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Estádios da Copa de 2026 somam mais de 150 mil toneladas de aço

Os 16 estádios que recebem partidas da Copa de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, concentram mais de 150 mil toneladas de aço em suas estruturas, segundo dados divulgados por construtoras, engenheiros estruturais e operadores das arenas.

O volume equivale ao de mais de 20 torres Eiffel, variando entre 6 mil a 30 mil toneladas por estádio, e revela o papel central do metal na engenharia das sedes do primeiro Mundial disputado em três países concomitantemente e por 48 seleções.

Apesar de expressivos, os números contam apenas parte da história. Mais do que volume, o aço trouxe aos estádios algo que o concreto sozinho jamais entregou: áreas livres, coberturas móveis, prazos de construções cada vez menores e estruturas integralmente recicláveis. É essa combinação que explica por que todas as arenas mais modernas do mundo têm o metal como protagonista.

Para Márcio Antônio da Silva, gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), essa mudança se explica devido aos avanços tecnológicos e estudos aplicados referentes à área.

“Diversos congressos e seminários da ABM Week e de nossos cursos abordam esses usos modernos do aço em grandes construções. O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras”, explica.

Evolução dos estádios - A trajetória é marcada por diversas gerações de estádios que recebem a edição do torneio. Entre eles, o Estádio Azteca, na Cidade do México, único do mundo a receber três aberturas de Copa, é produto da engenharia dos anos 1960: sua construção empregou mais de 100 mil toneladas de concreto, contra 8 mil toneladas de aço de alta resistência e 1.200 toneladas de aço estrutural. Nas arenas mais recentes, a estrutura metálica define a arquitetura, e o concreto ocupa papel secundário.

O Brasil viveu essa transição na Copa de 2014. Conforme registrou a distribuidora Paraferro, a Arena Amazônia, em Manaus, recebeu estrutura metálica de 7 mil toneladas em uma cobertura de cerca de 23 mil metros quadrados. Enquanto a Arena da Baixada, estádio do Club Athletico Paranaense, em Curitiba, ganhou na reforma uma estrutura de aproximadamente 4.500 toneladas.

O movimento continuou depois do Mundial: na construção da Arena MRV, do Atlético-MG, foram empregadas 5 mil toneladas de aço em fundações, estruturas de sustentação e peças pré-fabricadas.

A escalada das arenas cobertas - É nos Estados Unidos, porém, que a engenharia metálica atinge sua escala máxima. O AT&T Stadium, em Dallas, maior estádio da Copa, tem a cobertura sustentada por 14.100 toneladas de aço estrutural, apoiadas em dois arcos treliçados que vencem um vão de cerca de 373 metros, os mais longos entre todas as edificações do planeta.

Cada arco pesa 3.255 toneladas, e a construtora informa que a obra consumiu ainda 22 mil toneladas de aço de reforço embutidas no concreto.

Em Atlanta, o Mercedes-Benz Stadium reúne cerca de 27 mil toneladas de aço: 18 delas apenas no teto fixo, outras 4 na porção retrátil, formada por oito pétalas que se abrem como o diafragma de uma câmera fotográfica, além de 4 mil toneladas utilizadas na fachada do edifício.

"É provavelmente o teto mais complexo já construído, fixo ou móvel", afirmou um dos engenheiros do projeto à revista Engineering News-Record.

O SoFi Stadium, em Los Angeles, palco da estreia da seleção americana contra o Paraguai, enfrentou a exigência adicional das normas sísmicas da Califórnia.

De acordo com o StadiumDB, a cobertura mobilizou 67 mil toneladas de materiais, com treliças principais de aço de 20 mil toneladas e cabos de 1.400 toneladas, em estrutura independente do estádio projetada para resistir a abalos sísmicos.

O NRG Stadium, em Houston, o primeiro da National Football League (NFL) com teto retrátil, utilizou 17.274 toneladas de aço e 423 toneladas de parafusos, segundo o Facilities Management Advisor. Seus dois painéis móveis, de cerca de 2.500 toneladas cada, deslizam sobre trilhos e abrem em minutos, conforme a Electric Choice.

Em Miami, a nova marquise do Hard Rock Stadium exigiu mais de 18.500 toneladas de aço estrutural, material utilizado em sua cobertura, projetada para resistir a ventos de furacão de categoria 4, segundo a fabricante Hillsdale Fabricators.

