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Aumento na tarifa de importação de aço pode intensificar as empresas de transporte

O aumento do Imposto de Importação para 11 produtos de aço passará a ser de 25%. A decisão foi aprovada em abril pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, o Gecex-Camex. Anteriormente, as tarifas variavam de 9% a 12,6%.

A justificativa governamental para a decisão está no crescimento observado da entrada de produtos estrangeiros no Brasil. A nova tarifa será aplicada a produtos que ultrapassarem uma cota de 30% acima da quantidade comprada entre 2020 e 2022. A decisão é válida por 12 meses.

Desde então, um dos setores essenciais para a economia que vem sendo beneficiado por essa nova legislação é o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Ele é responsável por grande parte da movimentação das mercadorias siderúrgicas no país. Na visão de Franco Gonçalves, gerente administrativo da TKE Logística - transportadora especializada no transporte de aço -, a medida pode impactar o segmento de diversas maneiras.

“Com o aumento da tarifa para a importação, abre-se a possibilidade de crescimento do mercado interno, com aumento de produção e demanda interna e, consequentemente, a possibilidade de aumento nos fretes operados no mercado, visto que a margem das indústrias siderúrgicas poderá aumentar. Muitas transportadoras e autônomos serão direcionados para as indústrias que obtiverem um melhor valor de frete, e o mercado precisará se reorganizar em relação aos valores praticados”, descreve o executivo.

O pedido de aumento das alíquotas partiu das siderúrgicas nacionais, que se sentiam prejudicadas pelo aumento da entrada de produtos importados no país. Para a indústria, faltam investimentos internos e um mercado mais atrativo para os potenciais clientes.

Na visão do TRC, essa medida, além de aumentar a produção interna, automaticamente elevará a demanda de frete na siderurgia. “Temos acompanhado um grande investimento político e financeiro em setores como infraestrutura, automotivo e saneamento, áreas que necessitam de produtos da siderurgia. Além disso, também estamos em ano eleitoral, então os players políticos tentarão fomentar obras, que acarretarão o aumento da demanda”, pondera Franco.

Desde o final de 2023, as siderurgias brasileiras de aço têm pressionado o atual governo por medidas de proteção para frear as importações do produto.

Em contraponto, as empresas que utilizam a compra de aço também se movimentaram para que a decisão fosse revogada. As fabricantes produtoras de aço argumentaram que os preços dos produtos mencionados são considerados elevados no Brasil.

Por outro lado, o TRC entende que o impulsionamento das indústrias nacionais favorecerá a competitividade do mercado. Na TKE, por exemplo, a aposta será no desenvolvimento interno para continuar se destacando no setor.

“Acredito que haverá um aumento na demanda do transporte, mas será necessário um aumento nos valores de frete. Apesar disso, posso dizer que temos um bom relacionamento com nossos embarcadores do setor e procuramos ser um diferencial competitivo para eles. Atualmente, consideramos apenas continuar evoluindo nosso atendimento, ou seja, personalizando de acordo com cada perfil e oferecendo nossos serviços com mais assertividade”, finaliza Franco.

Fonte: Grandes Construções
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 22/08/2024

 

Nova geração de empreendedores do Centro-Oeste combina IA com agronegócio

Campos de soja, milharais, canaviais, rebanhos a perder de vista. A primeira imagem que salta aos olhos na Região Centro-Oesteé a pujança do agronegócio. A força desse setor, que hoje movimenta 23,8% do PIB nacional, passou a ser, também, um dos principais motores das inovações que nascem nesta região. De mudanças genéticas em sementes ao uso de drones capazes de identificar fungos nas folhas de plantas, a alta tecnologia integra, de forma cada vez mais intensa, a cadeia produtiva das principais commodities agrícolas, passando pelas técnicas de plantio, melhoria da qualidade dos alimentos, tratamento do solo e criação de animais.

O impulso tecnológico fica evidente nos dados do mapeamento das startups do setor agro brasileiro, o Radar AgTech Brasil 2023, realizado anualmente pela Embrapa, em parceria com SP Ventures e Homo Ludens, com apoio do Sebrae e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em 2019, existiam 1.125 agritechs no Brasil. Esse indicador saltou para 1.953 companhias em 2023. Pouquíssimas, no entanto, estão sediadas no Centro-Oeste: apenas 6% dessas empresas de inovação têm origem ali. A maioria – 57% – é oriunda do Sudeste.

