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Construtoras apontam disparada nos custos de cimento, aço e resinas em meio à guerra

O setor de construção civil já está sentindo os efeitos do aumento dos preços de combustíveis, fretes e insumos importados, como reflexo da guerra no Irã. O conflito gerou um salto nos preços internacionais do petróleo e afetou o trânsito global de navios.

O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) relata que as cimenteiras aumentaram, em conjunto, o preço do insumo em 12% no Estado no fim de março e comunicaram mais um reajuste de 10% na semana passada. Isso vai reverberar nos custos de derivados, como argamassa, concreto e blocos.

As siderúrgicas avisaram as construtoras de uma elevação de 8% nos custos do aço nesta semana, afetando vergalhões, chapas, perfis e telas, entre outros. Já a situação mais drástica é das resinas e polímeros - materiais importados - com um salto de 100% no início de abril, dobrando os custos de peças plásticas, como tubos e conexões.

Os dados foram colhidos pelo Sinduscon-SP e compartilhados em primeira mão com a Coluna. “Estamos muito preocupados com a inflação que estamos vendo na construção civil. É um momento realmente difícil”, diz o presidente do Sinduscon-SP, Yorki Estefan. “Está todo mundo rezando para voltarmos a ter alguma normalidade.”

Como os dados foram captados há poucos dias, ainda não incorporaram o Índice Nacional dos Custos da Construção (INCC), que é divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no fim de cada mês, observa Estefan. São Paulo tem um peso relevante, de cerca de 35%, no indicador.

Momento lembra a pandemia

O presidente do sindicato compara a situação atual provocada pela guerra ao cenário visto em 2020, quando eclodiu a pandemia. “Estamos vivendo um momento parecido com o da época da Covid, quando houve desestruturação na cadeia de fornecedores e disparada dos preços de insumos”, afirma.

Segundo Estefan, a situação tende a piorar nas próximas semanas, com outros insumos subindo de preços assim que os estoques locais acabarem. Esse é o caso de tintas, por exemplo. “Acredito que ainda vem mais [reajustes] por aí. Mesmo que a guerra acabasse hoje, levaria um tempo para ter a normalização de todas as cadeias produtivas ao redor do mundo.”

Consequências

O Sinduscon-SP está agendando uma reunião extraordinária com os líderes dos departamento de compras das construtoras para estudar quais medidas emergenciais poderiam ser adotadas para enfrentar essa situação.

Na avaliação dele, o cenário tende a levar as empresas a postergarem o início das obras ou até reduzirem o ritmo nos canteiros, deixando para comprar materiais mais adiante, na torcida para encontrar um ambiente mais normalizado. “Quem tem flexibilidade no calendário de entrega das obras tende a segurar um pouco”.

Outros projetos, porém, devem acabar engavetados pela perda de viabilidade. É o caso de imóveis destinados à classe média - geralmente, com valores entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão, aproximadamente. Neste setor, os lançamentos já estavam fracos devido aos juros altos dos financiamentos. “O aumento do custo vai desestimular ainda mais novos projetos nesse setor”, prevê Estefan.

Já no caso da habitação popular, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV), a situação das construtoras é mais grave. Isso porque elas repassam o cliente para o financiamento bancário logo após fechar a venda do imóvel na planta, e não após a entrega das chaves. Com isso, não têm correção monetária no contrato. “Aí o impacto da alta dos custos é na veia. Afeta diretamente as margens de lucro. Na pandemia, o lucro foi embora por causa da mesma situação”, relembra o presidente do Sinduscon-SP.

Ele também acredita que as construtoras tendem a subir o preço de venda das unidades na planta para lidar a situação. “As empresas não vão conseguir absorver esses aumentos de custos. O preço do imóvel novo com certeza vai ficar maior”, estima.

Sincronia

O presidente do Sinduscon-SP reclama ainda que, no caso das cimenteiras, o reajuste feito pelas empresas do setor aconteceu ao mesmo tempo, com aparência de uma ação sincronizada. “Vemos todas pedindo reajuste do mesmo valor, ao mesmo tempo. E não temos explicação alguma para isso. Estamos avaliando até recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, comenta.