Completam a lista americana o Levi's Stadium, na região de São Francisco, sustentado por cerca de 18 mil toneladas de aço em 14 mil peças, com material 95% reciclável; o Lumen Field, em Seattle, cujas coberturas em forma de concha, com 5.700 toneladas de aço, foram desenhadas para reter o som da torcida; e o MetLife Stadium, em Nova Jersey, sede da final do torneio, cuja estrutura tem mais de 17 mil componentes de aço.

A obra aproveitou 40 mil toneladas de aço reciclado do antigo Giants Stadium, demolido ao lado.

No México, o Gigante de Aço - Em Monterrey, o popular Gigante de Aço, Estádio BBVA, consumiu 6.300 toneladas de aço, além de alumínio na cobertura e na fachada, 5.600 toneladas de vergalhões e 57 mil metros cúbicos de concreto, de acordo com o próprio Monterrey.

Já o Estádio Akron, em Guadalajara, projetado para lembrar um vulcão coberto de vegetação, tem estrutura mais leve. Conforme o portal Edifícios de México, a cobertura é sustentada por 16 colunas na periferia do estádio, que suportam uma membrana de 48 mil metros quadrados e uma estrutura de 3.300 toneladas, usada também como coletor de água da chuva para utilizado para irrigação da grama e lavagem do próprio estádio.

No Canadá, 35 quilômetros de cabos - O BC Place, em Vancouver, tem uma das soluções mais elaboradas do torneio. Segundo o governo da Colúmbia Britânica, o teto retrátil sustentado por cabos, o maior do gênero no mundo, exigiu 18 mil toneladas de aço, 35 quilômetros de cabos e 76 mil metros quadrados de tecido.

"É um dos projetos mais complicados já realizados nesta comunidade", afirmou David Podmore, presidente da estatal que administra a arena, ao Daily Commercial News durante a reforma. Em Toronto, o BMO Field foi ampliado para atender às exigências da Fifa.

Da cobertura à arquibancada, o avanço do inox - A evolução não se limita ao aço estrutural. Nos estádios mais recentes, o aço inoxidável ocupa espaço em praticamente todos os pontos de contato com o torcedor.

Conforme análise do Grupo Feital, o inox combina resistência à corrosão, inclusive em regiões costeiras, durabilidade em estruturas de difícil acesso, como coberturas e passarelas, e resistência mecânica com menor peso. Entre os exemplos citados pela empresa estão o Maracanã, que recebeu inox em escadas, corrimãos e áreas de circulação na modernização para a Copa de 2014, a fachada da Allianz Arena, na Alemanha, e o Santiago Bernabéu, que emprega o material em coberturas retráteis e estruturas expostas.

Segundo Valdomiro Roman, diretor de operações da ABM, as soluções e materiais aplicados nos estádios podem ser utilizadas em prédios e estruturas civis nas cidades e estradas, trazendo mais para perto essas aplicações sofisticadas.

“O conhecimento, as técnicas e o desenvolvimento dos materiais ligados a essas estruturas são resultados de anos de estudos e pesquisas, que também passam ela ABM, que proporciona fóruns para intercâmbio, debates, difusão de conhecimento, pesquisas e tecnologias que permitem o melhor uso dessa forma de construir para o nosso país, contribuindo com a eficiência e sustentabilidade, tanto em grandes arenas como em aplicações mais cotidianas da engenharia estrutural”, explica.

 
Fonte: Grandes Construções
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 25/06/2026

 

Entrevista: Projeto de lei pode redefinir tributação de minerais críticos no Brasil

O Senado brasileiro está avaliando um projeto de lei (PL) para regulamentar o segmento de minerais críticos, após sua aprovação na Câmara dos Deputados em meados deste ano.

Entre os diversos pontos em discussão no projeto de lei para um segmento que vem atraindo grande interesse de investidores globais, um dos aspectos que mais chamam atenção é a tributação.

Vinicius Jucá e Jayme Freitas, sócios da prática tributária do Lefosse Advogados, conversaram com a BNamericas sobre os aspectos tributários envolvidos nas discussões do projeto de lei, assim como o cenário geral da mineração.

BNamericas: Como vocês avaliam o ambiente tributário para a mineração no Brasil atualmente?

Jucá: Apesar das críticas frequentes ao sistema tributário brasileiro, há aspectos positivos que merecem destaque.

As instituições funcionam, existe segurança jurídica e as empresas têm garantido o direito de defesa. Questões tributárias relevantes são analisadas pelas cortes superiores, como o STJ, de forma técnica e detalhada.

