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Indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais, diz André Gerdau

"Os desafios do setor do aço no Brasil estão relacionados ao aumento das importações. Existe uma demanda doméstica importante, mas a importação cresceu demais, praticamente quase triplicou nos últimos anos e isso tirou uma parte importante do mercado doméstico dos produtores nacionais. O grande desafio tem sido a defesa comercial porque muito desse aço que tem entrado no País é aço que vem da China". A análise é do presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter. "O aço vem da Ásia a preço abaixo de custo, dumping e práticas desleais. A indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais", destaca. Nesta quinta-feira (3), Johannpeter participou da primeira reunião-almoço de 2026 da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS).

O executivo da Gerdau abordou o tema "Aço Brasil - desafios do setor". De acordo com ele, é difícil concorrer com os chineses porque os subsídios do governo de Pequim possibilitam que as usinas chinesas reduzam seus preços abaixo do custo de produção. Gerdau destaca que o impacto das importações chinesas no Brasil resultou na perda de 5.100 empregos e investimentos de R$ 2,5 bilhões. 

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, a indústria do aço tem tido um bom diálogo com o governo federal, através do Ministério da Indústria e Comércio e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias, especialmente o aço chinês, que satura o mercado nacional com preços desleais devido ao excesso de capacidade produtiva na Ásia. "É necessário diante desse cenário a adoção urgente de mecanismos de defesa comercial e tarifas protetivas para garantir a sobrevivência dos produtores locais", ressalta. De acordo com Gerdau, as importações diretas atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, 160% acima da média histórica, tomando 27% das vendas internas. "As importações de aço contido em bens atingiram 6,1 milhões, totalizando 11,8 milhões de toneladas que ingressaram no País em 2025", acrescenta.

Para Gerdau, a sustentabilidade da indústria do aço e da cadeia metalmecânica requer continuidade da aplicação de medidas de defesa comercial mais eficazes e políticas de conteúdo local. "A redução do Custo Brasil é fator essencial para a recuperação da competitividade sistêmica da indústria e a retomada do crescimento econômico do Brasil", ressalta.

Gerdau destaca que a China é o maior produtor e consumidor de aço no mundo, mas o consumo diminuiu no país asiático. "O governo de Pequim para não parar suas máquinas e para não causar desemprego exporta muito aço para o restante do mundo", comenta. 

O presidente em exercício da AARS, Sergio Neumann, disse que o Brasil importou mais aço no ano passado - 64% da China e segue a tendência de crescimento. "Esse movimento ameaça a produção nacional e corremos o risco de redução de investimentos e corte de empregos se nada for feito no curto e médio prazo", acrescenta. Segundo Neumann, a importação do aço está entre as maiores preocupações da indústria brasileira. "O aço chinês entrando no Brasil  com tarifas reduzidas e subsidiado pelo governo de Pequim bate de frente com o produzido no Brasil", lamenta. 

A Gerdau no Brasil conta com 24 mil funcionários e 13 plantas industriais no Ceará, em Minas Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. São 73 filiais de distribuição de aço, 11 centros de reciclagem, oito hubs e quatro Centros de Serviço. A empresa atua nos  mercados da construção (civil, metálica, fundações e contenções), indústria (energia, agricultura) e distribuição. No Rio Grande do Sul, são 3.900 funcionários e duas plantas de produção de aço (Charqueadas e Sapucaia do Sul). A empresa possui uma unidade de corte e dobra e seis unidades da Comercial Gerdau. A Gerdau é líder na reciclagem de sucata ferrosa no Rio Grande do Sul.

 
Fonte: Jornal do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 06/03/2026

Indústria brasileira se prepara para impactos econômicos da crise no Oriente Médio

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, passou a preocupar setores produtivos no Brasil, que já avaliam possíveis impactos sobre cadeias industriais, custos logísticos e preços de insumos estratégicos. A instabilidade internacional ocorre em um momento em que cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta, tornando qualquer interrupção na região um potencial fator de choque econômico global.

