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Produção mundial de aço cresce 1,7% em junho

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 155,7 milhões de toneladas em junho de 2026, um aumento de 1,7% em relação ao mesmo mês do último ano. A Ásia e a Oceania produziram 115,2 milhões de toneladas em junho, um crescimento de 1,5% sobre junho de 2025. Apenas a China produziu 83,7 milhões de toneladas, 0,4% a mais que em junho do ano passado, enquanto a Índia produziu 14,1 milhões de toneladas no mês, um incremento de 4,5%. Japão e Coreia do Sul produziram 6,8 milhões e 5,3 milhões de toneladas de aço bruto em junho, respectivamente, com alta de 1,3% e recuo de 0,9%.  

Os países do Bloco Europeu produziram 10,8 milhões de toneladas de aço em junho de 2026, ou 4,6% superior que no mesmo mês de 2025, sendo que a Alemanha produziu 2,9 milhões de toneladas, um acréscimo de 9,5% sobre junho de 2025. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,7 milhões de toneladas, um aumento de 10,4% sobre junho do último ano. A Turquia produziu 3,3 milhões de toneladas, 14,7% a mais que junho do ano passado. 

A África -- Egito, Líbia e África do Sul – produziu 2,2 milhões de toneladas de aço bruto em junho e cresceu 20%, na comparação com junho do último ano. Já os países da CIS produziram 6,8 milhões de toneladas, uma diminuição de 2,2%, com destaque para a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,6 milhões de toneladas, mas caiu 3,4% no mês. Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – registraram produção de 4 milhões de toneladas de aço bruto, 13,4% inferior na comparação com junho de 2025.  

A produção na América do Norte cresceu 5% em junho de 2026, somando 9,5 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas, 3,5% a mais que em junho de 2025, enquanto a produção na América do Sul alcançou 3,5 milhões de toneladas, queda de 0,3% sobre junho de 2025. A produção brasileira somou 2,8 milhões de toneladas e teve ligeiro crescimento 0,1% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre de 2026, a produção global de aço bruto atingiu 931,5 milhões de toneladas e registrou queda de 0,7% em relação aos seis primeiros meses de 2025.  

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/07/2026

Tarifa dos EUA reforça estratégia brasileira para setores considerados estratégicos

As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros desencadearam uma reação que vai além das medidas emergenciais de apoio às empresas exportadoras. Ao anunciar novos instrumentos de financiamento e ampliar programas voltados à indústria, o governo brasileiro sinaliza uma estratégia que procura transformar um choque comercial em oportunidade para fortalecer segmentos considerados estratégicos para a economia nacional.

Nos últimos dias, foram anunciadas medidas que incluem a ampliação do Plano Brasil Soberano, novas linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas, apoio à cadeia de minerais críticos e fertilizantes e mecanismos destinados a preservar investimentos industriais. Paralelamente, empresas e entidades representativas intensificam esforços para diversificar mercados e reduzir a dependência de destinos específicos para suas exportações.

O conjunto dessas iniciativas revela uma mudança importante na forma como o Brasil responde às turbulências do comércio internacional. Em vez de limitar sua atuação à compensação das perdas provocadas pelas tarifas, o país passa a direcionar recursos para segmentos considerados essenciais à competitividade industrial e à segurança econômica de longo prazo.

A reação deixa de ser apenas comercial

Historicamente, disputas tarifárias costumavam ser enfrentadas por meio de negociações diplomáticas ou medidas voltadas à manutenção das exportações.

Desta vez, porém, a resposta brasileira incorpora uma dimensão mais ampla.

O fortalecimento de setores industriais passa a integrar a estratégia econômica.

Isso significa que o tarifaço deixa de ser tratado apenas como um problema de comércio exterior e passa a influenciar decisões relacionadas à política industrial, ao financiamento da produção, à mineração e ao desenvolvimento tecnológico.

