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Entidades brasileiras alertam sobre impacto de tarifa nos Estados Unidos e ameaça chinesa

O aumento das exportações brasileiras para a China em decorrência das possíveis novas taxas americanas foi um dos alertas levados por representantes empresariais brasileiros no segundo dia de audiências no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

“Trouxemos esse argumento de que taxar o Brasil para máquinas e equipamentos possibilitaria que o país fosse deslocado e que quem pode ocupar [espaço] é a China. Outros setores também trouxeram esse argumento. Para alguns, apenas a China pode substituir, mas em outros, Índia e Coreia do Sul, por exemplo, também poderiam”, disse Patrícia Gomes, diretora-executiva de mercado externo da Abimaq, entidade que representa os fabricantes e esteve na audiência que tratou da recomendação feita em junho pela USTR de imposição de alíquota de 25% sobre parte das mercadorias importadas do Brasil por práticas comerciais que a administração americana considera “desleais”.

Segundo a Abimaq, questionamentos levantados incluíram se havia produção doméstica nos EUA do material exportado pela indústria brasileira e se ela era suficiente para atender a demanda americana. “Mas falamos da dificuldade de se substituir esse tipo de fornecimento de máquinas que fazemos, já que se tratam de produtos customizados feitos sob demanda e que atendem certificações extremamente rigorosas que são difíceis de serem obtidas.”

Para a indústria de calçados, ter o Brasil como fornecedor diversifica os embarques para os EUA com uma fonte de abastecimento ocidental “confiável”. Segundo a Abicalçados, entidade que representa o segmento, os EUA consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produz aproximadamente 20 milhões de pares, ou seja, cerca de 1% do consumo doméstico. Atualmente, a oferta para os americanos é liderada pela China, com 48% do total em termos de volume, segundo a entidade.

Tarifa adicional “tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos EUA em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses americanos em diversificação”, afirmou, em comunicado, Letícia Sperb Masselli, gerente de relacionamento e negócios da Abicalçados, que participou da audiência.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio do escritório Barral Parente Pinheiro disse que a audiência foi “bastante formal”. “O tema foi concentrado em documentos, em dados e em confirmação de dados, então bem mais técnica”, disse. O escritório do qual ele é sócio representou entidades como a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) nas discussões.

A Abimaq usou como argumento o fato de 82% das exportações do setor brasileiro de máquinas e equipamentos terem sido feitas entre empresas do mesmo grupo econômico em 2024, ou seja, aquelas que têm sede no Brasil e subsidiária nos EUA, ou vice-versa. Para a entidade, a taxação afetaria brasileiras que estão investindo em território americano e americanas investindo no Brasil. “Esse tipo de comércio complementa a produção americana”, afirmou Gomes.

Ela disse que o superávit comercial de US$ 1,2 bilhão dos EUA com o Brasil na balança comercial de máquinas e equipamentos do Brasil também foi mencionado.

Já a Abicalçados afirmou que “as explanações foram todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário no país, que não possui produção significativa de calçados”, disse Sperb.

Outra fonte que participou da reunião disse acreditar que, com base na audiência, o governo americano deve apenas corrigir dados apontados pela indústria. “Claramente, o USTR basicamente vai corrigir algumas coisas que apontamos, mas a conclusão geral, provavelmente, vai ser a mesma [de impor tarifa], não sei se de 25%. Na verdade, o que depende agora é da negociação do governo brasileiro, porque a decisão final é do Trump”, afirmou.

No painel voltado ao café, o Cecafé, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA), dos Estados Unidos, defenderam manter a isenção da tarifa de 25% sobre os cafés verde, torrado e moído e estender o benefício ao café solúvel.


"Explanações foram todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário no país”
— Letícia Sperb

A Abics defendeu em sua apresentação que o produto é fundamental para diversos setores da economia americana, incluindo bebidas prontas para consumo, produtos de panificação, confeitaria, laticínios e serviços de alimentação institucional. A entidade citou estudos que apontam crescimento anual de 5,6% entre 2025 e 2030 no mercado americano de café pronto para consumo.

A Abics salientou a necessidade de garantir abastecimento estável e acessível de café solúvel. Segundo a associação, o Brasil responde por 22% das importações americanas de café solúvel. A tarifa adicional de 25% pressionaria as margens das empresas e a inflação no país, diz a entidade.

