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Brasil tem “vazio estratégico” em minerais críticos, segundo especialista

O Brasil dispõe dos instrumentos jurídicos necessários para controlar as riquezas minerais, mas falha ao não transformá-los em desenvolvimento industrial. A opinião é da especialista em justiça e direito climático Luciana Bauer.

Ex-juíza federal e fundadora do Instituto Jusclima, Luciana considera que a falta de um plano estratégico, com metas de longo prazo que estimulem o desenvolvimento tecnológico e industrial brasileiro, impede que o Brasil aproveite todo o seu potencial geológico.

Para a especialista, o que ela classifica como um “vazio estratégico” ameaça inclusive a soberania nacional. Sobretudo em um contexto no qual potências globais como a China e os Estados Unidos disputam o controle das jazidas de minerais críticos e terras raras – insumos indispensáveis para as indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e para a concretização da transição energética.

“Só possuir recursos minerais não assegura vantagem estratégica”, alerta a especialista, repetindo uma das conclusões do estudo que elaborou com o cientista político Pedro Costa, a pedido da Rede Soberania, coletivo formado por representantes de organizações sociais do campo progressista, comunicadores populares, ambientalistas e militantes sociais.

A partir das conclusões de Luciana e Costa, a Rede Soberania elencou um conjunto de recomendações que apresentou ao deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator do Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Como Jardim apresentou o parecer sobre a proposta nesta segunda-feira (4), a expectativa é que o relatório seja lido e votado em plenário ainda nesta terça-feira (5).

Segundo o relator, o parecer leva em conta sugestões apresentadas por entidades, órgãos e especialistas do setor de mineração, da indústria e do Poder Público. E busca garantir que o Brasil aproveite as reservas de minerais estratégicos para desenvolver uma cadeia industrial interna, de produtos com valor agregado.

“Não é apenas sobre extrair recursos. É sobre decidir qual papel o Brasil quer ocupar nessa nova economia: ser fornecedor de matéria-prima ou protagonista na geração de valor, tecnologia e desenvolvimento”, acrescentou o deputado.

Para Luciana, o projeto de lei, conforme referendado pelo relator, tem aspectos positivos, mas é um “marco regulatório mínimo” que, se aprovado na Câmara dos Deputados, precisará ser mais debatido e aperfeiçoado no Senado, onde será apreciado na sequência. Sem prejuízo de futuros aprimoramentos.

“[O PL nº 2.780/2024] é bom para esta fase [dos debates]. Porque institui o modelo híbrido que defendemos [afastando a hipótese de criar, por ora, uma estatal para o setor], mas ele ainda fica devendo a densificação dos princípios constitucionais que trariam a necessária segurança territorial e da exploração dos recursos”, argumentou Luciana, alegando que, a seu ver, o projeto ainda deixa a desejar em termos de planejamento estratégico e de medidas práticas para a defesa da soberania nacional sobre os recursos minerais.

Propostas

Segundo a Rede Soberania, as propostas elaboradas a partir do estudo encomendado a Luciana e Costa e apresentadas a Jardim reforçam não só importância da soberania nacional, mas também da proteção ao meio ambiente e ao regime democrático brasileiro.

A exemplo dos autores do estudo, a entidade defende o “modelo híbrido de gestão” dos recursos minerais estratégicos, por entender que, neste campo, o elemento decisivo não é a posse dos recursos em si, mas o controle das cadeias de valor (refino, processamento e aplicação tecnológica).

“No modelo híbrido, não é [determinante] criar uma empresa estatal de exploração, com monopólio, a exemplo da Petrobras. O país pode até criá-la, mas permite que atores privados atuem”, explicou a proposta Luciana. Segundo ela, este é o modelo chinês, que articula coordenação e controle regulatório estatal à atuação particular, incluindo de várias pequenas mineradoras.

“É uma falácia dizer que só grandes players [grupos empresariais] vão fazer mineração de terras raras e minerais críticos. Um argumento desmentido pelas várias pequenas mineradoras que atuam na China, na Austrália e no Canadá, por exemplo”, complementou Luciana.

A Rede Soberania também sugere que a União adote uma política de estoques estratégicos; condicionantes para a exportação de minério bruto ou concentrado; obrigatoriedade da consulta a comunidades indígenas e tradicionais, entre outras recomendações.

Entenda

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, só cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

Conhecidos pelo potencial para impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), os minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países, importantes por serem imprescindíveis para produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Já os chamados elementos terras raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.

 
Fonte: TNH1
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 06/05/2026

Importação de aço divide indústria brasileira e amplia debate sobre proteção comercial

A política de defesa comercial adotada pelo governo brasileiro para conter o avanço das importações de aço voltou a acirrar o embate entre siderúrgicas e setores consumidores do produto. Enquanto fabricantes nacionais defendem medidas mais rígidas contra a entrada de aço estrangeiro, principalmente da China, entidades da indústria de transformação afirmam que o aumento de tarifas e ações antidumping pode elevar custos, reduzir competitividade e afetar toda a cadeia produtiva brasileira.

