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Nem EUA, nem China: Como as terras raras podem transformar o Brasil na terceira via da geopolítica global

Enquanto Washington e Pequim travam uma guerra de tarifas e restrições de exportação, o Brasil sinaliza que não pretende escolher um lado nessa disputa, mas sim tornar-se o fiel da balança. Com reservas que podem redefinir o equilíbrio de poder global, o país pretende se tornar uma força central na reestruturação do equilíbrio geopolítico no século 21.

O governo brasileiro enviou uma delegação de mais de 100 pessoas para o “Future Minerals Forum (FMF) 2026”, realizado entre 13 e 15 de janeiro em Riad, na Arábia Saudita, com o objetivo de atrair investimentos estimados em R$ 100 bilhões até 2029 para o setor de minerais críticos e terras raras.

A iniciativa visa estabelecer o país como uma potência global do setor em um momento de acirramento na disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle de insumos essenciais para novas tecnologias, baixo carbono e defesa.

As terras raras compõem um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a fabricação de componentes de alta tecnologia, como turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, smartphones e mísseis.

Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo

O Brasil detém cerca de 19% das reservas globais desses minerais, posicionando-se como o segundo maior detentor desses recursos no mundo, atrás apenas da China. Além disso, o país possui vastas reservas de outros minerais críticos, como grafita, lítio, níquel e manganês. No entanto, apenas 23% do subsolo do país já foi mapeado.

Carlo Pereira, CEO da Gin Capital – plataforma de investimentos voltada para os setores de mineração e infraestrutura tecnológica –, disse à reportagem do NeoFeed que a demanda global por esses insumos é atualmente três a quatro vezes superior à oferta disponível.

O executivo destaca que o diferencial brasileiro no mercado internacional reside na previsibilidade da oferta, governança e alinhamento geopolítico, fatores que atraem fundos de investimento interessados na descarbonização das cadeias produtivas.

Relatórios da consultoria PwC e do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) reforçam que o subsolo brasileiro, ainda subexplorado, é estratégico para a segurança das cadeias globais de suprimento.

O investimento de R$ 100 bilhões estimado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) será canalizado para projetos que possam explorar a janela de oportunidade aberta pela corrida do Ocidente para reduzir a atual dependência da China.

Enquanto a China controla a maior parte do refino mundial e utiliza restrições de exportação como ferramenta de pressão política, o Brasil busca se consolidar como um fornecedor neutro e confiável, com baixa intensidade de carbono.

Brasil ainda é apenas um fornecedor de matéria-prima

Projetos de grande escala já estão em andamento no país; no entanto, são coordenados por empresas estrangeiras. O projeto Colossus, em Minas Gerais, conta com aporte de R$ 1,35 bilhão do grupo australiano Viridis Mining and Minerals Ltd para extração de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Em Goiás, o grupo Serra Verde recebeu um investimento de R$ 855 milhões do Denham Capital and Minerals Group, baseado nos EUA, para a produção de minerais para ímãs e turbinas eólicas.

Apesar da riqueza de seu subsolo, o Brasil ainda é apenas um exportador de matéria-prima bruta. Atualmente, o maior gargalo do setor no país encontra-se no refino e na transformação química dos minérios em compostos industriais.

A produção refinada nacional ainda é baixa. Para efeito de comparação, enquanto uma tonelada de lítio bruto vale cerca de US$ 800, o produto refinado para baterias pode ultrapassar os US$ 8 mil.

O controle sobre as etapas avançadas da cadeia de produção é fundamental para definir a relevância geopolítica de uma nação. O cenário atual remete ao histórico de dependência tecnológica da indústria brasileira.

Para mitigar esse risco, o Congresso Nacional discute, desde 2024, a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos por meio dos projetos de lei PL 2780/2024 e PL 4443/2025, que buscam criar incentivos para o setor e oferecer segurança jurídica aos investidores.

