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O que são terras-raras? Entenda como é a extração desses minerais e por que se tornaram tão cobiçados no mundo

O rápido desenvolvimento de novas tecnologias avançadas, das baterias de carros elétricos e painéis fotovoltaicos aos semicondutores e armamentos, provocou um aumento global da demanda por minerais críticos que são insumos dessas novas indústrias.

As chamadas terras-raras estão entre as mais cobiçadas matérias-primas do mundo atualmente e ganharam uma importância geopolítica sem precedentes com a guerra comercial promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O Brasil desponta com vantagens naturais nessa corrida. Reportagem do GLOBO mostra que oito projetos de mineração de elementos de terras-raras (ETRs) em curso no Brasil poderão desenvolver mais de um terço da reserva potencial do país — considerada a segunda maior do mundo, só atrás da da China, que domina esse mercado, incomodando Trump.

São 21 milhões de toneladas totais de óxidos de terras-raras (TREO, em inglês), atrás só da China, conforme o Serviço Geológico dos EUA (USGS). Os projetos mais avançados, em Minas, Goiás, Bahia e Amazonas, somam 38% disso, com capacidade de produzir 7,98 milhões de toneladas de TREOs, segundo o relatório do Cebri e informações das empresas.

Para acadêmicos, consultores e executivos, o Brasil se destaca nesta nova dinâmica pelo tamanho e pela qualidade das reservas. Segundo estimativa recente do Ibram, que reúne empresas brasileiras de mineração, os investimentos somam US$ 2,2 bilhões (R$ 11,5 bilhões) de 2025 a 2029.

Do que estamos falando?

São muitos os bilhões envolvidos sempre que se fala neste assunto, mas, afinal, de que tipo de matéria-prima todo o mundo está cobiçando como nunca? O que de fato está em jogo? Confira a seguir infográficos que vão te ajudar a entender mais desse assunto.

 

Onde estão as reservas brasileiras?

O Brasil tem interesse em atrair investimentos para explorar ETRs, cuja produção demanda uma cadeia industrial de beneficiamento. Os oito projetos mais adiantados no país foram mapeados em um relatório do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), feito com o Ibram e instituições de pesquisa.

Estão à frente deles empresas estrangeiras, principalmente pequenas mineradoras de capital aberto, conhecidas como “junior mineral companies”, de EUA, Austrália e Canadá. No entanto, a maior parte está em estágios inicias e apenas um está em operação. Faltam planos para explorar cerca de dois terços do potencial brasileiro.

 
 

O Brasil tem ainda outros 12 projetos nessa área, a maioria ainda sem reservas estimadas. A Terra Brasil Minerals espera concluir nos próximos meses a venda de uma fatia minoritária de suas ações para investidores internacionais como forma de levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para iniciar um outro projeto em Patos de Minas (MG) que combina ETRs com fosfato e potássio, usados na fabricação de fertilizantes, informou a Reuters.

Por que nossas reservas são competitivas?

Além de o Brasil ter grandes reservas de terras-raras, está em uma posição única fora da Ásia no quesito qualidade. O país tem ETRs em depósitos de argila iônica. Reservas desse tipo, na província de Jiangxi, no centro-sul da China, foram o diferencial do país asiático para dominar o setor.

Antonio de Castro, gerente de exploração da Brazilian Critical Minerals (BCM), mineradora de capital aberto na Bolsa australiana, diz que a transposição de tecnologia chinesa para o Brasil reduz o investimentos necessários para a produção, confirmando a competitividade brasileira

— Não é o momento de inventar e, sim, de copiar. Toda a Ásia faz (a lixiviação, uma espécie de lavagem) in situ (no local). Resolvemos fazer também — diz Castro, prevendo o início das operações para 2027. — Hoje, a BCM é a única empresa no Ocidente que está caminhando para produzir como os chineses e os asiáticos produzem (fora da China).

Por que esse tipo de mineração importa?

O investimento da China no setor, mantido estrategicamente por Pequim desde os anos 1980, deu-se com saltos tecnológicos que derrubaram custos de produção e deram à China uma grande competitividade no momento em que a indústria de tecnologia e transição energética precisa cada vez mais de terras-raras.