“México e Brasil respondem por quase 60% do total das importações, sendo que os preços mexicanos são cerca de 1,5 vez mais alto que os brasileiros”, afirmou Fabio Sato, diretor de relações institucionais da Abics e que participou da audiência.

O setor exportador de mel também participou das audiências na segunda-feira. O Brasil exporta em torno de 40 mil toneladas de mel orgânico por ano para os Estados Unidos, que não tem produção local dessa categoria de mel. O setor já está sujeito a uma taxa de importação de 12,5% e, com a sobretaxa de 25% proposta pela administração Trump, a taxação chega a 37,5%.

“O Brasil atende 75% da demanda, é o principal fornecedor de mel orgânico para os EUA”, disse João Marcelo Messas, diretor da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel). A Abemel estima que cada dólar de mel orgânico importado se transforma em US$ 5,50 em negócios para a economia americana.

Messas disse estar otimista com o andamento da investigação pelo USTR. “Cumprimos os prazos, respondemos os questionamentos de forma muito esclarecedora, que foi muito bem recebida pelo comitê que avaliou a gente”, afirmou.

Ele acrescentou que, além de ter o apoio durante a audiência do setor exportador brasileiro, empresas que estão sendo impactadas nos Estados Unidos também defenderam a isenção da tarifa de 25%. “Vejo com bons olhos tudo o que aconteceu, mas ainda sem garantia de que a gente vai ter uma definição a nosso favor.”

A indústria do arroz também participou do primeiro dia de audiências. Andressa Silva, diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), disse que o ambiente na audiência foi receptivo.

“Falamos sobre os potenciais impactos sobre pequenas e médias empresas americanas que atendem ao nicho de comunidade latina, bem como toda a cadeia de valor envolvida de logística, transporte, armazenagem e o potencial aumento de custo para o consumidor americano.”

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que foi representada por Fernanda Maciel Carneiro, rebateu que o desmatamento ilegal está concentrado em uma área isolada e não representa a agropecuária brasileira. A CNA apresentou dados indicando que o desmatamento na Amazônia Legal reduziu 56% entre 2011 e 2025.

No segmento de biocombustíveis, o governo americano acusa o Brasil de prejudicar o comércio de etanol com aplicação de tarifas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) alegou que a tarifa brasileira sobre o etanol importado segue a regra de Nação Mais Favorecida da OMC e que não se trata de uma retaliação aos EUA.

A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, defendeu que o etanol americano perdeu espaço no Brasil por causa do câmbio, dos custos logísticos e da expansão acelerada da indústria de etanol de milho no mercado doméstico.

O USTR tem até o dia 15 para tomar a sua decisão final.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 08/07/2026

 

335 empresas se manifestam sobre tarifas de Trump a produtos brasileiros

Uma lista de 335 empresas e organizações brasileiras e norte-americanas se manifestaram formalmente sobre a medida do governo dos Estados Unidos de propor uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, anunciada em julho deste ano, com base na seção 301.

Outras 30 manifestações de pessoas físicas foram registradas, como a do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). (Veja uma lista mais abaixo).

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) abriu um espaço em seu portal para receber comentários sobre a medida e o prazo para envio das manifestações terminou em 1º de julho. A Seção 301 é um dispositivo legal que permite aos americanos impor tarifas coercitivas sobre mercadorias de países cujas atividades estariam supostamente prejudicando o setor comercial dos Estados Unidos.

Entre as empresas que se manifestaram estão gigantes de seus setores, como a Coca-Cola, eBay, Nestlé, Faber-Castell e Tesla. Além do posicionamento do governo brasileiro, diversas entidades setoriais do País também registraram posicionamento no portal do USTR, como a Confederação Nacional da Indústria (CNA) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O governo Trump justificou a taxação em razão de "políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal".

As empresas contrárias à resolução alegam que este novo tarifaço pode trazer ônus a curto prazo nas cadeias de produção e, além disso, que a medida também prejudica os norte-americanos em detrimento dos investigados. Pode-se dizer que boa parte das manifestações registradas são contrárias à medida, visto que a maioria são de empresas brasileiras e americanas apontando pontos desfavoráveis para sua atividade específica.