A consolidação do Brasil como potência no setor de minerais estratégicos depende da convergência entre políticas públicas de inovação, sustentabilidade e fomento financeiro, como as linhas de crédito a baixo custo estudadas pelo BNDES. Para especialistas do setor, desenvolver a cadeia de refino local é a única forma de evitar que o Brasil repita o ciclo histórico de exportador de commodities de baixo valor.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o governo brasileiro está buscando modernizar a indústria nacional, alinhando-se às principais tendências tecnológicas globais.

Em setembro, o governo instituiu o Redata (Estratégia Nacional de Dados) por meio da Medida Provisória nº 1.318/2025. O programa visa incentivar a instalação, ampliação e operação de data centers no país, com foco em setores estratégicos como computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas.

 
Fonte: Trading View
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 21/01/2026

Produção de aço no Brasil recua em dezembro, mas vendas crescem

A produção de aço no Brasil sofreu uma retração de 1,9% em dezembro na comparação anual, totalizando 2,559 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pela entidade que representa as usinas siderúrgicas brasileiras, a Aço Brasil.

Apesar da queda na produção, as vendas de aço no mercado interno cresceram 2,5%, somando 1,592 milhão de toneladas no mesmo período. Esse movimento indica uma demanda doméstica mais aquecida mesmo diante da redução na fabricação.

Exportações e importações em alta

As exportações brasileiras de aço registraram uma expressiva alta de 64,8% em dezembro, totalizando 1,2 milhão de toneladas. Esse crescimento significativo sugere um aumento na competitividade do aço brasileiro no mercado internacional ou uma resposta a demandas externas específicas.

Por outro lado, as importações também aumentaram 16,2%, somando 383 mil toneladas, indicando que, apesar do crescimento das exportações, o Brasil continua a importar volumes relevantes de aço, possivelmente devido a segmentos específicos do mercado ou necessidades de insumos que não são produzidos internamente.

Desempenho anual do setor siderúrgico

No acumulado de 2025, a produção de aço no Brasil registrou queda de 1,6%, alcançando 33,3 milhões de toneladas. No mesmo período, as vendas internas tiveram uma leve retração de 0,4%, totalizando 21,2 milhões de toneladas.

Essa desaceleração anual pode refletir desafios econômicos, mudanças na demanda ou ajustes na capacidade produtiva do setor.

Análise do cenário

O comportamento do setor siderúrgico no Brasil em dezembro mostra um mercado interno resiliente em termos de vendas, apesar da redução na produção. O aumento significativo das exportações pode indicar uma estratégia de compensação de mercado para as usinas, buscando aproveitar oportunidades no exterior.

Contudo, o crescimento simultâneo das importações evidencia que a cadeia produtiva brasileira ainda depende de insumos ou produtos siderúrgicos estrangeiros, o que pode influenciar custos e dinâmica do setor.

O desempenho anual de 2025, com queda na produção e vendas internas, sugere que o setor enfrenta desafios estruturais ou conjunturais que merecem atenção para garantir a competitividade e sustentabilidade da indústria siderúrgica brasileira.

Impactos e perspectivas

Para o setor industrial e a economia do país, a evolução da produção e comercialização do aço são indicadores importantes, pois refletem o ritmo de investimentos, construção civil e manufatura.

A tendência para os próximos meses dependerá de fatores como a recuperação econômica, políticas comerciais, custos de produção e demanda global. A capacidade das usinas de se adaptarem a esse cenário será crucial para a reversão das quedas observadas.

 
Fonte: Folha de Curitiba
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/01/2026

Mineradora australiana negocia venda de terras raras do Brasil para Estados Unidos e Europa

A Viridis Mining and Minerals está em negociações com potenciais compradores de terras raras extraídas no Brasil, conforme nações ocidentais buscam reduzir sua dependência da China para elementos usados em veículos elétricos e turbinas eólicas.

