Notícias

União Europeia acelera negociação com Brasil por terras raras após Trump fechar compra de mineradora

A União Europeia (UE) quer entrar na disputa pelas reservas de terras raras no Brasil, com Estados Unidos e China. A Comissão Europeia pretende intensificar a negociação para chegar a uma parceria em território brasileiro e um acordo com o governo federal.

O objetivo de fundo é assegurar suprimentos para as indústrias estratégicas europeias, entre elas as de tecnolgia e defesa, e escapar do controle de chinês no segmento e do apetite americano disparado por Donald Trump.

Diplomatas brasileiros afirmaram que os europeus demostraram preocupação com o avanço dos EUA e da China nas reservas de minerais críticos da América do Sul. Embora o subsolo nacional não tenha sido totalmente mapeado, estima-se que o País detenha a segunda maior reserva de terras raras do mundo (23%) e cerca de 21 milhões de toneladas.

A UE vai despachar ao Brasil, entre 18 e 24 de junho, o comissário de Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, responsável por tratar do tema e assegurar o que os europeus chamam de uma “cadeia de suprimentos segura e sustentável” de matéria-prima crítica.

O comissário visitará Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ele estará acompanhado lideranças do projeto de investimento europeu Global Gateway, da diplomacia do bloco e também do Banco Europeu de Investimentos (BEI).

No sábado, dia 20, Síkela vai visitar um dos projetos de terras raras atualmente em avaliação de investimentos europeus, o Colossus, da empresa australiana Viridis, em Poços de Caldas (MG).

Funcionários europeus em Bruxelas veem uma oportunidade para a Europa, oferecendo o que chamam de parcerias “confiáveis” e “estáveis”, enquanto existe instabilidade global por causa da disputa franca por liderança e uma guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Os europeus falam em oferecer tecnologia, formação e investimento produtivo, seguindo os seus parâmetros climáticos e sociais.

A UE montou com os governos de Brasil, Argentina e Bolívia grupos de trabalho para selecionar seus projetos prioritários a fim de receber aportes. Os europeus também mostraram os seus interesses, e os portfólios foram cruzados e mostrados a empresas do bloco. O objetivo é criar conexão industrial entre as empresas locais sul-americanas e as europeias.

Interlocutores europeus querem diversificar suas fontes de acesso a minerais críticos, entre eles os elementos de terras raras abundantes no Brasil, mas escassos no restante do mundo (exceto a China). Eles fizeram chegar aos governos que estão dispostos a investir dinheiro nos países, “mas não para que refinem o lítio e o mande de volta para a China”.

Os europeus são claros: buscam diversificar a cadeia de suprimentos e garantir independência, para escapar de quem, com uma ordem política, “fecha o mercado de exportação e paralisa a indústria automobilística alemã“. O agente oculto é a China.

Como retaliação à guerra comercial com os EUA, Pequim já represou a exportação de minerais críticos, o que afetou a indústria americana, inclusive a indústria de defesa.

Em janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o acordo em discussão com o Brasil nortearia a cooperação e projetos de investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras.

“Isto é fundamental para as nossas transições digital e limpa, bem como para a nossa independência estratégica num mundo onde os minerais tendem a tornar-se um instrumento de coerção”, disse ela.

O bloco europeu sabe que será difícil cobrar exclusividade - o governo brasileiro já recusou um acordo nessas bases com os EUA - mas exigem que ao menos parte das exportações dos insumos volte à Europa. Dizem, em contrapartida, que vão investir em produtos de valor agregado feitos localmente.

Ofensiva europeia ocorre após EUA comprarem participação em mineradora brasileira

A viagem de Síkela e a ofensiva europeia ocorrem depois de os Estados Unidos aportarem recursos e comprarem participação na Serra Verde, que explora terras raras leves e pesadas em Minaçu (GO), também em busca de alternativas um mercado global dominado pela China - Pequim concetra cerca de 70% da capacidade de exploração e 90% do refino. A compra foi feita pela mineradora USA Rare Earth, da qual o governo Trump passará a ser acionista.

