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Brasil apresenta R$ 28,5 bilhões em projetos minerais para investidores

O setor mineral brasileiro apresentou a investidores internacionais uma carteira bilionária de projetos de minerais críticos. As iniciativas buscam capital para sair do papel e avançar rumo à operação comercial ou ao desenvolvimento de novas etapas da cadeia produtiva.

Trata-se de um documento técnico robusto, que reúne oportunidades em diferentes estágios de maturação: seja da fase de pesquisa e exploração mineral, marcada por maior risco e potencial de descoberta; até o processamento e beneficiamento, etapas mais complexas da cadeia produtiva e diretamente ligada à estratégia do governo de agregar valor aos minerais no Brasil.

Somados, os 35 projetos representam um investimento potencial estimado em US$ 5,5 bilhões, cerca de R$ 28,5 bilhões na cotação atual.

O catálogo detalha:

O estágio de cada projeto;
O andamento do licenciamento ambiental;
A vida útil estimada da mina;
A produção anual prevista;
Os responsáveis técnicos;
O número de telefone dos representantes das empresas.
A ideia é entregar ao investidor estrangeiro um raio-X claro das oportunidades no Brasil.

Elaborado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), em parceria com a Adimb (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro) e o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), o material segue o padrão adotado em grandes encontros globais do setor e está sendo apresentado nesta semana durante o PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), considerado o maior evento de mineração do mundo.

Conhecido no setor como a “Disney da mineração”, o encontro ocorre em um momento considerado oportuno para o Brasil, marcado pela alta demanda por minerais críticos e pela reorganização das cadeias globais desses insumos.

Em entrevista ao CNN Money, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, afirmou que os projetos estão sendo apresentados tanto durante o evento quanto em reuniões com representantes das bolsas de Toronto.

As bolsas de Toronto concentram cerca de 40% das empresas de mineração listadas no mundo e são referência para companhias juniores em estágio inicial de projetos.

“Há um olhar muito forte para atração de investimentos em empresas juniores de mineração no Brasil, tanto em projetos de exploração quanto de beneficiamento mineral, em linha com nossas prioridades em minerais críticos e com a estratégia de gerar valor no país”, afirmou.

Apesar de o catálogo reunir 35 projetos, oito foram escolhidos como “vitrines” da delegação brasileira no chamado Brazilian Mining Day, principal agenda do Brasil dentro do PDAC.

O seminário reúne autoridades, executivos e investidores para discutir governança regulatória, licenciamento ambiental, minerais críticos, metais preciosos e conhecimento geológico.

Entre os destaques está o Projeto Araxá, da australiana St. George Mining, considerado inovador pela estratégia de minerar nióbio e terras raras.

No ano passado, representantes da companhia se reuniram com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento.

A empresa também negocia com a norte-americana REalloys um contrato de offtake (compra futura) de longo prazo que pode envolver até 40% da produção de terras raras do projeto.

Apesar do diálogo com autoridades norte-americanas, a St. George tem sinalizado disposição para negociar com diferentes mercados.

Em 2025, a empresa anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG, em Araxá, incluindo uma planta-piloto dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

Lítio e grafite, insumos estratégicos para defesa, baterias e alta tecnologia, também figuram entre os protagonistas da apresentação brasileira no evento.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/03/2026

 

Confira 8 dicas do INPI para registro de marcas e patentes

Registrar marcas e patentes da empresa tem inúmeras vantagens: identifica o negócio, garante a propriedade e o uso exclusivo da marca e de tecnologias, dá visibilidade, acesso a mercados e diferencial competitivo ao produto ou serviço. Contudo, os pedidos exigem atenção.

Nesta quinta-feira (26), em Belo Horizonte (MG), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) realizaram uma formação em marcas, patentes e uso estratégico da propriedade industrial. O treinamento integrou a programação do encontro regional Sudeste da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizada pela CNI e pelo Sebrae com apoio das federações estaduais.

“Você pode explorar a marca sem o registro no INPI, mas corre o risco de ser copiado, de infringir marca de terceiros e receber notificação, incluindo suspensão de venda dos produtos ou serviço”, alertou Rafaela Di Sabato Guerrante, pesquisadora em Propriedade Intelectual e instrutora do INPI para registro de marcas. Ela lembrou dos valores e do tempo médio para registro de marca.

