Notícias

Imposto de Importação bens de capital sobe e preocupa indústria

A decisão do governo brasileiro de elevar o Imposto de Importação sobre bens de capital reacendeu o debate sobre competitividade industrial e modernização tecnológica no país. A medida foi oficializada pela Resolução GECEX nº 852/2026, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) no fim de janeiro, e reajustou as alíquotas para mais de mil classificações fiscais de bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). Na prática, a nova regra eleva tarifas gradualmente até o limite de 20%, o que pode impactar custos produtivos, investimentos e, indiretamente, os preços ao consumidor.

Resolução eleva alíquotas de importação até 20%

A Resolução GECEX nº 852/2026 promoveu uma reestruturação nas alíquotas do Imposto de Importação para bens estratégicos utilizados pela indústria.

De acordo com a norma, os percentuais foram ajustados de forma escalonada:

Produtos com alíquota inferior a 7,2% passam para 7,2%;
Itens entre 7,2% e 12,6% passam para 12,6%;
Produtos acima desse patamar podem chegar a 20%.
O aumento pode alcançar até 7,2 pontos percentuais e afeta diretamente máquinas, equipamentos, peças e componentes utilizados em setores como infraestrutura, mineração e construção.

A medida atinge mais de mil classificações fiscais de BK e BIT, ampliando o alcance da nova política tarifária.

Governo recua parcialmente para produtos de informática

Após críticas do setor produtivo, o governo promoveu um recuo parcial na medida.

Segundo o conteúdo divulgado, houve revisão da tributação sobre produtos classificados como bens de informática e telecomunicações (BIT).

No entanto, os bens de capital (BK) — que incluem máquinas industriais, motores, válvulas e equipamentos utilizados em diversos setores produtivos — continuam sujeitos às novas alíquotas.

Com isso, o impacto principal permanece concentrado nos equipamentos essenciais para a operação e modernização da indústria.

Indústria aponta risco para modernização tecnológica

Para especialistas do setor, a elevação do imposto pode comprometer a capacidade de modernização da indústria brasileira.

Segundo Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group:

“Os bens de capital são essenciais para modernizar a indústria. O aumento das alíquotas pode elevar o custo de aquisição de máquinas e equipamentos justamente em um momento em que grande parte do parque industrial brasileiro já opera com equipamentos antigos”.

A avaliação aponta que a medida pode dificultar a renovação tecnológica em um cenário em que parte relevante das empresas já enfrenta limitações estruturais.

Impacto vai além das grandes indústrias

De acordo com Fracola, o impacto não se restringe às grandes empresas.

Os bens de capital (BK) incluem equipamentos amplamente utilizados no dia a dia da economia, como:

Bombas de elevação de líquidos;
Motores elétricos;
Redutores utilizados em sistemas industriais;
Equipamentos aplicados em obras e manutenção de infraestrutura.
Esses itens são fundamentais para diferentes cadeias produtivas, o que amplia o alcance da medida para além do setor industrial tradicional.

Aumento pode pressionar custos e investimentos

Especialistas apontam que a elevação do Imposto de Importação sobre bens de capital pode desestimular investimentos em modernização tecnológica.

Atualmente, parte significativa das empresas depende da importação de equipamentos, já que a indústria nacional não atende plenamente à demanda ou não acompanha o ritmo de inovação global.

Nesse contexto, o regime de Ex-Tarifário tem sido utilizado como instrumento para viabilizar investimentos.

O mecanismo permite a importação de bens de capital sem similar nacional com alíquota zero, mediante análise técnica do governo.

No entanto, segundo especialistas, o processo pode levar cerca de quatro meses, considerando etapas como análise técnica, consulta pública e decisão final.

Competitividade pode ser afetada, diz especialista

Para Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, o aumento das tarifas pode reduzir a competitividade da indústria brasileira.

Segundo ele:

“Não é aumentando a alíquota de bens de capital que se incentiva a indústria nacional. Quando encarecemos máquinas e equipamentos, dificultamos a modernização do parque industrial e aumentamos o custo de produção frente aos concorrentes internacionais”.

