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Usinas adiam para janeiro alta de preços de aços planos no Brasil, diz Inda

Usinas siderúrgicas resolveram adiar para janeiro um reajuste de 5% a 8% em seus produtos planos que seria aplicado em dezembro, em meio à expectativa de uma queda sazonal do mercado interno em dezembro e pressão de importadores para internalizar milhares de toneladas de aço antes da possível imposição de medidas de defesa comercial pelo Brasil.

"O novo aumento (de preço) em dezembro foi posto de lado", disse o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, em entrevista a jornalistas nesta terça-feira.

"O pessoal está anunciando novo reajuste para janeiro...é uma maneira de forçar para que dezembro não seja um mês tão ruim, pois quando se posterga o aumento, o pessoal vai tentar ajustar estoques ainda nos preços antigos", acrescentou.

Apesar das importações de aço plano pelo Brasil terem recuado 9,2% em outubro ante o mesmo mês de 2024, o Inda avalia que há ainda grande quantidade de aço a ser descarregada em portos brasileiros, o que deve pressionar o mercado nacional até abril ou maio, disse Loureiro.

Segundo ele, o principal porto de entrada de aço plano no país, de São Francisco do Sul (SC), tem cerca de 500 mil toneladas em terra e esperando desembarque.

"Um navio chegou em 24 de outubro com 45 mil toneladas e esse navio esta previsto descarregar em 25 de novembro...ainda tem volume grande de material que está chegando que vai fazer pressão forte nos próximos três a quatro meses", disse o presidente do Inda.

Em outubro, as vendas de aços planos no Brasil pelos distribuidores filiados ao Inda somou 354,2 mil toneladas, alta de 1,3% sobre um ano antes, mas queda de 2,1% ante setembro.

Loureiro disse que o desempenho do mês passado foi "razoavelmente bom", e que a tonelagem de outubro foi a melhor dos últimos cinco anos.

Para novembro, a expectativa é de queda de 4% nas vendas ante outubro. De janeiro a outubro, as vendas do setor somam 3,33 milhões de toneladas, alta de 1,1% sobre o mesmo período de 2024 e perto da projeção do Inda para 2025.

Os distribuidores terminaram outubro com estoques suficientes para 3 meses de vendas, equivalente a um total de 1,07 milhão de toneladas, segundo o Inda. Esse volume é 9,3% mais alto que o registrado um ano antes.

O presidente do Inda avalia que a tendência é de crescimento dos estoques nos próximos meses, diante da urgência dos importadores em internalizar o aço que contrataram do exterior alguns meses atrás.

Em outubro, o Porto de São Francisco do Sul, segundo o Inda, registrou a chegada de 150,08 mil toneladas de aço plano, quase 60% de todo o volume importado pelo Brasil no mês. Em segundo e terceiro lugares aparecem os portos de Fortaleza e Manaus, com volume combinado de 71,3 mil toneladas.

De janeiro a outubro, o porto catarinense, segundo o Inda, recebeu 1,4 milhão de toneladas de aços planos, 47% da importação nacional do material. Os portos de Fortaleza e Manaus, acumularam 904,2 mil toneladas no total, com o material sendo redistribuído por diversas regiões do país, principalmente no Sudeste, onde está grande parte da indústria de transformação do aço do Brasil, disse Loureiro.

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/11/2025

Colômbia 'constrange' Brasil e declara Amazônia livre de exploração de minério e petróleo

A Colômbia anunciou, nesta quinta-feira (13), que será o primeiro país a definir que a Amazônia é uma área livre da exploração de minério e petróleo e tornará todo o espaço de floresta uma reserva “de recursos renováveis”.

O anúncio foi feito pela ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável colombiana, Irene Vélez Torres, durante encontro entre ministros do meio ambiente na COP30.

“A Colômbia decidiu dar o primeiro passo e foi o primeiro país da área amazônica a declarar a toda a parte que corresponde à Colômbia como uma zona de reserva de recursos naturais renováveis, protegendo este bioma de atividades de minério e de hidrocarbonetos”, disse.

A colocação se deu em tom de incentivo para que outros sete países que fazem parte da região amazônica avancem com a preservação da floresta, em passo que vai contra decisão recente do Brasil, que em outubro, autorizou a Petrobras a buscar petróleo na Margem Equatorial, região que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte.

