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Entre Brasil e China, distribuidores de aço recorrem a diversificação

Na disputa entre siderúrgicasnacionais e chinesas pelo mercado de aço no Brasil, um elo menos visível da cadeia vive um aperto estrutural: os distribuidores.

Essas empresas funcionam como o “estoque” e a logística da indústria: compram grandes volumes das usinas, fracionam pedidos e garantem pronta entrega para milhares de clientes – no caso, empresas menores, que não têm escala para negociar diretamente com as siderúrgicas. 

Espremidos entre o aço nacional e o importado, essas companhias enfrentam um dilema permanente: reduzir margens para sustentar a oferta local ou recorrer ao produto estrangeiro quando a diferença de preço se torna incontornável. 

Quando os valores oscilam rápido demais, ou o importado chega com descontos agressivos, o risco se concentra justamente nos distribuidores de aço: se os estoques foram montados a um preço mais alto, cada venda a um valor de mercado mais baixo pode significar prejuízo. E estoque parado é capital imobilizado.

Governo endurece regras para importações de aço

Em alguns casos, empresários do setor relatam que o material importado pode chegar ao Brasil até 50% mais barato que o equivalente produzido no país. Para quem opera com margens de um dígito, a conta simplesmente não fecha se a decisão, nessas situações, for pelo aço nacional.

No Brasil, a distribuição de aço é feita tanto por centros ligados às próprias siderúrgicas quanto por empresas independentes. Grupos como Gerdau, ArcelorMittal e Usiminas mantêm redes próprias ou autorizadas de venda. Já os distribuidores independentes, que não têm usina, compram de diferentes fornecedores para atender indústrias de pequeno e médio porte.

É nesse meio de campo que atua a Açotubo, uma empresa familiar e que é uma das maiores distribuidoras independentes do país, com faturamento próximo de R$ 2 bilhões no ano passado e presença em oito estados brasileiros, entre eles São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A empresa vende desde barras de aço carbono — o tipo mais comum, usado em construções, eixos e peças de máquinas — até aços inoxidáveis, versões mais resistentes à corrosão e aplicadas em equipamentos industriais.

A prioridade, afirma o CEO Bruno Bassi, é comprar das siderúrgicas nacionais sempre que possível. Mas há situações em que a diferença de preço do aço vindo da Ásia impõe seus limites. “O gap [a diferença entre o produto chinês e o brasileiro] de preço era de 35% . E 35% está longe de ser a nossa margem. Eu não consigo nem sair na foto”, diz o empresário.

Efeito China

No ano passado, o consumo aparente de aço no Brasil – um indicador que soma a produção local às importações e desconta as exportações, medindo a demanda efetiva – foi de 26,8 milhões de toneladas, alta de 2,6% em relação a 2024. No mesmo período, as importações chegaram a 6,4 milhões de toneladas, um salto de 7,4%, o equivalente a cerca de um quinto de todo o aço consumido no país.

 

A penetração do importado fechou o ano em 20,8% do mercado doméstico – e aproximadamente 60% desse volume teve origem na China. Nos aços planos, segmento mais ligado à indústria, a participação do aço vindo de fora do país foi ainda maior: 24%. 

Já nos aços longos, usados sobretudo na construção civil, a taxa ficou em 15,8%. Em valores, as compras externas totalizaram US$ 5,8 bilhões, praticamente estáveis na comparação anual.

Enquanto isso, a produção nacional de aço bruto recuou 1,6%, para 33,3 milhões de toneladas, e as vendas internas ficaram praticamente estáveis, em 21,2 milhões de toneladas.

Desde 2024, o governo vem ampliando as medidas de defesa comercial sobre o aço importado, incluindo a elevação temporária da tarifa para 25% em uma série de produtos, em resposta à pressão das siderúrgicas brasileiras, que alegam concorrência desleal, sobretudo da China.

No fim de janeiro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovouainda tarifas antidumping definitivas, com duração de até cinco anos, para determinados produtos siderúrgicos originários principalmente da China e da Índia.

Contenção

Mesmo quando o governo fecha uma porta ao impor tarifas sobre determinados tipos de aço vindos da China, o fluxo apenas muda de rota. Executivos do setor afirmam que as siderúrgicas chinesas sempre encontram uma forma de contornar as barreiras, especialmente por meio da triangulação comercial, que faz o produto desembarcar no Brasil com outra nacionalidade no passaporte.

