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Aço em compasso de espera: confiança dispara com antidumping, mas importações seguem no jogo

A indústria do aço no Brasil entrou em 2026 com um paradoxo na mesa: o humor dos executivos melhora de forma expressiva, impulsionado pelo anúncio e pela expectativa de novas medidas antidumping, mas os números do mercado seguem enviando sinais mistos — produção que cresce na margem, vendas internas em queda e importações ainda relevantes.

Em fevereiro, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), do Instituto Aço Brasil, subiu 8,4 pontos e chegou a 57,6, ultrapassando a marca de 50 — linha que separa pessimismo de otimismo — pela primeira vez desde novembro de 2024. O avanço ocorre após um mês marcado pelo anúncio de medidas para proteger o mercado brasileiro do aço importado da China, tema que dominou o debate setorial nos últimos trimestres.

Ao mesmo tempo, janeiro traz um retrato ambivalente: na comparação com dezembro, a produção de aço bruto subiu 6,8% (2,7 milhões de toneladas), mas as importações avançaram 34,8%. Na comparação com janeiro do ano anterior, porém, a produção caiu 1,4% (2,732 milhões de toneladas) e as importações recuaram 6,5% (516 mil toneladas). Em outras palavras: o setor parece respirar melhor, mas ainda não virou a página.

O que mudou no humor do setor?

O ICIA não subiu por acaso — ele reflete uma virada de expectativa. O Aço Brasil atribui a alta tanto à melhora na percepção da situação atual quanto ao aumento do otimismo para os próximos seis meses:

Índice de situação atual: +11,0 pontos, para 53,0
Situação atual da economia brasileira: +9,7 pontos, para 49,4
Condições atuais da empresa: +11,7 pontos, para 54,8
Expectativas para seis meses: +7,2 pontos, para 59,9
Expectativas sobre a própria empresa: +9,5 pontos, para 65,9
O pano de fundo é a crença de que a defesa comercial vai ganhar corpo. A leitura corrente entre CEOs é que novas medidas antidumping podem chegar entre junho e julho, quando investigações em andamento avançarem para fases mais decisivas. O tema ganhou reforço público recentemente com declarações de executivos do setor — inclusive com a visão de que as medidas podem reduzir gradualmente a pressão do aço chinês.

Esse “choque de confiança”, porém, ainda convive com a realidade do chão de fábrica.

Produção sobe na margem, cai no ano: a fotografia de janeiro

Os dados de janeiro precisam ser lidos em duas camadas — e é aí que mora boa parte do aparente “conflito”:

1) Comparação mensal (janeiro vs. dezembro)

Produção de aço bruto: +6,8% (para 2,7 milhões t)
Importações: +34,8% (para 516 mil t)
Vendas internas: -2,3% (para 1,6 milhão t)
Consumo aparente: +4,1% (para 2,0 milhões t)
Exportações: estáveis (cerca de 1,2 milhão t)
Aqui, aparece um mercado que reaquece após sazonalidade — mas com importação crescendo forte.

2) Comparação anual (janeiro 2026 vs. janeiro 2025)

Produção: -1,4%
Vendas internas: -6,3% (para 1,555 milhão t)
Exportações: +34,2% (para 1,218 milhão t)
Importações: -6,5% (para 516 mil t)
Consumo aparente: -7% (para 2,003 milhões t)
Utilização da capacidade instalada: 64,3% (queda de 0,9 p.p.)
Essa segunda leitura revela algo mais estrutural: o consumo aparente caiu e as vendas internas encolheram, ao mesmo tempo em que as exportações subiram forte — um desenho compatível com indústria buscando escoamento externo e ainda operando longe do “ideal” de utilização de capacidade.

Importação: caiu no ano, mas subiu no mês — e a pressão continua

A importação é o centro da narrativa do aço brasileiro. Em janeiro, o volume importado recuou 6,5% na comparação anual, mas saltou 34,8% frente a dezembro. Isso alimenta uma interpretação clara no setor: medidas anunciadas podem ter melhorado expectativas, mas ainda não reduziram de forma consistente a presença do produto importado no mercado.

E há mais nuance: em Minas Gerais, por exemplo, o Aço Brasil aponta que a China reduziu envios em 8,6% (para 304 mil t) — um sinal positivo na comparação anual, embora insuficiente para dissipar a sensação de competição “assimétrica” que as siderúrgicas vêm denunciando.