A China é o principal detentor e, sobretudo, processador de minerais críticos do mundo e terá um papel central nas próximas duas décadas, conforme projeções da Agência Internacional de Energia (AIE).

Pequim domina o refino de 19 dos 20 minerais críticos listados em estudo da agência Perspectivas Globais para Minerais Críticos 2025: com 44% do cobre, 70% do lítio, 92% das terras raras, 95% do grafite e 99% do gálio.

Além de avaliar um projeto em concreto, a UE e o governo brasileiro discutem formalizar um acordo, ainda com termos mais genéricos, para dar base à cooperação em terras raras e outros minerais críticos.

Segundo apurou o Estadão, os primeiros rascunhos do acordo não agradaram ao Brasil, porque se limitavam a discutir aspectos da extração mineral. Pessoas com acesso ao texto falam em tratativas para um memorando de entendimentos, espécie de carta de intenções - algo que a UE já assinou com Argentina e Chile.

Brasil quer que acordo inclua beneficiamento, e não apenas extração

Representantes do Brasil avisaram Bruxelas que o acordo só será fechado se incluir beneficiamento e investimentos novos de europeus no País. Existem fundos que a UE pode mobilizar para financiar empresas europeias interessadas em reservas de terras raras.

Enquanto o País ainda discute uma política nacional - um marco legal foi aprovado na Câmara e agora tramita no Senado -, o governo Lula adotou como diretriz firmar apenas acordos mais gerais, mas que deixem claro o interesse em parcerias que induzam a criação de uma cadeia industrial no País, voltada ao processamento e refino de terras raras ao invés da exportação de matéria-prima bruta.

Os recados do governo nesse sentido parecem ter sido ouvidos. Interlocutores em Bruxelas e Luxemburgo afirmam que a parceria em discussão vai seguir um “modelo europeu” voltado também ao “benefício público” e que não se limita à exportação 100% da matéria-prima e haverá desenvolvimento da indústria local.

A conclusão de um financiamento é considerado um projeto de prazo médio a longo. No Brasil, o BEI vai mobilizar equipe técnica, de project finance, setor público e manter conversas com o BNDES e o BDMG.

Há interesse da UE em um contrato de offtake, com um comprador europeu adquirindo a produção antes mesmo de a operação começar. Segundo fontes a par das tratativas, essa é uma condição considerada muito importante em Bruxelas em Luxemburgo. Eles querem assaegurar a diversificação da distribuição dos minerais para que vão sejam enviados a outras partes do mundo e beneficie a Europa.

Se não o todo, o que poderia cair na exclusividade e veto à venda a outros países (o que o governo Lula rechaça), um percentual relevante que aumente o acesso da Europa às reservas de terras raras.

Os europeus indicaram estar de acordo com o processamento industrial local no Brasil - ao menos em parte - e que com o tempo poderia ser completo, idealmente, se houver capacidade produtiva instalada.

O Banco Europeu de Investimentos (BEI) já financiou projetos dentro da Europa e agora busca os primeiros na América Latina. São projetos considerados de médio a longo prazo.

Eles participam da atual edição da Exponor, em Antofagasta, no Chile, uma das feiras mais tradicionais do setor mineral. E também observam oportunidades em outros países com reservas minerais relevantes, entre eles a Argentina.

Dois funcionários técnicos do BEI vão acompanhar a visita de Síkela. Não há um montante pré-definido para o crédito - a instituição financeira vai avaliar caso a caso os projetos, de acordo com a demanda de financiamento.

O banco é uma institutição que age sob interesse direto de empresas europeias, com a orientação política da UE. Ajuda empresas europeias a acelerarem investimentos e trabalha com empresas locais parceiras delas. O interesse é justamente procurar fornecedores de materiais estratégicos que faltam na Europa e existem em abundância na América.

