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Queda nas importações de aço já reflete antidumping, mas dimensão é dúvida

Os dados da indústria brasileirade aço no mês de abril chamaram atenção quanto à queda nas importações, após um 2025 de entradas recorde. No quarto mês deste ano, a aquisição no exterior somou 363 mil toneladas, volume que representa um recuo de 33% na comparação anual e de cerca de 40% frente a março. A leitura do mercado é que a redução reflete os efeitos das medidas antidumping adotadas pelo governo federal, mas a dimensão desse movimento considerado positivo, para os próximos meses, ainda é incerta.

Para Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA, o movimento reflete os efeitos das iniciativas de proteção comercial, sobretudo em aço plano. “Depois de um primeiro trimestre mais forte, com antecipação de volumes, abril mostrou uma inflexão clara: a penetração do importado caiu de forma relevante e voltou para níveis mais próximos da média histórica. Em aços longos, o movimento também foi expressivo”, afirmou ao Valor.

Em relatórios, a instituição financeira já vinha destacando que a diminuição das exportações de países asiáticos (China e Coreia do Sul) estava aparecendo nos dados portuários desses países, e que a tendência era que isso se refletisse no Brasil com uma defasagem de três a quatro meses.

Neste contexto, ainda para o analista, a visão é que o decréscimo se apresente mais como uma tendência do que como um evento pontual. “O ponto principal aqui é que os dados de exportação de países como China e Coreia do Sul já sugeriam desaceleração dos embarques para o Brasil, e esse efeito costuma aparecer com alguma defasagem nas estatísticas locais. Esse ‘vácuo’ de produto importado chegando pode abrir espaço para reajustes de preço no mercado brasileiro e deixar o ambiente da indústria mais saudável ao longo dos próximos trimestres”, completou.

A visão foi referendada por empresas do próprio setor durante as teleconferências referentes aos resultados obtidos no primeiro trimestre. “No segundo e no terceiro trimestre, nós vamos ter, com certeza, uma demanda muito interessante por conta dessa queda brutal na importação. A China não chega mais no Brasil. Com as medidas que foram aplicadas corretamente pelo governo, de defesa comercial e de isonomia competitiva, não há a mínima possibilidade de chegar da China”, afirmou ainda em março o diretor executivo comercial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Luis Fernando Martinez.

O presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, por sua vez, vê a situação com mais cautela. “A expectativa é que as importações realmente caiam, mas não nessa intensidade. Nós vamos aguardar para ver o mês de maio, porque pode ter ocorrido algum grau de antecipação nas importações”, ponderou.

Ele avalia que, apesar das medidas tomadas, é preciso fazer um monitoramento para que os importadores não usem outros códigos de identificação, o chamado NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), como alternativa para driblar as taxas aplicadas, para além de processos de antidumping ainda em andamento.

Os possíveis “dribles” dos importadores foram citados pela própria CSN na mesma teleconferência. “Ainda na questão de defesa comercial, a gente tem conversado muito sobre o cuidado com a questão de circunvenção, de desvio de comércio e de mudanças de NCMs para poder eventualmente reclassificar um item e não trazer com a tarifa”, afirmou o executivo da empresa em referência ao diálogo que vem sendo travado com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa.

De todo modo, a notícia é boa para o setor que, segundo Marco Polo, continua com a prioridade absoluta em retomar o mercado interno “sequestrado pelas importações predatórias em 2025”.

Neste contexto, ele aposta ainda em novas medidas nesta frente, como a extensão das iniciativas de proteção aos itens laminados a quente ainda este ano para além do reforço já realizado no fim de maio, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Mdic, estendeu a alíquota de 25% de Imposto de Importação para 23 tipos de aço. Anteriormente, eram 19 tipos atingidos pela taxação.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/06/2026

 

EUA devolvem US$ 22 bilhões em tarifas após decisão da Suprema Corte

Em maio, o Tesouro dos Estados Unidos devolveu quase US$ 22 bilhões em tarifas arrecadadas com importadores, na primeira leva de reembolsos desde que a Suprema Corte derrubou uma parte importante da política comercial do presidente Donald Trump.

O valor devolvido foi próximo ao montante arrecadado com tarifas no mês, segundo comunicado divulgado pelo Tesouro nesta quarta-feira (10). Na prática, isso significa que os reembolsos anularam quase totalmente a receita obtida com tarifas.

O governo começou a processar os reembolsos em abril, depois que a Suprema Corte decidiu que Trump não tinha autoridade para impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).

Ainda assim, o alcance final dos reembolsos segue incerto, já que o governo recorreu da decisão judicial que determinava a devolução dos US$ 166 bilhões arrecadados sob essa autoridade.

Como resultado, a receita líquida obtida com tarifas alfandegárias ficou levemente negativa em maio, em cerca de US$ 42 milhões. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde pelo menos 2015, segundo dados do Tesouro compilados pela Bloomberg.

Questionado sobre o caso durante uma audiência no Congresso na semana passada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os recursos seriam devolvidos às empresas que importaram os produtos tarifados.

