeia vem avançando em medidas para proteger sua indústria, incluindo a elevação de tarifas e a redução de cotas de importação. Um acordo recente prevê tarifas de até 50% sobre volumes excedentes, além de cortes significativos nas importações isentas.
Esse movimento tem potencial para redesenhar o fluxo global do aço. Com menor acesso ao mercado europeu, grandes exportadores — como China e Turquia — podem redirecionar sua produção para outras regiões, aumentando a concorrência e pressionando preços fora da Europa.
Demanda moderada, mas resiliente
Do lado da demanda, o cenário é misto. O setor de construção apresenta sinais de recuperação, com melhora na confiança e nas licenças, embora em ritmo mais lento. Já a indústria automotiva manteve estabilidade no início do ano, mas mostrou desaceleração em março.
Ainda assim, a produção de aço na União Europeia permaneceu praticamente estável, com leve queda em relação ao trimestre anterior e ao ano passado, indicando um mercado equilibrado entre oferta e demanda.
Perspectivas de alta continuam
As projeções indicam continuidade na tendência de valorização. O Bank of America estima que o preço do HRC pode atingir cerca de €730 por tonelada até 2027, impulsionado por novas tarifas e restrições comerciais previstas para os próximos anos.
Esse cenário tende a beneficiar siderúrgicas europeias, mas também levanta preocupações sobre o impacto nos custos de setores dependentes do aço, como construção civil, infraestrutura e indústria automotiva.
Fonte: Investing
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/04/2026