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Quem está por trás da mineração em terras indígenas no Brasil?

Há conflitos que dizem respeito a um país. Outros revelam um tempo histórico. A disputa em torno da mineração em terras indígenas no Brasil se insere nesse segundo caso. O que está em jogo vai além de uma controvérsia entre crescimento econômico e ações de proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. Trata-se da possibilidade de que a transição energética global, apresentada como resposta à crise climática, se converta em justificativa para uma nova rodada de roubos e invasões territoriais, agora revestida de linguagem técnica, alinhada com ambição geopolítica e promessas de futuro.

No Brasil, essa mudança já aparece com força. Impulsionada pela corrida por minerais como lítio, níquel, cobre, cobalto e terras raras, usados em baterias, eletrificação e outras tecnologias, a mineração passou a se apresentar como setor central para um futuro não mais dependente de combustíveis fósseis. Em nome da transição energética e da descarbonização, o setor procura se afirmar como estratégico para o país e para sua posição no cenário global. Esse movimento amplia sua presença dentro do Estado e fortalece uma rede de influência que articula interesses econômicos com decisões políticas. O relatório “Desmascarando o lobby mineral em terras indígenas no Brasil”, produzido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em parceria com a cosmopolíticas e lançado durante o ATL 2026, no dia 8 de abril, mostra que o avanço da mineração em terras indígenas não acontece apenas por demanda de mercado, mas por meio de uma engrenagem de financiamento, lobby e captura institucional que alcança os três poderes da República.

Os dados reunidos no relatório mostram que esse cerco não é abstrato. Apenas na Amazônia, há mais de 5 mil requerimentos minerários em aberto. Mais de 1.300 atingem terras indígenas, seja por sobreposição direta, seja por extrema proximidade. Em 2024, centenas desses pedidos continuavam ativos, aguardando nova brecha política ou jurídica para avançar com a exploração dos chamados minerais críticos que cercam mais de 45 povos. O lobby se articula muito antes de qualquer autorização formal e se instala como frente permanente de ameaça sobre os territórios.

No Congresso Nacional, essa engrenagem aparece de forma especialmente visível. Segundo a Apib, o Legislativo funciona como máquina de reapresentação contínua da mesma agenda: quando uma proposta encontra resistência, outra reaparece com nova redação, novos argumentos e os mesmos interesses. A isso se soma o Mandado de Injunção nº 7490, em que o Supremo referendou, em junho de 2025, liminar do ministro Flávio Dino dando prazo de 24 meses para o Congresso regulamentar a exploração mineral nos territórios. O atual Grupo de Trabalho sobre mineração em terras indígenas (GTMTI) no Senado não é, portanto, um espaço técnico neutro. Criado por iniciativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) a partir da demanda do Supremo, o GT foi instalado para elaborar, em seis meses, um projeto de lei de regulamentação da pesquisa e da lavra mineral em terras indígenas. Sua coordenação ficou com a senadora Tereza Cristina (PP/MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro e liderança da Frente Parlamentar Agropecuária, enquanto a relatoria foi atribuída ao senador Rogério Carvalho (PT/SE). Os PLs nº 1331/2022 e nº 6050/2023, ambos favoráveis à ampliação de atividades econômicas e minerais em terras indígenas, foram indicados para análise do colegiado. Em vez de encerrar a pauta, o GT a reorganiza e lhe dá novo fôlego institucional.

O alerta da Apib é que esse GT inaugura uma nova etapa de discussão que pode abrir caminho para a legalização da mineração em terras indígenas, com impacto direto sobre direitos garantidos na Constituição e sobre a proteção dos territórios. Esse movimento acontece dentro de um ambiente político já marcado por iniciativas que avançam nessa direção, com apoio de setores ligados à mineração, ao agronegócio e a grupos conservadores, que atuam para apresentar interesses privados como se fossem de interesse nacional.

