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Organismos internacionais apontam para riscos do novo sistema tributário do Brasil

Em fase de testes e com previsão de se iniciar no próximo dia 1º de janeiro, a reforma tributária brasileira já foi objeto de estudos de três organismos internacionais: Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Todos reconheceram o impacto da mudança mas, ao mesmo tempo, apontaram para riscos no novo sistema.

Dos três, o mais crítico foi elaborado pelo FMI. O órgão calculou quanto será arrecadado com a reforma e analisou os principais riscos ao novo modelo. As contas indicam uma arrecadação de 12,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2033, o que atenderia ao objetivo de neutralidade - não haver ganhos nem perdas em relação ao sistema atual, cujos recolhimentos somam 12,5% do PIB. No entanto, um cenário mais pessimista poderia reduzir o resultado em até 1,9% do PIB.

Esse resultado é amparado na redução do “gap de conformidade”, que é a diferença entre a arrecadação esperada e a que efetivamente ocorre. Sonegação, elisão (o que deixa de ser pago com o uso de “brechas” da legislação), inadimplência e judicialização são fatores que diminuem o recolhimento de tributos. Na visão do organismo, tornar esse gap menor é o principal desafio.

"Esse é o puxão de orelha talvez mais forte [do estudo]. Eles dizem que, para vocês entregarem uma redução do gap de conformidade, vão ter que fazer uma estratégia de coordenação da atuação dos Fiscos e de gestão de riscos de conformidade. Não é simplesmente a tecnologia que vai reduzir o gap de conformidade", explica o diretor da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda Rodrigo Orair.

O governo brasileiro acredita que o gap de conformidade vai cair ao longo do tempo. Isso porque o novo sistema vai aumentar a formalização de empresas e, pela forma como será recolhido, de forma automática reduzirá a sonegação e inadimplência. Além disso, os técnicos esperam redução de litígios, já que o novo sistema ataca uma das principais fontes de discussão jurídica: se um produto ou serviço adquirido gera crédito tributário.

Assim, a expectativa do governo é que, ao longo do tempo, a conformidade contribua para reduzir em 3 pontos percentuais a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que terá um teto de 26,5%. Contudo, estimativas internas do próprio governo apontam que a Contribuição e o Imposto sobre Bens e Serviços (CBS e IBS) podem ficar com uma alíquota mais próxima de 28%, devido aos vários produtos e serviços favorecidos com alíquotas reduzidas.

O que o estudo do FMI faz é alertar para a dificuldade em se alcançar esse esperado aumento de conformidade. Por exemplo, pela necessidade de coordenação entre União, Estados e municípios para evitar que as fiscalizações fiquem concentradas em alguns pontos e deixem outros sem atenção.

Um risco para a arrecadação, aponta o estudo, é o comportamento das empresas do Simples. A reforma permite que as micro e pequenas empresas optem por um sistema tributário híbrido: recolham contribuições previdenciárias, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pelo sistema simplificado, e os tributos sobre o consumo pelo novo sistema. Isso é vantajoso principalmente para empresas que estão no meio da cadeia, ou seja, tenham como principais clientes outras empresas.

Assim, é possível que haja perda de arrecadação de 0,3 a 0,4 ponto percentual do PIB com a migração de empresas para o modelo híbrido, alerta o FMI. Por outro lado, diz o estudo, a tendência é que haja aumento na formalização, o que poderia trazer ganhos da ordem de 0,2 a 0,5 ponto percentual do PIB. Com isso, a perda seria parcialmente coberta.

Mesmo com os alertas, o FMI chama a reforma brasileira de “landmark”, ou seja, um marco.

O grande número de produtos e serviços que pagarão alíquota reduzida é ponto de crítica dos três estudos. Quanto mais itens ganham tratamento tributário privilegiado, maior é a alíquota que os demais produtos e serviços precisam pagar.

O elevado número de exceções é lamentado também por integrantes do governo brasileiro. Considera-se, porém, que esse foi o preço a pagar para que a reforma fosse aprovada no Congresso Nacional.