Enfrentar a competitividade da China não é simples, mas as rusgas diplomáticas com os EUA estão estimulando o Ocidente a buscar fontes alternativas. Esse desafio é uma oportunidade de atração de investimentos e negócios para o Brasil.
 

Como é a complexa cadeia de produção de terras-raras?

Segundo Fernando Landgraf, professor da Escola Politécnica da USP, a corrida por alternativas à China nos ETRs precisa ir além da pesquisa de reservas e concessões. Passa por investimentos nas demais fases industrias de beneficiamento dos minerais.

No caso das terras-raras, trata-se de um sofisticado processo de separação de elementos e tratamentos para chegar aos insumos que as indústrias de tecnologia buscam. A China desenvolveu muito bem essa cadeia. Nem EUA nem a Europa têm capacidade de refino para atender a demanda ocidental. A produção de baixo custo chinesa inviabilizou vários projetos similares fora da Ásia nos últimos anos.
 

 

O Brasil tem uma estratégia?

A resposta para o título acima é: não. Ou ao menos não ainda. Um projeto de lei (PL) tramita no Congresso para dar ao Brasil uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), já indicou informalmente nas linhas gerais de seu parecer um pacote de incentivos para atrair investimentos em beneficiamento e refino.

Parte dos especialistas defende políticas industriais para o setor, embora incentivos malsucedidos do passado sejam frequentemente citados como sinal de alerta. Executivos apontam a importância de priorizar e agilizar os processos de licenciamento ambiental, ainda que seja mantido o rigor. Por outro lado, a mineração é um dos setores que mais preocupam ambientalistas.

— Temos um problema estrutural: é difícil desenvolver indústria no Brasil — diz Aline Nunes, gerente de Assuntos Minerários do Ibram. — Sem incentivos fiscais e atração de investimentos é impossível.

O relatório de Jardim deve prever um pacote com benefícios tributários, autorização para emissão de títulos de dívida incentivados — similares às chamadas “debêntures de infraestrutura”, com isenção tributária — e o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, destinado à concessão de garantias a financiamentos para pequenas mineradoras, que têm caixa apertado e poucos ativos.

A falta de garantias é um obstáculo até mesmo para créditos do BNDES, que estimula investimentos produtivos. Os benefícios não seriam restritos ao setor de terras-raras.

O BNDES promete para o início de 2026 a aprovação dos primeiros projetos da Chamada Pública de Planos de Negócios para Investimentos em Transformação de Minerais Estratégicos, que distribuirá R$ 5 bilhões, em parceria com a Finep, agência de fomento à inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Em junho, a primeira etapa de seleção da chamada escolheu 56 projetos, que preveem R$ 45,8 bilhões. Embora os R$ 5 bilhões disponíveis — para crédito, títulos de dívida e até investimentos em participação acionária — pareçam pouco perante os planos de investimento, BNDES e Finep veem espaço para conseguir mais recursos ao longo do tempo.

O Ministério de Minas e Energia (MME) diz, em nota ao GLOBO, que está “contribuindo para que o marco regulatório resultante ofereça segurança jurídica, previsibilidade e ambiente competitivo para investidores e operadores”. E defende, no caso das terras-raras, “o domínio de tecnologias de separação e refino”. “A visão do MME é de que o desenvolvimento da cadeia de terras raras deve ocorrer de forma integrada, sustentável e com foco na agregação de valor no país”, diz a nota.

A experiência brasileira do nióbio pode ajudar?

A mineradora brasileira CBMM é apontada como um paradigma para o país planejar o desenvolvimento da cadeia de terras-raras. O desenvolvimento do mercado global de nióbio — usado para melhorar ligas de aço e que tem sido testado em baterias — está ligado a investimentos da empresa da família Moreira Salles em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de refino e aplicações para a matéria-prima.

Hoje, o Brasil domina 90% da produção mundial do nióbio, sem incentivos específicos, embora André Pimenta, coordenador do Instituto de Terras-Raras do Senai de Minas, aponte o apoio do governo mineiro ao longo dos anos.