No quadro geral das contas públicas, o déficit fiscal dos EUA caiu para US$ 1,25 trilhão nos primeiros oito meses do ano fiscal, uma redução de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 
Fonte: InvestNews
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 11/06/2026

O que o Brasil mais compra e vende para a China? Comércio bateu recorde de US$ 171 bi em 2025

A China é, há mais de 15 anos, o principal parceiro comercial do Brasil, uma relação que movimentou um recorde de US$ 171 bilhões em 2025, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), após atingir US$ 158 bilhõesbilhões em 2024. Entender o que move essa balança comercial, cujo volume é mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos, é fundamental para decifrar a dependência mútua e os rumos da economia brasileira.

De um lado, o Brasil funciona como um grande fornecedor de matérias-primas essenciais para alimentar a população e a indústria chinesa. Do outro, a China abastece o mercado brasileiro com uma vasta gama de produtos industrializados e tecnologia. Essa troca, embora lucrativa para o Brasil, revela um padrão claro: exportamos commodities de baixo valor agregado e importamos bens de alto valor agregado.

O que o Brasil vende para a China

A pauta de exportações brasileiras para o gigante asiático, que totalizou US$ 100 bilhões em 2025, é altamente concentrada em poucos produtos. Três itens sozinhos representam a maior parte do que é enviado para lá, evidenciando a força do agronegócio e da mineração nacional.

Soja: É a estrela absoluta das exportações. Apenas em 2024, o Brasil exportou 74,65 milhões de toneladas do grão para a China, movimentando US$ 36,48 bilhões. O produto é fundamental para a produção de ração animal que sustenta a indústria de carnes chinesa.
Minério de ferro: Essencial para a produção de aço, o minério extraído no Brasil alimenta a construção civil e a indústria manufatureira chinesa.
Petróleo bruto: Para manter sua economia funcionando, a China é uma grande consumidora de energia, e o petróleo brasileiro ajuda a suprir essa demanda crescente.
Carne bovina: O Brasil é um dos maiores fornecedores de carne para o mercado chinês, que tem aumentado o consumo da proteína nos últimos anos.
O que o Brasil compra da China

Enquanto as vendas são concentradas, as compras são muito mais diversificadas, incluindo itens de maior tecnologia e capacidade industrial. Nos últimos anos, novas categorias ganharam destaque.

Veículos elétricos e híbridos: Essa categoria se tornou uma das mais importantes. Marcas como a BYD, que liderou com 61,2% do mercado brasileiro de elétricos em 2024, impulsionam essas importações.
Equipamentos de telecomunicações: Celulares, roteadores, antenas e componentes eletrônicos continuam sendo uma categoria principal de importação.
Máquinas e equipamentos elétricos: Inclui desde peças para a indústria automobilística até eletrodomésticos e ferramentas.
Plataformas de petróleo: Compras de grande valor, como a aquisição de plataformas no valor de US$ 2,7 bilhões no início de 2025, impactam significativamente a balança.
Produtos químicos e farmacêuticos: A China consolida-se como a principal fornecedora do Brasil nesse segmento. O grande destaque recente foi o ano de 2025, quando o país asiático ultrapassou a Rússia pela primeira vez para se tornar o maior exportador de fertilizantes.
Essa dinâmica comercial resulta em um superávit para o Brasil. Em 2025, as exportações de US$ 100 bilhões superaram as importações de US$ 70,9 bilhões, gerando um saldo positivo de aproximadamente US$ 29 bilhões. No entanto, a relação acende um alerta sobre a dependência de commodities e de componentes chineses, mostrando a complexidade de uma das parcerias econômicas mais importantes do mundo para o futuro do país.

 
Fonte: Estado de Minas
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 11/06/2026

Siderurgia brasileira encontra novo equilíbrio em meio às incertezas do mercado global

Depois de quase dois anos convivendo com um ambiente marcado pela pressão das importações, margens comprimidas e excesso de oferta no mercado internacional, a siderurgia brasileira começa a apresentar sinais mais consistentes de mudança. Ainda não se trata de um ciclo robusto de expansão, tampouco de uma recuperação uniforme entre todos os segmentos da cadeia produtiva. Mas alguns indicadores sugerem que o setor ingressa no segundo semestre de 2026 em uma posição significativamente mais confortável do que a observada ao longo dos últimos anos.

A queda expressiva das importações de aço, a recuperação das exportações brasileiras, a melhora da confiança dos empresários e a manutenção dos preços internacionais do minério de ferro em níveis considerados economicamente saudáveis formam um conjunto de fatores que começa a alterar o ambiente competitivo para as usinas instaladas no País.

Ao mesmo tempo, persistem desafios relevantes. A economia chinesa continua perdendo dinamismo, o setor imobiliário do gigante asiático segue distante dos níveis históricos de atividade e o comércio internacional permanece condicionado pelas políticas de defesa comercial adotadas por diversas economias, especialmente Estados Unidos e União Europeia.

É justamente nesse ambiente de contrastes que o mercado brasileiro passa a construir uma trajetória própria, menos dependente apenas do ciclo internacional e mais influenciada pelas medidas internas de proteção comercial e pela recuperação gradual da demanda doméstica.

Um mercado dividido entre dois movimentos

Os números mais recentes mostram que a indústria global do aço continua operando sob duas realidades bastante distintas.