A empresa australiana de desenvolvimento mineral está em negociações com potenciais compradores dos Estados Unidos e da Europa e pretende fechar contratos com diversos clientes, incluindo refinarias de terras raras e fabricantes de ímãs, o líder da empresa no Brasil, Klaus Petersen, disse em entrevista.

As negociações incluem o estabelecimento de um preço mínimo para a produção do projeto Colossus da Viridis, avaliado em US$ 360 milhões, no estado de Minas Gerais, disse Petersen. Um preço mínimo serviria de proteção contra os baixos preços praticados na China, que responde por cerca de 90% da produção mundial de ímãs permanentes de terras raras.

As conversas acontecem num momento em que a Europa e o Brasil se aproximam de um acordo político que envolve matérias-primas essenciais. A presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen afirmou que tal acordo estruturaria uma cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — materiais que ela descreveu como essenciais para a independência estratégica em “um mundo onde os minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”.

O Brasil possui as maiores reservas de terras raras depois da China, mas sua produção comercial é pequena. O país busca explorar seu potencial geológico, enquanto mineradoras de pequeno porte desenvolvendo projetos de minerais críticos demandam garantias financeiras que facilitem o acesso ao financiamento.

A Viridis planeja tomar uma decisão final de investimento no segundo semestre do ano, com o objetivo de iniciar a produção em 2028.

 
Fonte: InvestNews
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/01/2026

Num mundo de blocos, Brasil pode ser a Suíça dos minerais críticos

O Brasil foi um dos países que mais se destacaram no FMF (Future Minerals Forum) 2026, realizado em Riade, na Arábia Saudita, de 13 a 15 de janeiro, participando com uma delegação de mais de 60 pessoas, que incluiu representantes de governo, de empresas de mineração, investidores e prestadores de serviços.

De acordo com Carlo Pereira CEO da GIN Capital, empresa que organizou a participação brasileira no evento, além de empresas como Vale e Sigma Lithium, chamou atenção este ano o grande número de junior companies como Meteoric, Viridis e St. George, dentre outras, que buscam investidores para seus empreendimentos, sobretudo no universo das terras raras.

Veja detalhes da participação brasileira na entrevista a seguir.

BRASIL MINERAL - Como avalia a participação brasileira no FMF 2026?

CARLO PEREIRA - Em 2025, o FMF fez um esforço específico para trazer brasileiros — organizações, imprensa, executivos. Por isso, o número de participantes foi maior naquela edição. Mas este ano a participação foi qualitativamente diferente: mais estratégica, mais focada. Foram cerca de 60 brasileiros, entre representantes do governo, empresas de mineração, investidores e prestadores de serviços.

Houve participação de “habitués” como a Vale — cujo CEO Gustavo Pimenta foi speaker — e a Sigma Lithium, com a sua CEO Ana Cabral também na programação. Porém, o que chamou atenção foi o grande número de junior companies brasileiras, como a Meteoric Resources, a Viridis e a St. George, entre outras. Essas empresas estão na linha de frente dos projetos de terras raras no Brasil, especialmente no complexo alcalino de Poços de Caldas.

Um ponto importante: não foram apenas mineradoras. Empresas de serviços geológicos brasileiras, como a GeoSol, estão estabelecendo escritórios na Arábia Saudita. Isso demonstra que o setor brasileiro está entendendo que a presença local é fundamental para capturar oportunidades no Reino.

Brasileiros participaram de vários painéis ao longo da semana. Houve uma mesa focada na América Latina, co-liderada pelo FMF e pelo Banco Mundial, para discutir modelos de financiamento de infraestrutura para mineração na região — incluindo os dois corredores de infraestrutura identificados na América Latina, parte de um total de sete corredores globais priorizados pelo FMF.

