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Governo quer regime tributário especial para terras raras

Para estimular o refino de minerais críticos no Brasil, o governo federal vai propor a criação de um regime especial no qual as empresas receberão créditos tributários crescentes conforme a agregação de valor. Além disso, a venda da Serra Verde, mina de terras raras situada em Minaçu (GO) para uma empresa dos Estados Unidos - uma transação de US$ 2,8 bilhões anunciada em abril -, está em análise pelo governo federal.

“Eu não descarto a hipótese de ser questionado”, disse ao Valor o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na última quinta-feira, véspera da entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia.

O modelo em formulação para as terras raras, materiais usados na tecnologia de ponta de áreas como defesa e comunicação, é parecido com o utilizado no programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que incentiva a produção de automóveis sustentáveis por meio da concessão de créditos financeiros usados para abatimento de impostos. Desde sua adoção, montadoras anunciaram investimentos no Brasil que deverão superar os R$ 100 bilhões até 2030.

O governo pretende controlar os investimentos estrangeiros em minerais críticos e terras raras e poderá ainda restringir a exportação desses produtos. Essas são contribuições que o Executivo vai entregar ao deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que relata na Câmara um projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Ao comentar o acordo comercial com os europeus, que entrou em vigor provisoriamente no dia 1º de maio e criou uma área de livre comércio de 720 milhões de consumidores e Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões, o ministro disse que deverá elevar as exportações brasileiras em 2,65% - um ano após o início do tratado. Somado com dois acordos já assinados e recém-encaminhados ao Congresso para aprovação, com Singapura e Efta (Área de Livre Comércio da Europa), o impacto é estimado em R$ 67 bilhões ao ano.

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe de Elias Rosa avalia as oportunidades de aumento do comércio nos setores que integram a Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do governo: agroindústria, saúde, infraestrutura, digitalização da indústria, bioeconomia e tecnologia de defesa nacional.

O risco de adoção de novas medidas protecionistas por parte dos Estados Unidos a partir das investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio, não deve ser encarada como dificuldade inesperada, defendeu. Na sua visão, esse tem sido o “modus operandi” dos Estados Unidos. O intuito é prosseguir no diálogo, tanto que Lula já solicitou uma audiência com o presidente americano, Donald Trump. O encontro deveria ter ocorrido no início do ano, mas foi adiado em função da guerra no Irã.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) é contrário à revogação da taxa das blusinhas. “A nossa posição é de manutenção para corrigir uma assimetria que existe entre o varejo brasileiro e a indústria têxtil, calçadista, a indústria da moda”, diz. Essa, porém, é uma questão sobre a qual ainda não há uma orientação de governo. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Qual a estratégia agora, com a vigência do acordo Mercosul e União Europeia?

Márcio Elias Rosa: Vejo com enorme otimismo. Acho que você não pode não considerar um enorme avanço um mercado cujo PIB seja de US$ 22 trilhões e 720 milhões de pessoas. É gigantesco, então é impossível não ter um efeito positivo. No dia 1º [de maio], 5 mil linhas tarifárias [produtos] da Europa sofrerão desgravação, ou seja, serão reduzidas. Do lado do Mercosul, 1,1 mil. Isso significa que 54% das linhas tarifárias europeias caíram de imediato. Para o Mercosul, 89% das linhas tarifárias serão reduzidas em três, cinco, sete anos, ao longo do tempo. Esperamos aumento de 2,65% nas exportações brasileiras. Combinando os acordos União Europeia, Efta e Singapura, o aumento chega a R$ 67 bilhões.

Valor: Os produtores do Mercosul podem ficar vulneráveis diante da concorrência europeia?

Elias Rosa: Não, porque aqui fizemos uma abertura protegida, seja nos prazos de redução de tarifas, seja na exclusão. A gente excluiu tudo que era sensível, como o SUS, por exemplo. A empresa que quiser fornecer para o SUS só terá preferência [tarifária] se estiver instalada no país. No setor automotivo, a desgravação pode chegar a 30 anos se houver incorporação de nova tecnologia. Então, é um acordo bastante equilibrado e não nos torna mais vulneráveis do que já somos.