Fernando Del Roy, diretor de inteligência de mercado da Açotubo, diz que o mecanismo é conhecido dentro da cadeia. “Você fecha a China e o aço vai para a Indonésia. Aí fecha a Indonésia e ele vai para o Vietnã”, afirma.

Em outros casos, o material sai da China como semiacabado, passa por uma etapa mínima de processamento em um terceiro país e entra no Brasil com nova origem declarada. “Na verdade, a matéria-prima é toda chinesa, só passou por uma máquina”, acrescenta.

O governo tenta rastrear essas operações por meio do chamado “melting certificate“, documento que identifica a origem real do aço. Mas a engenharia comercial evolui na mesma velocidade das tentativas de conter o produto importado.

A decisão recente do governo de erguer novas barreiras contra o aço chinês – com aumento de tarifas e medidas antidumping – foi recebida como positiva pelas siderúrgicas, que veem na iniciativa uma tentativa de conter distorções de preço e fechar brechas no sistema de defesa comercial.

O aço contido

Para os distribuidores, o problema é mais complicado do que parece. As tarifas atingem a chapa e o vergalhão, mas o aço também entra no país de outra forma: já transformado em peça, máquina ou equipamento.

É o que o setor chama de “aço contido” – o metal que vem embutido em produtos prontos, como carros elétricos importados da China e suas peças. Nesse caso, a barreira sobre a matéria-prima perde força, porque o aço cruza a fronteira acoplado dentro do produto final.

Na prática, o metal continua chegando ao Brasil, só que por outro caminho. Isso pressiona preços e aperta as margens não apenas dos distribuidores, mas também das indústrias que compram deles. “O mercado está cada vez mais achatado”, resume Bruno Bassi, CEO da Açotubo.

O resultado é um paradoxo difícil de resolver: como proteger as siderúrgicas sem encarecer demais o insumo para quem transforma aço em produto? Se o custo sobe rápido demais, a pressão acaba repassada ao cliente final – e volta para o distribuidor, que precisa equilibrar preço, estoque e relacionamento comercial, lembra Bassi.

Diversificação

Os efeitos da disputa comercial já aparecem no mapa de investimentos do setor. A Gerdau congelou novos aportes no Brasil e passou a priorizar os Estados Unidos. A ArcelorMittal deixou em compasso de espera seu programa de R$ 12 bilhões para o país. 

Até mesmo a Açotubo, elo intermediário da cadeia, decidiu ir além do Brasil. A resposta da distribuidora tem sido diversificar geograficamente o negócio. Nos últimos anos, o grupo incorporou operações no Peru e na Colômbia e passou a prospectar oportunidades de adquirir uma distribuidora nos Estados Unidos. 

A estratégia, segundo o CEO Bruno Bassi, não é exportar aço brasileiro, mas montar operação local em cada país, comprando e vendendo dentro do próprio mercado. A ideia é repetir o que fez no Brasil: manter estoque próximo do cliente, atender pedidos menores e ganhar na agilidade.

“A gente não pode ficar dependente de um único cenário”, diz. Para ele, a internacionalização virou uma forma de proteção. Se o Brasil entra em um ciclo mais fraco ou a guerra comercial aperta as margens, outras geografias ajudam a compensar o resultado.

Na prática, o movimento deixa de ser apenas expansão e vira blindagem em um segmento da cadeia do aço em que diluir os riscos virou questão de sobrevivência.

 
Fonte: InvestNews
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/02/2026

Aço inicia 2026 com preços estáveis enquanto setor absorve novas medidas antidumping

O mercado brasileiro de aço começa 2026 sob um cenário de estabilidade nos preços dos produtos planos e ajustes pontuais no segmento de vergalhão, em meio à expectativa pela consolidação de medidas de defesa comercial e ao avanço das importações. Após um 2025 marcado por volumes recordes de entrada de material estrangeiro, especialmente da China, o setor aguarda os efeitos práticos das iniciativas antidumping e da prorrogação da tarifa de 25% sobre 23 produtos siderúrgicos, válida até maio deste ano.