O desafio, para os próximos meses, será entender se o antidumping muda o comportamento do importador (volume, preço, mix de produtos e triangulações) e em que ritmo o mercado doméstico reabsorve a produção local.

Minas Gerais: líder nacional, mas em queda pelo 3º mês seguido

Minas Gerais segue como principal polo siderúrgico do país — mas começou 2026 no vermelho.

Produção de aço bruto em MG: 822 mil t em janeiro (-6,9% em relação a janeiro de 2025)
Participação nacional: 30,1% (1º lugar)
Queda interanual é a 3ª consecutiva (após -0,6% em novembro e -4,4% em dezembro)
No recorte de semiacabados para venda e laminados, Minas teve leve alta:

762 mil t (+0,8%), com 30,6% de participação nacional
O contraste sugere uma indústria mineira tentando sustentar parte da cadeia de produção, mas ainda sentindo o peso do ambiente competitivo e da dinâmica de demanda.

Exportações disparam, mas há um asterisco importante

O dado mais “surpreendente” de janeiro é a disparada das exportações: +34,2% na comparação anual, chegando a 1,2 milhão de toneladas. Para a América Latina, o salto é ainda mais expressivo: 544 mil t, alta de 366,3%.

Mas o próprio Aço Brasil faz um alerta técnico relevante: parte do número pode estar inflado por “embarque antecipado”, uma prática que registra volumes acima do efetivamente exportado e pode ser corrigida em divulgações futuras do Comex.

Ou seja: a leitura é positiva, mas o mercado precisará acompanhar se o movimento se confirma como tendência.

O que o ICIA está dizendo, na prática?

Com confiança acima de 50 e expectativas para seis meses próximas de 60, o setor está essencialmente afirmando:

Defesa comercial virou variável central de planejamento (produção, preços e investimento)
O mercado acredita mais em resposta do governo do que acreditava em 2024–2025
A melhora ainda é “de percepção”, não de resultado, porque vendas internas e consumo aparente seguem fracos no comparativo anual
O timing é tudo: a indústria mira o meio do ano como ponto de inflexão
A questão é se o otimismo se converterá em números melhores antes que novas ondas de importação neutralizem o efeito.

O que observar daqui para frente?

1) Junho–julho como marco

Se novas medidas antidumping vierem no meio de 2026, o setor deve monitorar:

queda do volume importado (e não só mudança de origem)
reação de preços no mercado interno
retomada de utilização de capacidade
2) Vendas internas e consumo aparente

Sem melhora nesses dois termômetros, o otimismo tende a virar frustração, mesmo com importações ligeiramente menores.

3) Utilização de capacidade

O patamar de 64,3% no Brasil indica ociosidade relevante. Recuperar isso é crucial para margens e competitividade.

4) O caso Minas

Por concentrar grande parte da produção, MG vira “termômetro”: se o Estado continuar caindo, é sinal de que o reequilíbrio ainda não chegou ao coração industrial do país.

Bastidores: por que confiança sobe antes do resultado?

Porque a indústria opera com ciclo longo. Medidas antidumping costumam demorar a produzir efeito real: até o mercado entender o novo custo de importar, ajustar contratos, trocar origens e repassar preços, há meses de transição. Assim, o ICIA pode antecipar uma virada — mas também pode “se empolgar” e exigir confirmação mais adiante.

Por ora, a siderurgia brasileira parece viver um começo de inflexão no discurso, ainda sem a mesma inflexão no caixa.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/02/2026

 

As reservas brasileiras de terras raras e seus usos na tecnologia

O debate sobre terras raras no Brasil ganhou espaço nos últimos anos, principalmente por causa da transição energética e do avanço das tecnologias digitais. Esse grupo de elementos químicos está presente em diversos produtos do dia a dia, de celulares a turbinas eólicas, e coloca o país em posição estratégica no cenário global. Embora o Brasil ainda não explore todo o seu potencial, estudos apontam que o território brasileiro abriga reservas relevantes de terras raras em diferentes regiões.

Esses minerais não são "raros" no sentido de escassez absoluta, mas a sua concentração em níveis economicamente viáveis é menos frequente. Por isso, localizar jazidas com qualidade adequada e infraestrutura próxima faz diferença. No Brasil, a discussão envolve não apenas onde estão as reservas de terras raras, mas também como transformá-las em produtos de maior valor agregado, evitando a simples exportação de matéria-prima.