Valor: A exportação de produtos agrícolas, como carnes, será regulada por cotas que precisarão ser compartilhadas entre os sócios do Mercosul. Haverá uma divisão ou a cota ficará com quem chegar primeiro?

Elias Rosa: Se não tiver um acordo, vai ser de quem chegar primeiro. Mas nós estamos nessa fase de negociação dentro do bloco. Então, a partir deste dia 1º de maio, quem desembaraçar primeiro leva. Eu acho que neste ano nós vamos ficar neste período de ajuste, de acomodação. É óbvio que no caso de proteína, carne resfriada e carne congelada, o Brasil tem muito mais do que todos. Então, vai chegar primeiro.

Os Estados Unidos foram o primeiro parceiro comercial do Brasil em todo o século passado; não dá para prescindir do diálogo com eles”

Valor: A negociação do acordo foi dada como concluída em 2018. Mas os europeus enviaram condições adicionais relacionadas à preservação ambiental e o Mercosul aproveitou para renegociar pontos. Quais foram os principais avanços nessa etapa final?

Elias Rosa: Fizemos uma nova oferta, chamada Rodada de Brasília, e conseguimos melhorar muito o acordo. Conseguimos incluir regras novas para transferência de tecnologia, compras governamentais, sustentabilidade, proteção de micro e pequenas empresas, regiões geográficas.

Valor: Foi incluído também mecanismo de reequilíbrio do acordo, caso legislações posteriores venham a reduzir vantagens pactuadas. O Brasil vai acionar esse mecanismo, diante da taxação adicional que a Europa instituiu, baseada na emissão de gases do efeito estufa?

Elias Rosa: O CBAM (Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono, na sigla em inglês) começou em 1º de janeiro. Na viagem que o presidente Lula fez à Espanha e à Alemanha, e pediu apoio aos dois países para que esse sistema seja revisto e que os bancos de dados e os mecanismos de controle do Brasil e do Mercosul sejam admitidos lá. Senão, vai gerar uma assimetria no tratamento. Nós não resolvemos o problema ainda, mas esperamos resolvê-lo diplomaticamente.

Valor: Como está o apoio ao setor privado para que se beneficie das oportunidades abertas com o acordo?

Elias Rosa: Nós estamos estruturando um programa interessante com o apoio da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Nosso desejo é estabelecer interlocução com todos os setores produtivos. O Mdic vai coordenar esse trabalho. O setor produtivo precisa se apropriar do acordo. E nós também precisamos identificar e apontar quais as oportunidades que são geradas. É possível identificar o que a Europa compra de outro fornecedor, que não do Brasil, mas que o Brasil produz. Precisamos concorrer nesse mercado, porque agora temos maiores vantagens competitivas [menores tarifas de importação]. O presidente Lula nos pediu para vincularmos o acordo à NIB.

Valor: Como funcionaria?

Elias Rosa: Eu pego lá as seis missões da NIB, por exemplo, o complexo industrial da saúde, e conecto com o acordo. O que o Brasil já produz nessas cadeias produtivas, levar para a União Europeia. Isso é diversificação do mercado.

Valor: E a negociação do acordo Mercosul-Canadá?

Elias Rosa: A última rodada, que foi agora, em Brasília, avançou bastante. Eu acho que tem mais de 70% negociado e com muita convergência. É possível concluir até o final do ano.

Valor: Os Estados Unidos prosseguem com a investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Como está o diálogo com eles?

Elias Rosa: Estamos bem. Se levarmos em conta como começou [com o tarifaço] e onde estamos hoje, está ótimo.

Valor: Mas estamos vendo as nuvens escuras se aproximando, pois pode haver decisão em breve sobre a investigação, e isso pode trazer restrição ao comércio. Há quem fale em um novo tarifaço.

Elias Rosa: Essa espada que se coloca usando essas seções não é coisa nova. Já acontece com a metalurgia. Acontece desde 2017, quando houve um acordo envolvendo o aço e o alumínio (os EUA elevaram a taxação, depois foram negociadas cotas). A gente não precisa encarar isso como uma adversidade inesperada ou uma deslealdade. Eu acho que faz parte do jogo. É o “modus operandi”. Eu fico animado porque nós estivemos lá recentemente, naquelas consultas que eles fizeram. Muito embora exista a contrariedade daquilo que eles nos perguntam e aquilo que a gente afirma, nós pudemos prestar contas amplamente. Todo o setor produtivo está preocupado em levar para o governo americano a realidade: não há risco de desmatamento, não tem nenhuma adversidade na questão da economia digital (dois motivos que podem embasar a imposição de tarifas a produtos brasileiros). Podemos nos manter otimistas.

