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Fim da escala 6x1 eleva custos da construção em 10%, diz CBIC

O presidente eleito da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) Eduardo Aroeira afirmou nesta quinta-feira à CNN que um eventual fim da escala 6x1 trará custos adicionais de 10% ao setor de Construção.

Segundo Aroeira, que atualmente é vice-presidente financeiro da entidade, esse encarecimento será repassado diretamente para o consumidor e para o orçamento público.

O dirigente baseou as projeções em um estudo técnico desenvolvido pela própria CBIC, que também calculou o impacto da medida na contratação de pessoal.

O país conta hoje com cerca de 3 milhões de trabalhadores ativos na construção civil. Caso a redução da jornada seja implementada, seria necessário contratar 288 mil novos trabalhadores para compensar e manter o ritmo atual de produção.

Como caminho para atenuar o apagão de mão de obra e buscar ganhos de produtividade, o executivo apontou para a modernização tecnológica, com destaque para evolução do maquinário e sobretudo a digitalização.

“A inteligência artificial vai melhorar a eficiência das empresas e facilitar o trabalho do funcionário”, defendeu.

 
Fonte: CNN
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 22/05/2026

 

Aço: Europa apoia redução de importações isentas de tarifas

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira o novo quadro para proteger a indústria siderúrgica europeia contra o impacto da superprodução global, que reduzirá em 47% o volume de aço que pode entrar isento de tarifas na União Europeia e aumentará para 50% as taxas sobre as importações que excederem esse limite.

Com 606 votos a favor, 16 contra e 39 abstenções, o plenário do Parlamento Europeu aprovou o acordo previamente alcançado entre os negociadores do Parlamento e do Conselho para substituir as atuais salvaguardas comerciais, em vigor desde 2018 e que expirarão em 30 de junho de 2026.

A nova regulamentação fixa, assim, em 18,3 milhões de toneladas anuais o volume de importações de aço que poderá entrar no mercado comunitário isento de tarifas, enquanto as quantidades que excederem essa cota estarão sujeitas a uma tarifa de 50%, contra os atuais 25%.

Uma medida que, segundo os eurodeputados, permitirá fazer face aos efeitos do excesso de produção mundial que – alertam – já provocou a perda de cerca de 100 mil empregos no setor desde 2008.

O texto, que ainda deverá receber a aprovação formal do Conselho antes de entrar em vigor, introduz também novos requisitos para reforçar a rastreabilidade das importações, de modo que a origem do produto será determinada pelo país onde foi fundido e moldado pela primeira vez, com o objetivo de evitar que países terceiros contornem as restrições por meio de transformações mínimas.

Da mesma forma, a Comissão Europeia deverá levar em conta essa proveniência ao distribuir as cotas nacionais e revisar antecipadamente o alcance da regulamentação para analisar se convém ampliar o número de produtos abrangidos.

O acordo prevê, além disso, um tratamento específico para a Ucrânia na distribuição dessas cotas, uma vez que a UE considera que sua indústria siderúrgica foi especialmente afetada pela guerra com a Rússia.

Reciclabilidade infinita do metal reforça protagonismo industrial no Brasil

Dados da última pesquisa com informes do mercado brasileiro de aço no país, divulgada pelo Instituto Aço Brasil, mostram que o consumo aparente de produtos de aço no país atingiu 26,1 milhões de toneladas em 2024, retomando patamares relevantes após oscilações recentes. O avanço está alinhado ao desempenho da economia brasileira, que cresceu 3,4% no período, com destaque para a indústria e a construção civil.

Entre os principais setores consumidores de aço, a construção civil lidera com 37,3% do total, seguida pelo setor automotivo (24,8%) e pelos bens de capital (19,2%). O desempenho desses segmentos ajuda a explicar a relevância do aço como base para diferentes cadeias produtivas e sua presença em aplicações que vão de estruturas metálicas a bens duráveis.

Além da escala de consumo, a reciclagem do aço também representa ganhos diretos no uso de insumos industriais. Para cada tonelada reciclada, evita-se o consumo de cerca de 1.400 kg de minério de ferro, 740 kg de carvão e 120 kg de calcário, reduzindo a dependência de outras matérias-primas ao longo da cadeia produtiva.

