Notícias

Brasil entra em 2026 com tarifas mais altas do México e isso pode ser só o começo

Depois das medidas de isenção do tarifaço americano para parte dos embarques, o Brasil inicia 2026 enfrentando novos aumentos de tarifas para suas exportações. Desta vez a tributação maior é do México, que veio a toque de caixa. Proposta pelo governo mexicano em setembro de 2025 e aprovada no início de dezembro no Congresso, a medida entra em vigor a partir de amanhã, 1º de janeiro de 2026, com tarifas de até 35% para importações de vários países com os quais o México não tem acordos de livre comércio, o Brasil entre eles.

A alta de tarifas, que segundo cálculos preliminares da Confederação Nacional da Indústria (CNI) pode ter impacto em US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras, é vista como um reflexo do tarifaço imposto ao Brasil no decorrer de 2025 pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O México foi o sétimo maior destino de embarques brasileiros em 2024 e este ano, até novembro, foi o sexto, com total de US$ 7,1 bilhões em embarques. Mas mais do que afetar o comércio com um mercado importante ao Brasil, as tarifas mexicanas são vistas como precedente que pode abrir a porteira para novas medidas de mesma natureza numa guerra tarifária com impacto global não somente para o comércio e custos, mas para as relações externas como um todo.

O governo mexicano declarou que as tarifas buscam fortalecer a produção doméstica e têm o objetivo de proteger cerca de 350 mil empregos em setores sensíveis como calçados, têxteis, vestuário, aço e automotivo.

Segundo estudo da CNI, o país mais afetado pelas medidas deve ser a China, seguida de outros países asiáticos, como Coreia do Sul, Índia e Tailândia. O Brasil deve ser o quinto país mais afetado. O levantamento diz que as tarifas mexicanas devem alcançar 232 produtos da indústria brasileira, num total de US$ 1,7 bilhão, que representaram 14,7% dos embarques brasileiros ao México em 2024.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reiterou comunicado divulgado em 12 de dezembro, após a aprovação das tarifas no Congresso mexicano, de que “tem mantido contato com autoridades mexicanas para tratar dos possíveis efeito das mudanças tarifárias”.

Precedente é considerado perigoso

O problema é que a iniciativa do México podem ser apenas o início de uma série de medidas tarifárias adotadas quase sempre sob justificativa de proteger a indústria doméstica.

“A decisão do México de adotar tarifas contra o Brasil, infelizmente, é o primeiro passo para consolidar no mercado internacional uma decisão de aplicações tarifárias unilaterais”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

“Nesse cenário, qualquer outro país pode adotar tarifa livremente, sem saber quais serão as consequências, muito menos sem saber se a aplicação de tarifas mais altas vai gerar ou não uma reciprocidade de outros países”, afirma Castro.

Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de comércio exterior, lembra que há uma tendência geral de aumento de protecionismo em todo o mundo, a partir das medidas iniciadas por Trump. “Acabamos de ter o anúncio também de salvaguarda de carne da China. O mundo inteiro tem aumentado suas medidas de proteção.”

Barral menciona também a iniciativa da Índia, que impôs uma tarifa de importação de três anos, entre 11% e 12%, sobre alguns produtos siderúrgicos. A medida foi anunciada pelo governo indiano na terça (30), na tentativa de combater os embarques da China. “Isso terá um efeito grande no mercado internacional. Infelizmente, é um aumento das medidas protecionistas no mundo inteiro, que o México segue neste momento.”

O padrão usual das guerras comerciais é que elas não são bilaterais, diz o economista Livio Ribeiro, sócio da BRCG. “Elas acabam sendo guerras comerciais que vão se espalhando de pouco em pouco, o que nos leva a um mundo mais autárquico e mais tarifado, com todos os fluxos sendo restritos em algum nível. O mundo para o qual estamos caminhando é de um equilíbrio final com menos cooperação, custos mais elevados e com o canto da sereia da proteção da indústria doméstica, algo que nunca deu certo e não vai dar certo agora.”

Para Castro, da AEB, o aumento de tarifas pelo México é um “precedente perigoso”. Isso, diz, pode fazer com que os países comecem a aplicar tarifas maiores como uma forma de eliminar o que foi adotado anteriormente por outros. “No primeiro momento, basicamente, Trump adotou tarifas. Agora nós já enfrentamos as tarifas do México e, de repente, pode surgir outro país. Isso você levar a um desequilíbrio tarifário mundial, que é ruim para o comércio mundial.”