Valor: Por quê?

Elias Rosa: Porque o diálogo político do presidente Lula com o presidente Trump só nos trouxe coisa boa. Não é isso? Na verdade, houve acordo (no tarifaço). Que, nesse caso, foi o recuo da parte deles, o reconhecimento de que a pretensão do Brasil era legítima. Isso tem acontecido passo a passo, e acho que vai acontecer de novo tantas vezes quantas forem necessárias. O presidente Lula já pediu uma audiência.

A terra é rara, mas tem dono, o povo brasileiro; não podemos administrar isso sem levar em conta a relevância estratégica”

Valor: Para aquela bilateral que não aconteceu?

Elias Rosa: Sim, veio a guerra do Irã e tudo ficou adiado.

Valor: Essa reunião ainda nos interessa?

Elias Rosa: Sim. Os Estados Unidos foram o primeiro parceiro comercial do Brasil durante todo o século passado. Não dá para prescindir do diálogo com eles. Tem muito interesse convergente, tem todo um setor produtivo instalado aqui. Precisamos superar essa fase de indefinição para que também o setor produtivo, a economia, tenha segurança jurídica, previsibilidade. Senão a gente vai acabar afugentando investidores americanos no Brasil.

Valor: O sr. afirmou que o acordo do Estado de Goiás com os Estados Unidos não tem base constitucional. Isso afeta a venda daquela mina em Minuaçu para uma empresa americana?

Elias Rosa: O Estado de Goiás firmou um memorando de entendimento com o encarregado de negócios dos Estados Unidos [Gabriel Escobar] estabelecendo cooperação. Fez isso com base em uma lei estadual que é inconstitucional. Quem estabelece, quem regula e autoriza, pesquisa ou lavra é a União. E quem legisla sobre isso é a União, é o Congresso Nacional. Então esse memorando é um nada jurídico. Mas é uma coisa separada do investimento privado na mina.

Valor: Esse investimento parece contrário ao que o presidente Lula tem defendido, que é não exportar minérios e sim estimular o refino aqui.

Elias Rosa: Estou aguardando o nosso Ministério de Minas e Energia se posicionar ou dar alguma indicação.

Valor: O governo pode de alguma maneira se posicionar contra esse negócio?

Elias Rosa: Eu acho que pode. Eu não descarto a hipótese de ser questionado. Nós estamos em face de algo absolutamente estratégico. Eu falo que a terra é rara, mas tem dono, e é o povo brasileiro. Então, nós não podemos administrar isso sem levar em conta a relevância estratégica. Quando a gente fala de mineral crítico, estratégico ou de terra rara, nós estamos falando de insumos absolutamente essenciais na nova indústria do mundo. Então, não dá para não ter uma política definida para isso, ou admitir que vire matéria-prima para exportação, apenas e tão somente.

Valor: O deputado Arnaldo Jardim relata um projeto de lei que vai regular essa política de minerais críticos e estratégicos. Ele aguarda contribuições do governo. Qual a posição do Mdic?

Elias Rosa: A nossa posição para esse tema é sempre buscando a industrialização. Se não toda ela, ao menos uma parte.

Valor: Ouvimos que a contribuição do governo não conteria a criação de uma estatal, a Terrabras, mas teria itens de controle de investimento estrangeiro, de exportação, exigência de industrialização local. É essa a linha que vão seguir no projeto?

Elias Rosa: Isso.

Valor: Mas isso não vai afastar investimentos ou atrasar o desenvolvimento do setor?

Elias Rosa: O que atrasa o desenvolvimento do setor é admitir que se pode exportar matéria-prima e que nós não vamos industrializar. Qual vai ser o interesse de uma indústria chinesa de se instalar no país para fazer uma parte do beneficiamento da extração, da lavra e depois do beneficiamento, se o minério pode ser simplesmente exportado e produzido lá?

