Notícias

Paraná é o terceiro estado brasileiro com mais roubos de caminhões

O Brasil registra mais de 10 mil roubos de cargas por ano, de acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Só no primeiro semestre de 2025, as ocorrências cresceram em praticamente 25%.

A criminalidade tem exigido das transportadoras trabalharem com gestão de risco, no limite, com o objetivo de traçar rotas mais seguras e adotar outras estratégias para escapar da criminalidade. Engana-se quem pensa que os ataques acontecem principalmente em locais ermos. Ao contrário. Segundo levantamento da plataforma de logística Nstech, os trechos urbanos de rodovias no país lideram as ocorrências.

Quando o recorte dos dados é sobre as unidades da federação, São Paulo, com 35,4% dos prejuízos gerados por roubo de carga; Rio de Janeiro, com 21,9%; e Paraná, com 7,5% são os estados mais problemáticos.

 
Fonte: Diário Indústria & Comércio
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 06/01/2026

Recursos naturais da Venezuela podem valer US$ 14 trilhões

Os recursos minerais e energéticos – notadamente petróleo – são apontados como um dos principais motivos que levaram o governo norte-americano a lançar ataques no país latino-americano e prender o presidente do país, Nicolás Maduro.

Figurando entre os 10 países mais ricos pelo valor de seus recursos naturais, com um valor estimado em US$ 14  trilhões, a Venezuela possui a maior reserva mundial de petróleo, estimada em 303 bilhões de barris, a oitava reserva de gás natural, com 5,69 trilhões de metros cúbicos, detém a maior reserva de ouro, calculada em 8.900 toneladas, é o número 1 no mudo em reservas de níquel (28,9 milhões de toneladas), além de deter reservas expressivas de minério de ferro (14,6 bilhões de toneladas), bauxita (320 milhões de toneladas) e recursos ainda não estimados de columbita-tantalita e cobre.

Os recursos naturais da Venezuela estão localizados em três ambientes: Faixa do Orinoco, Arco Mineiro do Orinocoe Faixa de Essequibo. A Faixa do Orinoco, no leste da Venezuela, abriga pelo menos 235 bilhões de barris de petróleo, o que a torna a maior reserva do mundo. A estatal petrolífera PDVSA tem gradualmente concentrado suas operações nessa área, apesar dos custos de produção mais elevados devido à natureza extrapesada do petróleo bruto, que exige operações de mistura ou refino para gerar tipos exportáveis. A Faixa do Orinoco também abriga diversas joint ventures com empresas estrangeiras. As sanções severas adotadas contra a Venezuela, principalmente a partir de 2019, prejudicaram a produção devido à falta de acesso a peças de reposição e diluentes, à fuga de cérebros e à necessidade de oferecer descontos aos clientes.

O Arco Mineiro do Orinoco, que abrange 12% do território venezuelano, foi designado pelo governo venezuelano como uma “zona de desenvolvimento estratégico” em 2016. A área abriga uma quantidade importante de recursos minerais, especialmente ouro. Mas as atividades de mineração têm gerado preocupações e críticas tanto por seus potenciais danos ambientais quanto por seus efeitos sobre as comunidades indígenas locais. A mineração ilegal nessa região foi tolerada pelo governo durante vários anos, numa tentativa de obter receitas com a atividade. Somente em 2023 a mineração ilegal passou a ser combatida. Esta área é considerada estratégica para a exploração de ouro, principalmente, mas também de diamantes, columbita-tantalita, níquel e elementos de terras raras. Quando criou o Arco Mineiro do Orinoco, o governo falava da possibilidade de explorar “até um milhão de quilates de diamantes, 12 mil toneladas de níquel, 35 mil toneladas de columbita-tantalita e depósitos significativos de cobre”. Porém, uma década depois, longe de se tornar um polo de desenvolvimento, o Arco Mineiro do Orinoco é considerado um perigoso foco de criminalidade, corrupção política e militar e contrabando, tudo isso em meio a um grande desastre ambiental. Não há mineração em larga escala, mas sim exploração caótica e descontrolada.

Por último está a Faixa de Essequibo, que está no centro de disputas internacionais há mais de dois séculos. A Venezuela reivindicou esse território como herança do império espanhol no início do século XIX, apenas para ver o Reino Unido tentar gradualmente expandir a fronteira oeste de sua colônia da Guiana Britânica após descobertas de ouro. A questão da fronteira com a Guiana permaneceu praticamente adormecida desde sua independência na década de 1960, mas reacendeu nos últimos anos após descobertas maciças de petróleo em alto-mar. (Com informações da publicação independente VenezuelaAnalysis).