A avaliação indica que o impacto pode se refletir diretamente na capacidade das empresas brasileiras de competir no mercado global.

Impacto pode chegar ao consumidor final

Embora a medida esteja relacionada ao comércio exterior, especialistas apontam que os efeitos podem atingir o consumidor.

O aumento no custo de importação de máquinas e equipamentos pode gerar impactos em diversos setores da economia.

Entre os possíveis reflexos estão:

Aumento no custo de equipamentos hospitalares e exames médicos;
Encarecimento de eletrodomésticos e televisores;
Impacto em obras de infraestrutura e mineração;
Aumento no custo de manutenção de equipamentos industriais.
Segundo Fracola:

“Quando o custo das máquinas sobe, isso acaba sendo incorporado ao preço final de produtos e serviços. É um efeito em cadeia que pode pressionar custos em diversos setores da economia”.

Governo cria alternativa temporária para empresas

Como medida emergencial, o governo publicou a Resolução GECEX nº 853/2026, que permite a redução temporária da alíquota para 0% em produtos anteriormente beneficiados.

Os pedidos podem ser apresentados até 31 de março de 2026.

Caso aprovados, terão validade provisória de até 120 dias.

A alternativa busca mitigar os efeitos imediatos da elevação das tarifas para empresas que já utilizavam regimes anteriores.

Medida exige reação rápida das empresas

Segundo Mauro Lourenço Dias, a alternativa oferecida pelo governo pode ajudar no curto prazo, mas exige agilidade.

De acordo com ele:

“Essa alternativa é importante, mas é temporária. As empresas precisam agir rapidamente e estruturar bem os processos para tentar mitigar os impactos no curto prazo”.

A avaliação indica que o benefício pode ser limitado no tempo, exigindo planejamento e ação imediata por parte das empresas.

Debate sobre política industrial é retomado

A decisão do governo reacende discussões sobre a política industrial brasileira.

O tema envolve o equilíbrio entre proteção da indústria nacional e manutenção da competitividade internacional.

Com algumas décadas de abertura comercial mais consistente, o Brasil ainda busca definir estratégias que incentivem a produção local sem comprometer investimentos e inovação.

Empresas já reavaliam custos e projetos

Diante das mudanças, empresas já iniciaram processos de revisão de contratos e planejamento financeiro.

Segundo Mauro Lourenço Dias:

“Quando há mudanças tributárias dessa magnitude, a previsibilidade dos negócios é afetada. Isso exige das empresas uma reavaliação rápida de investimentos e planejamento financeiro”.

A necessidade de adaptação imediata reflete o impacto direto das alterações tributárias sobre decisões estratégicas.

 
Fonte: Contábeis
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 18/03/2026

CNI: 56% das empresas industriais pretendem investir em 2026, mas juros altos são barreira

Mais de metade (56%) dos empresários industriais planejam investir em 2026. É o que mostra a pesquisa Investimentos na Indústria 2025-2026, publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (17). Segundo o levantamento, 62% desses aportes vão dar sequência a projetos em andamento, enquanto 31% representam novas frentes de investimento.

Por outro lado, quase um quarto dos industriais (23%) não pretende investir este ano. A pesquisa detalha que 38% desses empresários adiaram ou cancelaram aportes que estavam em andamento.

“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Confira o comentário completo do economista:

 

Principais objetivos dos aportes

Melhoria do processo produtivo (48%);
Ampliação da capacidade produtiva (34%);
Lançamento de novos produtos (8%);
Adoção de novos processos produtivos (5%). 
Capital próprio segue como a principal fonte de financiamento do setor

Quanto às fontes de financiamento dos investimentos, 62% das empresas planejam recorrer apenas ou majoritariamente a recursos próprios, ao passo em que 28% delas pretendem captar recursos de terceiros, como bancos e demais instituições financeiras. Outros 11% não souberam informar. 

“O capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria há alguns anos e ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, explica Azevedo. 