Impacto do acordo Mercosul-UE

Eventual aporte de investimentos empresariais e o memorando em discussão com o governo brasileiro devem se beneficiar das regras previstas no acordo de comércio entre Mercosul e a UE, em vigor desde 1º de maio.

O tratado de livre comércio prevê preferências tarifárias para minerais e tem uma cláusula que vale só para o Brasil, dando ao governo a capacidade de exercer, no futuro, algum grau de controle sobre as exportações de terras raras. O objetivo, segundo diplomatas, era proteger as reservas e evitar que fossem destinadas à exportação como matérias-primas brutas.

Se o governo vier a aplicar alguma taxa sobre a exportação, a União Europeia vai preservar uma preferência, ou seja, terá um tratamento melhor, uma margem mais baixa em relação a outros países.

 
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 10/06/2026

 

A UE estabelece um quadro jurídico para proteger o mercado do aço.

Segundo o correspondente da Agência de Notícias do Vietnã em Bruxelas, o Conselho da União Europeia (UE) adotou oficialmente, em 8 de junho, um novo regulamento que estabelece um quadro legal para proteger o mercado siderúrgico do bloco da sobreoferta global. Esta é uma medida que a UE considera essencial para resgatar sua indústria fundamental, que enfrenta dificuldades.

As novas regulamentações, que entram em vigor em 1º de julho, substituirão as medidas de proteção da UE para a indústria siderúrgica, que expiram em 30 de junho.

Representando a presidência rotativa da UE, Michael Damianos, Ministro da Energia, Comércio e Indústria da República de Chipre, afirmou que "o aço é indispensável para a base industrial da Europa, para a sua transição verde e para a segurança do bloco".

Ao adotar o regulamento mencionado, a UE está a estabelecer um quadro mais robusto para responder à volatilidade do mercado global, proteger a concorrência leal e proporcionar garantias tanto aos produtores de aço como às indústrias subsequentes.

De acordo com as novas regulamentações, o sistema de quotas tarifárias (TRQ) foi reformulado para se tornar mais rigoroso. Especificamente, as quotas de importação serão reduzidas e o imposto sobre o aço que exceder a quota será significativamente aumentado. Esta é a principal medida para limitar a entrada de aço barato no mercado da UE.

Em paralelo, a regulamentação permite que as empresas transfiram quotas não utilizadas de um trimestre para outro dentro do mesmo ano. Essa flexibilidade ajuda a evitar o desperdício de quotas devido a flutuações sazonais, ao mesmo tempo que controla o volume total anual de importações.

Além disso, a cláusula de "fusão e vazamento" estipula a verdadeira origem do produto, especificando onde o aço é primeiramente fundido e moldado em forma sólida. Essa medida visa impedir a burla da lei por meio da transferência de aço através de um terceiro país para "mascarar" sua origem antes de entrar no mercado da UE.

Com essa disposição, as autoridades aduaneiras europeias têm uma base legal para rastrear a verdadeira origem de um produto, independentemente do número de portos intermediários pelos quais ele passe.
Os regulamentos também estabelecem um mecanismo de revisão periódica reforçado, permitindo à Comissão Europeia avaliar e recomendar ajustes à medida que o mercado se altera.

Esta é uma diferença fundamental em relação às antigas e rígidas medidas de salvaguarda. Na declaração conjunta que acompanha o regulamento, o Conselho da UE, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia reafirmaram o seu compromisso de reduzir a dependência económica da Rússia, promovendo simultaneamente um roteiro para a eliminação gradual dos produtos siderúrgicos russos do mercado da UE.

A decisão de 8 de junho é uma clara indicação da direção da política industrial europeia. A UE opta por proteger a sua produção nacional de aço como prioridade estratégica, não só para o emprego e a economia regional, mas também porque o aço é a espinha dorsal das capacidades de defesa e da transição energética.

Segundo as previsões, o excedente global de aço atingirá 721 milhões de toneladas em 2027, cinco vezes o consumo anual de toda a UE. Entretanto, a Europa é praticamente o único mercado aberto para esse excedente de aço devido às tarifas americanas e à contínua produção em larga escala da China.