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 06/01/2026

Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e projeta Selic a 12,25%

A expectativa de inflação do mercado financeiro para 2026 subiu para 4,06%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. Esta é a primeira edição do relatório em 2026 e indica leve alta em relação à projeção anterior, que era de 4,05%.

Para 2025, os analistas reduziram a estimativa do IPCA para 4,31%. O dado oficial da inflação será divulgado na próxima sexta-feira (9), conforme o calendário do IBGE.

Em relação aos juros, os economistas projetam que a taxa Selic encerre este ano em 12,25%. A principal dúvida do mercado é o momento de início dos cortes. Inicialmente esperada para janeiro, a redução pode ficar para março, avalia o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Cesar Bergo.

“Então essa demora no corte da taxa de juros vai ter impacto direto na economia, exatamente porque afeta o crédito das empresas, aumenta na despesa das famílias, então afeta o consumo e afeta também os preços como estamos vendo e a perspectiva pode ser essa. Mas em decorrência de uma possibilidade de corte da Selic, melhora o cenário econômico.”

Segundo ele, a demora na queda dos juros impacta diretamente a economia ao encarecer o crédito, aumentar as despesas das famílias e afetar o consumo. “Por outro lado, a perspectiva de corte da Selic tende a melhorar o cenário econômico”, explica.

Sobre a possibilidade de uma invasão norte-americana à Venezuela, especialistas avaliam que o impacto direto sobre o Brasil deve ser limitado, já que o comércio bilateral entre os dois países é pouco significativo. A análise é do economista Werton Oliveira, do Conselho Regional de Economia da Paraíba.

“O que a gente tem que entender mais é questão dos investidores e a questão do dólar. Porque como a gente está numa região que está sendo afetada diretamente por essa invasão, a gente pode sofrer algumas sanções por causa da proximidade com o país venezuelano. E pode ter alguma questão direta no preço das commodities,  minério, ouro, petróleo. Também pode ter a questão do fluxo de capitais com insegurança na região”.

De acordo com ele, a maior preocupação envolve a reação dos investidores e o comportamento do dólar. “A instabilidade na região pode afetar o fluxo de capitais, o câmbio e até os preços de commodities como minério, ouro e petróleo”, afirma.

Ainda segundo o boletim Focus, a projeção inicial para o crescimento da economia brasileira em 2026 é de 1,80%. Já o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 5,50.

 
Fonte: Diário Indústria & Comércio
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 06/01/2026

Brasil terá novas montadoras de motos em 2026; veja quais

O ano de 2025 promete ser um dos melhores dos últimos tempos em vendas de motocicletas novas. E com isso, o mercado brasileiro começa a atrair mais montadoras que querem um pedacinho do nosso sucesso. Algumas marcas já confirmaram sua chegada, enquanto algumas têm fortes indícios apontando para sua estreia por aqui.

E não é para menos, marcas com menos tempo de mercado, como as indianas Royal Enfield e Bajaj, já entraram no Top 10 de montadoras em 2025. A chinesa Shineray também começou a trazer motos da chinesa QJ Motor para cá num esforço para ter produtos de posicionamento mais premium. Mas elas devem receber a companhia de mais rivais.

Voge

Em dezembro de 2025, a chinesa Voge confirmou sua chegada ao Brasil. É marca premium do grupo chinês Loncin Motor. A empresa anunciou sua estreia nacional e afirmou que revelará ainda este ano os primeiros modelos que serão lançados e produzidos no Brasil a partir de 2026. A comercialização deve ter início no primeiro trimestre.

Embora ainda não tenha confirmado quais motos estarão no portfólio inicial, o site brasileiro da marca destaca duas famílias globais: Trofeo, com opções de 300 cm?3; a 525 cm?3;, e Valico, com modelos entre 300 cm?3; e 900 cm?3;.

CFMoto

A chinesa CFMoto confirmou que passará a comercializar seus produtos em nosso mercado em breve, sem dar uma data específica. A CFMoto já opera no Brasil há 10 anos por meio do Grupo Unique, mas atua até agora apenas com modelos off-road, UTVs e quadriciclos. Também vale ressaltar que a marca chinesa opera em joint ventures com outras montadoras conhecidas, como Yamaha e KTM. A CFMoto até o momento confirmou quatro modelos a serem oferecidos no mercado brasileiro em 2026. São elas as aventureiras Ibex 450 e 700 e as estradeiras CL-C 450 e CL-C 450 Bobber.