De um lado está a China, responsável por cerca de metade da produção mundial de aço, que segue enfrentando um processo de desaceleração econômica. O índice PMI industrial voltou a registrar 50 pontos em maio, exatamente na linha que separa expansão e contração da atividade manufatureira. A produção industrial chinesa cresceu apenas 4,1% em abril na comparação anual, abaixo das expectativas do mercado, enquanto a produção e o consumo aparente de aço também apresentaram retração em relação ao ano passado.

Esse quadro reforça uma percepção que já domina os analistas do setor: dificilmente a economia chinesa voltará, no curto prazo, ao ritmo de crescimento que sustentou o chamado "superciclo" das commodities nas duas primeiras décadas dos anos 2000. O mercado imobiliário permanece fragilizado, o investimento privado mostra recuperação lenta e o governo concentra esforços em programas pontuais de infraestrutura para evitar uma desaceleração mais intensa.

Ainda assim, o cenário não é totalmente negativo para a indústria siderúrgica. Os preços do aço na China voltaram a apresentar recuperação ao longo de abril e maio, favorecendo uma recomposição gradual das margens das usinas locais. O movimento foi acompanhado pela elevação dos preços de outras matérias-primas, além do aumento dos custos de energia e transporte provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Esse conjunto de fatores ajudou a sustentar as cotações internacionais do minério de ferro, cuja média em maio alcançou US$ 108,4 por tonelada, o maior patamar desde meados de 2024. Apesar de uma acomodação observada nas primeiras semanas de junho, com preços novamente próximos de US$ 100 por tonelada, o mercado continua operando em níveis considerados confortáveis para os grandes produtores globais.

Estados Unidos continuam sustentando os preços do aço

Enquanto a China reduz gradualmente o ritmo de crescimento, os Estados Unidos permanecem exercendo influência importante sobre a formação dos preços internacionais do aço.

O mercado norte-americano segue apresentando demanda consistente, sustentada principalmente pelos investimentos em infraestrutura, energia e manufatura. As cotações da bobina laminada a quente avançaram novamente em maio, encerrando o mês acima de US$ 1.120 por tonelada, enquanto a produção de aço continuou crescendo na comparação anual.

Outro indicador chama atenção: as importações norte-americanas continuam recuando, reflexo direto da política de proteção ao mercado interno iniciada ainda durante a primeira gestão de Donald Trump e preservada, com adaptações, pelas administrações seguintes.

Embora o Brasil permaneça como fornecedor de produtos semiacabados para o mercado norte-americano, especialmente placas de aço, o ambiente comercial continua longe de ser plenamente favorável. As barreiras tarifárias e os mecanismos de defesa comercial limitam o acesso de diversos produtos siderúrgicos ao mercado dos Estados Unidos, impedindo que a recente recuperação das exportações brasileiras seja interpretada como uma mudança estrutural nas condições do comércio internacional.

Na prática, o desempenho observado nos embarques brasileiros em abril reflete muito mais uma recomposição dos volumes exportados após um mês anterior mais fraco do que uma abertura efetiva de novos mercados.

Brasil começa a respirar

Se o ambiente externo continua cercado por incertezas, o mercado doméstico oferece sinais mais claros de melhora.

Os dados mais recentes do Instituto Aço Brasil mostram que praticamente todos os indicadores de atividade registraram retração em abril. A produção de aço bruto caiu para 2,7 milhões de toneladas, enquanto a produção de laminados, as vendas internas e o consumo aparente também apresentaram recuos na comparação com março.

À primeira vista, os números poderiam sugerir perda de dinamismo da indústria. Entretanto, uma análise mais ampla revela uma mudança importante na composição do mercado.

O principal destaque do mês foi a redução de aproximadamente 40% das importações de aço, que recuaram para 363 mil toneladas — o menor volume desde dezembro de 2024. Mais relevante do que o volume absoluto foi a redução da participação do produto importado no consumo aparente brasileiro, que caiu para 17,2%, abaixo da média registrada nos últimos três anos.

Essa mudança representa um dos primeiros efeitos concretos das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro nos últimos meses.

A renovação do regime de cotas e tarifas para importações de aço por mais doze meses, anunciada no fim de maio, preserva um ambiente de maior previsibilidade para as usinas nacionais, reduzindo a pressão exercida pelos produtos importados, sobretudo provenientes da Ásia.

Embora ainda seja cedo para afirmar que o mercado brasileiro entrou em um novo ciclo de crescimento, a menor competição externa tende a favorecer a utilização da capacidade instalada das siderúrgicas locais e contribuir para uma recuperação gradual das margens operacionais ao longo do segundo semestre.

Essa percepção já começa a aparecer também no sentimento dos empresários do setor.


A proteção comercial começa a produzir efeitos

 

A redução das importações talvez seja o indicador mais relevante para compreender o momento vivido pela siderurgia brasileira. Mais do que uma simples variação estatística de um único mês, o recuo de 40% nas compras externas sinaliza uma mudança importante na dinâmica competitiva do mercado nacional.