Quanto custa para registrar a minha marca?

O valor do pedido varia:

Pessoa física, MEI, ME, EPP, instituição de ensino e pesquisa, órgãos públicos e cooperativas: R$ 440 (10 anos)
Pessoa jurídica: R$ 880 (10 anos)
Hoje, o prazo médio para concessão do registro de marca é de 18 meses.

Como funcionam os depósitos de patentes?

Já as patentes impedem terceiros de produzir, usar, colocar à venda ou importar uma tecnologia com esses propósitos. São dois tipos de patentes: invenção e modelo de utilidade - quando existe melhoria funcional ou do processo de fabricação.

“A patente garante que só você vai explorar comercialmente aquela tecnologia. Uma patente de invenção vigora por 20 anos e a de modelo de utilidade 15 anos, contando a partir da data de depósito, ou seja, de quando você protocolou o pedido no INPI”, explicou o pesquisador e instrutor de patentes do INPI Rodrigo Pereira.

Os valores para depósito de patentes variam de acordo com o serviço e podem ser consultados neste documento. Mas, para ter uma ideia, o pedido nacional varia de R$ 260 a R$ 130 (código 200), enquanto a anuidade de patente do 3º ao 6º ano vai de R$ 1.000 a R$ 500 (código 222).

Confira as dicas do INPI sobre os pedidos de registro de marcas e de patentes

Para marcas

1. Prazos e taxas

É importante acompanhar o processo no INPI para não perder os prazos. O registro da marca vale por 10 anos. Depois desse período, pode prorrogar indefinidamente, desde que sejam pagas as taxas.

2. Território

Se você registra a marca no INPI, ela está protegida somente no Brasil. Se você pensa em internacionalizar, precisa ter a preocupação de registrar fora do país.

> Existe a exceção para marcas notoriamente conhecidas (art. 126 da Lei de Propriedade Industrial, a LPI).

3. Classe

O registro da marca vale para atividades específicas, segundo a Classificação de NICE, dividida em 45 classes (34 classes de produto e 11 classes de serviço). Mas fica o alerta: a classe é bastante ampla e abrange mais de um setor. 

> A exceção é para marcas de alto renome (art. 125 da LPI), cujo registro requer investimento e esforço muito maior, por isso, ela normalmente é concedida a grandes empresas.

4. O que não registrar

Não imite e evite descrever o produto ou serviço na marca. Além disso, o artigo 124 da LPI traz o que não é registrável, como brasão, armas, bandeira, monumentos; letras, algarismos e datas isoladamente; cores, obras literárias, artísticas ou científicas; entre outros.

5. Cuidado com a IA

A tecnologia tem facilitado a criação de marcas e logos, mas ela não faz pesquisa de mercado nem acessa o banco de marcas do INPI para comparar com outras já existentes. Então, siga as dicas anteriores e utilize a IA com sabedoria. 

> A boa notícia é que a instituição está desenvolvendo, em parceria com a UFGO e o Sebrae, um sistema inteligente em que o usuário vai preencher um formulário para receber pesquisa prévia, proibições legais e sugestão de classificação NICE.

Para patentes

6. Requisitos de patenteabilidade

A tecnologia que será patenteada tem que ser uma novidade, resultado de uma atividade inventiva (não pode ser uma solução óbvia) e de aplicação industrial.

7. Abrangência e prazos

Assim como a marca, a patente tem validade somente dentro dos limites territoriais do país que a concede. Se existe a vontade de registrar lá fora, o depositante tem, a partir do pedido no Brasil, até 12 meses para fazer um depósito internacional. Diferentemente de marca, não há prorrogação por prazo indefinido. Expirada a patente, depois de 15 ou 20 anos, a matéria torna-se de domínio público.

8. Códigos de despacho

Acompanhe o processo pelos códigos de despacho publicados na Revista da Propriedade Industrial (RPI). O INPI publica, semanalmente às terças-feiras, todas as suas decisões para os pedidos de patentes. Exemplos: Cód. 2.10 Requerimento de pedido; Cód. 6.1 Exigência técnica; Cód. 9.1 Deferimento; Cód. 9.2 Indeferimento; Cód. 16.1 Concessão.