O debate ganhou força em 2026 após o governo federal ampliar para 25% a tarifa de importação sobre diversos produtos siderúrgicos, além de aprovar novas medidas antidumping voltadas principalmente ao aço chinês e de outros países asiáticos.

A estratégia busca frear o crescimento das importações, que atingiram níveis considerados recordes pelo setor siderúrgico nacional. Dados da indústria apontam que as compras externas de laminados chegaram a 5,7 milhões de toneladas em 2025, volume 20,5% superior ao registrado em 2024 e cerca de 160% acima da média histórica brasileira.

Setor de máquinas critica barreiras comerciais

Apesar do apoio das siderúrgicas às medidas protecionistas, parte da indústria brasileira reage de forma contrária às novas barreiras tarifárias.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) se posicionou publicamente contra o aumento de tarifas e ações antidumping, argumentando que a política beneficia um segmento específico enquanto encarece a produção nacional como um todo.

Segundo a diretora de comércio exterior da entidade, Patrícia Gomes, as restrições ao aço importado dificultam o acesso a fornecedores alternativos e reduzem a competitividade da indústria brasileira.

A entidade afirma que o problema da concorrência desleal precisa ser enfrentado, mas alerta que o excesso de proteção pode gerar impactos negativos em setores dependentes do aço como:

máquinas e equipamentos;
indústria automotiva;
linha branca;
construção civil;
embalagens metálicas.
A Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço) também demonstrou preocupação com as investigações antidumping envolvendo folhas de flandres importadas da Alemanha, Japão e Holanda. O setor alerta para riscos de aumento de custos e impactos socioeconômicos caso novas tarifas sejam aplicadas.

Siderúrgicas falam em “invasão” do aço importado

Do outro lado do debate, grandes siderúrgicas brasileiras defendem que o mercado nacional vive um cenário de concorrência desequilibrada provocado pelo excesso de aço estrangeiro no mundo, especialmente vindo da Ásia.

A ArcelorMittal Brasil atribuiu parte significativa de suas dificuldades financeiras recentes ao crescimento das importações. A companhia encerrou 2025 com prejuízo de R$ 2,2 bilhões e receita líquida de R$ 61,76 bilhões, em queda de 7,2% frente ao ano anterior.

Segundo o presidente da empresa no Brasil, Jorge Oliveira, a expectativa de recuperação em 2026 depende diretamente da redução das compras externas de aço.

A empresa cita especialmente o avanço do aço chinês no mercado brasileiro, frequentemente tratado pelo setor como uma “invasão” de produtos importados a preços considerados artificialmente baixos.

Mesmo diante desse cenário, a ArcelorMittal manteve em andamento o projeto do Laminador de Tiras a Frio (LTF) na unidade de Tubarão, no Espírito Santo. O investimento, estimado em R$ 4 bilhões, prevê a produção de aço galvanizado e laminado a frio voltado principalmente para os setores automotivo, de eletrodomésticos e construção civil.

Segundo a companhia, a continuidade dos investimentos dependerá da efetividade das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal.

Usiminas alerta para nova onda de importações

A Usiminas também demonstrou preocupação com o comportamento das importações em 2026. Apesar das medidas antidumping aplicadas contra produtos chineses, a empresa afirma que houve redirecionamento dos fluxos comerciais para outros países asiáticos e do Oriente Médio.

Segundo executivos da companhia, países como:

Coreia do Sul;
Vietnã;
Egito;
Turquia;
passaram a ampliar embarques de aço para o Brasil, compensando parcialmente as restrições impostas ao material chinês.

A empresa avalia que ainda existe risco de excesso estrutural de oferta no mercado brasileiro, o que continua pressionando preços e margens da indústria nacional.

Dados da Aço Brasil indicam que as importações de aço plano atingiram 1,75 milhão de toneladas no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em projeção anualizada, o volume pode chegar a 6,26 milhões de toneladas — praticamente três vezes acima da média histórica registrada entre 2000 e 2019.

Governo tenta equilibrar proteção e competitividade

As medidas adotadas pelo governo federal fazem parte de uma estratégia de defesa comercial voltada ao combate ao dumping — prática em que produtos são exportados a preços artificialmente baixos, muitas vezes inferiores aos custos de produção.

A preocupação aumentou após o agravamento do excesso de capacidade produtiva na China, maior fabricante mundial de aço. Com desaceleração da economia chinesa e queda no consumo interno, grandes volumes passaram a ser direcionados ao mercado internacional.

No Brasil, o governo elevou a tarifa de importação para dezenas de produtos siderúrgicos, especialmente aços planos e longos. A medida foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e busca proteger a indústria local diante da forte concorrência internacional.

