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Cenário econômico do 1º trimestre de 2026 preocupa indústrias processadoras do aço

O início de 2026 é marcado por um cenário de desaceleração gradual da economia brasileira, com crescimento moderado, juros ainda elevados e atividade industrial perdendo fôlego.

As indústrias processadoras de aço, representadas pela Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço), seguem operando sob pressão em um ambiente que combina a demanda ainda enfraquecida e o aumento da concorrência externa. O desempenho do primeiro trimestre permanece abaixo do observado no mesmo período do ano passado, indicando que que ainda não há recuperação.

O cenário reforça os desafios de competitividade enfrentados pela indústria nacional em um contexto de transformações no mercado global. Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentam uma queda na produção industrial de 8%, comparando fevereiro de 2025 com o mesmo mês em 2026.

“O resultado reflete um ambiente de demanda fragilizada, ao mesmo tempo em que se intensificam fatores externos que impactam a competitividade da indústria nacional”, explica Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel.

Nesse contexto, as importações de produtos processados de aço seguem como um dos principais elementos de atenção. Embora o primeiro bimestre de 2026 tenha registrado queda de 10,8% em volume e 13,8% em valor frente ao mesmo período de 2025, o movimento ocorre após um ciclo prolongado de crescimento. Entre 2019 e 2025, o volume importado avançou cerca de 95%, ultrapassando 821 mil toneladas, consolidando uma mudança estrutural no padrão de abastecimento do mercado brasileiro. Paralelamente, observa-se a redução dos preços médios internacionais, ampliando a pressão competitiva sobre os produtores domésticos, segundo dados de relatório elaborado pela Abimetal-Sicetel.

Pressão externa persistente e elevação de custos intensificam desafios

A análise desagregada das importações indica que a desaceleração recente não ocorre de forma uniforme entre os segmentos. De acordo com o relatório econômico da associação, 96 produtos avaliados, 49 registraram aumento no início de 2026, sendo 36 com crescimento superior a 10%, o que evidencia uma redistribuição da competitividade externa em nichos específicos. A China permanece como principal origem, concentrando 58,9% do volume importado, com diferencial relevante de preços em relação ao mercado interno - em alguns casos, até 40% inferiores -, o que amplia o deslocamento da produção nacional em diversos segmentos.

“Os dados mostram um avanço consistente em segmentos estratégicos, com destaque para a presença crescente de produtos importados, especialmente da China. Esse movimento, associado a diferenças relevantes de preços, acaba criando distorções competitivas importantes e ampliando o deslocamento da produção nacional. É um processo que merece maior atenção do Governo Federal, pois impacta diretamente a sustentabilidade da indústria brasileira ao longo da cadeia”, afirma o presidente da Abimetal-Sicetel.

Ao mesmo tempo, o ambiente internacional apresenta uma inflexão na trajetória de preços do aço e de seus insumos. O minério de ferro acumula alta de 2,8% no início de 2026, enquanto produtos como a bobina a frio de aço inoxidável registram elevação superior a 8%. Esse movimento, associado à expectativa de restrições de oferta no mercado asiático e à elevação dos custos logísticos, tende a pressionar a estrutura de custos da indústria processadora brasileira, reduzindo margens em um contexto de forte concorrência com produtos importados.

Para Martins, o cenário exige atenção contínua. “O setor enfrenta um desequilíbrio relevante entre custos e preços. A permanência de importações em níveis elevados, associada à elevação dos custos de insumos, compromete a competitividade da indústria nacional e reforça a necessidade de medidas que promovam condições mais equilibradas de concorrência”, defende.

Diante desse panorama, a expectativa é que o segundo trimestre do ano siga desafiador para o setor de processamento do aço. A possível manutenção de custos elevados de insumos e a dinâmica do mercado internacional podem influenciar, a longo prazo, o desempenho da indústria nacional.

“A indústria brasileira está no limite de sua capacidade de adaptação a momentos desafiadores. O governo brasileiro precisa estar atento a essas dificuldades, pois o momento requer políticas públicas de defesa da indústria. Cabe ao governo intensificar o combate às importações subfaturadas, que afetam diretamente a competitividade da indústria, ao mesmo tempo que deixam de recolher tributos, o que poderia justificar o aumento do efetivo de fiscalização para combater esses ilícitos”, pontua o presidente da Abimetal-Sicetel.