Nos últimos três anos, a indústria brasileira conviveu com um aumento expressivo da participação do aço importado, principalmente de produtos originários da Ásia. O movimento foi impulsionado pelo excesso de capacidade instalada em diversos países, sobretudo na China, que passou a direcionar parte crescente de sua produção para mercados externos diante da desaceleração da demanda doméstica.

Esse processo pressionou preços, reduziu margens e levou as siderúrgicas brasileiras a intensificarem os pedidos por mecanismos de defesa comercial.

As medidas adotadas pelo governo federal, entre elas a ampliação do sistema de cotas tarifárias para diferentes produtos siderúrgicos, começam agora a produzir efeitos mais perceptíveis. A renovação do regime por mais doze meses oferece previsibilidade às empresas e reduz o risco de uma nova onda de importações em condições consideradas desleais pela indústria nacional.

Embora o volume importado continue elevado em termos históricos, sua participação no consumo aparente caiu para pouco mais de 17%, abaixo da média observada desde 2023. Para o setor, trata-se de um indicador relevante porque significa maior espaço para a produção doméstica abastecer o mercado interno.

Na prática, uma menor competição de produtos importados tende a elevar a utilização da capacidade instalada das usinas brasileiras, melhorar a diluição dos custos fixos e favorecer a recuperação das margens operacionais — um aspecto particularmente importante para empresas que operam com elevados custos de produção.

Naturalmente, a proteção comercial não resolve todos os desafios da indústria. A competitividade continuará dependendo de fatores como custo da energia, logística, disponibilidade de sucata, produtividade industrial e evolução da demanda dos principais segmentos consumidores, como construção civil, infraestrutura, indústria automobilística e bens de capital.

Ainda assim, o atual ambiente representa uma condição mais equilibrada do que a observada recentemente.

Exportações surpreendem, mas exigem leitura cuidadosa

Se a redução das importações representa um dos pilares da melhora do ambiente doméstico, o avanço das exportações brasileiras de aço também merece atenção.

Em abril, os embarques cresceram quase 82% em relação ao mês anterior, impulsionados principalmente pelas vendas de placas e laminados planos.

À primeira vista, o número poderia sugerir uma retomada consistente do comércio internacional. No entanto, essa interpretação merece cautela.

Boa parte desse crescimento decorre da comparação com março, quando os embarques haviam registrado um desempenho excepcionalmente fraco. Em outras palavras, abril representa uma recuperação estatística importante, mas não necessariamente uma mudança estrutural na demanda internacional por aço brasileiro.

Além disso, o comércio global continua marcado por um ambiente protecionista.

Os Estados Unidos mantêm instrumentos tarifários que restringem o acesso de diversos produtos siderúrgicos ao seu mercado. A União Europeia segue utilizando mecanismos de salvaguarda para controlar o ingresso de aço estrangeiro. Outros países também ampliaram medidas antidumping e sistemas de monitoramento das importações.

Esse cenário reduz significativamente o espaço para uma expansão mais acelerada das exportações brasileiras de produtos acabados.

No caso das placas de aço, entretanto, o Brasil mantém posição relativamente confortável graças à competitividade de suas usinas integradas e ao fornecimento para mercados tradicionais, especialmente na América do Norte.

Ainda assim, especialistas avaliam que o crescimento sustentável das exportações dependerá muito mais da recuperação da demanda mundial do que da abertura de novos mercados.

Minério de ferro continua sendo o principal termômetro

Embora a reportagem tenha como foco a siderurgia, é impossível analisar o setor sem observar o comportamento do minério de ferro.

A commodity continua sendo o principal elo entre a economia chinesa e a indústria brasileira.

Em maio, os preços permaneceram acima de US$ 100 por tonelada, sustentados por uma combinação de fatores.

O primeiro deles foi a recomposição dos estoques chineses após o feriado do Dia do Trabalho. O segundo envolveu a recuperação dos preços do aço no mercado asiático, que melhorou temporariamente as margens das siderúrgicas locais. Somaram-se ainda fatores geopolíticos, como o aumento dos custos de frete marítimo e da energia em decorrência das tensões no Oriente Médio.

Apesar disso, poucos analistas apostam em um retorno aos níveis observados durante o auge do ciclo de commodities.

O consenso é que o mercado deverá permanecer operando em uma faixa próxima de US$ 95 a US$ 110 por tonelada, suficiente para garantir rentabilidade às grandes mineradoras, mas distante das cotações superiores a US$ 180 registradas durante os períodos de maior expansão da economia chinesa.

Outro dado importante refere-se aos estoques chineses de minério de ferro, que permanecem elevados. Mesmo com redução das importações em maio, os níveis armazenados continuam acima da média dos últimos três anos, indicando que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda depende mais da disciplina da produção do que propriamente de uma expansão consistente do consumo.

Para o Brasil, essa estabilidade representa uma boa notícia.

Mesmo com a retração mensal dos embarques, a China continua absorvendo aproximadamente três quartos das exportações brasileiras de minério de ferro, preservando sua posição como principal destino da commodity nacional.

Empresas entram no segundo semestre com cenários distintos

O novo ambiente competitivo não afeta todas as empresas da mesma forma.

Entre as siderúrgicas, a Gerdau permanece relativamente bem posicionada por conta da elevada diversificação geográfica. A companhia possui forte presença tanto no mercado brasileiro quanto na América do Norte, reduzindo sua dependência de um único ciclo econômico.