Ao mesmo tempo, autoridades tentam evitar impactos excessivos sobre setores industriais que dependem da matéria-prima importada.

Analistas avaliam que o desafio do governo será encontrar equilíbrio entre:

preservação da produção siderúrgica nacional;
manutenção da competitividade da indústria de transformação;
controle da inflação industrial;
segurança no abastecimento de insumos.
Custos logísticos e tensões globais ampliam pressão

Além da disputa comercial, o setor também enfrenta aumento de custos internacionais provocado pelas tensões geopolíticas globais.

Empresas do setor relatam elevação nos preços de frete marítimo, carvão, placas de aço e energia, especialmente após agravamento dos conflitos no Oriente Médio e mudanças nas rotas globais de navegação.

Segundo agentes do mercado, os custos de frete marítimo da Ásia para a América do Sul subiram de cerca de US$ 60-70 por tonelada para patamares entre US$ 80 e US$ 100 por tonelada nas últimas semanas.

O aumento pressiona tanto produtos importados quanto os custos da indústria doméstica.

Além disso, gargalos logísticos em portos brasileiros, dificuldades de classificação fiscal e atrasos operacionais continuam afetando o comércio exterior do setor siderúrgico.

Mercado aponta desaceleração nas importações

Apesar das preocupações persistentes, os primeiros números de 2026 mostram sinais de desaceleração das importações após o endurecimento tarifário.

No primeiro bimestre do ano, o Brasil importou 131,8 mil toneladas de aço, queda de 10,8% em volume e 13,8% em valor na comparação com o mesmo período de 2025.

Especialistas avaliam que a tendência para os próximos meses é de estabilização das compras externas, com maior concentração em aços especiais e ligas metálicas de alta complexidade — segmentos em que a produção nacional ainda possui limitações de escala ou tecnologia.

Ao mesmo tempo, o mercado seguirá monitorando os efeitos das medidas de defesa comercial e a evolução das tensões internacionais, fatores que devem continuar influenciando preços, competitividade e investimentos na indústria siderúrgica brasileira ao longo de 2026.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/05/2026

 

Governo quer regime tributário especial para terras raras

Para estimular o refino de minerais críticos no Brasil, o governo federal vai propor a criação de um regime especial no qual as empresas receberão créditos tributários crescentes conforme a agregação de valor. Além disso, a venda da Serra Verde, mina de terras raras situada em Minaçu (GO) para uma empresa dos Estados Unidos - uma transação de US$ 2,8 bilhões anunciada em abril -, está em análise pelo governo federal.

“Eu não descarto a hipótese de ser questionado”, disse ao Valor o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na última quinta-feira, véspera da entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia.

O modelo em formulação para as terras raras, materiais usados na tecnologia de ponta de áreas como defesa e comunicação, é parecido com o utilizado no programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que incentiva a produção de automóveis sustentáveis por meio da concessão de créditos financeiros usados para abatimento de impostos. Desde sua adoção, montadoras anunciaram investimentos no Brasil que deverão superar os R$ 100 bilhões até 2030.

O governo pretende controlar os investimentos estrangeiros em minerais críticos e terras raras e poderá ainda restringir a exportação desses produtos. Essas são contribuições que o Executivo vai entregar ao deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que relata na Câmara um projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Ao comentar o acordo comercial com os europeus, que entrou em vigor provisoriamente no dia 1º de maio e criou uma área de livre comércio de 720 milhões de consumidores e Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões, o ministro disse que deverá elevar as exportações brasileiras em 2,65% - um ano após o início do tratado. Somado com dois acordos já assinados e recém-encaminhados ao Congresso para aprovação, com Singapura e Efta (Área de Livre Comércio da Europa), o impacto é estimado em R$ 67 bilhões ao ano.

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe de Elias Rosa avalia as oportunidades de aumento do comércio nos setores que integram a Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do governo: agroindústria, saúde, infraestrutura, digitalização da indústria, bioeconomia e tecnologia de defesa nacional.

O risco de adoção de novas medidas protecionistas por parte dos Estados Unidos a partir das investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio, não deve ser encarada como dificuldade inesperada, defendeu. Na sua visão, esse tem sido o “modus operandi” dos Estados Unidos. O intuito é prosseguir no diálogo, tanto que Lula já solicitou uma audiência com o presidente americano, Donald Trump. O encontro deveria ter ocorrido no início do ano, mas foi adiado em função da guerra no Irã.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) é contrário à revogação da taxa das blusinhas. “A nossa posição é de manutenção para corrigir uma assimetria que existe entre o varejo brasileiro e a indústria têxtil, calçadista, a indústria da moda”, diz. Essa, porém, é uma questão sobre a qual ainda não há uma orientação de governo. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Qual a estratégia agora, com a vigência do acordo Mercosul e União Europeia?