Como resultado, prevê-se que as siderúrgicas europeias operem com apenas 67% da capacidade até 2024, um nível perigoso que torna a recuperação do investimento praticamente impossível.

Desde 2007, a indústria siderúrgica da UE teve que reduzir a produção em aproximadamente 65 milhões de toneladas e cortar 100.000 postos de trabalho. Atualmente, o setor emprega diretamente cerca de 300.000 pessoas e sustenta as economias de muitas regiões dos Estados-Membros.

 
Fonte: Vietnam.vn
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/06/2026

 

Restrições da UE ao aço e ao óleo de soja aprofundam atritos com o Brasil após acordo

A União Europeia adotou recentemente medidas que devem resultar em novas restrições a produtos exportados pelo Brasil ao bloco, num movimento que aprofunda atritos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poucas semanas depois da entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio com o Mercosul.

Na última reunião do Grupo Mercado Comum (GMC), braço executivo do Mercosul, as delegações de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai registraram queixas sobre medidas europeias que devem limitar exportações de aço e óleo de soja. Essas restrições, que se aplicam globalmente e não apenas ao Brasil e seus vizinhos, se somam ao recente veto da Europa à compra de carne brasileira pelo uso de antibióticos.

A UE diz que a medida contra o aço importado tem como objetivo mitigar os efeitos de uma sobrecapacidade global, enquanto no caso da soja o problema estaria ligado ao efeito indireto sobre perdas de florestas e degradação do solo.

No caso do aço, os representantes dos países do Mercosul disseram, durante o encontro, que as barreiras planejadas pela Europa podem representar um descumprimento do tratado de livre comércio. A avaliação foi confirmada pelo Itamaraty, que em resposta à Folha disse que as medidas, caso adotadas, “podem vir a restringir ou esvaziar concessões obtidas sob o acordo”.

“Para o caso de identificação de descumprimento do acordo, há remédios no próprio acordo para lidar com eventual retirada de benefícios acordados, como no mecanismo de reequilíbrio presente no capítulo de solução de controvérsias”, afirmou a pasta, em nota.

O Parlamento Europeu endureceu, em votação realizada em 19 de maio, as regras para a entrada de produtos siderúrgicos nos países da UE. Além de cortar pela metade o volume que pode ingressar livre de tarifas -para 18,3 milhões de toneladas métricas-, o bloco elevou de 25% para 50% o imposto sobre o aço extracota.

A decisão deve vigorar a partir de 1º de julho, com aplicação inclusive para sócios com os quais a União Europeia tem tratado comercial, caso do Mercosul.

A medida atinge diretamente os interesses da indústria brasileira, uma vez que o acordo entre a UE e o Mercosul previa tarifa zero para diversos produtos siderúrgicos.

O Instituto Aço Brasil disse à Folha que a limitação das importações prevista pela União Europeia “inevitavelmente impactará as exportações brasileiras de aço, mesmo que os volumes exportados pelo Brasil não configurem ameaça ao mercado europeu”.

“O Aço Brasil entende que deveria prevalecer o que foi acordado no âmbito do [acordo] Mercosul-União Europeia. Num contexto em que países estão se fechando e em que o Brasil está perdendo mercado internamente devido às importações predatórias de aço, ter acesso restrito a mais um mercado é extremamente preocupante”, declarou a entidade.

Segundo o Itamaraty, a média das importações europeias oriundas do Brasil dos produtos cujas tarifas estão sendo elevadas foi de cerca de 444 milhões de euros (R$ 2,7 bilhões) entre 2022 e 2024.

A justificativa da UE ao decidir aumentar sua proteção ao setor siderúrgico é enfrentar a sobrecapacidade global, fenômeno causado por uma produção massiva de aço na China para exportação a preços inferiores aos dos concorrentes domésticos.

O problema também afeta as siderúrgicas no Brasil, que classificam a prática chinesa como predatória.