Diferente do enfoque na implementação dado pelo FMI, o estudo da OCDE avalia o desenho da reforma e o compara com experiências como Índia e Canadá. Após classificar a reforma brasileira como uma “conquista histórica” (“historic achievement”), o organismo avalia que o IVA do Brasil segue as melhores práticas internacionais. O ponto de crítica são as numerosas exceções.

O estudo do BID, por sua vez, ressalta três pontos da reforma brasileira. O primeiro é a solução federativa. Diferentemente do padrão mundial, o IVA brasileiro é dual, ou seja, uma parte pertence ao governo federal (CBS) e outra, aos Estados e municípios (IBS). Porém, são tributos gêmeos: incidem sobre a mesma base e têm a mesma legislação.

O segundo ponto ressaltado pelo estudo do BID é o split payment generalizado, que representa um salto tecnológico. Quando uma compra for realizada, o IVA será recolhido no ato e imediatamente repassado aos fiscos de União, Estados e municípios. O terceiro ponto é o cashback. O Brasil vai devolver parte do IVA pago pelas famílias que estão no CadÚnico.

Na visão de Orair, esses estudos refletem o reconhecimento do avanço alcançado pelo Brasil, mas, ao mesmo tempo, trazem o estado de atenção dos especialistas quanto à implementação. "É como a mãe que está orgulhosa que o filho passou na faculdade, mas diz que ele precisa estudar, passar nas provas", comparou.

Ele ressalta que os estudos foram elaborados por técnicos de alto nível, o que demonstra o interesse em “entender o que está acontecendo” aqui. “O Brasil, por muito tempo, foi meio patinho feio nos organismos multilaterais em termos de tributação de bens e serviços”, comentou. “Acho que, após a reforma tributária, o Brasil voltou ao centro das atenções.” Outro sinal disso é o ex-secretário extraordinário da Reforma Tributária Bernard Appy ter participado da plenária de abertura do Fórum Global de IVA da OCDE.

 

Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 24/03/2026

 

Produção de aço no Rio chega a 1,4 milhão de toneladas no ano e sustenta força industrial

O Estado do Rio de Janeiro produziu 732 mil toneladas de aço bruto em fevereiro e respondeu por 29% de toda a produção nacional no mês. No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o volume fluminense chegou a 1,4 milhão de toneladas, o equivalente a 27% do total do país. Os números são do Instituto Aço Brasil e reforçam o peso do estado em um dos setores mais estratégicos da indústria brasileira.

Mesmo com a desaceleração nacional, o desempenho do parque siderúrgico fluminense segue relevante. Em fevereiro, a produção brasileira de aço bruto somou 2,5 milhões de toneladas, com queda de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o país produziu 5,3 milhões de toneladas, retração de 3,4% na comparação anual. Ainda assim, o Rio de Janeiro permaneceu entre os principais polos do setor no país.

Em divulgação do governo estadual, o governador Cláudio Castro afirmou que o resultado mostra a importância econômica da atividade para o estado. “O desempenho da indústria do aço evidencia a relevância do Rio de Janeiro em uma área estratégica para a economia nacional. Trata-se de um setor que impulsiona investimentos, gera empregos qualificados e impulsiona diversos segmentos industriais, da construção civil à energia”, disse Cláudio Castro.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Vinicius Farah, também destacou que, mesmo com o recuo da produção brasileira, o parque siderúrgico fluminense manteve volume suficiente para sustentar a posição do estado no setor. “Apesar do cenário de retração, o parque siderúrgico instalado no território fluminense vem mantendo os níveis de produção que o mantêm como segundo maior produtor nacional”, afirmou Vinicius Farah.

