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Importações de aço recuam em outubro, a terceira queda seguida na comparação anual

As importações de aço somaram 473 mil toneladas em outubro, volume 21,4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr) nesta quarta-feira (19). Somente de aço laminado, foram importadas 459 mil toneladas, o que sinaliza recuo de 5,4%.

Essa foi a terceira queda consecutiva nos desembarques totais e nas compras de laminados na comparação anual, depois de sete aumentos seguidos. Em nota, a entidade disse que as comparações mensais não refletem tendência de longo prazo e estão sujeitas a oscilações causadas por fatores conjunturais ou não recorrentes.

O Aço Brasil ressaltou que, se na comparação mês contra mesmo mês do ano anterior, verificam-se quedas na importação de aço laminado entre agosto e outubro, como apontado, o comparativo mês contra mês anterior, por sua vez, mostra duas altas seguidas desde agosto. Nesse contexto, cabe destacar que a importação de laminados subiu 12% na passagem de setembro para outubro, após crescer 4,3% entre agosto e setembro.

“O fato estatístico mais relevante e preocupante para a indústria do aço, atualmente, é que os aumentos anuais nos volumes importados de aço laminado estão ocorrendo sobre patamares cada vez mais elevados”, alertou o instituto.

“Como divulgado na última coletiva [em agosto, durante o Congresso Aço Brasil], as importações de laminados deverão fechar 2025 em mais de 6 milhões de toneladas, ante 5,3 milhões em 2024. Trata-se de um volume jamais atingido, que representa um import penetration de 22,6%, ante média histórica abaixo de 10%, entre 2000 e 2019”, sublinhou.

Com o resultado de outubro, as importações de aço chegaram a 5,5 milhões de toneladas desde janeiro, alta de 6,1% em relação a igual intervalo do exercício passado. Apenas de aço laminado, o volume atingido foi de 4,9 milhões de toneladas, avanço de 20,4%.

Origem dos desembarques

No décimo mês de 2025, Brasil importou 379,1 mil toneladas de aço da Ásia. Somente da China vieram 323 mil toneladas. A Europa enviou 52 mil toneladas, sendo 29,5 mil provenientes de países da União Europeia (UE). Os dois continentes foram os principais fornecedores, seguidos pela África, com a venda de 34,9 mil toneladas.

No acumulado do ano, os asiáticos exportaram 4,7 milhões de toneladas de aço ao mercado brasileiro, das quais 3,4 milhões de toneladas vendidas pelos chineses. Os embarques dos europeus somaram 453 mil toneladas. Apenas da UE foram compradas 341 mil toneladas. As compras originadas no continente africano totalizaram 315,9 mil toneladas.

Conforme o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, há rumores e expectativas sobre a aplicação de medidas antidumping por parte do governo federal para conter importações. Ele avalia que isso pode reforçar a competitividade das usinas locais.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/11/2025

Brasil tenta blindar sua siderurgia enquanto aço chinês pressiona preços e desafia políticas de defesa comercial

O mercado siderúrgico brasileiro entrou em um novo capítulo de tensão neste fim de ano. De um lado, usinas tentam recompor margens após meses de preços em queda; de outro, a enxurrada de aço chinês segue pressionando o mercado interno, enfraquecendo políticas recentes de controle e alimentando um consenso entre distribuidores: sem medidas antidumping mais robustas, a indústria nacional não recupera fôlego.

Aços planos mostram reação no mercado interno

Os preços domésticos de aços planos subiram de forma consistente até 14 de novembro, acompanhando o movimento de distribuidores que passaram a evitar compras externas diante das expectativas de novas ações antidumping na América Latina.

O laminado a quente subiu para 3.935–4.175 Reais por tonelada (ex-works), alta de 9,59% no mês, revertendo cinco meses consecutivos de queda. Distribuidores afirmam que o aumento aplicado pelas usinas “pegou”, embora em magnitude menor que a desejada.

A CSN indicou que aguarda novas medidas antidumping entre novembro e fevereiro, o que também impulsionou preços de produtos revestidos. O galvanizado avançou 10,76%, para 5.120–5.435 Reais por tonelada, e deve ser um dos primeiros alvos de novas barreiras comerciais.

O laminado a frio, porém, subiu apenas 0,33%, limitado pelo volume ainda elevado de importações na região. No mercado externo, o CRC importado avançou para US$ 560–630 por tonelada CFR, alta semanal de 5,31%.