Na prática, o episódio reforça uma tendência observada em diferentes economias: choques geopolíticos passam a acelerar políticas voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

Setores estratégicos entram no centro da política industrial

Entre os segmentos priorizados pelo governo estão minerais críticos, fertilizantes e diferentes atividades ligadas à indústria de transformação.

A escolha não ocorre por acaso.

Esses setores desempenham papel relevante tanto para a segurança econômica quanto para a competitividade industrial.

Minerais críticos são fundamentais para baterias, veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, eletrônicos, equipamentos militares e infraestrutura digital.

Fertilizantes influenciam diretamente a produtividade do agronegócio, um dos principais motores das exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, máquinas, equipamentos industriais e outros bens de capital permanecem essenciais para elevar a produtividade da indústria nacional.

Essa seleção demonstra que a política industrial passa a priorizar atividades consideradas estruturantes para o crescimento econômico.

Minerais críticos ganham importância geopolítica

Entre todas as iniciativas anunciadas, poucas chamam tanta atenção quanto a inclusão dos minerais críticos entre os segmentos beneficiados pelas novas linhas de financiamento.

A decisão acompanha uma tendência internacional.

Estados Unidos, União Europeia, Japão e China disputam o acesso a minerais utilizados na transição energética e na indústria de alta tecnologia.

Lítio.

Terras raras.

Níquel.

Grafite.

Cobre.

Esses recursos deixaram de representar apenas commodities minerais.

Transformaram-se em ativos estratégicos para a competitividade industrial e para a segurança nacional.

Ao direcionar recursos para esse segmento, o Brasil procura ampliar sua participação em cadeias produtivas consideradas prioritárias para a economia global nas próximas décadas.

Máquinas e equipamentos permanecem sob pressão

Enquanto o governo amplia instrumentos de apoio, representantes da indústria alertam para desafios que ultrapassam as tarifas americanas.

Para o setor de máquinas e equipamentos, a crescente presença de produtos chineses no mercado brasileiro continua sendo uma preocupação estrutural.

Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a concorrência internacional, especialmente em segmentos de maior intensidade tecnológica, exerce impacto mais duradouro sobre a indústria nacional do que medidas tarifárias pontuais.

Essa percepção amplia o debate sobre competitividade.

Não basta responder às tarifas.

Também será necessário fortalecer a capacidade da indústria brasileira de competir em preço, tecnologia, inovação e produtividade diante do avanço dos fabricantes asiáticos.

Diversificação de mercados ganha força

Outro efeito observado após o anúncio das tarifas é a intensificação da busca por novos destinos para as exportações brasileiras.

Empresas de diferentes segmentos passaram a acelerar negociações com mercados alternativos, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

Esse movimento já pode ser observado em setores como proteína animal, mineração, agronegócio e manufatura.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, empresas da cadeia bovina ampliam esforços para expandir vendas a outros mercados internacionais e buscam novas aplicações para subprodutos, como o sebo bovino destinado à produção de biodiesel.

A diversificação geográfica reduz riscos comerciais e amplia a resiliência das exportações brasileiras diante de mudanças na política tarifária de parceiros internacionais.

A siderurgia acompanha as mudanças

Embora o aço não esteja no centro das medidas anunciadas, a siderurgia acompanha atentamente os desdobramentos da nova política industrial.

Isso ocorre porque boa parte dos setores beneficiados utiliza produtos siderúrgicos em seus processos produtivos.

Equipamentos para mineração.

Máquinas agrícolas.

Implementos rodoviários.

Equipamentos industriais.

Infraestrutura energética.

Todos esses segmentos apresentam elevada intensidade de consumo de aço.

Assim, o fortalecimento dessas cadeias tende a produzir efeitos indiretos sobre a demanda por produtos siderúrgicos e pela indústria metalmecânica.

Quanto maior a capacidade da indústria nacional de produzir equipamentos de maior valor agregado, maior tende a ser o consumo interno de aço transformado.