Veja 30 empresas que se manifestaram:

Archer Daniels Midland (ADM) - agronegócio
Bauducco Foods Inc. - alimentos
Becton, Dickinson and Company - tecnologia médica
Builders FirstSourc - materiais de construção
Caterpillar Inc. - máquinas e equipamentos
Celanese Corporation - química
Cleveland-Cliffs Inc. - mineração e siderurgia
Coca-Cola Company - bebidas
Companhia Siderúrgica Nacional - siderurgia
Dow - química
Eastman Chemical Company - química
eBay - comércio eletrônico
Faber-Castell - papelaria e materiais de escrita
Incepa Revestimentos Cerâmicos Ltda. - materiais de construção
JBS S.A. - alimentos
Kimberly-Clark Corporation - higiene
Klabin S.A. - papel e celulose
Louis Dreyfus Company - agronegócio
Nestlé - alimentos
Nucor Corporation - siderurgia
Olin Winchesater, LLC - defesa e munições
Philip Morris - tabaco
Siemens Energy - energia
Steel Dynamics, Inc. - siderurgia
Suzano S.A. - papel e celulose
Sylvamo - papel e celulose
Taurus Holdings, Inc. - defesa e armas
Tesla, Inc. - indústria automotiva
Tramontina - bens de consumo
WEG Electric Corp. - máquinas e equipamentos
Veja 10 organizações ou entidades que se manifestaram:

Governo do Brasil
Câmara Americana de Comércio para o Brasil
Confederação Nacional da Indústria - principal entidade da indústria brasileira
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - principal federação da indústria brasileira
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - principal entidade do agronegócio brasileiro
Indústria Brasileira de Árvores - principal entidade da indústria brasileira de árvores cultivadas, papel e celulose
Associação Brasileira da Indústria Química - principal entidade da indústria química brasileira
Associação Brasileira da Indústria de Alimentos - principal entidade da indústria brasileira de alimentos
União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia - principal entidade do setor sucroenergético brasileiro
Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos - principal entidade da indústria brasileira de máquinas e equipamentos
A lista completa pode ser encontrada no site do USTR.

 
Fonte: Correio Braziliense
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 08/07/2026

Setor de ferro e aço vê avanço em audiência pública nos EUA, mas alerta que tarifa pode parar 55% das usinas

O setor brasileiro de ferro e aço saiu esperançoso do segundo e último dia de audiência pública nos Estados Unidos sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos do Brasil, mas ainda vê risco elevado para a cadeia produtiva caso o ferro-gusa fique fora da lista de exceções.

A avaliação é do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), que participou das discussões em Washington no âmbito da investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301.

O principal ponto de atenção para a entidade é o ferro-gusa, matéria-prima usada na produção de aço e ferro fundido. O produto é estratégico para siderúrgicas americanas e tem o Brasil, especialmente Minas Gerais, como fornecedor relevante.

“A gente sai esperançoso. Realmente, o melhor termo é esse”, disse Fausto Varela, presidente do Sindifer-MG, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. “Gostaríamos de estar bem otimistas, mas estamos muito esperançosos.”

Segundo ele, a audiência foi positiva para o setor. “Foi bem receptivo, a coisa funcionou bem”, afirmou.

O USTR tem até 15 de julho para decidir se levará adiante a tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, segundo comunicado do órgão.

Leia também: Setores brasileiros contestam sobretaxa de 25% dos EUA e defendem negociação no primeiro dia de audiência pública em Washington

Disputa vai além do Brasil

A estratégia do setor foi tentar mostrar que a tarifa não atingiria apenas exportadores brasileiros, mas que a sobretaxa também poderia elevar custos para a indústria americana do aço, que usa o ferro-gusa brasileiro como insumo.

Segundo Varela, os Estados Unidos são grandes importadores do produto e têm uma relação antiga de fornecimento com o Brasil.

“Existe uma demanda muito grande de ferro-gusa. Os Estados Unidos são importadores de ferro-gusa”, disse.

De acordo com o presidente do Sindifer-MG, o Brasil respondeu por 60% das importações americanas do produto no ano passado.

“No ano passado, das importações totais deles, 60% foi do Brasil. Então isso é muito forte”, afirmou.