Nesse cenário, o relatório também destaca o papel do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Com mais de 210 associados, responsáveis por grande parte da produção mineral do país segundo dados do próprio instituto, o Ibram atua como articulador dessa agenda dentro do Estado, com presença junto ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário, além da participação em conselhos estratégicos, acesso a ministérios e atuação em eventos internacionais do setor, como a canadense PDAC (sigla em inglês para Prospectores e Desenvolvedores do Canadá). Essa atuação fortalece a transformação de interesses empresariais em posições institucionais.

No Executivo, o avanço da mineração aparece de forma contínua e atravessa diferentes governos. O relatório mostra que, ao mesmo tempo em que o Congresso discutia regras sobre o tema, políticas e marcos foram sendo construídos em diálogo direto com o setor minerário. Ainda nos governos Lula e Dilma, a formulação do Novo Código Mineral contou com participação do Ibram, e o Plano Nacional de Mineração 2030 consolidou a atividade como prioridade para o país, associando áreas com reservas minerais à lógica da exploração.

A partir de 2016, essa direção se intensificou. No governo Temer, o Decreto nº 9.406/2018 regulamentou o Código de Mineração e autorizou o uso de títulos minerários como garantia financeira, ampliando o acesso a crédito e estimulando a especulação. No governo Bolsonaro, a mineração foi classificada como atividade essencial durante a pandemia, mantendo operações mesmo em áreas sensíveis. Em 2020, o Programa Mineração e Desenvolvimento buscou acelerar a exploração e reduzir regras, e, em 2021, o Programa Pró-Minerais Estratégicos colocou dezenas de projetos como prioridade nacional em nome da transição energética, incluindo áreas em conflito com comunidades indígenas. Esse conjunto de medidas evidencia o envolvimento de diferentes correntes políticas na construção de um ambiente institucional que favorece a expansão da mineração no país.

No Judiciário, a ofensiva assume formas menos visíveis, mas igualmente graves. O relatório afirma ter identificado intensa presença de representantes do lobby mineral e de argumentos favoráveis ao setor nas audiências da Câmara de Conciliação do Marco Temporal, além de disputas interpretativas no STF que indicam a Corte como novo campo de atuação para uma regulamentação indireta da mineração em terras indígenas. O risco apontado pelas lideranças indígenas é nítido: uma mudança dessa dimensão pode avançar sem participação efetiva dos povos e sem direito de veto.

Incidência jurídica

A Apib, junto ao lançamento do relatório durante o 4º Seminário de Mineração e Terras Raras no Congresso Nacional, aproveitando as mobilizações do ATL, protocolou, no dia 8 de abril, uma manifestação no STF dentro de uma ação que trata da mineração na área do povo Cinta Larga, entre Rondônia e Mato Grosso. Essa ação acontece depois de uma decisão do ministro Flávio Dino que reconheceu a demora do Congresso em criar uma lei sobre mineração em terras indígenas e levantou a possibilidade de avançar nesse tema por outros caminhos. Para a Apib, esse movimento abre um risco concreto de liberar a exploração sem garantir os direitos dos povos.

Na manifestação, a Apib sustenta que a Constituição não permite mineração em terras indígenas sem uma lei específica aprovada pelo Congresso e sem consulta livre, prévia e informada aos povos afetados. O documento também chama atenção para o fato de que essa consulta não pode ser tratada como um simples procedimento formal. Ela precisa respeitar o tempo, a decisão coletiva, os modos de organização de cada povo e, principalmente, o direito ao veto à lei. A Apib alerta que avançar nesse tema sem essas garantias pode agravar violências e ampliar a destruição de formas de vida que já vêm sendo impactadas por garimpo e outras atividades ilegais.

Outro ponto central da ação é o questionamento da ideia de que a mineração pode ser tratada como interesse nacional e público acima dos direitos indígenas. A Apib argumenta que esse tipo de leitura ignora o papel dos povos na proteção dos biomas e no enfrentamento da crise climática. Também aponta que abrir esse caminho pode beneficiar interesses privados e estrangeiros, sem retorno real para os povos e para o país.