Onde estão as principais reservas de terras raras no Brasil?

As principais áreas conhecidas se concentram em estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia, São Paulo e Amapá, além de ocorrências importantes na região amazônica. Cada área apresenta características específicas de minério, logística e estágio de pesquisa ou desenvolvimento.

Em Minas Gerais, há depósitos associados a complexos carbonatíticos, como em Araxá, região já conhecida pela produção de nióbio. Em Goiás, áreas como Catalão e Ouvidor também são mencionadas em estudos geológicos por concentrarem minerais com elementos de terras raras. Já no Amapá e em partes da Amazônia, há registros de ocorrências em lateritas e granitos ricos nesses elementos, ainda em diferentes fases de pesquisa.

Quais regiões brasileiras se destacam em terras raras?

Além das jazidas pontuais, alguns cinturões geológicos se sobressaem quando o assunto é reservas de terras raras no Brasil. Na região Nordeste, áreas da Bahiaapresentam potencial em rochas alcalinas e fosfáticas. No Sudeste, além de Minas Gerais, o estado de São Paulo aparece em levantamentos com depósitos menores, mas relevantes para estudos de diversificação de oferta.

De forma geral, podem ser citados alguns polos em evidência:

Minas Gerais e Goiás: depósitos associados a carbonatitos, muitas vezes junto com fosfatos e nióbio;
Bahia: rochas alcalinas e complexos ígneos com potencial para mineração de terras raras;
Amazônia e Amapá: ocorrências em solos lateríticos e granitos, ainda com muitos estudos em andamento;
Sudeste (São Paulo e entornos): áreas com depósitos menores, mas importantes para projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Essas regiões diferem em infraestrutura, distância de portos, disponibilidade de energia e mão de obra especializada. Esses fatores influenciam a viabilidade de transformar o potencial geológico em produção efetiva e em cadeia industrial de terras raras no Brasil.

Para que servem as terras raras na prática?

As terras raras brasileiras têm aplicações ligadas a setores considerados estratégicos. Em equipamentos eletrônicos, esses elementos são usados em telas, alto-falantes, baterias e componentes de computadores e smartphones. Na indústria de energia, ganham destaque na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, fundamentais para turbinas eólicas e motores elétricos mais eficientes.

Além disso, as terras raras aparecem em:

Indústria automotiva: motores híbridos e elétricos, sistemas de direção assistida e sensores;
Setor de defesa: radares, sistemas de guiagem e dispositivos de comunicação;
Medicina: contrastes em exames de imagem e alguns tipos de lasers médicos;
Iluminação e displays: LEDs, telas de televisores e monitores;
Catalisadores: usados em refinarias de petróleo e na redução de poluentes.
O uso em tecnologias verdes, como veículos elétricos e geração de energia renovável, faz com que as terras raras sejam associadas à descarbonização da economia. Isso reforça o interesse de diversos países em diversificar fornecedores, o que coloca o potencial brasileiro no radar de empresas e governos.

Como o Brasil pode aproveitar melhor suas terras raras?

Para transformar as reservas de terras raras no Brasil em ganhos concretos, não basta apenas extrair o minério. A etapa crítica está na cadeia de processamento: separação, refino químico e produção de ligas e componentes. Essa fase exige tecnologia, investimentos elevados e controle rigoroso de impactos ambientais, já que o processamento pode gerar resíduos que precisam de manejo adequado.

Especialistas apontam alguns caminhos considerados relevantes:

Mapeamento detalhado das jazidas, com dados atualizados sobre volume, teor e viabilidade econômica;
Incentivo à pesquisa em universidades e centros tecnológicos para desenvolver rotas de processamento mais limpas;
Parcerias industriais para criar fábricas de ímãs, ligas especiais e componentes de alto valor dentro do país;
Regulação ambiental clara, que garanta segurança e previsibilidade para projetos de mineração e refino;
Formação de mão de obra especializada em química, geologia, metalurgia e gestão ambiental.
Com esse conjunto de iniciativas, o tema das terras raras no Brasil tende a permanecer em evidência nos próximos anos. A combinação de reservas geológicas, demanda crescente por tecnologias de baixo carbono e necessidade de diversificar fornecedores internacionais faz do país um ator com potencial relevante nesse mercado, desde que consiga alinhar exploração responsável, inovação e planejamento industrial de longo prazo.