E houve um painel específico sobre o Brasil, que tive a honra de liderar, com participação de Ricardo Fonseca (Sócio e Head de Mineração da Prisma Capital), Marcelo Carvalho (CEO da Meteoric Resources), Eduardo Gamma (Head de Ouro do Ouribank) e Klaus Petersen (Country Manager da Viridis no Brasil). Nesse painel, foram apresentados os cinco pilares que tornam o Brasil um parceiro estratégico para a Arábia Saudita:

1. Brasil como parceiro confiável: 30 anos de democracia, Banco Central autônomo, grandes mineradoras globais operando há décadas sem mudanças nas regras do jogo.

2. Diversificação natural: O Brasil oferece exatamente o que a Visão 2030 busca — os minerais do futuro. Temos o capital geológico; eles têm o capital financeiro e a visão. É um match perfeito.

3.  Friendshoring genuíno: O Brasil dialoga com todos — EUA, China, Europa, Oriente Médio. Num mundo de blocos, somos a Suíça dos minerais críticos.

4. ESG intrínseco: Nossos minerais nascem verdes. Energia renovável, água abundante, regulação ambiental séria. Não é greenwashing, é geografia.

5. Escala para ambição: Quando a Arábia Saudita pensa grande, o Brasil acompanha. Temos território, reservas e capacidade para projetos de classe mundial.

BRASIL MINERAL - Quais empresas e organizações governamentais formaram a delegação brasileira?

CARLO - A delegação brasileira foi compacta, mas qualificada — cerca de 60 pessoas. Do lado governamental, o destaque foi o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que participou ativamente da Mesa Ministerial — a maior reunião ministerial sobre minerais do mundo, com mais de 100 países representados — e assinou o MoU com a Arábia Saudita. O Ministro também teve reuniões bilaterais com o Príncipe Abdulaziz bin Salman, Ministro de Energia saudita, para discutir colaboração em eletricidade, renováveis, óleo e gás, e intercâmbio técnico.

No setor privado, tivemos presença de grandes players como a Vale e J&F, além de uma forte representação de junior companies focadas em terras raras e minerais críticos — Meteoric Resources, Viridis Mining, St. George. Do lado financeiro, participaram representantes do Ouribank e da Prisma Capital, que estão estruturando veículos de investimento para mineração.

Um movimento interessante foi a presença de empresas de serviços geológicos, como a GeoSol, que estão estabelecendo operações na Arábia Saudita. Isso reflete o entendimento de que, para capturar oportunidades no Reino, presença local é condição sine qua non.Além de alguns investidores, como a GIN Capital.

BRASIL MINERAL - Que resultados o Brasil alcançou com a participação este ano?

CARLO - Entendo que o principal resultado, fruto de uma participação mais qualificada, foi a aproximação concreta com a Arábia Saudita, que planeja investir mais de 30 bilhões de dólares em mineração nos próximos anos.

O grande marco foi a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia do Brasil e o Ministério de Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita. O acordo, válido por cinco anos, prevê cooperação técnica em geologia, exploração, mineração e avaliação mineral, além de intercâmbio de especialistas, programas de treinamento e compartilhamento de tecnologia. Mais importante: o MoU também contempla a possibilidade de investimentos privados de ambos os países em licenças de exploração e mineração, e fala explicitamente em uma “Aliança Brasil-Arábia Saudita para Investimentos em Mineração”.

Ficou evidente, durante o evento, a estratégia saudita para mineração, que está totalmente alinhada com três pilares da Visão 2030: transição energética, defesa e inteligência artificial. Os sauditas não estão interessados em minério pelo minério. Eles querem os minerais críticos que alimentam baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e sistemas de defesa. Terras raras, lítio, cobre, grafita — tudo isso está no radar porque são insumos estratégicos para essas três verticais.

Mas vale lembrar: os sauditas são relacionais. Além de bons projetos, é necessário presença frequente no país e contato constante. Portanto, não acredito que contratos tenham sido fechados nesta semana. Porém, contatos foram firmados e certamente nos próximos meses acontecerão anúncios de coinvestimentos. A porta está aberta.