Ao levar essa disputa ao STF durante o ATL, a Apib conecta a mobilização nas ruas com a atuação no campo jurídico e reforça que as denúncias do relatório sobre as pressões feitas em diferentes instâncias de poder pelas mineração não acontece só nos territórios, mas também dentro das decisões do Estado. O que está em jogo é quem define o uso dessas áreas e quais interesses orientam essas decisões.

Mobilizações e ameaças

Nos territórios, são os povos indígenas que vêm puxando essa denúncia para o centro da cena e enfrentando, na prática, o avanço da mineração. Em Altamira, no Pará, mulheres indígenas ocuparam a sede da Funai para denunciar os impactos do projeto da mineradora canadense Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, e exigir a cassação da licença de instalação da empresa. A mobilização também cobra a retirada de invasores da Terra Indígena Cachoeira Seca, do povo Arara, e da Terra Indígena Trincheira Bacajá, do povo Mebêngôkre-Xikrin. Mais do que reagir a um empreendimento, essas mulheres estão enfrentando uma nova camada de pressão sobre um território já violentado por grandes obras, pela invasão e pela presença continuada de interesses minerários.

No Espírito Santo, o povo Tupinikim sustenta há meses uma mobilização prolongada contra a Vale, a Samarco e a BHP, cobrando reparação pelos danos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Mais de dez anos depois, cerca de 1.600 indígenas seguem fora dos processos de reparação, enquanto a presença da ferrovia dentro da terra indígena, somada à vigilância constante e às restrições de circulação, é denunciada como forma permanente de controle do território.

Essas lutas ganharam projeção nacional durante o ATL 2026, em Brasília, onde lideranças de diferentes regiões se somaram para afirmar uma mesma denúncia: a mineração não é uma promessa abstrata de desenvolvimento, mas uma ameaça concreta à vida, à autonomia e ao futuro dos povos indígenas. Nesse contexto, o lançamento do relatório da Apib fortaleceu a incidência política do movimento ao conectar as violências vividas nos territórios à engrenagem institucional que as sustenta.

O que o relatório revela é que a mineração em terras indígenas não avança apenas porque há empresas interessadas. Ela avança porque se organiza simultaneamente nos três poderes e porque passa a se apresentar, sob a retórica da transição energética, como se fosse solução climática e de interesse nacional e público. Em nome do futuro, tenta-se normalizar a destruição. No entanto, a extração de minérios ameaça justamente a segurança climática do planeta ao condenar territórios e povos indígenas em zonas de sacrifício para atender interesses, principalmente, do Norte Global. A resposta dos povos indígenas, porém, já está colocada nas ruas e nos territórios: nosso futuro não está à venda.

 
Fonte: Diplomatique
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 17/04/2026

Produção de aço em Minas Gerais recua 4,6% no primeiro trimestre

A produção de aço bruto em Minas Gerais, no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025, caiu 4,6%, para 2,4 milhões de toneladas (t), conforme dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Aço Brasil. No âmbito nacional, foram produzidas 8,1 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 3,1%.

Com 29,9% de participação no volume produzido no País, o Estado liderou o ranking das unidades da Federação, apesar do resultado negativo. Seu principal concorrente, o parque siderúrgico do Rio de Janeiro, respondeu por 27,4%, ou 2,2 milhões/t.

Por outro lado, a produção em março deste ano, sobre igual intervalo do ano passado, aumentou 8% em Minas Gerais, somando 898 mil/t. Nacionalmente, houve um movimento oposto, com retração de 2,5%, totalizando 2,8 milhões/t.

Semiacabados para venda e laminados

Diferentemente do que aconteceu com o aço bruto, a quantidade de semiacabados para venda e laminados produzida em Minas Gerais diminuiu tanto na comparação entre março deste ano e o mesmo mês de 2025 quanto no confronto entre o primeiro trimestre de cada ano. As quedas foram, respectivamente, de 12,4%, para 766 mil/t, e 3,8%, para 2,2 milhões/t.