“O México estava sob pressão dos Estados Unidos para colocar essas medidas”, diz Barral, da BMJ. É preciso ainda verificar, observa, o impacto aos setores que são cobertos por alguns acordos especiais entre Brasil e México, como é o caso do setor automotivo e de alguns químicos. “O Brasil terá que, via Mercosul, acelerar os acordos de livre comércio.”

Atualmente o Brasil não tem acordo de livre comércio amplo com o México, embora possua os chamados ACEs (Acordos de Complementação Econômica), como o do setor automotivo.

O grande foco das novas tarifas mexicanas é a Ásia, principalmente China, diz Ribeiro, da BRCG. “A medida olha muito mais para a Ásia, com o argumento de proteção da indústria local e alinhamento da política tarifária mexicana com os Estados Unidos. Tem oposição doméstica no México, com preocupação com elevação de custos e impacto na inflação. Evidentemente isso não vai gerar reindustrialização mexicana.”

O perigo da guerra comercial, avalia Ribeiro, vem quando se inicia uma reação em cadeia, em que todos começam a taxar todos sob argumento de proteção e de equalização tarifária. “Infelizmente, é exatamente o estamos vendo no caso mexicano. É um movimento ruim, mas não é um movimento que virá isolado. Nesse sentido, acho que temos que esperar outras políticas dessa natureza, de outros países. Essa é a grande questão que temos que observar, olhando para frente. Guerras comerciais, você sempre sabe como começa, nunca sabe como termina”, diz o economista, que também é pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 05/01/2026

 

Ações de empresas com terras raras no Brasil sobem até 390% em 2025

Empresas com projetos de terras raras no Brasil encerraram 2025 em forte valorização, com ganhos de até 390% em suas ações, impulsionadas pelo aumento da demanda global por esses insumos.

As terras raras são insumos essenciais para indústrias de tecnologia avançada, como defesa, inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos e energia limpa.

A disparada das ações ocorre em meio ao crescimento da demanda global, ao interesse dos Estados Unidos em diversificar fornecedores fora da China e ao avanço, no Brasil, da discussão sobre a Política Nacional de Minerais Críticos, que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados.

Além disso, o governo federal anunciou a criação de um conselho especial para tratar de minerais críticos e estratégicos, colocando de vez a agenda mineral no centro das prioridades do Executivo.

St George Mining

Três das mineradoras que registraram os maiores ganhos são australianas. É o caso da St George Mining, dona do Projeto Araxá, em Minas Gerais, cujas ações acumularam alta de cerca de 390% em 2025.

O Projeto Araxá concentra uma das maiores reservas de terras raras e nióbio da América do Sul, com aproximadamente 40 milhões de toneladas de minério de alto teor.

Em setembro, a mineradora confirmou uma nova descoberta de terras raras de alto teor e nióbio no projeto, adquirido em fevereiro de 2025. Após o anúncio, as ações da empresa chegaram a subir 23,1% em apenas 24 horas.

Ainda em 2025, a St George anunciou que pretende construir no Brasil um centro tecnológico, com uma planta-piloto dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

Segundo a empresa, o Projeto Araxá deve gerar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de US$ 130 milhões por ano, com margens superiores a 60%.

Representantes da mineradora também se reuniram, no ano passado, com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento.

Previsto para entrar em operação até 2027, o projeto está localizado ao lado das instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), maior produtora mundial de nióbio, responsável por cerca de 80% da oferta global.

A St George aposta que o posicionamento estratégico, o baixo custo de extração e a infraestrutura já existente na região garantirão alta rentabilidade e retorno acelerado do investimento.

Viridis Mining and Minerals

A também australiana Viridis Mining and Minerals teve um ano igualmente positivo no Brasil. As ações da empresa na bolsa da Austrália subiram cerca de 260% em 2025.

A companhia é dona do Projeto Colossus, que abriga reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, localizado no sul de Minas Gerais.

O projeto recebeu cartas de intenção de financiamento dos governos da França e do Canadá. Em 2025, a empresa obteve a licença prévia ambiental, permitindo o avanço do empreendimento.

A Viridis também anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas (MG), sem uso de tecnologia, componentes ou equipamentos chineses.

A estratégia da empresa é se consolidar como fornecedora desses insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimento.

