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Produção mundial de aço cai 2,2% em fevereiro

A produção mundial de aço bruto para os 69 países que reportam à World Steel Association (worldsteel) foi de 141,8 milhões de toneladas em fevereiro de 2026, uma queda de 2,2% em relação a um ano antes. A China teve produção estimada de 76,1 milhões de toneladas, um declínio de 3,6% em relação a fevereiro do ano passado. Índia e Japão produziram 13,6 e 6,4 milhões de toneladas, com acréscimo de 7,7% enquanto a produção nipônica permaneceu estagnada, respectivamente. Já a Coreia do Sul produziu 4,8 milhões de toneladas e registrou leve aumento de 0,2% comparada com fevereiro de 2025. Ásia e Oceania responderam por 105,3 milhões de toneladas do total, um decréscimo de 1,9% sobre o mesmo mês de 2025.

A América do Norte e América do Sul produziram 8,5 milhões de toneladas e 3,1 milhões de toneladas de aço bruto em fevereiro de 2026, o que significa aumento de 0,5% e recuo de 7,7%, respectivamente, em relação ao mesmo mês do último ano. A produção dos Estados Unidos chegou a 6,5 milhões de toneladas, 5,8% a mais que em fevereiro de 2025, enquanto a produção brasileira somou 2,5 milhões de toneladas no segundo mês de 2026, ou 5,7% inferior ao mesmo mês do último ano. Estima-se que a Rússia teve produção estimada de 5 milhões de toneladas em fevereiro, queda de 10,2% e o Irã produziu (estimativa) 1,7 milhão de toneladas no mês e viu sua produção despencar 1,3% em fevereiro de 2026. Já a Turquia produziu 3 milhões de toneladas e cresceu 3,4% em fevereiro de 2026, enquanto os países da União Europeia somaram 9,8 milhões de toneladas, um recuo de 3,6% sobre fevereiro do último ano. No primeiro bimestre de 2026 houve uma produção de 298,2 milhões de toneladas de aço, um recuo de 1,5% quando comparado ao mesmo período do último ano.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/03/2026

 

Brasil refém do exterior? A verdade sobre a nossa dependência de fertilizantes em tempos de guerra

A escalada da guerra no Oriente Médio e o bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz colocam o Brasil em posição de vulnerabilidade no mercado internacional de insumos.

O País importa mais de 80% dos fertilizantes que consome e, em meio a um risco de desabastecimento, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta para a necessidade de retomar e fortalecer a indústria nacional de fertilizantes para garantir a segurança da produção brasileira.

Estas e outras informações estão no estudo Dependência de Fertilizantes Importados: Risco para o Agronegócio Brasileiro. Confira a íntegra do documento:

- Depende?ncia de Fertilizantes Importados.pdf(15,9 MB)

Vamos entender o cenário?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear o setor energético do Irã e, em resposta a esta incisiva, o Irã afirmou que poderia implantar minas navais nas rotas de acesso ao Golfo Pérsico.

O risco de ataques a navios cargueiros e a presença de minas marítimas dispararam os custos de seguro e frete, fazendo com que muitas embarcações evitem a região ou fiquem retidas em portos seguros.

Fazendo uma comparação, o Estreito de Ormuz é a garganta do Golfo Pérsico. E é por esse canal estreito que passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo e uma fatia grande dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados que o Brasil importa.

E as consequências?

Os preços dos insumos básicos, como a ureia, dispararam mais de 50% desde o início do ano. Uma das ponderações da CNI é que a excessiva dependência de um grupo concentrado de fornecedores externos compromete a competitividade da indústria nacional e onera toda a cadeia produtiva.

Além disso, a baixa competitividade da indústria brasileira passa pela alta volatilidade e pelos preços elevados do gás natural, insumo vital para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, adverte que o descompasso afeta a economia do país e suas exportações.