No Brasil, a produção mensal chegou a 2,7 milhões/t, queda de 4,6%, e a trimestral alcançou 7,7 milhões/t, baixa de 2,5%. A participação do Estado nesses volumes foi de 28,2% e 29%, na devida ordem, sendo líder do ranking nacional em ambos os casos.

Importações crescem no trimestre, mas diminuem em março

Obstáculo para as siderúrgicas produzirem mais, as importações brasileiras de aço atingiram 1,8 milhão/t no acumulado de janeiro a março, com incremento interanual de 4,2%. Somente da China vieram 1,1 milhão/t, o que equivale a uma leve alta de 1,6%.

Em março, o volume importado foi de 608 mil/t. Sobre um ano antes, houve recuo de 8,3%. Neste caso, o mercado chinês enviou 361,4 mil/t, com queda significativa de 19,3%.

Cabe lembrar que, recentemente, o governo federal implementou novas medidas para tentar frear as importações, especialmente do gigante asiático, em resposta às demandas da siderurgia por maior proteção contra uma concorrência considerada desleal. Com isso, analistas diziam que os números poderiam começar a cair e parte do setor tinha otimismo.

Em janeiro, foram aprovadas a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de aços pré-pintados chineses e indianos e o aumento das tarifas de importação, para 25%, por 12 meses, de nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos de aço, sem o estabelecimento de cotas. Em fevereiro, foi oficializado o direito antidumping definitivo às importações de laminados planos a frio e revestidos da China.

Exportações, vendas internas e consumo aparente

Ainda segundo o Aço Brasil, as exportações no primeiro trimestre de 2026 cresceram 12,1%, para 2,8 milhões/t, se comparado a igual intervalo de 2025. Já em março, também no confronto interanual, somou 584 mil/t, com recuo de 25,8%.

A entidade ressalta que nos dados de março, foram registrados volumes relativos a operações com embarque antecipado, que geralmente apresentam números acima do exportado efetivamente. A correção deve ocorrer nas próximas divulgações.

Outro indicador do setor, as vendas internas totalizaram 5,1 milhões/t entre janeiro e março, retraindo 1,1%, e atingiram 1,9 milhão/t apenas no último mês, com alta de 4,9%.

Por sua vez, refletindo as importações, o consumo aparente de produtos de aço apresentou uma pequena queda de 0,8% no trimestre e um aumento de 1,1% em março, somando, respectivamente, 6,6 milhões/t e 2,4 milhão/t.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 17/04/2026

Agrishow 2026 evidencia salto tecnológico no campo com máquinas autônomas, conectividade e novas soluções agrícolas

A edição de 2026 da Agrishow, principal vitrine de tecnologia agrícola da América Latina, consolida uma tendência irreversível no campo: a digitalização e automação das operações rurais. Reunindo mais de 800 marcas e atraindo milhares de produtores e especialistas, o evento em Ribeirão Preto (SP) apresenta soluções que conectam produtividade, sustentabilidade e eficiência, em um cenário onde a inovação se torna fator decisivo para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Entre os destaques está a entrada de novos players e tecnologias em segmentos estratégicos. A Baldan, tradicional fabricante de implementos agrícolas, avança no mercado sucroenergético com o lançamento de um pulverizador voltado especificamente para a cultura da cana-de-açúcar. A iniciativa marca a diversificação da empresa em um setor altamente relevante para o Brasil, apostando em soluções que aumentam a eficiência na aplicação de insumos e reduzem desperdícios.

Outro ponto de atenção na feira é a evolução dos tratores, que ganham cada vez mais recursos tecnológicos. A Agritech apresentou uma nova geração de máquinas projetadas para oferecer maior eficiência operacional, conforto ao operador e redução de custos, reforçando a tendência de modernização da frota agrícola nacional. Esses equipamentos acompanham o avanço da agricultura de precisão, incorporando sistemas eletrônicos e digitais que permitem melhor gestão das atividades no campo.