Segundo a S&P Global, os Estados Unidos compraram cerca de 3,36 milhões de toneladas de ferro-gusa do Brasil em 2025. Já dados do US Customs indicam que as importações totais americanas do produto somaram 5,3 milhões de toneladas no período. Com isso, o Brasil respondeu por pouco mais de 60% das compras externas dos EUA.

O peso do Brasil na oferta explica a preocupação das siderúrgicas americanas. Segundo a S&P Global, há pouco ou nenhum mercado doméstico disponível de ferro-gusa nos Estados Unidos, já que empresas americanas que produzem o insumo normalmente consomem a própria produção.

A relevância do produto também está ligada ao modelo de produção americano. Mais de 70% do aço produzido nos Estados Unidos vem de fornos elétricos a arco, tecnologia que usa sucata, ferro-gusa e/ou ferro reduzido direto como carga metálica, segundo a associação americana do setor de ferro e aço, a AISI.

Para Varela, substituir rapidamente o fornecimento brasileiro seria difícil. “Eles não conseguem abastecer de outros países. Eles teriam dificuldade de suprir essa falta de oferta”, disse.

Na avaliação do setor, a tarifa reduziria a competitividade do produto brasileiro e pressionaria os custos de empresas americanas que compram esse insumo.

Americanos também participaram do debate

A audiência desta terça-feira (7) também incluiu representantes de empresas e entidades ligadas à indústria americana de metais e aço.

Além do Sindifer-MG, o cronograma do segundo dia previa participações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Steel Manufacturers Association, da Cleveland-Cliffs e da Steel Dynamics, entre outros nomes da cadeia industrial.

A presença desses representantes reforça que o debate não ficou restrito a uma defesa brasileira. A questão também envolve fabricantes e associações dos Estados Unidos preocupados com o efeito da tarifa sobre custos de produção, competitividade e abastecimento.

Representantes da siderurgia americana também têm defendido isenção para o ferro-gusa importado. A Steel Manufacturers Association, que representa produtores de aço por forno elétrico nos EUA, argumenta que a tarifa sobre o insumo poderia prejudicar a competitividade da própria siderurgia americana.

Tarifa pode chegar a 37,5%

O risco para o setor não se limita à tarifa de 25% discutida na investigação específica sobre o Brasil. O ferro-gusa também pode ser alcançado por uma investigação paralela da Seção 301 sobre trabalho forçado.

Nesse processo, o USTR propôs tarifa adicional de 12,5% para produtos de economias que, segundo o órgão, não impõem ou não fiscalizam de forma efetiva a proibição de importações ligadas a trabalho forçado.

Os representantes da siderurgia alertam que a cobrança total poderia chegar a 37,5% sobre o ferro-gusa brasileiro, somando a tarifa de 25% proposta na investigação contra o Brasil e a alíquota adicional de 12,5% discutida no processo sobre trabalho forçado.

O setor afirma que o ferro-gusa brasileiro não foi contemplado na lista preliminar de exceções à tarifa de 25%. Por isso, a meta é convencer o USTR a incluir o produto entre os itens isentos antes da decisão final.

Para o Sindifer-MG, a tarifa teria impacto direto sobre a competitividade das usinas brasileiras. A entidade estima que cerca de 55% das unidades produtoras poderiam paralisar atividades caso as novas tarifas entrem em vigor.

Minas concentra 70% da produção nacional

O impacto potencial é especialmente relevante para Minas Gerais. Segundo levantamento do Sindifer-MG divulgado pela Fiemg, o estado concentra 48 usinas e 63 fornos, com capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas por mês. Isso representa aproximadamente 70% da produção nacional.

Sete Lagoas, na região central do estado, é um dos principais polos do setor, com 21 unidades.

Em 2025, a produção nacional de ferro-gusa somou cerca de 5,4 milhões de toneladas. Aproximadamente três quartos desse volume foram destinados à exportação, sendo mais de 80% para os Estados Unidos, segundo o Sindifer-MG.

Entre janeiro e maio de 2026, a produção nacional chegou a cerca de 1,6 milhão de toneladas. Desse total, 80% foram exportados ao mercado americano.

O setor também afirma gerar mais de 60 mil empregos diretos e indiretos em Minas Gerais.

Negócios futuros estão suspensos

Varela disse que as vendas já contratadas seguem dentro do previsto, com entregas programadas até o início de agosto. Segundo ele, o desempenho do primeiro semestre está levemente acima do registrado no mesmo período do ano passado.