“Restrições ao fornecimento de fertilizantes no mercado externo elevam o custo da produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos. Então, a dependência externa também afeta nossas exportações e a segurança alimentar dos brasileiros. Em junho deste ano, por exemplo, o preço médio do gás natural ao consumidor industrial do Brasil foi de US$ 18,64/MMBtu (Milhão de Unidades Térmicas Britânicas), enquanto nos Estados Unidos foi de US$ 3,67/MMBtu, ou seja, valor muito superior ao praticado em mercados internacionais", aponta Fabrício Silveira.

Insumos vitais 

Os agrominerais, como potássio e fósforo, são insumos vitais para a indústria de fertilizantes e a agricultura. A atual dependência externa desses insumos ressalta a urgência de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no setor.

De acordo com levantamento da CNI, é fundamental desenvolver novas fontes de base mineral e práticas tecnológicas inovadoras, adaptadas ao clima tropical e subtropical do Brasil. O estudo defende a ampliação do conhecimento geológico, capaz de identificar jazidas com potencial agrícola ainda inexploradas.

Como reverter?

A CNI defende a execução de políticas robustas, como o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que pretende reduzir a dependência externa para 45% até 2050, e a Missão 1 da Nova Indústria Brasil (NIB), focada no adensamento da cadeia produtiva local.

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 25/03/2026

Organismos internacionais apontam para riscos do novo sistema tributário do Brasil

Em fase de testes e com previsão de se iniciar no próximo dia 1º de janeiro, a reforma tributária brasileira já foi objeto de estudos de três organismos internacionais: Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Todos reconheceram o impacto da mudança mas, ao mesmo tempo, apontaram para riscos no novo sistema.

Dos três, o mais crítico foi elaborado pelo FMI. O órgão calculou quanto será arrecadado com a reforma e analisou os principais riscos ao novo modelo. As contas indicam uma arrecadação de 12,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2033, o que atenderia ao objetivo de neutralidade - não haver ganhos nem perdas em relação ao sistema atual, cujos recolhimentos somam 12,5% do PIB. No entanto, um cenário mais pessimista poderia reduzir o resultado em até 1,9% do PIB.

Esse resultado é amparado na redução do “gap de conformidade”, que é a diferença entre a arrecadação esperada e a que efetivamente ocorre. Sonegação, elisão (o que deixa de ser pago com o uso de “brechas” da legislação), inadimplência e judicialização são fatores que diminuem o recolhimento de tributos. Na visão do organismo, tornar esse gap menor é o principal desafio.

"Esse é o puxão de orelha talvez mais forte [do estudo]. Eles dizem que, para vocês entregarem uma redução do gap de conformidade, vão ter que fazer uma estratégia de coordenação da atuação dos Fiscos e de gestão de riscos de conformidade. Não é simplesmente a tecnologia que vai reduzir o gap de conformidade", explica o diretor da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda Rodrigo Orair.

O governo brasileiro acredita que o gap de conformidade vai cair ao longo do tempo. Isso porque o novo sistema vai aumentar a formalização de empresas e, pela forma como será recolhido, de forma automática reduzirá a sonegação e inadimplência. Além disso, os técnicos esperam redução de litígios, já que o novo sistema ataca uma das principais fontes de discussão jurídica: se um produto ou serviço adquirido gera crédito tributário.

Assim, a expectativa do governo é que, ao longo do tempo, a conformidade contribua para reduzir em 3 pontos percentuais a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que terá um teto de 26,5%. Contudo, estimativas internas do próprio governo apontam que a Contribuição e o Imposto sobre Bens e Serviços (CBS e IBS) podem ficar com uma alíquota mais próxima de 28%, devido aos vários produtos e serviços favorecidos com alíquotas reduzidas.

O que o estudo do FMI faz é alertar para a dificuldade em se alcançar esse esperado aumento de conformidade. Por exemplo, pela necessidade de coordenação entre União, Estados e municípios para evitar que as fiscalizações fiquem concentradas em alguns pontos e deixem outros sem atenção.