No Brasil, economistas e representantes da indústria alertam que o primeiro efeito tende a aparecer no preço da energia e no custo do transporte internacional. Esses fatores se propagam rapidamente pelas cadeias produtivas, pressionando a inflação de custos e reduzindo margens de empresas em diversos segmentos industriais.

No Rio Grande do Sul, especialistas apontam que pelo menos cinco setores da economia podem sentir os efeitos do conflito de forma mais imediata. Entre eles estão o agronegócio, a indústria de máquinas agrícolas, o setor coureiro-calçadista, o vestuário e o polo petroquímico. Todos possuem algum grau de dependência de energia, combustíveis ou insumos derivados do petróleo.

De acordo com análises econômicas regionais, uma eventual restrição no fluxo global de petróleo teria impacto direto sobre os preços de combustíveis e fertilizantes, elevando os custos de produção agrícola. Produtos como soja e milho, pilares do agronegócio brasileiro, dependem fortemente de fertilizantes nitrogenados cuja fabricação utiliza gás natural como insumo básico. O aumento desses custos poderia repercutir também na produção de proteínas animais, já que os grãos são base da ração utilizada nas cadeias de carne, leite e ovos.

Outro ponto sensível para o agronegócio é o transporte da produção até os portos. A elevação do preço do diesel encarece o frete rodoviário, pressionando os custos logísticos e reduzindo a competitividade das exportações.

A indústria de máquinas e implementos agrícolas também pode enfrentar impactos indiretos. Em cenários de conflito internacional, a demanda por aço tende a crescer em função da produção militar e da recomposição de estoques estratégicos. Isso pode elevar o preço do insumo e reduzir a disponibilidade para a indústria metalmecânica. Ao mesmo tempo, produtores rurais com margens pressionadas podem adiar investimentos em novos equipamentos, desacelerando o ritmo de vendas do setor.

Outro segmento relevante no Rio Grande do Sul é o coureiro-calçadista, fortemente voltado à exportação. A indústria pode ser afetada pela elevação dos custos logísticos internacionais, pelo encarecimento de insumos derivados do petróleo — como componentes sintéticos e químicos utilizados na produção — e por uma possível retração do consumo global em cenários de incerteza econômica.

O setor de vestuário enfrenta dinâmica semelhante, porém com maior dependência do mercado interno. Em um ambiente de inflação de custos, provocado principalmente pela alta de combustíveis e alimentos, os consumidores tendem a priorizar gastos essenciais, reduzindo a demanda por itens considerados não essenciais, como roupas e acessórios. Esse movimento pode resultar em aumento de estoques no varejo e ajustes na produção das confecções.

Já o polo petroquímico aparece entre os setores mais diretamente expostos às oscilações do petróleo. Como a matéria-prima é base para uma ampla gama de produtos industriais, a volatilidade no preço do barril e eventuais interrupções nas rotas comerciais internacionais podem pressionar custos em cadeias produtivas ligadas a resinas plásticas, embalagens e insumos industriais.

Especialistas classificam esse cenário como um caso típico de inflação de custos, em que a alta de preços decorre da redução da oferta ou do encarecimento dos insumos produtivos — e não de um aumento da demanda. Nesses casos, políticas monetárias tradicionais, como a elevação das taxas de juros, tendem a ter eficácia limitada para conter a origem do problema.

Diante desse contexto global mais incerto, lideranças industriais também começam a discutir estratégias para reduzir a dependência externa de insumos estratégicos. Em Minas Gerais, por exemplo, representantes da indústria defendem um fortalecimento da produção local como forma de aumentar a resiliência das cadeias produtivas.

Segundo dirigentes industriais do estado, o agravamento das tensões internacionais pode marcar o início de uma nova fase nas relações comerciais globais, com maior valorização da produção doméstica e reorganização das cadeias de suprimento. Esse movimento já havia sido observado durante a pandemia de Covid-19, quando diversas indústrias perceberam os riscos de depender excessivamente de fornecedores estrangeiros.