A CBMM evita comentar políticas de incentivo, mas ressalta, em nota, que “não vende minério, somente produtos industrializados de alto valor agregado, buscando maximizar a geração de valor e avançar na cadeia produtiva”. Investe até R$ 300 milhões por ano em tecnologia, em “mais de 200 projetos em parceria com universidades, centros de pesquisa e clientes” no Brasil e no mundo.

 
Fonte: O Globo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 08/12/2025

 

Terras raras expõem dilema entre avanço e proteção no Brasil

O Brasil se vê, mais uma vez, diante de um daqueles momentos decisivos que definem o rumo de uma nação. De um lado, a promessa concreta de um investimento bilionário, da ordem de 655 milhões de dólares, para explorar um recurso estratégico para o futuro do planeta: as terras raras. Minerais essenciais para a produção de turbinas eólicas, veículos elétricos e uma infinidade de tecnologias verdes. Do outro, a memória recente e dolorosa de um passado onde a pressa pelo desenvolvimento deixou um rastro de lama, luto e destruição em Minas Gerais.

Duas mineradoras australianas, a Viridis Mining e a Meteoric, são as protagonistas desta nova encruzilhada. Com projetos localizados em solo mineiro – o Colossus, de 358 milhões de dólares, e o Caldeira, de 297 milhões –, elas representam a vanguarda de uma corrida global por minerais críticos. No entanto, o caminho para desbloquear essa riqueza não é mais um terreno aberto e sem questionamentos. Em novembro, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou a suspensão das análises de licenciamento ambiental dos projetos, pedindo novos estudos e consultas sobre riscos sociais e ambientais. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) atenderam à recomendação, travando momentaneamente o processo.

Essa intervenção não é um mero formalismo burocrático. É um sinal de um país que, ainda se recuperando das feridas de Mariana e Brumadinho, se permite – ou deveria se permitir – ser mais cauteloso. É o reflexo de uma sociedade civil mais atenta e de instituições que, espera-se, aprenderam com a tragédia. A pausa imposta pelo MPF ecoa o clamor de comunidades que já sentem na pele o peso secular da mineração e exigem que, desta vez, suas vozes sejam ouvidas antes, e não depois, do estrago.

A confiança das empresas e a resistência das instituições

As empresas, no entanto, mantêm um otimismo inabalável. Seus discursos são de confiança no processo e na solidez técnica de seus estudos. Rafael Moreno, diretor da Viridis, afirma que o projeto Colossus “continua a se beneficiar de um forte apoio em todos os níveis do governo brasileiro” e vê a retirada temporária da pauta do Copam como um “procedimento padrão”. Ele garante que todos os pontos do MPF já foram respondidos no Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e em audiências públicas, projetando confiantemente a retomada da análise para 19 de dezembro.

A Meteoric segue uma linha similar. Seu diretor, Stuart Gale, reconhece a frustração com o adiamento, mas sustenta que “o trabalho realizado pela nossa equipe sustenta a aprovação” da licença prévia. “Com base em nossa análise, não parece haver novos impedimentos”, completou, demonstrando fé na agilidade da retomada.

A postura das companhias é compreensível do ponto de vista do negócio. Elas apostam em um Brasil que, sob a gestão atual, mostra sinais robustos de recuperação econômica. O terceiro governo do presidente Lula registra a menor taxa média de desemprego (6,4%) desde o início da série histórica, com a renda média do trabalhador batendo recorde e crescendo 9,7% entre 2023 e setembro deste ano. Com a recente isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, a perspectiva é de que esse poder de compra continue a se expandir. A inflação, outro fantasma do passado recente, está sob controle, projetada para ser a menor em um período de quatro anos na história do país.

São números que desenham um cenário macroeconômico favorável e que, sem dúvida, atraem investimentos. O senador Humberto Costa (PT-PE) celebra este “momento histórico” de uma política econômica que, em suas palavras, “promoveu crescimento acima de qualquer previsão”. A senadora Augusta Brito (CE) reforça que estes “não são só números soltos”, mas representam “famílias que conseguiram voltar a pôr comida na mesa”.