 
Fonte: Estadão
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 15/04/2026

 

Projetos de lei preveem que governo será sócio de empresas de minerais críticos

A bancada governista da Câmara dos Deputados e um ex-secretário de Geraldo Alckmin apresentaram na última sexta-feira (10) dois projetos de lei que visam colocar o Estado como sócio de empresas no setor de minerais críticos. Os textos foram criticados pelas mineradoras.

Em seu projeto, a bancada governista na Câmara propõe a criação de um sistema de partilha parecido com o do pré-sal, em que mineradoras privadas de minerais críticos precisam ser sócias do governo brasileiro.

A proposta prevê que 10% a 80% dos minerais extraídos devem ser compartilhados com o governo. Além disso, o projeto traz que que o Serviço Geológico do Brasil mudará de nome, para TerraBras, e ficará com no mínimo 50% do produto da lavra de projetos de empresas privadas com as quais firmar parcerias.

A proposta define que a Terrabras será responsável por implantar, operar e manter unidades de beneficiamento e processamento de minerais críticos no país, além de estocar terras raras para segurança do abastecimento nacional. Empresas que operarem com a Terrabras também precisarão compartilhar tecnologia com a estatal, um ponto sensível para companhias privadas.

Além disso, o texto proíbe a exportação de minerais críticos para a indústria bélica, hoje uma das indústrias mais interessadas nessas matérias-primas. Nióbio, níquel, cobre e terras raras, por exemplo, são essenciais para a fabricação de equipamentos militares, como aeronaves, drones e armamentos.

O texto é assinado por todos os deputados federais do PT, além de outros sete deputados de PV, PSOL e PCdoB. Na justificativa do projeto, eles dizem que, "ao assegurar que ativos estratégicos permaneçam sob controle nacional, o regime fortalece a segurança nacional". "A possibilidade de formação de reservas estratégicas garante ao país autonomia para enfrentar crises internacionais ou oscilações bruscas no mercado global", afirmam.

O segundo projeto, apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB), ex-secretário de Geraldo Alckmin no Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), propõe criar uma estatal de minerais críticos, semelhante à Petrobras, inclusive com possibilidade de ações listadas na Bolsa. A proposta não explica de onde virão os recursos iniciais da nova estatal.

A empresa, que também chamaria TerraBras, ficaria responsável por desenvolver cadeias de minerais no país além de operar direta ou indiretamente projetos de interesse nacional.

À Folha Rollemberg disse que o projeto surgiu a partir de uma ideia que teve quando era secretário. "Temos que tratar as terras raras no Brasil como tratamos no passado a Petrobras, a Empraba e a Embraer. Esse é um debate estratégico para a soberania brasileira."

Os textos ainda precisam seguir toda a tramitação na Câmara e no Senado.

Em nota publicada ainda na sexta, a ABPM, associação que reúne pequenas e médias mineradoras, disse que o sistema de partilha vai afugentar investimentos no país.

"Questionamos a capacidade do Estado de financiar e gerir eficientemente tais empreendimentos. Nós como todos do setor somos testemunhas [de] que, apesar de o Brasil possuir reservas significativas de minerais estratégicos, o país não dispõe, no momento, dos vastos recursos financeiros, conhecimento técnico e agilidade gerencial necessários para operar uma estatal de tal envergadura de forma competitiva globalmente", diz em nota.

A Associação de Minerais Críticos, por sua vez, afirmou na segunda (13) que "agregação de valor no país é um objetivo correto, mas ela não decorre, por si só, da criação de uma estatal". "Há o risco de se criar uma estrutura formalmente ambiciosa, mas com baixa efetividade prática, capaz inclusive de gerar ruído regulatório adicional em vez de acelerar soluções."

Já o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), que representa as grandes mineradoras, como Vale e Anglo American, disse à Folha que iniciativas semelhantes no passado não surtiram os efeitos almejados. "O Brasil já teve uma estatal de terras raras que faliu. Isso nos levou à situação de termos que refazer a tecnologia e os recursos humanos para processar terras raras no país", afirma Pablo Cesário, diretor-presidente do Ibram.