A experiência do setor de petróleo no Brasil é frequentemente citada como exemplo dessa estratégia. O desenvolvimento da indústria petrolífera nacional nas últimas décadas reduziu significativamente a dependência externa do país em relação ao combustível, diminuindo a vulnerabilidade da economia a crises internacionais de energia.

Entretanto, muitos segmentos industriais ainda dependem de insumos importados que, em caso de interrupção no comércio global, podem provocar paralisações produtivas. Por esse motivo, representantes da indústria defendem o mapeamento das cadeias mais vulneráveis e a criação de políticas que incentivem a produção local desses insumos estratégicos.

Além das preocupações com a geopolítica, eventos climáticos extremos também reforçam a necessidade de resiliência industrial. Em Minas Gerais, por exemplo, fortes chuvas recentes provocaram impactos em polos produtivos importantes, como o moveleiro de Ubá e o metal-automotivo de Juiz de Fora, exigindo ações emergenciais de financiamento e recuperação de infraestrutura para permitir a retomada das atividades.

A combinação de riscos geopolíticos, pressões logísticas e eventos climáticos extremos indica que o ambiente econômico global tende a permanecer mais instável nos próximos anos. Nesse cenário, especialistas apontam que a capacidade de adaptação das cadeias produtivas — com maior diversificação de fornecedores, fortalecimento da indústria local e investimentos em tecnologia — será decisiva para garantir a competitividade da indústria brasileira.

Para os estados com forte presença industrial, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, a crise internacional pode representar ao mesmo tempo um desafio e uma oportunidade. Enquanto o aumento de custos e a volatilidade dos mercados exigem cautela no curto prazo, o novo contexto global também abre espaço para estratégias de reindustrialização, fortalecimento das cadeias produtivas internas e redução da dependência externa de insumos estratégicos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 05/03/2026

 

Brasil apresenta R$ 28,5 bilhões em projetos minerais para investidores

O setor mineral brasileiro apresentou a investidores internacionais uma carteira bilionária de projetos de minerais críticos. As iniciativas buscam capital para sair do papel e avançar rumo à operação comercial ou ao desenvolvimento de novas etapas da cadeia produtiva.

Trata-se de um documento técnico robusto, que reúne oportunidades em diferentes estágios de maturação: seja da fase de pesquisa e exploração mineral, marcada por maior risco e potencial de descoberta; até o processamento e beneficiamento, etapas mais complexas da cadeia produtiva e diretamente ligada à estratégia do governo de agregar valor aos minerais no Brasil.

Somados, os 35 projetos representam um investimento potencial estimado em US$ 5,5 bilhões, cerca de R$ 28,5 bilhões na cotação atual.

O catálogo detalha:

O estágio de cada projeto;
O andamento do licenciamento ambiental;
A vida útil estimada da mina;
A produção anual prevista;
Os responsáveis técnicos;
O número de telefone dos representantes das empresas.
A ideia é entregar ao investidor estrangeiro um raio-X claro das oportunidades no Brasil.

Elaborado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), em parceria com a Adimb (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro) e o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), o material segue o padrão adotado em grandes encontros globais do setor e está sendo apresentado nesta semana durante o PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), considerado o maior evento de mineração do mundo.

Conhecido no setor como a “Disney da mineração”, o encontro ocorre em um momento considerado oportuno para o Brasil, marcado pela alta demanda por minerais críticos e pela reorganização das cadeias globais desses insumos.

Em entrevista ao CNN Money, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, afirmou que os projetos estão sendo apresentados tanto durante o evento quanto em reuniões com representantes das bolsas de Toronto.

As bolsas de Toronto concentram cerca de 40% das empresas de mineração listadas no mundo e são referência para companhias juniores em estágio inicial de projetos.

“Há um olhar muito forte para atração de investimentos em empresas juniores de mineração no Brasil, tanto em projetos de exploração quanto de beneficiamento mineral, em linha com nossas prioridades em minerais críticos e com a estratégia de gerar valor no país”, afirmou.

Apesar de o catálogo reunir 35 projetos, oito foram escolhidos como “vitrines” da delegação brasileira no chamado Brazilian Mining Day, principal agenda do Brasil dentro do PDAC.

