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Dia Nacional do Aço celebra a força que sustenta o Brasil moderno

Celebrado em 9 de abril, o Dia Nacional do Aço vai muito além de uma simples data comemorativa: ele simboliza a base sobre a qual o Brasil construiu grande parte de sua industrialização e continua a projetar seu futuro. Presente em praticamente todos os setores produtivos, o aço é um dos materiais mais estratégicos para o crescimento econômico, a geração de empregos e a inovação tecnológica.

Da construção de pontes e edifícios à fabricação de automóveis, eletrodomésticos e máquinas industriais, o aço é um elemento indispensável na vida moderna. Mesmo quando invisível ao consumidor final, ele está presente em estruturas, equipamentos e processos que sustentam a produção em larga escala e garantem o funcionamento da economia.

A base que move a indústria

Formado principalmente pela liga de ferro e carbono, o aço se destaca por características como resistência, durabilidade e versatilidade. Essas qualidades fazem dele um material insubstituível em setores como construção civil, indústria automobilística, energia, logística e infraestrutura.

No Brasil, sua importância ganha ainda mais relevância. O país figura entre os maiores produtores mundiais de aço bruto, com um parque industrial robusto e empresas que atuam tanto no mercado interno quanto no cenário internacional. Essa cadeia produtiva movimenta bilhões de reais anualmente e é responsável por milhares de empregos diretos e indiretos.

Mais do que um insumo, o aço é um verdadeiro motor econômico. Ele impulsiona obras de infraestrutura, viabiliza avanços industriais e acompanha o crescimento urbano, sendo fundamental para o desenvolvimento sustentável.

Uma história marcada pela industrialização

A origem do Dia Nacional do Aço remonta a um dos momentos mais emblemáticos da história econômica brasileira: a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 9 de abril de 1941. A fundação da primeira grande usina integrada do país marcou o início de uma nova era para a indústria nacional.

Instalada em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, a CSN se tornou símbolo do avanço industrial brasileiro e da busca por autonomia produtiva. A partir dela, o Brasil deu passos decisivos rumo à consolidação de sua base industrial, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo sua economia.

Desafios e oportunidades no presente

Hoje, o setor siderúrgico brasileiro enfrenta desafios importantes, como a competitividade global, a oscilação de preços internacionais e a necessidade de inovação constante. No entanto, também se abre um campo promissor de oportunidades.

A busca por processos mais sustentáveis, a adoção de tecnologias limpas e a economia circular colocam o aço no centro das discussões sobre o futuro da indústria. Reciclável e altamente reutilizável, o material se alinha às demandas por uma produção mais consciente e eficiente.

Além disso, investimentos em infraestrutura, transição energética e modernização industrial tendem a ampliar ainda mais a demanda por aço nos próximos anos.

Um futuro moldado em aço

Celebrar o Dia Nacional do Aço é reconhecer não apenas a importância de um material, mas o papel estratégico de toda uma cadeia produtiva que sustenta o desenvolvimento do país. É também uma oportunidade para refletir sobre inovação, sustentabilidade e competitividade.

Mais do que parte do passado, o aço segue sendo protagonista do futuro. Em um mundo em constante transformação, ele continua moldando cidades, impulsionando tecnologias e fortalecendo economias — inclusive a brasileira.

Neste 9 de abril, o aço reafirma sua posição como um dos pilares invisíveis, porém indispensáveis, da sociedade moderna.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/04/2026

Com a taxa Selic quase chegando aos 15% o Brasil passa a figurar a vice-liderança como o segundo maior juro real do mundo

O Banco Central, por meio da reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), decidiu recentemente aumentar a taxa básica de juros, a Selic, para 15% em mais uma tentativa de controlar a inflação. Esse movimento reflete a preocupação com os índices de preços acima da meta e busca frear o consumo e os investimentos, principalmente na tomada de crédito rural, reduzindo a pressão inflacionária. No entanto, o aumento da Selic impacta diretamente os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, afetando os produtores rurais que tomaram crédito nos últimos anos, seja para financiar a safra ou na compra de tratores, agrícolas e implementos. máquinas agrícolas e implementos.

O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação, entretanto desestimula os investimentos. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito – tomado por empresários – e desencoraja a produção e o consumo. A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Os financiamentos podem ficar mais onerosos à partir de agora, ou até mesmo os créditos rurais tomados nos últimos anos, atrelados a Taxa Selic, podem ser reajustados. Por isso é importante ficar de olho nas dívidas, em alguns casos pode ser interessante quitar as dívidas atuais ou até mesmo estender o prazo de pagamento.