Cesário remete à Orquima, empresa criada na década de 1940 e que dez anos depois se tornaria estatal e incorporada à antiga Nuclemon, empresa do governo brasileiro responsável pelo processamento de monazita, um mineral que contém elementos de terras raras associados ao urânio. Sem orçamento suficiente, a empresa faliu no final dos anos 1990.

Outro caso citado pelo setor como exemplo malsucedido de estatização na mineração é a INB, estatal que hoje tem o monopólio na extração e comercialização de urânio no país. Com dificuldades financeiras, a empresa não consegue desenvolver, há anos, projetos de urânio pelo país, ainda que o Brasil tenha a oitava maior reserva do mundo desse mineral.

O setor lida com o atraso na aprovação do marco legal dos minerais críticos. O projeto é discutido desde o meio do ano passado na Câmara, mas sucessivos pedidos de adiamento atrasaram a aprovação do texto. No episódio mais recente, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) precisou adiar, na semana passada, a apresentação do relatório do projeto sob pedido do governo federal –agora, a previsão é que o parecer seja lido no próximo dia 21.

 
Fonte: Folha de São Paulo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 15/04/2026

 

'Brasil tem peso' nas discussões internacionais, diz embaixador

O embaixador Rubens Barbosa, que já chefiou as embaixadas do Brasil em Washington e Londres, falou sobre a crise nas instituições internacionais e como os conflitos armados afetam a economia e a soberania brasileira.

Em entrevista ao  Roda Viva desta segunda-feira (13), o embaixador analisou a posição do Brasil no cenário internacional, especialmente em conflitos, e afirmou que o país mantém relevância nos debates globais.

O Brasil não é um país pequeno, o Brasil tem um peso, qualquer que seja o governo, no cenário internacional por causa de três áreas: a questão da segurança alimentar, a transição energética e o meio ambiente. Nós temos que nos concentrar naquilo que a gente é capaz
afirma Rubens Barbosa

Economia e oportunidades

Questionado sobre os impactos e os setores do Brasil que podem se beneficiar do acordo entre Mercosul e União Europeia, Rubens Barbosa disse que o pacto é estratégico para o país. Ele ressaltou que, após mais de 20 anos de negociações, o tratado cria novas oportunidades .

O acordo do Mercosul com a União Europeia é muito importante. Levou mais de 25 anos para ser assinado, mas abre grandes oportunidades para o Brasil. É um caminho novo que vai se desenvolver. Vai ser a saída para desenvolvermos o comércio internacional com regras já definidas nesses acordos
explica Barbosa

Disputa global

O embaixador destacou ainda, que haverá inúmeras oportunidades para o país ampliar suas  exportações, com possibilidades para o agronegócio, em parceria com a União Europeia, além de ressaltar a importância geopolítica do acordo.

Nesse momento de desorganização e de busca por alinhamentos, ter um terceiro caminho, um caminho intermediário entre Estados Unidos e China é muito importante para o Brasil, ressalta o embaixador.

 
Fonte: iG
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 14/04/2026

 

Pressão das importações força indústria do aço a se reinventar e buscar novo patamar competitivo

A indústria do aço no Brasil atravessa um momento desafiador em 2026, marcado por um aumento expressivo nas importações de produtos longos, que pressiona produtores nacionais e evidencia as fragilidades do mercado global. Ainda assim, em meio a esse cenário complexo, surgem oportunidades importantes para o reposicionamento estratégico do setor, com potencial para impulsionar ganhos de eficiência, inovação e competitividade no longo prazo.

Dados recentes apontam que as importações de aço longo no país cresceram de forma significativa, atingindo 143 mil toneladas apenas em março — um salto de 134% em relação ao mês anterior. Produtos como vergalhão e fio-máquina lideraram essa alta, refletindo tanto movimentos táticos de mercado quanto mudanças estruturais nas dinâmicas globais de oferta e demanda.