Um risco para a arrecadação, aponta o estudo, é o comportamento das empresas do Simples. A reforma permite que as micro e pequenas empresas optem por um sistema tributário híbrido: recolham contribuições previdenciárias, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pelo sistema simplificado, e os tributos sobre o consumo pelo novo sistema. Isso é vantajoso principalmente para empresas que estão no meio da cadeia, ou seja, tenham como principais clientes outras empresas.

Assim, é possível que haja perda de arrecadação de 0,3 a 0,4 ponto percentual do PIB com a migração de empresas para o modelo híbrido, alerta o FMI. Por outro lado, diz o estudo, a tendência é que haja aumento na formalização, o que poderia trazer ganhos da ordem de 0,2 a 0,5 ponto percentual do PIB. Com isso, a perda seria parcialmente coberta.

Mesmo com os alertas, o FMI chama a reforma brasileira de “landmark”, ou seja, um marco.

O grande número de produtos e serviços que pagarão alíquota reduzida é ponto de crítica dos três estudos. Quanto mais itens ganham tratamento tributário privilegiado, maior é a alíquota que os demais produtos e serviços precisam pagar.

O elevado número de exceções é lamentado também por integrantes do governo brasileiro. Considera-se, porém, que esse foi o preço a pagar para que a reforma fosse aprovada no Congresso Nacional.

Diferente do enfoque na implementação dado pelo FMI, o estudo da OCDE avalia o desenho da reforma e o compara com experiências como Índia e Canadá. Após classificar a reforma brasileira como uma “conquista histórica” (“historic achievement”), o organismo avalia que o IVA do Brasil segue as melhores práticas internacionais. O ponto de crítica são as numerosas exceções.

O estudo do BID, por sua vez, ressalta três pontos da reforma brasileira. O primeiro é a solução federativa. Diferentemente do padrão mundial, o IVA brasileiro é dual, ou seja, uma parte pertence ao governo federal (CBS) e outra, aos Estados e municípios (IBS). Porém, são tributos gêmeos: incidem sobre a mesma base e têm a mesma legislação.

O segundo ponto ressaltado pelo estudo do BID é o split payment generalizado, que representa um salto tecnológico. Quando uma compra for realizada, o IVA será recolhido no ato e imediatamente repassado aos fiscos de União, Estados e municípios. O terceiro ponto é o cashback. O Brasil vai devolver parte do IVA pago pelas famílias que estão no CadÚnico.

Na visão de Orair, esses estudos refletem o reconhecimento do avanço alcançado pelo Brasil, mas, ao mesmo tempo, trazem o estado de atenção dos especialistas quanto à implementação. "É como a mãe que está orgulhosa que o filho passou na faculdade, mas diz que ele precisa estudar, passar nas provas", comparou.

Ele ressalta que os estudos foram elaborados por técnicos de alto nível, o que demonstra o interesse em “entender o que está acontecendo” aqui. “O Brasil, por muito tempo, foi meio patinho feio nos organismos multilaterais em termos de tributação de bens e serviços”, comentou. “Acho que, após a reforma tributária, o Brasil voltou ao centro das atenções.” Outro sinal disso é o ex-secretário extraordinário da Reforma Tributária Bernard Appy ter participado da plenária de abertura do Fórum Global de IVA da OCDE.

 

Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 24/03/2026

 

Produção de aço no Rio chega a 1,4 milhão de toneladas no ano e sustenta força industrial

O Estado do Rio de Janeiro produziu 732 mil toneladas de aço bruto em fevereiro e respondeu por 29% de toda a produção nacional no mês. No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o volume fluminense chegou a 1,4 milhão de toneladas, o equivalente a 27% do total do país. Os números são do Instituto Aço Brasil e reforçam o peso do estado em um dos setores mais estratégicos da indústria brasileira.

Mesmo com a desaceleração nacional, o desempenho do parque siderúrgico fluminense segue relevante. Em fevereiro, a produção brasileira de aço bruto somou 2,5 milhões de toneladas, com queda de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o país produziu 5,3 milhões de toneladas, retração de 3,4% na comparação anual. Ainda assim, o Rio de Janeiro permaneceu entre os principais polos do setor no país.