 
Fonte: Assessoria de Imprensa
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 08/04/2026

 

Importação de aço deve desacelerar nos próximos meses, apontam analistas

Com as decisões recentes do governo de aplicar medidas antidumping sobre o aço vindo da China e da Índia, desde fevereiro, analistas já têm visto sinais de desaceleração na importação.

Segundo o Citi, os dados de fevereiro apontam uma desaceleração nas importações. “Ao mesmo tempo, os custos de frete aumentaram tanto para o aço plano quanto para o aço longo, elevando o custo final do material importado e atuando como uma barreira parcial à penetração das importações”, afirmou o banco em relatório.

“Esse efeito foi parcialmente compensado pelo real ainda relativamente forte. Interpretamos esses movimentos como parcialmente ligados à dinâmica comercial, incluindo as expectativas em torno das medidas antidumping, que já estão influenciando o comportamento dos preços e o momento das importações”, conclui o Citi.

Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu as investigações e definiu a aplicação do direito antidumping definitiva por até cinco anos. O dumping é uma forma de concorrência desleal, em que um país exporta produtos a preços mais baixos que os do mercado local e prejudica a produção do país importador. Quando o dumping é comprovado, o governo pode aplicar uma taxa adicional ou definir uma cota de importação.

Para os laminados planos a frio, a cobrança sobre a tonelada vai de US$ 322,93 a US$ 670,02. Aos laminados planos revestidos, de US$ 284,98 a US$ 709,63.

Na visão do UBS BB, as medidas do governo para reduzir a importação de aço têm sido favoráveis: “Temos defendido que os investidores em aço devem dar preferência a regiões protegidas, a fim de limitar a exposição às dinâmicas globais desafiadoras de oferta e demanda e aos fluxos de exportação chineses. Agora, estamos mais confiantes na capacidade do Brasil de defender sua indústria siderúrgica nacional, já que as medidas antidumping recentemente implementadas abrangem atualmente cerca de 40% do total das importações do país, com mais medidas a caminho.”

Para o banco, períodos de aumento do protecionismo estão entre os poucos pontos de inflexão que levam os investidores a adotarem uma postura mais construtiva em relação às ações do setor siderúrgico, como foi o caso nos Estados Unidos, na União Europeia e no México.

A indústria siderúrgica latinoamericana enfrenta um cenário desafiador, segundo a Associação Latinoamericana do Aço (Alacero), marcado por uma desaceleração econômica global e uma crescente pressão externa decorrente do avanço do aço chinês nos mercados, com excesso de capacidade e concentração nas cadeias de abastecimento. “A elevada incerteza internacional, as mudanças nas políticas comerciais das principais economias e as tensões geopolíticas condicionam ainda mais o contexto regional”, afirma a associação em relatório.

Para a Alacero, 2026 deve ser um ano crucial para organizar a agenda de defesa comercial e avançar em uma estratégia regional coordenada que fortaleça a competitividade da cadeia de valor do aço na região. “Na Alacero, estamos convencidos de que a América Latina não está condenada a ser apenas fornecedora de matérias-primas: ela tem tudo para ser também o coração industrial de seu próprio desenvolvimento”, disse Ezequiel Tavernelli, diretor-executivo da Alacero, em nota.


 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 07/04/2026

EUA reformulam tarifas sobre metais e impulsionam nova fase da política industrial

Os Estados Unidos deram um passo decisivo na reformulação de sua política comercial ao redefinir as tarifas aplicadas a produtos que utilizam aço, alumínio e cobre. A nova estrutura, que estabelece uma alíquota de 25% para bens com presença relevante desses metais, não apenas simplifica o modelo anterior, como também sinaliza uma estratégia mais ampla de fortalecimento da indústria doméstica e reorganização das cadeias produtivas globais.

A principal inovação está na forma de cálculo. A partir de agora, a tarifa incide sobre o valor total do produto importado — e não mais apenas sobre o conteúdo metálico incorporado. Na prática, a mudança elimina uma das maiores complexidades do sistema anterior, que exigia dos importadores a mensuração detalhada da participação de metais em milhares de itens, de eletrodomésticos a equipamentos industriais.