Márcio Elias Rosa: Vejo com enorme otimismo. Acho que você não pode não considerar um enorme avanço um mercado cujo PIB seja de US$ 22 trilhões e 720 milhões de pessoas. É gigantesco, então é impossível não ter um efeito positivo. No dia 1º [de maio], 5 mil linhas tarifárias [produtos] da Europa sofrerão desgravação, ou seja, serão reduzidas. Do lado do Mercosul, 1,1 mil. Isso significa que 54% das linhas tarifárias europeias caíram de imediato. Para o Mercosul, 89% das linhas tarifárias serão reduzidas em três, cinco, sete anos, ao longo do tempo. Esperamos aumento de 2,65% nas exportações brasileiras. Combinando os acordos União Europeia, Efta e Singapura, o aumento chega a R$ 67 bilhões.

Valor: Os produtores do Mercosul podem ficar vulneráveis diante da concorrência europeia?

Elias Rosa: Não, porque aqui fizemos uma abertura protegida, seja nos prazos de redução de tarifas, seja na exclusão. A gente excluiu tudo que era sensível, como o SUS, por exemplo. A empresa que quiser fornecer para o SUS só terá preferência [tarifária] se estiver instalada no país. No setor automotivo, a desgravação pode chegar a 30 anos se houver incorporação de nova tecnologia. Então, é um acordo bastante equilibrado e não nos torna mais vulneráveis do que já somos.

Valor: A exportação de produtos agrícolas, como carnes, será regulada por cotas que precisarão ser compartilhadas entre os sócios do Mercosul. Haverá uma divisão ou a cota ficará com quem chegar primeiro?

Elias Rosa: Se não tiver um acordo, vai ser de quem chegar primeiro. Mas nós estamos nessa fase de negociação dentro do bloco. Então, a partir deste dia 1º de maio, quem desembaraçar primeiro leva. Eu acho que neste ano nós vamos ficar neste período de ajuste, de acomodação. É óbvio que no caso de proteína, carne resfriada e carne congelada, o Brasil tem muito mais do que todos. Então, vai chegar primeiro.

Os Estados Unidos foram o primeiro parceiro comercial do Brasil em todo o século passado; não dá para prescindir do diálogo com eles”

Valor: A negociação do acordo foi dada como concluída em 2018. Mas os europeus enviaram condições adicionais relacionadas à preservação ambiental e o Mercosul aproveitou para renegociar pontos. Quais foram os principais avanços nessa etapa final?

Elias Rosa: Fizemos uma nova oferta, chamada Rodada de Brasília, e conseguimos melhorar muito o acordo. Conseguimos incluir regras novas para transferência de tecnologia, compras governamentais, sustentabilidade, proteção de micro e pequenas empresas, regiões geográficas.

Valor: Foi incluído também mecanismo de reequilíbrio do acordo, caso legislações posteriores venham a reduzir vantagens pactuadas. O Brasil vai acionar esse mecanismo, diante da taxação adicional que a Europa instituiu, baseada na emissão de gases do efeito estufa?

Elias Rosa: O CBAM (Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono, na sigla em inglês) começou em 1º de janeiro. Na viagem que o presidente Lula fez à Espanha e à Alemanha, e pediu apoio aos dois países para que esse sistema seja revisto e que os bancos de dados e os mecanismos de controle do Brasil e do Mercosul sejam admitidos lá. Senão, vai gerar uma assimetria no tratamento. Nós não resolvemos o problema ainda, mas esperamos resolvê-lo diplomaticamente.

Valor: Como está o apoio ao setor privado para que se beneficie das oportunidades abertas com o acordo?

Elias Rosa: Nós estamos estruturando um programa interessante com o apoio da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Nosso desejo é estabelecer interlocução com todos os setores produtivos. O Mdic vai coordenar esse trabalho. O setor produtivo precisa se apropriar do acordo. E nós também precisamos identificar e apontar quais as oportunidades que são geradas. É possível identificar o que a Europa compra de outro fornecedor, que não do Brasil, mas que o Brasil produz. Precisamos concorrer nesse mercado, porque agora temos maiores vantagens competitivas [menores tarifas de importação]. O presidente Lula nos pediu para vincularmos o acordo à NIB.

Valor: Como funcionaria?

Elias Rosa: Eu pego lá as seis missões da NIB, por exemplo, o complexo industrial da saúde, e conecto com o acordo. O que o Brasil já produz nessas cadeias produtivas, levar para a União Europeia. Isso é diversificação do mercado.

Valor: E a negociação do acordo Mercosul-Canadá?

Elias Rosa: A última rodada, que foi agora, em Brasília, avançou bastante. Eu acho que tem mais de 70% negociado e com muita convergência. É possível concluir até o final do ano.

Valor: Os Estados Unidos prosseguem com a investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Como está o diálogo com eles?