Evidentemente, existem desafios importantes para a mineração. 

Um dos principais é o acúmulo de créditos de ICMS nas exportações. As mineradoras compram insumos tributados no Brasil, exportam seus produtos e acabam acumulando créditos que os estados, na prática, não devolvem. Esse é um problema histórico que afeta a competitividade do setor e que a reforma tributária promete solucionar.

BNamericas: Quando se compara o Brasil com outros países produtores de minerais, especialmente em projetos de longo prazo, como o país se posiciona do ponto de vista tributário?

Freitas: É importante analisar a mineração dentro de um contexto global. 

Projetos minerais, assim como petróleo e gás, exigem grandes investimentos iniciais e só geram retorno no médio e longo prazo. 

Em diversos países existe uma tendência de desonerar o CAPEX, facilitar o financiamento dos projetos e, em alguns casos, conceder incentivos relacionados à tributação sobre o lucro.

O PL dos minerais críticos busca avançar nessa direção ao incluir esses projetos em mecanismos como o Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), as debêntures incentivadas e um programa de créditos fiscais vinculados à CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). É um passo importante para estimular investimentos.

BNamericas: Quais são os principais avanços trazidos pelo projeto de lei do ponto de vista tributário?

Freitas: O projeto avança em três frentes principais. 

Primeiro, amplia a aplicação do Reidi para projetos ligados à extração e ao beneficiamento de minerais críticos e estratégicos, reduzindo custos relacionados a PIS/Cofins. 

Segundo, permite que esses projetos utilizem debêntures incentivadas e debêntures de infraestrutura, ampliando as opções de financiamento. Terceiro, cria um programa que prevê créditos fiscais de CSLL para projetos aprovados. O direcionamento é correto porque atua justamente em financiamento, CAPEX e tributação da renda.

BNamericas: Apesar desses avanços, o projeto ainda deixa lacunas quando comparado aos incentivos oferecidos por outros países?

Jucá: Sim. O principal ponto é que os nossos concorrentes internacionais, de forma geral, não tributam o CAPEX. O Reidi ajuda bastante porque reduz a incidência de PIS/Cofins, mas continuam existindo outros tributos relevantes, como ICMS e imposto de importação.

Hoje não há previsão de desoneração desses tributos para projetos de minerais críticos. Isso significa que ainda existe uma distância considerável entre o Brasil e os países com os quais competimos por investimentos.

Freitas: O próprio setor de petróleo e gás serve como referência. O Repetro criou um regime muito mais abrangente, contemplando não apenas PIS/Cofins, mas também imposto de importação, IPI e outros tributos. O PL dos minerais críticos ainda não chega a esse nível de abrangência.

BNamericas: Quais seriam os ajustes mais importantes para aproximar o Brasil dos seus concorrentes internacionais?

Jucá: O ideal seria ampliar a desoneração para incluir o imposto de importação e o ICMS incidente sobre equipamentos e investimentos. O ICMS continuará existindo até 2032, portanto esse tema é especialmente relevante. Sem essas medidas, o custo de implantação dos projetos continua elevado em comparação com outros países.

Freitas: O PL contém um dispositivo que estimula União, estados e municípios a criarem incentivos, mas não estabelece medidas concretas nesse sentido. É um direcionamento importante, mas ainda insuficiente para garantir igualdade de condições com outros mercados.

BNamericas: Muitos investidores internacionais que estão entrando no setor de minerais críticos ainda têm pouca familiaridade com o ambiente de negócios brasileiro. Há riscos ou armadilhas tributárias que precisam ser observados por tais stakeholders?

Jucá: Um ponto que merece atenção é justamente o acúmulo de créditos de ICMS nas exportações. Muitas vezes o investidor está concentrado na obtenção de licenças e na estruturação do CAPEX e não percebe o impacto tributário que surgirá quando a operação entrar em produção.

Esse acúmulo de créditos acaba se transformando em custo, reduzindo a competitividade do produto exportado.

Freitas: Esse é um aspecto que pode passar despercebido por investidores estrangeiros, especialmente aqueles que não têm experiência prévia com o sistema tributário brasileiro.

BNamericas: O cenário político e eleitoral pode dificultar a aprovação do projeto de lei ainda este ano, uma vez que ele ainda depende da aprovação do Senado?

