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Minas pode ampliar vendas aos EUA com aços especiais e peças aeronáuticas

Após registrarem queda de US$ 984 milhões em 2025, as exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos têm oportunidades de crescimento, sobretudo nos setores de aços especiais e equipamentos de alta precisão para aeronaves. Esses itens compõem a pauta de dez itens mais vendidos pelo Brasil para o país norte-americano em 2025, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O economista especializado em gestão de recursos e professor de economia do Ibmec Brasília Renan Silva defende a verticalização da venda dos produtos de siderurgia em vários subsegmentos, incluindo aços especiais, componentes usinados, peças automotivas, maquinário e equipamentos mais complexos.

“Minas tem esse know-how, tem uma metalomecânica (setor industrial que transforma matérias-primas metálicas em componentes) avançada, com empresas que estão capacitadas a produzir esses equipamentos e peças de alta precisão do setor aeronáutico, que também são uma possibilidade de avanço. Então, dentre os vários produtos que Minas exporta, eu diria que esses segmentos estão mais subdimensionados em relação ao nosso segundo parceiro de exportação, que são os Estados Unidos”, afirma.

Grupo de exportação | Brasil | Minas Gerais (em milhões)

Produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço | US$ 3.363,0 bilhões | US$ 99,1 milhões;
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas | US$ 1.744,3 bilhão | US$ 1,2 bilhão;
Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes | US$ 3.050,6 bilhões | US$ 1,9 milhão.
Principais produtos exportados por Minas Gerais aos EUA – 2025

Café não torrado: US$ 1,5 bilhão;
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: US$ 1,2 bilhão;
Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: US$ 125,6 milhões;
Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: US$ 99,1 milhões;
Celulose: US$ 48,4 milhões;
Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): US$ 10,8 milhões;
Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes: US$ 4,5 milhões;
Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: US$ 1,9 milhão;
Sucos de frutas ou de vegetais: US$ 157,1 mil.
Foco da venda está na Ásia, mas pode ser ampliado

O especialista ainda declara que, hoje, as vendas externas brasileiras e mineiras estão mais focadas no mercado asiático, em especial na China, do que nos Estados Unidos. Segundo ele, é preciso o desenvolvimento de uma estratégia em inteligência comercial para ampliar as exportações. “Isso gera uma oportunidade para tentar avançar já que a economia americana continua robusta, com 18% do PIB global. Certamente há mais concorrência especializada nos Estados Unidos, mas nada que o Brasil não possa fazer frente”, completa.

De acordo com o professor do Ibmec, a diversificação da exportação é questão de segurança da pauta externa. “O Brasil não pode depender tanto da China como está dependendo. É preciso fortalecer os laços com os Estados Unidos pois ainda são a maior economia do planeta, ainda estão US$ 10 trilhões à frente da China, com uma renda muito robusta. É um mercado para o qual não se deve dar as costas”, pontua Silva.

Como melhorar as exportações para os EUA

O economista especializado em Corporate Financial Strategy pela Universidade de Chicago e em Business Analytics pela Universidade de Cambridge Renan Silva elenca as prioridades a serem defendidas pelas empresas e pelos governos para que a pauta de exportação possa ser ampliada no País e no Estado.

Governos devem:

Intensificar investimentos em inovação e capacitação tecnológica;
Investir para melhorar a eficiência logística e, portanto, reduzir custos;
Estudar a possibilidade de criação de uma política de fomento para a exportação;
Equilibrar as contas para baixar os juros brasileiros.
Indústrias devem:

Agregar valor aos produtos;
Verticalizar a cadeia produtiva (exportar outros subsetores);
Buscar a diversificação de exportação (EUA estão nesse foco);
Manter capital intensivo em inovação e capacitação tecnológica (concorrência é acirrada no exterior);
Buscar uma logística eficiente.
“Pensar como melhorar as exportações nos remete a nossos problemas estruturais. Temos que ter um plano de País, de longo prazo, assim como fez, muito bem-sucedido, a Coreia do Sul nos anos 1980”, analisa. Apesar da complexidade do processo, ele lembra que um plano é totalmente possível.

“A indústria instalada em Minas tem know-how. Não parte do zero. Estamos falando em aumentar a exportação e a competitividade em um segmento que já é robusto em Minas, que tem uma boa base para ser potencializada, apesar de não ser uma tarefa simples”, finaliza.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 16/03/2026

Tarifas fizeram venda de aço do Brasil aos EUA cair, mas recuo foi menor que média global, diz Fiemg

Estudo elaborado pela Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que, um ano após a entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço importado, as compras de aço brasileiro pelo mercado americano registraram queda. A pesquisa, realizada por intermédio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg, aponta que, em 2025, os embarques do Brasil para os Estados Unidos recuaram 8,3% frente a 2024, totalizando 3,7 milhões de toneladas. No mesmo período, as importações globais de aço pelos EUA caíram 12,6% em volume na comparação com o ano anterior.