Valor: O deputado Arnaldo Jardim propôs alguns incentivos fiscais no relatório preliminar. Vocês vão sugerir algo nessa linha?

Elias Rosa: Dentro do universo de discussão que a gente tem estabelecido, qualquer regime especial de crédito tributário, isenção ou regime especial deve ser proporcional ao adensamento da cadeia. Quanto maior a etapa, quanto mais ele avança na industrialização, maior o benefício ele pode colher.

Valor: Pode detalhar mais?

Elias Rosa: É um sistema muito parecido com o Mover. O Mdic está usando muito o programa de mobilidade verde do setor automotivo, porque deu muito resultado. Ele não concede isenções, e sim crédito tributário, na medida que se agrega valor.

Valor: E qual seria o impacto fiscal?

Elias Rosa: Eu não sei qual o impacto fiscal, não sei dizer. Se você não gerar algum tipo de vantagem tributária, você não tem regime especial. E aí não tem sentido.

Valor: Precisa de um regime especial para desenvolver esse setor?

Elias Rosa: Precisa de um regime especial. Como precisa para os datacenters, que é o Redata, como precisa para a ZPE (Zona de Processamento de Exportação), para a indústria química. Mas é preciso saber que não se concedem os benefícios de maneira meramente homologatória. Por exemplo: eu tenho um alvará e isso já me dá vantagens e benefícios. Isso não pode. É preciso que a empresa, tendo o alvará para exploração, apresente um projeto de investimento no país. E a partir do projeto habilitado no programa, vai ou não ter vantagens tributárias. Então, teria necessariamente que ter uma fase de habilitação desse investimento.

Valor: O programa de datacenters era a grande expectativa de agenda do Mdic para 2026. Não tem como mais ser aprovado este ano?

Elias Rosa: Há uma pressão grande do setor privado para o regime, não é só do governo. E eu já disse publicamente que nós vamos dialogar com o Senado para tentar retomar. Acho que é importante.

Valor: Sobre a revogação da “taxa das blusinhas”, já há uma definição? Seria uma revogação total ou uma redução na alíquota?

Elias Rosa: O Mdic é favorável à taxação. A nossa posição é de manutenção, para corrigir uma assimetria que existe entre o varejo brasileiro e a indústria têxtil, calçadista, a indústria da moda. E essa discussão não está atrelada ao calendário eleitoral. Os mesmos atores favoráveis e contrários estão aí, o tempo todo falando sobre isso. É que aumentou a pressão para a discussão do tema. E dentro do governo tem muitas opiniões, opinião favorável, opinião contrária, sempre tiveram. Mas não tem uma orientação ainda, diferentemente da redução da jornada 6x1.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 04/05/2026

Produção mundial cai 4,2% em março e 2,3% no primeiro trimestre

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 159,9 milhões de toneladas em março de 2026, uma redução de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A Ásia e a Oceania produziram 119,3 milhões de toneladas em março, um decréscimo de 3,9% sobre março do último ano. A China produziu 87 milhões de toneladas, 6,3% a menos que em março de 2025, enquanto a Índia produziu 15,3 milhões de toneladas no mês, um incremento de 9,4% sobre o mesmo mês de 2025. Japão e Coreia do Sul produziram 6,9 milhões de toneladas e 5,4 milhões de toneladas de aço bruto em março, respectivamente, com queda de 4,1% e aumento de 1,5% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Os países do Bloco Europeu produziram 11,4 milhões de toneladas de aço em março de 2026, ou 4,6% a menos que no mesmo mês do ano passado. A Alemanha produziu 3,3 milhões de toneladas, uma alta de 7,5%. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,8 milhões de toneladas, um crescimento de 4,9% sobre março de 2025, enquanto a África – Egito, Líbia e África do Sul – produziu 2,2 milhões de toneladas de aço bruto em março, 11,6% superior na comparação com março de 2025. Já os países da CIS produziram 6,6 milhões de toneladas, 7,9% a menos sobre o mesmo mês do último ano, com a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,4 milhões de toneladas, um recuo de 11,4% sobre o mesmo mês de 2025. Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – produziram 3,5 milhões de toneladas de aço bruto e viu o volume despencar 33,5% na comparação com um ano antes. O Vietnã teve produção estimada de 2,2 milhões de toneladas no mês, 5,7% superior a março do último ano.