Mas não é só de crédito rural oferecido pelo governo que o produtor rural vive. A empresa ConsulttAgro, das consultoras financeiras Gabriela Rodrigues Tainara Casagrande, é um exemplo disso.

As empresárias são especialistas em captação de recursos para o setor do agronegócio, com taxas a partir de 3% a.a. e 20 anos para pagar, oferecendo ótimas condições para aquisição de áreas rurais e compra de maquinário, com taxas atrativas e condição de pagamentos facilitadas, incluindo plano safra. Juntas somam mais de 10 anos no mercado financeiro e já liberaram mais de R$ 700 milhões em crédito para os produtores rurais. As profissionais trabalham em parceria com mais de 20 instituições financeiras bancárias, administradoras de crédito privada e fundos de investimentos, buscando sempre a melhor linha de crédito e direcionamento para cada cliente. “Bom, nosso primeiro passo é sempre identificar a necessidade do cliente, garantias que possui, cadastro e faturamento. Buscamos sempre a melhor taxa, custo de operação e prazos de pagamentos que se adequam ao perfil do produtor” – ressaltou a profissional. Tainara destaca que as garantias que o produtor rural possui e prazo para o pagamento da dívida são determinantes para alcançar melhores condições.

“A garantia vai depender da linha de crédito que adequa ao perfil de cada cliente, temos linhas que o próprio imóvel serve, 1×1, até linhas que solicitam garantia 3×1. Por isso, no primeiro contato é primordial que as informações sejam claras e objetivas” – nos revelou a consultora. Mateus Ferraz, da Fazenda Santa Helena em Água Limpa, Goiás, nos disse que um diferencial das consultoras é o atendimento, e que durante todo o processo recebeu ajuda para liberação do crédito. “Estava procurando um crédito para aquisição de uma área vizinha minha, o banco não liberou. Encontrei a página na internet e vi que eles tinham parceria com várias plataformas que me trouxe mais segurança para negociação, consegui o crédito com uma taxa boa e prazo de pagamento de 15 anos. Elas sempre foram muito atenciosas e me ajudaram em todo processo” – disse Mateus.

A empresa consolidou-se nos últimos anos fornecendo crédito para quem produz, prova disso são os números de 2025, no ano passado a empresa assessorou operaçãoes que somaram R$ 2,2 bilhões de recursos para o Agronegócio, atendendo clientes do Brasil todo, com valores solicitados a partir de R$ 150 mil até R$ 150 milhões.

 
Fonte: Notícias Agrícolas
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 09/04/2026

 

Cenário econômico do 1º trimestre de 2026 preocupa indústrias processadoras do aço

O início de 2026 é marcado por um cenário de desaceleração gradual da economia brasileira, com crescimento moderado, juros ainda elevados e atividade industrial perdendo fôlego.

As indústrias processadoras de aço, representadas pela Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço), seguem operando sob pressão em um ambiente que combina a demanda ainda enfraquecida e o aumento da concorrência externa. O desempenho do primeiro trimestre permanece abaixo do observado no mesmo período do ano passado, indicando que que ainda não há recuperação.

O cenário reforça os desafios de competitividade enfrentados pela indústria nacional em um contexto de transformações no mercado global. Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentam uma queda na produção industrial de 8%, comparando fevereiro de 2025 com o mesmo mês em 2026.

“O resultado reflete um ambiente de demanda fragilizada, ao mesmo tempo em que se intensificam fatores externos que impactam a competitividade da indústria nacional”, explica Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel.

Nesse contexto, as importações de produtos processados de aço seguem como um dos principais elementos de atenção. Embora o primeiro bimestre de 2026 tenha registrado queda de 10,8% em volume e 13,8% em valor frente ao mesmo período de 2025, o movimento ocorre após um ciclo prolongado de crescimento. Entre 2019 e 2025, o volume importado avançou cerca de 95%, ultrapassando 821 mil toneladas, consolidando uma mudança estrutural no padrão de abastecimento do mercado brasileiro. Paralelamente, observa-se a redução dos preços médios internacionais, ampliando a pressão competitiva sobre os produtores domésticos, segundo dados de relatório elaborado pela Abimetal-Sicetel.

Pressão externa persistente e elevação de custos intensificam desafios

A análise desagregada das importações indica que a desaceleração recente não ocorre de forma uniforme entre os segmentos. De acordo com o relatório econômico da associação, 96 produtos avaliados, 49 registraram aumento no início de 2026, sendo 36 com crescimento superior a 10%, o que evidencia uma redistribuição da competitividade externa em nichos específicos. A China permanece como principal origem, concentrando 58,9% do volume importado, com diferencial relevante de preços em relação ao mercado interno - em alguns casos, até 40% inferiores -, o que amplia o deslocamento da produção nacional em diversos segmentos.