As tarifas de 25% sobre o aço importado entraram em vigor em 12 de março de 2025 e foram posteriormente elevadas para 50% em junho do mesmo ano.

Em nota, a Fiemg ressalta que, no caso brasileiro, a queda menor em relação à média global reflete a forte integração produtiva entre siderúrgicas brasileiras e a indústria dos Estados Unidos. Foram priorizados fornecedores com cadeias mais conectadas ao mercado dos EUA, o que contribuiu para preservar parte do espaço ocupado pelo Brasil nas importações de aço do país.

Em 2025, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá e à frente do México. "O resultado demonstra que, mesmo diante das restrições comerciais, o aço brasileiro segue ocupando espaço relevante e competindo com os principais fornecedores do entorno imediato do mercado dos EUA", diz a nota divulgada pela Fiemg.

O estudo também analisou os impactos para Minas Gerais, maior produtor de aço bruto do país, responsável por cerca de 30% da produção brasileira e um dos principais exportadores do setor. No mercado dos Estados Unidos, as exportações mineiras de aço cresceram 15% em volume até o fim de 2025, mas registraram queda de 26% em valor, evidenciando uma mudança no perfil das vendas externas.

De acordo com o levantamento, esse movimento ocorreu principalmente pela ampliação dos embarques de aços semiacabados, que possuem menor valor agregado e são utilizados como insumo para processamento em outros países.

Em 2024, por exemplo, apenas 19% das exportações de aço aos Estados Unidos eram de semiacabados, enquanto 81% correspondiam a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com o novo quadro tarifário, os semiacabados passaram a responder por 53% da pauta exportadora. A Fiemg ressalta que esse cenário revela que diante da situação comercial mais desafiadora, os produtos diretamente dependentes de transformação posterior foram priorizados, enquanto os aços acabados precisaram buscar outros mercados.

“O tarifaço alterou de forma relevante a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações aos Estados Unidos, que passaram a se concentrar mais em produtos de menor valor agregado. Ao mesmo tempo, preocupa o avanço das importações de aço, especialmente em um contexto de excesso de oferta global, pressão sobre preços e risco de práticas desleais de comércio, o que exige atenção redobrada à competitividade da indústria brasileira”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/03/2026

 

Vendas de aço da CSN caem para 995 mil toneladas pressionadas por importações

As vendas de aço da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) somaram 995 mil toneladas no quarto trimestre de 2025, queda de 5,9% em relação ao trimestre anterior e de 15,3% na comparação com o mesmo período de 2024.

Segundo a companhia, além da sazonalidade típica do período, a retração reflete o alto nível de estoques entre distribuidores no mercado doméstico, o volume ainda elevado de material importado no país e as barreiras tarifárias enfrentadas no mercado externo.

No mercado interno, as vendas alcançaram 757 mil toneladas entre outubro e dezembro, recuo de 2,9% ante o terceiro trimestre e de 13,6% na base anual. Já as exportações totalizaram 238 mil toneladas, queda de 14,3% na comparação trimestral e de 20,5% frente ao quarto trimestre de 2024.

A empresa destacou ainda que, pela primeira vez desde 2019, não realizou exportações diretas de seus produtos.

O preço médio no mercado doméstico ficou em R$ 4.893 por tonelada no trimestre, praticamente estável frente ao período anterior, mas 4,6% abaixo do registrado um ano antes. A companhia atribui o desempenho ao ambiente competitivo no mercado interno, pressionado pela presença de aço importado.

No mercado externo, por outro lado, o preço médio avançou 19,9% na comparação trimestral, para R$ 5.839 por tonelada, impulsionado por melhora no mix de vendas.

Mesmo com a queda nos volumes comercializados, o Ebitda ajustado da divisão de siderurgia atingiu R$ 700,2 milhões no quarto trimestre, alta de 63,5% frente ao trimestre anterior e de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024. A margem Ebitda ajustada ficou em 13,4%.

O resultado, no entanto, foi influenciado por efeitos não recorrentes ligados à ociosidade produtiva causada pelo menor nível de utilização da capacidade instalada. Segundo a CSN, o impacto contábil foi de R$ 314 milhões no período, referente à alocação de custos fixos não absorvidos.

