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Aço, carro e pneu: importação ameaça indústria do Sul Fluminense

Aço, carro e pneu: importação ameaça indústria do Sul Fluminense
 
 Importação predatória ataca ao mesmo tempo os três pilares da economia regional; polo siderúrgico e automotivo somam mais de 30 mil empregos diretos em risco Não é uma ameaça. São três. E todas chegam ao mesmo tempo, pelo mesmo caminho: a importação de produtos chineses a preços que a indústria instalada no Brasil não consegue competir. Aço, carros e pneus — exatamente os três pilares da economia do Sul Fluminense — estão sob pressão simultânea de um fluxo crescente de importações que já eliminou empregos, fechou fábricas e cancelou bilhões em investimentos. Para uma região que abriga CSN, ArcelorMittal, Stellantis, Volkswagen, Nissan e Michelin, o cenário não é abstrato. É o cotidiano de quem trabalha no chão de fábrica.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano, resume a gravidade do momento. “Nossa região depende fortemente da indústria siderúrgica e automotiva. Quando um veículo deixa de ser produzido aqui para ser importado pronto ou semimontado, quando o aço que deveria sair de Volta Redonda ou de Resende é substituído por produto chinês com preço artificial, estamos falando de empregos que deixam de ser gerados, renda que deixa de circular no comércio local e oportunidades que desaparecem para milhares de famílias do Sul Fluminense”, afirma. “Não somos contra a modernização nem contra novas tecnologias. O que questionamos é a concorrência desigual.”

O aço que virou alvo

A siderurgia brasileira chegou a 2026 com as cicatrizes abertas de dois anos de pressão intensa. Em 2025, o Brasil importou 5,7 milhões de toneladas de aço laminado — o maior volume desde 2010 e um aumento de 20,5% em relação a 2024. O impacto foi direto: parte das siderúrgicas cancelaram R$ 2,5 bilhões em investimentos no país e demitiram 5.100 trabalhadores. Para a CSN, que tem em Volta Redonda o maior complexo siderúrgico integrado da América Latina e é um dos maiores empregadores da região, a pressão é constante. Mas, mesmo sobre pressão, a empresa segue acreditando no país e investindo na modernização e melhoria dos seus processos.

O governo federal reagiu em janeiro de 2026, aprovando direitos antidumping definitivos sobre aços pré-pintados da China e da Índia e uma tarifa provisória de 25% sobre nove categorias de produtos siderúrgicos — medida considerada especialmente relevante para a CSN, onde o aço pré-pintado representa cerca de 10% do volume total de embarques. Com isso, o Instituto Aço Brasil revisou a projeção de importações para 2026 de 6,7 milhões para 6,3 milhões de toneladas.

Mas o setor não comemora. Para o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, Carlos Loureiro, a alíquota de 25% é insuficiente para segurar a China. “Se não vier nada mais em relação a dumping, nós vamos ter de novo mais um ano perdido. 25% não segura nada da China. Da China tem que vir muito mais que 25%”, declarou. Enquanto a batalha tarifária segue em Brasília, o CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, revelou que a empresa tem investimentos importantes previstos para o Brasil — mas que os planos estão “absolutamente suspensos” por causa do cenário de importações.

O pneu que tomou o mercado

Se no aço a invasão foi gradual, no setor de pneus ela foi uma virada histórica. Em 2019, os fabricantes instalados no Brasil detinham 69% do mercado de reposição. Hoje, respondem por apenas 31% — o menor índice já registrado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos. A inversão completa aconteceu em menos de seis anos.

Hoje, seis em cada dez pneus trocados no Brasil vêm do exterior. A China é a origem de 78% dos pneus de passeio importados, mesmo com a vigência de tarifas antidumping. Em 2025, o Brasil importou 692,4 mil toneladas de pneus, movimentando US$ 2 bilhões. E 2026 começou em forte aceleração: nos dois primeiros meses do ano, o volume importado cresceu 38,8% na comparação com o mesmo período de 2025.

O impacto já chegou ao Sul Fluminense de forma concreta. A Michelin, que mantém fábricas em Resende e Campo Grande, fechou sua unidade de Guarulhos em 2025 — e apontou a entrada massiva de importados asiáticos abaixo do custo de produção local como a principal razão. A empresa afirmou que a decisão foi resultado de “supercapacidade de produção gerada a partir da entrada expressiva de produtos importados da Ásia, que chegam muitas vezes abaixo do custo de produção local.”

A indústria pede aumento da tarifa de importação para 35%. O governo manteve em 25% tanto em 2025 quanto em 2026. A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos alerta que, enquanto os importados continuarem dominando o mercado de reposição e as fábricas operarem com ociosidade, o risco de novas decisões como a da Michelin de Guarulhos é real.