O uso intensivo de inteligência artificial e robôs agrícolas autônomos avança em direção a uma nova fase do setor, chamada de Agricultura 5.0. Um dos principais polos de desenvolvimento desses sistemas na região é o Instituto Federal Goiano (IF Goiano), na cidade de Rio Verde. Tavvs Alves, coordenador de projetos de inovação para o agronegócio, afirma que os sistemas de vanguarda desenvolvidos na região estão à frente do que se vê nos principais produtores de agro do planeta. “O Brasil está acima do patamar mundial no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o agro”, diz o professor, que abandonou um cargo de pesquisador no Texas, nos Estados Unidos, para coordenar o setor do IF Goiano. “A realidade é que o produtor rural está sedento por inovação. Todas as soluções têm gerado ativos tecnológicos, que são levados para o mercado nacional.”

Ele cita o exemplo de um sistema que acaba de criar com a Xarvio Sistema de Monitoramento Agrícola, spin-off da Basf, que consiste em um algoritmo de IA que interpreta a espécie de planta daninha que brota em determinada região, sinalizando exatamente qual tipo de herbicida deve ser usado, sem ter de esperar que aquilo cresça.

Mas isso não é tudo. Ao combinar produtos inovadores e recursos de inteligência artificial, uma nova geração de empreendedores demonstra que a vocação regional não se limita às cercas do agro.

 

Em Goiás, o celeiro da inovação está no Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), instalado no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. É nesse ambiente que têm brotado projetos como o de Lucas Assis. Depois de se formar em engenharia da computação e lecionar na universidade, Assis decidiu partir para aquilo que realmente queria: criar robôs. Em 2018, juntou-se a alguns amigos para criar a Synkar Autonomous, startup especializada em robôs autônomos para transporte de mercadorias. Um ano depois, a Synkar já tinha nas mãos o protótipo de um carrinho autônomo. Em 2020, fez um teste com o aplicativo iFood, para entrega de encomendas em ambientes como shopping center, transportando os produtos das praças de alimentação até os locais de retirada dos motoboys. De usuário, o iFood passou a ser um investidor da Synkar e injetou dinheiro na empresa, ainda em sua fase inicial.

Hoje, a startup possui 20 robôs em diferentes empresas do país, como centros logísticos e shoppings. No Canadá, um dos carrinhos autônomos é usado para identificar, por meio de recursos de IA, fraturas nas calçadas, em decorrência de fortes oscilações de temperatura. Assis afirma que, neste momento, há uma fila de pedidos para produção de mais 285 carrinhos autônomos. O próximo passo é entrar com os robôs em condomínios residenciais. “Algumas semanas atrás, colocamos nosso robô dentro do Big Brother Brasil, da TV Globo, numa ação de marketing, para fazer entregas no programa. Temos uma grande incorporadora de condomínios como cliente”, diz Assis. “Estamos trabalhando agora em uma nova habilidade, para que um robô se comunique com outro e atue como uma frota.”

 

Em fase mais embrionária, outro projeto em andamento no Ceia pretende criar um veículo autônomo para o transporte de pessoas, mas em solo brasileiro. O trabalho é feito em parceria com a startup inglesa Street Drone. Lucas Araújo, professor e coordenador do Laboratório dos Veículos Autônomos, lidera o desenvolvimento que envolve alunos, pesquisadores da graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Estamos na fase de criação de aplicações com uso de inteligência artificial, o que vai permitir que nosso carro reconheça, a partir de sensores e de nosso sistema, qual é o ambiente exato em que está circulando, distinguindo detalhes de cada situação, como pessoas, plantas, calçadas, semáforos etc., fazendo o transporte seguro”, diz Araújo, que se formou no Instituto de Tecnologia de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), mas voltou para Goiás para se concentrar nas pesquisas. “Não estava satisfeito. Decidi retornar, porque queria ir para a área de inteligência artificial.”