Revelada na Europa em março do ano passado, a Ibex 450 promete ser o carro-chefe da marca por aqui. É uma aventureira de média cilindrada que, olhando rapidamente, pode até lembrar alguns traços de modelos da linha Adventure da KTM. O motor de 449 cm?3; é bicilíndrico e tem duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC) com arrefecimento a líquido. No total, entre 44 cv de potência a 8.500 rpm e 4,3 kgfm de torque a 6.500 rpm na configuração oferecida na Europa. O câmbio de 6 marchas tem embreagem assistida e deslizante.

TVS

Uma das gigantes indianas das duas rodas tem um caso de idas e vindas com o Brasil. Já teve os produtos da linha Apache vendidos por aqui em parceria com a Dafra. Hoje, a TVS Sport 110i é oferecida por meio de uma complexa parceria com a empresa de aluguel Mottu. No entanto, pode ser que a marca queira fincar os pés de vez por aqui.

Segundo apurou o site Motoo, a TVS deve iniciar a operação própria no Brasil ainda em 2026, focando em motos na faixa de até 200 cilindradas com scooters e ainda pode trazer de volta os produtos da linha Apache, que chegaram a fazer sucesso no Brasil, mesmo com os volumes limitados por conta da parceria com a Dafra.

Hero

Mais uma marca indiana de olho no Brasil é a Hero. A empresa tem credenciais fortes, tendo sido parceira local da Honda na Índia por décadas e hoje desenvolve produtos localmente em parceria até com a Harley-Davidson, rendendo a moto mais barata do mundo da estadunidense. Desde agosto de 2024 que se sabe das intenções da Hero por aqui e os planos podem se concretizar em 2026.

Um relatório de resultados do segundo trimestre de 2024 distribuído aos investidores da Hero MotoCorp revelou algo interessante para o Brasil. No campo dedicado aos destaques da empresa no período, foi informada a inauguração de uma linha de montagem no Nepal em conjunto com a CG Motors e também o anúncio dos preparativos para uma unidade produtiva para veículos de das rodas no Brasil.

A diferenciação entre estes dois pontos é importante. A operação no Nepal é claramente uma unidade pensada apenas para a montagem das motos da marca com peças importadas da Índia. A operação brasileira, da forma com a qual foi escrita no relatório, leva a crer que a Hero já quer entrar no Brasil com uma fábrica de fato. Hoje, a Royal Enfield e a Bajaj operam em regime CKD em Manaus, com peças importadas e montagem final no Brasil.

 
Fonte: Motor 1
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 05/01/2026

 

Ponte, fábrica de celulose e duplicações: confira lista de ‘megaobras’ em MS aguardadas em 2026

Mato Grosso do Sul começa o ano de 2026 com grandes projetos em desenvolvimento, espalhados por vários dos 79 municípios. Sete megaobras possuem entrega prevista para este ano ou devem ‘deslanchar’ ao longo dos meses.

Projetos iniciados há anos ou meses agora ganham forma e podem ser entregues à população. As obras listadas pelo Jornal Midiamax vão desde duplicações em BR até construção de novas fábricas no Estado.

Juntas, somam mais de R$ 25,5 bilhões de investimento em Mato Grosso do Sul. Confira a lista completa:

Ponte Carmelo Peralta

A construção da ponte entre Carmelo Peralta, no Paraguai, e Porto Murtinho, no Brasil, é considerada a principal obra da Rota Bioceânica. Um marco para o setor da construção civil e para o Mato Grosso do Sul, a ponte integra grande projeto que ligará o Brasil ao litoral do Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile.

Do lado brasileiro, a ponte encerrou 2025 com 80% de conclusão. A previsão de entrega é para o primeiro semestre de 2026. O corredor bioceânico soma R$ 472 milhões de investimentos somente no trecho de MS.

Fábrica Arauco

Inocência deve ver a construção da fábrica de celulose da Arauco deslanchar neste ano. O pico de obras é previsto para 2026. A indústria chilena promete investir cerca de R$ 25 bilhões na planta de MS.

Assim, a cidade de menos de 10 mil habitantes pode triplicar a população. Com as construções, a estimativa é de que Inocência registre até 32 mil pessoas na cidade.

A fase de terraplanagem começou em junho de 2024. Desde então, a cidade já ganhou 4,8 mil novos moradores. Contudo, a inauguração da fábrica deve acontecer no próximo ano, em 2027.

Duplicação trechos 163

Vencedora do leilão da BR-163, a Motiva Pantanal — antiga CCR MSVias — terá que duplicar 203 quilômetros da rodovia federal no Estado. As obras devem acontecer ao longo dos 29 anos de concessão.