A produção na América do Norte cresceu 3,5% em março de 2026, somando 9,5 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas, e cresceram 5,2% em relação ao desempenho de março do ano passado, enquanto a América do Sul alcançou 3,6 milhões de toneladas e caiu 0,5%, comparado a um ano antes. O Brasil registrou produção de 2,8 milhões de toneladas, 2,5% inferior a março do último ano.

No primeiro trimestre de 2026, a produção global de aço bruto foi de 459,2 milhões, um recuo de 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Ásia e Oceania produziram 341,7 milhões de aço bruto no primeiro trimestre de 2025, queda de 2,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A UE produziu 11,4 milhões t de aço bruto no primeiro trimestre de 2026, 4,6% a menos em relação ao mesmo trimestre de 2025. A produção de aço bruto da América do Norte foi de 27,5 milhões de toneladas entre janeiro e março de 2026 e cresceu 2,3% em relação a um ano antes, enquanto Rússia e outros CIS + Ucrânia produziram 18,9 milhões de toneladas de aço bruto no primeiro trimestre de 2026, um decréscimo de 9,8% sobre o mesmo período de 2025, enquanto a América do Sul produziu 10,2 milhões de toneladas no trimestre, 1,9% a menos que o primeiro trimestre do último ano.

 

Produção brasileira de aço bruto registra 8,1 milhões/t no 1T26: queda de 3,1% , diz IABr

A redução é referente ao mesmo trimestre em 2025. As exportações no primeiro trimestre de 2026 atingiram 2,8 milhões de toneladas, e em valor US$ 1,8 bilhão, respectivamente, crescimento de 12,1% no volume e queda de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro trimestre as importações registraram 1,8 milhão toneladas, aumento no volume de 4,2% , em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão, crescimento de 0,9% ante o mesmo período do ano anterior.

A produção brasileira de aço bruto foi de 2,8 milhões de toneladas em março de 2026, uma queda de 2,5% frente ao apurado no mesmo mês de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 6,1% inferior à registrada em março de 2025. A produção de semiacabados para vendas foi de 800 mil toneladas, uma retração de 0,9% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2025, dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr), no dia 20 de abril de 2026 (segunda-feira).

Quanto as vendas internas, elas avançaram 4,9% frente ao apurado em março de 2025 e atingiram 1,9 milhão de toneladas(t). O consumo aparente de produtos de aço foi de 2,4 milhões de toneladas, 1,1% superior ao apurado no mesmo período de 2025.

Exportações — As exportações de março de 2026 registraram 584 mil toneladas, ou US$ 413 milhões, o que resultou em queda de 25,8% e de 22,9%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2025.

Importações — As importações de março de 2026 foram 608 mil toneladas e de US$ 599 milhões, uma redução de 8,3% em volume e aumento de 9,5% em valor na comparação com o registrado em março de 2025.

O setor no primeiro trimestre de 2026 — No acumulado de janeiro a março de 2026 a produção brasileira de aço bruto foi de 8,1 milhões de toneladas(t), o que representa uma queda de 3,1% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 5,6 milhões de toneladas, redução de 3,5% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2025. A produção de semiacabados para vendas totalizou 2,1 milhões de toneladas de janeiro a março de 2026, um aumento de 0,3% na mesma base de comparação.

Ainda no primeiro trimestre de 2026, as vendas internas foram de 5,1 milhões de toneladas o que representa uma retraç ão de 1,1% quando comparadas com igual período do ano anterior.

Já o consumo aparente nacional de produtos de aço foi de 6,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre. Este resultado representa uma queda de 0,8% frente ao registrado no mesmo período de 2025.

Exportações — As exportações no primeiro trimestre de 2026 atingiram 2,8 milhões de toneladas, ou US$ 1,8 bilhão. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 12,1% e queda de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

Importações — As importações alcançaram 1,8 milhão toneladas no acumulado até março de 2026, um aumento de 4,2% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão e expandiram 0,9% no mesmo período de comparação.