O seminário reúne autoridades, executivos e investidores para discutir governança regulatória, licenciamento ambiental, minerais críticos, metais preciosos e conhecimento geológico.

Entre os destaques está o Projeto Araxá, da australiana St. George Mining, considerado inovador pela estratégia de minerar nióbio e terras raras.

No ano passado, representantes da companhia se reuniram com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento.

A empresa também negocia com a norte-americana REalloys um contrato de offtake (compra futura) de longo prazo que pode envolver até 40% da produção de terras raras do projeto.

Apesar do diálogo com autoridades norte-americanas, a St. George tem sinalizado disposição para negociar com diferentes mercados.

Em 2025, a empresa anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG, em Araxá, incluindo uma planta-piloto dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

Lítio e grafite, insumos estratégicos para defesa, baterias e alta tecnologia, também figuram entre os protagonistas da apresentação brasileira no evento.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/03/2026

 

Confira 8 dicas do INPI para registro de marcas e patentes

Registrar marcas e patentes da empresa tem inúmeras vantagens: identifica o negócio, garante a propriedade e o uso exclusivo da marca e de tecnologias, dá visibilidade, acesso a mercados e diferencial competitivo ao produto ou serviço. Contudo, os pedidos exigem atenção.

Nesta quinta-feira (26), em Belo Horizonte (MG), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) realizaram uma formação em marcas, patentes e uso estratégico da propriedade industrial. O treinamento integrou a programação do encontro regional Sudeste da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizada pela CNI e pelo Sebrae com apoio das federações estaduais.

“Você pode explorar a marca sem o registro no INPI, mas corre o risco de ser copiado, de infringir marca de terceiros e receber notificação, incluindo suspensão de venda dos produtos ou serviço”, alertou Rafaela Di Sabato Guerrante, pesquisadora em Propriedade Intelectual e instrutora do INPI para registro de marcas. Ela lembrou dos valores e do tempo médio para registro de marca.

Quanto custa para registrar a minha marca?

O valor do pedido varia:

Pessoa física, MEI, ME, EPP, instituição de ensino e pesquisa, órgãos públicos e cooperativas: R$ 440 (10 anos)
Pessoa jurídica: R$ 880 (10 anos)
Hoje, o prazo médio para concessão do registro de marca é de 18 meses.

Como funcionam os depósitos de patentes?

Já as patentes impedem terceiros de produzir, usar, colocar à venda ou importar uma tecnologia com esses propósitos. São dois tipos de patentes: invenção e modelo de utilidade - quando existe melhoria funcional ou do processo de fabricação.

“A patente garante que só você vai explorar comercialmente aquela tecnologia. Uma patente de invenção vigora por 20 anos e a de modelo de utilidade 15 anos, contando a partir da data de depósito, ou seja, de quando você protocolou o pedido no INPI”, explicou o pesquisador e instrutor de patentes do INPI Rodrigo Pereira.

Os valores para depósito de patentes variam de acordo com o serviço e podem ser consultados neste documento. Mas, para ter uma ideia, o pedido nacional varia de R$ 260 a R$ 130 (código 200), enquanto a anuidade de patente do 3º ao 6º ano vai de R$ 1.000 a R$ 500 (código 222).

Confira as dicas do INPI sobre os pedidos de registro de marcas e de patentes

Para marcas

1. Prazos e taxas

É importante acompanhar o processo no INPI para não perder os prazos. O registro da marca vale por 10 anos. Depois desse período, pode prorrogar indefinidamente, desde que sejam pagas as taxas.

2. Território

Se você registra a marca no INPI, ela está protegida somente no Brasil. Se você pensa em internacionalizar, precisa ter a preocupação de registrar fora do país.

> Existe a exceção para marcas notoriamente conhecidas (art. 126 da Lei de Propriedade Industrial, a LPI).

3. Classe

O registro da marca vale para atividades específicas, segundo a Classificação de NICE, dividida em 45 classes (34 classes de produto e 11 classes de serviço). Mas fica o alerta: a classe é bastante ampla e abrange mais de um setor. 