A Amazônia representa uma área menor dentro do território colombiano, com 7% do espaço de floresta, enquanto o lado brasileiro concentra cerca de 60% da vegetação. Outras parcelas são divididas entre Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa.

Apesar da parcela menor, a ministra afirma que há decisão em proteger toda a área de floresta dentro do país. “A selva é só uma. Os rios não têm fronteiras, assim como a vida. Cuidar da Amazônia não é um sacrifício econômico, é uma inversão ética para o futuro da região e da humanidade”.

Defesa conjunta da Amazônia

O anúncio foi feito durante lançamento da Comissão Especial de Meio Ambiente e Clima, que reúne os oito países da região amazônica. Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou avanços do Brasil e defendeu o fundo de proteção para florestas, o TFFF.

“Para que possamos, ao término dessa COP30, darmos uma resposta à altura do que a sociedade e a comunidade internacional está a esperar de nós. Na matéria de financiamento, por exemplo, sabemos que alcançar US$ 1,3 trilhões é a meta. E o Brasil colocou na mesa um instrumento potente, o TFFF, que é capaz de mobilizar recursos públicos e privados, não como doação, mas como investimento”, afirmou.

 
Fonte: R7
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 14/11/2025

 

Associação de aço dos EUA diz que Brasil também precisa proteger a própria indústria

O presidente da Associação de Fabricantes de Aço dos Estados Unidos (SMA, na sigla em inglês), Philip Bell, acredita que a relação entre governos brasileiro e americano ainda pode melhorar. Ao Valor, Bell afirmou que, mesmo com uma maior aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump nos últimos meses, há espaço para avanços. Ele também observou que o Brasil precisa de mecanismos para proteger a própria indústria, em clara alusão à China.

“Trump era um grande fã de [Jair] Bolsonaro, mas as coisas mudaram. O Brasil é importante para a economia global e para a indústria de aço. É fundamental termos um relacionamento saudável. Há um enorme potencial para melhora”, disse Bell, após participar do congresso anual da Associação Latino-americana de Aço (Alacero), na Colômbia.

Questionado sobre se essa relação melhor entre os países poderia reduzir as tarifas americanas sobre o aço importado do Brasil, que ainda é taxado com 50% desde junho pela medida da Casa Branca chamada seção 232, Bell deixou a decisão para os chefes de Estado.

“Isso diz respeito a Lula e Trump, e não a mim. Acredito que o Brasil tem muito a fazer no campo de comércio exterior. Muitos na indústria brasileira [do aço], ainda que não gostem do que nós estamos fazendo, acreditam que o Brasil deveria fazer algo parecido com nossas tarifas para ajudar a indústria interna”, afirmou.

O presidente americano instituiu a seção 232 logo depois de assumir, em janeiro deste ano, inicialmente taxando os produtos em 25%. Em junho, decidiu elevar a taxa para 50%. A tarifa vale igualmente para todos os países.

Conforme Bell, a medida tem ajudado a indústria americana: “Para os produtores americanos, isso nos ajuda. Nos ajuda a conseguir mais investimentos e a ganhar fatia de mercado que havíamos perdido com a concorrência desleal do produto importado. A melhor forma de descrever o avanço é que, até agora, está tudo bem.”

O presidente da SMA reconheceu que a taxação de aço prejudicou as relações entre os Estados Unidos e outros países, tornando a geopolítica mais complicada: “Mas ainda acredito que temos que entender o que o presidente Donald Trump está tentando fazer. Ele está passando uma mensagem clara sobre o comércio exterior americano e sobre as relações com os países", disse.

"Países como a China estão tentando dominar as indústrias dos outros países e tentando derrubá-las. Sei que não é fácil, mas, em certo ponto, o Brasil deve precisar de algo como a 232 [mecanimo americano] para ajudar a levantar a indústria de aço e outros setores de manufatura”, completou.


 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/11/2025

Ex-ministro defende fortalecimento da indústria de aço brasileira

O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy defendeu o fortalecimento da indústria siderúrgica como condição estratégica para o desenvolvimento do Brasil. Ele argumentou que, para um país que é um dos maiores produtores de minério de ferro do mundo, é essencial manter uma base industrial capaz de transformar essa riqueza natural em produtos de maior valor agregado.

Levy, que comandou o Ministério da Fazenda em 2015 e hoje é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados, observou que a economia brasileira vem crescendo nos últimos anos, mas tem mostrado sinais de desaceleração nos meses recentes. Segundo ele, o país ainda enfrenta os efeitos do período inflacionário pós-pandemia e de uma política monetária restritiva, embora a atividade econômica continue avançando.