 
Fonte: Giro 10
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/02/2026

Redução da jornada de trabalho pode aumentar custo empresarial em até R$ 267 bilhões ao ano

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos.

A projeção considera dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas: a realização de horas extras aos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores. Proporcionalmente, o impacto para o setor industrial pode ser ainda maior, chegando a até 11,1% da folha de salários e resultando em aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões no primeiro cenário e de R$ 58,5 bilhões anuais no segundo.

Segundo a projeção da CNI, os impactos serão sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais. De um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção.

Exemplos de impactos por setores econômicos

Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%
Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%
Comércio: entre 8,8% e 12,7%
Agropecuária: 7,7% e 13,5%
A proposta tem como resultado imediato o aumento de aproximadamente 10% no valor da hora trabalhada regular para os empregados cujo contrato de trabalho atual exceda 40 horas semanais. Caso as horas não sejam repostas, a redução do limite semanal resultará em queda da atividade econômica.

“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, alerta o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Micro e pequenas empresas industriais sofrerão maior impacto

As empresas industriais de menor porte seriam as mais impactadas pela redução da jornada de trabalho, uma vez que a proporção de empregados com jornadas superiores a 40 horas semanais é maior nessas empresas. 

A CNI também estimou os custos para os dois cenários - manutenção da quantidade de horas trabalhadas integralmente por meio de horas extras e manutenção da quantidade de horas trabalhadas por meio da reposição por outros trabalhadores. 

No primeiro caso, empresas com até 9 empregados teriam uma alta de custos de R$ 6,8 bilhões, o que representa um aumento de 13% nos gastos com pessoal. Nas empresas com 250 empregados ou mais, o aumento chegaria a R$ 41,3 bilhões (9,8% nos gastos com pessoal). 

No segundo cenário, tanto as indústrias com até 9 empregados apresentariam alta de custos de R$ 4,5 bilhões - aumento de 8,7% nos gastos com pessoal. E nas empresas com 250 empregados ou mais, o aumento chegaria a R$ 27,5 bilhões (6,6% nos gastos com pessoal). 

“A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas, que correspondem a 52% do emprego formal do país, mas que não dispõem de recursos ou estrutura física para ampliar equipes, será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho”, explica o presidente Alban.

A análise da CNI também aponta os segmentos industriais que devem ser mais fortemente afetados pela medida. No cenário de maior impacto, o segmento da construção lidera, com uma projeção de 13,2% de aumento de custos, o que totaliza R$ 19,4 bilhões por ano. Na sequência, vem a indústria de transformação (11,6% de aumento), serviços industriais de utilidade pública (eletricidade e gás, água 5,7% de aumento) e a indústria extrativa (4,7% de crescimento). 

Segundo Ricardo Alban, a discussão sobre a redução da jornada e mudança da escala de trabalho exige cautela e, se não for feita com o devido debate e análise criteriosa dos impactos, corre o risco de comprometer não apenas a competitividade da indústria, mas toda a economia e o desenvolvimento do país.

“Qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre os setores econômicos e empresas de diferentes portes, além das disparidades regionais e do impacto sobre a competitividade e a criação de empregos formais”, conclui o presidente da CNI.

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 24/02/2026

 

Historicamente protegidos, aço e alumínio seguirão com tarifa de 50% nos EUA

Os setores de aço e alumínio ficaram de fora da nova tarifa global de 15% anunciada pelo governo de Donald Trump, no entanto seguem submetidos à sobretaxa de 50% para exportações ao mercado americano.

A cobrança foi estabelecida com base na Seção 232 da legislação dos Estados Unidos, sob o argumento de segurança nacional e reindustrialização da indústria siderúrgica americana, e permanece em vigor em 2026.

A indústria siderúrgica americana também é uma das que mais emprega nos estados do Meio-Oeste americano, vários deles conhecidos como “estados pêndulo” nas eleições presidenciais, capazes de decidir as eleições para um partido ou outro, por isso o olhar para esse setor com tanto “cuidado”.