A presença da Palfinger Brasil também evidencia como soluções de apoio logístico e de movimentação de cargas se tornam essenciais no agronegócio moderno. A empresa levou à feira o guindaste articulado MD 630, desenvolvido para aplicações que exigem robustez, alcance e versatilidade, ampliando sua atuação em operações agrícolas, florestais e logísticas.

Paralelamente, a conectividade desponta como um dos pilares centrais das novas tecnologias. A Marispan apresentou soluções que permitem o controle da adubação diretamente pelo celular, facilitando o monitoramento e a gestão das operações em tempo real. Esse tipo de inovação reduz a dependência de intervenções manuais e contribui para uma aplicação mais precisa de insumos, impactando diretamente a produtividade e os custos das lavouras.

Essa transformação digital também se reflete no avanço da automação e da autonomia das máquinas agrícolas. Soluções já disponíveis no mercado permitem que tratores operem de forma praticamente independente, realizando tarefas no campo sem a necessidade de um operador constante. Esse conceito, que antes parecia futurista, começa a se tornar realidade, impulsionado por sistemas integrados, sensores e inteligência embarcada.

De forma mais ampla, a Agrishow 2026 reforça o papel da tecnologia como motor de crescimento do agronegócio. As inovações apresentadas abrangem desde máquinas e implementos até softwares e sistemas de gestão, criando um ecossistema que atende desde pequenos produtores até grandes operações agrícolas.

Nesse contexto, a feira não apenas apresenta novidades, mas também sinaliza os rumos do setor. A convergência entre automação, conectividade e sustentabilidade indica que o futuro do campo será cada vez mais orientado por dados, eficiência e inteligência tecnológica — um movimento que posiciona o Brasil como protagonista global na produção agrícola de alta performance.

 
Fonte: Infomet
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 17/04/2026

Fiemg: fim da escala 6×1 é 'eleitoreiro' e 'trará danos irreparáveis'

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) protestou nesta quarta-feira (15/4) contra o avanço do debate no Congresso Nacional sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Para a entidade, a redução da jornada de trabalho “trará danos irreparáveis à economia”. A Fiemg defende negociação coletiva com os trabalhadores como opção à redução de jornada via lei.

“A mudança proposta é uma medida eleitoreira, pensada mais nas eleições do que nas consequências práticas para a economia e para os trabalhadores. Sem alternativas viáveis, essa medida coloca em risco o sustento de milhões de brasileiros e amplia ainda mais os desafios econômicos que já enfrentamos”, criticou o presidente em exercício da Fiemg, Mário Marques.

O governo Lula enviou nesta terça ao Congresso um Projeto de Lei prevendo reduzir a jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais, sem redução salarial. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre omesmo tema já avança na Câmara e foi debatida pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta, mas houve um pedido de vista, ou seja, demais tempo para o debate.

Para o presidente da Fiemg, “a proposta do fim da escala 6×1, sem uma análise aprofundada do impacto econômico e social, é insustentável”.

Mário Marques argumenta que “o que vemos é uma medida que, ao reduzir a jornada de trabalho sem uma compensação adequada, pode afetar diretamente a geração de empregos e a competitividade das empresas brasileiras. A negociação coletiva é o caminho para encontrar soluções equilibradas, que respeitem as necessidades dos trabalhadores e a saúde financeira das empresas”.

Projeções da Fiemg

Um estudo da Fiemg estima que o fim da escala 6×1 impactaria o PIB brasileiro em até 16% e pode levar à perda de cerca de 18 milhões de postos de trabalho no país.

Em nota, a entidade pediu que “as soluções para a jornada de trabalho sejam discutidas com os atores envolvidos, especialmente por meio da negociação coletiva, para que se chegue a um modelo que leve em consideração os impactos na economia, nos empregos e na competitividade das empresas”.