BRASIL MINERAL -- Além do acordo firmado pelo Ministério de Minas e Energia do Brasil e a contraparte da Arábia Saudita, houve algum outro?

CARLO -- O FMF é tradicionalmente utilizado para a construção e assinatura de vários acordos. Este ano não foi diferente. Ainda não divulgaram o balanço completo de 2026, mas ao longo dos dias foram anunciados diversos MoUs significativos.

No primeiro dia (13 de janeiro), a Arábia Saudita assinou memorandos de cooperação em recursos minerais com três países: Brasil, Canadá e Chile. O acordo com o Canadá foi acompanhado de uma parceria concreta: a Northern Graphite canadense e o grupo saudita Obeikan anunciaram a construção de uma planta de processamento de materiais anódicos para baterias na Arábia Saudita — exemplo perfeito do modelo saudita de “invisto, mas processa aqui”.

A Mesa Ministerial desta edição foi a maior da história, com representantes de mais de 100 países (incluindo todos os membros do G20) e 59 organizações multilaterais. Um resultado institucional importante foi o anúncio do Grupo Ministerial Permanente de Direção, com 19 países em sistema de rodízio, para dar continuidade às iniciativas do FMF. Além disso, o Banco Mundial, através da Vice-Presidente de Infraestrutura, Valerie Levkoff, apresentou sua nova estratégia de minerais para apoiar países fornecedores, com foco nos sete corredores de infraestrutura prioritários.

Para referência: na edição de 2025, o FMF havia facilitado 126 acordos avaliados em 107 bilhões de riais sauditas (aproximadamente US$ 28,5 bilhões).

BRASIL MINERAL - Quais as possibilidades reais de que as empresas brasileiras atraiam investidores para seus empreendimentos a partir da participação no FMF?

CARLO - As possibilidades são reais, mas é preciso entender a lógica saudita. Os sauditas não vão investir simplesmente pensando no retorno financeiro. A Arábia Saudita revisou suas prioridades dentro da Visão 2030. A estratégia para mineração ficou muito clara no FMF: eles buscam minerais críticos que alimentem três setores prioritários — transição energética, defesa e inteligência artificial. Eles continuarão investindo em setores estratégicos, mesmo em outros países, mas desde que parte da cadeia de valor seja no Reino.

Por exemplo: podem investir em minério de ferro desde que haja uma contrapartida do parceiro e a pelotização seja feita na Arábia Saudita. Ou a extração de terras raras pode acontecer no Brasil, mas a separação ou metalização deve ser feita em terras sauditas.

Ou seja, todas as conversas das empresas que foram ao FMF foram promissoras, mas com essas premissas claras. O modelo canadense ilustra bem isso: a Northern Graphite firmou parceria com a Obeikan para processar grafita na Arábia Saudita, não no Canadá.

Além disso, é necessário ter contatos e relacionamento local. A cultura árabe não é transacional, é relacional. E os sauditas são ainda mais assim. Por isso é tão relevante que empresas brasileiras de serviços, como a GeoSol, estejam estabelecendo escritórios no Reino. Quem quer fazer negócio com saudita precisa estar lá, com frequência, construindo confiança.

Empresas que foram ao FMF com projetos sólidos — como a Viridis com o projeto Colossus, a Meteoric com Caldeira, ou mesmo projetos de ouro como os apresentados pelo Ouribank — saíram com portas abertas. Mas fechar negócio requer presença constante, paciência e disposição para adaptar a estrutura do projeto às prioridades estratégicas do Reino.

O Brasil tem o que a Arábia Saudita busca: diversificação, minerais críticos para a transição energética, credenciais ESG naturais, e escala. Somos o segundo maior detentor de reservas de terras raras do mundo, com apenas 23% do subsolo mapeado. O FMF é o palco onde essas vantagens se conectam diretamente ao capital global e às decisões geopolíticas que estão redesenhando as cadeias produtivas mundiais. A GIN Capital levou um portfólio de projetos que foi muito bem recebido por instâncias governamentais sauditas, investidores institucionais e family offices. Saímos de Riade com reuniões já agendadas para dar seguimento às conversas.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/01/2026

 

Os carros preferidos das mulheres no mundo

O Women’s Worldwide Car of the Year (WWCOTY) divulgou os vencedores da edição 2026. O prêmio é o único do setor automotivo global com um júri exclusivamente feminino.