> A exceção é para marcas de alto renome (art. 125 da LPI), cujo registro requer investimento e esforço muito maior, por isso, ela normalmente é concedida a grandes empresas.

4. O que não registrar

Não imite e evite descrever o produto ou serviço na marca. Além disso, o artigo 124 da LPI traz o que não é registrável, como brasão, armas, bandeira, monumentos; letras, algarismos e datas isoladamente; cores, obras literárias, artísticas ou científicas; entre outros.

5. Cuidado com a IA

A tecnologia tem facilitado a criação de marcas e logos, mas ela não faz pesquisa de mercado nem acessa o banco de marcas do INPI para comparar com outras já existentes. Então, siga as dicas anteriores e utilize a IA com sabedoria. 

> A boa notícia é que a instituição está desenvolvendo, em parceria com a UFGO e o Sebrae, um sistema inteligente em que o usuário vai preencher um formulário para receber pesquisa prévia, proibições legais e sugestão de classificação NICE.

Para patentes

6. Requisitos de patenteabilidade

A tecnologia que será patenteada tem que ser uma novidade, resultado de uma atividade inventiva (não pode ser uma solução óbvia) e de aplicação industrial.

7. Abrangência e prazos

Assim como a marca, a patente tem validade somente dentro dos limites territoriais do país que a concede. Se existe a vontade de registrar lá fora, o depositante tem, a partir do pedido no Brasil, até 12 meses para fazer um depósito internacional. Diferentemente de marca, não há prorrogação por prazo indefinido. Expirada a patente, depois de 15 ou 20 anos, a matéria torna-se de domínio público.

8. Códigos de despacho

Acompanhe o processo pelos códigos de despacho publicados na Revista da Propriedade Industrial (RPI). O INPI publica, semanalmente às terças-feiras, todas as suas decisões para os pedidos de patentes. Exemplos: Cód. 2.10 Requerimento de pedido; Cód. 6.1 Exigência técnica; Cód. 9.1 Deferimento; Cód. 9.2 Indeferimento; Cód. 16.1 Concessão.


- Ficou alguma dúvida? Procure o INPI

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 03/03/2026

 

Tarifaço ou proteção? Brasil reforça defesa comercial e sobretaxa mil produtos importados; confira

Não foi apenas o antidumping para proteger a indústria siderúrgica nacional do aço chinês. O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, no início de fevereiro, um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário para fortalecer a competitividade da indústria brasileira. Pelo menos mil itens passam a ter alíquota maior de importação ou algum tipo de taxa extra para entrar no Brasil. Os exemplos são variados e incluem smartphones, aparelhos de raio-X, tratores e roteadores.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou nesta quarta-feira (25) o aumento do Imposto de Importação sobre mais de mil produtos. Segundo ele, a medida tem caráter regulatório e busca 'proteger a produção nacional'. De acordo com Haddad, mais de 90% dos itens afetados são fabricados no Brasil, o que diminuiria o impacto sobre o consumidor.

“Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, afirmou o ministro após retornar de viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O reajuste, já decidido pelo governo, pode elevar as tarifas, na média, em 7 pontos percentuais, atingindo setores que dependem de compras internacionais. Parte dos novos percentuais já entrou em vigor; o restante passa a valer a partir de março.

Haddad ressaltou que a própria norma permite revisões pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), inclusive com a possibilidade de redução ou zeragem da tarifa, caso necessário. No entanto, a medida poderá reforçar o caixa federal em R$ 14 bilhões por ano, ajudando o governo a cumprir a meta fiscal de 2026: superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com tolerância para resultado zero e superávit de R$ 68,6 bilhões.

Além de smartphones, a alta do imposto alcança máquinas e equipamentos como caldeiras, geradores, turbinas, fornos industriais, robôs industriais, empilhadeiras, tratores, plataformas de perfuração, navios, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e equipamentos laboratoriais. Atinge ainda antenas para estações-base de telefonia celular, enxofre insolúvel (usado na fabricação de borrachas), silício metálico, locomotivas a diesel, sistemas inteligentes de armazenamento de dados, roteadores, baterias de íons e elevadores.