O verdadeiro desenvolvimento é aquele que não repete erros

Aqui reside justamente o cerne do debate. O desenvolvimento econômico celebrado em Brasília precisa ser harmonizado, na prática, com a justiça social e ambiental nos territórios onde os projetos se instalam. Não basta gerar emprego e renda agregada no país se, localmente, o resultado for a degradação de nascentes, o assédio a comunidades tradicionais ou a repetição de um modelo extrativista que trata o meio ambiente como entrave.

O MPF, ao recomendar a pausa, age como um freio de arrumação necessário. Ele lembra a todos – governo, empresas e sociedade – que o licenciamento ambiental não é uma mera formalidade a ser cumprida, mas um instrumento crucial de proteção. A interrupção é um tempo precioso para se perguntar: os estudos são realmente robustos? As consultas às comunidades foram feitas de forma livre, prévia e informada? Os planos para eventuais passivos ambientais são sólidos e independentes?

O Brasil não pode abrir mão deste rigor. A exploração das terras raras, símbolo da transição para uma economia de baixo carbono, não pode nascer sob a sombra de velhas práticas predatórias. O país que recentemente saiu do Mapa da Fome e que recupera a renda de sua população não pode permitir que a busca por minerais do futuro comprometa a segurança hídrica e a qualidade de vida no presente.

A decisão que agora retorna ao Copam é mais do que técnica; é política e ética. As mineradoras australianas podem estar certas em sua confiança burocrática. Mas a confiança que o Brasil precisa construir é outra: a de seu povo, que exige, legitimamente, que a prosperidade anunciada não chegue, mais uma vez, acompanhada de lama e lamento. O verdadeiro recorde a ser batido não está apenas nos indicadores econômicos, mas na capacidade de desenvolver-se sem destruir, de crescer incluindo e protegendo. Este é o único caminho raro que vale a pena seguir.

 
Fonte: O Cafezinho
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/12/2025

 

Tarifas pesam e indústria do Brasil tem 7º mês seguido de contração em novembro, mostra PMI

As tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros continuaram pesando sobre a indústria nacional em novembro e afetaram o ritmo de vendas, o que contribuiu para que o setor registrasse contração pelo sétimo mês seguido, ainda que em ritmo mais fraco, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) nesta segunda-feira.

O PMI, compilado pela S&P Global, avançou a 48,8 em novembro, de 48,2 em outubro, chegando ao nível mais alto desde maio mas ainda abaixo da marca de 50 que separa contração de crescimento.

Em meio a condições difíceis de demanda, a taxa geral de redução das novas encomendas em novembro foi mais forte do que em outubro, com as vendas internacionais diminuindo no ritmo mais forte desde junho. Os participantes da pesquisa citaram as tarifas como fator, especificamente suspensões de pedidos provenientes dos EUA.

A diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, destacou em nota que a maior parte dos dados foi coletada antes do anúncio pelos EUA em 20 de novembro de remoção da tarifa de 40% sobre produtos alimentícios como carne bovina, café, cacau e frutas.

As quedas contínuas dos novos negócios continuaram a afetar os volumes de produção em novembro, que diminuíram pelo sétimo mês consecutivo.

Esse cenário, associado a condições competitivas e queda nos custos de insumos, levou a nova redução nos preços cobrados por bens, a mais forte desde agosto de 2023.

As empresas indicaram a segunda queda nos preços dos insumos em mais de dois anos, citando movimentos cambiais mais favoráveis e demanda global contida.

Houve apenas sinais tímidos de melhora no emprego na indústria brasileira, após queda em outubro, com 7% das empresas contratando pessoal extra, enquanto 86% mantiveram o número de funcionários.

O otimismo das empresas, por sua vez, fortaleceu-se em relação a outubro, com expectativas crescentes de resolução para as tarifas impostas pelos EUA e cortes na taxa de juros --a taxa básica Selic está atualmente em 15% e a perspectiva é de que seja mantida nesse nível em dezembro. As empresas também esperam que o investimento em lançamentos de novos produtos apoie o crescimento da produção no próximo ano.