Desconsiderando esse efeito, o Ebitda teria sido de R$ 386,2 milhões, com margem de 7,4%. Nesse cenário, o desempenho representaria piora em relação ao trimestre anterior, já que o menor volume de vendas de aço superou o impacto positivo da queda no custo da placa.

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/03/2026

 

Medida para conter preço do diesel tem impacto limitado sobre inflação, apontam analistas

A decisão do governo federal de zerar tributos sobre o diesel e criar mecanismos de compensação para conter a alta do combustível deve aliviar parte da pressão sobre os preços no Brasil, mas o impacto sobre a inflação tende a ser limitado. Avaliações de economistas indicam que, embora a medida ajude a suavizar os efeitos da disparada do petróleo no mercado internacional, ela não é suficiente para neutralizar completamente o aumento dos custos energéticos na economia.

O pacote anunciado busca reduzir o impacto imediato da alta do petróleo, intensificada por tensões geopolíticas que elevaram as cotações globais da commodity. Para isso, o governo decidiu eliminar a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel e oferecer subsídios para produtores e importadores do combustível. A expectativa é que as medidas reduzam em cerca de R$ 0,64 o preço do litro do diesel, considerando a combinação de corte de impostos e subvenção financeira.

Além disso, o governo também instituiu uma taxação temporária sobre a exportação de petróleo e derivados, com o objetivo de compensar a perda de arrecadação causada pela desoneração. A estimativa oficial é de que o pacote tenha impacto fiscal de cerca de R$ 30 bilhões, mas com efeito neutro nas contas públicas graças à nova tributação sobre as exportações.

Alívio pontual para um insumo estratégico

O diesel tem papel central na economia brasileira, especialmente no transporte de cargas e na produção agrícola. Qualquer variação relevante no preço do combustível costuma repercutir em toda a cadeia produtiva, afetando custos logísticos e o preço final de diversos produtos.

Por essa razão, o objetivo da medida é evitar que o choque internacional do petróleo se transforme rapidamente em pressão inflacionária doméstica. Ao reduzir temporariamente o custo do combustível, o governo busca preservar a estabilidade de preços em setores sensíveis, como alimentos, transporte e logística.

Especialistas avaliam, no entanto, que o efeito direto sobre a inflação deve ser relativamente pequeno. Isso ocorre porque o diesel representa apenas uma parte da composição do índice de preços ao consumidor e porque outros fatores — como câmbio, demanda e custos de produção — também influenciam o comportamento da inflação.

Alta global do petróleo continua sendo fator determinante

Mesmo com a desoneração, a dinâmica do mercado internacional de petróleo segue sendo o principal determinante do custo do combustível. A recente escalada das cotações globais, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevou o preço do barril e aumentou a pressão sobre países importadores de derivados.

No caso brasileiro, a situação é ainda mais sensível porque parte do diesel consumido no país precisa ser importada. Estimativas apontam que cerca de um quarto da oferta nacional depende do mercado externo, o que torna o país vulnerável às oscilações internacionais de preços.

Dessa forma, mesmo com medidas de alívio tributário, o impacto do petróleo mais caro tende a persistir na economia, especialmente se o cenário externo permanecer volátil.

Equilíbrio entre controle de preços e sustentabilidade fiscal

Para analistas, o pacote representa uma tentativa de equilibrar duas prioridades: conter a inflação e preservar o equilíbrio fiscal. Ao compensar a renúncia tributária com novas fontes de arrecadação, o governo busca evitar que a política de controle de preços gere desequilíbrios nas contas públicas.

Embora o efeito inflacionário seja considerado modesto, economistas avaliam que a medida pode ajudar a reduzir incertezas e oferecer maior previsibilidade para setores intensivos em transporte, como agronegócio e logística.

Nesse contexto, o pacote funciona como um instrumento de curto prazo para suavizar choques externos, enquanto o desempenho da inflação brasileira continuará dependendo, em grande medida, da evolução do mercado internacional de petróleo e das condições econômicas globais.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 13/03/2026

 

Vorcaro e sua ligação com a mineração

A relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Lucas Prado Kallas ganhou atenção após registros indicarem que os dois viajaram juntos à Venezuela e, poucos dias depois, tiveram acesso ao Palácio do Planalto. A proximidade entre os empresários ocorre em um momento em que Kallas é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Minas Gerais.

Viagem à Venezuela aproximou Vorcaro e Kallas

Registros de e-mails encontrados no celular de Daniel Vorcaro mostram que ele e Lucas Kallas estiveram hospedados em Caracas entre 27 de novembro e 1º de dezembro de 2023 para avaliar oportunidades de negócios no setor de petróleo.