Consumidor brasileiro continua sendo o principal alvo

A maior parte dos investimentos será voltada para atender a demanda nacional. Ao todo, 67% das empresas farão aportes tendo o mercado interno como único ou principal foco. Outros 24% declararam que os mercados interno e externo são o foco dos investimentos. Apenas 4% das empresas apontam o mercado externo como principal ou único foco dos investimentos.

Raio X do investimento em 2025

No ano passado, 72% das empresas da indústria de transformação investiram. No entanto, parte das empresas teve seus planos frustrados. O levantamento destaca que:

36% das empresas investiram conforme o planejamento inicial;
29% das empresas investiram parcialmente de acordo com o planejado;
4% adiaram os aportes para o ano seguinte; 
3% adiaram os aportes sem previsão de retorno;
2% postergaram os investimentos para o ano subsequente; 
2% cancelaram os investimentos.
Confira mais números de 2025:
 

 
 
 
 
 

Incertezas econômicas travaram investimento em 2025

Quando questionados sobre os principais obstáculos para a execução dos investimentos no ano passado, 63% dos empresários com planos de investimentos apontaram as incertezas econômicas. Também apareceram entre os maiores entraves a queda das receitas (51%), as incertezas setoriais (47%), a expectativa de baixa demanda (46%) e entraves tributários (45%). “A taxa de juros e a nova política comercial americana foram responsáveis por boa parte dessas dificuldades”, pontua Marcelo Azevedo. 

Já entre as empresas que adiaram ou cancelaram planos de investimento de 2025, 80% apontam a queda das receitas como o principal motivo. As incertezas econômicas (79%) e a expectativa de demanda insuficiente (73%) fecham a lista dos três entraves mais citados por esses empresários. 

Indústria investiu mais para qualificar mão de obra

Segundo o levantamento da CNI, a principal motivação para o investimento feito em 2025 foi o desenvolvimento de capital humano, com foco em qualificação, ganhos de produtividade ou redução de riscos associados ao trabalho. Quase 80% das empresas que investiram total ou parcialmente como planejado apontaram essa motivação como importante ou muito importante. 

“O alto percentual de empresas que investiram em capital humano se deve, entre outras coisas, à escassez de mão de obra qualificada e às transformações tecnológicas do mercado de trabalho”, diz Azevedo. 

Em seguida, aparecem inovação tecnológica (76%), impacto ambiental (65%) e eficiência energética (64%). Vale lembrar que os empresários podiam citar mais de uma motivação para o investimento. 

Em relação ao tipo ou natureza dos investimentos:

73% das empresas compraram máquinas ou equipamentos; 
50% atualizaram ou modernizaram plantas, fábricas ou armazéns;
38% efetuaram retrofit de máquinas ou equipamentos;
35% ampliaram, adquiriram ou construíram terrenos ou instalações;
Os empresários também mencionaram: investimentos em aquisição de ativos intangíveis e produtos de propriedade intelectual, como software e banco de dados; compra de equipamentos de informação e comunicação; e aquisição de máquinas ou equipamentos usados. 

O caixa das empresas continua sendo a principal fonte de financiamento. Em 2025, 62% das empresas usaram recursos próprias para fazer aportes. As demais fontes tiveram participação significativamente menor, com destaque para bancos comerciais privados (9%) e bancos de desenvolvimento (5%).

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 18/03/2026

 

Mercado espera início de cortes na Selic, mas se divide sobre magnitude

O cenário que parecia amplamente favorável para o início dos cortes de juros no Brasil foi alterado de modo brusco desde a eclosão da guerra no Oriente Médio. Com o salto dos preços do petróleo e as incertezas sobre os efeitos inflacionários que virão do conflito, economistas passaram a rever suas projeções nos últimos dias quanto aos próximos passos da política monetária. Se antes o mercado se ancorava na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) para acreditar em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, agora há uma leve maioria que acredita em uma redução menor, de 0,25 ponto, na quarta-feira.

É o que mostra a pesquisa realizada pelo Valor com 103 participantes do mercado, entre bancos, gestoras de recursos e consultorias. Enquanto 49 casas esperam que o Copom inicie o afrouxamento com um corte de 0,5 ponto, 53 se mostram mais cautelosas e acreditam que o colegiado irá reduzir os juros básicos em 0,25 ponto. Apenas uma instituição, a Neo Investimentos, vê a Selic parada em 15%.
 