- Ficou alguma dúvida? Procure o INPI

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 03/03/2026

 

Tarifaço ou proteção? Brasil reforça defesa comercial e sobretaxa mil produtos importados; confira

Não foi apenas o antidumping para proteger a indústria siderúrgica nacional do aço chinês. O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, no início de fevereiro, um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário para fortalecer a competitividade da indústria brasileira. Pelo menos mil itens passam a ter alíquota maior de importação ou algum tipo de taxa extra para entrar no Brasil. Os exemplos são variados e incluem smartphones, aparelhos de raio-X, tratores e roteadores.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou nesta quarta-feira (25) o aumento do Imposto de Importação sobre mais de mil produtos. Segundo ele, a medida tem caráter regulatório e busca 'proteger a produção nacional'. De acordo com Haddad, mais de 90% dos itens afetados são fabricados no Brasil, o que diminuiria o impacto sobre o consumidor.

“Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, afirmou o ministro após retornar de viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O reajuste, já decidido pelo governo, pode elevar as tarifas, na média, em 7 pontos percentuais, atingindo setores que dependem de compras internacionais. Parte dos novos percentuais já entrou em vigor; o restante passa a valer a partir de março.

Haddad ressaltou que a própria norma permite revisões pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), inclusive com a possibilidade de redução ou zeragem da tarifa, caso necessário. No entanto, a medida poderá reforçar o caixa federal em R$ 14 bilhões por ano, ajudando o governo a cumprir a meta fiscal de 2026: superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com tolerância para resultado zero e superávit de R$ 68,6 bilhões.

Além de smartphones, a alta do imposto alcança máquinas e equipamentos como caldeiras, geradores, turbinas, fornos industriais, robôs industriais, empilhadeiras, tratores, plataformas de perfuração, navios, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e equipamentos laboratoriais. Atinge ainda antenas para estações-base de telefonia celular, enxofre insolúvel (usado na fabricação de borrachas), silício metálico, locomotivas a diesel, sistemas inteligentes de armazenamento de dados, roteadores, baterias de íons e elevadores.

Divergência de opiniões

O aumento das tarifas dividiu opiniões das entidades que representam os setores atingidos, na óbvia dialética de que quem se beneficiou foi favorável e quem não, criticou — utilizando até a nomenclatura pejorativa de “tarifaço brasileiro”.

A Associação Brasileira dos Importadores (Abimp) avaliou que a elevação do Imposto de Importação sobre mais de 1.200 produtos, embora apresentada como instrumento de fortalecimento da indústria nacional, possui natureza predominantemente extrafiscal e produz efeitos imediatos sobre preços, custos e fluxo de caixa da economia, sem garantir, por si só, a ampliação da capacidade produtiva doméstica.

“A majoração recente, como no caso dos smartphones, cuja alíquota passou de 16% para 20% em fevereiro de 2026, tende a impactar diretamente o preço final e o planejamento das empresas”, informou Michel Platini, presidente da Abimp.

Técnicos do Ministério da Fazenda informaram à reportagem de O TEMPO que a tributação atinge apenas 5% dos smartphones consumidos no Brasil, que são oriundos de importação, uma vez que, segundo a Pasta, 95% dos aparelhos que abastecem o mercado são produzidos no Brasil, como na Zona Franca de Manaus, com tratamento tributário diferenciado.

“Os dados sobre vendas no Brasil são da indústria eletroeletrônica e refletem políticas públicas associadas ao setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), especialmente o modelo de produção incentivado pela Lei de Informática e pela Zona Franca de Manaus (ZFM)”, disseram os técnicos. Eles reiteraram que o realinhamento tarifário visa proteger a produção nacional e ampliar a capacidade produtiva no país. A decisão do Gecex também garante imposto zero para todo componente usado pela indústria que não seja produzido no país, ou seja, que não tenha similar nacional.

A Abimp reforça que, na prática, a medida altera a dinâmica de abastecimento, com repasse de custos ao longo das cadeias e encarecimento para o setor produtivo e para o consumidor, sobretudo em segmentos em que não há oferta nacional suficiente para substituição no curto prazo. “Parte relevante dos itens atingidos é composta por bens intermediários, componentes, máquinas e equipamentos, o que eleva o custo de produção, reduz margens e compromete a competitividade da indústria brasileira, inclusive no mercado externo”, informou a entidade.