Por trás do avanço de cada projeto está o envolvimento do meio acadêmico com empresas, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e a Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), órgão federal que apoia inovação, com repasse direto de recursos financeiros não reembolsáveis. O Ceia é uma das 94 unidades parceiras da Embrapii em todo o país. “O sucesso do centro de inteligência artificial de Goiânia mostra, na prática, a capacidade de inovação que temos nesta região, que não é feita apenas do agronegócio”, diz Francisco Saboya, presidente da Embrapii. Na prática, a ligação entre setor acadêmico, associações de fomento e empresas transformou o Ceia em um captador de negócios. Hoje, o Centro possui 50 contratos ativos ligados a empresas privadas (três delas estrangeiras) e quatro órgãos públicos.

Suas soluções de inteligência artificial, criadas por pesquisadores e alunos, já renderam R$ 70 milhões em investimentos. Anderson Soares, coordenador de pesquisa do Ceia, conta que, devido à procura crescente de empresas, decidiu criar o primeiro curso de graduação em inteligência artificial, em 2019, para ganhar mais escala ao que, até então, ficava concentrado em cursos de mestrado e doutorado.

A primeira turma começou o curso em 2020, na Universidade Federal de Goiás. No fim do ano passado, os 15 primeiros alunos concluíram a graduação. Juntos eles receberam, durante os quatro anos de graduação, R$ 1,4 milhão, em projetos demandados pela iniciativa privada. Na festa de formatura, os alunos não deixaram de lado os recursos de IA: gravaram as vozes de seus professores e captaram suas frequências. Durante o baile, muitos hits da música brasileira foram tocados com a voz de cada um deles.

Nascida em Ceres, município de 103 mil habitantes, no interior de Goiás, Heloisy Rodrigues foi a única aluna mulher entre os formandos. Ao longo do curso, ela realizou projetos para a Datamétrica, gigante da área de call center sediada em Recife. Dessa aproximação, nasceu uma proposta: tornar-se sócia de uma startup nascida dentro da Datametrica: a Macall. Heloisy e mais quatro amigos da universidade deixaram de ser graduandos e passaram a ser sócios da nova companhia voltada à criação de soluções de inteligência artificial para teleatendimento ao cliente. “Estamos, agora, em fase de captar negócios com outras empresas”, diz.

Na mira de investidores
A trilha aberta pela inteligência artificial já coloca empresas de tecnologia do Centro-Oeste no caminho para atrair investimentos mais robustos. Criada em 2012 por três amigos, em Goiânia, a Cilia Tecnologia nasceu com o propósito de facilitar a vida das seguradoras e de proprietários de veículos acidentados, permitindo a realização de orçamento de carros sem a necessidade de ter um perito no local.

No início, o sistema oferecia um banco de dados gigantesco, abastecido por milhares de fotos e informações sobre modelos de veículos e peças, como forma de acelerar a realização do orçamento, a partir de fotos dos carros tiradas por seus donos. Em 2019, porém, a empresa resolveu dar um passo mais ousado, e começou a buscar recursos de IA que permitissem obter, em minutos, um orçamento detalhado, incluindo os preços de reparos internos e externos dos carros, ao confrontar as fotos recebidas dos clientes. Foi uma revolução.

Atualmente, é possível ver na tela, em tempo real, uma análise virtual do carro batido, com o apontamento, em 3D, de tudo aquilo que precisa ser refeito ou trocado, conforme a gravidade do dano identificado. Diariamente, em segundos, sistemas de inteligência cruzam informações de 63,6 mil modelos diferentes de veículos e 18 milhões de peças para fechar o orçamento de cada caso que recebe. Em seu banco de dados, cerca de 250 fotos são inseridas por minuto, vindas de clientes de seguradoras de todo o país. São aproximadamente 10 mil batidas de carro registradas por dia. “Eu brinco, dizendo que viramos o Instagram dos carros batidos”, diz Douglas Camargo, sócio-fundador e diretor de tecnologia da empresa.

A Cilia presta serviços, atualmente, para todas as grandes seguradoras do país, como Bradesco, Tokio Marine, Allianz e Liberty. Apenas a Porto Seguro não faz parte, ao menos por enquanto, de seu portfólio, porque estaria trabalhando em seu próprio sistema. O potencial do negócio iniciado pelos três amigos numa pequena sala de escritório, 12 anos atrás, atraiu investidores de peso. No ano passado, o fundo de investimento Cloud9 Capital, de São Paulo, injetou R$ 110 milhões na empresa. A companhia, que foi avaliada em R$ 176 milhões, persegue os passos da startup britânica Tractable, companhia que presta o mesmo tipo de serviço e que chegou a ser avaliada em US$ 1 bilhão, patamar que conferiu a ela o título de unicórnio. “Somos donos de uma tecnologia ainda mais avançada que a deles, além de termos uma base sólida de banco de dados, que nos permite prestar um serviço ainda mais detalhado. Percebemos que o mundo não sabia disso, que precisávamos de um investidor. Agora, estamos neste caminho”, afirma Camargo.

