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Medida para conter preço do diesel tem impacto limitado sobre inflação, apontam analistas

A decisão do governo federal de zerar tributos sobre o diesel e criar mecanismos de compensação para conter a alta do combustível deve aliviar parte da pressão sobre os preços no Brasil, mas o impacto sobre a inflação tende a ser limitado. Avaliações de economistas indicam que, embora a medida ajude a suavizar os efeitos da disparada do petróleo no mercado internacional, ela não é suficiente para neutralizar completamente o aumento dos custos energéticos na economia.

O pacote anunciado busca reduzir o impacto imediato da alta do petróleo, intensificada por tensões geopolíticas que elevaram as cotações globais da commodity. Para isso, o governo decidiu eliminar a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel e oferecer subsídios para produtores e importadores do combustível. A expectativa é que as medidas reduzam em cerca de R$ 0,64 o preço do litro do diesel, considerando a combinação de corte de impostos e subvenção financeira.

Além disso, o governo também instituiu uma taxação temporária sobre a exportação de petróleo e derivados, com o objetivo de compensar a perda de arrecadação causada pela desoneração. A estimativa oficial é de que o pacote tenha impacto fiscal de cerca de R$ 30 bilhões, mas com efeito neutro nas contas públicas graças à nova tributação sobre as exportações.

Alívio pontual para um insumo estratégico

O diesel tem papel central na economia brasileira, especialmente no transporte de cargas e na produção agrícola. Qualquer variação relevante no preço do combustível costuma repercutir em toda a cadeia produtiva, afetando custos logísticos e o preço final de diversos produtos.

Por essa razão, o objetivo da medida é evitar que o choque internacional do petróleo se transforme rapidamente em pressão inflacionária doméstica. Ao reduzir temporariamente o custo do combustível, o governo busca preservar a estabilidade de preços em setores sensíveis, como alimentos, transporte e logística.

Especialistas avaliam, no entanto, que o efeito direto sobre a inflação deve ser relativamente pequeno. Isso ocorre porque o diesel representa apenas uma parte da composição do índice de preços ao consumidor e porque outros fatores — como câmbio, demanda e custos de produção — também influenciam o comportamento da inflação.

Alta global do petróleo continua sendo fator determinante

Mesmo com a desoneração, a dinâmica do mercado internacional de petróleo segue sendo o principal determinante do custo do combustível. A recente escalada das cotações globais, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevou o preço do barril e aumentou a pressão sobre países importadores de derivados.

No caso brasileiro, a situação é ainda mais sensível porque parte do diesel consumido no país precisa ser importada. Estimativas apontam que cerca de um quarto da oferta nacional depende do mercado externo, o que torna o país vulnerável às oscilações internacionais de preços.

Dessa forma, mesmo com medidas de alívio tributário, o impacto do petróleo mais caro tende a persistir na economia, especialmente se o cenário externo permanecer volátil.

Equilíbrio entre controle de preços e sustentabilidade fiscal

Para analistas, o pacote representa uma tentativa de equilibrar duas prioridades: conter a inflação e preservar o equilíbrio fiscal. Ao compensar a renúncia tributária com novas fontes de arrecadação, o governo busca evitar que a política de controle de preços gere desequilíbrios nas contas públicas.

Embora o efeito inflacionário seja considerado modesto, economistas avaliam que a medida pode ajudar a reduzir incertezas e oferecer maior previsibilidade para setores intensivos em transporte, como agronegócio e logística.

Nesse contexto, o pacote funciona como um instrumento de curto prazo para suavizar choques externos, enquanto o desempenho da inflação brasileira continuará dependendo, em grande medida, da evolução do mercado internacional de petróleo e das condições econômicas globais.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 13/03/2026

 

Vorcaro e sua ligação com a mineração

A relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Lucas Prado Kallas ganhou atenção após registros indicarem que os dois viajaram juntos à Venezuela e, poucos dias depois, tiveram acesso ao Palácio do Planalto. A proximidade entre os empresários ocorre em um momento em que Kallas é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Minas Gerais.