A Usiminas talvez seja uma das maiores beneficiárias da redução das importações. Com atuação fortemente concentrada em aços planos destinados à indústria e ao setor automotivo, a empresa tende a sentir mais rapidamente os efeitos da menor concorrência dos produtos importados.

Já a CSN continua apresentando um perfil mais sensível às oscilações internacionais. Como combina atividades de mineração e siderurgia, seus resultados dependem simultaneamente da evolução dos preços do minério de ferro e do desempenho do mercado de aço.

No caso da Vale, o cenário permanece diretamente ligado à economia chinesa. Enquanto o país asiático continuar consumindo cerca de 70% do minério brasileiro exportado, qualquer mudança no ritmo de crescimento da atividade industrial chinesa continuará sendo determinante para os resultados da companhia.

Essa forte dependência ajuda a explicar por que, apesar da melhora observada em alguns segmentos da siderurgia brasileira, o mercado financeiro ainda acompanha com cautela os indicadores econômicos divulgados por Pequim.

Mais do que qualquer outro fator, eles continuam definindo o humor do mercado internacional de mineração e aço.

 

O segundo semestre será decisivo para confirmar a retomada

 

Embora os indicadores de abril e maio apontem para uma melhora gradual do ambiente de negócios, o desempenho da siderurgia brasileira no restante de 2026 dependerá menos da proteção comercial e mais da capacidade de o mercado interno sustentar uma recuperação consistente da demanda.

Até aqui, parte importante da melhora observada decorre da redução da pressão exercida pelo aço importado. A renovação do regime de cotas e tarifas trouxe maior previsibilidade às empresas, permitindo uma recuperação gradual dos preços domésticos e das margens operacionais. No entanto, essa proteção, por si só, não é suficiente para impulsionar um novo ciclo de crescimento caso os principais segmentos consumidores permaneçam em ritmo moderado.

A construção civil continua sendo um dos principais vetores para o consumo de aços longos. Após um período marcado por juros elevados e retração dos investimentos privados, o setor começa a apresentar sinais de estabilização, impulsionado pela expectativa de flexibilização da política monetária e pela retomada gradual de projetos imobiliários e de infraestrutura. Caso esse movimento se consolide, a demanda doméstica poderá absorver parte importante da capacidade produtiva hoje ociosa.

Outro segmento acompanhado de perto pelas usinas é a indústria automobilística. Apesar das oscilações observadas ao longo dos últimos anos, montadoras instaladas no Brasil voltaram a ampliar investimentos em eletrificação, renovação de plataformas e desenvolvimento de novos modelos. Esse processo tende a beneficiar principalmente produtores de aços planos de maior valor agregado, segmento em que empresas como a Usiminas ocupam posição estratégica.

A agenda nacional de infraestrutura também permanece no radar do setor. Obras ligadas à expansão da malha ferroviária, modernização de portos, saneamento básico, energia e transmissão elétrica podem representar uma fonte relevante de demanda por produtos siderúrgicos nos próximos anos. Entretanto, a velocidade desses investimentos continuará condicionada à execução orçamentária, ao ambiente macroeconômico e à confiança dos investidores.

China continuará determinando o humor do mercado

Se o mercado doméstico ganhou importância para os resultados das siderúrgicas brasileiras, o cenário internacional continuará sendo definido, em grande medida, pela economia chinesa.

A desaceleração observada nos últimos meses não indica uma crise de curto prazo, mas sim uma mudança estrutural no padrão de crescimento do país. O modelo baseado em expansão acelerada do setor imobiliário perdeu força, enquanto novos vetores, como tecnologia, energia limpa e manufatura de maior valor agregado, ainda não compensam integralmente a redução da demanda por aço tradicional.

Esse novo contexto deverá manter o consumo chinês em patamares elevados, porém com crescimento mais moderado do que aquele observado durante o chamado superciclo das commodities.

Para produtores brasileiros de minério de ferro, isso significa conviver com um mercado menos exuberante, porém mais previsível. Preços próximos de US$ 100 por tonelada continuam proporcionando elevada rentabilidade para operações de grande escala, embora reduzam o potencial de ganhos extraordinários observado em ciclos anteriores.

Ao mesmo tempo, permanecem no horizonte fatores de risco capazes de alterar rapidamente esse equilíbrio. Tensões geopolíticas, mudanças na política comercial norte-americana, novas medidas antidumping e oscilações na atividade industrial chinesa continuarão influenciando diretamente o comportamento dos preços internacionais do aço e do minério.

Uma indústria mais preparada

Apesar desse ambiente ainda cercado por incertezas, a indústria siderúrgica brasileira chega ao segundo semestre em condições mais favoráveis do que as registradas ao longo dos últimos dois anos.

A redução das importações devolve competitividade ao mercado doméstico. A recuperação das exportações demonstra que o parque siderúrgico nacional mantém capacidade de atender clientes internacionais quando as condições de mercado permitem. A melhora dos índices de confiança revela empresários mais otimistas quanto à evolução dos negócios. E a estabilidade dos preços do minério contribui para preservar o equilíbrio financeiro de toda a cadeia mineral e siderúrgica.