 
 

Com os preços do barril de petróleo Brent se mantendo na faixa dos US$ 100 nos últimos dias, houve uma mudança radical na percepção dos investidores globais sobre a capacidade de os bancos centrais cortarem mais os juros ao longo deste ano. Nos EUA, importantes instituições financeiras já esperam que a taxa dos fed funds se mantenha inalterada ao menos até o fim do ano.

No Brasil não foi diferente. Ainda que a guerra não tenha sido suficiente para fazer os investidores abandonarem totalmente a hipótese de o Banco Central cortar os juros, uma dose adicional de cautela passou a ser incorporada nas expectativas. Prova disso é que grandes instituições financeiras, que esperavam um corte de 0,5 ponto, alteraram suas projeções para uma redução menor na taxa.

O Goldman Sachs foi uma das primeiras a rever suas expectativas. “O cenário-base do Banco Central foi alterado pelo conflito no Oriente Médio, que levou a uma forte alta nos preços do petróleo, fortalecimento do dólar, achatamento da curva de juros nos Estados Unidos, aumento da aversão ao risco e condições financeiras mais apertadas — tudo isso em meio a um ambiente de maior risco geopolítico global. Se não fossem esses acontecimentos, acreditamos que o Copom provavelmente realizaria um corte de 0,5 ponto”, afirma a equipe liderada por Alberto Ramos, que ainda vê uma pequena probabilidade de não haver corte nenhum na decisão desta semana.

“Não fosse o fato de o Copom já ter sinalizado um corte para esta reunião, é provável que optasse por não reduzir os juros neste momento”, conclui.

O BNP Paribas seguiu caminho semelhante e também passou a esperar um corte de 0,25 ponto. Segundo a equipe de América Latina, liderada pela ex-diretora de assuntos internacionais do BC, Fernanda Guardado, o aumento nos preços do petróleo deve impactar as projeções do Copom, ainda que o colegiado utilize uma abordagem para suavizar o impacto do choque no modelo.

“Mesmo no cenário mais benigno, que projeta o petróleo a US$ 74 por barril no fim do ano, a projeção do BC para o horizonte relevante sobe 0,2 ponto, afastando-se da meta e mais do que compensando a apreciação de 2,8% do real desde a reunião de política monetária de janeiro. Vale notar que o modelo do BC também incorpora premissas mais benignas para o hiato do produto e para a taxa de juros neutra do que aquelas utilizadas por nós e pela maioria dos analistas”, lembra Guardado.

“Na nossa avaliação, uma estratégia preferível seria adotar uma postura de espera diante do cenário atual. O comitê poderia inclusive adiar o início do ciclo de afrouxamento para a reunião de abril, quando as autoridades presumivelmente teriam mais clareza tanto sobre a atividade doméstica quanto sobre o cenário geopolítico”, conclui.

Na visão de Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, a “chacoalhada” que a guerra provocou nos preços do petróleo e no ambiente global de aversão a risco “dá subsídio” para o BC tomar qualquer uma das três decisões possíveis, diz. “No fundo, acho que ele tem uma escolha entre manter, ou não, o ‘guidance’”, pontua o profissional ao mencionar a indicação, dada no comunicado da decisão do Copom em janeiro, de que os juros começariam a ser cortados em março.

Sobral, no entanto, avalia que o BC pode optar por manter a Selic parada, já que a decisão geraria o menor custo de credibilidade à autoridade, “conquistada a duras penas ano passado”, após um período turbulento no processo decisório da política monetária. “Acho que não seria absurdo ou muito contestável eles falarem da incerteza elevada e dizer que o cenário mudou [desde a última decisão].”

O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, foi outro que alterou sua projeção para o ritmo inicial do afrouxamento monetário após a eclosão do conflito no Oriente Médio. A estimativa inicial de uma redução de 0,5 ponto passou a ser de um corte de 0,25 ponto. Ainda que o episódio seja classificado como um choque de oferta, o que não deveria gerar uma resposta imediata de autoridades, a diretoria atual do Copom já demonstrou, em outras ocasiões, preferir adotar um viés mais conservador para a condução da política monetária.