Vergalhão segue pressionado por demanda fraca

Enquanto os aços planos ganham tração, o mercado de vergalhão permanece travado. Os preços recuaram 0,44% para 3.200–3.600 Reais por tonelada entregue, num cenário de estoques elevados e fraca atividade no segmento da construção.

“A demanda despencou. As usinas tentam aumentar preços, mas o teto não reage”, afirma um distribuidor. Segundo ele, as margens encolheram ao longo de 2024, e o fim do ano não deve trazer alívio.

INDA: “Só o antidumping pode deter a China”

No campo político-comercial, o recado do setor é direto. “A única forma de conter o aço chinês é o antidumping. Sem isso, nada acontece”, afirmou Carlos Loureiro, presidente do INDA, em 18 de novembro.

Para ele, medidas genéricas já adotadas pelo governo — como o aumento tarifário sobre veículos elétricos e híbridos — não reduziram a pressão competitiva da China. Em alguns segmentos, como o automotivo, já se discute formalmente a abertura de investigações por preços considerados predatórios.

A lentidão nos processos de defesa comercial também preocupa. O Brasil tem mais de uma dezena de investigações envolvendo aço chinês, mas cada uma pode levar até 18 meses.

Importações seguem elevadas — e filas se formam nos portos

Mesmo com redução anual, o Brasil importou 251,1 mil toneladas de aços planos em outubro, 4% acima de setembro — volume ainda considerado elevado pelo setor. O temor de sobretaxas acelerou a corrida para liberar cargas nos portos. Mais de 500 mil toneladas aguardam desembaraço, segundo o INDA.

Um navio com 45 mil toneladas, atracado em 24 de outubro, chegou a ficar mais de um mês sem descarga por falta de espaço.

Dados do Instituto Aço Brasil reforçam a pressão sobre o setor

As estatísticas mais recentes da Aço Brasil ajudam a compor o quadro de fragilidade industrial:

Importações totais de produtos siderúrgicos caíram 21,4% em outubro, para 473 mil toneladas.
Ainda assim, no acumulado do ano, houve alta de 6,1%, somando 5,549 milhões de toneladas.
Exportações subiram 28,1% em outubro, para 907 mil toneladas, e cresceram 4,6% no ano.
Produção de aço caiu 2,7% em outubro, para 2,988 milhões de toneladas, e recuou 1,8% de janeiro a outubro.
Vendas internas caíram 6,5% em outubro, para 1,814 milhão de toneladas.
O consumo aparente recuou 6,3% no mês, mas ainda mostra alta de 2,9% no acumulado do ano, para 22,709 milhões de toneladas.
Na visão de analistas, o recuo mensal de importações não altera o pano de fundo: o volume importado permanece elevado e continua pressionando preços internos, especialmente nos segmentos mais sensíveis à concorrência chinesa.

Desempenho da distribuição mostra desaceleração

As compras dos distribuidores associados ao INDA caíram 4,6% em outubro, para 343,5 mil toneladas. As vendas diminuíram 2,1% em relação a setembro, embora tenham registrado leve alta anual de 1,3%.

A maior fraqueza ocorreu no segmento de chapa grossa, com quedas profundas tanto em compras quanto em vendas. O galvanizado, por sua vez, foi o destaque positivo, com vendas anuais crescendo 26,9%.

2025 será decisivo para a sobrevivência da siderurgia brasileira

Com usinas pressionando por recomposição de margens, distribuidores defendendo barreiras emergenciais e a China mantendo ritmo agressivo de exportação, o Brasil entra em 2025 diante de um desafio central: equilibrar competitividade, proteção industrial e previsibilidade regulatória.

A depender do ritmo das decisões antidumping — e da disposição política para implementá-las — o país pode redesenhar o tabuleiro competitivo da siderurgia nacional nos próximos meses.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/11/2025

 

Exportadores comemoram retirada de tarifas dos EUA: ‘Presente de Natal’

Representantes dos segmentos beneficiados com a retirada de tarifas dos Estados Unidos, anunciada no início da noite desta quinta-feira (20/11), comemoraram a decisão do governo Trump. A Casa Branca informou a isenção da tarifa adicional de 40% a alguns produtos agrícolas do Brasil, incluindo o café, a carne bovina e frutas.

“Ganhamos um presente de Natal”, comemorou Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), à Globo Rural. “Agora é hora de celebrar. Tudo o que a gente mais queria era a isonomia, e conseguimos a isonomia”, declarou.

Ele informou que a isenção da tarifa de 40% retroage para 13 de novembro, quando Donald Trump excluiu as tarifas de 10% aplicadas a todos os países.