O corpo de jurados é composto por 84 mulheres de 54 países. O Brasil é representado por Isadora Carvalho (“Jornal do Carro”) e Milene Rios (“Programa Autoesporte”).

Veja os vencedores da edição 2026 do WWCOTY:

Compacto: Novo Nissan Leaf
SUV Compacto: Skoda Elroq
Carro Grande: Mercedes-Benz CLA
SUV Grande: Hyundai Ioniq 9
4×4: Toyota 4Runner
Carro Esportivo: Lamborghini Temerario
WWCOTY 2026 também premiou Ford e Renault

As juradas também escolheram os vencedores em duas premiações especiais.

A Renault venceu a categoria Melhor Tecnologia por novidades como as plataformas dedicadas a veículos elétricos e a democratização de tecnologias derivadas da Fórmula 1.

Já a Ford levou o Prêmio Sandy Myhre. Esta categoria reconhece a marca com maior nível de comprometimento com o público feminino.

A marca promove programas de lideranças femininas e mantém políticas de equidade de gênero em diversos mercados onde atua.

Prêmio com júri feminino teve participação de 55 modelos

Um total de 55 modelos participaram da 15ª edição do WWCOTY.

Todos os veículos elegíveis foram lançados em, pelo menos, dois continentes ou 40 países entre janeiro e dezembro de 2025.

O WWCOTY foi criado pela jornalista neo-zelandesa Sandy Myhre. Até hoje, o prêmio é o único com um júri totalmente feminino.

 
Fonte: Automotive Business
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 19/01/2026

 

Por que França e outros países europeus são contra acordo entre Mercosul e União Europeia?

Cerca de 700 milhões de pessoas unidas em uma única zona comercial. Essa é a proposta do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

O acordo multilateral entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia e os 27 Estados do bloco comercial europeu contrasta com a política de tarifas, nacionalismo e acordos bilaterais adotada pelos Estados Unidos desde a chegada de Donald Trump à Presidência.

No entanto, nem todos os países estão satisfeitos. A França lidera, ao lado da Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda, o grupo que se opõe de forma contundente ao acordo.

Com o acordo, seriam eliminadas ao longo dos próximos 15 anos tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, incluindo carnes, frutas, grãos e café, alimentos importantes ao agronegócio brasileiro.

Alguns produtos, porém, enfrentarão as chamadas "cotas tarifárias". As carnes bovinas, por exemplo, terão uma cota de 99 mil toneladas por ano — ou seja, pelo tratado, o Mercosul poderá exportar essa quantidade limite com as tarifas reduzidas.

Para muitos agricultores europeus, o acordo representa a abertura do mercado para uma concorrência desleal, já que esses produtos sul-americanos tendem a ser mais baratos em razão de custos trabalhistas e ambientais mais baixos.

Nesta semana, agricultores franceses voltaram a ocupar as ruas em protesto contra o acordo. Cerca de 350 tratores invadiram a icônica avenida Champs-Élysées, em Paris (capital francesa), e acamparam nas proximidades do edifício do Parlamento.

Os protestos refletem um profundo mal-estar no setor agrícola francês, e a assinatura prevista do acordo entre a União Europeia e o Mercosul é vista como a gota d'água.

Os tratores de agricultores irlandeses também se fizeram ouvir nas últimas semanas. Dezenas ocuparam em massa as estradas de Athlone (Irlanda), no centro do país, exibindo faixas com slogans como "Pare UE-Mercosul" e a bandeira da União Europeia com a palavra "vendidos".