Defesa da indústria local

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) defende a Resolução 852 do Gecex. Segundo a entidade, a medida estimula a produção instalada no país, fator positivo diante das oportunidades geradas por políticas como a de data centers e inteligência artificial.

“A medida está alinhada às diretrizes do Nova Indústria Brasil (NIB). Esse incentivo para a indústria local aumenta a geração de empregos, movimenta toda a cadeia brasileira tecnológica de suprimentos e, na ponta, impulsiona a área de pesquisa e desenvolvimento no país. Para produtos e insumos que não tenham produção nacional equivalente, há a possibilidade de utilização do Ex-tarifário, regime que permite reduzir a alíquota do imposto de importação para 0% sobre bens de capital, informática e telecomunicações”, informou a Abinee em nota.

Dentro dos quase 1.200 produtos sobretaxados, há minerais, químicos e insumos industriais. A Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) intitulou a nota enviada à redação como: “O Brasil também tem seu 'tarifaço'”. Nela, criticam a elevação de tarifas para Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT).

A nota descreve: “No dia 4 de fevereiro de 2026, uma manobra regulatória agitou o cenário econômico brasileiro: a Resolução Gecex nº 852. Publicada no Diário Oficial da União em 5 de fevereiro de 2026, esta medida promoveu uma alteração substancial no Anexo VI da Resolução Gecex nº 272, supostamente para adaptar a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e a Tarifa Externa Comum (TEC) às modificações do Sistema Harmonizado (SH-2022). No entanto, o cerne da discussão e a preocupação central residem no drástico realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação para Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT)”.

E diz ainda: “Para agravar a situação, alguns NCMs de Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) considerados 'estratégicos' para a 'Nova Indústria Brasil' tiveram elevações ainda mais agressivas, podendo atingir até 25%. [...] Esta vasta lista sublinha a abrangência do 'tarifaço' e seu impacto indiscriminado em diversos setores industriais e tecnológicos”.

“Nossa preocupação primordial reside no encarecimento do investimento, e o setor de mineração é um dos principais afetados. A grande questão é: o Brasil realmente busca produzir os Minerais Críticos e participar ativamente de uma transição energética global, ou estamos apenas 'surfando na onda' enquanto o governo impõe tarifas que representam um obstáculo intransponível para o setor?”, questiona Luiz Maurício Azevedo, presidente do Conselho Deliberativo da ABPM.

A Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc) informou que a medida cria um choque imediato de custos para a indústria que projeta, fabrica e exporta tecnologia no Brasil. “A resolução, como já entrou em validade em fevereiro, impacta inclusive operações em andamento, como cargas em trânsito e contratos firmados sob uma estrutura tributária anterior”, disse a entidade.

Antidumping do aço elogiado

Entre as medidas de proteção anunciadas em fevereiro, destaca-se a já mencionada aplicação de direito antidumping (sobretaxa sobre produto cujo preço interno praticado é menor do que o exportado, graças a subsídios de governos) definitivo, com vigência de cinco anos, às importações de alguns aços provenientes da China.

Ainda no setor siderúrgico, foi aprovada a elevação tarifária para mais nove NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) do aço, por doze meses. As tarifas de importação desses produtos passaram para 25%. Esse era um pleito antigo do setor siderúrgico nacional, e as medidas antidumping foram muito elogiadas por executivos do setor. 

Camex também zerou tarifa de importação para mais de mil produtos

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou no dia 12 de fevereiro a redução a zero do Imposto de Importação para mais de mil produtos.  Ao todo, foram concedidos 1.059 ex-tarifários, mecanismo que reduz temporariamente a alíquota de importação quando não há produção nacional equivalente. Desse total, 421 são para bens de capital e de informática e 638 para autopeças.

Segundo o colegiado, a medida busca ampliar investimentos e reduzir custos para a indústria ao permitir a importação de máquinas, equipamentos e componentes sem similar fabricado no país.