Jucá: Não é exatamente nossa área de especialização avaliar a tramitação política. O que podemos observar é que os investimentos em minerais críticos já estão acontecendo, mesmo antes da aprovação do projeto, porque o Brasil possui vantagens estruturais importantes.

Freitas: Minha percepção é que existe um consenso relativamente amplo sobre a importância de desenvolver a cadeia de minerais críticos no Brasil. Pode haver divergências sobre a forma de fazer isso, mas o objetivo de fortalecer o setor parece contar com apoio de diferentes correntes políticas.

BNamericas: O que torna o Brasil atrativo para investimentos em minerais críticos, mesmo diante de desafios tributários?

Jucá: O Brasil oferece estabilidade institucional, segurança jurídica e abundância de recursos minerais. Investidores estrangeiros enxergam o país como uma democracia consolidada, onde existe respeito às regras e à propriedade privada.

Além disso, o atual contexto geopolítico, especialmente no caso das terras raras, aumenta o interesse global por fornecedores alternativos à China.

BNamericas: Um regime tributário mais competitivo poderia estimular o desenvolvimento de toda a cadeia de minerais críticos no país?

Freitas: Sem dúvida. O exemplo do Repetro mostra isso claramente. O regime foi fundamental não apenas para atrair investimentos, mas também para desenvolver uma cadeia completa de fornecedores, serviços e equipamentos para o setor de petróleo e gás.

Benefícios tributários não representam apenas renúncia fiscal; eles podem ser instrumentos de viabilização econômica capazes de gerar atividade produtiva, empregos e arrecadação no futuro.

Jucá: Quanto mais amigável for o ambiente tributário, maiores serão as chances de atrair etapas adicionais da cadeia produtiva, incluindo beneficiamento e refino.

O Brasil já possui recursos minerais abundantes, mas um sistema tributário mais competitivo aumentaria significativamente a probabilidade de o país se tornar um dos principais polos globais do setor.

BNamericas: Qual é a principal mensagem que fica da análise do projeto de lei?

Jucá: É importante separar três dimensões: o CAPEX, o financiamento dos investimentos e a operação dos projetos. O PL traz avanços relevantes nas duas primeiras frentes, especialmente com o Reidi e as debêntures incentivadas.

Mas ainda é necessário avançar na eliminação de custos tributários durante a operação, especialmente aqueles relacionados ao acúmulo de créditos nas exportações.

Freitas: O Brasil tem potencial para repetir, nos minerais críticos, uma trajetória semelhante à observada no petróleo e gás. As reservas existem e o interesse internacional também.

Quanto mais competitivo for o ambiente tributário, maiores serão as chances de desenvolver uma cadeia produtiva robusta e integrada no país.

 
Fonte: BN Americas
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/06/2026

 

Importações menores favorecem siderúrgicas, mas consumo de aço segue como sinal de alerta

Os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Aço Brasil trouxeram sinais mistos para o setor siderúrgico brasileiro. Na avaliação do Banco Safra, o cenário continua mais favorável para as produtoras de aços planos, beneficiadas pela redução das importações e pelo crescimento das vendas domésticas, embora a fraqueza do consumo aparente de aço ainda gere preocupações sobre o ritmo da demanda no país.

Segundo o relatório do banco, as vendas domésticas de aço cresceram 1% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado, mesmo diante de uma queda de 14% no consumo aparente. O resultado foi sustentado principalmente pela forte retração das importações de produtos laminados, que abriu espaço para os produtores locais ampliarem sua participação no mercado brasileiro.

“O ambiente segue mais construtivo para os fabricantes de aços planos, apoiado pelo crescimento das vendas domésticas e pela menor pressão das importações”, destacaram os analistas do Safra.

Entre os principais destaques positivos do mês, as importações de aço plano recuaram 67% na comparação anual, para 162 mil toneladas. Ao mesmo tempo, as exportações do segmento avançaram 44%, alcançando 70 mil toneladas.

No mercado doméstico, as vendas de laminados planos cresceram 6% em relação a maio de 2025, totalizando 1,08 milhão de toneladas.

Consumo fraco limita entusiasmo

Apesar dos indicadores favoráveis para as siderúrgicas de aços planos, o Safra alerta que a demanda final continua enfraquecida.

O consumo aparente de aço plano caiu 18% na comparação anual, para 1,25 milhão de toneladas, indicando que setores consumidores seguem operando em ritmo moderado.

A situação também é desafiadora para os produtores de aços longos, utilizados principalmente na construção civil. O consumo do segmento recuou 8% em maio, para 816 mil toneladas.