Mesmo com a adoção de medidas de defesa comercial, como tarifas de até 25% sobre volumes que excedem cotas estabelecidas, o fluxo de aço estrangeiro segue intenso. Em parte, isso se deve ao cenário internacional, especialmente ao excesso de capacidade produtiva em países asiáticos, com destaque para a China. Diante de restrições comerciais mais rígidas em mercados como os Estados Unidos, exportadores passaram a direcionar seus produtos para regiões mais abertas, como a América Latina — colocando o Brasil no centro dessa redistribuição global.

Esse movimento tem impactado diretamente a indústria nacional. Usinas operam atualmente com cerca de 66% de sua capacidade, abaixo do nível considerado ideal, entre 80% e 85%. Como consequência, empresas vêm revisando planos de investimento e ajustando suas operações. No entanto, esse contexto também reforça a necessidade de transformação e adaptação, incentivando o setor a buscar maior eficiência produtiva e inovação tecnológica.

Um dos fatores que ajudam a explicar o aumento recente das importações é a antecipação de compras por parte de distribuidores e consumidores, diante da elevação temporária das tarifas de importação. Produtos classificados em nove categorias específicas passaram a ter tarifas elevadas para 25%, o que levou agentes de mercado a acelerar processos de nacionalização de mercadorias já presentes em portos brasileiros.

Além disso, questões logísticas também desempenham papel relevante. O aumento dos custos de transporte, influenciado por tensões geopolíticas internacionais, tem afetado a distribuição interna no Brasil — um país de dimensões continentais e altamente dependente do transporte rodoviário. Isso tem gerado desequilíbrios regionais na oferta, levando compradores a recorrerem a estoques disponíveis, inclusive materiais importados que já estavam armazenados em portos, como no caso de produtos de origem russa no sul do país.

Outro elemento importante nesse cenário é a diversificação das origens das importações. Com a aplicação de medidas antidumping sobre produtos chineses, importadores passaram a buscar alternativas em países como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã. Esse movimento mantém a pressão competitiva sobre o mercado interno, mas também evidencia a crescente complexidade das cadeias globais de suprimentos.

Diante desse panorama, representantes da indústria brasileira defendem o aprimoramento dos mecanismos de proteção comercial, incluindo a adoção de cotas mais rígidas para limitar o volume de importações. A proposta visa garantir maior previsibilidade ao mercado e proteger a produção nacional de oscilações abruptas.

Apesar dos desafios, há razões para otimismo. O momento atual pode servir como catalisador para uma nova fase da indústria do aço no Brasil, baseada em maior integração tecnológica, eficiência energética e diversificação de produtos. A pressão externa tende a acelerar processos de modernização, tornando o setor mais resiliente e preparado para competir em um ambiente global cada vez mais dinâmico.

Além disso, o Brasil conta com vantagens estruturais relevantes, como acesso a matérias-primas, capacidade instalada e um mercado interno robusto. Com políticas adequadas e um ambiente de negócios estável, o país tem potencial para fortalecer sua indústria siderúrgica e ampliar sua participação em cadeias globais de maior valor agregado.

A expectativa para 2026 ainda é de retração na produção, com projeção de queda de cerca de 2,2%. No entanto, essa desaceleração pode ser interpretada como parte de um ciclo de ajuste necessário, que abre espaço para ganhos futuros. Em vez de representar um recuo definitivo, o momento atual pode marcar o início de uma transformação estrutural.

Em um mundo cada vez mais interconectado e sujeito a choques externos, a capacidade de adaptação torna-se um diferencial competitivo essencial. E é justamente nesse ponto que a indústria brasileira do aço pode encontrar seu maior trunfo: transformar adversidade em oportunidade e construir um futuro mais sólido, inovador e sustentável.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 14/04/2026

 

Novos projetos, parcerias e políticas são necessários para lidar com os riscos na cadeia de suprimentos de terras raras

Os elementos de terras raras estão rapidamente se tornando prioridade nas políticas globais de energia, transporte, manufatura avançada e tecnologias digitais. A demanda continua a crescer, enquanto as cadeias de suprimentos permanecem altamente concentradas, de acordo com um novo relatório da AIE (Agência Internacional de Energia), elaborado para subsidiar as discussões do G7 deste ano.