No entanto, a ampliação de alguns trechos já entraram em nova etapa. Agora, trechos de pelo menos quatro municípios recebem o início da execução da estrutura de pavimento. Segundo a Motiva Pantanal, os trabalhos de duplicação avançam em Campo Grande, Jaraguari e Bandeirantes. Além disso, há implantação de camadas de pavimento das faixas adicionais em Mundo Novo.

As frentes de trabalho estão concentradas em Campo Grande (entre os km 452 e 460), Jaraguari (entre os km 510 e 511) e Bandeirantes (entre os km 535 e 546). Nos trechos citados, haverá implantação das camadas iniciais da estrutura de pavimento, além de drenagem, terraplenagem e implantação de dispositivos de segurança e acessos.

As obras seguem em andamento em 2026, bem como as de Mundo Novo. No município, há execução de faixas adicionais entre os km 7 e 11 e entre os km 28 e 31. Além disso, contam com o início das camadas inferiores de pavimento.

Fim da Ernesto Geisel

Campo-grandenses se aproximam de ver o fim das obras na avenida Ernesto Geisel. A previsão da Prefeitura de Campo Grande é de que até fevereiro do ano que vem o investimento seja concluído.

Em meados de 2025, a prefeita Adriane Lopes (PP) destacou que as obras ficaram paradas por cerca de 33 anos. Então, anunciou a conclusão para o início de 2026.

O município realiza obras de contenção de enchentes e erosões no Rio Anhanduí, na Avenida Ernesto Geisel. Até o início do segundo semestre de 2025, 65% da construção havia sido concluída. O valor total de investimentos é de R$ 20,9 milhões.

Corredor de ônibus

Há quase uma década, Campo Grande via o anúncio da construção do corredor de ônibus da avenida Gunter Hans. Em maio de 2025, a Prefeitura colocou a obra a todo vapor.

A previsão da entrega é em 2026, um ano após a retomada da execução da obra. Na prática, serão quatro plataformas de parada de ônibus, entre o trevo Imbirussu e o Terminal Aero Rancho.

A empresa Engevil Engenharia Ltda. foi contratada por R$ 9,6 milhões para executar a obra.

Antiga Rodoviária

A terceira grande obra com entrega prevista em 2026 para Campo Grande é a antiga rodoviária. A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) anunciou em 2025 que a revitalização do Terminal Heitor Eduardo Laburu será concluída até junho de 2026.

O investimento começou em 2022, quando a obra tinha prazo de 12 meses. No entanto, foi estendido para dezembro de 2025. Antes mesmo de 2025 acabar, a pasta informou o novo prazo.

O novo adiamento ocorreu porque houve necessidade de uma nova licitação. O certame foi para instalação do sistema de climatização no prédio.

Hospital em Dourados

As obras da segunda etapa da UMC (Unidade da Mulher e da Criança) no Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) têm previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026.Com investimento federal de R$ 28 milhões, a obra amplia a capacidade de atendimento do hospital.

Assim, serão criados 45 novos leitos e as UTIs pediátrica e neonatal passarão por duplicação. Iniciada em 13 de novembro de 2024, as obras têm prazo de conclusão previsto de 24 meses. Logo, podem ser entregues em outubro de 2026.

 
Fonte: Midiamax
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 05/01/2026

 

Brasil entra em 2026 com tarifas mais altas do México e isso pode ser só o começo

Depois das medidas de isenção do tarifaço americano para parte dos embarques, o Brasil inicia 2026 enfrentando novos aumentos de tarifas para suas exportações. Desta vez a tributação maior é do México, que veio a toque de caixa. Proposta pelo governo mexicano em setembro de 2025 e aprovada no início de dezembro no Congresso, a medida entra em vigor a partir de amanhã, 1º de janeiro de 2026, com tarifas de até 35% para importações de vários países com os quais o México não tem acordos de livre comércio, o Brasil entre eles.

A alta de tarifas, que segundo cálculos preliminares da Confederação Nacional da Indústria (CNI) pode ter impacto em US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras, é vista como um reflexo do tarifaço imposto ao Brasil no decorrer de 2025 pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O México foi o sétimo maior destino de embarques brasileiros em 2024 e este ano, até novembro, foi o sexto, com total de US$ 7,1 bilhões em embarques. Mas mais do que afetar o comércio com um mercado importante ao Brasil, as tarifas mexicanas são vistas como precedente que pode abrir a porteira para novas medidas de mesma natureza numa guerra tarifária com impacto global não somente para o comércio e custos, mas para as relações externas como um todo.

O governo mexicano declarou que as tarifas buscam fortalecer a produção doméstica e têm o objetivo de proteger cerca de 350 mil empregos em setores sensíveis como calçados, têxteis, vestuário, aço e automotivo.