“Teria espaço para um corte de 0,5 ponto, mas, dado o conservadorismo dessa diretoria, acreditamos que eles vão optar por começar de uma forma mais cautelosa. Se, na próxima reunião, o conflito tiver acabado, é possível acelerar o ritmo e compensar. Mas minha projeção de corte de 0,25 ponto é mais pelo conservadorismo da diretoria do que por achar que a cara da inflação no Brasil mudou”, avalia.

O corte na Selic neste momento, segundo Leal, é desejável, já que tem a função de calibrar a intensidade do aperto monetário vigente na economia.

“Começar a cortar os juros agora não é flexibilização: é normalização. Tivemos uma queda bastante importante da inflação corrente e das expectativas — um efeito colateral esperado dos juros altos. Ao reduzir a inflação corrente, houve um aperto adicional da política monetária. Os juros ficaram em 15%, mas a taxa real ex-post subiu. A partir do momento que você começa a reduzir os juros, você começa a trazer a política monetária para o mesmo nível de junho do ano passado, quando o Copom colocou a Selic em 15%”, avalia.

O argumento de que a restrição vigente na economia local é muito grande também é compartilhado pelo economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, para justificar o início dos cortes. Ele, no entanto, já possuía uma projeção de uma redução mais branda na Selic mesmo antes da eclosão da guerra.

“Sempre fomos mais cautelosos por duas razões: não vemos as expectativas ancoradas em nenhum horizonte de tempo. Isso não significa que não haja espaço para cortar os juros, mas que a prudência é necessária. E o segundo argumento é que há sinais de que a economia está acelerando e há preocupações com o comportamento de alguns preços, como a inflação de serviços e bens industriais”, afirma. “Esse já era o cenário de antes. Com as incertezas em relação à petróleo e ao câmbio, as preocupações ficam maiores”, aponta.

Assim, Padovani espera que o Banco Central comece o ciclo em um ritmo mais cauteloso, mas que acelere o passo adiante, quando houver mais convicção sobre o desenrolar do cenário macroeconômico. O BV espera que a autoridade monetária corte a Selic nas duas próximas reuniões em 0,25 ponto e, depois, acelera o ritmo para 0,5 ponto. Ao fim de 2026, a projeção para os juros básicos é de 12%.

A mediana das estimativas dos economistas para a Selic no fim do ano também subiu da última edição da pesquisa para cá. Em janeiro, o mercado esperava juros de 12,25% ao término de 2026, número que passou para 12,50% após a o início da guerra entre Estados Unidos e Irã.

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 16/03/2026

Minas pode ampliar vendas aos EUA com aços especiais e peças aeronáuticas

Após registrarem queda de US$ 984 milhões em 2025, as exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos têm oportunidades de crescimento, sobretudo nos setores de aços especiais e equipamentos de alta precisão para aeronaves. Esses itens compõem a pauta de dez itens mais vendidos pelo Brasil para o país norte-americano em 2025, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O economista especializado em gestão de recursos e professor de economia do Ibmec Brasília Renan Silva defende a verticalização da venda dos produtos de siderurgia em vários subsegmentos, incluindo aços especiais, componentes usinados, peças automotivas, maquinário e equipamentos mais complexos.

“Minas tem esse know-how, tem uma metalomecânica (setor industrial que transforma matérias-primas metálicas em componentes) avançada, com empresas que estão capacitadas a produzir esses equipamentos e peças de alta precisão do setor aeronáutico, que também são uma possibilidade de avanço. Então, dentre os vários produtos que Minas exporta, eu diria que esses segmentos estão mais subdimensionados em relação ao nosso segundo parceiro de exportação, que são os Estados Unidos”, afirma.