A planta, com capacidade para processar 100 quilos por hora de minério bruto, funcionará como uma unidade de demonstração, voltada à validação de parâmetros técnicos, à otimização operacional e à preparação comercial do desenvolvimento das terras raras da empresa.

Meteoric Resources

A australiana Meteoric Resources, que também teve sua licença prévia concedida em 2025, registrou ganhos de mais de 80% em suas ações.

A empresa é dona do Projeto Caldeira, um dos maiores e mais avançados projetos de terras raras em argilas de adsorção iônica do mundo, localizado no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, no sudoeste de Minas Gerais.

O empreendimento reúne recursos minerais de alto teor e grande escala, com potencial para produção de terras raras de forma competitiva, baixo custo operacional, menor intensidade de capital e energia e fortes credenciais ambientais, incluindo a dispensa de barragens de rejeitos e de operações de perfuração e detonação.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/01/2026

Siderurgia encerra 2025 pressionada pelas importações de aço

A siderurgia brasileira encerra 2025 pressionada pelo avanço das importações, com perdas de margem, paralisação de operações, redução de investimentos e demissões. O setor entra em 2026 à espera de medidas capazes de reverter esse quadro, que se arrasta há anos.

Dados do Instituto Aço Brasil mostram que entre 2021 e 2022, os desembarques de laminados diminuíram de 4 milhões de toneladas (Mt), para 3,1 Mt, mas, desde então, a curva foi crescente. Em 2025, o volume deve atingir 5,7 Mt, o maior patamar desde 2010 (5,8 Mt) e que representará um aumento de 20,5% em relação a 2024 (4,8 Mt).

No recorte de janeiro até novembro de 2025, o País importou 5,4 Mt de aço laminado, alta interanual de 20,2%. Por impacto desse cenário, as siderúrgicas cancelaram R$ 2,5 bilhões em aportes no mercado brasileiro, desligaram 5.100 funcionários e paralisaram quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas (mini mills).

Além disso, o Ebitda trimestral das associadas da entidade recuou 51,7% no terceiro trimestre deste ano em comparação ao registrado no quarto trimestre do exercício passado. Nesse mesmo confronto, a margem Ebitda caiu 7,7 pontos percentuais.

Conforme ressalta o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, entre as empresas, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) são as que mais sofrem com as importações, porque os aços planos laminados predominam nos desembarques. Já a Gerdau é relativamente menos afetada, por ter menor foco nesse segmento e maior atuação em aços longos.

Gatilhos para a reversão do quadro

Em 2024, o governo federal implementou um mecanismo de cota-tarifa visando conter as importações de aço. O sistema, renovado em 2025 com a inclusão de mais produtos, mitigou, mas não foi capaz de resolver o problema do setor siderúrgico, visto que acordos de comércio celebrados pelo Brasil com outros países e regiões, regimes aduaneiros especiais e incentivos fiscais em estados seguem facilitando a entrada das mercadorias.

Em diálogo constante com representantes da União, o Instituto Aço Brasil acredita que o País vai impor novas medidas de defesa comercial em 2026. Nesse sentido, o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, reitera que há expectativa de que, em meados de fevereiro, seja autorizada a ampliação das tarifas de importação para alguns tipos de aço, principalmente chineses, o que seria fundamental para dar fôlego às siderúrgicas.

Segundo o especialista, também existem rumores de que a China possa adotar maior controle sobre a exportação de excedentes, o que ajudaria a reduzir a pressão sobre o setor siderúrgico. No entanto, ele pondera que se trata de um tema difícil de ser modificado, já que o país asiático é o maior produtor de aço do mundo e não deve apresentar crescimento econômico robusto no curto prazo, algo que poderia minimizar a situação.

Para Galdi, a reversão do quadro da siderurgia dependerá do aumento da alíquota para aço importado e do avanço da economia brasileira, além da continuidade da política tarifária dos Estados Unidos – que acentua a guerra de mercado e o desvio de comércio.

Ao listar os gatilhos que podem resultar na recuperação do setor, Sharau também destaca a expansão da demanda doméstica e a adoção de medidas de defesa comercial mais efetivas. O economista acrescenta ainda a queda da taxa de juros, que reduz o custo de capital e destrava investimentos, e o enfraquecimento do real frente ao dólar, fator que diminui a diferença de preço entre o produto nacional e o importado.