O carro elétrico que ameaça 191 mil empregos

A mais recente — e talvez a mais grave — das três ameaças chegou em 23 de junho de 2026. O governo federal reabriu a isenção de impostos para a importação de kits de carros elétricos e híbridos desmontados, criando uma cota de US$ 463 milhões com alíquota zero, válida por seis meses a partir de 1º de julho. A medida foi aprovada sem consulta à indústria.

Os números do setor mostram a dimensão da transformação em curso. Em 2023, os carros chineses representavam 3% das vendas de zero-quilômetro no Brasil. Hoje, um em cada cinco carros vendidos é chinês. Dos 15 modelos eletrificados mais vendidos no país, 12 são de marcas chinesas. Os emplacamentos de elétricos importados cresceram 214% entre 2023 e 2025.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores estima que apostar na montagem de kits importados em larga escala pode custar R$ 96,8 bilhões em vendas ao setor de autopeças, reduzir R$ 24,3 bilhões na arrecadação federal e eliminar 68 mil empregos diretos — 191 mil vagas em toda a cadeia produtiva. A entidade anunciou que vai acionar a Justiça contra a medida.

Stellantis, Volkswagen, General Motors e Toyota assinaram carta conjunta ao presidente Lula pedindo que a prorrogação não fosse concedida. O documento alertou que a decisão representa “um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica.” Para o Sul Fluminense, onde a Stellantis acaba de abrir 100 novas vagas em Porto Real para produção do Jeep Avenger, o alerta é direto: a cada kit montado no Brasil com peças importadas, uma vaga que poderia ser gerada na cadeia regional deixa de existir.

Uma região, três frentes de batalha

O Sul Fluminense é hoje o único polo industrial do Brasil onde os três setores mais pressionados pela importação predatória convivem no mesmo território. CSN e ArcelorMittal no aço. Michelin nos pneus. Stellantis, Volkswagen, Nissan no setor automotivo. Mais de 30 mil empregos diretos, uma cadeia de fornecedores e de empresas beneficiadoras que emprega outros tantos milhares e um comércio local que depende do poder de compra de quem trabalha nessas fábricas.

Para Odair Mariano, do Sindicato dos Metalúrgicos, a coincidência das três ameaças não pode ser tratada como assunto apenas de empresas ou de Brasília. “O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense defende que qualquer avanço — seja na eletrificação da frota, seja na modernização da siderurgia — aconteça com garantia de produção nacional, geração de empregos e fortalecimento da cadeia industrial brasileira. O que não podemos aceitar é que a modernização do país seja feita às custas dos trabalhadores desta região.”

 
Fonte: Diário do Vale
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 29/06/2026

Preço do aço pode ganhar força com queda das importações; mercado projeta crescimento no consumo de até 2% em 2026

O mercado brasileiro de aço começou a apresentar sinais mais consistentes de recuperação após um primeiro trimestre marcado por demanda fraca, elevada concorrência das importações e dificuldades para o repasse de reajustes de preços. Dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) mostram que maio representou um ponto de inflexão para o setor, com avanço nas vendas, forte retração das importações e melhora das perspectivas para o segundo semestre.

Na avaliação da entidade, a combinação entre menor pressão do aço importado e recuperação gradual do consumo deverá permitir que o mercado encerre 2026 com crescimento entre 1,5% e 2%.

O cenário também abre espaço para um movimento aguardado pelas siderúrgicas desde o início do ano: a consolidação dos reajustes de preços anunciados pelas usinas.

Importações caem e mudam a dinâmica do mercado

O principal fator por trás da melhora observada em maio foi a forte redução das importações.

Segundo o Inda, o volume importado de produtos siderúrgicos recuou 71,1% em relação ao mesmo mês do ano passado e 27,4% na comparação com abril, totalizando pouco mais de 120 mil toneladas.

A retração ocorre após a entrada em vigor das medidas antidumping e de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro para conter a entrada de produtos provenientes principalmente da China e da Índia.

Os efeitos começaram a aparecer em abril e ganharam intensidade em maio.

Na prática, a menor disponibilidade de material importado ampliou o espaço para o aço produzido no Brasil e reduziu a pressão competitiva sobre distribuidores e siderúrgicas nacionais.

Segundo o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a dificuldade de aquisição de aço chinês permitiu maior participação do produto nacional nas vendas realizadas pelos distribuidores.

Vendas registram o melhor desempenho para maio em anos

O novo ambiente comercial refletiu rapidamente na atividade do setor.

As vendas de aços planos cresceram 8,7% em maio frente a abril, alcançando 341,3 mil toneladas. Na comparação com maio do ano passado, o avanço foi de 3,8%.

Para o Inda, o resultado representa o melhor desempenho para o mês de maio dos últimos cinco anos e indica que o mercado começa a recuperar parte das perdas acumuladas no início de 2026.

As compras realizadas pelos distribuidores também avançaram, embora em ritmo mais moderado, registrando crescimento de 2,3% sobre abril.