Elias Rosa: Estamos bem. Se levarmos em conta como começou [com o tarifaço] e onde estamos hoje, está ótimo.

Valor: Mas estamos vendo as nuvens escuras se aproximando, pois pode haver decisão em breve sobre a investigação, e isso pode trazer restrição ao comércio. Há quem fale em um novo tarifaço.

Elias Rosa: Essa espada que se coloca usando essas seções não é coisa nova. Já acontece com a metalurgia. Acontece desde 2017, quando houve um acordo envolvendo o aço e o alumínio (os EUA elevaram a taxação, depois foram negociadas cotas). A gente não precisa encarar isso como uma adversidade inesperada ou uma deslealdade. Eu acho que faz parte do jogo. É o “modus operandi”. Eu fico animado porque nós estivemos lá recentemente, naquelas consultas que eles fizeram. Muito embora exista a contrariedade daquilo que eles nos perguntam e aquilo que a gente afirma, nós pudemos prestar contas amplamente. Todo o setor produtivo está preocupado em levar para o governo americano a realidade: não há risco de desmatamento, não tem nenhuma adversidade na questão da economia digital (dois motivos que podem embasar a imposição de tarifas a produtos brasileiros). Podemos nos manter otimistas.

Valor: Por quê?

Elias Rosa: Porque o diálogo político do presidente Lula com o presidente Trump só nos trouxe coisa boa. Não é isso? Na verdade, houve acordo (no tarifaço). Que, nesse caso, foi o recuo da parte deles, o reconhecimento de que a pretensão do Brasil era legítima. Isso tem acontecido passo a passo, e acho que vai acontecer de novo tantas vezes quantas forem necessárias. O presidente Lula já pediu uma audiência.

A terra é rara, mas tem dono, o povo brasileiro; não podemos administrar isso sem levar em conta a relevância estratégica”

Valor: Para aquela bilateral que não aconteceu?

Elias Rosa: Sim, veio a guerra do Irã e tudo ficou adiado.

Valor: Essa reunião ainda nos interessa?

Elias Rosa: Sim. Os Estados Unidos foram o primeiro parceiro comercial do Brasil durante todo o século passado. Não dá para prescindir do diálogo com eles. Tem muito interesse convergente, tem todo um setor produtivo instalado aqui. Precisamos superar essa fase de indefinição para que também o setor produtivo, a economia, tenha segurança jurídica, previsibilidade. Senão a gente vai acabar afugentando investidores americanos no Brasil.

Valor: O sr. afirmou que o acordo do Estado de Goiás com os Estados Unidos não tem base constitucional. Isso afeta a venda daquela mina em Minuaçu para uma empresa americana?

Elias Rosa: O Estado de Goiás firmou um memorando de entendimento com o encarregado de negócios dos Estados Unidos [Gabriel Escobar] estabelecendo cooperação. Fez isso com base em uma lei estadual que é inconstitucional. Quem estabelece, quem regula e autoriza, pesquisa ou lavra é a União. E quem legisla sobre isso é a União, é o Congresso Nacional. Então esse memorando é um nada jurídico. Mas é uma coisa separada do investimento privado na mina.

Valor: Esse investimento parece contrário ao que o presidente Lula tem defendido, que é não exportar minérios e sim estimular o refino aqui.

Elias Rosa: Estou aguardando o nosso Ministério de Minas e Energia se posicionar ou dar alguma indicação.

Valor: O governo pode de alguma maneira se posicionar contra esse negócio?

Elias Rosa: Eu acho que pode. Eu não descarto a hipótese de ser questionado. Nós estamos em face de algo absolutamente estratégico. Eu falo que a terra é rara, mas tem dono, e é o povo brasileiro. Então, nós não podemos administrar isso sem levar em conta a relevância estratégica. Quando a gente fala de mineral crítico, estratégico ou de terra rara, nós estamos falando de insumos absolutamente essenciais na nova indústria do mundo. Então, não dá para não ter uma política definida para isso, ou admitir que vire matéria-prima para exportação, apenas e tão somente.

Valor: O deputado Arnaldo Jardim relata um projeto de lei que vai regular essa política de minerais críticos e estratégicos. Ele aguarda contribuições do governo. Qual a posição do Mdic?

Elias Rosa: A nossa posição para esse tema é sempre buscando a industrialização. Se não toda ela, ao menos uma parte.

Valor: Ouvimos que a contribuição do governo não conteria a criação de uma estatal, a Terrabras, mas teria itens de controle de investimento estrangeiro, de exportação, exigência de industrialização local. É essa a linha que vão seguir no projeto?

Elias Rosa: Isso.

Valor: Mas isso não vai afastar investimentos ou atrasar o desenvolvimento do setor?