Mais importante, porém, é que esses fatores ocorrem simultaneamente.

Historicamente, momentos de recuperação sustentada da siderurgia brasileira costumam surgir justamente quando proteção comercial, melhora da demanda doméstica e estabilidade dos preços internacionais convergem em uma mesma direção.

Ainda é cedo para afirmar que um novo ciclo de crescimento esteja plenamente consolidado. O mercado global continua convivendo com excesso de capacidade produtiva, disputas comerciais e incertezas econômicas. Entretanto, os indicadores recentes sugerem que o ambiente deixou de se deteriorar e começa, gradualmente, a favorecer novamente a indústria instalada no País.

Para as empresas brasileiras, o desafio agora deixa de ser apenas resistir à concorrência internacional e passa a ser aproveitar essa janela para elevar produtividade, investir em descarbonização, ampliar eficiência operacional e consolidar ganhos de competitividade.

Mais do que uma recuperação conjuntural, o setor parece entrar em uma fase de reconstrução de sua capacidade de competir em um mercado global cada vez mais exigente.

Os números que explicam o momento da siderurgia

Abril/Maio de 2026

Importações brasileiras de aço: -40%
Exportações brasileiras de aço: +81,9%
Produção brasileira de aço bruto: -3,8%
Consumo aparente: -12%
Confiança da indústria do aço: 59,9 pontos (maior nível desde outubro de 2024)
Minério de ferro: US$ 108,4/t (média de maio)
Participação da China nas exportações brasileiras de minério: 73,4%
Cinco fatores que o setor acompanhará até o fim de 2026

1. Economia chinesa
A velocidade da recuperação industrial continuará determinando a demanda global por minério de ferro e aço.

2. Defesa comercial
A manutenção das cotas e tarifas será decisiva para preservar o espaço conquistado pela indústria nacional.

3. Investimentos em infraestrutura
Projetos públicos e privados poderão elevar significativamente o consumo doméstico de aço.

4. Política monetária
A redução dos juros tende a estimular construção civil, indústria e bens de capital.

5. Descarbonização
A competitividade futura dependerá cada vez mais de investimentos em eficiência energética, reciclagem, hidrogênio de baixo carbono e redução das emissões de CO?.

Conclusão

Os números mais recentes mostram que a siderurgia brasileira ainda está longe de um cenário de euforia. A produção permanece moderada, o consumo doméstico segue abaixo do potencial e o ambiente internacional continua marcado por incertezas. Ainda assim, os indicadores revelam uma inflexão importante: pela primeira vez em muitos meses, a indústria passa a reunir fatores positivos simultâneos — menor pressão das importações, recuperação das exportações, melhora da confiança empresarial e maior previsibilidade regulatória.

Mais do que anunciar um novo ciclo de crescimento, esses sinais indicam que o setor começa a reconstruir suas bases competitivas. Em um mercado global onde eficiência, inovação e sustentabilidade se tornam cada vez mais determinantes, essa pode ser a principal conquista da siderurgia brasileira em 2026.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 11/06/2026

União Europeia acelera negociação com Brasil por terras raras após Trump fechar compra de mineradora

A União Europeia (UE) quer entrar na disputa pelas reservas de terras raras no Brasil, com Estados Unidos e China. A Comissão Europeia pretende intensificar a negociação para chegar a uma parceria em território brasileiro e um acordo com o governo federal.

O objetivo de fundo é assegurar suprimentos para as indústrias estratégicas europeias, entre elas as de tecnolgia e defesa, e escapar do controle de chinês no segmento e do apetite americano disparado por Donald Trump.

Diplomatas brasileiros afirmaram que os europeus demostraram preocupação com o avanço dos EUA e da China nas reservas de minerais críticos da América do Sul. Embora o subsolo nacional não tenha sido totalmente mapeado, estima-se que o País detenha a segunda maior reserva de terras raras do mundo (23%) e cerca de 21 milhões de toneladas.

A UE vai despachar ao Brasil, entre 18 e 24 de junho, o comissário de Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, responsável por tratar do tema e assegurar o que os europeus chamam de uma “cadeia de suprimentos segura e sustentável” de matéria-prima crítica.

O comissário visitará Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ele estará acompanhado lideranças do projeto de investimento europeu Global Gateway, da diplomacia do bloco e também do Banco Europeu de Investimentos (BEI).

No sábado, dia 20, Síkela vai visitar um dos projetos de terras raras atualmente em avaliação de investimentos europeus, o Colossus, da empresa australiana Viridis, em Poços de Caldas (MG).

Funcionários europeus em Bruxelas veem uma oportunidade para a Europa, oferecendo o que chamam de parcerias “confiáveis” e “estáveis”, enquanto existe instabilidade global por causa da disputa franca por liderança e uma guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Os europeus falam em oferecer tecnologia, formação e investimento produtivo, seguindo os seus parâmetros climáticos e sociais.

A UE montou com os governos de Brasil, Argentina e Bolívia grupos de trabalho para selecionar seus projetos prioritários a fim de receber aportes. Os europeus também mostraram os seus interesses, e os portfólios foram cruzados e mostrados a empresas do bloco. O objetivo é criar conexão industrial entre as empresas locais sul-americanas e as europeias.