Divergência de opiniões

O aumento das tarifas dividiu opiniões das entidades que representam os setores atingidos, na óbvia dialética de que quem se beneficiou foi favorável e quem não, criticou — utilizando até a nomenclatura pejorativa de “tarifaço brasileiro”.

A Associação Brasileira dos Importadores (Abimp) avaliou que a elevação do Imposto de Importação sobre mais de 1.200 produtos, embora apresentada como instrumento de fortalecimento da indústria nacional, possui natureza predominantemente extrafiscal e produz efeitos imediatos sobre preços, custos e fluxo de caixa da economia, sem garantir, por si só, a ampliação da capacidade produtiva doméstica.

“A majoração recente, como no caso dos smartphones, cuja alíquota passou de 16% para 20% em fevereiro de 2026, tende a impactar diretamente o preço final e o planejamento das empresas”, informou Michel Platini, presidente da Abimp.

Técnicos do Ministério da Fazenda informaram à reportagem de O TEMPO que a tributação atinge apenas 5% dos smartphones consumidos no Brasil, que são oriundos de importação, uma vez que, segundo a Pasta, 95% dos aparelhos que abastecem o mercado são produzidos no Brasil, como na Zona Franca de Manaus, com tratamento tributário diferenciado.

“Os dados sobre vendas no Brasil são da indústria eletroeletrônica e refletem políticas públicas associadas ao setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), especialmente o modelo de produção incentivado pela Lei de Informática e pela Zona Franca de Manaus (ZFM)”, disseram os técnicos. Eles reiteraram que o realinhamento tarifário visa proteger a produção nacional e ampliar a capacidade produtiva no país. A decisão do Gecex também garante imposto zero para todo componente usado pela indústria que não seja produzido no país, ou seja, que não tenha similar nacional.

A Abimp reforça que, na prática, a medida altera a dinâmica de abastecimento, com repasse de custos ao longo das cadeias e encarecimento para o setor produtivo e para o consumidor, sobretudo em segmentos em que não há oferta nacional suficiente para substituição no curto prazo. “Parte relevante dos itens atingidos é composta por bens intermediários, componentes, máquinas e equipamentos, o que eleva o custo de produção, reduz margens e compromete a competitividade da indústria brasileira, inclusive no mercado externo”, informou a entidade.

Defesa da indústria local

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) defende a Resolução 852 do Gecex. Segundo a entidade, a medida estimula a produção instalada no país, fator positivo diante das oportunidades geradas por políticas como a de data centers e inteligência artificial.

“A medida está alinhada às diretrizes do Nova Indústria Brasil (NIB). Esse incentivo para a indústria local aumenta a geração de empregos, movimenta toda a cadeia brasileira tecnológica de suprimentos e, na ponta, impulsiona a área de pesquisa e desenvolvimento no país. Para produtos e insumos que não tenham produção nacional equivalente, há a possibilidade de utilização do Ex-tarifário, regime que permite reduzir a alíquota do imposto de importação para 0% sobre bens de capital, informática e telecomunicações”, informou a Abinee em nota.

Dentro dos quase 1.200 produtos sobretaxados, há minerais, químicos e insumos industriais. A Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) intitulou a nota enviada à redação como: “O Brasil também tem seu 'tarifaço'”. Nela, criticam a elevação de tarifas para Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT).

A nota descreve: “No dia 4 de fevereiro de 2026, uma manobra regulatória agitou o cenário econômico brasileiro: a Resolução Gecex nº 852. Publicada no Diário Oficial da União em 5 de fevereiro de 2026, esta medida promoveu uma alteração substancial no Anexo VI da Resolução Gecex nº 272, supostamente para adaptar a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e a Tarifa Externa Comum (TEC) às modificações do Sistema Harmonizado (SH-2022). No entanto, o cerne da discussão e a preocupação central residem no drástico realinhamento das alíquotas do Imposto de Importação para Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT)”.