Elias Rosa: O que atrasa o desenvolvimento do setor é admitir que se pode exportar matéria-prima e que nós não vamos industrializar. Qual vai ser o interesse de uma indústria chinesa de se instalar no país para fazer uma parte do beneficiamento da extração, da lavra e depois do beneficiamento, se o minério pode ser simplesmente exportado e produzido lá?

Valor: O deputado Arnaldo Jardim propôs alguns incentivos fiscais no relatório preliminar. Vocês vão sugerir algo nessa linha?

Elias Rosa: Dentro do universo de discussão que a gente tem estabelecido, qualquer regime especial de crédito tributário, isenção ou regime especial deve ser proporcional ao adensamento da cadeia. Quanto maior a etapa, quanto mais ele avança na industrialização, maior o benefício ele pode colher.

Valor: Pode detalhar mais?

Elias Rosa: É um sistema muito parecido com o Mover. O Mdic está usando muito o programa de mobilidade verde do setor automotivo, porque deu muito resultado. Ele não concede isenções, e sim crédito tributário, na medida que se agrega valor.

Valor: E qual seria o impacto fiscal?

Elias Rosa: Eu não sei qual o impacto fiscal, não sei dizer. Se você não gerar algum tipo de vantagem tributária, você não tem regime especial. E aí não tem sentido.

Valor: Precisa de um regime especial para desenvolver esse setor?

Elias Rosa: Precisa de um regime especial. Como precisa para os datacenters, que é o Redata, como precisa para a ZPE (Zona de Processamento de Exportação), para a indústria química. Mas é preciso saber que não se concedem os benefícios de maneira meramente homologatória. Por exemplo: eu tenho um alvará e isso já me dá vantagens e benefícios. Isso não pode. É preciso que a empresa, tendo o alvará para exploração, apresente um projeto de investimento no país. E a partir do projeto habilitado no programa, vai ou não ter vantagens tributárias. Então, teria necessariamente que ter uma fase de habilitação desse investimento.

Valor: O programa de datacenters era a grande expectativa de agenda do Mdic para 2026. Não tem como mais ser aprovado este ano?

Elias Rosa: Há uma pressão grande do setor privado para o regime, não é só do governo. E eu já disse publicamente que nós vamos dialogar com o Senado para tentar retomar. Acho que é importante.

Valor: Sobre a revogação da “taxa das blusinhas”, já há uma definição? Seria uma revogação total ou uma redução na alíquota?

Elias Rosa: O Mdic é favorável à taxação. A nossa posição é de manutenção, para corrigir uma assimetria que existe entre o varejo brasileiro e a indústria têxtil, calçadista, a indústria da moda. E essa discussão não está atrelada ao calendário eleitoral. Os mesmos atores favoráveis e contrários estão aí, o tempo todo falando sobre isso. É que aumentou a pressão para a discussão do tema. E dentro do governo tem muitas opiniões, opinião favorável, opinião contrária, sempre tiveram. Mas não tem uma orientação ainda, diferentemente da redução da jornada 6x1.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 04/05/2026

Produção mundial cai 4,2% em março e 2,3% no primeiro trimestre

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 159,9 milhões de toneladas em março de 2026, uma redução de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A Ásia e a Oceania produziram 119,3 milhões de toneladas em março, um decréscimo de 3,9% sobre março do último ano. A China produziu 87 milhões de toneladas, 6,3% a menos que em março de 2025, enquanto a Índia produziu 15,3 milhões de toneladas no mês, um incremento de 9,4% sobre o mesmo mês de 2025. Japão e Coreia do Sul produziram 6,9 milhões de toneladas e 5,4 milhões de toneladas de aço bruto em março, respectivamente, com queda de 4,1% e aumento de 1,5% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Os países do Bloco Europeu produziram 11,4 milhões de toneladas de aço em março de 2026, ou 4,6% a menos que no mesmo mês do ano passado. A Alemanha produziu 3,3 milhões de toneladas, uma alta de 7,5%. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,8 milhões de toneladas, um crescimento de 4,9% sobre março de 2025, enquanto a África – Egito, Líbia e África do Sul – produziu 2,2 milhões de toneladas de aço bruto em março, 11,6% superior na comparação com março de 2025. Já os países da CIS produziram 6,6 milhões de toneladas, 7,9% a menos sobre o mesmo mês do último ano, com a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,4 milhões de toneladas, um recuo de 11,4% sobre o mesmo mês de 2025. Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – produziram 3,5 milhões de toneladas de aço bruto e viu o volume despencar 33,5% na comparação com um ano antes. O Vietnã teve produção estimada de 2,2 milhões de toneladas no mês, 5,7% superior a março do último ano.

A produção na América do Norte cresceu 3,5% em março de 2026, somando 9,5 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas, e cresceram 5,2% em relação ao desempenho de março do ano passado, enquanto a América do Sul alcançou 3,6 milhões de toneladas e caiu 0,5%, comparado a um ano antes. O Brasil registrou produção de 2,8 milhões de toneladas, 2,5% inferior a março do último ano.