 
Fonte: Diário do Rio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/03/2026

Choque do petróleo força mercado a rever chance de alta de juros

O choque provocado pela disparada dos preços do petróleo se somou a discursos mais duros de vários bancos centrais e levou a uma reprecificação aguda nos mercados globais de renda fixa na semana passada. Em dias de estresse intenso, investidores passaram a embutir nos preços dos ativos a chance de elevações nos juros em diversas economias, incluindo os Estados Unidos. No Brasil, no auge da tensão, o mercado chegou a abandonar toda a precificação de cortes na Selic neste ano, passando a ver pouquíssimas reduções na taxa básica, apesar da sinalização de um ciclo de calibração dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Entre quinta e sexta-feira, os reflexos do salto do petróleo começaram a ser sentidos de forma mais agressiva nos mercados de juros, que passaram a incorporar mais diretamente os efeitos inflacionários do choque, em um comportamento motivado por discursos mais duros de autoridades monetárias ao redor do globo. A turbulência foi tão relevante que fez os mercados retirarem dos preços novos cortes de juros e, em certos casos, começarem a trabalhar com a chance de elevações nas taxas por alguns bancos centrais.

Alguns países já estavam imersos em ciclos de aperto monetário, como Austrália e Japão, antes do choque do petróleo, mas bancos centrais de outros países tinham adotado o viés de deixar os juros parados por mais tempo ou mesmo de reduzir as taxas ao longo do ano. Esse cenário mudou. O estresse nos juros de mercado fez os ativos trabalharem com a possibilidade de aumento nas taxas na zona do euro e no Reino Unido. E até mesmo nos Estados Unidos - onde o Federal Reserve mantém indicação de um novo corte nos juros até o fim do ano - os preços já sinalizam chance de alta nas taxas.

 

O cenário para o Banco Central Europeu (BCE), nesse contexto, é o mais claro. Após a reunião da semana passada, dirigentes apontaram, em condição de anonimato a agências de notícias, que na próxima reunião podem discutir uma elevação nos juros caso os preços dos combustíveis sigam pressionados. E, nesse contexto, o estresse dos mercados migrou também para uma reavaliação do cenário à frente pelos departamentos econômicos de grandes bancos.

Deutsche Bank, J.P. Morgan, Barclays, Rabobank e Morgan Stanley foram algumas das instituições que passaram a projetar aumentos nos juros pelo BCE ainda este ano. Alguns, inclusive, acreditam que a autarquia pode elevar as taxas de juros da zona do euro já em abril.

“Passamos a incorporar duas altas de juros em nosso cenário. Essa projeção está condicionada à nossa expectativa de inflação, que assume moderação apenas gradual dos preços do petróleo a partir de julho e dos preços do gás apenas no próximo ano”, afirma o economista Greg Fuzesi, do J.P. Morgan, que projeta aumentos nos juros na zona do euro em abril e em julho. “Nosso cenário para o BCE, assim, pressupõe que a situação no Oriente Médio seguirá desafiadora no curto prazo e que os mercados de energia levarão algum tempo para se reequilibrar.”

 

Se, na Europa, já há apostas efetivas em torno de um aperto nas condições monetárias, nos EUA a situação é bem mais nebulosa, ao se levar em conta a pressão da Casa Branca para novos cortes nos juros; a mudança na composição do “board” de diretores do BC com a entrada de Kevin Warsh; os sinais de desaquecimentos do mercado de trabalho americano; e a divisão do Fed quanto a uma redução adicional nas taxas neste ano. Ainda assim, nesse contexto, o mercado de juros americano sofreu um “squeeze” - movimento forçado de preços causado pela saída rápida de posições - na sexta, chacoalhando os mercados globais.

Em alguns momentos, na manhã de sexta-feira, os futuros dos “Fed funds” chegaram a embutir nos preços 45% de chance de pelo menos uma alta nos juros americanos até o fim deste ano, de acordo com dados do CME Group. No fim do dia, o estresse foi parcialmente revertido e o mercado indicava apenas 5,2% de probabilidade de uma alta ocorrer, o que, contudo, não deixa de ser uma reversão relevante de cenário.

“O mercado de juros continua gerando surpresas, com as taxas curtas disparando e já embutindo uma baixa probabilidade de alta de juros. E a volatilidade segue elevada nos trechos mais sensíveis à política monetária”, observam os estrategistas de derivativos de juros do Barclays em nota enviada a clientes. Para eles, contudo, o formato das curvas de juros mostra que o mercado americano ainda vê riscos para as taxas inclinado para baixo, ao contrário da Europa, “indicando que os investidores enxergam uma barra mais alta para o Fed elevar os juros do que para cortá-los”.