Ao mesmo tempo, os estoques permaneceram praticamente estáveis, encerrando o mês em aproximadamente 1,16 milhão de toneladas, volume suficiente para cerca de 3,4 meses de comercialização.

Apesar de ainda permanecer acima do nível considerado ideal pelo setor, o comportamento dos estoques mostra um mercado mais equilibrado do que aquele observado no início do ano.

Preço do aço pode ganhar força no segundo semestre

A forte redução das importações também melhora as condições para que os reajustes anunciados pelas siderúrgicas sejam efetivamente absorvidos pelo mercado.

Desde maio, parte das usinas comunicou aumentos de preços, mas a demanda ainda moderada e a concorrência do aço importado dificultaram o repasse integral desses reajustes aos distribuidores e consumidores.

Com a retração das importações, representantes do setor acreditam que esse cenário tende a mudar ao longo do segundo semestre.

Segundo Carlos Loureiro, segmentos como o galvalume já demonstram um ambiente mais favorável para a consolidação dos aumentos, justamente pela menor presença do material importado.

A expectativa do Inda é que as usinas consigam implementar gradualmente os reajustes anunciados, fortalecendo as margens da cadeia siderúrgica caso a demanda continue mostrando sinais de recuperação.

Defesa comercial muda o equilíbrio competitivo

Para o setor, a recuperação observada em maio demonstra a importância das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo.

Nos últimos anos, a crescente entrada de aço importado — principalmente de origem chinesa — pressionou preços, reduziu a participação da produção nacional e comprometeu a rentabilidade de distribuidores e siderúrgicas.

A aplicação das medidas antidumping alterou esse cenário ao reduzir significativamente o fluxo de importações.

Embora a China continue sendo o principal fornecedor externo, outros países asiáticos, como Coreia do Sul, Vietnã e Egito, passaram a ganhar maior relevância nas estratégias de abastecimento dos importadores brasileiros.

Mesmo assim, o volume total importado deverá permanecer significativamente inferior ao registrado em 2025.

O Inda projeta que as importações encerrem o ano cerca de 40% abaixo do volume observado no exercício anterior.

Juros ainda limitam expansão da demanda

Apesar da melhora do ambiente comercial, o setor continua convivendo com obstáculos importantes.

Segundo o Inda, segmentos consumidores relevantes, como caminhões, máquinas agrícolas e máquinas industriais, ainda apresentam demanda abaixo do esperado.

Para a entidade, o principal fator limitador continua sendo o elevado nível da taxa básica de juros.

Custos financeiros mais altos reduzem investimentos, dificultam financiamentos e retardam decisões de compra em setores intensivos em aço.

Na avaliação dos distribuidores, uma trajetória consistente de redução dos juros poderá ampliar significativamente o consumo de aço no país.

Perspectivas

O desempenho registrado em maio reforça a percepção de que o mercado brasileiro de aço inicia uma fase de recuperação gradual.

A combinação entre menor pressão das importações, retomada das vendas e possibilidade de consolidação dos reajustes de preços cria um ambiente mais favorável para distribuidores e siderúrgicas.

Ainda que o crescimento esperado para 2026 permaneça moderado, os indicadores sugerem que o segundo semestre deverá apresentar desempenho superior ao observado na primeira metade do ano.

Para o setor, o desafio agora será transformar a melhora dos indicadores conjunturais em uma recuperação sustentável da demanda, apoiada por investimentos industriais, expansão da construção civil e redução gradual dos custos financeiros.

Caso esse cenário se confirme, 2026 poderá marcar o início de um novo ciclo de fortalecimento da siderurgia brasileira, com maior equilíbrio entre oferta, demanda e competitividade frente ao mercado internacional.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 26/06/2026

Aprovação da PEC 6x1 aumentará preços ao consumidor, diz Abimaq

A possível aprovação da PEC que altera a jornada de trabalho, combinada com os juros elevados no mercado interno, preocupa o setor industrial brasileiro.

A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) alerta que o cenário pode afetar decisões de investimento, reduzir a oferta de mão de obra qualificada e, no fim, encarecer produtos para o consumidor final.

Camilla Toledo, gerente do departamento jurídico da Abimaq, explica que o texto aprovado na Câmara dos Deputados impacta, além da indústria de máquinas e equipamentos, todo o setor produtivo brasileiro.

Segundo ela, no setor específico da associação, já se trabalha no regime 5x2, com 44 horas semanais, e a perda de quatro horas semanais, somada ao acréscimo de um descanso semanal remunerado, representa custos adicionais significativos.

Impacto nos preços e prazo de adaptação insuficiente

Camilla Toledo destacou que a mudança, da forma como está estruturada, tende a gerar aumento de preços em toda a cadeia produtiva, impacto que, segundo ela, chegará ao consumidor final.