A resposta brasileira amplia o papel do Estado

As medidas também indicam uma evolução na atuação do Estado em relação à política industrial.

Em vez de adotar apenas instrumentos horizontais, válidos para todos os setores da economia, o governo passa a concentrar recursos em atividades consideradas estratégicas.

Essa abordagem aproxima o Brasil de políticas atualmente adotadas por diversas economias desenvolvidas.

Estados Unidos.

União Europeia.

China.

Coreia do Sul.

Todos ampliaram, nos últimos anos, programas voltados ao fortalecimento de cadeias industriais específicas.

Nesse contexto, o tarifaço funciona como catalisador de uma estratégia que já vinha sendo desenhada.

Competitividade dependerá de mais do que crédito

Apesar da ampliação do financiamento público, especialistas lembram que a competitividade industrial depende de fatores muito mais amplos.

Infraestrutura logística.

Energia.

Segurança jurídica.

Inovação.

Qualificação profissional.

Tributação.

Produtividade.

Todos esses elementos influenciam diretamente a capacidade das empresas brasileiras de competir nos mercados internacionais.

O crédito representa um instrumento importante, mas sua efetividade dependerá da capacidade de transformar investimentos em ganhos permanentes de eficiência e inovação.

A geopolítica redefine prioridades econômicas

O episódio também evidencia como questões geopolíticas passam a influenciar cada vez mais as decisões econômicas.

Tarifas comerciais.

Minerais críticos.

Segurança das cadeias produtivas.

Diversificação de fornecedores.

Esses temas deixam de ocupar apenas o debate diplomático e passam a orientar investimentos públicos e privados.

A economia internacional torna-se menos dependente exclusivamente da lógica da eficiência de custos e mais influenciada por fatores relacionados à segurança econômica e ao posicionamento estratégico dos países.

Nesse ambiente, políticas industriais voltam a ganhar protagonismo.

Perspectivas

As tarifas impostas pelos Estados Unidos funcionaram como um importante gatilho para acelerar discussões que já vinham ganhando espaço na política econômica brasileira. Mais do que responder a um episódio específico do comércio internacional, o governo procura utilizar esse contexto para fortalecer setores considerados estratégicos, ampliar investimentos industriais e reduzir vulnerabilidades em cadeias produtivas relevantes.

Para segmentos como mineração, siderurgia, metalurgia, máquinas e equipamentos, a nova estratégia pode criar oportunidades adicionais de crescimento, especialmente se os investimentos em minerais críticos, infraestrutura e bens de capital contribuírem para elevar a competitividade da indústria nacional.

Ao mesmo tempo, o episódio reforça que os desafios estruturais da economia brasileira permanecem. A concorrência internacional, em especial a expansão da indústria chinesa em diversos mercados, continuará exigindo ganhos de produtividade, inovação e capacidade tecnológica.

Nesse cenário, o tarifaço tende a ser lembrado menos pelos efeitos imediatos sobre as exportações e mais pelo papel que desempenhou ao acelerar uma reorganização das prioridades da política industrial brasileira, aproximando desenvolvimento econômico, segurança das cadeias produtivas e geopolítica industrial.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 23/07/2026

China, EUA ou Argentina? Saiba quem são os maiores parceiros do Brasil

A China se consolidou como o principal parceiro comercial do Brasil, liderando com folga tanto o ranking de destinos das exportações brasileiras quanto o de origem das importações. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar em ambas as listas, enquanto a Argentina se mantém como um ator estratégico, especialmente no comércio de produtos industrializados na América do Sul.

Essa dinâmica, com dados referentes ao período de 2025 e início de 2026, desenha o cenário atual do comércio exterior do país, que movimenta centenas de bilhões de dólares todos os anos. A balança comercial, que é a diferença entre o que o país vende e o que compra, tem sido fortemente influenciada pela demanda chinesa por commodities brasileiras.

Para quem o Brasil mais vende?