Para o diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração, Valdomiro Roman, a reciclabilidade do aço é um dos pilares que sustentam sua relevância histórica e atual.

“O aço reúne atributos técnicos que garantem longevidade ao material dentro da indústria. A possibilidade de reaproveitamento contínuo, sem perda de desempenho, contribui diretamente para a eficiência dos processos produtivos”, afirma.

Segundo ele, o comportamento do mercado brasileiro reforça esse papel estratégico.

“Os dados mais recentes mostram uma demanda consistente, puxada por setores estruturais da economia. Isso evidencia como o aço permanece essencial para atender diferentes segmentos com escala, qualidade e competitividade”, completa.

 
Fonte: Monitor Mercantil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/05/2026

 

Indústria afirma que críticas à eliminação da escala 6×1 não são exageros

O debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou tom político, segundo Alexandre Furlan, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A análise precisa considerar diferenças entre setores e impactos econômicos.

Furlan afirmou que a discussão atual parece ter virado uma narrativa política sedutora, mas pode enganar do ponto de vista econômico ao não levar em conta a realidade setorial.

Ele alertou que diminuir a carga de trabalho sem aumento de produtividade tende a elevar custos para empresas e consumidores, especialmente em setores que operam em turnos contínuos, como siderurgia e indústria cerâmica.

Para avançar de forma responsável, o caminho sugerido envolve produtividade elevada como base, fortalecimento da negociação coletiva e investimentos em educação, qualificação profissional, inovação e segurança jurídica.

A proposta integra as prioridades do governo Lula neste ano eleitoral.

 
Fonte: Portal Tela
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 19/05/2026

Instituto Aço Brasil revisa projeções e passa a prever recuo nas importações de aço em 2026

O Instituto Aço Brasil revisou as projeções divulgadas em dezembro para as importações de aço em 2026. A entidade, que antes estimava alta de 3,9% em relação a 2025, totalizando 6,7 milhões de toneladas (t), passou a prever queda de 0,9%, somando 6,3 milhões de t.

Esses números incluem tanto laminados quanto semiacabados. A nova previsão para a entrada somente de aço laminado no País é de 5,7 milhões de t, com recuo de 1,4%, ao passo que a projeção anterior era de que o volume alcançasse 6,3 milhões de t neste ano, avançando 10% sobre o ano passado, quando atingiu o maior nível em 15 anos.

O instituto alterou as previsões após o governo federal ter fortalecido a defesa comercial da siderurgia nacional contra importações consideradas predatórias. Foram adotadas novas medidas ao longo do primeiro trimestre, que atendem, em parte, aos pedidos do setor.

Em janeiro, foi aprovada a aplicação do direito antidumping definitivo sobre aços pré-pintados de origem chinesa e indiana, além do aumento da alíquota de importação para 25% de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos siderúrgicos, sem o estabelecimento de cotas. No mês seguinte, foi oficializado o direito antidumping definitivo sobre aços laminados planos a frio e revestidos planos da China.

Nesta semana, durante coletiva de imprensa da Coalizão Indústria, o presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, ressaltou que o setor sempre entendeu que a solução para as importações predatórias seria o modelo de hard quota – no qual se define uma cota de importação por país e a entrada de novos volumes é interrompida assim que o teto é atingido. Embora o pleito não tenha prosperado, ele reconheceu que o novo arcabouço de defesa da siderurgia está robusto com as recentes medidas implementadas.

Expectativa é de que a defesa funcione e as importações normalizem

Lopes ponderou que, mesmo robusto, o arcabouço para defesa do setor siderúrgico demanda tempo para surtir efeito. Ele destacou que o Aço Brasil está na expectativa de que funcione, tanto que a entidade ajustou as projeções e, agora, prevê redução nos volumes, ainda que pequena.

“A nossa expectativa é de que, com esse sistema robusto que temos agora – e é um reconhecimento público que faço –, consigamos assustar essas importações e as coisas se normalizem”, afirmou. “Essa é a expectativa para que possamos ocupar mais o fornecimento [de aço] para a construção civil e voltar a funcionar como sempre funcionamos, com a integração da cadeia”, salientou.

Empresas já haviam demonstrado otimismo

Alinhado com o discurso do presidente-executivo do Aço Brasil, algumas das maiores siderúrgicas com operações no País haviam sinalizado otimismo com as novas medidas estabelecidas pelo governo federal para tentar reduzir as importações de aço predatórias.