 

Na avaliação do economista-chefe para EUA do Société Générale, Jan Groen, as declarações recentes do presidente do Fed, Jerome Powell, e do diretor Christopher Waller sugerem que, caso haja um período prolongado de petróleo acima de US$ 100, o Fed tenderá a focar, sobretudo, nas implicações para a trajetória da inflação. Além disso, Groen observa que a dinâmica inflacionária no segundo semestre deste ano “será determinante para avaliar se as discussões dentro do Fed podem migrar para a possibilidade de altas de juros”.

“Se até meados de 2026 houver sinais de que essa desaceleração [da dinâmica da inflação] não está se materializando, as discussões dentro do Fed devem, a partir da reunião de junho, passar a considerar a possibilidade de altas de juros. Até lá, não se espera que o Fed abandone sua postura atual de manutenção das taxas”, enfatiza Groen, que tem passagens pelo Banco da Inglaterra (BoE) e pela distrital de Nova York do Fed.

No contexto de pressão sobre os mercados de juros globais na semana passada, o Brasil também ficou exposto ao mau humor e, mesmo com uma intervenção recorde do Tesouro Nacional ao recomprar títulos prefixados e NTN-Bs, os juros futuros dispararam ao longo de toda a curva. Nos vencimentos mais curtos, ligados à política monetária, houve uma reprecificação muito relevante: na sexta-feira, o mercado deixou de precificar cortes na Selic e passou a trabalhar com uma taxa que se mantém na casa dos 14% ao longo do ano.


"[A inflação] será determinante para avaliar se as discussões dentro do Fed podem migrar para uma chance de alta de juros”
— Jan Groen

Para se ter ideia da dimensão do estresse, no fim de fevereiro - antes, portanto, do início da guerra no Irã -, o mercado precificava cerca de 3 pontos em cortes na Selic, o que levaria a taxa a 12% no fim do ano. Na sexta-feira, a precificação estava um pouco acima de 14%, após um dia de estresse relevante nos mercados globais e domésticos, quando os preços do petróleo e a instabilidade dos juros americanos ditaram o rumo dos ativos.

A dinâmica recente dos mercados dá fortes indícios de um movimento de desalavancagem forçada de posições. O estrategista de uma importante instituição local nota que, nos últimos dias, os estrangeiros reduziram cerca de US$ 4,5 milhões em risco de mercado (“dv01”) em swaps no último mês, o que ele classifica como uma “desalavancagem bastante agressiva”. Ao mesmo tempo, o profissional lembra que o Tesouro Nacional retirou aproximadamente US$ 3,2 milhões de “dv01” em recompras de títulos, uma intervenção de tamanho recorde, superior inclusive à observada na pandemia de covid-19.

“A mensagem é clara: o posicionamento foi zerado e os prêmios de risco estão elevados. Mas o mercado agora se assemelha mais a uma ‘terra de ninguém’ - com liquidez reduzida, participação limitada e um processo de normalização que tende a levar tempo”, enfatiza o estrategista.

Situação semelhante é observada no mercado de juros reais, com a disparada das taxas das NTN-Bs desde o início da guerra. Na sexta-feira, de acordo com dados da Anbima, a taxa do papel com vencimento em agosto de 2050 subiu de 7,18% para 7,255%.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 23/03/2026

 

Indústria do aço brasileira mostra resiliência e aposta na retomada com impulso das exportações

A indústria do aço no Brasil iniciou 2026 enfrentando desafios relevantes, mas também revelando sinais claros de resiliência e oportunidades promissoras no cenário global. Dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil mostram que a produção de aço bruto em fevereiro somou 2,523 milhões de toneladas, registrando uma queda de 5,7% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do primeiro bimestre, a retração foi mais moderada, de 3,4%, totalizando 5,262 milhões de toneladas.

Apesar da desaceleração produtiva, o desempenho do setor não pode ser analisado de forma isolada. O contexto revela uma reconfiguração importante da dinâmica do mercado, com destaque para o fortalecimento das exportações brasileiras. Em fevereiro, o volume exportado atingiu 1,191 milhão de toneladas, um crescimento expressivo de 55,2% na comparação anual. No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações somaram 2,182 milhões de toneladas, avanço de 30,3% frente ao mesmo período de 2025.