Interlocutores europeus querem diversificar suas fontes de acesso a minerais críticos, entre eles os elementos de terras raras abundantes no Brasil, mas escassos no restante do mundo (exceto a China). Eles fizeram chegar aos governos que estão dispostos a investir dinheiro nos países, “mas não para que refinem o lítio e o mande de volta para a China”.

Os europeus são claros: buscam diversificar a cadeia de suprimentos e garantir independência, para escapar de quem, com uma ordem política, “fecha o mercado de exportação e paralisa a indústria automobilística alemã“. O agente oculto é a China.

Como retaliação à guerra comercial com os EUA, Pequim já represou a exportação de minerais críticos, o que afetou a indústria americana, inclusive a indústria de defesa.

Em janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o acordo em discussão com o Brasil nortearia a cooperação e projetos de investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras.

“Isto é fundamental para as nossas transições digital e limpa, bem como para a nossa independência estratégica num mundo onde os minerais tendem a tornar-se um instrumento de coerção”, disse ela.

O bloco europeu sabe que será difícil cobrar exclusividade - o governo brasileiro já recusou um acordo nessas bases com os EUA - mas exigem que ao menos parte das exportações dos insumos volte à Europa. Dizem, em contrapartida, que vão investir em produtos de valor agregado feitos localmente.

Ofensiva europeia ocorre após EUA comprarem participação em mineradora brasileira

A viagem de Síkela e a ofensiva europeia ocorrem depois de os Estados Unidos aportarem recursos e comprarem participação na Serra Verde, que explora terras raras leves e pesadas em Minaçu (GO), também em busca de alternativas um mercado global dominado pela China - Pequim concetra cerca de 70% da capacidade de exploração e 90% do refino. A compra foi feita pela mineradora USA Rare Earth, da qual o governo Trump passará a ser acionista.

A China é o principal detentor e, sobretudo, processador de minerais críticos do mundo e terá um papel central nas próximas duas décadas, conforme projeções da Agência Internacional de Energia (AIE).

Pequim domina o refino de 19 dos 20 minerais críticos listados em estudo da agência Perspectivas Globais para Minerais Críticos 2025: com 44% do cobre, 70% do lítio, 92% das terras raras, 95% do grafite e 99% do gálio.

Além de avaliar um projeto em concreto, a UE e o governo brasileiro discutem formalizar um acordo, ainda com termos mais genéricos, para dar base à cooperação em terras raras e outros minerais críticos.

Segundo apurou o Estadão, os primeiros rascunhos do acordo não agradaram ao Brasil, porque se limitavam a discutir aspectos da extração mineral. Pessoas com acesso ao texto falam em tratativas para um memorando de entendimentos, espécie de carta de intenções - algo que a UE já assinou com Argentina e Chile.

Brasil quer que acordo inclua beneficiamento, e não apenas extração

Representantes do Brasil avisaram Bruxelas que o acordo só será fechado se incluir beneficiamento e investimentos novos de europeus no País. Existem fundos que a UE pode mobilizar para financiar empresas europeias interessadas em reservas de terras raras.

Enquanto o País ainda discute uma política nacional - um marco legal foi aprovado na Câmara e agora tramita no Senado -, o governo Lula adotou como diretriz firmar apenas acordos mais gerais, mas que deixem claro o interesse em parcerias que induzam a criação de uma cadeia industrial no País, voltada ao processamento e refino de terras raras ao invés da exportação de matéria-prima bruta.

Os recados do governo nesse sentido parecem ter sido ouvidos. Interlocutores em Bruxelas e Luxemburgo afirmam que a parceria em discussão vai seguir um “modelo europeu” voltado também ao “benefício público” e que não se limita à exportação 100% da matéria-prima e haverá desenvolvimento da indústria local.

A conclusão de um financiamento é considerado um projeto de prazo médio a longo. No Brasil, o BEI vai mobilizar equipe técnica, de project finance, setor público e manter conversas com o BNDES e o BDMG.

Há interesse da UE em um contrato de offtake, com um comprador europeu adquirindo a produção antes mesmo de a operação começar. Segundo fontes a par das tratativas, essa é uma condição considerada muito importante em Bruxelas em Luxemburgo. Eles querem assaegurar a diversificação da distribuição dos minerais para que vão sejam enviados a outras partes do mundo e beneficie a Europa.

Se não o todo, o que poderia cair na exclusividade e veto à venda a outros países (o que o governo Lula rechaça), um percentual relevante que aumente o acesso da Europa às reservas de terras raras.

Os europeus indicaram estar de acordo com o processamento industrial local no Brasil - ao menos em parte - e que com o tempo poderia ser completo, idealmente, se houver capacidade produtiva instalada.

O Banco Europeu de Investimentos (BEI) já financiou projetos dentro da Europa e agora busca os primeiros na América Latina. São projetos considerados de médio a longo prazo.

Eles participam da atual edição da Exponor, em Antofagasta, no Chile, uma das feiras mais tradicionais do setor mineral. E também observam oportunidades em outros países com reservas minerais relevantes, entre eles a Argentina.