No primeiro trimestre de 2026, a produção global de aço bruto foi de 459,2 milhões, um recuo de 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Ásia e Oceania produziram 341,7 milhões de aço bruto no primeiro trimestre de 2025, queda de 2,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A UE produziu 11,4 milhões t de aço bruto no primeiro trimestre de 2026, 4,6% a menos em relação ao mesmo trimestre de 2025. A produção de aço bruto da América do Norte foi de 27,5 milhões de toneladas entre janeiro e março de 2026 e cresceu 2,3% em relação a um ano antes, enquanto Rússia e outros CIS + Ucrânia produziram 18,9 milhões de toneladas de aço bruto no primeiro trimestre de 2026, um decréscimo de 9,8% sobre o mesmo período de 2025, enquanto a América do Sul produziu 10,2 milhões de toneladas no trimestre, 1,9% a menos que o primeiro trimestre do último ano.

 

Produção brasileira de aço bruto registra 8,1 milhões/t no 1T26: queda de 3,1% , diz IABr

A redução é referente ao mesmo trimestre em 2025. As exportações no primeiro trimestre de 2026 atingiram 2,8 milhões de toneladas, e em valor US$ 1,8 bilhão, respectivamente, crescimento de 12,1% no volume e queda de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro trimestre as importações registraram 1,8 milhão toneladas, aumento no volume de 4,2% , em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão, crescimento de 0,9% ante o mesmo período do ano anterior.

A produção brasileira de aço bruto foi de 2,8 milhões de toneladas em março de 2026, uma queda de 2,5% frente ao apurado no mesmo mês de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 6,1% inferior à registrada em março de 2025. A produção de semiacabados para vendas foi de 800 mil toneladas, uma retração de 0,9% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2025, dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr), no dia 20 de abril de 2026 (segunda-feira).

Quanto as vendas internas, elas avançaram 4,9% frente ao apurado em março de 2025 e atingiram 1,9 milhão de toneladas(t). O consumo aparente de produtos de aço foi de 2,4 milhões de toneladas, 1,1% superior ao apurado no mesmo período de 2025.

Exportações — As exportações de março de 2026 registraram 584 mil toneladas, ou US$ 413 milhões, o que resultou em queda de 25,8% e de 22,9%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2025.

Importações — As importações de março de 2026 foram 608 mil toneladas e de US$ 599 milhões, uma redução de 8,3% em volume e aumento de 9,5% em valor na comparação com o registrado em março de 2025.

O setor no primeiro trimestre de 2026 — No acumulado de janeiro a março de 2026 a produção brasileira de aço bruto foi de 8,1 milhões de toneladas(t), o que representa uma queda de 3,1% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 5,6 milhões de toneladas, redução de 3,5% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2025. A produção de semiacabados para vendas totalizou 2,1 milhões de toneladas de janeiro a março de 2026, um aumento de 0,3% na mesma base de comparação.

Ainda no primeiro trimestre de 2026, as vendas internas foram de 5,1 milhões de toneladas o que representa uma retraç ão de 1,1% quando comparadas com igual período do ano anterior.

Já o consumo aparente nacional de produtos de aço foi de 6,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre. Este resultado representa uma queda de 0,8% frente ao registrado no mesmo período de 2025.

Exportações — As exportações no primeiro trimestre de 2026 atingiram 2,8 milhões de toneladas, ou US$ 1,8 bilhão. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 12,1% e queda de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

Importações — As importações alcançaram 1,8 milhão toneladas no acumulado até março de 2026, um aumento de 4,2% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão e expandiram 0,9% no mesmo período de comparação.

Produção regional — Quanto a distribuição regional da produção de aço bruto, de semiacabados e laminados no mês de março de 2026, despontam os estados Minas Gerais; Rio de Janeiro ; Espírito Santo; São Paulo, respectivamente nesta ordem.

Ranking de produção de aço bruto na América Latina — A produção de aço bruto em março de 2026 na América Latina, o Brasil aparece em primeiro lugar, respectivamente: Brasil; México; Argentina; Peru; Colômbia; Chile; Equador; Guatemala; Cuba; El Salvador; Uruguai/ Venezuela; Paraguai.

Ranking mundial de produção de aço bruto — A produção mundial do aço bruto em março de 2026 o Brasil aparece em nono lugar respectivamente, em uma lista de cerca de 40 países: China; Índia; Estados Unidos; Japão; Rússia; Coréia do Sul; Turquia; Alemanha; Brasil; Irã; Vietnã; Itália; Formosa(Taiwan); México; Canadá; Espanha; Arábia Saudita.

ICIA — O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de abril de 2026 cresceu 2,4 pontos, e chegou aos 51,7 pontos, e ficou na linha dos 50 pontos, — linha divisória entre confiança e falta de confiança para os próximos seis meses.