Viagem à Venezuela aproximou Vorcaro e Kallas

Registros de e-mails encontrados no celular de Daniel Vorcaro mostram que ele e Lucas Kallas estiveram hospedados em Caracas entre 27 de novembro e 1º de dezembro de 2023 para avaliar oportunidades de negócios no setor de petróleo.

A estadia incluiu a reserva de duas suítes em um hotel da capital venezuelana, com custo aproximado de US$ 23 mil, equivalente a cerca de R$ 121 mil. Dias depois da viagem, ambos tiveram entrada registrada no Palácio do Planalto, em Brasília, no mesmo horário.

Segundo registros de acesso do Gabinete de Segurança Institucional obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, Vorcaro e Kallas passaram pela portaria do prédio às 15h43, no dia 4 de dezembro de 2023. O compromisso, no entanto, não apareceu na agenda oficial do governo.

O Palácio do Planalto informou posteriormente que houve agenda institucional apenas com Lucas Kallas, afirmando não haver registro formal de reunião com Vorcaro.

Empresário é ligado ao setor mineral e à Cedro Mineração

Lucas Prado Kallas é um empresário mineiro conhecido por sua atuação no setor de mineração e infraestrutura. Ele esteve à frente do Grupo Cedro, conglomerado que controla a Cedro Mineração e possui investimentos em logística e portos voltados ao escoamento de minério.

O empresário também chegou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República, conhecido como “Conselhão”, colegiado criado para discutir políticas de desenvolvimento econômico no país.

Operação Parcours investiga mineração ilegal na Serra do Curral

A Polícia Federal colocou Kallas no centro da Operação Parcours, investigação que apura um suposto esquema de exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, área tombada como patrimônio histórico de Belo Horizonte.

De acordo com as investigações, empresários teriam utilizado um plano de recuperação ambiental como justificativa para ampliar a extração mineral na região por vários anos, gerando impactos ambientais significativos. O prejuízo estimado pelas autoridades chega a cerca de R$ 832 milhões.

As apurações também apontam suspeitas de pagamento de propina a servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) para facilitar a continuidade das atividades na área, mesmo diante de restrições legais.

A investigação envolve ainda outros empresários e intermediários ligados ao empreendimento minerário.

Defesa nega irregularidades

Em manifestações públicas, Lucas Kallas afirmou que sua inclusão no inquérito é indevida. Segundo sua defesa, ele foi apenas sócio-investidor em uma das empresas envolvidas entre 2012 e 2018 e não ocupou cargo de gestão na mineradora investigada.

O empresário sustenta que as irregularidades apontadas pelas autoridades teriam ocorrido anos após sua saída do negócio. A Polícia Federal, por sua vez, continua analisando documentos e movimentações relacionadas ao caso.

 
Fonte: Cidades & Minerais
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/03/2026

 

Medidas antidumping sobre aço chinês podem se revelar inúteis

As tarifas antidumping que o Brasil adotou recentemente contra as importações de aço da China podem sair pela culatra e não dar em nada. Segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11), ainda existem riscos elevados de que a pressão das importações persista no mercado siderúrgico local.

“Experiências anteriores em vários países sugerem que exportadores chineses frequentemente encontram maneiras de contornar barreiras comerciais, seja ajustando especificações dos produtos, redirecionando embarques por meio de terceiros países ou transferindo volumes para categorias que ainda não estão sujeitas a medidas antidumping”, diz trecho do relatório.

O banco de investimentos relata que, embora as tarifas recentemente anunciadas possam reduzir parte dos fluxos de importação considerados mais agressivos, é difícil enxergá-las como uma verdadeira mudança estrutural. Assim, o impacto total dessas medidas sobre o mercado ainda permanece incerto.