No segmento de laminados planos, os preços permaneceram majoritariamente estáveis até meados de fevereiro, período que coincidiu com a retomada das atividades após o Carnaval — tradicionalmente um momento de menor ritmo de negócios no país. Embora as usinas tenham anunciado reajustes no início do ano, parte desses aumentos ainda encontra resistência ao longo da cadeia, sobretudo diante da competição com importados e da negociação por volume entre siderúrgicas e distribuidores.

Os dados de fevereiro indicam variações mensais discretas nos principais índices. O Índice do Aço Laminado a Quente (BQ) recuou -0,28% em relação a janeiro, enquanto o Laminado a Frio (BF) apresentou leve queda de -0,09%. A Chapa Grossa (CG) ficou estável no mês, com variação nula. Já o Aço Galvanizado registrou alta de +0,16%, e o Galvalume teve avanço mais expressivo, de +3,91% no comparativo mensal. A Chapa Xadrez também não apresentou variação frente a janeiro.

No acumulado desde agosto de 2025, entretanto, os planos ainda mostram trajetória positiva. O BQ acumula alta de +11,18%, o BF de +9,47%, a Chapa Grossa de +9,98% e a Chapa Xadrez de +11,66%. O Galvanizado sobe +6,11% no mesmo intervalo. O destaque de médio prazo é o Galvalume, que registra valorização de +35,34% na comparação com fevereiro de 2024, evidenciando recuperação consistente ao longo dos últimos dois anos.

Apesar da estabilidade recente, o sentimento predominante no mercado é de viés altista. Distribuidores relatam que a expectativa em torno das medidas antidumping — incluindo investigações envolvendo laminados a quente e a frio de origem chinesa — já começa a influenciar decisões de compra. Parte dos agentes aposta que a conclusão desses processos poderá restringir a oferta de importados e dar maior sustentação aos preços domésticos no curto prazo.

Ainda assim, o ambiente concorrencial segue intenso. Há relatos de negociações caso a caso, com descontos atrelados a volume e relacionamento comercial de longo prazo. Além disso, os estoques de laminados planos nas distribuidoras cresceram 11,4% em dezembro de 2025 na comparação anual, reflexo de compras antecipadas e de um ritmo mais fraco de vendas no fim do ano, o que também contribui para limitar repasses imediatos de preços.

No segmento de aços longos, o vergalhão apresentou movimento distinto. Após dois meses de estabilidade, o índice do produto subiu +3,01% em fevereiro frente a janeiro. Ainda assim, no comparativo de dois anos — fevereiro de 2026 sobre fevereiro de 2024 — a variação é praticamente nula, em +0,18%, evidenciando o longo período de compressão de margens enfrentado pelas usinas.

O mercado de vergalhão também registrou estreitamento da faixa de preços praticados, à medida que parte das usinas tentou implementar reajustes próximos de 2% para compradores com necessidade imediata de reposição. No entanto, a falta de consenso entre os produtores e a estratégia mais agressiva de alguns concorrentes, interessados em ampliar participação de mercado, têm dificultado aumentos mais consistentes.

Fontes do setor atribuem a limitação dos reajustes à demanda ainda enfraquecida, típica do primeiro trimestre, quando fatores sazonais como chuvas intensas e menor atividade na construção civil impactam o consumo. Distribuidores que reforçaram estoques no fim de 2025, apostando em elevações mais robustas no início deste ano, agora enfrentam um cenário de vendas abaixo do esperado.

No panorama geral, a produção brasileira de aço deve recuar 2,2% em 2026, para 32,4 milhões de toneladas, pressionada por uma expectativa de aumento de 10% nas importações. O avanço do material estrangeiro segue como principal preocupação da indústria, que vê nas medidas antidumping e na manutenção da tarifa adicional instrumentos fundamentais para restabelecer condições mais equilibradas de competição.

Assim, o início de 2026 desenha um mercado em compasso de espera: de um lado, preços ainda comportados e negociações intensas; de outro, a expectativa de que a consolidação das barreiras comerciais possa redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda e abrir espaço para recomposição mais consistente das margens ao longo do ano.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/02/2026

Brasil avança em defesa comercial e proteção da indústria de aço

O Brasil dá um passo importante no fortalecimento da sua indústria siderúrgica com a implementação de medidas antidumping voltadas ao aço importado da China. A partir de 18 de fevereiro de 2026, entram em vigor tarifas adicionais que visam proteger o mercado interno contra práticas de preços predatórios e distorções comerciais, com impactos positivos para a cadeia produtiva nacional.