Grupo de exportação | Brasil | Minas Gerais (em milhões)

Produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço | US$ 3.363,0 bilhões | US$ 99,1 milhões;
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas | US$ 1.744,3 bilhão | US$ 1,2 bilhão;
Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes | US$ 3.050,6 bilhões | US$ 1,9 milhão.
Principais produtos exportados por Minas Gerais aos EUA – 2025

Café não torrado: US$ 1,5 bilhão;
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: US$ 1,2 bilhão;
Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: US$ 125,6 milhões;
Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: US$ 99,1 milhões;
Celulose: US$ 48,4 milhões;
Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): US$ 10,8 milhões;
Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes: US$ 4,5 milhões;
Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: US$ 1,9 milhão;
Sucos de frutas ou de vegetais: US$ 157,1 mil.
Foco da venda está na Ásia, mas pode ser ampliado

O especialista ainda declara que, hoje, as vendas externas brasileiras e mineiras estão mais focadas no mercado asiático, em especial na China, do que nos Estados Unidos. Segundo ele, é preciso o desenvolvimento de uma estratégia em inteligência comercial para ampliar as exportações. “Isso gera uma oportunidade para tentar avançar já que a economia americana continua robusta, com 18% do PIB global. Certamente há mais concorrência especializada nos Estados Unidos, mas nada que o Brasil não possa fazer frente”, completa.

De acordo com o professor do Ibmec, a diversificação da exportação é questão de segurança da pauta externa. “O Brasil não pode depender tanto da China como está dependendo. É preciso fortalecer os laços com os Estados Unidos pois ainda são a maior economia do planeta, ainda estão US$ 10 trilhões à frente da China, com uma renda muito robusta. É um mercado para o qual não se deve dar as costas”, pontua Silva.

Como melhorar as exportações para os EUA

O economista especializado em Corporate Financial Strategy pela Universidade de Chicago e em Business Analytics pela Universidade de Cambridge Renan Silva elenca as prioridades a serem defendidas pelas empresas e pelos governos para que a pauta de exportação possa ser ampliada no País e no Estado.

Governos devem:

Intensificar investimentos em inovação e capacitação tecnológica;
Investir para melhorar a eficiência logística e, portanto, reduzir custos;
Estudar a possibilidade de criação de uma política de fomento para a exportação;
Equilibrar as contas para baixar os juros brasileiros.
Indústrias devem:

Agregar valor aos produtos;
Verticalizar a cadeia produtiva (exportar outros subsetores);
Buscar a diversificação de exportação (EUA estão nesse foco);
Manter capital intensivo em inovação e capacitação tecnológica (concorrência é acirrada no exterior);
Buscar uma logística eficiente.
“Pensar como melhorar as exportações nos remete a nossos problemas estruturais. Temos que ter um plano de País, de longo prazo, assim como fez, muito bem-sucedido, a Coreia do Sul nos anos 1980”, analisa. Apesar da complexidade do processo, ele lembra que um plano é totalmente possível.

“A indústria instalada em Minas tem know-how. Não parte do zero. Estamos falando em aumentar a exportação e a competitividade em um segmento que já é robusto em Minas, que tem uma boa base para ser potencializada, apesar de não ser uma tarefa simples”, finaliza.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 16/03/2026

Tarifas fizeram venda de aço do Brasil aos EUA cair, mas recuo foi menor que média global, diz Fiemg

Estudo elaborado pela Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que, um ano após a entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço importado, as compras de aço brasileiro pelo mercado americano registraram queda. A pesquisa, realizada por intermédio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg, aponta que, em 2025, os embarques do Brasil para os Estados Unidos recuaram 8,3% frente a 2024, totalizando 3,7 milhões de toneladas. No mesmo período, as importações globais de aço pelos EUA caíram 12,6% em volume na comparação com o ano anterior.

As tarifas de 25% sobre o aço importado entraram em vigor em 12 de março de 2025 e foram posteriormente elevadas para 50% em junho do mesmo ano.

Em nota, a Fiemg ressalta que, no caso brasileiro, a queda menor em relação à média global reflete a forte integração produtiva entre siderúrgicas brasileiras e a indústria dos Estados Unidos. Foram priorizados fornecedores com cadeias mais conectadas ao mercado dos EUA, o que contribuiu para preservar parte do espaço ocupado pelo Brasil nas importações de aço do país.