Além disso, o novo modelo estabelece um critério mais direto: produtos com mais de 15% de aço, alumínio ou cobre em peso passam automaticamente a ser tributados em 25%, enquanto itens abaixo desse limite deixam de ser enquadrados nesse regime específico. Embora represente uma redução frente à antiga tarifa de 50% aplicada a determinados produtos derivados, a nova metodologia tende a ampliar o impacto efetivo da cobrança, já que considera o valor integral da mercadoria.

Segundo a Casa Branca, a medida busca corrigir distorções, aumentar a transparência e evitar subdeclarações nos valores de importação. Ao mesmo tempo, reforça o objetivo central de proteger setores considerados estratégicos para a segurança econômica e nacional dos Estados Unidos. Dados do próprio governo indicam que, desde a adoção de tarifas sob a Seção 232, a utilização da capacidade produtiva doméstica de alumínio subiu de cerca de 39% em 2017 para mais de 50% atualmente — um avanço atribuído, em parte, ao ambiente mais protegido.

O redesenho tarifário também traz nuances importantes. Produtos fabricados no exterior, mas com insumos metálicos originários dos Estados Unidos ou do Reino Unido, passam a contar com alíquotas reduzidas de 10%, enquanto determinados equipamentos industriais e de infraestrutura terão tarifas de 15% até 2027, em uma tentativa de equilibrar proteção e estímulo à expansão da base industrial.

Para a indústria brasileira, o novo cenário combina avanços operacionais e desafios comerciais. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) avalia positivamente a simplificação das regras, que elimina a necessidade de cálculos complexos sobre o teor metálico dos produtos. No entanto, o aumento da alíquota — que em muitos casos sobe de 10% para 25% — tende a pressionar a competitividade das exportações.

Segundo o presidente-executivo da entidade, José Velloso, a mudança traz um alívio administrativo, mas impõe um custo adicional relevante. A avaliação reflete um movimento já observado nos dados recentes: em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos recuaram 9,1%, enquanto a participação americana nas vendas externas do setor caiu de 27% para 23%.

Apesar das preocupações, especialistas apontam que o novo modelo pode trazer maior previsibilidade às relações comerciais, reduzindo incertezas regulatórias e facilitando o planejamento das empresas. Em um ambiente global marcado por disputas comerciais e reconfiguração de cadeias produtivas, a clareza nas regras tende a se tornar um ativo estratégico.

No horizonte, a política americana reforça uma tendência mais ampla de fortalecimento de indústrias nacionais em setores-chave, ao mesmo tempo em que redefine fluxos de comércio internacional. Para países exportadores como o Brasil, o desafio será adaptar-se rapidamente às novas condições — seja por meio de ganhos de eficiência, diversificação de mercados ou reposicionamento estratégico nas cadeias globais.

Em meio a esse cenário, a reconfiguração tarifária dos Estados Unidos não apenas redesenha custos e margens, mas também abre espaço para uma nova dinâmica de cooperação e competição internacional, na qual previsibilidade, inovação e capacidade de adaptação serão fatores determinantes para o sucesso.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 06/04/2026

 

Trump reformula tarifas sobre aço e alumínio e eleva custo efetivo de importações

O governo do ex-presidente Donald Trump se prepara para anunciar uma reformulação significativa nas tarifas sobre aço e alumínio importados, em uma medida que busca simplificar a cobrança sobre produtos industrializados, mas que pode, na prática, elevar o custo de importações e gerar efeitos em cadeia no comércio global.

Segundo informações divulgadas por veículos como o The Wall Street Journal, a proposta prevê a criação de um sistema escalonado de tarifas. Produtos básicos — como aço bruto e alumínio primário — continuarão sujeitos a sobretaxas de até 50%. Já bens manufaturados que utilizam esses metais passarão a ser tarifados em 25%, incidindo sobre o valor total do produto, e não apenas sobre o conteúdo metálico.

Mudança estrutural no cálculo das tarifas

A principal alteração está na forma de cálculo. Atualmente, as tarifas podem chegar a 50%, mas incidem apenas sobre a fração de aço ou alumínio presente no produto. Com a mudança, a alíquota menor (25%) será aplicada sobre o valor total do item importado — o que, na prática, pode elevar o custo efetivo para uma ampla gama de produtos.