A estadia incluiu a reserva de duas suítes em um hotel da capital venezuelana, com custo aproximado de US$ 23 mil, equivalente a cerca de R$ 121 mil. Dias depois da viagem, ambos tiveram entrada registrada no Palácio do Planalto, em Brasília, no mesmo horário.

Segundo registros de acesso do Gabinete de Segurança Institucional obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, Vorcaro e Kallas passaram pela portaria do prédio às 15h43, no dia 4 de dezembro de 2023. O compromisso, no entanto, não apareceu na agenda oficial do governo.

O Palácio do Planalto informou posteriormente que houve agenda institucional apenas com Lucas Kallas, afirmando não haver registro formal de reunião com Vorcaro.

Empresário é ligado ao setor mineral e à Cedro Mineração

Lucas Prado Kallas é um empresário mineiro conhecido por sua atuação no setor de mineração e infraestrutura. Ele esteve à frente do Grupo Cedro, conglomerado que controla a Cedro Mineração e possui investimentos em logística e portos voltados ao escoamento de minério.

O empresário também chegou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República, conhecido como “Conselhão”, colegiado criado para discutir políticas de desenvolvimento econômico no país.

Operação Parcours investiga mineração ilegal na Serra do Curral

A Polícia Federal colocou Kallas no centro da Operação Parcours, investigação que apura um suposto esquema de exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, área tombada como patrimônio histórico de Belo Horizonte.

De acordo com as investigações, empresários teriam utilizado um plano de recuperação ambiental como justificativa para ampliar a extração mineral na região por vários anos, gerando impactos ambientais significativos. O prejuízo estimado pelas autoridades chega a cerca de R$ 832 milhões.

As apurações também apontam suspeitas de pagamento de propina a servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) para facilitar a continuidade das atividades na área, mesmo diante de restrições legais.

A investigação envolve ainda outros empresários e intermediários ligados ao empreendimento minerário.

Defesa nega irregularidades

Em manifestações públicas, Lucas Kallas afirmou que sua inclusão no inquérito é indevida. Segundo sua defesa, ele foi apenas sócio-investidor em uma das empresas envolvidas entre 2012 e 2018 e não ocupou cargo de gestão na mineradora investigada.

O empresário sustenta que as irregularidades apontadas pelas autoridades teriam ocorrido anos após sua saída do negócio. A Polícia Federal, por sua vez, continua analisando documentos e movimentações relacionadas ao caso.

 
Fonte: Cidades & Minerais
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/03/2026

 

Medidas antidumping sobre aço chinês podem se revelar inúteis

As tarifas antidumping que o Brasil adotou recentemente contra as importações de aço da China podem sair pela culatra e não dar em nada. Segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11), ainda existem riscos elevados de que a pressão das importações persista no mercado siderúrgico local.

“Experiências anteriores em vários países sugerem que exportadores chineses frequentemente encontram maneiras de contornar barreiras comerciais, seja ajustando especificações dos produtos, redirecionando embarques por meio de terceiros países ou transferindo volumes para categorias que ainda não estão sujeitas a medidas antidumping”, diz trecho do relatório.

O banco de investimentos relata que, embora as tarifas recentemente anunciadas possam reduzir parte dos fluxos de importação considerados mais agressivos, é difícil enxergá-las como uma verdadeira mudança estrutural. Assim, o impacto total dessas medidas sobre o mercado ainda permanece incerto.

Modelo mais simples

Para o BTG, o que o Brasil realmente precisa é de um modelo mais simples e abrangente, semelhante à Seção 232 adotada nos Estados Unidos, elevando tarifas para cerca de 25% em uma ampla gama de produtos e por período indeterminado.

“Ao mesmo tempo, o setor continua enfrentando desafios no curto prazo, incluindo demanda fraca, estruturas de preços baseadas em contratos — que limitam ajustes rápidos de preços — e níveis de estoque ainda elevado”, aponta trecho do relatório.

De acordo com matéria publicada pela Fasmakers, participantes do mercado chinês reconhecem que as novas tarifas antidumping tornam mais difíceis as exportações diretas para o Brasil. Mas fontes do mercado daquele país informaram que o Brasil continua sendo um destino estratégico para o aço da China e que os exportadores dificilmente abandonarão esse mercado. Com isso, é mais provável que os chineses encontram um caminho de contornar a tarifa.

Uma das estratégias mais mencionadas envolve transferir a produção para fora do território chinês e players do mercado relatam que siderúrgicas chinesas estão considerando a hipótese de instalar operações em outros países, incluindo na América Latina, utilizando equipamentos transferidos da própria China – permitindo a importação a partir de terceiros países.

 
Fonte: Eu Quero Investir
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 11/03/2026