Modelo mais simples

Para o BTG, o que o Brasil realmente precisa é de um modelo mais simples e abrangente, semelhante à Seção 232 adotada nos Estados Unidos, elevando tarifas para cerca de 25% em uma ampla gama de produtos e por período indeterminado.

“Ao mesmo tempo, o setor continua enfrentando desafios no curto prazo, incluindo demanda fraca, estruturas de preços baseadas em contratos — que limitam ajustes rápidos de preços — e níveis de estoque ainda elevado”, aponta trecho do relatório.

De acordo com matéria publicada pela Fasmakers, participantes do mercado chinês reconhecem que as novas tarifas antidumping tornam mais difíceis as exportações diretas para o Brasil. Mas fontes do mercado daquele país informaram que o Brasil continua sendo um destino estratégico para o aço da China e que os exportadores dificilmente abandonarão esse mercado. Com isso, é mais provável que os chineses encontram um caminho de contornar a tarifa.

Uma das estratégias mais mencionadas envolve transferir a produção para fora do território chinês e players do mercado relatam que siderúrgicas chinesas estão considerando a hipótese de instalar operações em outros países, incluindo na América Latina, utilizando equipamentos transferidos da própria China – permitindo a importação a partir de terceiros países.

 
Fonte: Eu Quero Investir
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 11/03/2026

Brasil tem 10 anos para ficar rico antes de envelhecer, alerta McKinsey

O Brasil, assim como a América Latina, mas ainda mais do que ela, vive sua “última chance de ficar rico antes de ficar velho” e, se não investir em ganhos de produtividade e em setores estratégicos, corre o risco de ficar para trás na atração de investimentos à região. Esses são os alertas de Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey, ao comentar relatório da consultoria sobre produtividade na América Latina, antecipado ao Valor.

“A América Latina como região, talvez, tenha uma das últimas chances nos próximos dez, 15 anos de ficar rica antes de ficar velha. E o Brasil ainda mais. No Brasil, talvez não sejam 15 anos, talvez sejam dez anos”, afirma Ferreira, explicando que a população brasileira já é mais idosa e cresce menos do que em pares como Peru e Bolívia.
 

 


Com o Brasil chegando ao fim do “bônus demográfico”, o crescimento da produtividade precisará vir através de investimentos em capital físico e humano. A produtividade do trabalho no Brasil, porém, cresce menos de 1% ao ano há mais de uma década, segundo a McKinsey, enquanto outras economias próximas avançam perto de 2%.

A perda de relevância da América Latina para a economia global, sobretudo nos últimos 15 anos, é generalizada, segundo Ferreira. “A América Latina tem cerca de 7,5% da população mundial e já foi 7% do PIB global; hoje, é 6%. E, se continuar com a mesma taxa de crescimento, em 2050, será 3,5%”, diz.

A baixa produtividade é um indicador dessa situação “complicada”, como define Ferreira. Ele aponta que, enquanto outras economias emergentes crescem, em média, 3,4% ao ano, a América Latina cresce 2,3%. Disso, 1,5 ponto percentual (p.p.) vem do crescimento da população, e apenas 0,8 p.p., da produtividade, sendo que a produtividade do capital acrescenta 0,9 p.p., mas a da mão de obra retira 0,1 p.p. “Um trabalhador na América Latina, hoje, produz quase a mesma coisa ou até um pouco menos do que ele produzia no começo de século”, afirma Ferreira.

Apesar do quadro desafiador, a McKinsey aponta oportunidades. Existem diversas tendências mundiais ligadas, por exemplo, ao aumento do consumo de proteínas, à transição energética, à necessidade de digitalização e de novos polos de industrialização que podem tornar a América Latina - e o Brasil, se ele se preparar para isso - quase “campeã natural” em algumas dessas áreas, sugere Ferreira.