Retomada do setor siderúrgico ocorreria gradualmente

Caso os aspectos positivos citados aconteçam, a siderurgia brasileira tende a retomar ciclos de contratações e investimentos. No entanto, essa retomada aconteceria por etapas.

“Primeiro, é esperada a reativação da capacidade. Depois, projetos menores. E, posteriormente, um capex maior”, explica o sócio da iHUB Investimentos. Segundo Sharau, sem os gatilhos mencionados ou até que haja alguma previsibilidade sobre essas variáveis, o setor permanecerá por mais tempo na defensiva, com os aportes em espera.

Nesse contexto, o analista da plataforma AGF ressalta que a Gerdau já vinha alertando há tempos sobre o risco de ser mantido o ambiente negativo atrelado ao aço importado. E afirma que uma estratégia de investimento não muda do dia para a noite, tanto é que a empresa decidiu reduzir investimentos no Brasil, fechar plantas e demitir colaboradores.

Galdi reforça que outros players, como a Usiminas e a CSN, estão ajustando investimentos com foco na redução de custos. Conforme ele, uma mudança de estratégia só deve ocorrer após a confirmação da viabilidade da demanda que foi retirada do Brasil. “Vale destacar que o aço importado já representa cerca de 25% do aço consumido no País”, salienta.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/01/2026

Aço brasileiro chega a 2026 sob cerco das importações e risco de novos cortes

A indústria siderúrgica brasileira entra em 2026 sob forte pressão da concorrência internacional, especialmente do aço chinês, em um cenário marcado por queda de produção, avanço das importações e risco crescente de suspensão de investimentos. As projeções do Instituto Aço Brasil indicam que o setor continuará encolhendo, mesmo diante de uma demanda doméstica considerada saudável, mas cada vez mais atendida por produtos importados.

De acordo com a entidade, a produção de aço bruto no Brasil deve cair 2,2% em 2025 em relação a 2024, totalizando cerca de 33,1 milhões de toneladas. Para 2026, a estimativa é de novo recuo de 2,2%, para 32,4 milhões de toneladas, refletindo a dificuldade das usinas nacionais em competir com o aço estrangeiro, sobretudo o originado da China. As vendas internas também devem recuar: após queda projetada de 0,5% em 2025, para 21,2 milhões de toneladas, a expectativa é de retração adicional de 1,7% em 2026.

Enquanto a produção doméstica perde fôlego, as importações seguem em trajetória oposta. O Aço Brasil projeta que as compras externas de produtos laminados alcancem 6,324 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 10% sobre 2025, o que representaria um recorde histórico. O volume previsto para 2025, de 5,748 milhões de toneladas, já é significativamente superior à média anual de 2,2 milhões de toneladas registrada entre 2000 e 2019, o que significa uma alta de 168% frente ao padrão histórico.

Segundo André B. Gerdau Johannpeter, presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil e do conselho de administração da Gerdau, o Brasil tem reagido de forma mais lenta às importações consideradas predatórias do que outros grandes mercados. “Os empregos e investimentos cortados na indústria do aço brasileira são o preço que o Brasil paga por não conseguir reagir contra as importações predatórias na mesma velocidade verificada em países como Estados Unidos, União Europeia e México”, afirmou. De acordo com a entidade, cerca de R$ 2,5 bilhões em investimentos já foram suspensos e aproximadamente cinco mil postos de trabalho foram fechados no setor.

O consumo aparente de aço no país, por outro lado, deve crescer cerca de 1% em 2026, atingindo 27 milhões de toneladas. Para o setor, o problema não é a falta de demanda, mas o fato de que boa parte desse crescimento tende a ser absorvida por produtos importados. “É um nível historicamente forte de consumo, mas cerca de 6,3 milhões de toneladas devem ser importadas dentro de um mercado doméstico que consome pouco mais de 20 milhões de toneladas”, disse Johannpeter, defendendo medidas mais eficazes de defesa comercial.

Desde 2024, o governo brasileiro adotou um sistema de cotas com tarifa para conter o avanço das importações, mecanismo renovado em 2025. Para os executivos do setor, a medida ajuda, mas está longe de resolver o problema. O modelo atual, classificado como “cota flexível”, eleva a tarifa de importação de cerca de 12,7% para 25% quando o volume estipulado é ultrapassado, mas não impede a continuidade das entradas. A avaliação da indústria é que o sistema é excessivamente generoso, ao considerar a média de importações entre 2020 e 2022 acrescida de 30%.