 

A próxima onda do agro
Outra frente que avança na região, dentro da seara do agronegócio, é a ligada a biotecnologia. Na Embrapa Agroenergia, em Brasília, as inovações se concentram na produção de insumos mais sustentáveis, seja para produção de bioprodutos ou biocombustíveis. Mônica Damaso, coordenadora da unidade Embrapii da Embrapa Agroenergia, lidera projetos inovadores, como o que utiliza algas marinhas ou de água doce para produção de biofertilizantes, ou até mesmo de corante natural utilizado em cosméticos. “Esses projetos já nascem com uma demanda industrial. O agro nos procura com demandas como, por exemplo, criação de biofertilizantes, bioinoculantes, uma ração de mais fácil digestão, e por aí vai”, afirma Damaso. “Ao fim do projeto, seus resultados podem significar, por exemplo, menos uso de produtos químicos, menos aplicação de antibiótico em animais.”

O uso de drones e sensores também avança e desperta a atenção de pesquisadores locais. No Instituto Federal Goiano, autarquia ligada ao Ministério da Educação, estão em desenvolvimento soluções digitais para monitoramento e manejo de lavouras, por meio de imagens aéreas. A tecnologia detecta nematóides (vermes) e realiza recomendações para o manejo desses parasitas na cultura da soja. Um segundo projeto faz diagnósticos e recomendações nutricionais para a cultura do arroz.

Ambas as iniciativas utilizam drones e câmeras especiais que registram frequências espectrais que não são captadas pela visão humana. Cruzando os dados com amostras coletadas no campo, os projetos permitem desenvolver sensores que detectam os problemas na lavoura. Baseadas em um robusto banco de dados e inteligência artificial, as novas tecnologias fazem recomendações de manejo. Dessa maneira, é possível reduzir os custos de produção, aumentar a produtividade e melhorar a sustentabilidade da agricultura.

Os dados nacionais apontam que, de um total de 2.408 projetos realizados junto à Embrapii entre 2014 e 2023, 14% tinham como destino o aprimoramento da agroindústria. “Esse cenário reflete, de fato, a força do setor do agronegócio na economia, mas também revela a nossa necessidade de ampliar a inovação em indústrias que exijam valor agregado, com inovação embarcada”, avalia Francisco Saboya, presidente da Embrapii. Como se vê nesta reportagem, essa é uma realidade que começa a se estabelecer no Centro-Oeste. As múltiplas aplicações das novas demandas de tecnologia na região começam a irradiar para outros setores e criam uma nova frente de expansão da inovação – dali para o mundo.

O MAPA DA INOVAÇÃO DO CENTRO-OESTE
Os principais polos de desenvolvimento tecnológico da região

 

1- Brasília (DF)
Na capital federal, a Embrapa Agroenergia tem uma unidade especializada em inovações para produção de bioprodutos e biocombustíveis, em uma área de 3 mil metros quadrados.

2- Goiânia (GO)
Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, já atraiu investimento de R$ 70 milhões em projetos de inovação e conta com 380 pesquisadores de IA.

3- Rio Verde (GO)
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano), ligado ao Ministério da Educação, desenvolve soluções inteligentes para o agronegócio, em Rio Verde.

4- Três Lagoas (MS)
Instituto Senai de Inovação (ISI) Biomassa, em Três Lagoas (MS), realiza pesquisas para desenvolvimento de produtos e serviços que envolvem a transformação de biomassa, para agregar valor às commodities e biomassa residual.