O custo atual de produção de eletrônicos e da indústria automotiva no México e na América Central, por exemplo, é comparável ou até inferior ao da China, diz o executivo. “Um terço das principais empresas de equipamentos médicos que exportam aos Estados Unidos está na Costa Rica, ela já é um ‘hub’ exportador”, exemplifica. “A região tem 58% das reservas de lítio e 35% das reservas de cobre, minerais fundamentais para a transição energética”, afirma.

Ao todo, são sete os setores mapeados pela McKinsey em que a América Latina deveria concentrar investimentos: manufatura de próxima geração, para Inteligência Artificial (IA) e automação; energias renováveis, não só para geração de energia em si, mas de produtos químicos e outros derivados; serviços digitais e digitalização da economia; centros de dados; agricultura e alimentos; combustíveis fósseis, que vão continuar importantes por um tempo; e minerais críticos.

“Esses são os sete setores em que nós enxergamos que a região pode ter um papel de bastante destaque mundial. E, em vários deles, o Brasil se sobressai, como em energia renovável, digitalização, agricultura, destino para data centers - até pela base de energia renovável e hidrelétrica - e minerais críticos”, afirma Ferreira.

Juntas, essas indústrias podem trazer cerca de US$ 400 bilhões em receitas para o Brasil até 2040, calcula a McKinsey. Para a região como um todo, se ela conseguir crescer nesses segmentos e trazer todos os serviços necessários para essas indústrias funcionarem, a McKinsey estima que o PIB pode sair de US$ 6,5 trilhões para US$ 10,5 trilhões até 2040.


"Trabalhador na América Latina produz quase a mesma coisa ou até um pouco menos do que no começo de século”

“Isso é importante porque, com US$ 10,5 trilhões, a região passa a ter uma renda per capita da ordem de US$ 15 mil, que é mais ou menos o limite inferior para entrar no patamar da OCDE”, diz Ferreira, em referência à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, uma espécie de “clube dos países ricos”.

Segundo ele, o Brasil, por exemplo, tem uma renda per capita de US$ 10 mil, mas muito heterogênea entre seus Estados. “O Brasil, assim como a América Latina, poderia ter renda superior a US$ 15 mil e, aí sim, apesar de todos os problemas, poderíamos ter um nível mínimo de renda média compatível com países mais desenvolvidos.”

Para alcançar essas cifras e investimentos nos setores mapeados, a McKinsey sugere quatro ações aos países da América Latina.

A primeira é a diversificação de parceiros comerciais e de investimentos. “Tem de ir para Índia, Canadá, Japão, Sudeste Asiático, e não ficar apenas nessa bipolaridade de China e EUA”, diz Ferreira.

A segunda é a integração dentro da própria região. A América Central, por exemplo, tem taxas de crescimento comparáveis às do Sudeste Asiático e países vivendo “boom” similar ao do Brasil após o Plano Real, mas não está na agenda das empresas brasileiras, diz Ferreira. “Mas deveria estar”, afirma, citando como exemplos Guatemala, Honduras, Panamá e República Dominicana.

O terceiro ponto engloba avanços necessários em regulamentação. “Ainda temos na região, e no Brasil em particular, complexidades regulatórias e tributárias que afugentam investidores locais e estrangeiros”, diz Ferreira.

Por fim, a McKinsey aponta ser preciso atrair talentos internacionais - e, nesse quesito, até que o Brasil está em um momento de ascensão, segundo o executivo.


"Brasil tem risco de perder essa onda de investimentos que vão vir para a região, para México e Costa Rica, por exemplo”

Um trunfo para atrair investimentos é que a América Latina é, talvez, “a região mais geopoliticamente neutra do mundo”, diz Ferreira, o que é especialmente importante em tempos de multiplicação de conflitos como os atuais. Mas o Brasil pode perder investimentos para o México e a América Central, por exemplo, se permanecer caro e atrasado, alerta a McKinsey. A taxa média de investimento no Brasil entre 1997 e 2022 foi de 18% do PIB, abaixo da média regional de 19,7%, aponta o relatório.