“Os dados mostram um avanço consistente em segmentos estratégicos, com destaque para a presença crescente de produtos importados, especialmente da China. Esse movimento, associado a diferenças relevantes de preços, acaba criando distorções competitivas importantes e ampliando o deslocamento da produção nacional. É um processo que merece maior atenção do Governo Federal, pois impacta diretamente a sustentabilidade da indústria brasileira ao longo da cadeia”, afirma o presidente da Abimetal-Sicetel.

Ao mesmo tempo, o ambiente internacional apresenta uma inflexão na trajetória de preços do aço e de seus insumos. O minério de ferro acumula alta de 2,8% no início de 2026, enquanto produtos como a bobina a frio de aço inoxidável registram elevação superior a 8%. Esse movimento, associado à expectativa de restrições de oferta no mercado asiático e à elevação dos custos logísticos, tende a pressionar a estrutura de custos da indústria processadora brasileira, reduzindo margens em um contexto de forte concorrência com produtos importados.

Para Martins, o cenário exige atenção contínua. “O setor enfrenta um desequilíbrio relevante entre custos e preços. A permanência de importações em níveis elevados, associada à elevação dos custos de insumos, compromete a competitividade da indústria nacional e reforça a necessidade de medidas que promovam condições mais equilibradas de concorrência”, defende.

Diante desse panorama, a expectativa é que o segundo trimestre do ano siga desafiador para o setor de processamento do aço. A possível manutenção de custos elevados de insumos e a dinâmica do mercado internacional podem influenciar, a longo prazo, o desempenho da indústria nacional.

“A indústria brasileira está no limite de sua capacidade de adaptação a momentos desafiadores. O governo brasileiro precisa estar atento a essas dificuldades, pois o momento requer políticas públicas de defesa da indústria. Cabe ao governo intensificar o combate às importações subfaturadas, que afetam diretamente a competitividade da indústria, ao mesmo tempo que deixam de recolher tributos, o que poderia justificar o aumento do efetivo de fiscalização para combater esses ilícitos”, pontua o presidente da Abimetal-Sicetel.

 
Fonte: Assessoria de Imprensa
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 08/04/2026

 

Importação de aço deve desacelerar nos próximos meses, apontam analistas

Com as decisões recentes do governo de aplicar medidas antidumping sobre o aço vindo da China e da Índia, desde fevereiro, analistas já têm visto sinais de desaceleração na importação.

Segundo o Citi, os dados de fevereiro apontam uma desaceleração nas importações. “Ao mesmo tempo, os custos de frete aumentaram tanto para o aço plano quanto para o aço longo, elevando o custo final do material importado e atuando como uma barreira parcial à penetração das importações”, afirmou o banco em relatório.

“Esse efeito foi parcialmente compensado pelo real ainda relativamente forte. Interpretamos esses movimentos como parcialmente ligados à dinâmica comercial, incluindo as expectativas em torno das medidas antidumping, que já estão influenciando o comportamento dos preços e o momento das importações”, conclui o Citi.

Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu as investigações e definiu a aplicação do direito antidumping definitiva por até cinco anos. O dumping é uma forma de concorrência desleal, em que um país exporta produtos a preços mais baixos que os do mercado local e prejudica a produção do país importador. Quando o dumping é comprovado, o governo pode aplicar uma taxa adicional ou definir uma cota de importação.

Para os laminados planos a frio, a cobrança sobre a tonelada vai de US$ 322,93 a US$ 670,02. Aos laminados planos revestidos, de US$ 284,98 a US$ 709,63.

Na visão do UBS BB, as medidas do governo para reduzir a importação de aço têm sido favoráveis: “Temos defendido que os investidores em aço devem dar preferência a regiões protegidas, a fim de limitar a exposição às dinâmicas globais desafiadoras de oferta e demanda e aos fluxos de exportação chineses. Agora, estamos mais confiantes na capacidade do Brasil de defender sua indústria siderúrgica nacional, já que as medidas antidumping recentemente implementadas abrangem atualmente cerca de 40% do total das importações do país, com mais medidas a caminho.”

Para o banco, períodos de aumento do protecionismo estão entre os poucos pontos de inflexão que levam os investidores a adotarem uma postura mais construtiva em relação às ações do setor siderúrgico, como foi o caso nos Estados Unidos, na União Europeia e no México.