As exportações brasileiras são fortemente concentradas em produtos básicos. A China é o destino de aproximadamente 28% de tudo o que o Brasil vende para o exterior, com destaque para a soja, o minério de ferro e o petróleo.

Confira os principais destinos dos produtos brasileiros:

China: principal comprador, com foco em commodities agrícolas e minerais. É o motor do superávit da balança comercial brasileira.
Estados Unidos: segundo maior mercado, comprando uma variedade maior de produtos, incluindo semimanufaturados de ferro e aço, petróleo bruto e aeronaves.
Argentina: parceiro fundamental no Mercosul, para onde o Brasil exporta principalmente veículos, autopeças e outros produtos industrializados.
Países Baixos (Holanda): funciona como uma importante porta de entrada para produtos brasileiros na Europa, especialmente farelo de soja e petróleo.
De quem o Brasil mais compra?

Na via contrária, o Brasil importa majoritariamente produtos de maior valor agregado, como equipamentos eletrônicos, máquinas e insumos para a indústria. A China também lidera essa lista, fornecendo desde celulares até componentes industriais.

Veja os países de onde o Brasil mais importa:

China: lidera com folga, fornecendo equipamentos de telecomunicações, válvulas e transistores, e uma vasta gama de produtos manufaturados.
Estados Unidos: importante fornecedor de óleos combustíveis, motores, turbinas para aviação e medicamentos.
Alemanha: destaca-se pela venda de autopeças, carros e produtos farmacêuticos para o mercado brasileiro.
Argentina: vende principalmente veículos de carga e automóveis, além de trigo, mostrando a forte integração do setor automotivo no bloco.
Essa configuração da balança comercial revela um padrão claro. O Brasil se firma como um grande exportador de commodities para mercados asiáticos e importa bens industrializados de maior tecnologia. A relação com os vizinhos do Mercosul, por sua vez, é marcada pela intensa troca no setor industrial.

 
Fonte: Correio Braziliense
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 22/07/2026

Carbono passa a influenciar o custo de exportação do aço e do alumínio brasileiros

Durante décadas, a competitividade das exportações brasileiras de aço e alumínio foi determinada principalmente por fatores como preço, qualidade, produtividade e eficiência logística. A partir da entrada em vigor do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) da União Europeia, um novo elemento passa a integrar essa equação: as emissões de carbono associadas ao processo produtivo.

O novo sistema europeu estabelece que importadores deverão contabilizar as emissões incorporadas aos produtos adquiridos e arcar com certificados de carbono correspondentes, aproximando o custo climático das importações daquele enfrentado pelos fabricantes instalados na Europa.

Embora a obrigação legal recaia sobre os importadores europeus, especialistas apontam que o mecanismo tende a influenciar diretamente a competitividade dos exportadores. Produtos com menor intensidade de carbono poderão ganhar vantagem comercial, enquanto cadeias produtivas mais emissoras poderão enfrentar maior pressão sobre preços e margens.

Para o Brasil, cuja pauta de exportações para a União Europeia inclui aproximadamente US$ 2,2 bilhões em aço e alumínio, segundo levantamento citado pela revista Exame, a nova regulamentação representa simultaneamente um desafio regulatório e uma oportunidade para valorizar características da indústria nacional.

O carbono deixa de ser apenas indicador ambiental

Durante muitos anos, a discussão sobre emissões esteve concentrada em políticas ambientais, sustentabilidade corporativa e compromissos climáticos.

O CBAM altera esse cenário ao transformar o carbono em uma variável econômica capaz de influenciar decisões de compra, formação de preços e acesso a mercados internacionais.

Na prática, a intensidade de carbono deixa de representar apenas um indicador ambiental e passa a integrar a análise de competitividade industrial.

Empresas que conseguirem produzir com menores emissões — e comprovar essas emissões de forma auditável — tendem a ocupar posição mais favorável nas negociações comerciais com compradores europeus.

Essa mudança amplia o papel estratégico das informações ambientais dentro das empresas industriais.