SOLO FÉRTIL
As tecnologias que geram mais projetos* na região Centro-Oeste

 

DEMANDA LOCAL
Projetos de base tecnológica* oriundos da Região Centro-Oeste nos últimos 10 anos

- 122 projetos apoiados
- 52 projetos concluídos
- R$ 145 milhões investidos

* Projetos realizados com apoio da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação industrial)

 
Fonte: Época
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 22/08/2024

 

Após 20 meses, atividade da indústria da construção fica positiva, aponta CNI

Empresários da indústria da construção registraram estabilidade na atividade industrial e no número de empregados na passagem de junho para julho, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores da Sondagem Indústria da Construção mostram que o nível de atividade saiu de 49,9 pontos para 50,1 pontos. Com o avanço, o índice cruzou a linha divisória dos 50 pontos, e interrompeu uma sequência de 20 meses registrando valores abaixo dessa linha. Já o índice de número de empregados passou de 48,8 pontos para 49,8 pontos. 

“Tanto para o nível de atividade, quanto para o número de empregados o desempenho pode ser considerado positivo, visto que o usual para o período é que ocorram quedas do nível de atividade e do número de empregados”, explica a economista da CNI, Paula Verlangeiro.

 

Com desempenho mais favorável da atividade e do emprego, a avaliação das condições correntes melhorou, mas indicadores referentes aos próximos meses recuaram e mostram confiança e expectativas mais moderadas. O índice de confiança do empresário da indústria da construção, por exemplo, caiu de 51,8 pontos para 51,3 pontos. 

Ao analisar os componentes desse indicador, a CNI entendeu que a percepção dos empresários para as condições atuais da economia e das próprias empresas evoluiu de 45,5 pontos para 47,4 pontos. Já o componente que avalia as perspectivas para os próximos meses recuou de 55 pontos para 53,3 pontos.  

Expectativas e intenção de investimento da indústria da construção

O índice de expectativa em relação ao nível de atividade caiu de 54,6 pontos para 52,4 pontos em agosto - a maior queda dentre os índices de expectativa. O indicador de expectativa de novos empreendimentos e serviços passou de 52,4 pontos para 50,9 pontos. O índice de expectativa de compras de insumos e matérias-primas recuou 1,9 ponto na passagem de julho para agosto, ficando em 51,1 pontos. 

Apenas o índice de expectativa do número de empregados apresentou estabilidade, com variação de 0,1 ponto em agosto, passando para 52,0 pontos.

Consequentemente, o índice de intenção de investimento da indústria da construção apresentou queda de 1,9 ponto, passando de 46,6 pontos para 44,7 pontos. Apesar disso, o índice permaneceu em patamar elevado, já que a média histórica é de 37,6 pontos.

Sobre a Sondagem Indústria da Construção

A Sondagem Indústria da Construção foi lançada em 2010, em parceria com a Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC), seguindo os moldes da Sondagem Industrial, e tem como objetivo conhecer a tendência da atividade e as expectativas dos empresários da indústria da construção. Vale ressaltar que o ICEI e o índice de expectativas da indústria da construção questionam os empresários sobre os próximos seis meses.

Para este levantamento, foram consultadas 318 empresas do ramo de construção entre os dias 1º e 9 de agosto.

Fonte: CNI
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 21/08/2024

 

MDIC inicia investigação sobre dumping em laminados planos de aço da China

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciou investigação sobre dumping nas importações brasileiras da China de laminados planos de aço carbono, ligados ou não ligados, em forma de chapas ou em bobinas, de qualquer largura ou espessura.

"Dadas as sólidas evidências de que as políticas públicas e os programas e planos governamentais chineses corroboram o entendimento de que o setor siderúrgico é considerado estratégico e recebe tratamento diferenciado do governo; há intervenção governamental no setor, sob forma de subsídios financeiros e outros; há incentivos para o desenvolvimento tecnológico e há interferência estatal no suprimento de insumos e utilidades para a cadeia produtiva siderúrgica, de forma que as decisões dos entes privados não parecem refletir as dinâmicas puramente de mercado, mas orientações constantes dos planos estabelecidos pelo governo, considerou-se que não há prevalência de condições de economia de mercado para os fabricantes/produtores chineses de laminados planos a frio", diz o ministério, em circular publicada no Diário Oficial da União (DOU).

O MDIC informou ainda que a análise dos elementos de prova de dumping considerou o período de janeiro a dezembro de 2023, enquanto a análise de dano considerou o período de janeiro de 2019 a dezembro de 2023.