Na agenda prioritária para 2026, o Aço Brasil defende o endurecimento do modelo, com a adoção de cotas rígidas — que suspenderiam automaticamente as importações ao atingir o limite —, elevação das tarifas para patamares próximos de 35%, aplicação mais célere de medidas antidumping, salvaguardas comerciais, mecanismos de ajuste de carbono na fronteira e exigências de conteúdo local em setores intensivos em aço, como veículos, construção e máquinas.

Outro ponto de preocupação é o baixo nível da tarifa efetiva brasileira, estimada em apenas 7,2% quando considerados regimes especiais, acordos comerciais e isenções. Esse patamar é visto como incompatível com o cenário internacional, em que diversos países vêm adotando tarifas entre 35% e 50% para proteger suas indústrias. O recente anúncio do México, que elevou tarifas de até 35% para produtos siderúrgicos com o objetivo declarado de evitar a perda de até 320 mil empregos, foi citado como exemplo de uma postura mais firme.

A pressão tende a aumentar com o redirecionamento do aço global. Com Estados Unidos e União Europeia elevando barreiras — em alguns casos com tarifas entre 50% e 70% —, o excesso de produção mundial, estimado em 620 milhões de toneladas e projetado para alcançar 721 milhões até 2027, busca mercados mais abertos. Nesse contexto, o Brasil aparece como um destino natural.

A China permanece no centro das preocupações. Segundo o Aço Brasil, siderúrgicas chinesas operam com margens negativas e seguem sustentadas por subsídios estatais, como crédito favorecido, incentivos fiscais, energia subsidiada e regras trabalhistas assimétricas. Além disso, o anúncio de que Pequim passará a exigir licenças para exportação de aço a partir de janeiro de 2026 adiciona incertezas sobre volumes e padrões de qualidade.

Apesar do ambiente adverso, a indústria afirma manter diálogo construtivo com o governo brasileiro e demonstra cauteloso otimismo quanto ao fortalecimento da defesa comercial. Ao mesmo tempo, observa com atenção as negociações com os Estados Unidos para a possível retomada do acordo de cotas que, por seis anos, permitiu a exportação de semiacabados brasileiros ao mercado norte-americano com tarifa zero.

Para o setor, o alerta é claro: sem uma resposta mais firme e alinhada ao cenário internacional, o crescimento do consumo interno continuará beneficiando majoritariamente o aço importado, aprofundando a perda de competitividade da indústria nacional, com impactos diretos sobre empregos, investimentos e a própria capacidade produtiva do país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/12/2025

 

Produção deve encerrar 2025 com queda de 2,2%

O Instituto Aço Brasil divulgou que a produção nacional de aço bruto deve atingir 33,1 milhões de toneladas em 2025, um recuo de 2,2% em relação ao ano anterior, principalmente devido ao impacto de importações recordes. Com crescimento de 20,5%, o ingresso de produtos laminados atingirá 5,7 milhões de toneladas, o maior volume em 15 anos. O instituto comenta ainda que práticas concorrenciais predatórias que estão ocorrendo no comércio mundial do aço já causaram o fechamento de cinco mil vagas e corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos no setor.

As vendas internas, segundo as projeções, devem cair 0,5% em 2025, para 21, 2 milhões de toneladas, enquanto o consumo aparente crescerá 2,4%, para 26,7 milhões de toneladas, devido, principalmente, às importações. As exportações crescerão 6,9%, fechando em 10,2 milhões de toneladas em 2025. O volume de laminados de aço que entra no mercado brasileiro, atualmente, é 168% superior à média das importações entre 2000 e 2019, de 2,2 milhões de toneladas. Esse crescimento levou a penetração de importados para 21%, ante o patamar histórico de 9,7%. “O atual import penetration é inaceitável. Essas importações já tomam um terço das vendas internas do setor”, afirma Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil. Os níveis elevados de importações de aço têm se mantido a despeito de medida de defesa comercial adotada pelo governo por meio do mecanismo Cota-Tarifa, que abrange 16 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul para classificação de produtos) em um universo de 273 NCMs para produtos de aço.