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou recentemente a aplicação de medidas antidumping sobre laminados planos de aço provenientes da China, abrangendo tanto produtos laminados a frio quanto aqueles revestidos, com alíquotas que podem chegar até cerca de US$ 670 por tonelada em determinados casos. Essas tarifas definitivas terão validade de até cinco anos e foram publicadas no Diário Oficial da União, entrando em vigor imediatamente.

Segundo especialistas em comércio exterior, essa iniciativa representa um reforço à estratégia brasileira de combater práticas desleais de importação, em especial quando produtos estrangeiros são vendidos a preços muito abaixo dos custos de produção, prejudicando a competitividade das empresas nacionais.

A implementação das tarifas antidumping ocorre em um contexto de busca por maior equilíbrio no comércio internacional e por garantias de sustentabilidade para plantas siderúrgicas nacionais — um movimento que pode estimular investimentos e gerar confiança no setor industrial brasileiro. Analistas destacam que, com a aplicação dessas medidas, fabricantes domésticos de laminados de aço podem recuperar participação no mercado interno e planejar estratégias de crescimento mais seguras a médio prazo.

A expectativa é de que essa política de defesa comercial não só “nivelará o campo de jogo”, como também impulsione a indústria de aço a consolidar sua posição frente à concorrência internacional, promovendo maior dinamismo econômico e incentivo à produção local.

Nesse sentido, produtores e associações industriais celebram a medida como um passo significativo para reforçar a competitividade brasileira, com potencial de atrair investimentos contínuos e fortalecer a cadeia de valor do aço no país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/02/2026

 

Camex aprova medida antidumping para importação de laminados da China

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou nesta quinta-feira, 12, a proposta de aplicação de direito antidumping definitivo às importações brasileiras de laminados planos a frio e laminados planos revestidos originárias da China.

O prazo válido é de até cinco anos.Os detalhes serão conhecidos no Diário Oficial da União (DOU). Não há data para publicação da medida.

Há meses as siderúrgicas brasileiras esperavam essa medida. Desde o fim de janeiro, o setor via como próxima de ser tomada pelo governo. Isso porque, há duas semanas, o Gecex aprovou um antidumping para o aço pré-pintado vindo da China e da Índia. A leitura nos bastidores era que o pleito começava a ser atendido.

A medida visa reduzir as importações chinesas em alta deste 2019. Segundo o Instituto Aço Brasil, o País fechou o ano de 2025 com 5,7 milhões de toneladas de aços laminados importados, uma participação de 21% de importações no mercado. A média histórica anual, de 2000 a 2019, era de 2,2 milhões de toneladas, uma participação de 21%.

Em conversa com analistas, a Usiminas sinalizou, ainda no ano passado, que as conclusões preliminares indicavam tarifas antidumping próximas de US$ 500 por tonelada para aços laminados a frio e revestidos.

Entre os analistas há o entendimento de que essa seria a companhia listada em Bolsa mais beneficiada pela medida.

 
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/02/2026

 

Camex aprova medida antidumping para importação de laminados da China

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou nesta quinta-feira, 12, a proposta de aplicação de direito antidumping definitivo às importações brasileiras de laminados planos a frio e laminados planos revestidos originárias da China.

O prazo válido é de até cinco anos.Os detalhes serão conhecidos no Diário Oficial da União (DOU). Não há data para publicação da medida.

Há meses as siderúrgicas brasileiras esperavam essa medida. Desde o fim de janeiro, o setor via como próxima de ser tomada pelo governo. Isso porque, há duas semanas, o Gecex aprovou um antidumping para o aço pré-pintado vindo da China e da Índia. A leitura nos bastidores era que o pleito começava a ser atendido.

A medida visa reduzir as importações chinesas em alta deste 2019. Segundo o Instituto Aço Brasil, o País fechou o ano de 2025 com 5,7 milhões de toneladas de aços laminados importados, uma participação de 21% de importações no mercado. A média histórica anual, de 2000 a 2019, era de 2,2 milhões de toneladas, uma participação de 21%.