Fonte: Agência Estado
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/08/2024

Descarbonização da siderurgia vai custar US$ 600 bilhões, afirma consultoria

Reunidos em São Paulo, no início de agosto, no Congresso Aço Brasil 2024, CEOs das principais empresas do setor discutiram como cortar as emissões de um setor responsável por entre 7% e 9% da geração de CO2 no mundo — e como pagar a conta. Estimativas apontam para o aumento de até 80% no valor do aço até 2050 para perseguir a descarbonização do setor.

Para zerar as emissões, será preciso ampliar o uso de eletricidade de fontes renováveis. No entanto, a vida útil dos alto-fornos siderúrgicos é de décadas, e cerca de 70% deles, no mundo, são alimentados com carvão coque, calcula o setor. Portanto, a transição energética demandará necessariamente grandes investimentos. “Não há bala de prata. Migrar a este nível requer investimentos monstruosos”, afirma o presidente da Usiminas, Marcelo Chara. “Temos alto-fornos para décadas”, explica.

Chara lembra que o Brasil é grande produtor de etanol, combustível verde que é uma das fontes para a produção do hidrogênio. De acordo com ele, é possível fazer um processo de transição energética nas siderúrgicas, mas para isso é preciso ter custo competitivo. “Quem deve pagar essa conta não é o capital privado. A conta paga o cliente, a sociedade como um todo, com os impostos. Ou seja, tem uma complexidade, que não é pequena, mas sem dúvida o que pode ser feito precisa de um componente enorme e importante de política de Estado”, diz.

O CRU Group estima que a transição para o aço verde — que hoje representa apenas 2% da produção mundial — exigirá um sobrepreço de US$ 600 bilhões por ano a ser absorvido pelo mercado. O custo não é só de capital. A consultoria estima que, até 2050, serão necessárias seis vezes mais eletricidade, 12 vezes mais hidrogênio, duas vezes mais gás natural e 25 vezes mais captura de carbono nos processos para reduzir as emissões.

Fonte: Época
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/08/2024

 

Agronegócio teme que COP no Brasil vire perseguição contra o setor

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém do Pará, no ano que vem, terá inevitavelmente um tanto de vitrine e outro tanto de tatame. Como vitrine, será oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo os diferenciais de sustentabilidade de sua economia verde; como tatame, corre o risco de descambar para uma briga ideológica desenfreada do ambientalismo militante contra o agronegócio, a produção empresarial de alimentos.

O setor produtivo está apreensivo. Há o temor de que a agenda da COP 30 acabe sequestrada por pautas ambientalistas, indigenistas e quilombolas. E que muito se fale sobre conflitos, queimadas, desmatamentos e moratórias, e pouco espaço seja dado à divulgação dos atributos ambientais do agro brasileiro, que não encontra paralelo entre os concorrentes.

Segundo dados da Embrapa, confirmados pela Nasa, o Brasil tem 66,3% de seu território preservado com vegetação nativa. E de todas as áreas protegidas, 25,6% estão dentro das propriedades rurais. O país também é o que mais utiliza o sistema de plantio direto, que não agride o solo, e adota em escala crescente a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A prática de ILPF possibilita até três safras numa mesma área e torna a atividade agrícola sequestradora de carbono, em vez de geradora de emissões.

Propaganda negativa do país

A título de comparação, neste ano os agricultores europeus se colocaram em pé de guerra e conseguiram que o bloco eliminasse a exigência para que deixassem 4% das terras em pousio. No Brasil, o percentual mínimo de preservação adotado desde o Código Florestal de 2012 é de 20%, podendo chegar a 80% na Amazônia legal.

Essa realidade ainda é desconhecida em muitos países. Pelo contrário, o que frequentemente chega lá fora é o lobby de ONGs com brasileiros pregando boicote ao próprio país e um "engessamento" ainda maior das áreas agricultáveis, notadamente no Cerrado.

Para evitar que problemas pontuais com desmatamento e reservas indígenas ganhem projeção exagerada na COP 30 devido à contaminação ideológica do debate, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) propõe um pacto nacional entre governo, terceiro setor e iniciativa privada.