O bloco europeu adota salvaguardas na siderurgia desde 2018, mas elas eram mais brandas do que as recém-aprovadas e expiram no final de junho. Havia ampla expectativa no Brasil de que os termos de tarifa zero negociados no acordo de livre comércio com o Mercosul prevaleceriam.

A Delegação da União Europeia no Brasil declarou que a medida, além de compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), é “necessária tendo em conta o nível insustentável de sobrecapacidade global e o crescente número de medidas restritivas ao comércio em outros países, resultando no desvio de comércio para o mercado da UE”.

A missão diplomática também declarou que a UE está discutindo as implicações de sua proposta com parceiros.
Por último, afirmou que ainda é cedo para saber o impacto sobre cada sócio comercial, mas destacou que o novo regulamento “estabelece que os parceiros que tenham um acordo de livre comércio com a UE poderão receber um tratamento especial e diferenciado”.

Óleo de soja

A renegociação tarifária do aço na OMC não é a única ação da União Europeia que é alvo de críticas no governo Lula.

Na mesma reunião do GMC, realizada nos dias 19 e 20 de maio, os delegados do Mercosul reclamaram de uma recente normativa europeia que classificou a soja como produto de alto risco de Mudança Indireta do Uso do Solo (ILUC, na sigla em inglês).

O ILUC é um conceito usado na União Europeia para estimar se o aumento da produção de determinadas culturas para biocombustíveis pode provocar, indiretamente, perda de florestas e outras mudanças no uso da terra.

Ao incluir a soja numa lista de alto risco de ILUC, os europeus colocam a cultura como uma espécie de vetor indireto de desmatamento. A consequência mais imediata é que o óleo de soja não mais poderá ser contabilizado para o cumprimento das metas europeias de uso de biocombustíveis, e precisará deixar de ser usado para essa finalidade até 2030.

A nova regra foi introduzida em 10 de abril pela Comissão Europeia e aguarda análise do Parlamento e do Conselho Europeu.
André Nassar, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), afirma que a medida “basicamente vai banir o óleo de soja como insumo para biocombustíveis” na Europa.

Embora o óleo de soja represente apenas 7% dos biocombustíveis usados na UE, Nassar prevê reflexos negativos para o consumo do produto também no setor de alimentos, uma vez que a soja recebeu uma espécie de selo de causadora indireta de desmatamento.

“Quando o óleo de palma foi classificado como de alto risco de ILUC, as importações europeias caíram drasticamente”, declara. “A indústria de alimentos europeia também vai começar a consumir menos óleo de soja.”

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 6,2 milhões de toneladas de soja em grão -insumo do óleo tanto para biocombustíveis quanto para outras finalidades da indústria de alimentos- para a União Europeia em 2025.

Procurado, o Itamaraty disse que o Brasil “não concorda com a metodologia adotada pela União Europeia nem com as conclusões dela decorrentes”. Afirmou ainda que a medida restringe-se aos biocombustíveis, mas que “eventuais restrições futuras, entretanto, podem produzir efeitos sobre a cadeia de exportação da soja”.

Já a Delegação da UE no Brasil defendeu a diretiva no âmbito dos esforços de descarbonização do bloco, afirmando que, pela proposta, “os biocombustíveis de soja não serão elegíveis para as metas de descarbonização da UE após 2030”.

“Existem soluções alternativas que podem ser disponibilizadas aos países do Mercosul para contrabalançar as implicações esperadas”, disse.

Também destacou que os biocombustíveis apontados como de baixo risco de ILUC estão isentos da redução gradual e que a Comissão Europeia está em processo de revisão das regras de certificação, “o que poderia proporcionar uma abordagem mais matizada”.