 
Fonte: Reuters
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 02/12/2025

 

Adoção de práticas ESG pode somar R$ 400 bilhões à economia

Segundo estudo Impact Edge, da EY-Parthenon, lançado durante a COP30, em Belém, a incorporação estratégica de práticas ESG na mineração pode aumentar 20,81% na atividade econômica, valor equivalente ao crescimento acumulado da mineração nos últimos cinco anos, segundo dados da PIA/IBGE. O levantamento destaca ainda que os benefícios ultrapassam as fronteiras das empresas que adotam essas práticas e se expandem a toda a economia brasileira. Estima-se que os ganhos totais possam alcançar R$ 399 bilhões adicionais por ano, montante comparável ao PIB do estado da Bahia em 2022.

O estudo revela ainda a geração de mais de três milhões de novos empregos, número equivalente à população do estado de Alagoas, o que reforça o impacto transformador das iniciativas para o mercado de trabalho. O setor de mineração mantém papel central na economia brasileira e alcançou, em 2024, um PIB de R$ 290,6 bilhões, o que representa 2,67% de tudo o que o país produz.

A adoção efetiva das iniciativas divulgadas pelas empresas mapeadas no estudo pode evitar a emissão de 19,52 milhões de toneladas de CO? e preservar cerca de 4,8 trilhões de litros de água, além de impedir a geração de 400 milhões de toneladas de resíduos. Na área social, o destaque fica para a criação de 7.152 vagas afirmativas em posições de liderança, demonstrando a disposição do setor em seguir impulsionando a diversidade, inclusão e equidade. Na esfera da saúde, estima-se que 93.056 internações seriam evitadas anualmente, uma economia de R$ 47,77 milhões ao Sistema Único de Saúde, valor que pode ser realocado para áreas prioritárias como educação, segurança e infraestrutura. “A mineração brasileira vive um momento decisivo. Temos a oportunidade de deixar para trás uma visão arcaica de que o setor de mineração estava fundamentalmente vinculado a riscos ambientais e sociais. As empresas vêm investindo significativamente em práticas robustas de gestão de riscos com o objetivo de aumentar a resiliência de sua infraestrutura aos efeitos das mudanças climáticas e mitigar seu impacto nos biomas onde opera. A transição já começou — e os resultados mostram que é plenamente possível conciliar competitividade econômica com responsabilidade ambiental e inclusão social. Quem conseguir alinhar estratégia, dados e execução estará preparado para transformar a transição climática em uma vantagem competitiva de longo prazo”, diz Elanne Almeida, Líder Global de Sustentabilidade para Mineração e Metais da EY.

A mineração tem posição estratégica na economia brasileira e fornece matérias-primas essenciais para setores como indústria de base, construção civil, energia e tecnologias emergentes. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de minério de ferro e o quinto maior produtor de minerais em geral, o que o coloca em destaque no cenário global. Com o avanço acelerado da indústria tecnológica, cresce também a demanda por minerais críticos e terras raras, recursos fundamentais para a transição energética e digital. “O setor atravessa um momento de profundas transformações. O compromisso com práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a representar uma nova forma de operar. A implementação de medidas de redução de emissões, eficiência energética, melhor gestão hídrica e de resíduos têm mostrado que investir em sustentabilidade é uma decisão estratégica cujo valor extrapola os típicos indicadores ESG, gerando um impacto real na economia do território”, comenta Almeida.