Risco de "o rabo abanar o cachorro"

“A prevalecer o ritmo de falta de diálogo entre os ambientalistas e o setor produtivo, e uma inação do governo que não orquestra esse entendimento, nós podemos simplesmente ir para a COP 30 e expor, em alto brado, aquilo que são as diferenças existentes no país. Daí um problema localizado de desmatamento em alguma região adquire tal dimensão que vira o rabo abanando o cachorro”, alerta Jardim.

“Não podemos ficar passivamente esperando uma demonstração pública de problemas. Temos que fazer uma demonstração vigorosa do que o Brasil tem de virtude”, acrescenta.

Jardim lançou a proposta de um pacto nacional em torno dos objetivos da COP 30 durante o 23º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), que reuniu em São Paulo as principais lideranças políticas e empresariais do setor. Caio Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), diz que o momento exige mais proatividade e que nas próximas semanas serão marcadas reuniões com ministérios para tratar de temas específicos da conferência de Belém.

Conferência pode virar uma "COP contra o agronegócio"

“O desafio é grande, mas estamos bem posicionados. Temos uma capacidade competitiva extraordinária, uma pegada de carbono menor que todos os outros países, não só na produção de alimentos, mas também de biocombustíveis. Estamos abertos para o diálogo com o governo federal, para termos uma agenda programada para a COP30, com mensagens e sinais corretos”, assinala.

A preocupação de que a COP30 acabe descarrilando é compartilhada pela senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. Ela alerta para o risco de vir aí uma “COP contra o agronegócio”.

“Se você falar só da Amazônia, pode reforçar aquilo que eles pensam lá fora do Brasil, que aqui só tem a Amazônia, e não o Cerrado, onde nós produzimos, e as reservas que o país tem. Precisamos ter muito cuidado sobre como vamos conduzir isso, e não deixar que sejamos conduzidos”, sublinha.

Defensora convicta de que o Brasil pratica o agronegócio mais sustentável do mundo, a senadora admite estar receosa com o enfoque da COP 30. “Como nesse governo tem muito viés ideológico, eu tenho um pouco de medo. Mas não podemos deixar isso solto. Já fiz várias conversas com gente que trabalha na área ambiental, pessoas sensatas e que têm um compromisso com o Brasil e com a agricultura brasileira”, relata.

Desafio de construir visões comuns e positivas sobre o país

Para o empresário Ingo Plöger, vice-presidente da Abag e integrante de conselhos de administração de grandes companhias como Melhoramentos, Sonda, Bosch e VW Caminhões, o momento é de afinar a orquestra e “costurar uma estratégia” para defender a biocompetitividade brasileira. Para tanto, instituições como CNI, CNA, OCB, FGV e Embrapa serão convocadas a contribuir para a pauta da conferência.

“Ficaria feliz se a gente conseguisse construir algumas visões em comum. Projetar o Brasil como deveria ser daqui a cinco ou dez anos. Cada um de nós tem um imaginário, mas se conseguirmos um mínimo denominador comum, a gente consegue marchar, com todas nossas diversidades. O cenário mais arriscado é não conseguirmos nada, então a COP será sobre Amazônia, queimadas e o Cerrado e nada mais. Daí a gente está ferrado”, enfatiza.

O histórico recente de como o governo petista pauta os debates nas conferências do clima justifica o alerta do setor agropecuário. Enquanto o governo Bolsonaro procurava destacar cases de sucesso do agro brasileiro sustentável, Lula prefere estender o tapete para movimentos sociais, como o MST, associações indígenas e ONGs ambientalistas.

Governo petista privilegia pautas ambientalistas

Na COP 28, realizada no ano passado em Dubai, ao discursar para ativistas, Lula reforçou o viés ideológico das ações. “Ou a gente participa ou a extrema direita vai voltar com muita força, não apenas no Brasil, mas em muitos outros países. Significa que vocês, além de agentes reivindicadores, têm que ser agentes formuladores e agentes participativos. É mais que reivindicar, é participar, é ajudar a fazer”, declarou.

Em junho, no Dia Internacional do Meio Ambiente, Lula e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, celebraram a criação de 638 mil km2 em novas reservas em 17 meses do terceiro mandato. O próprio governo propagou que a área é maior do que o estado de Minas Gerais.