A delegação afirmou que a “UE continuará dependendo da soja como reserva alimentar essencial no setor agrícola, com uma procura constante por importações de soja”.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 05/06/2026

 

OCDE aponta excesso de aço chinês no mercado global e pressão sobre siderúrgicas brasileiras

O mercado global de aço acumula um desequilíbrio que se aprofunda a cada ano: capacidade de produção crescendo, demanda estagnada e um volume crescente de aço subsidiado inundando mercados ao redor do mundo. O relatórioOCDE Steel Outlook 2026, divulgado nesta quinta-feira (4), projeta que o excesso de capacidade global chegará a 745 milhões de toneladas até 2028, um volume superior a toda a produção atual de aço dos países da OCDE.

No Brasil, a produção de aço bruto caiu 1,6% em 2025, os preços domésticos enfraqueceram com a chegada de aço asiático mais barato e as siderúrgicas nacionais apelam ao governo por mais barreiras de importação, enquanto aumentam as exportações brasileiras para a Europa, após o fechamento do mercado americano com tarifas mais altas, medidas que afetaram especialmente a Gerdau, Usiminas e CSN.

Excesso de capacidade ocorre quando a capacidade instalada de produção de uma indústria supera significativamente a demanda real pelo produto. No aço, esse desequilíbrio força os produtores a vender abaixo do custo para manter as usinas funcionando, derrubando preços globalmente.

China exporta mais aço do que a Europa produz

A China exportou um recorde de 131 milhões de toneladas de aço em 2025, alta de 153% em relação a 2020 e um volume superior a toda a produção da União Europeia no mesmo ano. A pressão vem de dentro: a crise no setor imobiliário chinês contraiu a demanda doméstica e forçou os produtores a escoar o excedente para o exterior.

O mecanismo que viabiliza essa estratégia é o subsídio estatal. Em 2024, a empresa de aço chinesa mediana recebeu 15 vezes mais em subsídios, em relação ao tamanho de seus ativos, do que produtores em outras regiões do mundo. Em 2023, essa proporção era de 10 vezes. A diferença cresce a cada ano.

Apesar das diretrizes internas para controlar a expansão, a China planeja adicionar até 38,6 milhões de toneladas de nova capacidade até 2028. Índia e Sudeste Asiático também seguem em expansão acelerada.

Tarifas não resolvem: o aço encontra outros caminhos

A resposta dos países importadores foi erguer barreiras. Brasil, Canadá, Índia, México e Estados Unidos aumentaram tarifas ou implementaram cotas sobre produtos básicos de aço entre 2025 e 2026. O Brasil foi o segundo país do mundo que mais abriu investigações antidumping em 2025, com nove novos casos, atrás apenas do Canadá, que registrou 20.

O problema é que as barreiras têm sido sistematicamente contornadas. O relatório da OCDE identifica um padrão: exportações de produtos como chapas laminadas a quente e bobinas da China para países do Sudeste Asiático aumentaram de forma expressiva, ao mesmo tempo em que esses mesmos países passaram a exportar os mesmos produtos para mercados da OCDE em volumes maiores.

As exportações chinesas de aço semiacabado para o Sudeste Asiático subiram 300% em 2025, sugerindo processamento em terceiros países antes da reexportação para driblar as tarifas. A velha tática da triangulação para driblar barreiras comerciais.

Descarbonização adiada, crise financeira à vista

Com margens espremidas, a indústria global recua nos projetos de menor emissão de carbono. No primeiro semestre de 2025, cerca de 19% dos projetos planejados de baixa emissão foram suspensos. A alta nos custos de energia provocada pelo conflito no Oriente Médio agrava o quadro: a energia pode responder por até 40% dos custos de produção do aço.

A pressão sobre os insumos também cresce. Nenhum país produtor de aço é autossuficiente nas matérias-primas que precisa, e 42 países já aplicam restrições à exportação de sucata ferrosa, material que seria central para a transição do setor a processos de menor emissão.

Brasil resiste sem restringir sucata

Dentro desse ambiente, o Brasil mantém uma posição distinta em relação à sucata: exportou 1,1 milhão de toneladas do material em 2025, com participação de 0,8% no mercado global, sem aplicar nenhuma restrição à saída do insumo, ao contrário de China e Índia.