Aço não teve alívio com decisão da Suprema Corte

Segundo Ricardo Martins, presidente da Abimetal Cicetel, a decisão da Suprema Corte que derrubou parte do chamado “tarifaço” não trouxe benefício ao setor de aço.

“A verdade é que o Donald Trump não nos dá trégua. Para essa oportunidade que a Suprema Corte proporcionou aos exportadores para os Estados Unidos, o aço não se beneficiou”, afirmou.

Ele lembra que outros produtos, como combustíveis, carne, café e celulose, passaram a contar com alíquotas menores. O Brasil, no conjunto, acabou relativamente beneficiado, mas o setor siderúrgico permanece com a tarifa de 50%.

“O Brasil saiu beneficiado mais do que todos os outros, mas vale lembrar que nós também éramos um dos mais prejudicados”, disse.

Diplomacia é principal aposta para o aço

Martins avalia que a reversão da tarifa de 50% sobre o aço depende mais de negociação diplomática do que de uma nova decisão judicial.

“Eu aposto mais na diplomacia. É muito importante que o governo Lula demonstre que o comércio com os Estados Unidos só faz bem a eles”, afirmou.

Para ele, o Brasil não oferece concorrência desleal, já que mantém déficit comercial com os EUA. “Os Estados Unidos não têm nenhuma necessidade de aplicar tarifas ao Brasil”, disse.

O dirigente também avalia que a Seção 232 dificilmente será revertida pela Suprema Corte. “Eu não acredito que a sessão 232 possa sofrer alteração”, declarou.

Exportações de aço caíram em 2025

Em 2025, as vendas de aço para os Estados Unidos registraram queda próxima de 7%. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para o mercado americano, mas boa parte do volume é composta por produto siderúrgico primário, com menor valor agregado.

“Apesar de a gente ser o segundo maior fornecedor de aço, isso para a nossa balança comercial acaba não sendo tão importante”, afirmou Martins.

Ele aponta que setores como máquinas e equipamentos, que têm os Estados Unidos como principal destino, podem impulsionar indiretamente a demanda por aço brasileiro caso ampliem exportações.

Indústria vê cenário mais favorável em 2026

Para 2026, o setor enxerga melhora relativa no ambiente doméstico. O governo brasileiro elevou tarifas de importação para diversos produtos siderúrgicos e ampliou medidas antidumping.

A China também adotou controle por cotas para exportação de cerca de 300 produtos siderúrgicos, o que pode reduzir a pressão sobre os preços globais.

“Controle por cotas da exportação chinesa, antidumpings aprovados pelo governo brasileiro e tarifas maiores para importação acabam nos trazendo um cenário melhor do que nós tínhamos em 2025”, afirmou o presidente da Abimetal Cicetel.

Apesar disso, o setor de aço segue atento às investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos e ao risco de novas alterações tarifárias ao longo dos próximos meses.

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/02/2026

Tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA é mantida em 2026 e pressiona indústria brasileira

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA segue em vigor em 2026, mesmo após o governo de Donald Trump anunciar uma nova tarifa global de 15% para diversos produtos importados. A decisão mantém os setores siderúrgico e metalúrgico fora do escopo de flexibilização e preserva a aplicação da Seção 232 da legislação americana, instrumento jurídico utilizado sob o argumento de segurança nacional e reindustrialização. O impacto recai diretamente sobre exportadores relevantes, como o Brasil, segundo maior fornecedor de aço ao mercado norte-americano.

Ao excluir aço e alumínio da redução tarifária, Washington reforça a natureza estratégica da política industrial voltada à siderurgia doméstica. A manutenção da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA consolida um eixo estrutural da política comercial americana, com implicações econômicas, jurídicas e geopolíticas.

Seção 232 consolida blindagem institucional ao setor

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA está ancorada na Seção 232 do Trade Expansion Act, dispositivo que autoriza o Executivo a impor restrições comerciais quando importações são consideradas ameaça à segurança nacional.

Na prática, a interpretação adotada amplia o conceito de segurança para abranger capacidade produtiva industrial estratégica. A indústria siderúrgica, essencial para defesa, infraestrutura e energia, passou a ser tratada como ativo nacional sensível.

A permanência da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA indica que o instrumento jurídico ganhou status institucional. Mesmo diante de contestações internacionais e disputas na OMC, a medida resistiu às pressões diplomáticas e às revisões judiciais internas.