Em outra linha de enfrentamento com a agropecuária, o presidente chegou a vetar a Lei 14.701, aprovada pelo Congresso, que reafirma a data da promulgação da Constituição de 1988 como marco temporal para demarcação de terras indígenas. Na lógica de Lula, partidos de esquerda e ambientalistas, não deve haver limite temporal para reivindicações de propriedade da terra pelos índios. O veto do Executivo, contudo, foi derrubado pelo Congresso, numa articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

COP pode virar espaço para malhação do agronegócio

Não resta dúvida de que os ambientalistas vão tentar fazer da COP um espaço para malhação do agro. É o que diz o ex-deputado Nilson Leitão, presidente do Instituto Pensar Agro, uma espécie de think tank da FPA. Ele prevê articulações para impor compromissos mais pesados de restrições à produção de alimentos.

“Vão fazer como fazem sempre, como fizeram na última COP, e engessaram mais de 100 mil hectares no Pantanal e não sei quantos mil hectares nas regiões amazônicas. Eles fazem esse compromisso e recebem dinheiro. Cada vez que essas organizações fazem compromisso de aumentar uma reserva ambiental para engessar cidades, elas recebem milhões de dólares de um fundo para aplicar na preservação. Mas nunca preservam nada”, afirma.

Os maiores problemas no setor agropecuário estariam ligados à falta de ação do governo em temas como a regularização fundiária e a necessidade de modernizar o licenciamento ambiental. “Os conflitos existem por causa de uma legislação arcaica, enquanto temos um agro tecnológico de primeiro mundo”, pontua Leitão.

ONGs já permeiam o Estado brasileiro

De 2009 a 2018 as ONGs receberam mais de R$ 1 bilhão do Fundo Amazônia para apoiar indígenas e reduzir emissões decorrentes do desmatamento. “Foi o período que teve maior mortalidade de índios no Brasil, aumentou mais de 170%. Não é problema de terra, não é problema de não ter onde índio ficar. Ao contrário, é um debate desonesto e tem muita gente desonesta, não só intelectualmente, mas também financeiramente envolvida para prejudicar a agropecuária”, diz o ex-deputado.

Essa articulação entre agentes do governo federal e ambientalistas está cada vez mais imbricada nas estruturas do poder. Isso ficou notório nas negociações com os europeus. A diretora de relações internacionais da CNA, Sueme Mori, relatou que mais de uma vez o setor privado levou “um monte de dados” para demonstrar a sustentabilidade do agro brasileiro, mas acabou sendo desacreditado por compatriotas.

“A gente prova que não é assim, mas daí pessoas do governo vão lá na Europa, falam com os mesmos interlocutores e dizem: veja bem, o agro está desmatando, o agro é inimigo. O representante do governo brasileiro desfaz tudo o que a gente falou como setor privado. Uma coisa é uma ONG falar mal, outra coisa é essa ONG entrar dentro do governo e passar a responder como governo”, sublinha Mori.

Ex-diretor da OMC defende estratégia para lidar com agenda ambiental

Simplesmente ignorar fóruns como a COP 30 já não é uma opção. O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, avalia que a agenda climática e ambiental não vai desaparecer. Por que já foi incorporada pelas corporações, ainda que com diferentes matizes e cores. "Vamos ter que nos adaptar. Mas temos que ser um pouco mais críticos e não aceitar o que é dito pelo valor de face”, assegura.

Para Azevêdo, o Brasil poderia se articular com outros países produtores de alimentos, inclusive os EUA, para corrigir equívocos de políticas públicas transplantadas do velho continente.

“A agenda climática e ambiental está sendo muito ditada pelo que está acontecendo na Europa, e que outros países, mercados importantes nossos, estão começando a aceitar como uma verdade global. E não é. São políticas próprias da Europa, como estrutura produtiva, tamanho da propriedade e logística, que funcionam para o tamanho da Europa. Não dá para transplantar para produtores de alimentos em larga escala”, afirma.

Contatada pela reportagem, a Secretaria Extraordinária para a COP 30 (Secop), subordinada à Casa Civil da Presidência da República, informou que trata apenas da infraestrutura da conferência. "As demandas a respeito de discussões sobre temas relativos ao conteúdo sobre sustentabilidade na COP30 devem ser encaminhadas para o Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério do Meio Ambiente", destacou em nota. A reportagem entrou em contato com os ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, mas não obteve retorno. O espaço continua aberto para manifestação.

Fonte: Gazeta do Povo
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 19/08/2024