 
Fonte: Metrópoles
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 16/04/2026

 

Demanda por aço na América Latina só deve melhorar em 2027, diz Jefferies

A demanda por aço na América Latina deve registrar uma retração de aproximadamente 1% em 2026 na comparação anual, segundo as novas estimativas da World Steel Association, trazendo uma leitura díspar para a Gerdau, diz o Jefferies.

Os analistas Pedro Baptista e Alejandro Demichelis escrevem que esse desempenho contido reflete um cenário de contrastes na região, enquanto o Brasil deve apresentar um leve avanço de 1% neste ano, Argentina e México têm recuperação mais lenta.

Apesar do horizonte de curto prazo moderado, as perspectivas para 2027 são mais promissoras para as siderúrgicas que atuam na região, com a expectativa da WorldSteel que a demanda agregada cresça 2% no ano.

Esse movimento de virada será majoritariamente impulsionado pelo Brasil, cuja projeção da entidade aponta para uma expansão mais robusta, na ordem de 2,6%, o que favorece as siderúrgicas locais, afirma o banco.

Para efeito de contexto, eles notam que o que o consumo global de aço, excluindo a China, deve crescer 1,9% em 2026 e engatar uma alta de 4% em 2027, dando sequência à expansão de 3,1% já consolidada ao longo de 2025.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 16/04/2026

Aço: Demanda mundial deve crescer em 2026 e 2027

A Associação Mundial do Aço (worldsteel) divulgou a sua previsão de demanda de aço de curto prazo (SRO) para 2026 e 2027. A worldsteel prevê que a demanda global cresça 0,3% em 2026 e alcance 1.724 milhões de toneladas, seguida por um incremento de 2,2% no próximo ano, chegando a 1.762 milhões de toneladas. “Nossas últimas previsões validam a trajetória estabelecida em nosso Relatório de Orçamento Estrutural (SRO) de outubro de 2025, confirmando que a demanda global por aço está atingindo seu ponto mais baixo no período de 2025-2026. Isso ocorre após uma fase prolongada e desafiadora de ajustes estruturais globais que suprimiram a demanda desde 2022”, disse Alfonso Hidalgo Calcerrada, economista-chefe da UNESID e presidente do Comitê de Economia da worldsteel.

Para Calcerrada, o cenário atual passa por um período de transição rumo a uma trajetória de crescimento moderado em 2026, com uma aceleração mais acentuada projetada para 2027. Essa recuperação mais ampla está sendo impulsionada por mudanças distintas na dinâmica regional. Na China, a taxa de contração da demanda finalmente desacelera em 2026, enquanto o crescimento da demanda nos principais mercados emergentes, principalmente na Índia, permanece robusto. No entanto, a worldsteel espera que o conflito em curso no Oriente Médio resulte em uma queda acentuada na demanda de aço da região em 2026, que, de outra forma, estava posicionada para um forte crescimento.

Após um longo período de declínio, a worldsteel espera que todas as principais economias desenvolvidas, incluindo a União Europeia, os EUA, o Canadá, o Japão e a Coreia, registrem crescimento positivo em 2027. Consequentemente, prevê-se que a procura global de aço, excluindo a China, acelere para uma taxa de crescimento de 4,0% em 2027 — um nível raramente visto nos últimos tempos. Embora esta previsão reflita dados disponíveis até meados de março de 2026, a escalada do conflito no Médio Oriente representa um teste de stress significativo. “Nossa principal premissa continua sendo a de uma resolução até junho; dentro desse cronograma, esperamos que a demanda por aço na maioria das principais economias permaneça resiliente”.

Especificamente, os EUA, a China e a Índia parecem estar amplamente protegidos de efeitos colaterais diretos. Além disso, apesar de sua alta exposição, a UE reforçou sua flexibilidade energética sistêmica desde a crise entre Rússia e Ucrânia em 2022. A forte divergência entre o pico do preço do gás em 2022 e os níveis de preços atuais ilustra um impacto muito mais contido até o momento. Contudo, caso as hostilidades persistam para além do segundo trimestre, serão necessárias revisões substanciais para baixo, particularmente para regiões com elevada sensibilidade energética estrutural”.