“Nós temos as vendas normais, da forma que estava programada, praticamente equivalente, um pouquinho maior que o ano passado”, disse.

Segundo ele, o problema está nas novas negociações.

“A única coisa é que as negociações para o futuro estão suspensas”, afirmou. “Aquilo que já estava negociado e cuja entrega estamos fazendo agora até o início de agosto segue programado, sem alteração.”

Essa suspensão mostra que o efeito da tarifa já aparece antes mesmo da decisão final. Compradores e produtores aguardam o desfecho em Washington antes de fechar novos contratos.

Setor vê chance de análise caso a caso

Durante a audiência, os setores inscritos tiveram cinco minutos para apresentar seus argumentos. Segundo Varela, a exposição do setor de ferro e aço foi bem recebida.

“Não houve contestação”, disse. “A exposição foi muito boa, as perguntas foram todas respondidas.”

O presidente do Sindifer-MG afirmou que produtores de aço nos Estados Unidos também têm interesse na exclusão do produto da sobretaxa, porque seriam afetados pelo aumento de custos.

“Os produtores de aço, que são nossos clientes lá nos Estados Unidos, também têm interesse muito grande em que continue, que não seja sobretaxado, porque realmente aumentaria o custo deles”, afirmou.

Varela disse acreditar que o governo americano pode avaliar produtos ou setores de forma separada, e não apenas tomar uma decisão única para toda a pauta exportadora brasileira.

Segundo ele, o ideal seria uma decisão ampla que beneficiasse todos os setores brasileiros, mas a dinâmica da audiência abre espaço para análises individualizadas ou por grupos de produtos semelhantes.

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 08/07/2026

Produção das siderúrgicas chinesas causa superávit e derruba preços do aço, diz economista

O Brasil criticou as novas medidas adotadas pela União Europeia para restringir as importações de produtos siderúrgicos. Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disseram que as mudanças diminuem o acesso ao mercado europeu e não representam uma solução para o excesso de capacidade na indústria do aço mundial.

O bloco europeu adotou novas restrições quantitativas para a entrada de produtos siderúrgicos e aumentou as tarifas cobradas sobre as importações que ficarem acima das cotas estabelecidas, segundo o governo brasileiro. Até agora, as compras de aço pelo bloco que ultrapassavam essas cotas estavam sujeitas a uma tarifa de 25%. Com a medida, a cobrança sobe para 50%.

Em entrevista ao Conexão Record News desta quinta-feira (2), o economista Ricardo Buso aponta que a União Europeia firmou o acordo com o Mercosul justamente em resposta ao protecionismo excessivo dos Estados Unidos e, no fim, acabou também adotando a mesma medida.

“O aço vem se desvalorizando porque o mundo está bem abastecido. Há uma sobreprodução de aço, porque a China era responsável por cerca de 50% do consumo da produção mundial de aço, e isso é usado, principalmente, no mercado imobiliário, que, nesse momento, está deprimido. E aí a produção própria das siderúrgicas chinesas acaba exportando ao mundo e surge esse superávit, que derruba os preços em queda desde março”, explica.

Segundo ele, a solução seria os países exportadores buscarem outros destinos para a commodity. No entanto, o sobreabastecimento de aço no mundo inviabiliza essa alternativa.

“A indústria sofre mais com a barreira dos Estados Unidos do que com a Europa, embora seja um parceiro, mas nós não estamos entre os maiores fornecedores da Europa. É só mais um golpe. Mas preocupa porque é uma indústria muito intensiva em mão de obra e empregos no momento em que parece que há uma acomodação no crescimento de emprego”, conclui.
 
Fonte: R7
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/07/2026

Brasil mira 12,2% da produção global de minerais críticos até 2050

O governo federal quer ampliar a participação do Brasil na produção mundial de minerais críticos de 8,3% para 12,2% até 2050, segundo números do PNM 2050 (Plano Nacional de Mineração 2050).

O plano será lançado nesta quinta-feira (2), após apresentação em reunião do CNPM (Conselho Nacional de Política Mineral). O documento estabelece uma visão de longo prazo para o setor mineral brasileiro e coloca os minerais críticos entre os eixos centrais da estratégia.