Em 2025, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá e à frente do México. "O resultado demonstra que, mesmo diante das restrições comerciais, o aço brasileiro segue ocupando espaço relevante e competindo com os principais fornecedores do entorno imediato do mercado dos EUA", diz a nota divulgada pela Fiemg.

O estudo também analisou os impactos para Minas Gerais, maior produtor de aço bruto do país, responsável por cerca de 30% da produção brasileira e um dos principais exportadores do setor. No mercado dos Estados Unidos, as exportações mineiras de aço cresceram 15% em volume até o fim de 2025, mas registraram queda de 26% em valor, evidenciando uma mudança no perfil das vendas externas.

De acordo com o levantamento, esse movimento ocorreu principalmente pela ampliação dos embarques de aços semiacabados, que possuem menor valor agregado e são utilizados como insumo para processamento em outros países.

Em 2024, por exemplo, apenas 19% das exportações de aço aos Estados Unidos eram de semiacabados, enquanto 81% correspondiam a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com o novo quadro tarifário, os semiacabados passaram a responder por 53% da pauta exportadora. A Fiemg ressalta que esse cenário revela que diante da situação comercial mais desafiadora, os produtos diretamente dependentes de transformação posterior foram priorizados, enquanto os aços acabados precisaram buscar outros mercados.

“O tarifaço alterou de forma relevante a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações aos Estados Unidos, que passaram a se concentrar mais em produtos de menor valor agregado. Ao mesmo tempo, preocupa o avanço das importações de aço, especialmente em um contexto de excesso de oferta global, pressão sobre preços e risco de práticas desleais de comércio, o que exige atenção redobrada à competitividade da indústria brasileira”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/03/2026

 

Vendas de aço da CSN caem para 995 mil toneladas pressionadas por importações

As vendas de aço da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) somaram 995 mil toneladas no quarto trimestre de 2025, queda de 5,9% em relação ao trimestre anterior e de 15,3% na comparação com o mesmo período de 2024.

Segundo a companhia, além da sazonalidade típica do período, a retração reflete o alto nível de estoques entre distribuidores no mercado doméstico, o volume ainda elevado de material importado no país e as barreiras tarifárias enfrentadas no mercado externo.

No mercado interno, as vendas alcançaram 757 mil toneladas entre outubro e dezembro, recuo de 2,9% ante o terceiro trimestre e de 13,6% na base anual. Já as exportações totalizaram 238 mil toneladas, queda de 14,3% na comparação trimestral e de 20,5% frente ao quarto trimestre de 2024.

A empresa destacou ainda que, pela primeira vez desde 2019, não realizou exportações diretas de seus produtos.

O preço médio no mercado doméstico ficou em R$ 4.893 por tonelada no trimestre, praticamente estável frente ao período anterior, mas 4,6% abaixo do registrado um ano antes. A companhia atribui o desempenho ao ambiente competitivo no mercado interno, pressionado pela presença de aço importado.

No mercado externo, por outro lado, o preço médio avançou 19,9% na comparação trimestral, para R$ 5.839 por tonelada, impulsionado por melhora no mix de vendas.

Mesmo com a queda nos volumes comercializados, o Ebitda ajustado da divisão de siderurgia atingiu R$ 700,2 milhões no quarto trimestre, alta de 63,5% frente ao trimestre anterior e de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024. A margem Ebitda ajustada ficou em 13,4%.

O resultado, no entanto, foi influenciado por efeitos não recorrentes ligados à ociosidade produtiva causada pelo menor nível de utilização da capacidade instalada. Segundo a CSN, o impacto contábil foi de R$ 314 milhões no período, referente à alocação de custos fixos não absorvidos.

Desconsiderando esse efeito, o Ebitda teria sido de R$ 386,2 milhões, com margem de 7,4%. Nesse cenário, o desempenho representaria piora em relação ao trimestre anterior, já que o menor volume de vendas de aço superou o impacto positivo da queda no custo da placa.

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/03/2026