 

*Com agências de notícias (Brasil Mineral e Portal Fator)

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/04/2026

 

Demanda por aço deve reagir em 2026, diz CEO da ArcelorMittal Pecém

O mercado brasileiro de aço deve apresentar desempenho melhor em 2026 na comparação com 2025, avalia o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres. Em entrevista à CNN, o executivo afirmou que alguns dos principais setores consumidores do produto já demonstram condições mais favoráveis de atividade.

Segundo Torres, áreas como construção civil, linha branca e até o setor automotivo indicam melhora nas perspectivas de demanda por aço no país. “Esses setores estão com condições de mercado melhores, o que tende a refletir em uma recuperação gradual do consumo de aço”, afirmou.

A expectativa de avanço no mercado doméstico, se deve a um movimento coordenado do setor siderúrgico de pressão no governo por medidas adicionais de defesa comercial diante do aumento das importações, especialmente vindas da China.

Torres destacou que o volume de aço importado no Brasil cresceu significativamente nas últimas duas décadas. De acordo com ele, esse avanço tem pressionado a competitividade da produção nacional.

“O crescimento de material importado foi de 160% nas últimas duas décadas. O aço importado chinês que chegou ao Brasil foi de 5,7 milhões de toneladas em 2025, quase duas vezes a produção da ArcelorMittal Pecém. Isso traz uma competição desleal com o aço produzido no Brasil”, disse.

O tema ganhou força recentemente após o governo brasileiro ampliar o número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) incluídas no sistema de cota-tarifa para produtos de aço que excederem limites de importação. Além disso, foi aberta uma investigação antidumping envolvendo 25 produtos siderúrgicos de origem chinesa.

As medidas atendem a demandas do setor por maior proteção comercial e seguem movimentos semelhantes adotados por países da Europa e da América do Norte.

Para o executivo, o custo de produção do aço chinês não estaria dentro de uma faixa considerada natural de mercado, o que levanta questionamentos sobre as condições de concorrência internacional.

Segundo ele, o custo de produção chinesa não está dentro de uma “faixa natural”, o que interfere na competição leal de mercado.

No cenário externo, a siderurgia brasileira também enfrenta desafios. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% a produtos brasileiros (entre eles o aço), exportadoras como a ArcelorMittal Pecém passaram a enfrentar maior dificuldade para competir no mercado americano.

Diante disso, empresas com produção local nos Estados Unidos, como a Gerdau, acabam tendo vantagem competitiva nesse ambiente tarifário. Ainda assim, o executivo afirma que o mercado americano continua estratégico para a companhia.

“O mercado americano ainda é muito atrativo mesmo com a taxação, porque permite colocar aço de alto valor agregado. Por isso conseguimos nos manter nesse mercado”, afirmou.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/04/2026

Lula critica acordo em Goiás e questiona concessão de terras raras aos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou um possível acordo envolvendo a exploração de terras raras em Goiás e questionou a atuação do governador Ronaldo Caiado. As declarações foram divulgadas em publicação na rede social X (antigo Twitter), que repercutiu trechos de entrevista concedida pelo chefe do Executivo federal.

“O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União. Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir", afirmou Lula. Em outro momento, o presidente classificou a negociação como “uma vergonha”.

As críticas ocorrem após a venda da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR), em operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. A transação, anunciada na segunda-feira (20), envolve uma das poucas produções relevantes de terras raras fora da Ásia, o que ampliou o debate no governo federal sobre soberania nacional e controle de recursos estratégicos.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), considerada a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil, em produção desde 2024. A empresa também se destaca por produzir terras raras pesadas de alto valor, como disprósio, térbio e ítrio — insumos fundamentais para setores como veículos elétricos, energia renovável, defesa, semicondutores e indústria aeroespacial.

Atualmente, mais de 90% da produção global desses minerais está concentrada na China, o que intensifica a disputa internacional por cadeias de suprimento alternativas. Nesse contexto, a aquisição da Serra Verde por uma empresa apoiada por capital e agências dos Estados Unidos reforça o interesse geopolítico sobre o setor.

Segundo comunicado da própria mineradora brasileira, a operação permitirá a criação de uma das maiores empresas globais do segmento. “As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou a companhia.

O acordo inclui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos, que prevê o abastecimento integral da produção da fase inicial da mina a uma empresa de propósito específico (SPV), financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados. O contrato estabelece preços mínimos garantidos para os minerais, o que, segundo a USAR, assegura estabilidade financeira ao projeto. “O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirmou a empresa.

A mineradora também destacou que a união das operações resultará em uma companhia com presença em diferentes países, incluindo Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, abrangendo toda a cadeia produtiva — da mineração à fabricação de ímãs.

 
Fonte: Brasil 247
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/04/2026