A worldsteel prevê que a contração na demanda chinesa por aço diminuirá para -1,5% em 2026, à medida que a correção do mercado imobiliário se aproxima do seu ponto mais baixo. Espera-se que os investimentos em infraestrutura no país aumentem ligeiramente este ano, impulsionados pelos esforços dos governos locais para manter um crescimento do PIB moderadamente forte. A associação acredita que a demanda por aço do setor manufatureiro manterá um crescimento moderado, acompanhando a expansão contínua das exportações. No entanto, um ambiente comercial global mais restritivo permanece um risco significativo, podendo desacelerar a demanda por aço do setor manufatureiro nos próximos anos.

Redução na China

Para 2027, a worldsteel projeta que a demanda chinesa por aço permanecerá essencialmente estável em relação aos níveis de 2026. Essa perspectiva se baseia na expectativa de que a prolongada correção do setor imobiliário terá se consolidado em grande parte até 2027, mitigando a forte pressão de baixa que tem dominado o setor desde 2021. “Com a estabilização da reestruturação do mercado imobiliário, prevemos que a demanda chinesa por aço poderá entrar em um período de estabilidade cíclica”. Em outubro do ano passado, a worldsteel previu uma contração de 2,0% na demanda chinesa por aço para 2025. O número oficial agora divulgado para a China indica uma contração de 7,1%. Indícios circunstanciais apontam para um declínio mais moderado.

O crescimento esperado da procura de aço nas economias em desenvolvimento, excluindo a China, deve ser moderado para um ritmo de 2,5% em 2026, uma desaceleração significativa em relação ao crescimento anual de cerca de 5% registado nos últimos anos. Esse arrefecimento é impulsionado principalmente por uma forte contração no Oriente Médio, onde o conflito regional reverteu abruptamente as expectativas de crescimento anteriores. Além disso, a associação projeta uma normalização da demanda nas economias da ASEAN; após uma forte expansão em 2025, espera-se que o crescimento nessa região diminua temporariamente à medida que a atividade de formação de estoques cesse. No entanto, a perspectiva para 2027 é mais robusta, com previsão de recuperação do crescimento para 5,1%. Essa retomada será impulsionada pelo bom desempenho contínuo nos mercados em desenvolvimento da Ásia e da África, complementada pela esperada recuperação no Oriente Médio.

A Índia mantém sua posição como o mercado siderúrgico de maior crescimento no mundo, com a demanda projetada para expandir 7,4% em 2026 e acelerar para 9,2% em 2027. Essa perspectiva robusta é sustentada por uma força generalizada em todos os principais setores consumidores de aço. O crescimento é impulsionado principalmente pela construção sustentada, voltada para infraestrutura, e por um setor automotivo próspero, alimentado pelo aumento da demanda por frete. Além disso, um ciclo resiliente de despesas de capital continua a impulsionar a demanda por bens de capital, enquanto a expansão da rede ferroviária nacional e um aumento na demanda por bens de consumo duráveis, impulsionado pela acessibilidade, proporcionam fatores estruturais adicionais favoráveis.

Crescimento na África

Uma transformação profunda está em curso em toda a África desde 2023, com claros indicadores de uma forte retomada da atividade de construção e do consumo interno de aço. “Nossas previsões mais recentes confirmam essa trajetória, projetando um crescimento de 3,8% em 2026 e de 4,6% em 2027.