Além dos ex-tarifários, o Gecex zerou a alíquota de importação para 20 insumos utilizados pelos setores industrial e agropecuário, bem como para dois produtos finais. As isenções abrangem itens ligados às áreas de saúde, energia, eletrodoméstico

Três perguntas para Jackson Campos, especialista em comércio exterior:

O Brasil aumentou o imposto de importação de cerca de mil produtos. É um tarifaço?

Resposta: Dá para chamar de “tarifaço” no sentido coloquial, porque é um aumento amplo e relevante do Imposto de Importação para uma lista grande de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul). Mas é diferente do “tarifaço” americano, porque aqui é uma decisão de política tarifária dentro do arcabouço da TEC (Tarifa Externa Comum), com alíquotas e cronograma definidos por resolução, e convivendo com medidas na direção oposta, como ex-tarifários e reduções pontuais para itens sem similar nacional.

Na sua análise, é necessário? Pega smartphones, químicos, bens de capital. Isso pode afetar a inflação no Brasil? 

Resposta: A necessidade depende do objetivo. Se a intenção é proteger a produção local, estimular a nacionalização e ganhar margem de política industrial, a medida faz sentido para itens com oferta doméstica e cadeias estratégicas. O risco é encarecer o investimento e a produtividade, porque muitos desses itens são insumos e máquinas para produzir. Quanto à inflação, pode haver repasse mais rápido em bens de consumo, como smartphones, mas no caso de bens de capital e equipamentos, o efeito tende a ser indireto e acaba sendo diluído no produto; o consumidor não costuma sentir.

Uma coisa é antidumping, como no caso do aço chinês. Mas essas altas de impostos não são nessa linha; é outro tipo de defesa comercial, correto? 

Resposta: Sim, é outra coisa. Antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas são defesa comercial clássica, com investigação, comprovação de dano e aplicação direcionada por produto e origem. Já o aumento do Imposto de Importação é política tarifária geral, aplicada por NCM dentro da TEC, sem precisar provar dumping e sem necessariamente mirar um país específico; funciona como proteção via tarifa, mas não é uma medida antidumping.

Confira alguns produtos importados que foram sobretaxados: 

Enxofre insolúvel: 12,6% para 20%; 
Copolímero de Estireno-Butadieno em Bloco (SBC): 10,8% para 25%;
Fios de aço revestidos de bronze ou latão: 12,6% para 25%;
Tecido de Ráfia de Polipropileno (PP): 26% para 35%;
Enxofre insolúvel:  12,6% para 20%;
Silício metálico: De 0% para 10%;
Locomotiva diesel e elétrica: 12,6% para 30%;
Aparelhos de raios X, para uso odontológico – De tomadas maxilares panorâmicas:  0% para 12,6%;
Servidores apresentados sob a forma de sistemas: 16% para 25%;
Sistema Inteligente de Armazenamento de Dados: 10,8% para 14%;
Aparelhos para comutação de pacotes de dados (switches): 16% para 25%;
Roteadores com capacidade de conexão sem fio:  16% para 25%;
Roteadores digitais: 10,8% para 25%;
Baterias de íons de lítio ferro fosfato (LFP) para uso em aplicações estacionárias: 18% para 25%;
Fios de fibra de vidro cortados (Chopped Strands): 10,8% para 20%;
Silício metálico: 0% para 10%;
Recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, de ferro fundido, ferro ou aço: 12,6% para 25%.
Nota Técnica de justificativa do Gecex:

"A escalada das importações de Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT), apesar da reorganização das concessões de ex-tarifários, somaram US$ 75,1 bi em 2025, com crescimento acumulado desde 2022 de 33,4%. A penetração de importações no Consumo Nacional Aparente (CNA) atingiu 45% em BK (out/2025) e 54,8% em BIT (proj. dez/2025), níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão. As taxas de crescimento das importações por Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) evidenciam variações díspares, geralmente maiores em setores (demandantes) com regimes especiais, tais como aeronáutico (Recof) e óleo e gás (O&G) (Repetro)."

 
Fonte: O Tempo
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 02/03/2026

Produção mundial de aço registra queda de 6,5% em janeiro de 2026

A produção mundial de aço bruto nos 69 países que reportam à Associação Mundial do Aço (worldsteel) foi de 147,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, uma queda de 6,5% em comparação com janeiro de 2025.