Em divulgação do governo estadual, o governador Cláudio Castro afirmou que o resultado mostra a importância econômica da atividade para o estado. “O desempenho da indústria do aço evidencia a relevância do Rio de Janeiro em uma área estratégica para a economia nacional. Trata-se de um setor que impulsiona investimentos, gera empregos qualificados e impulsiona diversos segmentos industriais, da construção civil à energia”, disse Cláudio Castro.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Vinicius Farah, também destacou que, mesmo com o recuo da produção brasileira, o parque siderúrgico fluminense manteve volume suficiente para sustentar a posição do estado no setor. “Apesar do cenário de retração, o parque siderúrgico instalado no território fluminense vem mantendo os níveis de produção que o mantêm como segundo maior produtor nacional”, afirmou Vinicius Farah.

 
Fonte: Diário do Rio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 23/03/2026

Choque do petróleo força mercado a rever chance de alta de juros

O choque provocado pela disparada dos preços do petróleo se somou a discursos mais duros de vários bancos centrais e levou a uma reprecificação aguda nos mercados globais de renda fixa na semana passada. Em dias de estresse intenso, investidores passaram a embutir nos preços dos ativos a chance de elevações nos juros em diversas economias, incluindo os Estados Unidos. No Brasil, no auge da tensão, o mercado chegou a abandonar toda a precificação de cortes na Selic neste ano, passando a ver pouquíssimas reduções na taxa básica, apesar da sinalização de um ciclo de calibração dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Entre quinta e sexta-feira, os reflexos do salto do petróleo começaram a ser sentidos de forma mais agressiva nos mercados de juros, que passaram a incorporar mais diretamente os efeitos inflacionários do choque, em um comportamento motivado por discursos mais duros de autoridades monetárias ao redor do globo. A turbulência foi tão relevante que fez os mercados retirarem dos preços novos cortes de juros e, em certos casos, começarem a trabalhar com a chance de elevações nas taxas por alguns bancos centrais.

Alguns países já estavam imersos em ciclos de aperto monetário, como Austrália e Japão, antes do choque do petróleo, mas bancos centrais de outros países tinham adotado o viés de deixar os juros parados por mais tempo ou mesmo de reduzir as taxas ao longo do ano. Esse cenário mudou. O estresse nos juros de mercado fez os ativos trabalharem com a possibilidade de aumento nas taxas na zona do euro e no Reino Unido. E até mesmo nos Estados Unidos - onde o Federal Reserve mantém indicação de um novo corte nos juros até o fim do ano - os preços já sinalizam chance de alta nas taxas.

 

O cenário para o Banco Central Europeu (BCE), nesse contexto, é o mais claro. Após a reunião da semana passada, dirigentes apontaram, em condição de anonimato a agências de notícias, que na próxima reunião podem discutir uma elevação nos juros caso os preços dos combustíveis sigam pressionados. E, nesse contexto, o estresse dos mercados migrou também para uma reavaliação do cenário à frente pelos departamentos econômicos de grandes bancos.

Deutsche Bank, J.P. Morgan, Barclays, Rabobank e Morgan Stanley foram algumas das instituições que passaram a projetar aumentos nos juros pelo BCE ainda este ano. Alguns, inclusive, acreditam que a autarquia pode elevar as taxas de juros da zona do euro já em abril.

“Passamos a incorporar duas altas de juros em nosso cenário. Essa projeção está condicionada à nossa expectativa de inflação, que assume moderação apenas gradual dos preços do petróleo a partir de julho e dos preços do gás apenas no próximo ano”, afirma o economista Greg Fuzesi, do J.P. Morgan, que projeta aumentos nos juros na zona do euro em abril e em julho. “Nosso cenário para o BCE, assim, pressupõe que a situação no Oriente Médio seguirá desafiadora no curto prazo e que os mercados de energia levarão algum tempo para se reequilibrar.”