“A América Latina tem condições de competir com a China. Só que, hoje, essa competição se dá em países como México, não o Brasil. O Brasil, hoje, é mais caro pela carga tributária, pela logística e pelo fato de que muitas das nossas fábricas são obsoletas do ponto de vista de processo produtivo”, afirma Ferreira. “O Brasil tem um risco de perder essa onda de investimentos que vão vir para a região, para México e Costa Rica, por exemplo”, alerta.

Segundo ele, reformas são necessárias, como a redução dos gastos públicos, que ajuda na queda dos juros, tornando investimentos mais atrativos. Além disso, diz, é preciso avançar em desburocratização e na consolidação da reforma tributária. “Em relação aos setores mencionados, é preciso ter uma visão de longo prazo do que o Brasil quer ser. Para os setores em que podemos ser ‘donos’ naturais globais, não há, necessariamente, visão clara do que o Brasil gostaria de ser em 2035”, afirma. “Setor privado e governo poderiam ajudar a articular isso.”

A inteligência artificial também será chave para o ganho de produtividade, segundo Ferreira. “A IA permite com que nós consigamos dar saltos de produtividade de mão de obra no agronegócio, na indústria e nos serviços, para fazer com que aquela produtividade que caiu nos últimos 25 anos na região passe a subir de novo. Têm segmentos da construção civil, infraestrutura, manufatura fabril e mesmo do agronegócio que ainda estão engatinhando na utilização de IA”, diz Ferreira.

O Brasil tem potencial nessa área por ser uma das sociedades mais digitalizadas do mundo, observa. “Essa é uma das principais prioridades que o país deveria ter em todos os setores para efetivamente buscar saltos grandes de produtividade”, afirma Ferreira.

“Talvez, seja nossa última chance de investirmos nesses setores, usarmos esses setores para virarmos a chave da produtividade, não crescermos apenas pelo crescimento populacional, mas pela produtividade da mão de obra e do equipamento”, conclui.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 11/03/2026

 

Indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais, diz André Gerdau

"Os desafios do setor do aço no Brasil estão relacionados ao aumento das importações. Existe uma demanda doméstica importante, mas a importação cresceu demais, praticamente quase triplicou nos últimos anos e isso tirou uma parte importante do mercado doméstico dos produtores nacionais. O grande desafio tem sido a defesa comercial porque muito desse aço que tem entrado no País é aço que vem da China". A análise é do presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter. "O aço vem da Ásia a preço abaixo de custo, dumping e práticas desleais. A indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais", destaca. Nesta quinta-feira (3), Johannpeter participou da primeira reunião-almoço de 2026 da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS).

O executivo da Gerdau abordou o tema "Aço Brasil - desafios do setor". De acordo com ele, é difícil concorrer com os chineses porque os subsídios do governo de Pequim possibilitam que as usinas chinesas reduzam seus preços abaixo do custo de produção. Gerdau destaca que o impacto das importações chinesas no Brasil resultou na perda de 5.100 empregos e investimentos de R$ 2,5 bilhões. 

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, a indústria do aço tem tido um bom diálogo com o governo federal, através do Ministério da Indústria e Comércio e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias, especialmente o aço chinês, que satura o mercado nacional com preços desleais devido ao excesso de capacidade produtiva na Ásia. "É necessário diante desse cenário a adoção urgente de mecanismos de defesa comercial e tarifas protetivas para garantir a sobrevivência dos produtores locais", ressalta. De acordo com Gerdau, as importações diretas atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, 160% acima da média histórica, tomando 27% das vendas internas. "As importações de aço contido em bens atingiram 6,1 milhões, totalizando 11,8 milhões de toneladas que ingressaram no País em 2025", acrescenta.

Para Gerdau, a sustentabilidade da indústria do aço e da cadeia metalmecânica requer continuidade da aplicação de medidas de defesa comercial mais eficazes e políticas de conteúdo local. "A redução do Custo Brasil é fator essencial para a recuperação da competitividade sistêmica da indústria e a retomada do crescimento econômico do Brasil", ressalta.

