Brasil aumenta tarifas sobre importação de aço; bancos e indústria siderúrgica veem efeito positivo para o setor
O governo federal aprovou nesta semana um conjunto de medidas que reforça a defesa comercial do setor siderúrgico brasileiro com a elevação de tarifas de importação sobre produtos de aço estrangeiros. Em deliberação do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), foi aprovada a elevação da alíquota do imposto de importação para 25% sobre nove NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul) de produtos siderúrgicos, por um período de 12 meses, e também a aplicação de direitos antidumping definitivos, por até cinco anos, sobre aços pré-pintados provenientes de países como China e Índia — uma tentativa de frear a entrada de produtos vendidos a preços considerados desleais e de fechar brechas que vinham sendo exploradas por importadores.
A decisão foi bem recebida por bancos de investimento e pelo setor, que há meses vinham apontando enorme pressão das importações sobre a produção nacional — especialmente de fornecedores asiáticos — e a consequente queda da rentabilidade das siderúrgicas domésticas. Relatórios de instituições como o Bank of America e o Itaú BBA destacam que a restrição extra imposta pelo governo pode ajudar empresas como CSN e Usiminas, que têm parte significativa de seu mix de produtos exposta aos segmentos agora alvo das tarifas.
Para a indústria representada pelo Instituto Aço Brasil, a elevação das alíquotas representa um “passo a mais” no fortalecimento das ferramentas de defesa comercial e tende a aliviar a pressão competitiva exercida pelas importações predatórias. A entidade avaliou a medida como positiva, ainda que ressalte que o cenário global exige atenção contínua, diante da sobreoferta mundial de aço e das práticas de subsídios em outros países.
Essas novas barreiras comerciais no Brasil vêm em um contexto global de tensões no comércio do aço: países ao redor do mundo têm adotado políticas protecionistas mais incisivas para proteger suas indústrias, enquanto exportadores pressionam para abrir mercados. No caso brasileiro, a mudança busca não apenas proteger a produção interna, mas também equilibrar os fluxos comerciais e criar um ambiente de preços mais favorável para as siderúrgicas locais, seja por meio de tarifas elevadas, direitos antidumping ou outros instrumentos de defesa comercial.
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/02/2026