Além disso, as vendas domésticas de laminados longos caíram 7% na comparação anual, para 696 mil toneladas, enquanto as exportações recuaram 9%, para 105 mil toneladas.

Para os analistas, esses números mostram que a recuperação da demanda ainda não ganhou tração suficiente para sustentar um ciclo mais robusto de crescimento da indústria siderúrgica.

“O consumo aparente mais fraco sugere que a demanda permanece suave, apesar das melhorias observadas do lado da oferta”, afirma o relatório.

Menor pressão das importações melhora cenário competitivo

Um dos fatores mais acompanhados pelo mercado nos últimos meses tem sido a concorrência do aço importado, especialmente dos produtos asiáticos.

Os dados de maio indicam uma redução significativa dessa pressão. Além da queda de 67% nas importações de aço plano, as compras externas de aço longo também diminuíram 18% na comparação anual, para 104 mil toneladas.

Na avaliação do Safra, esse movimento pode representar uma mudança estrutural para o setor, especialmente diante das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro.

O banco destaca que a aplicação definitiva de tarifas antidumping para alguns produtos siderúrgicos, somada ao aumento das tarifas de importação para determinados códigos tarifários (NCMs), tende a favorecer um equilíbrio maior entre oferta e demanda ao longo de 2026.

Essa combinação pode permitir que as siderúrgicas exerçam maior disciplina de preços, reduzindo a necessidade de competir com produtos importados vendidos a valores mais baixos.

Espaço para reajustes de preços

Outro ponto observado pelo Safra é o comportamento dos preços domésticos do aço.

Segundo o banco, os produtores de aços longos possuem atualmente maior espaço teórico para implementar reajustes de preços em comparação ao segmento de aços planos. Isso ocorre porque os preços do vergalhão no mercado brasileiro ainda apresentam um prêmio considerado adequado em relação à paridade de importação.

Dados da Platts mostram que os preços da bobina laminada a quente (HRC) acumulam alta de 9% no ano, enquanto os preços do vergalhão avançaram 8% no mesmo período.

Os analistas avaliam que o avanço das medidas antidumping poderá contribuir para um mercado mais equilibrado e criar condições para novos aumentos de preços nos próximos trimestres.

Por outro lado, o banco faz uma ressalva importante: o cenário de demanda ainda fraca pode limitar o potencial de valorização.

“Reconhecemos as preocupações relacionadas ao consumo mais fraco e ao menor número de dias úteis em 2026, fatores que podem restringir a alta dos preços e frustrar expectativas de parte dos investidores”, afirma o relatório.

Utilização da capacidade cresce

Um indicador que reforça a melhora gradual do ambiente operacional foi o aumento da utilização da capacidade instalada das usinas brasileiras.

Em maio, a taxa de utilização da capacidade de produção de aço bruto atingiu 65,2%, avanço de 2,2 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

O dado sugere uma recuperação da atividade industrial no setor, embora ainda permaneça distante dos níveis historicamente observados em períodos de maior aquecimento da demanda.

Para o Safra, o balanço de maio mostra um cenário que continua favorecendo as empresas mais expostas ao mercado de aços planos, graças à combinação de menor concorrência externa e crescimento das vendas domésticas. No entanto, a fraqueza persistente do consumo segue como o principal fator de atenção para investidores e empresas do setor siderúrgico brasileiro.

 
Fonte: Eu Quero Investir
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/06/2026

 

Fim da escala 6x1 terá efeito cascata nos preços, diz especialista

O debate em torno do fim da escala 6x1 segue gerando preocupações em diversos setores da economia brasileira.

Maria Rita Catonio Barbosa, representante da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, alertou que a medida, caso aprovada nos moldes atualmente discutidos na Câmara, poderá desencadear um efeito cascata de aumento de preços para o consumidor final.

Segundo Maria Rita, a principal preocupação imediata é a redução da jornada de trabalho sem a correspondente redução salarial.

"Automaticamente isso vai elevar o custo da hora trabalhada", afirmou. Para ela, a proposta pode parecer atraente à primeira vista, mas suas consequências econômicas são amplas: "Alguém vai pagar a conta e não serão só as empresas".

Impacto em toda a cadeia produtiva

Maria Rita detalhou como o aumento de custos se propagaria por toda a cadeia produtiva. Empresas que precisarem reduzir a jornada terão de contratar mais funcionários para manter a produtividade, elevando seus gastos operacionais. Esse custo adicional seria repassado, ao menos parcialmente, ao consumidor.