Matos disse que agora o Cecafé vai trabalhar para reduzir os impactos que o setor sofreu desde 6 de agosto, quando o tarifaço sobre o Brasil foi anunciado, e que segundo ele foram “muito significativos” para os cafeicultores.

“Agora, com nossa organização, eficiência, competência e sustentabilidade, [vamos] reconquistar nossos espaços nos blends, agora com isonomia”, afirmou.

Outra entidade do setor de café, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), atribuiu o fim das tarifas americanas aos esforços do governo brasileiro, que atuaram em conjunto com a cadeia produtiva.

De acordo com Pavel Cardoso, Presidente da ABIC, após o fim do tarifaço "fica evidenciado que o café brasileiro é um produto essencial e estratégico para a economia americana, abrindo, inclusive, espaço para ampliação da presença dos cafés industrializados brasileiros no varejo norte-americano, com ganhos diretos para toda a cadeia produtiva, da indústria ao produtor".

Indústria da carne beneficiada

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também celebrou a decisão. Segundo a entidade, "a reversão reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos, inclusive para a carne bovinabrasileira".

"A medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo. A ABIEC seguirá atuando de forma cooperativa para ampliar oportunidades e fortalecer a presença do Brasil nos principais mercados globais", informou a associação, em nota.

A tarifa, que na semana passada havia caído de 50% para 40%, ficou zerada para cortes de bovina.

Frutas: “Vamos voltar a competir com o mundo”

O setor de frutas reagiu com alívio à derrubada das tarifas de 40%.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, comentou que ainda estão analisando o documento de 36 páginas para identificar quais frutasforam contempladas, mas celebrou: “É um espetáculo, vamos voltar a competir com o mundo. Não dava para competir com 50% de tarifas e o resto do mundo com apenas 10%”.

Coelho ressalta que a região mais beneficiada pela isenção das tarifas é o Vale do São Francisco. “De cada dez contêineres exportados de manga, nove saem de lá”.

Manga, melão, laranja e mamão estão entre as frutas com tarifa zero. A uva não aparece na lista. O presidente da associação, porém, não vê como um problema, já que a negociação é feita por etapas. “A manga foi por etapa, o melão e a melancia também. A gente está comemorando porque foi uma luta grande”.

Usinas do NE: 'Aijadas'

Já as usinas de cana-de-açúcar do Nordeste se sentiram “alijadas”, já que o açúcar não entrou na lista de produtos beneficiados pela isenção do tarifaço de 40% sobre o Brasil.

“Nos sentimos alijados e despremiados, pelo fato de sermos fornecedores exemplares”, lamentou Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar de Pernambuco

O dirigente lembrou que as usinas de açúcar do Nordeste, que são historicamente detentoras da maior cota de importação de açúcar do país sem tarifa, sempre cumpriu com o volume determinado e até cobriu espaço de cota que outros países não conseguiam cumprir. “Sempre salvamos o fornecimento americano. E hoje, outros países que não fazem esse tipo de suprimento, estão tendo um benefício competitivo em detrimento daquele que historicamente sempre favoreceu os EUA.”

Apesar da exclusão do açúcar da lista de isenção, Cunha ainda acredita que os EUA flexibilizarão sua posição a respeito do produto brasileiro.

Ele lembrou que, em breve, o governo americano deverá fazer um balanço de oferta e demanda locais, e pode redefinir o volume que precisará importar para ter um mercado mais equilibrado. Em suas estimativas, os estoques americanos hoje estão em torno de 15% do consumo, nível que deve ser considerado baixo para dar segurança de suprimento.

Para a atual safra americana, que começa em outubro e vai até setembro, os EUA já atribuíram ao Brasil uma cota de 155 mil toneladas de açúcar que podem entrar no país isenta das tarifas aplicadas ao açúcar. Porém, a sobretaxa de 40% acaba sendo aplicada mesmo sobre este valor, o que tira a competitividade do açúcar brasileiro ante o produto oriundo de outras regiões beneficiadas com cotas.

Cunha disse acreditar que os EUA terão que aumentar a cota brasileira diante da baixa oferta interna de açúcar, o que ele espera que ocorra entre o fim do ano e início do ano que vem. “Se eles admitirem que precisam de mais [açúcar], pode ser a hora de também reverem a questão das tarifas”, afirmou.

O presidente do Sindaçúcar-PE disse que o setor vai agora pedir para o Itamaraty que volte sua estratégia para negociar com os EUA sobre os produtos que ainda não foram atendidos pela isenção de tarifas. “Nós não jogamos a toalha porque somos resilientes”, concluiu.