A importância dos 17 elementos de terras raras que sustentam uma ampla gama de tecnologias – de veículos elétricos e data centers de IA a robótica e sistemas de defesa – cresceu acentuadamente nos últimos anos, impulsionada principalmente pelo uso crescente de ímãs permanentes de alto desempenho. A demanda por terras raras para ímãs – notadamente neodímio, praseodímio, disprósio e térbio – dobrou desde 2015 e a previsão é de um aumento de mais de 30% até 2030, segundo o novo relatório, “Rare Earth Elements: pathways to secure and diversified supply chains”, que visa fornecer suporte analítico para as discussões durante a presidência francesa do G7 em 2026. Com a aceleração da automação e da digitalização, o relatório mostra que a demanda por terras raras para ímãs continuará crescendo após o final desta década, considerando o cenário político atual.

“Os elementos de terras raras são indispensáveis ??para muitas das tecnologias que moldam a Era da Eletricidade e nossas economias cada vez mais digitalizadas, mas suas cadeias de suprimentos continuam entre as mais concentradas de todos os minerais críticos”, diz Fatih Birol, diretor executivo da AIE. “As recentes interrupções evidenciaram a rapidez com que essas vulnerabilidades podem se traduzir em riscos econômicos reais. Para solucioná-las, serão necessários investimentos contínuos, medidas de resiliência mais robustas e uma cooperação internacional mais profunda.”

Entre todos os minerais críticos analisados ??pela AIE, as terras raras estão entre os mais concentrados geograficamente em cada etapa da cadeia de valor. Atualmente, a China responde por cerca de 60% da produção global de terras raras para ímãs, enquanto sua participação no refino ultrapassa 90%. Seu domínio é ainda mais evidente nos segmentos a jusante, com quase 95% da produção de ímãs permanentes. Duas décadas atrás, a China representava apenas cerca de metade da produção global de ímãs permanentes.

Desenvolvimentos recentes trouxeram essas vulnerabilidades à tona com maior clareza. Os controles de exportação introduzidos pela China em 2025 levaram a interrupções significativas de curto prazo, com alguns fabricantes fora da China enfrentando dificuldades para garantir insumos essenciais e, em certos casos, tendo que reduzir a produção. Embora os fluxos tenham se recuperado posteriormente, o episódio destacou a potencial exposição das indústrias a jusante. O relatório constata que, se tais controles fossem totalmente implementados, até US$ 6,5 trilhões em atividade econômica fora da China poderiam estar em risco a cada ano, com os setores automotivo, eletrônico e de transporte sendo fortemente impactados.

Apesar da crescente conscientização desses riscos, o progresso rumo a uma oferta mais diversificada tem sido limitado. Os projetos atuais e planejados fora do fornecedor dominante estão muito aquém do necessário para atender à demanda projetada, segundo o relatório. Até 2035, espera-se que as capacidades existentes e anunciadas cubram apenas cerca de metade das necessidades de mineração, um quarto das necessidades de refino e menos de um quinto da demanda por ímãs fora da China. Isso aponta para uma lacuna cada vez maior, a menos que o investimento em diversificação seja acelerado. O relatório destaca um desequilíbrio notável nos esforços atuais de desenvolvimento da cadeia de suprimentos, com o número de projetos de produção de ímãs em desenvolvimento substancialmente menor do que o de projetos upstream. Os projetos de ímãs existentes e planejados fora da China representam apenas cerca de um terço da capacidade de mineração.

Preencher essa lacuna exigiria um crescimento substancial em toda a cadeia de valor, particularmente no refino e na fabricação de ímãs, que continuam sendo os principais gargalos. O relatório estima que serão necessários cerca de US$ 60 bilhões em investimentos na próxima década para desenvolver cadeias de suprimentos diversificadas. Embora significativo, esse investimento é modesto em comparação com a escala das potenciais perdas econômicas associadas a interrupções no fornecimento.