"No fim, nós vamos trabalhar menos, mas vamos ter um impacto indireto: tudo que a formos comprar ficará mais caro", disse.

A representante da Abimaq também criticou o prazo de transição previsto no texto, que estabelece 60 dias para um primeiro escalonamento e depois um ano. Para ela, esse período é insuficiente.

"Todos os países que adotaram alguma redução de jornada fizeram isso num período de transição de quase 10 anos", argumentou, acrescentando que 12 a 14 meses é dificultoso para que empresas readequem escalas e processos.

Setor apoia flexibilidade, não imposição

Camilla Toledo deixou claro que a Abimaq não é contrária à revisão da jornada de trabalho, mas sim à forma abrupta como a mudança está sendo conduzida.

A associação apoia a PEC 12, proposta em tramitação no Senado, de autoria do senador Rogério Marinho, que prevê maior flexibilidade e permite que a adequação da jornada seja negociada entre empregadores, empregados e sindicatos.

"O Brasil é um país continental, temos diferenças de cidades, de costumes, de setores, então não dá para impor uma escala única para todo mundo", afirmou.

Para a representante da Abimaq, o ideal seria que a discussão ocorresse fora de um período eleitoral, com mais tempo para análise e um prazo de transição mais longo.

"Se isso fosse deixado para discutir depois, com calma, com segurança, olhando todos os lados, vendo todos os impactos que isso pode causar e com um período de transição maior, com certeza seria melhor para o país", concluiu.

A entidade também defende maior investimento em automação como caminho para viabilizar, no futuro, uma eventual redução de jornada sem prejuízos à competitividade industrial.

 
Fonte: CNN
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 25/06/2026

Siderurgia latino-americana entra em ano de transição enquanto disputa espaço com importações e excesso global de aço

A indústria siderúrgica da América Latina inicia um período decisivo para seu futuro. Depois de anos marcados por baixo crescimento, aumento das importações e forte pressão sobre a produção regional, o setor entra em 2026 como um ano de transição, preparando terreno para uma recuperação mais consistente prevista para 2027.

A avaliação é da Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), que identifica sinais de estabilização do consumo na região, mas alerta que o principal desafio deixou de ser a demanda e passou a ser a capacidade da indústria local de disputar espaço em um mercado cada vez mais pressionado pelo excesso global de produção e pela concorrência de aço subsidiado.

Segundo as projeções da entidade, o consumo aparente de aço na América Latina deverá crescer apenas 0,5% em 2026, alcançando 75,6 milhões de toneladas. Em 2027, a expectativa é de expansão de 2,5%, chegando a 77,5 milhões de toneladas, impulsionada principalmente por investimentos em infraestrutura, recuperação industrial e crescimento das economias da região.

Apesar da melhora esperada, o cenário ainda exige cautela.

O problema não é o consumo, mas a produção

Na avaliação da Alacero, o comportamento do mercado latino-americano vem sendo frequentemente interpretado de forma equivocada.

O consumo de aço permaneceu relativamente estável nos últimos anos, oscilando em torno de 75 milhões de toneladas anuais.

A produção regional, entretanto, perdeu competitividade.

Em 2025, a fabricação de aço bruto na América Latina caiu para aproximadamente 55,7 milhões de toneladas, um dos menores volumes registrados nos últimos quinze anos e inferior inclusive aos níveis observados durante a pandemia.

Ao mesmo tempo, as importações cresceram de forma acelerada.

Hoje, cerca de 41% de todo o aço consumido na região é importado — participação recorde que preocupa produtores locais.

Na prática, quatro de cada dez quilos de aço utilizados na América Latina já vêm do exterior.

Para a entidade, esse movimento pressiona margens, reduz utilização da capacidade instalada e dificulta novos investimentos industriais.

Excesso global continua sendo principal ameaça

O maior desafio identificado pela siderurgia latino-americana permanece fora da região.

Estimativas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que o excesso mundial de capacidade produtiva poderá atingir aproximadamente 721 milhões de toneladas até 2027.

Grande parte desse excedente está concentrada na Ásia, especialmente na China, que responde por mais da metade da produção mundial de aço.

Com a desaceleração da demanda doméstica chinesa, volumes crescentes acabam direcionados aos mercados internacionais, aumentando a competição e pressionando preços.

Além da China, a Alacero também observa crescimento das exportações provenientes de países como Vietnã, Coreia do Sul, Egito e Turquia, ampliando ainda mais a concorrência enfrentada pelas usinas latino-americanas.

Defesa comercial ganha protagonismo

Diante desse cenário, mecanismos de defesa comercial passam a ocupar posição central na estratégia dos países da região.

Brasil, México, Colômbia e Peru vêm adotando medidas destinadas a conter a entrada de produtos considerados objeto de concorrência desleal.