Suprema Corte revisa pacote, mas preserva aço e alumínio

A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou trechos do novo pacote tarifário não alcançou o núcleo da política aplicada ao aço e ao alumínio. Assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA permanece integralmente válida.

Produtos como combustíveis, carne, café e celulose passaram a contar com alíquotas menores. No entanto, o aço continuou submetido à sobretaxa máxima. A leitura predominante entre analistas é que a política voltada à siderurgia possui base legal e política distinta, dificultando sua reversão judicial.

O entendimento é de que a Seção 232 concede ampla margem de discricionariedade ao Executivo, limitando o alcance de eventuais contestações na Suprema Corte.

Dimensão eleitoral fortalece a proteção à siderurgia

A indústria siderúrgica americana concentra grande parte de sua base produtiva em estados do Meio-Oeste, considerados decisivos nas eleições presidenciais. Esses “estados pêndulo” possuem forte dependência de empregos industriais.

Nesse contexto, a manutenção da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA também responde a uma lógica política interna. A proteção ao setor é percebida como instrumento de preservação de postos de trabalho e revitalização industrial.

A estratégia de reindustrialização tem apelo significativo em regiões afetadas por décadas de deslocamento produtivo. Assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA transcende o debate comercial e se insere no centro da agenda eleitoral e econômica americana.

Brasil: impacto direto nas exportações

O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos. Ainda assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA tem restringido o avanço das vendas brasileiras.

Em 2025, as exportações de aço ao mercado americano recuaram cerca de 7%. Embora o volume seja expressivo, parcela relevante corresponde a produtos primários, com menor valor agregado.

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA reduz a competitividade do produto brasileiro, encarece contratos e pressiona margens, exigindo revisão de estratégias comerciais.

Balança comercial e argumento de complementaridade

O Brasil mantém déficit comercial com os Estados Unidos, dado frequentemente utilizado como argumento diplomático para contestar a necessidade da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA aplicada ao produto brasileiro.

Entidades do setor defendem que não há prática de concorrência desleal e que o comércio bilateral é complementar. A avaliação predominante é de que eventual flexibilização dependerá mais de negociação diplomática do que de decisão judicial.

A reversão da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA, portanto, está mais associada a diálogo político do que a disputas nos tribunais.

Cadeias produtivas e efeitos indiretos

Setores como máquinas e equipamentos têm os Estados Unidos como principal destino e podem impulsionar indiretamente a demanda por aço brasileiro caso ampliem exportações.

Ainda assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA impõe restrição estrutural. Empresas com forte exposição ao mercado americano precisam diversificar destinos ou investir em maior agregação de valor.

O impacto não se limita ao volume exportado. Ele influencia decisões de investimento, planejamento industrial e estratégias de internacionalização.

Ambiente doméstico reage com medidas defensivas

No mercado interno, 2026 apresenta cenário relativamente mais favorável ao setor siderúrgico. O governo brasileiro elevou tarifas de importação para diversos produtos siderúrgicos e ampliou medidas antidumping.

Paralelamente, a China adotou controle por cotas para exportação de cerca de 300 produtos siderúrgicos, movimento que pode aliviar a pressão sobre preços globais.

Apesar dessas variáveis, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA continua sendo o principal fator externo de risco para empresas brasileiras com foco no mercado americano.

Reconfiguração do comércio internacional do aço

A manutenção da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA reforça uma tendência mais ampla de fragmentação do comércio internacional. Medidas unilaterais, justificadas por segurança nacional, vêm sendo incorporadas como instrumentos permanentes de política industrial.

Para países exportadores, o desafio passa a ser estrutural: adaptar-se a um ambiente menos previsível e mais orientado por interesses estratégicos.

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA simboliza essa nova fase do comércio global, na qual cadeias produtivas, política doméstica e geopolítica se entrelaçam.

Investimento e planejamento sob nova lógica tarifária

A previsibilidade regulatória é elemento central para decisões de investimento de longo prazo. Ao manter a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA, Washington sinaliza continuidade de uma política industrial defensiva.

Para o Brasil, a resposta envolve diplomacia econômica ativa, defesa comercial consistente e fortalecimento da competitividade interna. A indústria siderúrgica brasileira opera em um cenário no qual o acesso ao maior mercado do mundo permanece condicionado a uma sobretaxa significativa.