Produção regional — Quanto a distribuição regional da produção de aço bruto, de semiacabados e laminados no mês de março de 2026, despontam os estados Minas Gerais; Rio de Janeiro ; Espírito Santo; São Paulo, respectivamente nesta ordem.

Ranking de produção de aço bruto na América Latina — A produção de aço bruto em março de 2026 na América Latina, o Brasil aparece em primeiro lugar, respectivamente: Brasil; México; Argentina; Peru; Colômbia; Chile; Equador; Guatemala; Cuba; El Salvador; Uruguai/ Venezuela; Paraguai.

Ranking mundial de produção de aço bruto — A produção mundial do aço bruto em março de 2026 o Brasil aparece em nono lugar respectivamente, em uma lista de cerca de 40 países: China; Índia; Estados Unidos; Japão; Rússia; Coréia do Sul; Turquia; Alemanha; Brasil; Irã; Vietnã; Itália; Formosa(Taiwan); México; Canadá; Espanha; Arábia Saudita.

ICIA — O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de abril de 2026 cresceu 2,4 pontos, e chegou aos 51,7 pontos, e ficou na linha dos 50 pontos, — linha divisória entre confiança e falta de confiança para os próximos seis meses.

 

*Com agências de notícias (Brasil Mineral e Portal Fator)

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/04/2026

 

Demanda por aço deve reagir em 2026, diz CEO da ArcelorMittal Pecém

O mercado brasileiro de aço deve apresentar desempenho melhor em 2026 na comparação com 2025, avalia o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres. Em entrevista à CNN, o executivo afirmou que alguns dos principais setores consumidores do produto já demonstram condições mais favoráveis de atividade.

Segundo Torres, áreas como construção civil, linha branca e até o setor automotivo indicam melhora nas perspectivas de demanda por aço no país. “Esses setores estão com condições de mercado melhores, o que tende a refletir em uma recuperação gradual do consumo de aço”, afirmou.

A expectativa de avanço no mercado doméstico, se deve a um movimento coordenado do setor siderúrgico de pressão no governo por medidas adicionais de defesa comercial diante do aumento das importações, especialmente vindas da China.

Torres destacou que o volume de aço importado no Brasil cresceu significativamente nas últimas duas décadas. De acordo com ele, esse avanço tem pressionado a competitividade da produção nacional.

“O crescimento de material importado foi de 160% nas últimas duas décadas. O aço importado chinês que chegou ao Brasil foi de 5,7 milhões de toneladas em 2025, quase duas vezes a produção da ArcelorMittal Pecém. Isso traz uma competição desleal com o aço produzido no Brasil”, disse.

O tema ganhou força recentemente após o governo brasileiro ampliar o número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) incluídas no sistema de cota-tarifa para produtos de aço que excederem limites de importação. Além disso, foi aberta uma investigação antidumping envolvendo 25 produtos siderúrgicos de origem chinesa.

As medidas atendem a demandas do setor por maior proteção comercial e seguem movimentos semelhantes adotados por países da Europa e da América do Norte.

Para o executivo, o custo de produção do aço chinês não estaria dentro de uma faixa considerada natural de mercado, o que levanta questionamentos sobre as condições de concorrência internacional.

Segundo ele, o custo de produção chinesa não está dentro de uma “faixa natural”, o que interfere na competição leal de mercado.

No cenário externo, a siderurgia brasileira também enfrenta desafios. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% a produtos brasileiros (entre eles o aço), exportadoras como a ArcelorMittal Pecém passaram a enfrentar maior dificuldade para competir no mercado americano.

Diante disso, empresas com produção local nos Estados Unidos, como a Gerdau, acabam tendo vantagem competitiva nesse ambiente tarifário. Ainda assim, o executivo afirma que o mercado americano continua estratégico para a companhia.

“O mercado americano ainda é muito atrativo mesmo com a taxação, porque permite colocar aço de alto valor agregado. Por isso conseguimos nos manter nesse mercado”, afirmou.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/04/2026

Lula critica acordo em Goiás e questiona concessão de terras raras aos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou um possível acordo envolvendo a exploração de terras raras em Goiás e questionou a atuação do governador Ronaldo Caiado. As declarações foram divulgadas em publicação na rede social X (antigo Twitter), que repercutiu trechos de entrevista concedida pelo chefe do Executivo federal.