A reciclagem e a inovação oferecem importantes caminhos complementares. A reciclagem, por si só, tem o potencial de reduzir a necessidade de suprimento primário em até 35% até 2050, enquanto os avanços em tecnologias inovadoras de produção e substituição podem aliviar a pressão sobre os elementos mais limitados.

O relatório observa que a diversificação não se resume ao planejamento de novos projetos. Há um desafio ecossistêmico mais amplo, que engloba gargalos em tecnologia, equipamentos, maquinário e habilidades, os quais precisam ser superados para que os projetos se tornem competitivos.

Segundo o relatório, alcançar cadeias de suprimento de terras raras seguras e resilientes exigirá uma abordagem abrangente e coordenada. Dada a distribuição geográfica de recursos, capacidades e demanda industrial, nenhum país isoladamente pode construir cadeias de valor totalmente integradas. O fortalecimento da cooperação internacional será essencial para alinhar investimentos e apoiar o desenvolvimento de projetos, com base em redes de suprimento mais diversificadas e sustentáveis.

O relatório descreve oito ações práticas para apoiar a diversificação, incluindo o fortalecimento da preparação para emergências, a ampliação dos investimentos em etapas-chave da cadeia de valor, a aceleração da inovação tanto do lado da oferta quanto da demanda e a melhoria da transparência de preços.

 
Fonte: IPESI
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/04/2026

 

ArcelorMittal celebra Dia Nacional do Aço

Maior produtora de aço no Brasil e líder global, a ArcelorMittal celebrou ontem, quinta-feira, 9, o Dia Nacional do Aço, com foco em inovação e no desenvolvimento de soluções de alto valor agregado para fortalecer sua competitividade no mercado nacional.  

A empresa mantém investimentos contínuos no avanço do aço inteligente, que integra tecnologia de ponta, eficiência dos processos e energética e sustentabilidade. Esses esforços resultam no desenvolvimento de materiais resistentes, de alta qualidade e sustentáveis, voltados para setores estratégicos como construção civil, automotivo e infraestrutura, reforçando o pioneirismo e o DNA inovador da empresa.  

Para assegurar que todas essas soluções cheguem aos clientes, a ArcelorMittal conta com a maior rede de distribuição e serviços do país. Com mais de 100 unidades distribuídas em todas as regiões brasileiras, a rede amplia a capilaridade e a proximidade com os consumidores. A empresa responde hoje por 42% da produção nacional de aço bruto.  

Programa XCarb® - Um dos destaques é o programa XCarb®, que reúne todas as iniciativas da companhia para a produção de aço com baixa pegada de carbono. A linha XCarb® atende diferentes segmentos, com soluções voltadas tanto para a construção civil quanto para aplicações industriais.  

Na construção civil, a linha XCarb®, que inclui vergalhões CA50 e bobinas de aços planos, é protagonista em edifícios residenciais de alto padrão e projetos sustentáveis. Os produtos estão em linha com a nova tendência de industrialização da construção civil, ao evitar desperdício de material no canteiro de obras e agilizar prazos de entrega de obras. Para o setor industrial, o portfólio inclui produtos como a Barra Chata Mola XCarb® e o Perfil U XCarb®, amplamente aplicados na indústria automotiva, além da Cantoneira XCarb®, utilizada em diferentes aplicações industriais.  

Complementando esse portfólio tecnológico, a empresa tem ainda o Magnelis®, revestimento de zinco, alumínio e magnésio que oferece propriedades de autocicatrização e resistência superior à corrosão, ideal para ambientes agressivos e áreas litorâneas.  

Outro avanço significativo da empresa é o desenvolvimento de aços de alta resistência produzidos de forma pioneira no Brasil, como o ArcelorMittal CA70 S, que apresenta até 40% mais resistência à tração em comparação ao CA50 convencional e está sendo utilizado na construção do Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC), futura maior torre residencial do mundo.  

Entre essas soluções também está a Cantoneira 60+, desenvolvida para aplicações que exigem elevado desempenho estrutural, com foco em torres de transmissão de energia, além de usos em equipamentos industriais, estruturas metálicas e outros projetos que demandam maior desempenho do aço.  