A equação impõe cautela, mas também exige estratégia. A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA não é apenas uma medida tarifária; é um vetor estruturante das relações comerciais bilaterais e da reorganização das cadeias globais de valor.

 
Fonte: Gazeta Mercantil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/02/2026

 

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas comerciais de Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira as amplas tarifas comerciais do presidente Donald Trump, impostas com base em uma lei destinada a situações de emergência nacional, rejeitando uma de suas mais controversas afirmações de autoridade em uma decisão com grandes implicações para a economia global.

Por 6 votos a 3, os juízes mantiveram a decisão de uma instância inferior de que o uso, pelo presidente republicano, da legislação em questão - a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) -, excedeu sua autoridade. A Suprema Corte chegou à sua conclusão em uma contestação judicial movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 Estados dos EUA - a maioria governada por democratas - contra o uso sem precedentes da legislação por Trump para impor unilateralmente os impostos de importação.

A decisão da Suprema Corte abrange apenas as "tarifas recíprocas", impostas por Trump no "Dia da Libertação", em 2 de abril. Outras taxas, como as estabelecidas sobre aço, alumínio e produtos de setores específicos, não são contempladas pela medida.

Ainda assim, a medida beneficiará as exportações brasileiras. O país foi alvo de uma “tarifa recíproca” de 10% em abril e depois recebeu uma "tarifa punitiva" de 40% pela oposição de Trump à acusação judicial que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe de Estado.

Em novembro, após uma série de negociações e uma aproximação de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a alíquota extra foi retirada sobre uma série de produtos brasileiros, como café, carne bovina e cacau. No entanto, boa parte das exportações nacionais aos EUA, especialmente da indústria, continuam sendo afetadas pela "tarifa punitiva".

Esta foi a primeira vez que a Suprema Corte derrubou de forma definitiva uma das políticas polêmicas do segundo mandato de Trump. Em outras áreas, a maioria conservadora do tribunal concedeu até agora uma ampla margem para que o presidente americano use o poder executivo de maneiras inéditas.

Desta vez, porém, a maioria dos juízes - três conservadores e três progressistas - afirmou que Trump foi longe demais ao implementar as tarifas abrangentes sem uma autorização clara do Congresso americano.

O presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, disse na decisão que o poder concedido à Casa Branca na IEEPA não contempla a imposição de taxas comerciais. "Hoje, nossa tarefa é decidir apenas se o poder de 'regular importações', concedido ao presidente na IEEPA, abrange o poder de impor tarifas. Não abrange", escreveu ele, citando o trecho da lei que Trump usava para justificar a medida.

Parte da maioria da Suprema Corte também considerou que a interpretação que Trump deu à IEEPA invade as prerrogativas do Congresso e viola um princípio jurídico conhecido como doutrina das “grandes questões”.

Essa doutrina conservadora exige que ações do Poder Executivo de “vasta significância econômica e política” sejam claramente autorizadas pelo Congresso. A Suprema Corte utilizou essa doutrina para barrar algumas das principais medidas executivas do ex-presidente democrata Joe Biden.

Trump utilizou tarifas, na prática impostos sobre bens importados, como uma ferramenta central de política econômica e externa. Elas estiveram no centro de uma guerra comercial global iniciada por Trump após o começo de seu segundo mandato, que afastou parceiros comerciais, afetou mercados financeiros e gerou incerteza econômica mundial.

As tarifas de Trump estavam projetadas para gerar, na próxima década, trilhões de dólares em receita para os Estados Unidos, que possuem a maior economia do mundo.

O governo Trump não divulga dados de arrecadação tarifária desde 14 de dezembro. Mas economistas do Penn-Wharton Budget Model estimaram nesta sexta-feira que o montante arrecadado com as tarifas de Trump baseadas na IEEPA supera US$ 175 bilhões. E esse valor provavelmente terá de ser devolvido com a decisão da Suprema Corte contrária às tarifas fundamentadas na legislação.

A Constituição dos EUA concede ao Congresso — e não ao presidente — a autoridade para instituir impostos e tarifas. No entanto, Trump recorreu a uma base legal estatutária ao invocar a IEEPA para impor tarifas a quase todos os parceiros comerciais dos EUA sem aprovação do Congresso. Trump também impôs tarifas adicionais com base em outras leis que não estão em discussão neste caso. Segundo dados do governo de outubro a meados de dezembro, essas representam cerca de um terço da receita das tarifas impostas por Trump.