"A indústria metalúrgica que fabrica chapa de aço vai ter um custo elevado, vai vender a chapa mais caro, automaticamente a fábrica de geladeira vai ter esse custo também repassado para as lojas", exemplificou. O mesmo raciocínio se aplicaria a estabelecimentos menores, como padarias, cujos preços também seriam afetados.

Comparação com países mais produtivos

A especialista também questionou as comparações feitas entre o Brasil e nações com jornadas de trabalho mais curtas. Ela citou Luxemburgo, apontado como o país mais produtivo do mundo, com média de 35,6 horas semanais e limite legal de 40 horas, mas que é sete vezes mais produtivo que o Brasil.

A Irlanda, outro exemplo frequentemente mencionado, possui produtividade seis vezes superior à brasileira. "Não podemos fazer essa comparação com esses países", afirmou Maria Rita, destacando que eles contam com melhor infraestrutura, menor informalidade e maior grau de automação.

No caso específico da indústria de transformação brasileira, Maria Rita apontou que, entre 2019 e 2024, houve uma queda de 9% na produtividade. Com a redução proposta de 44 para 40 horas semanais, seria necessário um ganho de 8,5% apenas para manter os níveis de produção atuais.

"O impacto vai ser monstruoso com relação a esse ponto", avaliou.

Negociação coletiva como alternativa

Para Maria Rita, a solução mais adequada passa pela negociação coletiva, que permitiria considerar as particularidades de cada setor, região e categoria profissional. Ela ressaltou que o Brasil possui realidades muito distintas entre seus municípios e estados, e que tratar todos de forma homogênea seria inadequado.

"Eu não posso ter o Rio de Janeiro sendo equiparado a outras regiões com realidades completamente diferentes", disse.

Questionada sobre as negociações da Federação com o governo federal e parlamentares, Maria Rita afirmou que a entidade tem buscado participar de audiências públicas para apresentar os impactos econômicos da proposta. Segundo ela, até o momento apenas uma audiência pública foi concedida.

"A nossa intenção é demonstrar todos os impactos econômicos que podem acontecer se a gente tiver o avanço da PEC da forma que trata todos como iguais, todo o Brasil e todas as categorias e todos os setores", concluiu.


Fim da escala 6x1 pode impactar produtividade brasileira, diz especialista
  
 
Fonte: CNN
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 22/06/2026

Terras raras colocam Brasil e Argentina em lados opostos no Mercosul

A disputa sobre o controle e a exploração de minerais críticos e elementos de terras raras deve expor diferenças entre Brasil e Argentina durante a próxima cúpula do Mercosul, marcada para os dias 29 e 30 em Assunção, no Paraguai. Os dois países se organizam no setor com estratégias opostas.

O Luiz Inácio Lula da Silva pretende apresentar ao bloco uma proposta prévia de estratégia do bloco para a valorização das reservas de terras raras dos países membros. Brasil e Argentina são os maiores detentores no Cone Sul, havendo também investimentos na Bolívia, membro mais recente do Mercosul.

O Planalto defende a exploração aberta a todos os países, desde que acompanhada de salvaguardas estratégicas e estímulos ao processamento local, incorporando os elementos à cadeia produtiva. Argentina, por outro lado, prioriza parcerias com os Estados Unidos, principal interessado no continente no setor.

A Bolívia, o ex-presidente Luis Arce buscou parcerias fora do continente para a exploração de terras raras, chegando a firmar um acordo com o Irã em 2025. O atual presidente, Rodrigo Paz Pereira, já é mais simpático à aproximação comercial com os Estados Unidos.

Debate interno

Em encontros internacionais, o presidente Lula adota como parâmetro de modelo futuro para exploração de terras raras o texto do projeto de lei 2.780/2024, aprovado na Câmara dos Deputados em abril e hoje em tramitação no Senado.

O projeto cria regras e instrumentos de governança para estimular a pesquisa, a extração, o beneficiamento e a industrialização de minerais essenciais para setores estratégicos da economia brasileira, como a transição energética, a produção de fertilizantes, a indústria tecnológica e a defesa nacional.

A proposta também estabelece incentivos fiscais e financeiros para empresas do setor, cria mecanismos de certificação ambiental e rastreabilidade da produção mineral e prevê a criação de um conselho encarregado de definir quais substâncias serão enquadradas como minerais críticos ou estratégicos.