Ainda na construção civil, a ArcelorMittal consolidou a Steligence, uma metodologia mundial que avalia cada empreendimento de forma inteligente, considerando três pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social. Para apoiar essa jornada, a empresa conta com um time de especialistas dedicado a propor as soluções em aço mais otimizadas e aderentes às necessidades de cada projeto, da fundação à cobertura.  

Com o Steligence, é possível reduzir o consumo de materiais, aumentar a durabilidade das estruturas, otimizar prazos de obra e minimizar impactos ambientais. Tudo isso com mais segurança e produtividade no canteiro.  

CRIAÇÃO DE VALOR - “A inovação faz parte do DNA da ArcelorMittal e está presente em todas as etapas da nossa produção. O aço que entregamos ao mercado, feito no Brasil, combina segurança, qualidade mundial e contribui diretamente para a geração de emprego, renda e desenvolvimento para o país. Acreditamos que inovar é criar valor para os negócios, impulsionando uma trajetória de crescimento sustentável que assegura a longevidade da empresa. Isso só é possível graças às pessoas que integram nosso time e que, todos os dias, transformam desafios em oportunidades e resultados concretos”, diz Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos Latam.  

“Ao integrar tecnologias avançadas e soluções customizadas, a ArcelorMittal não apenas resolve problemas específicos da cadeia produtiva, mas estabelece uma distinção competitiva sólida, preparando o negócio e a sociedade para os desafios do futuro. Essa capacidade de antecipar demandas e transformar conhecimento em desempenho nos posiciona com mais agilidade e eficiência em mercados cada vez mais exigentes. Competitividade, para nós, é resultado de inovação aplicada, proximidade com os clientes e evolução contínua dos nossos processos”, afirma Everton Negresiolo, CEO ArcelorMittal Aços Longos Latam.    

PORTFÓLIO - Portfólio completo de produtos e soluções da ArcelorMittal Brasil atende atualmente mais de 100 mil clientes por ano e contribui para ganhos de produtividade, redução de custos e melhoria de desempenho em diferentes aplicações. Ao transformar o feedback dos clientes em inovação, a empresa fortalece o relacionamento com o mercado e amplia o valor entregue em eficiência, sustentabilidade e desempenho nas obras e indústrias.   

O aço ArcelorMittal está presente em grandes obras no Brasil e em alguns dos principais cartões-postais do país, como a Ponte Rio-Niterói (RJ), o Elevador Lacerda (BA), a Arena MRV (MG) e o Memorial da América Latina.  

Maior produtor de aço no Brasil e líder no mercado global, o Grupo ArcelorMittal tem cerca de 125 mil empregados, sendo 20 mil na operação brasileira, e atende a clientes em 129 países. No país, a empresa tem unidades industriais em oito estados (MG, ES, RJ, SC, CE, BA, SP e MS), além da maior rede de distribuição e do portfólio mais diversificado do setor de produtos e soluções em aço. Foi a primeira empresa das Américas a obter o ResponsibleSteel, uma das certificações em ESG mais respeitadas no mundo, o que reforça o propósito de produzir aços inteligentes para as pessoas e o planeta.  

As plantas brasileiras têm capacidade de produção anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e de 8 milhões de toneladas de minério de ferro e atendem às indústrias automobilística, construção civil, eletrodomésticos, óleo e gás, máquinas e equipamentos, dentre outras. A empresa atua, ainda, em autogeração de energia renovável, produção de carvão vegetal e tecnologia da informação. Ao unir sustentabilidade, segurança, inovação e qualidade, a ArcelorMittal impulsiona o desenvolvimento social e econômico do país e dos brasileiros. Nas áreas sociais e de saúde, o grupo mantém a Fundação ArcelorMittal, com iniciativas que já impactaram mais de 11 milhões de pessoas em 38 anos de história, e a Abertta Saúde, operadora de autogestão em saúde exclusiva para empregados e familiares, com atendimento a aproximadamente 58 mil pessoas. 

 
Fonte: Diário do Nordeste
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 10/04/2026