Gerdau destaca que a China é o maior produtor e consumidor de aço no mundo, mas o consumo diminuiu no país asiático. "O governo de Pequim para não parar suas máquinas e para não causar desemprego exporta muito aço para o restante do mundo", comenta. 

O presidente em exercício da AARS, Sergio Neumann, disse que o Brasil importou mais aço no ano passado - 64% da China e segue a tendência de crescimento. "Esse movimento ameaça a produção nacional e corremos o risco de redução de investimentos e corte de empregos se nada for feito no curto e médio prazo", acrescenta. Segundo Neumann, a importação do aço está entre as maiores preocupações da indústria brasileira. "O aço chinês entrando no Brasil  com tarifas reduzidas e subsidiado pelo governo de Pequim bate de frente com o produzido no Brasil", lamenta. 

A Gerdau no Brasil conta com 24 mil funcionários e 13 plantas industriais no Ceará, em Minas Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. São 73 filiais de distribuição de aço, 11 centros de reciclagem, oito hubs e quatro Centros de Serviço. A empresa atua nos  mercados da construção (civil, metálica, fundações e contenções), indústria (energia, agricultura) e distribuição. No Rio Grande do Sul, são 3.900 funcionários e duas plantas de produção de aço (Charqueadas e Sapucaia do Sul). A empresa possui uma unidade de corte e dobra e seis unidades da Comercial Gerdau. A Gerdau é líder na reciclagem de sucata ferrosa no Rio Grande do Sul.

 
Fonte: Jornal do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 06/03/2026

Indústria brasileira se prepara para impactos econômicos da crise no Oriente Médio

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, passou a preocupar setores produtivos no Brasil, que já avaliam possíveis impactos sobre cadeias industriais, custos logísticos e preços de insumos estratégicos. A instabilidade internacional ocorre em um momento em que cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta, tornando qualquer interrupção na região um potencial fator de choque econômico global.

No Brasil, economistas e representantes da indústria alertam que o primeiro efeito tende a aparecer no preço da energia e no custo do transporte internacional. Esses fatores se propagam rapidamente pelas cadeias produtivas, pressionando a inflação de custos e reduzindo margens de empresas em diversos segmentos industriais.

No Rio Grande do Sul, especialistas apontam que pelo menos cinco setores da economia podem sentir os efeitos do conflito de forma mais imediata. Entre eles estão o agronegócio, a indústria de máquinas agrícolas, o setor coureiro-calçadista, o vestuário e o polo petroquímico. Todos possuem algum grau de dependência de energia, combustíveis ou insumos derivados do petróleo.

De acordo com análises econômicas regionais, uma eventual restrição no fluxo global de petróleo teria impacto direto sobre os preços de combustíveis e fertilizantes, elevando os custos de produção agrícola. Produtos como soja e milho, pilares do agronegócio brasileiro, dependem fortemente de fertilizantes nitrogenados cuja fabricação utiliza gás natural como insumo básico. O aumento desses custos poderia repercutir também na produção de proteínas animais, já que os grãos são base da ração utilizada nas cadeias de carne, leite e ovos.

Outro ponto sensível para o agronegócio é o transporte da produção até os portos. A elevação do preço do diesel encarece o frete rodoviário, pressionando os custos logísticos e reduzindo a competitividade das exportações.

A indústria de máquinas e implementos agrícolas também pode enfrentar impactos indiretos. Em cenários de conflito internacional, a demanda por aço tende a crescer em função da produção militar e da recomposição de estoques estratégicos. Isso pode elevar o preço do insumo e reduzir a disponibilidade para a indústria metalmecânica. Ao mesmo tempo, produtores rurais com margens pressionadas podem adiar investimentos em novos equipamentos, desacelerando o ritmo de vendas do setor.