Esse movimento reforça a competitividade do aço brasileiro no exterior e aponta para uma estratégia cada vez mais orientada ao mercado global. Mesmo com oscilações internas, o setor demonstra capacidade de adaptação, aproveitando oportunidades internacionais para manter o ritmo de escoamento da produção.

No mercado doméstico, as vendas internas registraram leve retração. Em fevereiro, foram comercializadas 1,616 milhão de toneladas, queda de 3,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do bimestre, o recuo foi de 4,5%, com 3,177 milhões de toneladas. Ainda assim, há um dado encorajador: o consumo aparente de aço cresceu 3,1% em fevereiro, alcançando 2,167 milhões de toneladas. Esse indicador sugere que a demanda interna segue presente, ainda que com ajustes pontuais.

Outro aspecto relevante é o avanço das importações, que continuam em trajetória de alta. Em fevereiro, o Brasil importou 629 mil toneladas de aço, um aumento de 34,2% na comparação anual. No bimestre, o crescimento foi de 12,2%, totalizando 1,145 milhão de toneladas. Esse cenário reforça a necessidade de atenção à competitividade da indústria nacional, mas também evidencia um mercado interno ativo e abastecido.

No campo das expectativas, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) registrou 49,3 pontos em março, queda de 8,3 pontos em relação a fevereiro, retornando para abaixo da linha dos 50 pontos — patamar que indica menor confiança. Ainda assim, esse movimento pode ser interpretado como reflexo de um momento de cautela diante das incertezas globais, e não necessariamente como sinal de fragilidade estrutural.

Em perspectiva, o setor siderúrgico brasileiro mostra fundamentos sólidos para uma recuperação gradual ao longo do ano. O vigor das exportações, aliado a sinais de consumo interno e à capacidade produtiva instalada, cria um ambiente propício para retomada. Com ajustes estratégicos e atenção ao cenário internacional, a indústria do aço segue como um dos pilares importantes da economia brasileira, pronta para transformar desafios em oportunidades.

 
 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/03/2026

Importações de aço no Brasil disparam 34% em fevereiro

As importações de aço pelo Brasil em fevereiro somaram 629 mil toneladas, o maior patamar mensal desde maio do ano passado, impulsionadas em parte por produtos que ainda não foram alvo de medidas antidumping pelo Governo Federal, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Aço Brasil, que representa as siderúrgicas locais.

Bobinas laminadas a quente, por exemplo, tiveram um salto de mais de quatro vezes nas importações sobre fevereiro do ano passado, atingindo 60,4 mil toneladas, com os produtos planos como um todo registrando aumento de 84% na internalização, para 471,5 mil toneladas.

Enquanto isso, produtos laminados a frio, que já tiveram medidas antidumping aprovadas pelo governo, mostraram queda nas importações de fevereiro, recuando 26%, no caso das bobinas, a 24,9 mil toneladas.

As importações também foram fortes em produtos revestidos, cujo volume importado cresceu cerca de duas vezes e meia no período, para 281 mil toneladas.

As ações das três principais produtoras de aço listadas em bolsa do país caíam por volta das 14h. Usiminas perdia 3,7%, CSN mostrava recuo de 1,9% e Gerdau caía 0,8%.

O diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, já tinha alertado na semana passada para aumentos nas importações em fevereiro, algo que ele atribuiu a antecipações de compras pelos importadores. A expectativa do executivo é que as importações de aço no Brasil este ano caiam entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas.

No combinado do primeiro bimestre, as importações de aço no Brasil subiram 12,2% sobre o mesmo período de 2025, para 1,14 milhão de toneladas, segundo os dados do Aço Brasil.

Enquanto isso, a produção das usinas caiu 5,7% no mês passado na comparação anual, para 2,5 milhões de toneladas, pressionada por queda de 3,2% nos produtos longos, que somaram 781 mil toneladas.