A África produziu 2,0 Mt em janeiro de 2026, um aumento de 5,8% em relação a janeiro de 2025. A Ásia e a Oceania produziram 107,6 Mt, uma queda de 8,6%. A UE produziu 10,3 Mt, uma queda de 2,3%. A Europa e outras regiões produziram 3,7 Mt, um aumento de 4,4%. O Oriente Médio produziu 4,8 Mt, um aumento de 12,6%. A América do Norte produziu 9,2 Mt, uma queda de 0,6%. A Rússia e outros países da CEI + Ucrânia produziram 6,5 Mt, uma queda de 8,6%. A América do Sul produziu 3,4 Mt, uma queda de 1,2%.

Estima-se que a China tenha produzido 75,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, uma queda de 13,9% em relação a janeiro de 2025. A Índia produziu 15,1 milhões de toneladas, um aumento de 10,5%. Os Estados Unidos produziram 7,1 milhões de toneladas, um aumento de 3,3%. O Japão produziu 6,8 milhões de toneladas, uma queda de 0,5%. A Coreia do Sul produziu 5,6 milhões de toneladas, um aumento de 5,0%. Estima-se que a Rússia tenha produzido 5,5 milhões de toneladas, uma queda de 7,4%. A Turquia produziu 3,4 milhões de toneladas, um aumento de 5,8%. A Alemanha produziu 3,1 milhões de toneladas, um aumento de 15,0%. O Brasil produziu 2,7 milhões de toneladas, uma queda de 1,4%. O Irã produziu 2,6 milhões de toneladas, um aumento de 15,1%.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/02/2026

Distribuição de aço começa 2026 em retração e setor prevê ano difícil com pressão das importações

O mercado brasileiro de distribuição de aço iniciou 2026 em ritmo mais fraco, com retração nas vendas e nas compras, estoques elevados e forte concorrência de produtos importados. Dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) indicam que o setor deverá enfrentar um ano desafiador, com expectativa de crescimento modesto e forte disputa por participação no mercado interno.

Em janeiro de 2026, as vendas de aços planos pelos distribuidores independentes somaram cerca de 293,9 mil toneladas, volume 18% superior ao registrado em dezembro de 2025, mas ainda 8,2% inferior ao observado no mesmo mês do ano anterior. O desempenho confirma a continuidade de um cenário de demanda enfraquecida que já vinha sendo observado no fim de 2025.

As compras feitas pela rede de distribuição totalizaram aproximadamente 291,3 mil toneladas em janeiro, representando queda de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com dezembro, a retração foi de cerca de 2,3%. A expectativa do Inda é de que fevereiro registre novo recuo, com projeção de queda de 4% nas vendas e de 6% nas aquisições.

O desempenho mais fraco ocorre em um ambiente marcado por estoques elevados. Mesmo com ligeira redução no início do ano, o volume armazenado permanece em torno de 3,8 meses de consumo, nível considerado alto e acima da média histórica de aproximadamente 2,8 meses. Esse excesso de material disponível tende a limitar novos pedidos e pressiona as margens de distribuidores e usinas.

Além da demanda moderada, as importações continuam sendo o principal fator de pressão sobre o mercado doméstico. Em janeiro, entraram no país cerca de 225,6 mil toneladas de produtos siderúrgicos, volume 9,7% superior ao de dezembro, embora 6,6% inferior ao registrado um ano antes. O aumento das compras externas ao longo de 2025 elevou a concorrência com o aço nacional e contribuiu para a desaceleração das vendas internas.

A maior parte das importações é tradicionalmente proveniente da China, mas o cenário vem mudando com a adoção de medidas antidumping e outras ações de defesa comercial. O governo brasileiro já aplicou tarifas adicionais sobre alguns produtos chineses e analisa a ampliação das medidas para outros segmentos. Essas ações devem reduzir gradualmente a participação chinesa, mas não devem eliminar as importações, já que fornecedores de países como Coreia do Sul e Egito tendem a ocupar parte do espaço.