A iniciativa surge após pressão de empresas americanas, que enfrentavam dificuldades operacionais para calcular o conteúdo metálico de produtos complexos. Itens simples, como fio dental com pequenas partes metálicas, chegaram a gerar dúvidas regulatórias.

A expectativa é que a nova regra simplifique a conformidade tributária, mas aumente a arrecadação e reforce a proteção à indústria doméstica dos Estados Unidos.

Impactos econômicos e setoriais

Analistas avaliam que a medida tende a beneficiar produtores locais de aço e alumínio, ao mesmo tempo em que prejudica importadores e indústrias que dependem de insumos estrangeiros.

Setores como automotivo, construção civil e fabricação de máquinas devem sentir maior pressão de custos. Há também o risco de impacto inflacionário marginal, já que o encarecimento de produtos importados pode ser repassado ao consumidor final.

A reação do mercado foi imediata: ações de empresas do setor metálico registraram queda após as notícias, refletindo incertezas sobre os efeitos da política.

Consequências para o Brasil e a indústria do aço

Para o Brasil, um dos relevantes exportadores de aço semiacabado e produtos siderúrgicos, os efeitos podem ser mistos.

Por um lado, a manutenção de tarifas elevadas (até 50%) sobre produtos básicos limita a competitividade direta do aço brasileiro no mercado americano, historicamente um dos principais destinos das exportações do setor.

Por outro lado, a nova estrutura pode criar oportunidades indiretas. Com o aumento do custo de produtos industrializados importados nos EUA, empresas americanas podem buscar fornecedores alternativos ou ampliar a produção doméstica, o que pode elevar a demanda por insumos intermediários, como placas de aço, segmento em que o Brasil é competitivo.

Além disso, a reorganização das cadeias globais pode redirecionar fluxos comerciais. Países que perderem espaço no mercado americano podem buscar novos destinos, aumentando a concorrência em mercados onde o Brasil atua, como América Latina e Europa.

Outro risco relevante é o efeito sobre preços internacionais. Caso a política reduza o comércio global ou gere excesso de oferta em outras regiões, os preços do aço podem sofrer pressão, afetando margens de produtores brasileiros.

Cenário global mais incerto

A medida também ocorre em um contexto de tensões comerciais e geopolíticas, além de questionamentos jurídicos. Decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos limitaram parte das tarifas anteriores, levando o governo a reformular sua estratégia.

No pano de fundo, a política busca conter a sobrecapacidade global — frequentemente associada à produção chinesa — e fortalecer a indústria americana, tema sensível em ano eleitoral.

Para o Brasil, o desdobramento dependerá da reação dos mercados e da capacidade da indústria nacional de se adaptar a um ambiente mais protecionista e volátil. O setor siderúrgico brasileiro, já pressionado por custos e concorrência internacional, deverá acompanhar de perto os próximos movimentos da política comercial americana.
 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/04/2026

EUA garantem acesso a terras raras do Brasil em acordo bilionário

Os Estados Unidos avançaram na disputa global por minerais estratégicos ao garantir acesso a terras raras produzidas no Brasil como parte de um financiamento de US$ 565 milhões à mineradora Serra Verde.

O acordo, conduzido pela U.S. International Development Finance Corporation (DFC), inclui mecanismos que permitem aos americanos influenciar o destino da produção, uma condição inédita até então não divulgada.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para reduzir sua dependência da China, que hoje domina a cadeia global de terras raras, insumos essenciais para tecnologias que vão de carros elétricos a sistemas de defesa.

Brasil no centro da corrida por minerais estratégicos

O Brasil ocupa posição estratégica nesse tabuleiro. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda tem produção limitada.

Atualmente, a Serra Verde opera a única mina ativa dedicada a esses minerais no país, localizada em Goiás.

A jazida de Pela Ema, explorada pela companhia, é uma das poucas fontes relevantes de terras raras pesadas fora da China, um diferencial que tem atraído atenção crescente de governos e empresas ao redor do mundo.

Esses elementos são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, veículos elétricos, eletrônicos e equipamentos militares, tornando-se peças-chave na transição energética e na segurança nacional.

Acordo inclui controle sobre destino da produção

Segundo executivos da DFC, o financiamento está atrelado a cláusulas de “offtake”, que garantem prioridade de fornecimento a empresas americanas ou alinhadas aos interesses dos EUA.