A siderurgia brasileira não será afetada de forma uniforme

A nova regulamentação também evidencia que a indústria siderúrgica brasileira não pode ser analisada como um bloco homogêneo.

As emissões variam significativamente conforme a rota tecnológica utilizada na produção do aço.

Usinas integradas baseadas em minério de ferro e carvão mineral apresentam características distintas daquelas que utilizam carvão vegetal proveniente de florestas plantadas ou fornos elétricos abastecidos predominantemente por sucata metálica.

Consequentemente, o impacto do CBAM tende a variar entre empresas e produtos.

Mais do que um desafio para o setor como um todo, o mecanismo poderá ampliar diferenças competitivas entre produtores que apresentem intensidades de carbono distintas.

O Brasil pode transformar vantagens naturais em vantagem comercial

Nesse contexto, o Brasil reúne características que podem favorecer parte de sua indústria.

A elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica nacional, a utilização de sucata em diferentes processos siderúrgicos e a existência de uma cadeia relevante baseada em carvão vegetal certificado colocam determinados produtores em posição potencialmente mais favorável em relação a concorrentes cuja produção depende fortemente de combustíveis fósseis.

Entretanto, essa vantagem não será automática.

O diferencial competitivo dependerá da capacidade das empresas de medir, registrar e comprovar suas emissões segundo as metodologias aceitas pelas autoridades europeias.

Sem dados confiáveis, inventários auditados e sistemas robustos de monitoramento, produtos de baixa intensidade de carbono poderão deixar de capturar plenamente esse benefício.

Informação passa a ser ativo industrial

A implementação do CBAM amplia a importância de processos internos de medição das emissões.

Até recentemente, conhecer detalhadamente a pegada de carbono era uma prática associada principalmente à elaboração de relatórios de sustentabilidade.

Agora, essas informações passam a integrar o próprio processo comercial.

Inventários auditados, rastreabilidade da cadeia produtiva, certificações ambientais e sistemas de monitoramento tornam-se instrumentos capazes de influenciar negociações internacionais.

Em outras palavras, não basta produzir com menor emissão.

Será necessário demonstrar, de forma transparente e verificável, que essa emissão realmente é inferior.

A informação ambiental passa a representar um ativo industrial.

O alumínio também entra na nova lógica

A mudança não se restringe à siderurgia.

O setor brasileiro de alumínio também deverá conviver com o novo ambiente regulatório europeu.

Nesse segmento, a elevada participação de fontes renováveis na geração de eletricidade utilizada pela indústria brasileira poderá representar uma vantagem competitiva importante, uma vez que a produção de alumínio é altamente dependente de energia elétrica.

Da mesma forma, a ampla utilização de alumínio reciclado reduz significativamente o consumo energético e, consequentemente, a intensidade de carbono do produto final.

Assim como ocorre no aço, entretanto, essas vantagens precisarão ser devidamente comprovadas para produzir efeitos comerciais.

A competitividade industrial ganha uma nova dimensão

O avanço do CBAM demonstra que a competição internacional deixa de depender exclusivamente de fatores tradicionais como custo de produção, produtividade e escala.

Questões relacionadas à intensidade de carbono passam a integrar o conjunto de variáveis analisadas por compradores, investidores e governos.

Essa transformação acompanha um movimento mais amplo observado nas principais economias do mundo, no qual política industrial, transição energética e segurança das cadeias produtivas tornam-se cada vez mais interligadas.

Nesse novo ambiente, eficiência produtiva e eficiência ambiental deixam de seguir caminhos paralelos.

Passam a fazer parte da mesma estratégia de competitividade.

O debate poderá avançar para outros segmentos industriais

Embora o mecanismo tenha sido inicialmente direcionado a setores intensivos em emissões, como ferro, aço, alumínio, cimento, fertilizantes, hidrogênio e eletricidade, a tendência é que sua influência se estenda gradualmente a cadeias industriais de maior valor agregado.