No plano tarifário, o governo brasileiro endureceu as regras em fevereiro de 2026, elevando as tarifas de importação para 25%, sem cotas, para categorias adicionais de chapas e produtos de arame. O sistema de cotas tarifárias introduzido em junho de 2024 havia sido estendido em maio de 2025 com ampliação da cobertura de produtos.

A taxa de utilização das usinas globais deve cair para 74% ou menos até 2028, um nível considerado insustentável para a saúde financeira do setor. O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, resumiu o problema em pronunciamento durante a reunião ministerial da organização: “O excesso de capacidade cria problemas para todos. Distorce os mercados globais, prejudica a segurança econômica e desencoraja a inovação.”

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/06/2026

Brasil amplia blindagem da indústria do aço contra avanço das importações

O governo brasileiro decidiu reforçar sua política de defesa comercial para o setor siderúrgico ao renovar a aplicação de tarifas de importação de 25% sobre uma ampla lista de produtos de aço. A decisão foi tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e integra o conjunto de medidas destinadas a proteger a indústria nacional diante do aumento da concorrência internacional e do excesso de oferta global, especialmente proveniente de mercados asiáticos.

A renovação das tarifas abrange 19 produtos siderúrgicos que já estavam sujeitos à medida e inclui ainda um novo item na Lista de Desequilíbrios Comerciais Conjunturais (DCC). O mecanismo permite ao governo elevar temporariamente as alíquotas de importação quando identifica condições de mercado consideradas prejudiciais à indústria doméstica. Diferentemente das medidas antidumping, que exigem investigações mais longas para comprovar práticas desleais de comércio, o DCC possibilita respostas mais rápidas para corrigir distorções causadas pelo aumento das importações.

A decisão representa mais um capítulo da estratégia brasileira de proteção ao setor do aço, que já conta com um sistema de cotas tarifárias aplicado a diversos produtos siderúrgicos importados. Nesse modelo, determinados volumes de importação podem ingressar no país com tarifas reduzidas, variando entre 9% e 16%. Entretanto, quando as importações ultrapassam os limites previamente estabelecidos, passa a ser aplicada uma tarifa adicional de 25% sobre o volume excedente.

Atualmente, as medidas de salvaguarda atingem 23 categorias de produtos siderúrgicos. O objetivo é evitar que grandes volumes de aço importado, frequentemente associados a mercados com elevados subsídios governamentais, provoquem desequilíbrios competitivos e prejudiquem os fabricantes brasileiros. Países como China e Rússia figuram entre os principais focos de preocupação da indústria nacional devido à elevada capacidade produtiva e aos preços mais competitivos praticados por seus exportadores.

Embora as medidas tenham caráter temporário, elas vêm sendo sucessivamente renovadas desde sua implementação, em 2024, consolidando-se como um dos principais instrumentos de política comercial utilizados pelo Brasil para o setor siderúrgico. Na prática, a continuidade das tarifas cria um ambiente mais protegido para os produtores nacionais, reduzindo as oportunidades de arbitragem por meio de importações e fortalecendo o poder de precificação das usinas brasileiras.

Entre os produtos contemplados pela renovação estão bobinas laminadas a quente e a frio, chapas galvanizadas, produtos de aço-liga, vigas estruturais e tubos para transporte de fluidos. Também foi incluída na lista uma categoria de barras redondas de aço carbono, ampliando o alcance das medidas de proteção.

A iniciativa atende a reivindicações recorrentes da indústria siderúrgica brasileira, liderada pelo Instituto Aço Brasil, que vem alertando para os impactos do excesso de oferta global e da crescente penetração de produtos importados no mercado doméstico. Segundo dados da entidade, as importações brasileiras de aço somaram 363 mil toneladas em abril deste ano, volume que representa uma redução de 33,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o setor considera que a concorrência externa continua exercendo pressão significativa sobre os preços internos.

