Tarifas fizeram venda de aço do Brasil aos EUA cair, mas recuo foi menor que média global, diz Fiemg
Tarifas fizeram venda de aço do Brasil aos EUA cair, mas recuo foi menor que média global, diz Fiemg
Estudo elaborado pela Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que, um ano após a entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço importado, as compras de aço brasileiro pelo mercado americano registraram queda. A pesquisa, realizada por intermédio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg, aponta que, em 2025, os embarques do Brasil para os Estados Unidos recuaram 8,3% frente a 2024, totalizando 3,7 milhões de toneladas. No mesmo período, as importações globais de aço pelos EUA caíram 12,6% em volume na comparação com o ano anterior.
As tarifas de 25% sobre o aço importado entraram em vigor em 12 de março de 2025 e foram posteriormente elevadas para 50% em junho do mesmo ano.
Em nota, a Fiemg ressalta que, no caso brasileiro, a queda menor em relação à média global reflete a forte integração produtiva entre siderúrgicas brasileiras e a indústria dos Estados Unidos. Foram priorizados fornecedores com cadeias mais conectadas ao mercado dos EUA, o que contribuiu para preservar parte do espaço ocupado pelo Brasil nas importações de aço do país.
Em 2025, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá e à frente do México. "O resultado demonstra que, mesmo diante das restrições comerciais, o aço brasileiro segue ocupando espaço relevante e competindo com os principais fornecedores do entorno imediato do mercado dos EUA", diz a nota divulgada pela Fiemg.
O estudo também analisou os impactos para Minas Gerais, maior produtor de aço bruto do país, responsável por cerca de 30% da produção brasileira e um dos principais exportadores do setor. No mercado dos Estados Unidos, as exportações mineiras de aço cresceram 15% em volume até o fim de 2025, mas registraram queda de 26% em valor, evidenciando uma mudança no perfil das vendas externas.
De acordo com o levantamento, esse movimento ocorreu principalmente pela ampliação dos embarques de aços semiacabados, que possuem menor valor agregado e são utilizados como insumo para processamento em outros países.
Em 2024, por exemplo, apenas 19% das exportações de aço aos Estados Unidos eram de semiacabados, enquanto 81% correspondiam a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com o novo quadro tarifário, os semiacabados passaram a responder por 53% da pauta exportadora. A Fiemg ressalta que esse cenário revela que diante da situação comercial mais desafiadora, os produtos diretamente dependentes de transformação posterior foram priorizados, enquanto os aços acabados precisaram buscar outros mercados.
“O tarifaço alterou de forma relevante a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações aos Estados Unidos, que passaram a se concentrar mais em produtos de menor valor agregado. Ao mesmo tempo, preocupa o avanço das importações de aço, especialmente em um contexto de excesso de oferta global, pressão sobre preços e risco de práticas desleais de comércio, o que exige atenção redobrada à competitividade da indústria brasileira”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/03/2026