A China responde por 64% das importações brasileiras de aço e adota política de incentivos e subsídios, o que possibilita a venda para outros países a preços abaixo do custo de produção. “Nenhum país que pratique economia de mercado consegue competir com tais condições”, explica Lopes. Adicionalmente, acordos de comércio assinados pelo Brasil com outros países ou regiões, regimes aduaneiros especiais e incentivos fiscais que baixam ICMS nos estados aliviam significativamente as alíquotas para importação de aço, de tal forma que a tarifa efetiva para importação, calculada pelo Aço Brasil com base em dados públicos, é de apenas 7,2%, muito abaixo dos 25% do mecanismo ou mesmo da tarifa de 12,8% que vale para os produtos não enquadrados no mecanismo Cota-Tarifa. Caso essa tendência seja mantida e sem mudanças visíveis no cenário externo, as importações terão mais um ano de alta em 2026, com variação de 10%, para 6,3 milhões de toneladas, prevê o Aço Brasil. A produção deverá registrar mais uma queda, de 2,2%, para 32,4 milhões de toneladas. As vendas internas devem cair 1,7%, para 20,8 milhões de toneladas. O consumo aparente crescerá 1%, para 27 milhões de toneladas.

Ante a perspectiva de que as importações devam permanecer em níveis muito elevados, a indústria do aço acredita que o governo adotará, de forma célere, mecanismos de defesa comercial mais efetivos. Caso contrário, alerta o setor, a concorrência desleal praticada por alguns países não cessará, levando a um risco de maior paralisação de plantas e perda de empregos. “Os empregos e investimentos cortados na indústria do aço brasileira são o preço que o Brasil paga por não conseguir reagir contra as importações predatórias na mesma velocidade verificada em países como Estados Unidos, União Europeia e México”, afirma André B. Gerdau Johannpeter, Presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e presidente do Conselho de Administração da Gerdau. “Confiamos que o Brasil fará o mesmo, para que evitemos a transferência de empregos para os países que produzem o aço que inunda nosso mercado de forma desleal”.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/12/2025

 

Importações de aço crescem 20,2% em 2025 e pressionam indústria nacional, diz Instituto Aço Brasil

Apesar dos mecanismos de defesa comercial adotados pelo governo federal, a indústria siderúrgica brasileira diz que segue pressionada pelo avanço das importações, especialmente de origem chinesa. É o que apontam os dados apresentados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Aço Brasil, durante coletiva de imprensa sobre o desempenho do setor em 2025.

De acordo com a entidade, as vendas internas de aço caíram 0,6% entre janeiro e novembro, refletindo um mercado doméstico ainda fraco e a perda de espaço da produção nacional. No mesmo período, as importações cresceram 20,2%, alcançando 5,9 milhões de toneladas. Desse total, 64% dos laminados importados tiveram origem na China.

“O mecanismo de cota-tarifa ajuda, mas não está impedindo a entrada de aço importado da China”, diz o presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil, André Gerdau Johannpeter.

Ao considerar toda a cadeia metal-mecânica, o volume de aço importado sobe ainda mais, chegando a 6,2 milhões de toneladas, segundo o Instituto. Segundo o executivo, o sistema de cota-tarifa adotado pelo governo ajuda, mas está longe de resolver o problema.

O mecanismo foi renovado até maio de 2026, prevendo a aplicação de tarifa de 25% sobre o aço importado acima do limite estabelecido, além da ampliação do número de produtos abrangidos, de 19 para 23 itens. Paralelamente, o governo abriu a maior investigação antidumping da história do país, envolvendo 25 produtos siderúrgicos chineses.

Segundo ele, um dos principais entraves está nos chamados facilitadores das importações, que permitem a entrada de aço com custos menores por meio de benefícios fiscais regionais. Entre os exemplos citados estão Santa Catarina e Ceará, que oferecem incentivos de ICMS, além da Zona Franca de Manaus.

Gerdau também criticou políticas que, na avaliação do setor, distorcem a concorrência internacional.

“A política de manutenção de empregos a qualquer custo, subsídios a qualquer custo, entre outros pontos, impede frear a entrada de aço no Brasil”, disse.

Na avaliação do executivo, o cenário é agravado pelo modelo adotado pela China, onde o Estado tem papel central no setor siderúrgico. “Direta ou indiretamente, o setor de aço na China tem participação do governo”, afirmou o presidente do conselho do Instituto.

O impacto desse ambiente competitivo desigual se reflete no nível de atividade das usinas brasileiras. Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a indústria nacional opera atualmente com apenas 68% da capacidade instalada, o que limita investimentos, geração de empregos e a competitividade do setor no médio e longo prazo.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 17/12/2025