Frustração para os pescados e mel

Além do setor canavieiro, o setor de pescados do Brasil também não foi beneficiado com o fim do tarifaço. Com exportações anuais de US$ 300 milhões aos Estados Unidos, a indústria de pescados fala em "frustração" com as negociações envolvendo as sobretaxas.

“Estamos obviamente satisfeitos pelos setores brasileiros que avançaram, mas é impossível esconder nossa frustração. Não houve evolução alguma para o pescado, e isso mostra que essa pauta não tem recebido a priorização necessária por parte do governo brasileiro. O setor gera empregos, movimenta a economia e tem enorme potencial de expansão, mas continua invisível nas negociações com os Estados Unidos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo.

O sentimento de frustação também foi relatado pelo setor exportador de mel do Brasil. Em nota, o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, lembrou que os EUA possuem um grande déficit de produção de mel, necessitando de importar o produto para equilibrar a oferta.

Azevedo disse que fica a frustração pelo mel brasileiro ficar de fora da lista de isenções do tarifaço. Por outro lado, ele acrescentou que o resultado prático das negociações com o fim das taxas para alguns produtos dá esperança para resolver em breve a situação do mel.

“Tive uma troca de mensagens com o Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA [Ministério da Agricultura], que me confessou estar surpreso com a não entrada do mel na lista de produtos que ficaram sem taxação. Ele me garantiu que as negociações continuarão até que consigamos resolver essa situação”, ressaltou o presidente da Abemel.

Confira a lista dos itens beneficiados neste link.

 
Fonte: Globo Rural
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 21/11/2025

 

Importações de aço recuam 21,4% em outubro, aponta Aço Brasil

As importações de produtos siderúrgicos recuaram 21,4% em outubro, conforme estatísticas do Instituto Aço Brasil, divulgadas nesta quarta-feira (19). O volume foi de 473 mil no mês, ante 602 mil em igual período de 2024.

No período de janeiro a outubro de 2025, as importações aumentaram 6,1%, para 5,549 milhões de toneladas. Já as exportações de aço em outubro aumentaram 28,1% em comparação com igual mês do ano passado, para 907 mil toneladas.

De janeiro a outubro, houve um aumento de 4,6% nas exportações, para 8,738 milhões de toneladas, conforme o Instituto Aço Brasil.

Produção de aço no Brasil

Em outubro, a produção de aço no Brasil caiu 2,7% na comparação com igual mês do ano anterior, para 2,988 milhões de toneladas, segundo os dados do instituto. De janeiro a outubro, a queda foi de 1,8% na comparação anual, para 27,988 milhões de toneladas.

De acordo com o Instituto Aço Brasil, as vendas internas de aço caíram 6,5% em outubro, para 1,814 milhão de toneladas. De janeiro a outubro, as vendas internas recuaram 0,3%, para 17,864 milhões de toneladas.

O consumo aparente caiu 6,3% em outubro, segundo o instituto, para 2,275 milhões de toneladas. De janeiro a outubro, o indicador registrou uma alta de 2,9%, para 22,709 milhões de toneladas.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 21/11/2025

 

Produção de aço da China deve cair abaixo de 1 bi de toneladas pela 1ª vez desde 2019

A produção de aço da China este ano cairá abaixo de 1 bilhão de toneladas pela primeira vez desde 2019, mas as importações de minério de ferro podem atingir um recorde.

Embora existam alguns fatores fundamentais que ajudam a explicar a aparente contradição entre a demanda robusta por minério de ferro e a redução de ritmo na produção de aço, o principal provavelmente é a confiança.

O minério de ferro está sendo impulsionado pela opinião dos participantes do mercado de que Pequim continuará a estimular a segunda maior economia do mundo e, em última análise, que a demanda por aço se recuperará.

O declínio na produção de aço ocorre à medida que as usinas chinesas lutam para se manterem lucrativas em meio aos custos mais altos dos insumos e à demanda menor do setor de construção.

A China, que produz mais da metade do aço global, produziu 72 milhões de toneladas em outubro, queda de 2% em relação a setembro e recuo de 12,1% sobre o mesmo mês de 2024, de acordo com dados divulgados em 14 de novembro.

Nos primeiros 10 meses do ano, a produção de aço da China foi de 817,9 milhões de toneladas, uma queda de 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso também significa que para atingir 1 bilhão de toneladas a produção chinesa nos dois últimos meses do ano terá de ser de 182,13 milhões de toneladas, ou cerca de 91 milhões de toneladas em novembro e dezembro.

É mais provável que a produção da China não ultrapasse 75 milhões de toneladas em cada um dos dois últimos meses do ano, o que significa que a produção anual está a caminho de atingir cerca de 970 milhões de toneladas.