As vendas de aço pelas usinas no Brasil também recuaram no período, 3,1%, para 1,6 milhão de toneladas, mostrando baixa de 4,5% no bimestre.

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/03/2026

 

EUA e Brasil negociam acordo sobre minerais críticos, diz diplomata norte-americano

O encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, afirmou nessa quarta-feira (18) que o país está em negociações com o Brasil para um acordo sobre cadeias de suprimento de minerais críticos, em meio a tensões diplomáticas com o governo brasileiro, que se retirou na semana passada de fórum patrocinado pela embaixada norte-americana.

"Temos uma proposta para um acordo em nível federal. Estamos discutindo, tivemos algumas discussões preliminares, mas ainda estamos esperando", afirmou Escobar, após assinar um acordo separado com o estado de Goiás, em uma cerimônia antes do fórum nesta quarta-feira.

Representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não puderam comparecer ao Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos em São Paulo devido a um conflito com um compromisso anterior, informou um porta-voz.

O evento patrocinado pela embaixada dos EUA, realizado na Câmara Americana de Comércio Amcham Brasil, em São Paulo, teve como objetivo incentivar a criação de redes entre investidores norte-americanos e empresas brasileiras que buscam produzir minerais críticos. O Citi e a Anglo American estavam entre as empresas presentes.

Os EUA têm se esforçado para obter acesso a reservas de minerais críticos, especialmente às cadeias de suprimento de terras raras, atualmente dominadas por empresas chinesas.

Washington vê o Brasil como um alvo potencial para bilhões de dólares em investimentos, comentou um porta-voz da embaixada dos EUA, acrescentando que US$ 600 milhões já foram investidos pela Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, conhecida como DFC, e pelo banco EXIM.

ATRITO DIPLOMÁTICO

No entanto, as tensões diplomáticas entre Washington e Brasília lançaram uma sombra sobre o evento da embaixada.

Autoridades de Brasília cancelaram a participação no evento, depois que um funcionário dos EUA pediu, na semana passada, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, o que foi visto por Brasília como uma tentativa de se intrometer em assuntos internos. O Brasil barrou a entrada do enviado, alegando "falseamento" dos motivos da visita.

As autoridades brasileiras receberam uma proposta para um memorando de entendimento em fevereiro, disseram três pessoas com acesso ao assunto à Reuters. Mas a proposta parecia ser uma cópia de uma proposta enviada a outro país, incluindo o nome do país errado, disse uma pessoa à Reuters. O erro foi corrigido posteriormente.

As negociações estão em andamento com o escritório do representante de Comércio dos EUA, disseram as fontes, e como parte de uma possível visita de Lula a Washington.

No entanto, uma reunião entre Lula e o presidente Donald Trump, que deveria ocorrer em Washington neste mês, foi adiada em meio ao conflito entre EUA e Israel com o Irã e ao atrito diplomático entre Brasil e EUA.

PROCESSAMENTO LOCAL

As autoridades federais brasileiras expressaram sua frustração em particular com a decisão dos EUA de assinar o acordo com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), adversário político de Lula. A medida foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal, disse uma autoridade brasileira que acompanha o assunto.

O acordo estabelece a cooperação entre os EUA e Goiás em diversas áreas, como o mapeamento do potencial mineral, a conexão dos mineradores locais com a tecnologia norte-americana e o aprimoramento das regulamentações, informou o governo estadual em um comunicado.

Goiás tem reservas de lítio, nióbio e é a sede da única empresa que produz comercialmente terras raras no Brasil, a Serra Verde, apoiada pelos EUA.

O governo estadual informou que o acordo visa promover "capacidades completas de processamento e fabricação de valor agregado, incluindo separação de terras raras, metalização, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes de neodímio" em Goiás.

Fazer avanços no processamento doméstico é uma prioridade para Lula, de acordo com um funcionário do Ministério do Comércio Exterior brasileiro, que pediu anonimato para discutir as negociações em andamento.

As autoridades norte-americanas identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que poderiam reforçar os esforços internacionais para diversificar o fornecimento, diminuindo o domínio da China em minerais críticos.

 
Fonte: Folha de São Paulo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/03/2026