Em entrevista ao Diário do Comércio no início deste mês, o CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, disse que as medidas estão ganhando robustez e que, por isso, a companhia espera um arrefecimento das importações no decorrer do ano.

No fim de abril, em teleconferência para apresentação do balanço do primeiro trimestre, executivos da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) também projetaram queda no ritmo das importações no segundo semestre.

De acordo com dados do Aço Brasil, o volume de aço importado pelo País subiu 4,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Mas o entendimento tanto de Negresiolo quanto da Usiminas é que parte desse crescimento pode estar vinculada a uma antecipação das compras pelos importadores para garantir condições comerciais anteriores à vigência das novas medidas.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 15/05/2026

 

Brasil e EUA aproximam agendas sobre minerais críticos e ampliam articulação estratégica em Nova York

O Brasil entrou definitivamente no radar estratégico dos Estados Unidos na disputa global por minerais críticos e terras-raras. Em meio ao avanço da transição energética, à corrida tecnológica e às tensões geopolíticas envolvendo a China, representantes dos governos brasileiro e americano, executivos e investidores defenderam, em Nova York, o fortalecimento de uma parceria bilateral voltada à construção de novas cadeias globais de mineração, processamento industrial e tecnologia.

O tema ganhou protagonismo durante o painel “Critical Minerals: Brazil-USA Strategic Partnerships”, realizado dentro da terceira edição do Summit Valor Brazil-USA 2026, evento promovido pelo Valor Econômico durante a chamada “Brazil Week”, nos Estados Unidos. O encontro reuniu integrantes do governo federal, representantes do setor financeiro, diplomatas e empresários para discutir como o Brasil pode se transformar em um dos principais polos globais de minerais estratégicos fora da influência chinesa.

A discussão ocorre em um momento de crescente reorganização geopolítica das cadeias globais de suprimentos. Atualmente, a China domina cerca de 90% do processamento mundial de terras-raras — insumos considerados essenciais para a fabricação de baterias, chips, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e sistemas de inteligência artificial. Diante desse cenário, os Estados Unidos buscam alternativas para reduzir sua dependência estratégica de Pequim, e o Brasil aparece como um dos principais candidatos a ocupar parte desse espaço.

Durante o painel em Nova York, a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, afirmou que o Brasil reúne condições para deixar de ser apenas exportador de matéria-prima e se consolidar como um centro global de processamento mineral. Segundo ela, o país possui não apenas reservas abundantes, mas também capacidade industrial para atender à crescente demanda internacional por minerais críticos.

A estratégia brasileira defendida no evento passa justamente pela agregação de valor local. Em vez de exportar apenas minério bruto, o governo e o setor produtivo querem atrair investimentos para beneficiamento, refino, transformação mineral e produção de componentes industriais ligados à economia verde.

Essa visão também foi reforçada pelo diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon. Em entrevistas durante a Brazil Week, ele destacou que o Brasil pretende se transformar em um “grande polo de transformação mineral”, combinando mineração, tecnologia, indústria de baterias, semicondutores e inteligência artificial. Segundo Gordon, qualquer parceria internacional deverá envolver investimentos produtivos e transferência de valor agregado para o país.

Além da dimensão econômica, o avanço da agenda mineral ganhou contornos diplomáticos e geopolíticos. O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, afirmou que o país sul-americano pode desempenhar papel estratégico no equilíbrio das relações entre Washington e Pequim. Segundo ele, minerais críticos e terras-raras devem se tornar elementos centrais da aproximação entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.

Shannon avaliou que a recente aproximação diplomática entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump pode abrir espaço para acordos mais amplos envolvendo cadeias minerais estratégicas. O diplomata afirmou que o Brasil pode funcionar como uma espécie de “elo de ligação” entre as duas maiores potências globais, mantendo autonomia diplomática enquanto amplia cooperação econômica com os americanos.

O interesse internacional sobre o potencial brasileiro não é apenas teórico. O país possui atualmente a segunda maior reserva de terras-raras do planeta, atrás apenas da China, além de liderar a produção global de nióbio e ocupar posições relevantes em minerais como lítio, níquel, grafita e minério de ferro — todos considerados estratégicos para a nova economia de baixo carbono.