O mesmo ocorreu na Polônia, Hungria e Áustria: estradas bloqueadas, agricultores indignados e tratores nas capitais cobrando de seus parlamentares que reconsiderem um tratado negociado há 25 anos.

As manifestações em toda a Europa acontecem poucos dias antes de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajar ao Paraguai para a assinatura oficial e levar o documento ao Parlamento Europeu, que precisa dar a aprovação final a um acordo destinado a impulsionar de forma significativa os laços comerciais entre os signatários.

Concorrência 'desleal'

O temor generalizado em alguns países europeus é o de perda de renda em um setor submetido a normas de produção consideradas muito mais rigorosas do que as sul-americanas, o que implica custos mais elevados.

Especialistas concordam que as diferenças nas regras sanitárias e de bem-estar animal entre o bloco do Mercosul e o europeu são significativas. Na União Europeia, há normas rígidas sobre rastreabilidade, uso de pesticidas, hormônios e bem-estar animal.

Há receio de que produtos importados não cumpram padrões equivalentes, mas ainda assim concorram em preço, um ponto que gera rejeição tanto entre produtores quanto entre consumidores.

"Muitos agricultores franceses já estão sofrendo com as medidas sanitárias adotadas pelas autoridades para controlar a crise da dermatose nodular no rebanho", afirma Benjamin Melman, CIO da Edmond de Rothschild AM, de Paris.

Em 2019, quando o acordo parecia concluído, preocupações ambientais se tornaram um grande ponto de atrito, impedindo o avanço das negociações desde então.

Segundo diversos estudos de simulação, é provável que o acordo comercial União Europeia-Mercosul beneficie a França de forma geral, mas com efeitos distribuídos de forma desigual.

"Os vencedores estariam na indústria e nos serviços, enquanto os custos do ajuste recairiam sobre setores da agricultura, especialmente carne bovina, aves, açúcar e etanol, nos quais as importações de concorrentes do Mercosul poderiam ser significativas", explica Germán Ríos, professor de economia e diretor do Observatório da América Latina da IE University (Espanha) à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Esses setores agrícolas são altamente organizados e exercem influência política na França, o que ajuda a explicar a intensidade da oposição interna ao acordo.

Para o professor Ríos, há dois riscos claros para os agricultores. O primeiro é a possibilidade de gerar perdas localizadas, que poderia levar ao fechamento de propriedades rurais e à perda de empregos nas regiões afetadas.

O segundo risco é de natureza fiscal para o país como um todo. "Se os subsídios de compensação e ajuste forem elevados, podem ampliar o déficit e a dívida pública, o que pode exigir cortes de gastos em outras áreas ou impostos mais altos ao longo do tempo", afirma.

"O impacto desigual do acordo divide os Estados membros. Uma coalizão de apoio é liderada pela Alemanha, que vê no Mercosul um mercado de exportação lucrativo, especialmente para seu setor automotivo, que atravessa uma crise", afirma Max Maton, economista da Oxford Economics (Reino Unido).

Em concordância com Maton, François Rimeu, estrategista sênior da Crédit Mutuel AM (França), observa que, "embora o acordo seja muito positivo para certas indústrias europeias, como o setor automotivo, terá efeito mais negativo em outras, como a agricultura".

Por isso, explica Rimeu, é fácil entender por que a Alemanha apoia firmemente o acordo, enquanto a França se mostra muito menos entusiasta.

Do ponto de vista político, a França enfrenta uma situação delicada, já que o governo não possui maioria no Poder Legislativo.

Política interna e geopolítica

"As eleições se aproximam. O descontentamento é grande e os políticos parecem dispostos a explorar a situação. Portanto, embora o impacto do acordo com o Mercosul na economia francesa possa ser, em geral, misto, compreendemos que o governo queira garantir que não haja uma onda de protestos por parte daqueles que saem perdendo no setor agrícola", explica Melman, da Edmond de Rothschild AM.