À medida que componentes metálicos, máquinas, equipamentos e produtos manufaturados incorporem matérias-primas sujeitas ao CBAM, cresce a possibilidade de que exigências relacionadas ao carbono avancem para etapas posteriores da cadeia industrial.

Esse movimento amplia a importância da descarbonização não apenas para os produtores de insumos básicos, mas também para a indústria de transformação.

Perspectivas

A implementação do CBAM marca uma mudança relevante na dinâmica do comércio internacional ao aproximar política climática e política industrial.

O carbono deixa de representar apenas um compromisso ambiental e passa a influenciar decisões de investimento, estratégias produtivas e relações comerciais entre países.

Para a indústria brasileira, o novo cenário impõe custos de adaptação e aumenta a necessidade de investimentos em monitoramento, rastreabilidade e certificação das emissões. Ao mesmo tempo, abre espaço para que vantagens estruturais do país — como uma matriz elétrica predominantemente renovável, o uso crescente de sucata metálica e a produção baseada em biomassa certificada em parte da siderurgia — sejam convertidas em diferenciais competitivos.

Nos próximos anos, a capacidade de produzir com menor intensidade de carbono continuará importante. Mas será igualmente decisivo comprovar essa condição por meio de dados consistentes e reconhecidos internacionalmente. Em um mercado cada vez mais orientado pela transição energética, medir emissões deixa de ser apenas uma exigência regulatória e passa a integrar a própria estratégia industrial das empresas brasileiras.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 21/07/2026

 

2 mil toneladas de aço e sem vigas: como a Havan ergue o maior galpão da América Latina de R$ 250 milhões

O sistema autoportante é a operação que chama atenção na obra de R$ 250 milhões de ampliação do Centro de Distribuição da Havan, em Barra Velha, Litoral Norte de SC. O espaço é considerado o maior da América Latina com 200 mil metros quadrados. O novo galpão vai somar 50 mil metros quadrados na estrutura.

Imagens divulgadas pelo empresário Luciano Hang revelaram como está ficando o novo armazém. A tecnologia consiste em construir o galpão sem vigas de apoio, ou seja, o que apoia a estrutura são as próprias prateleiras que armazenam os produtos. Um elevador de 40 mil espaços para paletes e uma estrutura de 2 mil toneladas de aço também será instalado no local.

Sistema autoportante agiliza a construção e otimiza espaço do galpão no centro de distribuição da Havan

Conforme explicação da Longa Industrial, empresa siderúrgica que atua há mais de 60 anos no Brasil, a técnica é desenvolvida para edificação do armazém e reduz significativamente o uso de alvenaria na obra.

A própria estrutura de armazenagem vai sustentar os fechamentos laterais e a cobertura do galpão. Estas estruturas são pré-fabricadas e instalas em obra, em cima do piso já existente. Uma das grandes vantagens é que as prateleiras otimizam ao máximo o espaço, já que eliminam colunas.

Outro motivo pela escolha da técnica é agilizar a construção e manter o canteiro de obra mais limpa, o que pode gerar menos custos em relação aos métodos tradicionais.

No caso da Havan, os pilares construídos tem 35 metros de altura, com o elevador automatizado que será equipado no local, para movimentar as mercadorias.

CDH de Barra Velha consegue separar até 20 mil caixas por hora

O centro de distribuição da  Havan tem o tamanho de cerca de 28 campos de futebol. A unidade é responsável por fazer a distribuição dos produtos vendidos nas 190 megalojas de todo o Brasil.

Segundo a empresa, o espaço usa estrutura de ponta para atender toda a rede. As instalações contam com sistemas automatizados de última geração, incluindo maquinários capazes de separar até 20 mil caixas por hora, o que garante maior agilidade e precisão nas entregas. 

São sete quilômetros de esteira e três transelevadores. Na unidade, atuam cerca de 1.500 mil trabalhadores. O Centro de Distribuição foi inaugurado em Barra Velha em 2010. Ainda não há previsão de entrega da obra que amplia a estrutura.