 

Se, na Europa, já há apostas efetivas em torno de um aperto nas condições monetárias, nos EUA a situação é bem mais nebulosa, ao se levar em conta a pressão da Casa Branca para novos cortes nos juros; a mudança na composição do “board” de diretores do BC com a entrada de Kevin Warsh; os sinais de desaquecimentos do mercado de trabalho americano; e a divisão do Fed quanto a uma redução adicional nas taxas neste ano. Ainda assim, nesse contexto, o mercado de juros americano sofreu um “squeeze” - movimento forçado de preços causado pela saída rápida de posições - na sexta, chacoalhando os mercados globais.

Em alguns momentos, na manhã de sexta-feira, os futuros dos “Fed funds” chegaram a embutir nos preços 45% de chance de pelo menos uma alta nos juros americanos até o fim deste ano, de acordo com dados do CME Group. No fim do dia, o estresse foi parcialmente revertido e o mercado indicava apenas 5,2% de probabilidade de uma alta ocorrer, o que, contudo, não deixa de ser uma reversão relevante de cenário.

“O mercado de juros continua gerando surpresas, com as taxas curtas disparando e já embutindo uma baixa probabilidade de alta de juros. E a volatilidade segue elevada nos trechos mais sensíveis à política monetária”, observam os estrategistas de derivativos de juros do Barclays em nota enviada a clientes. Para eles, contudo, o formato das curvas de juros mostra que o mercado americano ainda vê riscos para as taxas inclinado para baixo, ao contrário da Europa, “indicando que os investidores enxergam uma barra mais alta para o Fed elevar os juros do que para cortá-los”.

 

Na avaliação do economista-chefe para EUA do Société Générale, Jan Groen, as declarações recentes do presidente do Fed, Jerome Powell, e do diretor Christopher Waller sugerem que, caso haja um período prolongado de petróleo acima de US$ 100, o Fed tenderá a focar, sobretudo, nas implicações para a trajetória da inflação. Além disso, Groen observa que a dinâmica inflacionária no segundo semestre deste ano “será determinante para avaliar se as discussões dentro do Fed podem migrar para a possibilidade de altas de juros”.

“Se até meados de 2026 houver sinais de que essa desaceleração [da dinâmica da inflação] não está se materializando, as discussões dentro do Fed devem, a partir da reunião de junho, passar a considerar a possibilidade de altas de juros. Até lá, não se espera que o Fed abandone sua postura atual de manutenção das taxas”, enfatiza Groen, que tem passagens pelo Banco da Inglaterra (BoE) e pela distrital de Nova York do Fed.

No contexto de pressão sobre os mercados de juros globais na semana passada, o Brasil também ficou exposto ao mau humor e, mesmo com uma intervenção recorde do Tesouro Nacional ao recomprar títulos prefixados e NTN-Bs, os juros futuros dispararam ao longo de toda a curva. Nos vencimentos mais curtos, ligados à política monetária, houve uma reprecificação muito relevante: na sexta-feira, o mercado deixou de precificar cortes na Selic e passou a trabalhar com uma taxa que se mantém na casa dos 14% ao longo do ano.


"[A inflação] será determinante para avaliar se as discussões dentro do Fed podem migrar para uma chance de alta de juros”
— Jan Groen

Para se ter ideia da dimensão do estresse, no fim de fevereiro - antes, portanto, do início da guerra no Irã -, o mercado precificava cerca de 3 pontos em cortes na Selic, o que levaria a taxa a 12% no fim do ano. Na sexta-feira, a precificação estava um pouco acima de 14%, após um dia de estresse relevante nos mercados globais e domésticos, quando os preços do petróleo e a instabilidade dos juros americanos ditaram o rumo dos ativos.