E diz ainda: “Para agravar a situação, alguns NCMs de Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) considerados 'estratégicos' para a 'Nova Indústria Brasil' tiveram elevações ainda mais agressivas, podendo atingir até 25%. [...] Esta vasta lista sublinha a abrangência do 'tarifaço' e seu impacto indiscriminado em diversos setores industriais e tecnológicos”.

“Nossa preocupação primordial reside no encarecimento do investimento, e o setor de mineração é um dos principais afetados. A grande questão é: o Brasil realmente busca produzir os Minerais Críticos e participar ativamente de uma transição energética global, ou estamos apenas 'surfando na onda' enquanto o governo impõe tarifas que representam um obstáculo intransponível para o setor?”, questiona Luiz Maurício Azevedo, presidente do Conselho Deliberativo da ABPM.

A Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc) informou que a medida cria um choque imediato de custos para a indústria que projeta, fabrica e exporta tecnologia no Brasil. “A resolução, como já entrou em validade em fevereiro, impacta inclusive operações em andamento, como cargas em trânsito e contratos firmados sob uma estrutura tributária anterior”, disse a entidade.

Antidumping do aço elogiado

Entre as medidas de proteção anunciadas em fevereiro, destaca-se a já mencionada aplicação de direito antidumping (sobretaxa sobre produto cujo preço interno praticado é menor do que o exportado, graças a subsídios de governos) definitivo, com vigência de cinco anos, às importações de alguns aços provenientes da China.

Ainda no setor siderúrgico, foi aprovada a elevação tarifária para mais nove NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) do aço, por doze meses. As tarifas de importação desses produtos passaram para 25%. Esse era um pleito antigo do setor siderúrgico nacional, e as medidas antidumping foram muito elogiadas por executivos do setor. 

Camex também zerou tarifa de importação para mais de mil produtos

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou no dia 12 de fevereiro a redução a zero do Imposto de Importação para mais de mil produtos.  Ao todo, foram concedidos 1.059 ex-tarifários, mecanismo que reduz temporariamente a alíquota de importação quando não há produção nacional equivalente. Desse total, 421 são para bens de capital e de informática e 638 para autopeças.

Segundo o colegiado, a medida busca ampliar investimentos e reduzir custos para a indústria ao permitir a importação de máquinas, equipamentos e componentes sem similar fabricado no país.

Além dos ex-tarifários, o Gecex zerou a alíquota de importação para 20 insumos utilizados pelos setores industrial e agropecuário, bem como para dois produtos finais. As isenções abrangem itens ligados às áreas de saúde, energia, eletrodoméstico

Três perguntas para Jackson Campos, especialista em comércio exterior:

O Brasil aumentou o imposto de importação de cerca de mil produtos. É um tarifaço?

Resposta: Dá para chamar de “tarifaço” no sentido coloquial, porque é um aumento amplo e relevante do Imposto de Importação para uma lista grande de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul). Mas é diferente do “tarifaço” americano, porque aqui é uma decisão de política tarifária dentro do arcabouço da TEC (Tarifa Externa Comum), com alíquotas e cronograma definidos por resolução, e convivendo com medidas na direção oposta, como ex-tarifários e reduções pontuais para itens sem similar nacional.

Na sua análise, é necessário? Pega smartphones, químicos, bens de capital. Isso pode afetar a inflação no Brasil? 

Resposta: A necessidade depende do objetivo. Se a intenção é proteger a produção local, estimular a nacionalização e ganhar margem de política industrial, a medida faz sentido para itens com oferta doméstica e cadeias estratégicas. O risco é encarecer o investimento e a produtividade, porque muitos desses itens são insumos e máquinas para produzir. Quanto à inflação, pode haver repasse mais rápido em bens de consumo, como smartphones, mas no caso de bens de capital e equipamentos, o efeito tende a ser indireto e acaba sendo diluído no produto; o consumidor não costuma sentir.

Uma coisa é antidumping, como no caso do aço chinês. Mas essas altas de impostos não são nessa linha; é outro tipo de defesa comercial, correto? 