As declarações foram dadas durante o Alacero Summit, maior evento da indústria siderúrgica da América Latina, realizada em Cartagena das Índias, na Colômbia, para o qual a reportagem da Rede Tribuna foi convidada.

O ex-ministro destacou que o desempenho da siderurgia está diretamente ligado à vitalidade de setores como o automotivo e o de bens de capital. Quando esses segmentos crescem, a produção de aço acompanha o movimento; quando recuam, a atividade do setor também se retrai.

Levy alertou ainda para o avanço das importações indiretas de aço — quando o produto chega ao país incorporado a bens industrializados — e defendeu o equilíbrio entre a busca por menores custos ao consumidor e a necessidade de preservar a saúde do parque produtivo nacional.

Ele acrescentou que o governo precisa buscar estabilidade interna com diálogo e previsibilidade, enquanto o setor produtivo deve mostrar sua capilaridade social e econômica — como na cadeia da sucata, que envolve coleta, transporte e reaproveitamento em várias cidades.

Levy também defendeu maior coordenação internacional, especialmente por meio da OCDE, e afirmou que a integração latino-americana deve ser vista sob a ótica da segurança nacional, como instrumento para assegurar espaço à produção local e maior autonomia econômica regional.

INVASÃO

A América Latina vive um processo de desindustrialização agravado pelo aumento das importações de aço, especialmente da China, o que ameaça investimentos e empregos no setor siderúrgico. No Brasil, o presidente da Alacero e da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira, alertou que a concorrência desleal pode comprometer projetos como o de R$ 4 bilhões da unidade Tubarão, na Serra, que prevê a criação de 3 mil vagas.

De 2020 a 2025, as importações de aço cresceram 300%, três vezes acima da média histórica. Mesmo com uma leve redução recente, o nível ainda é considerado alto. O setor busca medidas de defesa comercial e antidumping para conter práticas predatórias e manter a competitividade regional.

Outros participantes do Alacero Summit 2025, como o colombiano Bruce Mac Master e o brasileiro Oliver Stuenkel, destacaram que a desindustrialização é um problema comum a toda a América Latina, que precisa fortalecer sua política industrial e ampliar a integração regional para evitar perda de relevância econômica e dependência externa.

 
Fonte: Tribuna Online
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/11/2025

Setorial Siderurgia e Mineração | Novembro 2025

Desaceleração da produção e do consumo de aço na China continua, mas importações de minério de ferro seguem aquecidas. Nos EUA, a produção de aço continua avançando e os preços voltaram a se elevar.

Na China, o PIB avançou 4,8% a/a no 3T25, mostrando desaceleração em relação aos dois primeiros trimestres do ano, e levemente abaixo da meta do governo para 2025 (em torno de 5%). Já a produção industrial continuou em forte ritmo e atingiu 6,5% a/a em setembro, enquanto o PMI Industrial voltou recuar em outubro. Nesse contexto, a produção e o consumo de aço continuaram em queda tanto em relação ao mês anterior, como na comparação anual, e, no acumulado dos nove primeiros meses de 2025, retraíram 4,7% e 5,8 a/a, respectivamente. Diante da desaceleração do consumo, os preços de aço na região continuaram arrefecendo e encerraram o mês de outubro em US$ 470/t (-1,1% m/m).

Já nos EUA, as cotações da bobina laminada a quente voltaram a avançar e ficaram em US$ 851/t (+6,4% m/m) no fechamento de outubro. Dados mais recentes mostram que a produção de aço no país continuou avançando em setembro (+3,5% m/m e +12,4% a/a), mas os dados de importação de aço no país não foram divulgados em razão do shutdown.

As cotações de minério de ferro se mantiveram relativamente estáveis e encerraram o mês em ~US$ 105/t

Com relação ao minério de ferro, as importações na China se mantiveram aquecidas, e os estoques da commodity avançaram gradualmente ao longo de outubro e atingiram o maior patamar desde fevereiro/25. Ainda assim, as cotações de minério de ferro se mantiveram relativamente estáveis, e encerraram o mês em ~US$ 105/t. As cotações permaneceram acima dos US$ 100/t desde julho/2025, refletindo também o otimismo do mercado com relação à possível racionalização da indústria siderúrgica chinesa por meio do corte de produção pretendido pelo governo.