A dinâmica recente dos mercados dá fortes indícios de um movimento de desalavancagem forçada de posições. O estrategista de uma importante instituição local nota que, nos últimos dias, os estrangeiros reduziram cerca de US$ 4,5 milhões em risco de mercado (“dv01”) em swaps no último mês, o que ele classifica como uma “desalavancagem bastante agressiva”. Ao mesmo tempo, o profissional lembra que o Tesouro Nacional retirou aproximadamente US$ 3,2 milhões de “dv01” em recompras de títulos, uma intervenção de tamanho recorde, superior inclusive à observada na pandemia de covid-19.

“A mensagem é clara: o posicionamento foi zerado e os prêmios de risco estão elevados. Mas o mercado agora se assemelha mais a uma ‘terra de ninguém’ - com liquidez reduzida, participação limitada e um processo de normalização que tende a levar tempo”, enfatiza o estrategista.

Situação semelhante é observada no mercado de juros reais, com a disparada das taxas das NTN-Bs desde o início da guerra. Na sexta-feira, de acordo com dados da Anbima, a taxa do papel com vencimento em agosto de 2050 subiu de 7,18% para 7,255%.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 23/03/2026

 

Indústria do aço brasileira mostra resiliência e aposta na retomada com impulso das exportações

A indústria do aço no Brasil iniciou 2026 enfrentando desafios relevantes, mas também revelando sinais claros de resiliência e oportunidades promissoras no cenário global. Dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil mostram que a produção de aço bruto em fevereiro somou 2,523 milhões de toneladas, registrando uma queda de 5,7% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do primeiro bimestre, a retração foi mais moderada, de 3,4%, totalizando 5,262 milhões de toneladas.

Apesar da desaceleração produtiva, o desempenho do setor não pode ser analisado de forma isolada. O contexto revela uma reconfiguração importante da dinâmica do mercado, com destaque para o fortalecimento das exportações brasileiras. Em fevereiro, o volume exportado atingiu 1,191 milhão de toneladas, um crescimento expressivo de 55,2% na comparação anual. No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações somaram 2,182 milhões de toneladas, avanço de 30,3% frente ao mesmo período de 2025.

Esse movimento reforça a competitividade do aço brasileiro no exterior e aponta para uma estratégia cada vez mais orientada ao mercado global. Mesmo com oscilações internas, o setor demonstra capacidade de adaptação, aproveitando oportunidades internacionais para manter o ritmo de escoamento da produção.

No mercado doméstico, as vendas internas registraram leve retração. Em fevereiro, foram comercializadas 1,616 milhão de toneladas, queda de 3,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do bimestre, o recuo foi de 4,5%, com 3,177 milhões de toneladas. Ainda assim, há um dado encorajador: o consumo aparente de aço cresceu 3,1% em fevereiro, alcançando 2,167 milhões de toneladas. Esse indicador sugere que a demanda interna segue presente, ainda que com ajustes pontuais.

Outro aspecto relevante é o avanço das importações, que continuam em trajetória de alta. Em fevereiro, o Brasil importou 629 mil toneladas de aço, um aumento de 34,2% na comparação anual. No bimestre, o crescimento foi de 12,2%, totalizando 1,145 milhão de toneladas. Esse cenário reforça a necessidade de atenção à competitividade da indústria nacional, mas também evidencia um mercado interno ativo e abastecido.

No campo das expectativas, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) registrou 49,3 pontos em março, queda de 8,3 pontos em relação a fevereiro, retornando para abaixo da linha dos 50 pontos — patamar que indica menor confiança. Ainda assim, esse movimento pode ser interpretado como reflexo de um momento de cautela diante das incertezas globais, e não necessariamente como sinal de fragilidade estrutural.

Em perspectiva, o setor siderúrgico brasileiro mostra fundamentos sólidos para uma recuperação gradual ao longo do ano. O vigor das exportações, aliado a sinais de consumo interno e à capacidade produtiva instalada, cria um ambiente propício para retomada. Com ajustes estratégicos e atenção ao cenário internacional, a indústria do aço segue como um dos pilares importantes da economia brasileira, pronta para transformar desafios em oportunidades.

 
 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/03/2026