No caso brasileiro, a manutenção do sistema de cotas tarifárias para determinados produtos siderúrgicos é apontada como um dos instrumentos utilizados para preservar parte da competitividade da produção nacional.

Segundo a Alacero, esse tipo de política não busca restringir o comércio internacional, mas criar condições de concorrência mais equilibradas diante de um mercado fortemente impactado por subsídios e excesso de capacidade produtiva.

A preocupação é que, sem mecanismos de proteção, o crescimento futuro da demanda seja atendido principalmente por aço importado, reduzindo ainda mais a participação da indústria regional.

Brasil permanece como principal mercado

Mesmo em um ambiente de crescimento moderado, o Brasil continua ocupando posição de destaque dentro da siderurgia latino-americana.

A previsão é que o consumo aparente brasileiro alcance aproximadamente 27 milhões de toneladas em 2026, com expansão adicional em 2027.

O México também deverá manter trajetória positiva, enquanto a Argentina tende a registrar recuperação mais forte apenas no próximo ano, impulsionada por investimentos em energia e mineração.

Na avaliação da associação, infraestrutura, construção civil, indústria automotiva e fabricação de máquinas continuarão sendo os principais motores da demanda regional.

Gerdau exemplifica estratégia da nova fase

A própria estratégia adotada pela Gerdau ilustra o momento vivido pela siderurgia brasileira.

A companhia definiu 2026 como um ano voltado à redução estrutural de custos, aumento de eficiência operacional e preservação de caixa.

Ao mesmo tempo, mantém expectativa de melhora mais significativa a partir de 2027, quando os efeitos das medidas de defesa comercial deverão aparecer de forma mais consistente e novos projetos industriais, como a expansão da operação de mineração em Minas Gerais, passarão a contribuir para os resultados.

O movimento demonstra que parte das empresas do setor trabalha atualmente com horizonte de recuperação de médio prazo, priorizando disciplina financeira durante a fase de transição.

Infraestrutura pode mudar o cenário

Apesar dos desafios, a Alacero mantém uma visão relativamente otimista para os próximos anos.

O consumo per capita de aço na América Latina permanece próximo de 100 quilos por habitante, significativamente abaixo dos níveis observados em economias desenvolvidas e em países asiáticos durante seus ciclos de industrialização.

Esse diferencial indica amplo potencial de crescimento.

A entidade acredita que investimentos em infraestrutura, habitação, energia, mobilidade e reindustrialização poderão ampliar significativamente a demanda regional ao longo da próxima década.

O principal desafio será garantir que essa expansão beneficie a produção local e fortaleça toda a cadeia siderúrgica latino-americana.

Perspectivas

Para a Alacero, 2026 representa um período de reorganização da indústria.

Empresas concentram esforços na redução de custos, fortalecimento das estratégias comerciais e adaptação a um ambiente internacional marcado por excesso de oferta e crescente competição.

A expectativa é que 2027 marque o início de um novo ciclo de crescimento, sustentado pela recuperação econômica, pelo avanço dos investimentos em infraestrutura e pela maior integração industrial da região.

Mas o sucesso dessa trajetória dependerá de um fator decisivo: transformar o crescimento da demanda em expansão efetiva da produção latino-americana.

Caso contrário, a região corre o risco de assistir ao aumento do consumo de aço sem fortalecer sua própria indústria, ampliando a dependência de importações justamente em um momento em que busca recuperar competitividade e protagonismo industrial no cenário global.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/06/2026

 

Estádios da Copa de 2026 somam mais de 150 mil toneladas de aço

Os 16 estádios que recebem partidas da Copa de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, concentram mais de 150 mil toneladas de aço em suas estruturas, segundo dados divulgados por construtoras, engenheiros estruturais e operadores das arenas.

O volume equivale ao de mais de 20 torres Eiffel, variando entre 6 mil a 30 mil toneladas por estádio, e revela o papel central do metal na engenharia das sedes do primeiro Mundial disputado em três países concomitantemente e por 48 seleções.

Apesar de expressivos, os números contam apenas parte da história. Mais do que volume, o aço trouxe aos estádios algo que o concreto sozinho jamais entregou: áreas livres, coberturas móveis, prazos de construções cada vez menores e estruturas integralmente recicláveis. É essa combinação que explica por que todas as arenas mais modernas do mundo têm o metal como protagonista.

Para Márcio Antônio da Silva, gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), essa mudança se explica devido aos avanços tecnológicos e estudos aplicados referentes à área.

“Diversos congressos e seminários da ABM Week e de nossos cursos abordam esses usos modernos do aço em grandes construções. O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras”, explica.

Evolução dos estádios - A trajetória é marcada por diversas gerações de estádios que recebem a edição do torneio. Entre eles, o Estádio Azteca, na Cidade do México, único do mundo a receber três aberturas de Copa, é produto da engenharia dos anos 1960: sua construção empregou mais de 100 mil toneladas de concreto, contra 8 mil toneladas de aço de alta resistência e 1.200 toneladas de aço estrutural. Nas arenas mais recentes, a estrutura metálica define a arquitetura, e o concreto ocupa papel secundário.