“O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União. Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir", afirmou Lula. Em outro momento, o presidente classificou a negociação como “uma vergonha”.

As críticas ocorrem após a venda da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR), em operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. A transação, anunciada na segunda-feira (20), envolve uma das poucas produções relevantes de terras raras fora da Ásia, o que ampliou o debate no governo federal sobre soberania nacional e controle de recursos estratégicos.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), considerada a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil, em produção desde 2024. A empresa também se destaca por produzir terras raras pesadas de alto valor, como disprósio, térbio e ítrio — insumos fundamentais para setores como veículos elétricos, energia renovável, defesa, semicondutores e indústria aeroespacial.

Atualmente, mais de 90% da produção global desses minerais está concentrada na China, o que intensifica a disputa internacional por cadeias de suprimento alternativas. Nesse contexto, a aquisição da Serra Verde por uma empresa apoiada por capital e agências dos Estados Unidos reforça o interesse geopolítico sobre o setor.

Segundo comunicado da própria mineradora brasileira, a operação permitirá a criação de uma das maiores empresas globais do segmento. “As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou a companhia.

O acordo inclui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos, que prevê o abastecimento integral da produção da fase inicial da mina a uma empresa de propósito específico (SPV), financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados. O contrato estabelece preços mínimos garantidos para os minerais, o que, segundo a USAR, assegura estabilidade financeira ao projeto. “O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirmou a empresa.

A mineradora também destacou que a união das operações resultará em uma companhia com presença em diferentes países, incluindo Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, abrangendo toda a cadeia produtiva — da mineração à fabricação de ímãs.

 
Fonte: Brasil 247
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/04/2026

 

Terrabras expõe disputa entre soberania nacional e capital estrangeiro nas terras raras

A disputa pelo controle das terras raras brasileiras revela a tensão entre a defesa da soberania nacional e os interesses do capital estrangeiro. A proposta de criação da estatal Terrabras ganha força diante do avanço de mineradoras apoiadas por governos externos.

A norte-americana USA Rare Earth comprou a mineradora Serra Verde, que opera a mina Pela Ema em Minaçu, no estado de Goiás. Essa é a única mina fora da Ásia capaz de produzir em escala quatro elementos essenciais para ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas e equipamentos de defesa.

O acordo contou com financiamento da Development Finance Corporation, agência governamental dos Estados Unidos ligada ao Departamento de Estado. Os contratos garantem o fornecimento por 15 anos com destino exclusivo ao mercado norte-americano, sem etapas de refino no Brasil.

O governo dos EUA anunciou um aporte de 1,6 bilhão de dólares para fortalecer a cadeia de suprimentos de minerais críticos. A medida integra os esforços americanos para reduzir a dependência de minerais chineses — enquanto aprofunda a dependência brasileira de um único comprador.

Entidades como o Instituto Brasileiro de Mineração e a Associação de Minerais Críticos, junto com a Embaixada dos Estados Unidos, pressionam contra a criação da Terrabras. Parlamentares alinhados a esses interesses também atuam no Congresso Nacional, conforme análise do portal CartaCapital.

O Projeto de Lei 2780 de 2024 institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e tramita em regime de urgência. O relator Arnaldo Jardim, do Cidadania, posicionou-se contra a criação de estatal, argumentando que o Estado deve apenas regular o setor.

Essa posição ignora a intervenção ativa dos Estados Unidos por meio da Development Finance Corporation e de contratos de longo prazo que drenam recursos estratégicos sem agregar valor ao país. O senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, afirmou em evento da CPAC 2026 no Texas que o Brasil seria a solução para os norte-americanos reduzirem a dependência da China — revelando a que interesses serve essa agenda.

O deputado federal Pedro Uczai, do PT, autor da proposta da Terrabras, articula junto a movimentos populares pela aprovação da estatal. O deputado Glauber Braga, do PSOL, também defende o controle público sobre os minerais estratégicos.

O governo federal ainda não definiu o tema como prioridade central em sua agenda. A secretária de Comércio Exterior Tatiana Prazeres admitiu que esses minerais têm sido usados como moeda de negociação para obter redução de tarifas sobre produtos brasileiros.