A indústria siderúrgica latinoamericana enfrenta um cenário desafiador, segundo a Associação Latinoamericana do Aço (Alacero), marcado por uma desaceleração econômica global e uma crescente pressão externa decorrente do avanço do aço chinês nos mercados, com excesso de capacidade e concentração nas cadeias de abastecimento. “A elevada incerteza internacional, as mudanças nas políticas comerciais das principais economias e as tensões geopolíticas condicionam ainda mais o contexto regional”, afirma a associação em relatório.

Para a Alacero, 2026 deve ser um ano crucial para organizar a agenda de defesa comercial e avançar em uma estratégia regional coordenada que fortaleça a competitividade da cadeia de valor do aço na região. “Na Alacero, estamos convencidos de que a América Latina não está condenada a ser apenas fornecedora de matérias-primas: ela tem tudo para ser também o coração industrial de seu próprio desenvolvimento”, disse Ezequiel Tavernelli, diretor-executivo da Alacero, em nota.


 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 07/04/2026

EUA reformulam tarifas sobre metais e impulsionam nova fase da política industrial

Os Estados Unidos deram um passo decisivo na reformulação de sua política comercial ao redefinir as tarifas aplicadas a produtos que utilizam aço, alumínio e cobre. A nova estrutura, que estabelece uma alíquota de 25% para bens com presença relevante desses metais, não apenas simplifica o modelo anterior, como também sinaliza uma estratégia mais ampla de fortalecimento da indústria doméstica e reorganização das cadeias produtivas globais.

A principal inovação está na forma de cálculo. A partir de agora, a tarifa incide sobre o valor total do produto importado — e não mais apenas sobre o conteúdo metálico incorporado. Na prática, a mudança elimina uma das maiores complexidades do sistema anterior, que exigia dos importadores a mensuração detalhada da participação de metais em milhares de itens, de eletrodomésticos a equipamentos industriais.

Além disso, o novo modelo estabelece um critério mais direto: produtos com mais de 15% de aço, alumínio ou cobre em peso passam automaticamente a ser tributados em 25%, enquanto itens abaixo desse limite deixam de ser enquadrados nesse regime específico. Embora represente uma redução frente à antiga tarifa de 50% aplicada a determinados produtos derivados, a nova metodologia tende a ampliar o impacto efetivo da cobrança, já que considera o valor integral da mercadoria.

Segundo a Casa Branca, a medida busca corrigir distorções, aumentar a transparência e evitar subdeclarações nos valores de importação. Ao mesmo tempo, reforça o objetivo central de proteger setores considerados estratégicos para a segurança econômica e nacional dos Estados Unidos. Dados do próprio governo indicam que, desde a adoção de tarifas sob a Seção 232, a utilização da capacidade produtiva doméstica de alumínio subiu de cerca de 39% em 2017 para mais de 50% atualmente — um avanço atribuído, em parte, ao ambiente mais protegido.

O redesenho tarifário também traz nuances importantes. Produtos fabricados no exterior, mas com insumos metálicos originários dos Estados Unidos ou do Reino Unido, passam a contar com alíquotas reduzidas de 10%, enquanto determinados equipamentos industriais e de infraestrutura terão tarifas de 15% até 2027, em uma tentativa de equilibrar proteção e estímulo à expansão da base industrial.

Para a indústria brasileira, o novo cenário combina avanços operacionais e desafios comerciais. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) avalia positivamente a simplificação das regras, que elimina a necessidade de cálculos complexos sobre o teor metálico dos produtos. No entanto, o aumento da alíquota — que em muitos casos sobe de 10% para 25% — tende a pressionar a competitividade das exportações.

Segundo o presidente-executivo da entidade, José Velloso, a mudança traz um alívio administrativo, mas impõe um custo adicional relevante. A avaliação reflete um movimento já observado nos dados recentes: em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos recuaram 9,1%, enquanto a participação americana nas vendas externas do setor caiu de 27% para 23%.

Apesar das preocupações, especialistas apontam que o novo modelo pode trazer maior previsibilidade às relações comerciais, reduzindo incertezas regulatórias e facilitando o planejamento das empresas. Em um ambiente global marcado por disputas comerciais e reconfiguração de cadeias produtivas, a clareza nas regras tende a se tornar um ativo estratégico.

No horizonte, a política americana reforça uma tendência mais ampla de fortalecimento de indústrias nacionais em setores-chave, ao mesmo tempo em que redefine fluxos de comércio internacional. Para países exportadores como o Brasil, o desafio será adaptar-se rapidamente às novas condições — seja por meio de ganhos de eficiência, diversificação de mercados ou reposicionamento estratégico nas cadeias globais.