O Brasil viveu essa transição na Copa de 2014. Conforme registrou a distribuidora Paraferro, a Arena Amazônia, em Manaus, recebeu estrutura metálica de 7 mil toneladas em uma cobertura de cerca de 23 mil metros quadrados. Enquanto a Arena da Baixada, estádio do Club Athletico Paranaense, em Curitiba, ganhou na reforma uma estrutura de aproximadamente 4.500 toneladas.

O movimento continuou depois do Mundial: na construção da Arena MRV, do Atlético-MG, foram empregadas 5 mil toneladas de aço em fundações, estruturas de sustentação e peças pré-fabricadas.

A escalada das arenas cobertas - É nos Estados Unidos, porém, que a engenharia metálica atinge sua escala máxima. O AT&T Stadium, em Dallas, maior estádio da Copa, tem a cobertura sustentada por 14.100 toneladas de aço estrutural, apoiadas em dois arcos treliçados que vencem um vão de cerca de 373 metros, os mais longos entre todas as edificações do planeta.

Cada arco pesa 3.255 toneladas, e a construtora informa que a obra consumiu ainda 22 mil toneladas de aço de reforço embutidas no concreto.

Em Atlanta, o Mercedes-Benz Stadium reúne cerca de 27 mil toneladas de aço: 18 delas apenas no teto fixo, outras 4 na porção retrátil, formada por oito pétalas que se abrem como o diafragma de uma câmera fotográfica, além de 4 mil toneladas utilizadas na fachada do edifício.

"É provavelmente o teto mais complexo já construído, fixo ou móvel", afirmou um dos engenheiros do projeto à revista Engineering News-Record.

O SoFi Stadium, em Los Angeles, palco da estreia da seleção americana contra o Paraguai, enfrentou a exigência adicional das normas sísmicas da Califórnia.

De acordo com o StadiumDB, a cobertura mobilizou 67 mil toneladas de materiais, com treliças principais de aço de 20 mil toneladas e cabos de 1.400 toneladas, em estrutura independente do estádio projetada para resistir a abalos sísmicos.

O NRG Stadium, em Houston, o primeiro da National Football League (NFL) com teto retrátil, utilizou 17.274 toneladas de aço e 423 toneladas de parafusos, segundo o Facilities Management Advisor. Seus dois painéis móveis, de cerca de 2.500 toneladas cada, deslizam sobre trilhos e abrem em minutos, conforme a Electric Choice.

Em Miami, a nova marquise do Hard Rock Stadium exigiu mais de 18.500 toneladas de aço estrutural, material utilizado em sua cobertura, projetada para resistir a ventos de furacão de categoria 4, segundo a fabricante Hillsdale Fabricators.

Completam a lista americana o Levi's Stadium, na região de São Francisco, sustentado por cerca de 18 mil toneladas de aço em 14 mil peças, com material 95% reciclável; o Lumen Field, em Seattle, cujas coberturas em forma de concha, com 5.700 toneladas de aço, foram desenhadas para reter o som da torcida; e o MetLife Stadium, em Nova Jersey, sede da final do torneio, cuja estrutura tem mais de 17 mil componentes de aço.

A obra aproveitou 40 mil toneladas de aço reciclado do antigo Giants Stadium, demolido ao lado.

No México, o Gigante de Aço - Em Monterrey, o popular Gigante de Aço, Estádio BBVA, consumiu 6.300 toneladas de aço, além de alumínio na cobertura e na fachada, 5.600 toneladas de vergalhões e 57 mil metros cúbicos de concreto, de acordo com o próprio Monterrey.

Já o Estádio Akron, em Guadalajara, projetado para lembrar um vulcão coberto de vegetação, tem estrutura mais leve. Conforme o portal Edifícios de México, a cobertura é sustentada por 16 colunas na periferia do estádio, que suportam uma membrana de 48 mil metros quadrados e uma estrutura de 3.300 toneladas, usada também como coletor de água da chuva para utilizado para irrigação da grama e lavagem do próprio estádio.

No Canadá, 35 quilômetros de cabos - O BC Place, em Vancouver, tem uma das soluções mais elaboradas do torneio. Segundo o governo da Colúmbia Britânica, o teto retrátil sustentado por cabos, o maior do gênero no mundo, exigiu 18 mil toneladas de aço, 35 quilômetros de cabos e 76 mil metros quadrados de tecido.

"É um dos projetos mais complicados já realizados nesta comunidade", afirmou David Podmore, presidente da estatal que administra a arena, ao Daily Commercial News durante a reforma. Em Toronto, o BMO Field foi ampliado para atender às exigências da Fifa.