Segundo estudo da CNI, o país mais afetado pelas medidas deve ser a China, seguida de outros países asiáticos, como Coreia do Sul, Índia e Tailândia. O Brasil deve ser o quinto país mais afetado. O levantamento diz que as tarifas mexicanas devem alcançar 232 produtos da indústria brasileira, num total de US$ 1,7 bilhão, que representaram 14,7% dos embarques brasileiros ao México em 2024.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reiterou comunicado divulgado em 12 de dezembro, após a aprovação das tarifas no Congresso mexicano, de que “tem mantido contato com autoridades mexicanas para tratar dos possíveis efeito das mudanças tarifárias”.

Precedente é considerado perigoso

O problema é que a iniciativa do México podem ser apenas o início de uma série de medidas tarifárias adotadas quase sempre sob justificativa de proteger a indústria doméstica.

“A decisão do México de adotar tarifas contra o Brasil, infelizmente, é o primeiro passo para consolidar no mercado internacional uma decisão de aplicações tarifárias unilaterais”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

“Nesse cenário, qualquer outro país pode adotar tarifa livremente, sem saber quais serão as consequências, muito menos sem saber se a aplicação de tarifas mais altas vai gerar ou não uma reciprocidade de outros países”, afirma Castro.

Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de comércio exterior, lembra que há uma tendência geral de aumento de protecionismo em todo o mundo, a partir das medidas iniciadas por Trump. “Acabamos de ter o anúncio também de salvaguarda de carne da China. O mundo inteiro tem aumentado suas medidas de proteção.”

Barral menciona também a iniciativa da Índia, que impôs uma tarifa de importação de três anos, entre 11% e 12%, sobre alguns produtos siderúrgicos. A medida foi anunciada pelo governo indiano na terça (30), na tentativa de combater os embarques da China. “Isso terá um efeito grande no mercado internacional. Infelizmente, é um aumento das medidas protecionistas no mundo inteiro, que o México segue neste momento.”

O padrão usual das guerras comerciais é que elas não são bilaterais, diz o economista Livio Ribeiro, sócio da BRCG. “Elas acabam sendo guerras comerciais que vão se espalhando de pouco em pouco, o que nos leva a um mundo mais autárquico e mais tarifado, com todos os fluxos sendo restritos em algum nível. O mundo para o qual estamos caminhando é de um equilíbrio final com menos cooperação, custos mais elevados e com o canto da sereia da proteção da indústria doméstica, algo que nunca deu certo e não vai dar certo agora.”

Para Castro, da AEB, o aumento de tarifas pelo México é um “precedente perigoso”. Isso, diz, pode fazer com que os países comecem a aplicar tarifas maiores como uma forma de eliminar o que foi adotado anteriormente por outros. “No primeiro momento, basicamente, Trump adotou tarifas. Agora nós já enfrentamos as tarifas do México e, de repente, pode surgir outro país. Isso você levar a um desequilíbrio tarifário mundial, que é ruim para o comércio mundial.”

“O México estava sob pressão dos Estados Unidos para colocar essas medidas”, diz Barral, da BMJ. É preciso ainda verificar, observa, o impacto aos setores que são cobertos por alguns acordos especiais entre Brasil e México, como é o caso do setor automotivo e de alguns químicos. “O Brasil terá que, via Mercosul, acelerar os acordos de livre comércio.”

Atualmente o Brasil não tem acordo de livre comércio amplo com o México, embora possua os chamados ACEs (Acordos de Complementação Econômica), como o do setor automotivo.

O grande foco das novas tarifas mexicanas é a Ásia, principalmente China, diz Ribeiro, da BRCG. “A medida olha muito mais para a Ásia, com o argumento de proteção da indústria local e alinhamento da política tarifária mexicana com os Estados Unidos. Tem oposição doméstica no México, com preocupação com elevação de custos e impacto na inflação. Evidentemente isso não vai gerar reindustrialização mexicana.”

O perigo da guerra comercial, avalia Ribeiro, vem quando se inicia uma reação em cadeia, em que todos começam a taxar todos sob argumento de proteção e de equalização tarifária. “Infelizmente, é exatamente o estamos vendo no caso mexicano. É um movimento ruim, mas não é um movimento que virá isolado. Nesse sentido, acho que temos que esperar outras políticas dessa natureza, de outros países. Essa é a grande questão que temos que observar, olhando para frente. Guerras comerciais, você sempre sabe como começa, nunca sabe como termina”, diz o economista, que também é pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 05/01/2026