Outro segmento relevante no Rio Grande do Sul é o coureiro-calçadista, fortemente voltado à exportação. A indústria pode ser afetada pela elevação dos custos logísticos internacionais, pelo encarecimento de insumos derivados do petróleo — como componentes sintéticos e químicos utilizados na produção — e por uma possível retração do consumo global em cenários de incerteza econômica.

O setor de vestuário enfrenta dinâmica semelhante, porém com maior dependência do mercado interno. Em um ambiente de inflação de custos, provocado principalmente pela alta de combustíveis e alimentos, os consumidores tendem a priorizar gastos essenciais, reduzindo a demanda por itens considerados não essenciais, como roupas e acessórios. Esse movimento pode resultar em aumento de estoques no varejo e ajustes na produção das confecções.

Já o polo petroquímico aparece entre os setores mais diretamente expostos às oscilações do petróleo. Como a matéria-prima é base para uma ampla gama de produtos industriais, a volatilidade no preço do barril e eventuais interrupções nas rotas comerciais internacionais podem pressionar custos em cadeias produtivas ligadas a resinas plásticas, embalagens e insumos industriais.

Especialistas classificam esse cenário como um caso típico de inflação de custos, em que a alta de preços decorre da redução da oferta ou do encarecimento dos insumos produtivos — e não de um aumento da demanda. Nesses casos, políticas monetárias tradicionais, como a elevação das taxas de juros, tendem a ter eficácia limitada para conter a origem do problema.

Diante desse contexto global mais incerto, lideranças industriais também começam a discutir estratégias para reduzir a dependência externa de insumos estratégicos. Em Minas Gerais, por exemplo, representantes da indústria defendem um fortalecimento da produção local como forma de aumentar a resiliência das cadeias produtivas.

Segundo dirigentes industriais do estado, o agravamento das tensões internacionais pode marcar o início de uma nova fase nas relações comerciais globais, com maior valorização da produção doméstica e reorganização das cadeias de suprimento. Esse movimento já havia sido observado durante a pandemia de Covid-19, quando diversas indústrias perceberam os riscos de depender excessivamente de fornecedores estrangeiros.

A experiência do setor de petróleo no Brasil é frequentemente citada como exemplo dessa estratégia. O desenvolvimento da indústria petrolífera nacional nas últimas décadas reduziu significativamente a dependência externa do país em relação ao combustível, diminuindo a vulnerabilidade da economia a crises internacionais de energia.

Entretanto, muitos segmentos industriais ainda dependem de insumos importados que, em caso de interrupção no comércio global, podem provocar paralisações produtivas. Por esse motivo, representantes da indústria defendem o mapeamento das cadeias mais vulneráveis e a criação de políticas que incentivem a produção local desses insumos estratégicos.

Além das preocupações com a geopolítica, eventos climáticos extremos também reforçam a necessidade de resiliência industrial. Em Minas Gerais, por exemplo, fortes chuvas recentes provocaram impactos em polos produtivos importantes, como o moveleiro de Ubá e o metal-automotivo de Juiz de Fora, exigindo ações emergenciais de financiamento e recuperação de infraestrutura para permitir a retomada das atividades.

A combinação de riscos geopolíticos, pressões logísticas e eventos climáticos extremos indica que o ambiente econômico global tende a permanecer mais instável nos próximos anos. Nesse cenário, especialistas apontam que a capacidade de adaptação das cadeias produtivas — com maior diversificação de fornecedores, fortalecimento da indústria local e investimentos em tecnologia — será decisiva para garantir a competitividade da indústria brasileira.

Para os estados com forte presença industrial, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, a crise internacional pode representar ao mesmo tempo um desafio e uma oportunidade. Enquanto o aumento de custos e a volatilidade dos mercados exigem cautela no curto prazo, o novo contexto global também abre espaço para estratégias de reindustrialização, fortalecimento das cadeias produtivas internas e redução da dependência externa de insumos estratégicos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 05/03/2026