Na prática, isso significa que parte relevante da produção da mineradora brasileira poderá ser direcionada ao mercado norte-americano, limitando sua disponibilidade para outros compradores, inclusive a própria China.

O movimento reflete uma mudança de postura de Washington, que tem adotado uma política industrial mais ativa para garantir acesso a insumos críticos, especialmente após gargalos nas cadeias globais durante a pandemia e tensões geopolíticas recentes.

Disputa global se intensifica

Além dos EUA, outros atores também buscam acesso às reservas brasileiras. A União Europeia, a Índia e a própria China já demonstraram interesse nos projetos de terras raras no país.

A competição ocorre em um momento de forte crescimento da demanda global, impulsionada pela eletrificação da economia, expansão das energias renováveis e corrida por tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial e armamentos.

Especialistas apontam que o controle dessas cadeias pode redefinir relações de poder nas próximas décadas, substituindo o papel histórico do petróleo por minerais críticos.

Estratégia dos EUA vai além do Brasil

O acordo com a Serra Verde não é isolado. A DFC também negocia participação acionária em empresas de minerais estratégicos, como a australiana Syrah Resources, produtora de grafite, outro insumo essencial para baterias.

A agência americana avalia converter dívida em participação acionária, o que ampliaria seu controle direto sobre ativos considerados estratégicos.

Além disso, instituições como o banco de exportação dos EUA analisam financiamentos bilionários para projetos de mineração de outros minerais críticos, como antimônio, usado na indústria de defesa.

Desafio brasileiro: potencial versus financiamento

Apesar do interesse internacional, o Brasil ainda enfrenta entraves para expandir sua produção.

Pelo menos meia dúzia de projetos de terras raras está em desenvolvimento, mas a falta de financiamento e infraestrutura limita o avanço.

Nos últimos anos, a Serra Verde chegou a redirecionar parte de sua produção, antes destinada majoritariamente à China, para compradores globais — movimento alinhado à diversificação de mercados.

O governo brasileiro mantém diálogo com os EUA sobre cooperação no setor, enquanto busca equilibrar interesses econômicos e soberania sobre recursos naturais.

 
Fonte: Veja
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/04/2026

 

Minerais Críticos: relatório do marco legal não inclui nova estatal, diz Jardim

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) afirmou nesta terça-feira (31) que o texto final da proposta de marco legal dos minerais críticos não vai incluir a criação de estatal ou restringir exportações de minerais. As duas medidas foram ventiladas nas discussões de integrantes do governo que integram o GT (Grupo de Trabalho) criado para tratar deste tema.

“Não acredito e vou ser contra à visão, que dialoga mais com o passado, de que nós temos que criar uma ‘Mineirobras’ ou que devemos cercear de alguma forma a exportação. Nosso parecer não vai nesse sentido. Ele incorpora conceitos do interesse público”, disse o parlamentar

Jardim é relator PL (Projeto de Lei) 2.780/2024, que reúne outros 12 propostas legislativas a exploração de minerais críticos. A declaração foi dada durante almoço da FPE (Frente Parlamentar do Empreendedorismo), em parceria com a FPMS (Frente Parlamentar da Mineração Sustentável).

Para o deputado, a criação de uma estatal para ditar o ritmo da exploração dos minerais críticos e também defender o interesse nacional é uma forma “old-fashioned estatizante”, que não ajudará o país. A possibilidade de criar uma estatal foi levantada por integrantes do governo após os Estados Unidos buscarem acordo de cooperação com os governos estaduais na extração de terras raras. A nova estatal foi chamada em conversas internas de “Terrabras”, disseram fontes.

Parecer final
Jardim afirmou que o parecer final do PL 2.780 será protocolado na proxima semana, no dia 7 de abril, liberando o texto para análise e votação em plenário. No entanto, ele disse que a votação dependerá do que for prioridade para os deputados.

O deputado afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem interagido com o Senado para alinhar a tramitação de propostas discutidas nas duas Casas. “Motta já dialogou com o presidente Davi Alcolumbre [União-AP] para que haja uma sintonia, ou até uma sincronia, de tramitação. O projeto tramitando na Câmara vai estar observando a dinâmica do Senado”, afirmou.

 
Fonte: Agência iNFRA
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 01/04/2026