Dois funcionários técnicos do BEI vão acompanhar a visita de Síkela. Não há um montante pré-definido para o crédito - a instituição financeira vai avaliar caso a caso os projetos, de acordo com a demanda de financiamento.

O banco é uma institutição que age sob interesse direto de empresas europeias, com a orientação política da UE. Ajuda empresas europeias a acelerarem investimentos e trabalha com empresas locais parceiras delas. O interesse é justamente procurar fornecedores de materiais estratégicos que faltam na Europa e existem em abundância na América.

Impacto do acordo Mercosul-UE

Eventual aporte de investimentos empresariais e o memorando em discussão com o governo brasileiro devem se beneficiar das regras previstas no acordo de comércio entre Mercosul e a UE, em vigor desde 1º de maio.

O tratado de livre comércio prevê preferências tarifárias para minerais e tem uma cláusula que vale só para o Brasil, dando ao governo a capacidade de exercer, no futuro, algum grau de controle sobre as exportações de terras raras. O objetivo, segundo diplomatas, era proteger as reservas e evitar que fossem destinadas à exportação como matérias-primas brutas.

Se o governo vier a aplicar alguma taxa sobre a exportação, a União Europeia vai preservar uma preferência, ou seja, terá um tratamento melhor, uma margem mais baixa em relação a outros países.

 
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 10/06/2026

 

A UE estabelece um quadro jurídico para proteger o mercado do aço.

Segundo o correspondente da Agência de Notícias do Vietnã em Bruxelas, o Conselho da União Europeia (UE) adotou oficialmente, em 8 de junho, um novo regulamento que estabelece um quadro legal para proteger o mercado siderúrgico do bloco da sobreoferta global. Esta é uma medida que a UE considera essencial para resgatar sua indústria fundamental, que enfrenta dificuldades.

As novas regulamentações, que entram em vigor em 1º de julho, substituirão as medidas de proteção da UE para a indústria siderúrgica, que expiram em 30 de junho.

Representando a presidência rotativa da UE, Michael Damianos, Ministro da Energia, Comércio e Indústria da República de Chipre, afirmou que "o aço é indispensável para a base industrial da Europa, para a sua transição verde e para a segurança do bloco".

Ao adotar o regulamento mencionado, a UE está a estabelecer um quadro mais robusto para responder à volatilidade do mercado global, proteger a concorrência leal e proporcionar garantias tanto aos produtores de aço como às indústrias subsequentes.

De acordo com as novas regulamentações, o sistema de quotas tarifárias (TRQ) foi reformulado para se tornar mais rigoroso. Especificamente, as quotas de importação serão reduzidas e o imposto sobre o aço que exceder a quota será significativamente aumentado. Esta é a principal medida para limitar a entrada de aço barato no mercado da UE.

Em paralelo, a regulamentação permite que as empresas transfiram quotas não utilizadas de um trimestre para outro dentro do mesmo ano. Essa flexibilidade ajuda a evitar o desperdício de quotas devido a flutuações sazonais, ao mesmo tempo que controla o volume total anual de importações.

Além disso, a cláusula de "fusão e vazamento" estipula a verdadeira origem do produto, especificando onde o aço é primeiramente fundido e moldado em forma sólida. Essa medida visa impedir a burla da lei por meio da transferência de aço através de um terceiro país para "mascarar" sua origem antes de entrar no mercado da UE.

Com essa disposição, as autoridades aduaneiras europeias têm uma base legal para rastrear a verdadeira origem de um produto, independentemente do número de portos intermediários pelos quais ele passe.
Os regulamentos também estabelecem um mecanismo de revisão periódica reforçado, permitindo à Comissão Europeia avaliar e recomendar ajustes à medida que o mercado se altera.

Esta é uma diferença fundamental em relação às antigas e rígidas medidas de salvaguarda. Na declaração conjunta que acompanha o regulamento, o Conselho da UE, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia reafirmaram o seu compromisso de reduzir a dependência económica da Rússia, promovendo simultaneamente um roteiro para a eliminação gradual dos produtos siderúrgicos russos do mercado da UE.

A decisão de 8 de junho é uma clara indicação da direção da política industrial europeia. A UE opta por proteger a sua produção nacional de aço como prioridade estratégica, não só para o emprego e a economia regional, mas também porque o aço é a espinha dorsal das capacidades de defesa e da transição energética.

Segundo as previsões, o excedente global de aço atingirá 721 milhões de toneladas em 2027, cinco vezes o consumo anual de toda a UE. Entretanto, a Europa é praticamente o único mercado aberto para esse excedente de aço devido às tarifas americanas e à contínua produção em larga escala da China.

Como resultado, prevê-se que as siderúrgicas europeias operem com apenas 67% da capacidade até 2024, um nível perigoso que torna a recuperação do investimento praticamente impossível.

Desde 2007, a indústria siderúrgica da UE teve que reduzir a produção em aproximadamente 65 milhões de toneladas e cortar 100.000 postos de trabalho. Atualmente, o setor emprega diretamente cerca de 300.000 pessoas e sustenta as economias de muitas regiões dos Estados-Membros.

 
Fonte: Vietnam.vn
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/06/2026