Em países como a Polônia e a Irlanda, o setor agropecuário também tem peso eleitoral, de modo que aceitar o acordo pode implicar custos políticos internos.

Uma vez plenamente implementado, o acordo significará que os exportadores da União Europeia economizarão cerca de US$ 4,6 bilhões (aproximadamente R$ 24,7 bilhões) por ano em tarifas, principalmente em produtos químicos e farmacêuticos, máquinas industriais em geral e automóveis.

Mas, para muitos analistas, o acordo do Mercosul é mais estratégico do que macroeconômico e ajudaria a reduzir a influência chinesa na região.

"As implicações econômicas e os benefícios para empresas de capital aberto são modestos, mas o acordo comercial fortalece a posição geopolítica da União Europeia na América do Sul", avalia Nenad Dinic, do Equity Strategy Research da Julius Baer (Suíça).

Maton, da Oxford Economics, concorda com este ponto: "O impacto econômico total do acordo será modesto se for aprovado definitivamente. No entanto, politicamente, ele reflete um compromisso com o multilateralismo e o livre comércio, que parece estar em declínio diante das crescentes tensões geopolíticas, da transição para acordos bilaterais e da chegada de Trump [presidente dos Estados Unidos, que assumiu o cargo em 2025]."

Minerais críticos

"Estrategicamente, o Mercosul ajudaria a União Europeia a se diversificar além da China como fonte de minerais críticos, vitais para a transição verde e para as cadeias de suprimentos relacionadas à defesa", acrescenta Maton.

O acordo permitiria à União Europeia acesso muito melhor aos abundantes minerais críticos dos países do Mercosul, por meio da eliminação de impostos sobre exportações.

Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia concentram uma parte considerável dos recursos mundiais de lítio, grafite e níquel.

Em um momento em que o protecionismo comercial parece estar em alta, cinco países da América do Sul optaram por estreitar seus laços com a Europa e aceitar que, em algumas indústrias, haverá vencedores e, em outras, perdedores. E isso é algo que dificilmente se pode evitar.

Impactos do acordo para o Brasil

O acordo prevê a redução de tarifas de importação, que pode ser imediata ou gradual (em até 15 anos), a depender dos setores. Essa liberação vai atingir 91% dos bens que o Brasil importa da União Europeia e, do outro lado, 95% dos bens que o bloco europeu importa do Brasil.

Caso entre em vigor, o acordo vai alavancar alguns setores brasileiros (principalmente o agronegócio) e pode prejudicar outros, mas governo e economistas têm uma visão otimista sobre o saldo desse impacto para o crescimento do país.

Além disso, pode beneficiar o consumidor, com o potencial barateamento de produtos importados, como azeites, queijos, vinhos e frutas de clima temperado (frutas secas, peras, maçãs, pêssegos, cerejas e kiwis) — esse impacto, porém, vai ser gradual e pode ser compensando por outros fatores que afetam os preços dos produtos, como a taxa de câmbio, ressalta o economista Felippe Serigatti, pesquisador da FGV Agro.

Fernando Ribeiro, coordenador de estudos de comércio internacional do Ipea, ressalta que o principal impacto nos preços do consumidor será indireto, ao deixar a produção brasileira mais barata, devido à importação de máquinas e insumos a preços menores.

"E quando a gente vê os produtos cuja importação mais cresce [nas simulações sobre o impacto do acordo], são exatamente máquinas, equipamentos elétricos e outros itens usados como insumos para produção industrial", reforça Ribeiro.

Segundo estudo do Ipea divulgado em 2024, haverá crescimento importante da importação de produtos europeus no Brasil, mas a projeção é que a maior parte vai substituir artigos que importamos de outras regiões do mundo, como China.

Com isso, a instituição projeta que o impacto geral do acordo para a balança comercial brasileira ficaria próximo do zero a zero, ao considerar os efeitos acumulados entre 2024 e 2040.

 
Fonte: BBC
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 16/01/2026