Esse ímpeto contínuo reflete um foco crescente na urbanização em larga escala, no desenvolvimento de infraestrutura crítica e nos esforços de diversificação econômica, posicionando a África como um motor cada vez mais significativo e resiliente do mercado global de aço”. A demanda por aço nos países desenvolvidos cresceu 0,2% em 2025, marcando o fim de um declínio consecutivo de três anos, iniciado em 2021. “Esperamos que essa estabilização abra caminho para uma recuperação gradual, com o crescimento atingindo 1,0% em 2026 e ganhando ainda mais impulso para 2,3% em 2027. No entanto, é fundamental contextualizar essa recuperação dentro de um panorama histórico mais amplo. O tamanho do mercado em 2025 permanece aproximadamente 60 milhões de toneladas (15%) abaixo dos níveis observados em 2017-2018, indicando que o retorno completo aos volumes pré-crise ainda é um objetivo de longo prazo”.

Europa também cresce

Na União Europeia e Reino Unido, a procura por aço deve aumentar 1,3% em 2026 e 3,0% em 2027. O tão aguardado retorno do crescimento da demanda por aço na UE reflete o impacto do aumento dos gastos com infraestrutura e defesa no continente, em combinação com a esperada melhoria das condições macroeconômicas, como o aumento da renda real das famílias. No entanto, a elevada exposição da região a picos nos preços da energia continua a representar um risco negativo significativo para 2026. A demanda por aço nos Estados Unidos deverá crescer 1,7% em 2026 e 2,0% em 2027. Espera-se que essa expansão seja impulsionada por fortes investimentos do setor privado, baseados em tecnologia e apoiados por políticas públicas, juntamente com a continuidade dos gastos públicos em infraestrutura. “Prevemos uma recuperação robusta no setor da construção residencial, impulsionada por uma demanda reprimida significativa e pela flexibilização gradual das condições de financiamento. No entanto, o ritmo dessa recuperação provavelmente continuará limitado por desafios estruturais persistentes, incluindo custos elevados de materiais, altas taxas de juros de hipotecas, pressões sobre a acessibilidade à moradia e escassez contínua de mão de obra. Além disso, a demanda por bens duráveis pode ser atenuada em meio a um mercado de trabalho em desaceleração”.

Campeãs da Sustentabilidade 2026

A worldsteel reconheceu 14 empresas como Campeãs da Sustentabilidade do Aço pelo seu trabalho em 2025. A 9ª edição do programa homenageou os membros da entidade que demonstram com maior clareza seu compromisso e ações em prol do desenvolvimento sustentável por meio de seu envolvimento nas atividades de sustentabilidade da worldsteel.

Em 2026, os Campeões da Sustentabilidade do Aço de 2026 foram ArceloMittal, Corporação de Aço da China (CSC), EMSTEEL, Gerdau, HBIS Group Co., Ltd. , Companhia de Aço HYUNDAI, InfraBuild, Corporação de Aço JFE, Grupo Jingye, JSW Steel Limited, POSCO Holdings, Tata Steel, Tenaris e Ternium. A Tata Steel e a Tenaris são campeãs desde o lançamento do programa em 2018. No primeiro ano do programa, a worldsteel reconheceu apenas seis membros, e agora a associação vê o aumento constante no número de membros qualificados para o reconhecimento de sustentabilidade mais exigente.

Para ser reconhecido como Campeão de Sustentabilidade, cada membro deve fazer parte da Carta de Sustentabilidade da worldsteel e fornecer evidências de que atende aos 20 critérios que abrangem as áreas de meio ambiente, social, governança e economia (ESGE), além de reunir dados de Inventário do Ciclo de Vida (ICV) para o programa de coleta de dados da worldsteel. Os dados para o ICV devem abranger mais de 60% da produção de aço bruto da empresa e devem ter menos de cinco anos. Além disso, a empresa deve ser selecionada para uma das seis categorias do prêmio worldsteel Steelie Awards ou ser reconhecido no Programa de Reconhecimento de Segurança e Saúde da worldsteel.

Os campeões recebem certificados na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do Conselho de Administração, em abril. Mais informações sobre as iniciativas de sustentabilidade da worldsteel.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 15/04/2026