Como parte desse esforço para proteger a indústria nacional, o governo federal também elevou para 25% a tarifa de importação de nove códigos de produtos siderúrgicos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A medida entrou em vigor no fim de fevereiro e permanecerá válida por 12 meses, até fevereiro de 2027, sem previsão de volumes isentos. Os produtos afetados incluem bobinas laminadas a quente decapadas, chapas, fios e aços elétricos, que representam cerca de 10% das importações brasileiras de aço.

Apesar do aumento tarifário, agentes do mercado avaliam que parte das importações poderá continuar viável por meio de regimes especiais ou estruturas logísticas específicas, o que indica que a competição com o aço estrangeiro deve permanecer relevante ao longo do ano.

Ao mesmo tempo, as usinas brasileiras tentam recompor margens pressionadas pelos preços baixos e pela concorrência externa. O setor trabalha com a perspectiva de reajustes de aproximadamente 10% nos preços domésticos, movimento que já começou a ocorrer em alguns produtos. A evolução das cotações dependerá, porém, de fatores como o nível do dólar, que influencia diretamente a competitividade do material importado.

A combinação de demanda moderada, estoques elevados e forte concorrência externa leva as entidades do setor a preverem um ano difícil. A expectativa do Inda é de crescimento de cerca de 1,5% em 2026, enquanto projeções do Instituto Aço Brasil indicam que o volume de importações pode seguir elevado, possivelmente com expansão próxima de 10%.

Nesse contexto, distribuidores e produtores nacionais devem enfrentar um cenário de competição intensa, no qual a recuperação do mercado dependerá tanto das medidas de defesa comercial quanto da retomada mais consistente da atividade industrial no país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/02/2026

 

Sobretaxa global dos EUA favorece exportações do Brasil

A sobretaxa global aplicada pelos Estados Unidos trará um alívio financeiro imediato para diversos setores produtivos brasileiros. Segundo o novo relatório do Observatório da Amcham, a mudança na política tarifária norte-americana reduz encargos sobre US$ 14,9 bilhões em vendas externas do Brasil.

Redução da carga tributária impulsiona o comércio

A nova sobretaxa global de 10% substitui alíquotas anteriores que chegavam a 50% em determinados produtos. Essa alteração, vigente desde 24 de fevereiro, impacta diretamente 34,9% do volume total exportado pelo país para o mercado americano.

O ajuste tarifário utiliza como base a Seção 122 do Trade Act, focada em equilibrar o balanço de pagamentos dos EUA. Diferente das medidas de emergência econômica anteriores, esta norma possui caráter temporário, com validade prevista para até 150 dias.

A Amcham destaca que o cenário atual é de otimismo cauteloso. Embora o custo de exportação tenha caído para uma parcela relevante da pauta, setores como o de aço e alumínio seguem sob as regras da Seção 232, mantendo restrições por segurança nacional.

Produtos brasileiros beneficiados pela nova tarifa

A transição para a sobretaxa global permitiu que a fatia de produtos brasileiros isentos de taxas extras subisse de 37,5% para 45,6%. Entre os itens que deixaram de pagar sobretaxas ou tiveram reduções drásticas, destacam-se:

Aeronaves e partes de turbinas (isentas);
Nióbio e metais industriais;
Tratores agrícolas e máquinas;
Açúcar e café solúvel;
Madeira processada e granito.
Por outro lado, insumos fundamentais como o ferro-gusa (US$ 1,5 bilhão) e minério de ferro passam a ser tributados na faixa fixa de 10%. A simplificação da tabela ajuda no planejamento logístico, mas exige atenção das tradings brasileiras para garantir que a sobretaxa global não afete a margem de lucro.

Riscos e o futuro das negociações bilaterais

Mesmo com o alívio gerado pela sobretaxa global, o governo dos EUA sinaliza que novas investigações podem ser abertas. O monitoramento contínuo é essencial, pois instrumentos como a Seção 301 ainda podem impor barreiras específicas ao Brasil no futuro próximo.

“A redução das sobretaxas traz impacto imediato ao melhorar as condições de competitividade. No entanto, o avanço das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA continua sendo fundamental para evitar novas restrições”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O setor empresarial aguarda agora o encontro entre os presidentes de ambos os países. A expectativa é que o diálogo diplomático consolide essa redução da sobretaxa global em acordos permanentes de cooperação econômica e estabilidade comercial.

 
Fonte: ABC do ABC
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 27/02/2026