A lista envolve insumos considerados essenciais para cadeias de alto valor agregado, como transição energética, defesa, semicondutores, baterias, fertilizantes, tecnologia e indústria de transformação. Entre os minerais associados a essa agenda estão, por exemplo, terras raras, lítio, níquel, cobre, grafita, fosfato e potássio, a depender da classificação adotada.

A meta aparece em meio à disputa global por cadeias de suprimento menos dependentes da China, país que domina etapas relevantes do processamento de minerais críticos, especialmente no caso de terras raras e ímãs permanentes.

No diagnóstico do governo, o Brasil tem reservas importantes e presença relevante em parte da produção mineral mundial, mas ainda precisa avançar em pesquisa mineral, beneficiamento, transformação industrial e agregação de valor.

O PNM 2050 prevê, por exemplo, elevar os investimentos em pesquisa mineral de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões por ano. A pesquisa é considerada etapa essencial para transformar potencial geológico em projetos economicamente viáveis.

Outro ponto do plano é ampliar a participação da indústria de transformação mineral no PIB do setor, de 51,5% para 65%. Na prática, a diretriz busca reduzir a dependência da exportação de bens minerais com baixo processamento e aumentar a produção local de insumos com maior valor agregado.

O governo também quer reduzir o tempo médio de análise de processos minerários, de 1.563 dias para 780 dias. O gargalo regulatório é apontado pelo setor privado como um dos principais entraves para transformar jazidas em projetos produtivos.

Apesar das metas, o PNM 2050 não será o documento final de execução. Depois da publicação do plano, o governo terá 180 dias para apresentar um Plano de Metas e Ações, que deverá detalhar as medidas concretas para cumprir os objetivos, incluindo prazos, responsáveis, prioridades e instrumentos de financiamento ou coordenação pública.

A elaboração do PNM ocorre em paralelo à discussão de um novo marco legal para minerais críticos no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que cria instrumentos para estimular pesquisa, financiamento, agregação de valor e rastreabilidade no setor. O texto ainda precisa passar pelo Senado.

Integrantes do governo avaliam que a agenda mineral passou a ter dimensão estratégica para o país, tanto pelo potencial econômico quanto pelo papel dos insumos na disputa entre grandes potências.

A leitura interna é que o Brasil precisa evitar repetir, nos minerais críticos, um modelo baseado apenas na extração e exportação de matéria-prima. A aposta do PNM 2050 é posicionar o país em etapas mais sofisticadas da cadeia, com processamento, tecnologia, pesquisa e uso industrial dos minerais em território nacional.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/07/2026

 

Brasil reage às novas restrições da União Europeia e reforça defesa do aço nacional no comércio internacional

O governo brasileiro elevou o tom nas negociações comerciais com a União Europeia após a entrada em vigor das novas regras para importação de produtos siderúrgicos pelo bloco europeu. Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) criticaram a adoção unilateral das novas cotas tarifárias, afirmando que a medida reduz o acesso do aço brasileiro ao mercado europeu e não representa a compensação prevista pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A manifestação ocorre justamente no momento em que a União Europeia substitui o sistema de salvaguardas adotado desde 2018 por um novo modelo que reduz em 47% o volume de aço que poderá ingressar no bloco sem incidência tarifária e eleva de 25% para 50% a tarifa aplicada ao volume que exceder as cotas estabelecidas.

Embora as medidas alcancem diversos parceiros comerciais, o governo brasileiro sustenta que elas penalizam países que não são responsáveis pelo principal problema enfrentado atualmente pela siderurgia mundial: o excesso de capacidade produtiva concentrado em grandes produtores globais.

Aço entra novamente no centro das disputas comerciais

A decisão europeia evidencia que, mesmo após o avanço das negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia, o setor siderúrgico permanece submetido a mecanismos de defesa comercial considerados estratégicos pelo bloco europeu.

Na avaliação da Comissão Europeia, as novas regras são necessárias para proteger sua indústria siderúrgica diante do crescimento da oferta internacional, das práticas de dumping e da pressão exercida pelo excedente global de produção.

O objetivo declarado é elevar a utilização da capacidade instalada das usinas europeias, atualmente próxima de 65%, para patamares próximos de 80%, preservando empregos e fortalecendo a competitividade da produção local.