A última vez que a produção de aço da China ficou abaixo de 1 bilhão de toneladas foi em 2019, quando o volume produzido foi de 996 milhões de toneladas.

No entanto, as importações de minério de ferro estão a caminho de eclipsar o recorde do ano passado de 1,24 bilhão de toneladas alcançado em 2024.

Nos primeiros 10 meses do ano, as importações de minério de ferro pela China somaram 1,03 bilhão de toneladas, o que significa que, se as chegadas nos últimos dois meses do ano ultrapassarem 210 milhões de toneladas, será estabelecido um novo recorde.

As importações de novembro já parecem fortes, com os analistas da DBX Commodities estimando as importações da commodity em 116,5 milhões de toneladas, enquanto a Kpler está ainda mais otimista com uma previsão de 120,6 milhões de toneladas.

A questão é: por que as importações de minério de ferro estão tão fortes se o setor siderúrgico está tão obviamente em dificuldades?

ESTOQUES, PREÇOS

Um motivo fundamental é que a China vem reconstruindo seus estoques. Os inventários em portos monitorados pela consultoria SteelHome (SH-TOT-IRONINV) aumentaram pela oitava semana para 139,6 milhões de toneladas nos sete dias até 14 de novembro.

Os estoques agora estão 7,3% acima da baixa de 18 meses de 130,1 milhões de toneladass atingida no início de agosto, mas ainda estão abaixo dos 150,7 milhões de toneladas de novembro do ano passado.

Isso implica que ainda há espaço para que os estoques crescerem nas próximas semanas, especialmente se os preços permanecerem relativamente estáveis.

Os contratos futuros de referência de minério de ferro de Cingapura (SZZFc1) terminaram em US$104,60 por tonelada na terça-feira e têm se mantido em uma faixa estreita entre US$100 e US$108 desde o início de agosto.

Embora os preços estáveis possam sustentar alguma compra, eles dificilmente são um forte impulsionador, especialmente quando a visão generalizada do mercado é de que os preços do minério de ferro provavelmente cairão em 2026, à medida que a nova e enorme mina de Simandou, na Guiné, aumentar a produção.

O argumento fundamental para as fortes importações de minério de ferro não é convincente e é mais provável que o fator determinante seja a confiança dos participantes do mercado.

Uma entrevista na semana passada com o Ministro das Finanças da China, Lan Foan, é um exemplo disso.

Uma política fiscal mais forte, usando ferramentas como orçamento, tributação e títulos públicos será usada para fornecer apoio sustentado ao desenvolvimento econômico e social, disse Lan.

O minério de ferro está sendo impulsionado pelo otimismo de que os esforços de Pequim darão frutos, enquanto a produção de aço está reconhecendo que o estímulo ainda não fez uma diferença substancial.

 

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 21/11/2025

 

China compra 7,12 milhões de toneladas do Brasil e ignora soja dos EUA

China registrou em outubro um volume recorde de importações de soja, mas pela segunda vez consecutiva não comprou nenhum grão dos Estados Unidos. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (20) pela Administração Geral de Alfândega, mostram que o país manteve a estratégia de substituir fornecedores norte-americanos por produtores sul-americanos em meio às tensões comerciais com Washington.

As compras de soja dos EUA caíram a zero no mês, após terem somado 541,4 mil toneladas em outubro do ano passado. O recuo reflete as tarifas elevadas impostas pela China no início do ano e o esgotamento dos estoques da safra antiga norte-americana. A mudança ocorre enquanto o país asiático — maior importador global da commodity — busca reduzir riscos de interrupções no abastecimento.

Ao mesmo tempo, as importações do Brasil avançaram 28,8%, alcançando 7,12 milhões de toneladas e representando 75,1% de todo o volume desembarcado pela China no mês. Os embarques argentinos também cresceram: alta de 15,4%, para 1,57 milhão de toneladas, o equivalente a cerca de um sexto das compras totais.

Com o impulso da América do Sul, as importações chinesas de soja chegaram a 9,48 milhões de toneladas em outubro, o maior nível já registrado para o mês. No acumulado de janeiro a outubro, a China importou 70,81 milhões de toneladas do Brasil, aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, e 4,46 milhões de toneladas da Argentina, alta de 23,9%.

Os números reforçam a mudança estrutural da cadeia de abastecimento chinesa e consolidam a América do Sul como principal origem da oleaginosa no maior mercado consumidor do mundo.

 
Fonte: Portal IN
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 21/11/2025