Em conversa com analistas, a Usiminas sinalizou, ainda no ano passado, que as conclusões preliminares indicavam tarifas antidumping próximas de US$ 500 por tonelada para aços laminados a frio e revestidos.

Entre os analistas há o entendimento de que essa seria a companhia listada em Bolsa mais beneficiada pela medida.

 
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/02/2026

 

Exportações brasileiras de placas de aço iniciam 2026 em alta com oferta restrita e demanda firme

O mercado brasileiro de exportação de placas de aço começou 2026 com um movimento consistente de valorização, impulsionado principalmente pela restrição na oferta global, ajustes estratégicos das siderúrgicas e um ambiente cambial favorável. Após um período de relativa estabilidade no final de 2025, os preços de referência voltaram a subir e atingiram, em fevereiro, o maior patamar em cerca de um ano, com avanço superior a 6% em relação aos níveis observados no encerramento do ano passado.

O principal motor desse movimento tem sido o equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda. Produtores brasileiros vêm enfrentando limitações de disponibilidade para novos embarques, especialmente para carregamentos programados para o segundo trimestre. Em alguns casos, fontes do setor indicam que a produção destinada ao mercado externo já está praticamente comprometida, refletindo uma demanda robusta e contratos previamente firmados.

Outro fator relevante é a estratégia adotada por grandes grupos siderúrgicos com atuação global, que têm direcionado parte significativa da produção para abastecer operações próprias em outros continentes. Esse redirecionamento contribui para reduzir o volume disponível no mercado internacional, reforçando o ambiente de oferta restrita e sustentando a valorização dos preços.

No cenário cambial, a valorização do real frente à moeda norte-americana tem favorecido a sustentação de preços mais elevados nas negociações internacionais. Essa dinâmica tem permitido aos produtores brasileiros manter competitividade e ampliar margens, sem comprometer o interesse dos compradores estrangeiros.

Além disso, o Brasil tem ampliado sua presença em mercados alternativos como Europa, México e outros países da América do Sul. Essa diversificação tem sido vista como um movimento estratégico importante para reduzir riscos comerciais e garantir estabilidade nos volumes exportados, especialmente em um contexto de negociações comerciais com os Estados Unidos envolvendo tarifas de importação. O ambiente de diálogo entre autoridades dos dois países tem gerado expectativas positivas no setor, alimentando projeções de aumentos moderados adicionais ao longo das próximas semanas.

No curto prazo, os preços continuaram avançando gradualmente, registrando alta semanal próxima de 2%, acompanhada de ampliação das faixas de negociação. Alguns agentes do mercado avaliam que, diante da escassez de material disponível, eventuais ofertas poderiam alcançar níveis ainda mais elevados, reforçando o cenário de aquecimento da demanda.

Apesar da tendência de alta, o mercado pode apresentar uma breve desaceleração operacional em função do calendário de feriados no Brasil, que tradicionalmente reduz o ritmo de negociações e embarques. Ainda assim, o sentimento predominante entre produtores é de manutenção dos preços em patamares firmes, sustentados pelo forte nível de procura. Em alguns casos recentes, compradores chegaram a aceitar ofertas sem necessidade de renegociação, sinalizando confiança no mercado.

Enquanto isso, outros segmentos do aço plano na região seguem com dinâmica distinta. As exportações latino-americanas de bobinas laminadas a quente permaneceram estáveis nas últimas semanas, refletindo menor disponibilidade para novos negócios e priorização da produção de placas, cuja demanda tem se mostrado mais aquecida. Parte dos volumes destinados ao exterior já se encontra totalmente comprometida até pelo menos o início do segundo trimestre, indicando um ambiente de oferta bastante ajustado.

No cenário internacional, compradores que tradicionalmente recorrem ao Brasil passaram a considerar fornecedores alternativos, principalmente na Ásia. Ainda assim, o produto brasileiro mantém forte presença global graças à sua qualidade e à confiabilidade logística, fatores que continuam garantindo competitividade ao país.

As perspectivas para os próximos meses permanecem favoráveis. A combinação entre demanda internacional consistente, gestão estratégica da produção e ampliação de destinos comerciais reforça a expectativa de continuidade do ciclo positivo para as exportações brasileiras de placas de aço em 2026. O setor entra no ano com fundamentos sólidos e com espaço para consolidar ainda mais sua relevância no comércio siderúrgico global.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/02/2026