No Brasil, o consumo de aço se manteve em forte ritmo, enquanto as importações recuaram pelo segundo mês consecutivo

Apesar da redução de 2,3% m/m na produção de aço em setembro, o consumo aparente teve incremento de 3,9% m/m, e as vendas internas acompanharam o crescimento da demanda (+3,8% m/m). Já as importações, que já tinham recuado no mês de agosto, continuaram desacelerando (-9,6% m/m) e representaram 19,7% do consumo. Ainda assim, no acumulado do ano até setembro as importações totais somaram 5,1 Mt (+9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior), sendo que na categoria de laminados o salto foi de 23,8% no período.

Exportações brasileiras de minério de ferro seguiram elevadas

As exportações de minério de ferro voltaram a acelerar em outubro e atingiram o segundo maior volume mensal da série histórica. Segundo dados preliminares referentes à primeira semana de novembro, o ritmo diário de embarques se manteve. No acumulado dos primeiros 10 meses de 2025, houve aumento de 19 Mt a/a no volume total embarcado pelo Brasil (+5,8% a/a).

 
Fonte: InvesTalk
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/11/2025

 

Aço Verde do Brasil vê pouco espaço para os EUA recuarem tarifas sobre o aço brasileiro

Apesar da recente aproximação entre Brasil e Estados Unidos, a presidente da Aço Verde do Brasil (AVB), Silvia Nascimento, não demonstra otimismo em relação a possíveis retrocessos do governo americano em relação às tarifas de 50% aplicadas a produtos brasileiros, entre eles o aço. “Não estou tão otimista", disse a executiva, em entrevista ao Valor.

"Não acho que o governo Trump vá voltar atrás e vai voltar as tarifas para 10%, como é com ferro-gusa e outras commodities que interessam a eles. Se houver, pode ser que ele reduza para 35%, que seria o melhor dos cenários”, afirmou.

Recentemente, o presidente Lula (PT) e Donald Trump se encontraram na Malásia e acertaram que suas equipes se reuniriam para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras – agenda que está em andamento. Segundo Nascimento, o gesto americano de iniciar conversas pode representar sinalização política, mas não necessariamente um recuo efetivo nas medidas de proteção à indústria dos EUA.

“O governo Trump deve sinalizar uma boa vontade de abrir um diálogo e pode voltar para tarifas da OMC [Organização Mundial do Comércio], mas não creio que volte a patamares anteriores”, disse.

O setor siderúrgico brasileiro tem sido um dos mais afetados pelas medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. O ferro-gusa, matéria-prima usada na produção de aço, foi uma das poucas exceções: o governo americano aplicou tarifa de apenas 10% sobre o insumo, um alívio para produtores brasileiros.

Embora a maior parte das vendas da Aço Verde do Brasil esteja concentrada no mercado interno, a empresa acompanha com atenção os desdobramentos das negociações, diante da possibilidade de novos impactos sobre a competitividade do produto nacional no exterior.

Neste trimestre, a AVB embarcou 11 mil toneladas de ferro-gusa para a americana Big River, em operação que deve se repetir apenas uma vez mais, com nova remessa prevista para meados de novembro, devido a um prêmio adicional pago pelo cliente.

Silvia Nascimento, no entanto, avalia que essa movimentação é pontual e talvez esse movimento de exportação não se repita, já que a perspectiva é que, nos próximos trimestres, o setor siderúrgico no Brasil se recupere. Com a expectativa de uma retomada gradual da demanda doméstica, a Aço Verde do Brasil deve concentrar seus esforços no mercado interno.

Resultados do terceiro trimestre

A empresa registrou lucro líquido de R$ 12,1 milhões no terceiro trimestre de 2025, queda de 88,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia lucrado R$ 106,9 milhões. O resultado reflete a queda do preço do aço causada pela entrada de produtos importados, sobretudo da China, e em menor proporção, a redução no volume em função de troca de equipamentos.

Apesar de margens mais apertadas, a expectativa de melhora no segundo semestre se confirmou, puxada, principalmente, pelo aumento da demanda do segmento de construção civil. “O terceiro trimestre foi melhor do que o segundo e estamos vendo um quarto trimestre bastante positivo. Outubro foi mês recorde com sinais de recuperação de preços, entre 2% e 4% a depender do cliente”, diz a companhia.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/11/2025