A análise do portal CartaCapital destaca que a exploração mundial de minerais críticos é marcada por forte presença estatal. Países como a China e os Estados Unidos protegem suas cadeias com restrições rigorosas à atuação de capital estrangeiro — enquanto pressionam o Brasil a abrir as suas.

A Constituição Federal estabelece que as jazidas minerais pertencem à União. Defensores da Terrabras veem na estatal o instrumento necessário para evitar que o país permaneça como simples exportador de matérias-primas estratégicas, sem soberania sobre sua própria riqueza mineral.

 
Fonte: O Cafezinho
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 22/04/2026

 

Brasil e Alemanha reforçam parceria industrial e miram dobrar comércio em cinco anos

A indústria brasileira intensificou sua agenda internacional e colocou a Alemanha no centro de sua estratégia de expansão global. Durante a Hannover Messe 2026 — considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo — representantes do Brasil defenderam o fortalecimento da parceria bilateral com o país europeu e estabeleceram a meta de dobrar o comércio entre as duas economias nos próximos cinco anos.

Atualmente, a corrente de comércio entre Brasil e Alemanha supera US$ 20 bilhões anuais, mas ainda é vista como aquém do potencial. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o momento global abre uma janela de oportunidade para ampliar essa relação, especialmente diante da reorganização das cadeias produtivas e da busca por parceiros confiáveis no cenário internacional.

Delegação recorde e protagonismo brasileiro

A estratégia brasileira ganhou força com o envio de uma delegação robusta à Alemanha. Mais de 260 representantes da indústria — entre empresários e executivos — participam da missão liderada pela CNI em parceria com a ApexBrasil, com presença em fóruns de negócios e na programação oficial da feira.

O protagonismo é ainda maior nesta edição, já que o Brasil ocupa a posição de país parceiro da Hannover Messe 2026. Isso amplia a visibilidade internacional da indústria nacional e cria oportunidades para apresentar projetos, atrair investimentos e firmar acordos de cooperação tecnológica.

Além da feira, a agenda inclui o Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) e reuniões da Comissão Mista de Cooperação Econômica (Comista), fóruns nos quais governos e setor privado discutem temas estratégicos para o avanço das relações bilaterais.

Tecnologia, energia e transição industrial

Entre os principais eixos da cooperação estão áreas de alta tecnologia e inovação, como digitalização industrial, inteligência artificial e automação. A transição energética também aparece como prioridade, com destaque para biocombustíveis, descarbonização e soluções sustentáveis.

O Brasil busca se posicionar não apenas como fornecedor de matérias-primas, mas como parceiro na geração de valor e no desenvolvimento tecnológico conjunto. Nesse contexto, a matriz energética renovável brasileira surge como um diferencial competitivo, especialmente para atender às demandas da indústria europeia por soluções de baixo carbono.

Outro ponto relevante nas negociações é o avanço de acordos estruturais, como o tratado para evitar a dupla tributação e a implementação do acordo Mercosul–União Europeia, considerados fundamentais para destravar investimentos e ampliar o fluxo comercial.

Nova geopolítica favorece aproximação

A reaproximação entre Brasil e Alemanha também reflete mudanças no cenário global. A crise energética europeia e a reorganização das cadeias produtivas têm levado países a buscar parceiros mais estáveis e sustentáveis — tendência conhecida como “friendly-shoring”.

Nesse contexto, o Brasil ganha relevância por combinar disponibilidade de recursos naturais, capacidade industrial e segurança energética. Para líderes da indústria, o país reúne condições para se tornar um aliado estratégico da Alemanha em setores-chave da nova economia.

Perspectivas de longo prazo

A mobilização em torno da Hannover Messe indica uma tentativa clara de reposicionar o Brasil no mapa industrial global. Mais do que ampliar exportações, a estratégia busca atrair investimentos, fomentar inovação e integrar o país às cadeias de valor de alta tecnologia.

Se a meta de dobrar o comércio bilateral for alcançada, o movimento pode representar um salto qualitativo na relação entre os dois países — com impactos diretos na competitividade da indústria brasileira e na inserção do país em uma economia cada vez mais orientada por tecnologia e sustentabilidade.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 20/04/2026