A IEEPA permite que o presidente regule o comércio em situação de emergência nacional. Trump tornou-se o primeiro presidente a usar a IEEPA para impor tarifas, uma das muitas formas pelas quais ampliou agressivamente os limites da autoridade executiva desde que retornou ao cargo, em áreas que vão desde o endurecimento da política migratória até a demissão de autoridades federais, o envio de tropas no território nacional e operações militares no exterior.

Trump descreveu as tarifas como vitais para a segurança econômica dos EUA, prevendo que o país ficaria indefeso e arruinado sem elas. Em novembro, afirmou a repórteres que, sem suas tarifas, “o resto do mundo riria de nós porque usaram tarifas contra nós por anos e tiraram vantagem de nós”. Trump disse que os Estados Unidos foram explorados por outros países, incluindo a China, a segunda maior economia do mundo.

Após a Suprema Corte ouvir os argumentos do caso em novembro, Trump disse que consideraria alternativas caso a decisão fosse contrária a ele, afirmando a repórteres que “teremos que desenvolver um ‘plano B’.”

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e outras autoridades do governo afirmaram que os Estados Unidos invocariam outras justificativas legais para manter o maior número possível das tarifas de Trump. Entre elas estão uma disposição legal que permite tarifas sobre bens importados que ameacem a segurança nacional dos EUA e outra que autoriza medidas retaliatórias, incluindo tarifas contra parceiros comerciais que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA determine terem adotado práticas comerciais desleais contra exportadores americanos.

Nenhuma dessas alternativas oferece a flexibilidade e a dinâmica de força bruta que a IEEPA proporcionava a Trump, e podem não conseguir reproduzir todo o alcance de suas tarifas em tempo hábil.

A capacidade de Trump de impor tarifas instantaneamente sobre bens de qualquer parceiro comercial sob a égide de alguma forma de emergência nacional declarada ampliou sua influência sobre outros países. Isso levou líderes mundiais a correrem a Washington para assegurar acordos comerciais que frequentemente incluíam promessas de bilhões de dólares em investimentos ou outras ofertas de maior acesso ao mercado para empresas americanas.

Mas o uso das tarifas por Trump como instrumento de pressão na política externa dos EUA acabou antagonizando numerosos países, inclusive alguns historicamente considerados entre os aliados mais próximos dos Estados Unidos.

Historicamente, a IEEPA era utilizada para impor sanções a inimigos ou congelar seus ativos, e não para aplicar tarifas. A lei não menciona especificamente a palavra “tarifas”. O Departamento de Justiça de Trump argumentou que a IEEPA permite tarifas ao autorizar o presidente a “regular” importações para enfrentar emergências.

O Escritório de Orçamento do Congresso estimou que, se todas as tarifas atuais permanecessem em vigor, incluindo as baseadas na IEEPA, elas gerariam cerca de US$ 300 bilhões por ano na próxima década.

A arrecadação líquida total de direitos aduaneiros dos EUA atingiu um recorde de US$ 195 bilhões no ano fiscal de 2025, encerrado em 30 de setembro, segundo dados do Departamento do Tesouro dos EUA.

Em 2 de abril, data que Trump chamou de “Dia da Libertação”, o presidente anunciou o que classificou como tarifas “recíprocas” sobre bens importados da maioria dos parceiros comerciais dos EUA, invocando a IEEPA para enfrentar o que chamou de emergência nacional relacionada aos déficits comerciais americanos, embora os Estados Unidos já registrassem déficits comerciais há décadas.

Em fevereiro e março de 2025, Trump invocou a IEEPA para impor tarifas à China, ao Canadá e ao México, citando o tráfico do fentanil e de drogas ilícitas para os Estados Unidos como emergência nacional.

Trump utilizou suas tarifas para extrair concessões e renegociar acordos comerciais, além de empregá-las como arma para punir países que despertaram sua irritação por questões políticas não relacionadas ao comércio. Isso incluiu desde o processo judicial do Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro até as compras de petróleo russo pela Índia, que ajudam a financiar a guerra da Rússia na Ucrânia, e um anúncio antitarifas da província canadense de Ontário.

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 23/02/2026