O regulamento publicado pela Comissão Europeia estabelece que metade da nova cota tarifária será destinada aos países que mantêm acordos de livre comércio com o bloco — grupo no qual o Brasil está incluído —, enquanto a outra metade permanecerá disponível para os demais parceiros comerciais. Segundo Bruxelas, a distribuição busca preservar condições de acesso para países com acordos preferenciais, ainda que dentro de um volume total significativamente menor.

A Comissão Europeia publicou o regulamento que estabelece o novo sistema de cotas tarifárias para produtos siderúrgicos importados pelo bloco, em vigor desde 1º de julho de 2026.

Regulamento oficial da Comissão Europeia: https://static.poder360.com.br/uploads/2026/07/UE-aco-30jun2026.pdf
Segundo Bruxelas, aproximadamente metade das cotas continuará destinada a países que mantêm acordos comerciais com a União Europeia, enquanto o restante permanecerá disponível para os demais exportadores.

Brasil cobra compensações

O governo brasileiro, entretanto, afirma que não houve entendimento formal sobre compensações previstas no Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), mecanismo internacional que disciplina alterações tarifárias capazes de afetar parceiros comerciais.

Na interpretação brasileira, a nova distribuição das cotas foi definida unilateralmente pela União Europeia e não pode ser considerada uma compensação negociada.

Por isso, Brasília informou que continuará defendendo seus interesses nas negociações bilaterais e nos fóruns multilaterais de comércio.

O governo também destacou que o Brasil atua ativamente nas discussões internacionais sobre o excesso global de capacidade siderúrgica, especialmente no âmbito do Fórum Global sobre Excesso de Capacidade Siderúrgica.

Excesso global continua sendo principal desafio

A reação brasileira reforça um debate que vem ganhando espaço em diversos mercados.

Nos últimos anos, o crescimento da produção mundial de aço, especialmente em países asiáticos, ampliou significativamente a oferta internacional e pressionou preços, margens e investimentos das siderúrgicas em diferentes regiões.

Brasil, Estados Unidos, União Europeia e outros produtores passaram a adotar medidas de defesa comercial para limitar a entrada de produtos considerados objeto de concorrência desleal.

Na avaliação do governo brasileiro, entretanto, restringir exportações de países que também sofrem os efeitos da sobreoferta global não contribui para resolver o problema estrutural do mercado.

Pelo contrário, pode estimular novas rodadas de medidas protecionistas e ampliar as tensões comerciais entre grandes economias.

Mercosul mantém agenda comercial

A discussão ocorre poucos meses após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, considerado um dos principais avanços da política comercial brasileira nas últimas décadas.

O entendimento amplia oportunidades para centenas de produtos industriais e agrícolas brasileiros, mas demonstra que setores considerados estratégicos continuam sujeitos a negociações específicas e mecanismos próprios de proteção.

A siderurgia permanece entre os segmentos mais sensíveis dentro da política comercial europeia, ao lado da agricultura e de determinadas cadeias industriais.

Indústria brasileira acompanha negociações

Para a indústria siderúrgica nacional, o novo cenário reforça a importância das políticas de defesa comercial.

Nos últimos anos, o setor também passou a enfrentar forte crescimento das importações, principalmente de produtos asiáticos, levando o governo brasileiro a adotar medidas antidumping e sistemas de cotas para determinados produtos siderúrgicos.

A avaliação predominante entre representantes da indústria é que o equilíbrio competitivo dependerá cada vez mais da combinação entre acordos comerciais, instrumentos de defesa e aumento da produtividade das empresas.

Perspectivas

As novas regras europeias mostram que o comércio internacional de aço continuará marcado por disputas relacionadas à competitividade, capacidade produtiva e proteção dos mercados internos.

Ao mesmo tempo em que amplia acordos comerciais e fortalece sua agenda de integração econômica, a União Europeia preserva mecanismos destinados a proteger setores considerados estratégicos para sua base industrial.

Para o Brasil, o desafio será manter o diálogo com Bruxelas em busca de compensações previstas pelas normas multilaterais e, ao mesmo tempo, ampliar a competitividade da siderurgia nacional em um ambiente internacional cada vez mais disputado.

Mais do que uma discussão sobre tarifas, o episódio evidencia que a reorganização da indústria global do aço continua sendo um dos temas centrais da geoeconomia contemporânea, na qual política industrial, comércio exterior e segurança econômica caminham cada vez mais próximos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/07/2026