Resposta: Sim, é outra coisa. Antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas são defesa comercial clássica, com investigação, comprovação de dano e aplicação direcionada por produto e origem. Já o aumento do Imposto de Importação é política tarifária geral, aplicada por NCM dentro da TEC, sem precisar provar dumping e sem necessariamente mirar um país específico; funciona como proteção via tarifa, mas não é uma medida antidumping.

Confira alguns produtos importados que foram sobretaxados: 

Enxofre insolúvel: 12,6% para 20%; 
Copolímero de Estireno-Butadieno em Bloco (SBC): 10,8% para 25%;
Fios de aço revestidos de bronze ou latão: 12,6% para 25%;
Tecido de Ráfia de Polipropileno (PP): 26% para 35%;
Enxofre insolúvel:  12,6% para 20%;
Silício metálico: De 0% para 10%;
Locomotiva diesel e elétrica: 12,6% para 30%;
Aparelhos de raios X, para uso odontológico – De tomadas maxilares panorâmicas:  0% para 12,6%;
Servidores apresentados sob a forma de sistemas: 16% para 25%;
Sistema Inteligente de Armazenamento de Dados: 10,8% para 14%;
Aparelhos para comutação de pacotes de dados (switches): 16% para 25%;
Roteadores com capacidade de conexão sem fio:  16% para 25%;
Roteadores digitais: 10,8% para 25%;
Baterias de íons de lítio ferro fosfato (LFP) para uso em aplicações estacionárias: 18% para 25%;
Fios de fibra de vidro cortados (Chopped Strands): 10,8% para 20%;
Silício metálico: 0% para 10%;
Recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, de ferro fundido, ferro ou aço: 12,6% para 25%.
Nota Técnica de justificativa do Gecex:

"A escalada das importações de Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT), apesar da reorganização das concessões de ex-tarifários, somaram US$ 75,1 bi em 2025, com crescimento acumulado desde 2022 de 33,4%. A penetração de importações no Consumo Nacional Aparente (CNA) atingiu 45% em BK (out/2025) e 54,8% em BIT (proj. dez/2025), níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão. As taxas de crescimento das importações por Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) evidenciam variações díspares, geralmente maiores em setores (demandantes) com regimes especiais, tais como aeronáutico (Recof) e óleo e gás (O&G) (Repetro)."

 
Fonte: O Tempo
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 02/03/2026

Produção mundial de aço registra queda de 6,5% em janeiro de 2026

A produção mundial de aço bruto nos 69 países que reportam à Associação Mundial do Aço (worldsteel) foi de 147,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, uma queda de 6,5% em comparação com janeiro de 2025.

A África produziu 2,0 Mt em janeiro de 2026, um aumento de 5,8% em relação a janeiro de 2025. A Ásia e a Oceania produziram 107,6 Mt, uma queda de 8,6%. A UE produziu 10,3 Mt, uma queda de 2,3%. A Europa e outras regiões produziram 3,7 Mt, um aumento de 4,4%. O Oriente Médio produziu 4,8 Mt, um aumento de 12,6%. A América do Norte produziu 9,2 Mt, uma queda de 0,6%. A Rússia e outros países da CEI + Ucrânia produziram 6,5 Mt, uma queda de 8,6%. A América do Sul produziu 3,4 Mt, uma queda de 1,2%.

Estima-se que a China tenha produzido 75,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, uma queda de 13,9% em relação a janeiro de 2025. A Índia produziu 15,1 milhões de toneladas, um aumento de 10,5%. Os Estados Unidos produziram 7,1 milhões de toneladas, um aumento de 3,3%. O Japão produziu 6,8 milhões de toneladas, uma queda de 0,5%. A Coreia do Sul produziu 5,6 milhões de toneladas, um aumento de 5,0%. Estima-se que a Rússia tenha produzido 5,5 milhões de toneladas, uma queda de 7,4%. A Turquia produziu 3,4 milhões de toneladas, um aumento de 5,8%. A Alemanha produziu 3,1 milhões de toneladas, um aumento de 15,0%. O Brasil produziu 2,7 milhões de toneladas, uma queda de 1,4%. O Irã produziu 2,6 milhões de toneladas, um aumento de 15,1%.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/02/2026