 
Fonte: NSC Total
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 21/07/2026

 

Defesa comercial começa a redesenhar o mercado brasileiro de aço

Durante os últimos dois anos, a principal preocupação da siderurgia brasileira esteve concentrada no avanço das importações de aço, especialmente de produtos asiáticos vendidos a preços considerados desleais pelo setor. A resposta veio por meio da ampliação dos instrumentos de defesa comercial, com a adoção de cotas tarifárias e a aplicação de medidas antidumping sobre diferentes categorias de produtos siderúrgicos.

Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que essas medidas começam a produzir efeitos.

As importações brasileiras de aço recuaram 17,6% entre janeiro e junho, totalizando 2,9 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil. A retração representa a primeira redução significativa após um longo período de crescimento das compras externas e sinaliza uma mudança importante na dinâmica competitiva do mercado nacional.

A diminuição das importações, entretanto, não elimina os desafios da indústria.

Mesmo diante da menor entrada de aço estrangeiro, produção, vendas internas e consumo aparente continuaram registrando retração no semestre, indicando que o principal obstáculo da siderurgia brasileira deixou de ser apenas a concorrência externa e passou a envolver também o ritmo da atividade econômica doméstica.

Defesa comercial começa a alterar o fluxo das importações

A redução das compras externas ocorre após o fortalecimento dos instrumentos de proteção comercial adotados pelo governo brasileiro.

O sistema de cotas tarifárias, renovado recentemente para o biênio 2026-2027, continua abrangendo 19 categorias de produtos siderúrgicos. Dentro dos limites estabelecidos, permanece a tarifa regular de importação. Acima desse volume, passa a incidir uma alíquota de 25%.

Paralelamente, novas medidas antidumping foram implementadas ou prorrogadas sobre diferentes produtos provenientes principalmente da China e da Índia, incluindo aços pré-pintados, laminados planos a frio e materiais revestidos.

Essas iniciativas vinham sendo defendidas pelo setor siderúrgico como instrumentos necessários para reduzir distorções competitivas provocadas pelo excesso de oferta internacional, especialmente em um ambiente marcado pelo avanço das exportações chinesas.

Os números do semestre sugerem que esse conjunto de medidas começa a modificar o comportamento das importações.

O mercado muda, mas a demanda ainda não reage

A redução da concorrência externa, por si só, não foi suficiente para impulsionar a atividade da indústria nacional.

A produção brasileira de aço bruto recuou 1,5% no primeiro semestre, totalizando 16,3 milhões de toneladas.

As vendas internas permaneceram praticamente estáveis, com leve retração de 0,2%, enquanto o consumo aparente apresentou queda mais expressiva, de 5,3%.

Os indicadores revelam que a desaceleração da demanda doméstica continua limitando uma recuperação mais consistente do setor.

Em outras palavras, a defesa comercial contribui para reduzir a pressão competitiva das importações, mas não substitui o crescimento da atividade econômica como principal motor da indústria siderúrgica.

Essa mudança altera a natureza do desafio enfrentado pelas empresas.

Antes, a preocupação estava concentrada na perda de mercado para produtos importados.

Agora, o foco passa a ser a recuperação do consumo nacional.

Junho mostra que a volatilidade permanece elevada

Apesar da queda acumulada no semestre, os dados de junho revelam que o mercado continua sujeito a oscilações importantes.

As importações cresceram mais de 50% em relação ao mês anterior, embora permaneçam abaixo do volume registrado em junho do ano passado.

Esse comportamento indica que os fluxos internacionais continuam bastante sensíveis às condições de oferta, demanda e preços praticados no mercado global.

Para a indústria, isso significa que a defesa comercial reduz parte das distorções, mas não elimina completamente a volatilidade das importações.

Exportações ajudam a equilibrar a atividade

Enquanto o mercado interno permanece moderado, as exportações continuam exercendo papel importante na sustentação da produção.