O governo considera que o texto aprovado pela Câmara assegura condições para atrair investidores sem abrir mão de interesses locais.

 
Fonte: Congresso em Foco
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 22/06/2026

Tarifaço dos EUA derruba exportações brasileiras ao menor nível em três décadas

As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível de participação na pauta exportadora nacional em aproximadamente 30 anos, consolidando um movimento de perda de espaço do mercado norte-americano que se intensificou após a adoção de novas barreiras comerciais pelo governo dos Estados Unidos.

O chamado "tarifaço" promovido pela administração norte-americana provocou uma redução significativa nas vendas de produtos brasileiros para aquele país, afetando especialmente segmentos industriais com forte presença no comércio bilateral. A retração ocorre em um momento de reorganização das cadeias globais de suprimentos e de aumento das tensões comerciais entre grandes economias.

Dados recentes mostram que a participação dos Estados Unidos como destino das exportações brasileiras caiu para pouco mais de 10% do total embarcado pelo país, percentual que representa um dos menores níveis já registrados desde o início dos anos 1990. No começo dos anos 2000, os norte-americanos absorviam cerca de um quarto das exportações brasileiras.

O movimento ganhou força após a implementação das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano sobre diversos produtos brasileiros. Embora parte dessas medidas tenha sido flexibilizada posteriormente, uma parcela relevante das exportações continua sujeita a sobretaxas e restrições comerciais.

Os efeitos foram particularmente sentidos por setores ligados à indústria de transformação. Produtos como aço, ferro, máquinas e equipamentos, componentes industriais, produtos manufaturados e bens de maior valor agregado enfrentaram dificuldades para manter competitividade no mercado norte-americano diante do aumento dos custos de acesso ao país.

Para a indústria brasileira, o impacto vai além da simples redução das exportações. Os Estados Unidos historicamente representam um mercado importante para produtos industrializados, diferentemente de outros destinos que concentram compras de commodities agrícolas e minerais. Isso significa que a perda de participação naquele mercado afeta segmentos com maior geração de valor agregado, tecnologia e empregos qualificados.

Entre os setores mais afetados estão siderurgia, metalurgia, máquinas e equipamentos, móveis, madeira processada, couro, calçados e componentes industriais. Em algumas regiões do país, especialmente no Sul e no Sudeste, a dependência das vendas para os Estados Unidos tornou os impactos ainda mais visíveis. Minas Gerais, por exemplo, registrou forte retração nas exportações para o mercado norte-americano após a entrada em vigor das novas tarifas.

Apesar das dificuldades, o desempenho geral da balança comercial brasileira permaneceu positivo graças ao fortalecimento das exportações para outros mercados. A China ampliou sua participação como principal parceiro comercial do Brasil, enquanto Índia, países do Oriente Médio e diversas economias da América Latina aumentaram suas compras de produtos brasileiros.

Essa diversificação vem sendo apontada por especialistas como um dos principais fatores que impediram um impacto ainda maior sobre o comércio exterior brasileiro. O redirecionamento de parte das exportações para mercados alternativos permitiu compensar parcialmente as perdas registradas nos Estados Unidos.

Ainda assim, economistas alertam que substituir integralmente o mercado norte-americano não é uma tarefa simples. Além do elevado volume de importações dos Estados Unidos, o país possui demanda relevante por produtos industrializados brasileiros, característica que nem sempre se repete em outros parceiros comerciais.

O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de ampliar acordos comerciais e fortalecer a competitividade da indústria nacional. Para representantes do setor produtivo, a combinação entre barreiras externas, custos internos elevados e desafios logísticos continua limitando a capacidade de expansão das exportações manufaturadas brasileiras.

No médio prazo, a expectativa é que empresas brasileiras intensifiquem estratégias de diversificação geográfica e busquem novos mercados para reduzir a dependência de destinos específicos. Ao mesmo tempo, a continuidade das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington será acompanhada de perto por setores que ainda enxergam os Estados Unidos como um mercado estratégico para seus produtos.

O recuo das exportações para os EUA ao menor nível em três décadas simboliza uma mudança relevante no mapa comercial brasileiro. Mais do que um reflexo das disputas tarifárias recentes, o fenômeno evidencia a transformação das relações econômicas globais e o desafio de manter a competitividade da indústria nacional em um ambiente de crescente protecionismo e concorrência internacional.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 22/06/2026