O levantamento aponta que entre os principais desafios do setor estão a gestão dos recursos hídricos, descarbonização de processos intensivos em energia e segurança de barragens e rejeitos que continuam sob forte escrutínio público e regulatório, e competem por capital em um contexto de instabilidade política internacional que reduz o apetite ao risco e cria um mindset de cautela, redução de custos e a preservação do capital – pelo menos no curto prazo. É necessário fortalecer a governança socioambiental, ampliar o diálogo com as comunidades e garantir maior transparência e rastreabilidade nas cadeias de suprimentos minerais. “Essas dinâmicas vêm redefinindo as prioridades de investimento no setor. Modelos antes focados em conformidade deram lugar a estratégias estruturadas de criação de valor compartilhado, que unem eficiência operacional e impacto socioambiental positivo. O Impact Edge demonstrou que esse impacto é muito maior do que se conhecia”, finaliza a líder.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 01/12/2025

 

Siderúrgicas esperam medidas do governo até o início de 2026

Os grandes grupos siderúrgicos no país estão participando de encontros quase semanais com integrantes do governo federal para discutir medidas de defesa concorrencial para proteger a indústria brasileira de concorrência desleal de fabricantes de outros países. No caso do aço, a reivindicação tem endereço certo: a China. O problema não é novo, assim como os pedidos dos empresários que, em alguns casos, desativaram ou desistiram de reativar plantas menos eficientes. A expectativa do setor é de que até o primeiro trimestre de 2026 o governo tome alguma medida de defesa comercial. Até porque, as medidas adotadas até agora expiram em abril do ano que vem.

“Historicamente, as importações de aço no Brasil ficavam entre 2,5 milhões e 3 milhões por ano, mas este ano vão ser quase 6 milhões de toneladas, o dobro. A maior parte vinda da Ásia com preços abaixo do custo de produção, numa prática predatória, desleal”, afirma Everton Guimarães Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos e Mineração Latam e vice-presidente da operação no Brasil. De acordo com ele, uma chapa de aço no Brasil custa entre US$ 800 e US$ 1 mil, mas a mesma chapa de aço vinda da China é internalizada no país por US$ 500. “As siderúrgicas chinesas exportam com margens negativas. Com isso, os produtos chineses chegam a ter uma diferença de quase 50%do custo de produção”, reforça o executivo.

Negresiolo, assim como executivos de outras siderúrgicas consideram o cenário atual como desafiador. Hoje, as empresas brasileiras contam com salvaguardas adotadas pelo Brasil em 2024. Em abril do ano passado, o governo brasileiro elevou para 25% o imposto de importação de produtos de aço e fixou uma cota a partir da qual a sobretaxa passou a incidir. “A medida foi positiva, mas insuficiente”, observa Negresiolo. “Foram 18 produtos de um total de 280 produtos e a cota foi fixada com base nos últimos três anos, nos quais a importação foi alta”, explica o CEO da ArcelorMittal Aços Longos. A reivindicação do setor é de que a lista seja ampliada e as cotas reduzidas. “Não é uma medida protecionista, é uma medida de defesa da indústria brasileira”, frisa o executivo.

Para reforçar a necessidade de o Brasil se proteger, ele lembra que os Estados Unidos impuseram sobretaxa de 50% sobre as importações de aço e a União Europeia (UE) aprovou reduzir as cotas de importação à metade e elevar o imposto de importação para 50%, medida que deve ser ratificada em breve pelo Parlamento Europeu. “O Brasil pode elevar a taxa de importação para 35% de imediato, sem ferir as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio)”, afirma o CEO da ArcelorMittaL A persistência do quadro compromete a operação das usinas brasileiras De acordo com Negrisiolo, as empresas hoje operam com 65% da capacidade, quando o ideal era trabalhar acima de 80%.

Diante do cenário, as empresas estão avaliando investimentos e a principal consequência pode ser o cancelamento dos mesmos, lembrando que os grupos hoje são transnacionais. A Aperam, fabricante de aço inoxidável congelou os investimentos de R$ 588 milhões programados para o Brasil. Já a Gerdau manteve a previsão de investimentos no país, de R$ 4 bilhões, este ano, mas está revendo os aportes para os próximos anos. A AcerlorMittal, que acaba de concluir este ano investimentos de R$ 25 bilhões nas siderúrgicas e na mineração, está avaliando a viabilidade de um novo programa de aportes entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões para os próximos anos no Brasil.