Nos bastidores do evento, executivos e investidores destacaram que o Brasil vive uma janela histórica de oportunidade para captar capital estrangeiro. A combinação entre abundância mineral, matriz energética relativamente limpa e estabilidade regulatória crescente vem fortalecendo a imagem do país como fornecedor confiável de matérias-primas para a transição energética mundial.

Esse movimento já começa a se refletir em indicadores internacionais. Nos últimos levantamentos globais de atratividade para investimentos em mineração, o Brasil avançou posições importantes e passou a ser visto como um dos mercados mais promissores da América Latina para projetos ligados a minerais críticos.

Ao mesmo tempo, representantes do setor alertaram que o país ainda enfrenta desafios relevantes para transformar seu potencial geológico em liderança industrial efetiva. Entre os principais obstáculos citados estão a necessidade de ampliar infraestrutura logística, acelerar licenciamentos ambientais, expandir linhas de crédito e desenvolver tecnologia nacional para processamento mineral.

Outro ponto sensível é justamente a dependência tecnológica do Ocidente em relação à China. Embora países como Brasil, Estados Unidos, Canadá e Austrália possuam reservas significativas de terras-raras, o domínio chinês sobre as etapas de separação química, refino e industrialização continua sendo uma das principais barreiras para a reorganização das cadeias globais.

Nesse contexto, o Brasil busca se posicionar não apenas como fornecedor de recursos naturais, mas como parceiro estratégico em uma nova arquitetura industrial global baseada em segurança energética, descarbonização e autonomia tecnológica.

As discussões em Nova York também reforçaram o avanço da pauta regulatória brasileira voltada aos minerais estratégicos. O governo federal vem defendendo medidas para ampliar rastreabilidade, segurança jurídica e certificação ambiental da produção mineral, numa tentativa de alinhar competitividade econômica e exigências ESG do mercado internacional.

A percepção predominante entre empresários e autoridades presentes ao Summit Valor Brazil-USA é de que a disputa global por minerais críticos deverá se intensificar nos próximos anos. E, diante da reorganização geopolítica em curso, o Brasil pode deixar de ocupar apenas posição periférica na mineração mundial para se tornar uma das peças centrais da economia verde e tecnológica do século XXI.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 14/05/2026

 

Brasil soma 2,6 mil processos de terras raras, com maior concentração na Bahia

Existem 2.864 processos minerários ativos de terras raras na ANM (Agência Nacional de Mineração). Os pedidos estão concentrados em fases iniciais de pesquisa. O levantamento foi feito pelo advogado Luiz Ugeda, doutor em Direito e Geografia, fundador da plataforma Geocracia e sócio de SPLaw Advogados.

Segundo o estudo, o interesse pelo setor cresceu de maneira significativa a partir de 2022, chegando ao ápice em 2024. A pesquisa registra queda no ano passado, em razão do esgotamento das áreas mais promissoras.

Terras raras são grupo de 17 elementos químicos vistos como essenciais para a transição energética. A relevância está na utilidade para a fabricação de superimãs, baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares avançados. A disputa por elas se tornou uma questão geopolítica.

A Bahia concentra o maior número de processos abertos na ANM (cerca de 1.100). Depois, vêm Minas Gerais (até 650) e Goiás (até 350).

Bahia e Minas Gerais se destacam pela presença de monazita e argilas iônicas em áreas de prospecção. Goiás é o estado que concentra as concessões de lavra já outorgadas. Esta é a autorização do governo para extrair recursos de uma jazida para fins comerciais.

O levantamento de Ugeda mostra que o crescimento acelerado após 2022 foi impulsionado pela identificação de novos cinturões prospectivos e pela tradição minerária de estados como Minas Gerais. Outras unidades federativas, como Mato Grosso, Pará e São Paulo também registram atividades, mas em menor escala.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) investiga avenda do Serra Verde Group, única mina de terras raras em operação no país, em Minaçu-GO, para a empresa norte-americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões. O Congresso Nacional discute projeto de lei que propõe política estratégica para incentivar o beneficiamento desses minerais, evitando a exportação apenas do minério bruto.

 
Fonte: Folha de São Paulo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/05/2026