Em meio a esse cenário, a reconfiguração tarifária dos Estados Unidos não apenas redesenha custos e margens, mas também abre espaço para uma nova dinâmica de cooperação e competição internacional, na qual previsibilidade, inovação e capacidade de adaptação serão fatores determinantes para o sucesso.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 06/04/2026

 

Trump reformula tarifas sobre aço e alumínio e eleva custo efetivo de importações

O governo do ex-presidente Donald Trump se prepara para anunciar uma reformulação significativa nas tarifas sobre aço e alumínio importados, em uma medida que busca simplificar a cobrança sobre produtos industrializados, mas que pode, na prática, elevar o custo de importações e gerar efeitos em cadeia no comércio global.

Segundo informações divulgadas por veículos como o The Wall Street Journal, a proposta prevê a criação de um sistema escalonado de tarifas. Produtos básicos — como aço bruto e alumínio primário — continuarão sujeitos a sobretaxas de até 50%. Já bens manufaturados que utilizam esses metais passarão a ser tarifados em 25%, incidindo sobre o valor total do produto, e não apenas sobre o conteúdo metálico.

Mudança estrutural no cálculo das tarifas

A principal alteração está na forma de cálculo. Atualmente, as tarifas podem chegar a 50%, mas incidem apenas sobre a fração de aço ou alumínio presente no produto. Com a mudança, a alíquota menor (25%) será aplicada sobre o valor total do item importado — o que, na prática, pode elevar o custo efetivo para uma ampla gama de produtos.

A iniciativa surge após pressão de empresas americanas, que enfrentavam dificuldades operacionais para calcular o conteúdo metálico de produtos complexos. Itens simples, como fio dental com pequenas partes metálicas, chegaram a gerar dúvidas regulatórias.

A expectativa é que a nova regra simplifique a conformidade tributária, mas aumente a arrecadação e reforce a proteção à indústria doméstica dos Estados Unidos.

Impactos econômicos e setoriais

Analistas avaliam que a medida tende a beneficiar produtores locais de aço e alumínio, ao mesmo tempo em que prejudica importadores e indústrias que dependem de insumos estrangeiros.

Setores como automotivo, construção civil e fabricação de máquinas devem sentir maior pressão de custos. Há também o risco de impacto inflacionário marginal, já que o encarecimento de produtos importados pode ser repassado ao consumidor final.

A reação do mercado foi imediata: ações de empresas do setor metálico registraram queda após as notícias, refletindo incertezas sobre os efeitos da política.

Consequências para o Brasil e a indústria do aço

Para o Brasil, um dos relevantes exportadores de aço semiacabado e produtos siderúrgicos, os efeitos podem ser mistos.

Por um lado, a manutenção de tarifas elevadas (até 50%) sobre produtos básicos limita a competitividade direta do aço brasileiro no mercado americano, historicamente um dos principais destinos das exportações do setor.

Por outro lado, a nova estrutura pode criar oportunidades indiretas. Com o aumento do custo de produtos industrializados importados nos EUA, empresas americanas podem buscar fornecedores alternativos ou ampliar a produção doméstica, o que pode elevar a demanda por insumos intermediários, como placas de aço, segmento em que o Brasil é competitivo.

Além disso, a reorganização das cadeias globais pode redirecionar fluxos comerciais. Países que perderem espaço no mercado americano podem buscar novos destinos, aumentando a concorrência em mercados onde o Brasil atua, como América Latina e Europa.

Outro risco relevante é o efeito sobre preços internacionais. Caso a política reduza o comércio global ou gere excesso de oferta em outras regiões, os preços do aço podem sofrer pressão, afetando margens de produtores brasileiros.

Cenário global mais incerto

A medida também ocorre em um contexto de tensões comerciais e geopolíticas, além de questionamentos jurídicos. Decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos limitaram parte das tarifas anteriores, levando o governo a reformular sua estratégia.

No pano de fundo, a política busca conter a sobrecapacidade global — frequentemente associada à produção chinesa — e fortalecer a indústria americana, tema sensível em ano eleitoral.

Para o Brasil, o desdobramento dependerá da reação dos mercados e da capacidade da indústria nacional de se adaptar a um ambiente mais protecionista e volátil. O setor siderúrgico brasileiro, já pressionado por custos e concorrência internacional, deverá acompanhar de perto os próximos movimentos da política comercial americana.
 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/04/2026