Os embarques brasileiros cresceram 3,1% no primeiro semestre e alcançaram 5,3 milhões de toneladas.

A ampliação das vendas externas demonstra que parte das siderúrgicas busca compensar o desempenho mais fraco do mercado doméstico por meio de maior presença internacional.

Esse movimento ganha relevância em um cenário no qual diferentes regiões do mundo passam por reorganização das cadeias de fornecimento de aço.

O mercado internacional também busca novo equilíbrio

As mudanças observadas no Brasil ocorrem paralelamente a uma reorganização do mercado internacional.

No segmento de placas de aço, principal produto semielaborado exportado pelo país, produtores relatam melhora gradual da demanda para embarques previstos para o último trimestre do ano.

Ao mesmo tempo, o mercado internacional passa por um processo de estabilização após meses de elevada volatilidade.

A procura por placas brasileiras cresce principalmente entre siderúrgicas instaladas na Europa, enquanto fabricantes continuam enfrentando forte concorrência de fornecedores asiáticos.

Esse ambiente favorece um equilíbrio mais consistente entre oferta e demanda, reduzindo a pressão observada no início do ano.

Na América Latina, o mercado de bobinas laminadas a quente também entrou em uma fase de estabilização após um período de valorização.

Embora os preços internacionais tenham perdido parte do impulso recente, produtores avaliam que o mercado começa a encontrar níveis mais sustentáveis para as negociações.

Esse cenário tende a oferecer maior previsibilidade para exportadores brasileiros.

Confiança da indústria continua abaixo do nível considerado positivo

Apesar da melhora no ambiente competitivo proporcionada pela defesa comercial, o setor ainda demonstra cautela quanto aos próximos meses.

O Indicador de Confiança da Indústria do Aço encerrou julho em 45,6 pontos, permanecendo pelo segundo mês consecutivo abaixo da linha dos 50 pontos, nível que separa percepções positivas e negativas sobre o ambiente de negócios.

A permanência do indicador em terreno pessimista mostra que os executivos do setor ainda enxergam limitações importantes para uma recuperação mais robusta da atividade.

Entre os fatores monitorados permanecem a evolução da demanda doméstica, o comportamento das importações, os investimentos industriais e o cenário internacional.

O setor entra em uma nova etapa

Os resultados do primeiro semestre sugerem que a siderurgia brasileira começa a deixar para trás um período marcado exclusivamente pela preocupação com o crescimento das importações.

As medidas de defesa comercial parecem ter reduzido parte da pressão exercida pelos produtos estrangeiros.

Entretanto, novos desafios passam a ocupar o centro das decisões empresariais.

O principal deles consiste em ampliar a utilização da capacidade instalada em um ambiente de consumo doméstico ainda moderado e crescimento econômico desigual.

Nesse contexto, competitividade, produtividade e expansão das exportações passam a ganhar peso crescente na estratégia das empresas.

Perspectivas

A queda das importações representa um marco importante para a siderurgia brasileira, mas não encerra os desafios do setor.

Depois de um longo período dedicado à defesa comercial, a indústria passa a enfrentar uma nova etapa, na qual a recuperação dependerá cada vez mais do fortalecimento da demanda interna, da expansão dos investimentos e da capacidade de ampliar sua inserção internacional.

Ao mesmo tempo, os sinais de estabilização observados no mercado global de placas de aço e de outros produtos siderúrgicos indicam que a oferta mundial começa a encontrar um novo ponto de equilíbrio após anos de forte volatilidade.

Para a indústria brasileira, essa combinação cria uma oportunidade relevante. Com menor pressão das importações e um ambiente internacional mais previsível, o foco tende a migrar da proteção do mercado para o aumento da competitividade, da produtividade e da agregação de valor, elementos que serão decisivos para consolidar uma nova fase de desenvolvimento da siderurgia nacional.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/07/2026