Da cobertura à arquibancada, o avanço do inox - A evolução não se limita ao aço estrutural. Nos estádios mais recentes, o aço inoxidável ocupa espaço em praticamente todos os pontos de contato com o torcedor.

Conforme análise do Grupo Feital, o inox combina resistência à corrosão, inclusive em regiões costeiras, durabilidade em estruturas de difícil acesso, como coberturas e passarelas, e resistência mecânica com menor peso. Entre os exemplos citados pela empresa estão o Maracanã, que recebeu inox em escadas, corrimãos e áreas de circulação na modernização para a Copa de 2014, a fachada da Allianz Arena, na Alemanha, e o Santiago Bernabéu, que emprega o material em coberturas retráteis e estruturas expostas.

Segundo Valdomiro Roman, diretor de operações da ABM, as soluções e materiais aplicados nos estádios podem ser utilizadas em prédios e estruturas civis nas cidades e estradas, trazendo mais para perto essas aplicações sofisticadas.

“O conhecimento, as técnicas e o desenvolvimento dos materiais ligados a essas estruturas são resultados de anos de estudos e pesquisas, que também passam ela ABM, que proporciona fóruns para intercâmbio, debates, difusão de conhecimento, pesquisas e tecnologias que permitem o melhor uso dessa forma de construir para o nosso país, contribuindo com a eficiência e sustentabilidade, tanto em grandes arenas como em aplicações mais cotidianas da engenharia estrutural”, explica.

 
Fonte: Grandes Construções
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 25/06/2026

 

Entrevista: Projeto de lei pode redefinir tributação de minerais críticos no Brasil

O Senado brasileiro está avaliando um projeto de lei (PL) para regulamentar o segmento de minerais críticos, após sua aprovação na Câmara dos Deputados em meados deste ano.

Entre os diversos pontos em discussão no projeto de lei para um segmento que vem atraindo grande interesse de investidores globais, um dos aspectos que mais chamam atenção é a tributação.

Vinicius Jucá e Jayme Freitas, sócios da prática tributária do Lefosse Advogados, conversaram com a BNamericas sobre os aspectos tributários envolvidos nas discussões do projeto de lei, assim como o cenário geral da mineração.

BNamericas: Como vocês avaliam o ambiente tributário para a mineração no Brasil atualmente?

Jucá: Apesar das críticas frequentes ao sistema tributário brasileiro, há aspectos positivos que merecem destaque.

As instituições funcionam, existe segurança jurídica e as empresas têm garantido o direito de defesa. Questões tributárias relevantes são analisadas pelas cortes superiores, como o STJ, de forma técnica e detalhada.

Evidentemente, existem desafios importantes para a mineração. 

Um dos principais é o acúmulo de créditos de ICMS nas exportações. As mineradoras compram insumos tributados no Brasil, exportam seus produtos e acabam acumulando créditos que os estados, na prática, não devolvem. Esse é um problema histórico que afeta a competitividade do setor e que a reforma tributária promete solucionar.

BNamericas: Quando se compara o Brasil com outros países produtores de minerais, especialmente em projetos de longo prazo, como o país se posiciona do ponto de vista tributário?

Freitas: É importante analisar a mineração dentro de um contexto global. 

Projetos minerais, assim como petróleo e gás, exigem grandes investimentos iniciais e só geram retorno no médio e longo prazo. 

Em diversos países existe uma tendência de desonerar o CAPEX, facilitar o financiamento dos projetos e, em alguns casos, conceder incentivos relacionados à tributação sobre o lucro.

O PL dos minerais críticos busca avançar nessa direção ao incluir esses projetos em mecanismos como o Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), as debêntures incentivadas e um programa de créditos fiscais vinculados à CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). É um passo importante para estimular investimentos.

BNamericas: Quais são os principais avanços trazidos pelo projeto de lei do ponto de vista tributário?

Freitas: O projeto avança em três frentes principais. 

Primeiro, amplia a aplicação do Reidi para projetos ligados à extração e ao beneficiamento de minerais críticos e estratégicos, reduzindo custos relacionados a PIS/Cofins. 

Segundo, permite que esses projetos utilizem debêntures incentivadas e debêntures de infraestrutura, ampliando as opções de financiamento. Terceiro, cria um programa que prevê créditos fiscais de CSLL para projetos aprovados. O direcionamento é correto porque atua justamente em financiamento, CAPEX e tributação da renda.

BNamericas: Apesar desses avanços, o projeto ainda deixa lacunas quando comparado aos incentivos oferecidos por outros países?

Jucá: Sim. O principal ponto é que os nossos concorrentes internacionais, de forma geral, não tributam o CAPEX. O Reidi ajuda bastante porque reduz a incidência de PIS/Cofins, mas continuam existindo outros tributos relevantes, como ICMS e imposto de importação.