O Brasil é o nono maior produtor de aço no mundo, com 33,7 milhões de toneladas, o que corresponde a 66% da capacidade instalada de 51 milhões de toneladas. O setor siderúrgico brasileiro conta com 15 empresas privadas controladas por 11 grupos empresariais. Ao todo são 31 usinas em 10 estados que empregam 117,44 mil trabalhadores, entre contingente próprio e terceirizado.

 
Fonte: Estado de Minas
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 28/11/2025

 

Câmara da Indústria de Metalurgia, Siderurgia e Mineração discute tarifaço e impacto nas exportações brasileiras

Integrantes da Câmara da Indústria de Metalurgia, Siderurgia e Mineração da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) se reuniram nessa quarta-feira (26/11) na sede da entidade, em Belo Horizonte. O encontro teve como pauta tema as atualizações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos e seus impactos nos setores da metalurgia, siderurgia e mineração, encerrando o calendário de atividades do grupo de trabalho em 2025.

O presidente do colegiado, Bruno Melo Lima, iniciou a reunião falando sobre a situação dos juros elevados no Brasil. “Essa taxa de juros de 15% ao ano é uma recessão na veia e incompatível com qualquer atividade econômica. É um entrave para o consumo, para o desenvolvimento e para todas as atividades de uma maneira geral”, destacou Lima.

O presidente da Câmara avaliou ainda que o país está enfrentando uma situação econômica muito ruim: “um desequilíbrio fiscal enorme e uma insensibilidade muito grande do governo com relação a isso. Parece que, ao contrário de todos os técnicos, e do que todos os estudos acadêmicos mostram, o governo insiste em gastar mais do que arrecada. Bate recorde de arrecadação, a economia não cresce, enquanto a tendência é persistir esse juros e paralisar o crescimento. É uma situação muito difícil para o empresariado”, avaliou.

Verônica Ribeiro Winter, Coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios (CIN) e Secretária Executiva do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, falou sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos, ressaltando maior esperança diante das negociações.

“Pelo menos foi dado início ao diálogo entre os governos sobre a redução das tarifas. Para os setores aqui da Câmara, ainda não tem nada de concreto sobre o avanço que gostaríamos em termos de redução. Mas o importante é que haverá continuidade nas negociações e temos a expectativa de que terá ainda uma melhora e um desdobramento em relação a outros setores para além do café e demais anunciados pelo governo norte-americano na última semana. Observamos que a maioria dos produtos que eles isentaram são os que eles não conseguem produzir o suficiente para atender a demanda”, explicou Verônica.

“A tarifa para cobre e derivados, aço e alumínio estão todas ainda em 50%. A tarifa geral de 40% só foi isenta agora em novembro para os produtos agrícolas. Então, os demais produtos que estavam tarifados continuam tarifados. Chamada tarifa recíproca, tivemos em setembro a isenção da celulose do ferro-níquel, então isso foi um ponto positivo em relação a essa negociação”, acrescentou.

Segundo Verônica, o maior impacto do tarifaço aplicado desde agosto está na exportação. “Em relação ao ferro e ácidos básicos, fiz um consolidado desses produtos e em 2024, a exportação foi de 1,54 bilhão. E de janeiro a outubro do ano passado, em relação ao mesmo período de 2025, houve um aumento de 12%. Provavelmente o aumento nesse período é justificado porque no início do ano a gente teve muita antecipação de embarque”, explica Verônica.

“O ferro-gusa também registrou queda nas exportações: apesar de ser tarifado em 10%, é uma tarifa que não existia anteriormente. O ferro nióbio está isento e os outros ferroligas ainda estão tarifados em 40 ou 50%. As exportações dos produtos do setor siderúrgico também estão em queda e têm uma tarifa de 50%”.

A coordenadora do CIN concluiu que praticamente todos que têm tarifa de 50%, eles apresentaram neste período — de agosto a outubro —, uma queda, alguns uma queda relativa e outros uma queda bem importante.

Após a reunião, os integrantes da Câmara da Indústria de Metalurgia, Siderurgia e Mineração participaram de um almoço de confraternização.

 
Fonte: FIEMG
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 28/11/2025