Apesar do endurecimento das regras, a decisão foi recebida com alívio por importadores e distribuidores. Havia receio no mercado de que o governo elevasse as tarifas para até 35%, hipótese que acabou sendo descartada. Dessa forma, a manutenção do percentual em 25% foi interpretada como uma solução intermediária, capaz de atender às demandas da indústria nacional sem impor custos ainda maiores aos compradores de aço importado.

Os efeitos da medida tendem a ser mais expressivos nos segmentos de aços planos, que são tradicionalmente mais expostos à concorrência internacional e ao excesso de capacidade produtiva global. Já nos produtos longos, como vergalhões e perfis estruturais, o impacto deve ser mais limitado, servindo principalmente para sustentar os níveis atuais de preços no mercado interno.

O fortalecimento das barreiras comerciais ocorre em um contexto internacional marcado por crescentes tensões no comércio de aço. O Brasil também enfrenta desafios em suas relações com outros mercados relevantes, como os Estados Unidos, que historicamente ajustam suas próprias tarifas e mecanismos de proteção, influenciando diretamente a competitividade das exportações brasileiras.

Diante desse cenário, a renovação das tarifas reforça a estratégia do governo de preservar a competitividade da indústria siderúrgica nacional, considerada um segmento estratégico para cadeias produtivas como construção civil, infraestrutura, setor automotivo e bens de capital. Ao mesmo tempo, a medida evidencia a busca por um equilíbrio entre a proteção da produção doméstica e a necessidade de garantir o abastecimento de matérias-primas para diversos setores da economia brasileira.
 

 

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/06/2026

A decisão de Trump sobre aço, alumínio e cobre: o real impacto nas siderúrgicas e mineradoras brasileiras

As ações das siderúrgicas têm queda nesta quarta-feira, 3, devolvendo parte dos ganhos na terça, 2, quando a Usiminas (USIM5) subiu 8,6%, a CSN (CSNA3) teve alta de 8,9% e a Gerdau (GGBR4) valorização de 6,5%.  

Para a Genial Investimentos o mercado precificou “alívio e desescalada”, não uma queda real da tarifa que pesa sobre o aço brasileiro. 

O presidente norte-americano Donald Trump assinou em 1° de junho uma proclamação que ajusta a Seção 232 sobre aço, alumínio e cobre. A medida reduz a tarifa de alguns derivados (equipamento agrícola e de climatização caem de 25% para 15%), cria uma alíquota de 10% para bens de capital com pelo menos 85% de aço ou alumínio fundido nos Estados Unidos e acrescenta dois nichos à faixa de 25% (racks de aço e chapas litográficas de alumínio). A base de 50% sobre aço e alumínio primários não mudou. 

Para o analista Luca Vello a notícia que fez as ações das siderúrgicas e mineradoras (Vale e CSN Mineração) subir com força na terça-feira, embora o mercado a veja como positiva, é na prática “bastante simbólica”. 

Na avaliação da casa, o corte atinge equipamentos acabados que nenhuma das cinco companhias exporta. 

Ainda segundo a Genial, o risco real continua no desvio de importados. Com os Estados Unidos fechados a 50%, o aço asiático busca mercados abertos. A penetração de importados no Brasil já alcançou 27% no primeiro trimestre (1T26), pressionando preço e volume da Usiminas e CSN.

No entanto, Luca ressalta que a Vale e a CSN Mineração têm lastro melhor, já que na Seção 301 anunciada no mesmo dia (leia aqui), minérios metálicos ficaram isentos.

Para o analista, o que vai definir o resultado das siderúrgicas nos próximos trimestres é a intensidade do desvio de importados sobre os planos e a resposta da defesa comercial, não a Seção 232. 

A avaliação é que a Gerdau segue do lado favorável (a Gerdau produz longos dentro dos EUA e ganha com a proteção); a Usiminas é a mais sensível ao desvio de importados, por ser produtora de planos voltada ao mercado interno; e a CSN combina exposição moderada com sensibilidade financeira.



Fonte: Finance News
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/06/2026