Hoje não há previsão de desoneração desses tributos para projetos de minerais críticos. Isso significa que ainda existe uma distância considerável entre o Brasil e os países com os quais competimos por investimentos.

Freitas: O próprio setor de petróleo e gás serve como referência. O Repetro criou um regime muito mais abrangente, contemplando não apenas PIS/Cofins, mas também imposto de importação, IPI e outros tributos. O PL dos minerais críticos ainda não chega a esse nível de abrangência.

BNamericas: Quais seriam os ajustes mais importantes para aproximar o Brasil dos seus concorrentes internacionais?

Jucá: O ideal seria ampliar a desoneração para incluir o imposto de importação e o ICMS incidente sobre equipamentos e investimentos. O ICMS continuará existindo até 2032, portanto esse tema é especialmente relevante. Sem essas medidas, o custo de implantação dos projetos continua elevado em comparação com outros países.

Freitas: O PL contém um dispositivo que estimula União, estados e municípios a criarem incentivos, mas não estabelece medidas concretas nesse sentido. É um direcionamento importante, mas ainda insuficiente para garantir igualdade de condições com outros mercados.

BNamericas: Muitos investidores internacionais que estão entrando no setor de minerais críticos ainda têm pouca familiaridade com o ambiente de negócios brasileiro. Há riscos ou armadilhas tributárias que precisam ser observados por tais stakeholders?

Jucá: Um ponto que merece atenção é justamente o acúmulo de créditos de ICMS nas exportações. Muitas vezes o investidor está concentrado na obtenção de licenças e na estruturação do CAPEX e não percebe o impacto tributário que surgirá quando a operação entrar em produção.

Esse acúmulo de créditos acaba se transformando em custo, reduzindo a competitividade do produto exportado.

Freitas: Esse é um aspecto que pode passar despercebido por investidores estrangeiros, especialmente aqueles que não têm experiência prévia com o sistema tributário brasileiro.

BNamericas: O cenário político e eleitoral pode dificultar a aprovação do projeto de lei ainda este ano, uma vez que ele ainda depende da aprovação do Senado?

Jucá: Não é exatamente nossa área de especialização avaliar a tramitação política. O que podemos observar é que os investimentos em minerais críticos já estão acontecendo, mesmo antes da aprovação do projeto, porque o Brasil possui vantagens estruturais importantes.

Freitas: Minha percepção é que existe um consenso relativamente amplo sobre a importância de desenvolver a cadeia de minerais críticos no Brasil. Pode haver divergências sobre a forma de fazer isso, mas o objetivo de fortalecer o setor parece contar com apoio de diferentes correntes políticas.

BNamericas: O que torna o Brasil atrativo para investimentos em minerais críticos, mesmo diante de desafios tributários?

Jucá: O Brasil oferece estabilidade institucional, segurança jurídica e abundância de recursos minerais. Investidores estrangeiros enxergam o país como uma democracia consolidada, onde existe respeito às regras e à propriedade privada.

Além disso, o atual contexto geopolítico, especialmente no caso das terras raras, aumenta o interesse global por fornecedores alternativos à China.

BNamericas: Um regime tributário mais competitivo poderia estimular o desenvolvimento de toda a cadeia de minerais críticos no país?

Freitas: Sem dúvida. O exemplo do Repetro mostra isso claramente. O regime foi fundamental não apenas para atrair investimentos, mas também para desenvolver uma cadeia completa de fornecedores, serviços e equipamentos para o setor de petróleo e gás.

Benefícios tributários não representam apenas renúncia fiscal; eles podem ser instrumentos de viabilização econômica capazes de gerar atividade produtiva, empregos e arrecadação no futuro.

Jucá: Quanto mais amigável for o ambiente tributário, maiores serão as chances de atrair etapas adicionais da cadeia produtiva, incluindo beneficiamento e refino.

O Brasil já possui recursos minerais abundantes, mas um sistema tributário mais competitivo aumentaria significativamente a probabilidade de o país se tornar um dos principais polos globais do setor.

BNamericas: Qual é a principal mensagem que fica da análise do projeto de lei?

Jucá: É importante separar três dimensões: o CAPEX, o financiamento dos investimentos e a operação dos projetos. O PL traz avanços relevantes nas duas primeiras frentes, especialmente com o Reidi e as debêntures incentivadas.

Mas ainda é necessário avançar na eliminação de custos tributários durante a operação, especialmente aqueles relacionados ao acúmulo de créditos nas exportações.

Freitas: O Brasil tem potencial para repetir, nos minerais críticos, uma trajetória semelhante à observada no petróleo e gás. As reservas existem e o interesse internacional também.

Quanto mais competitivo for o ambiente tributário, maiores serão as chances de desenvolver uma cadeia produtiva robusta e integrada no país.

 
Fonte: BN Americas
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/06/2026