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Thomas Gautier: Terras-raras para quem?

Enquanto EUA e Europa correm para reduzir a dependência de terras-raras da China – que impôs, recentemente, novos controles de exportação em meio a disputas comerciais – o Brasil parece hesitar diante de uma oportunidade extraordinária de reposicionamento global. Embora debruçado sobre a segunda maior reserva desses minerais no planeta, o País corre o sério risco de ser simples espectador diante da próxima onda tecnológica.

As terras-raras sustentam setores estratégicos, a exemplo dos chips, imprescindíveis à liderança digital. Inserido nessa cadeia de forma competitiva, o Brasil poderia ajudar a reduzir a concentração de fornecedores e surgir como alternativa ao risco de desabastecimento, em caso de agravamento das tensões geopolíticas. Sem contar que sua matriz energética possibilita a produção com menor custo ambiental de itens como baterias elétricas, turbinas eólicas e sistemas de defesa.

De acordo com números da Agência Nacional de Mineração (ANM), divulgados no portal do Senado, as autorizações a empresas para pesquisas de elementos em terras-raras brasileiras saltaram de 40 em 2015 para mais de 1.300 em 2024. A maior parte concentrada nos estados de Bahia, Goiás e Minas Gerais. Trata-se de um avanço importante, porém, insuficiente.

A extração brasileira ainda gira em torno de 20 toneladas anuais, contra 270 mil toneladas na China. Mesmo países como EUA, Índia, Myanmar, Nigéria e Vietnã já operam em volumes mais altos que o nosso. E aqui surge um dos maiores gargalos. O Brasil poderia acelerar seu avanço, caso se libertasse da lógica de exportação primária.

E como fazer isso? Com investimentos em atividades que agreguem valor às matérias-primas, como separação, processamento químico e manufatura avançada, em que o valor econômico dos produtos se multiplica. Transformar minerais em componentes de alta tecnologia é o que vai diferenciar nações que lideram os novos tempos das que permanecem como exportadoras de minério barato.

O contraste será cada vez mais evidente. A demanda global por minerais críticos deve crescer de duas a oito vezes até 2040, segundo o Ministério de Minas e Energia. Em paralelo, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) projeta mais de R$ 10 bilhões em investimentos no setor de terras-raras entre 2025 e 2029, quase 50% acima do período anterior, entre 2024 e 2028.

Em um momento de redesenho das cadeias globais de suprimento, é urgente que esses investimentos ajudem o País a se adaptar às novas demandas. Desenvolver cadeias desses minerais críticos pode gerar milhares de empregos e reduzir intensamente a dependência de importações de peças, por exemplo, para veículos elétricos ou híbridos, deixando o mercado nacional menos sujeito ao humor do cenário externo e fortalecendo a indústria local.

E existe um obstáculo ainda maior: a logística. Um país que transporta 25% mais carga do que há dez anos usando praticamente a mesma infraestrutura, como aponta o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), terá enorme dificuldade de competir globalmente. Sem estratégias adequadas e digitalização da estrada para reduzir custos, não basta extrair e processar minerais.

Estamos, portanto, diante de um momento único, em que o mundo vive um rearranjo importante. Se o Brasil não reduzir seus gargalos de logística e de tecnologia industrial, poderá perder uma janela histórica, que talvez nunca mais se repita. Seremos mais do mesmo, ou vamos transformar o futuro?
 

*Thomas Gautier
CEO da Freto

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Opinião
Publicação: 02/02/2026

Medidas antidumping são aprovadas e beneficiam siderúrgicas – o que vem a seguir?

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) divulgou na última quarta-feira (28) as decisões de sua 233ª reunião ordinária. Entre elas, o comitê aprovou aplicar uma taxa antidumping definitiva sobre as importações de aço pré pintado da China e da Índia, por um período de até cinco anos.

Embora a margem antidumping final ainda não tenha sido divulgada —o que deve ocorrer nos próximos dias —, o relatório técnico preliminar anterior apontou margens antidumping de 21,7% (ou US$ 210,85/tonelada) para as importações da Índia e de 31,9% a 46,9% (ou US$ 252,53 a US$ 329,87/tonelada) para os produtos chineses.

O comitê também aprovou o aumento das tarifas de importação de 10,8% (12,6% em alguns casos) para 25% sobre determinados produtos siderúrgicos, incluindo alguns laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio máquina.

O Bradesco BBI aponta que esta é uma notícia positiva para as siderúrgicas. Com relação aos aumentos tarifários, as importações dos produtos afetados totalizaram 623 mil toneladas em 2025, representando aproximadamente 10% do total das importações de aço.

“Embora as medidas abranjam uma ampla gama de produtos —em sua maioria provenientes da China —, é razoável esperar que uma tarifa de 25% aproxime os preços domésticos do aço da paridade com o material importado (dos atuais 21% para cerca de 8%). Em última análise, isso tende a tornar as importações desses itens economicamente inviáveis e a dar suporte aos preços domésticos”, avalia.

No que diz respeito às medidas antidumping, entre as siderúrgicas sob sua cobertura, apenas a CSN (CSNA3) possui exposição ao aço pré pintado (cerca de 10% das vendas).

Ainda assim, avalia o BBI, a decisão aumenta a probabilidade de aplicação de medidas para produtos CRC (fevereiro), galvanizados (março) e HRC (novembro).

O banco projeta impacto limitado nos preços domésticos caso essas medidas sejam implementadas. Para CRC e HRC, os volumes de importação visados nas petições já são bastante baixos; no caso da HRC, a participação da China nas importações caiu significativamente nos últimos meses. O efeito mais material tende a ser observado nos produtos galvanizados, segmento em que cerca de 30% da demanda doméstica é suprida por importações —quase integralmente originadas da China.

A estimativa é que uma variação de 1% nos preços domésticos equivale a aproximadamente 9% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Usiminas (USIM5), 2% da Gerdau (GGBR4) e 1% da CSN.

“Assim, embora reconheçamos que os anúncios são positivos para o setor siderúrgico, mantemos uma postura mais cautelosa. A penetração das importações já vem diminuindo nos últimos meses —em parte porque os volumes chineses foram reduzidos ou redirecionados para outros mercados —, o que limita o impacto potencial das medidas anunciadas”, aponta. Além disso, conclui o banco, a dinâmica de demanda mais fraca, combinada com níveis elevados de estoques, deve restringir o espaço para uma recuperação mais expressiva dos preços no curto prazo.

O Morgan Stanley também olha para os próximos eventos, ressaltando que próxima reunião ordinária da Gecex está agendada para 12 de fevereiro de 2026. O banco americano vê que a possibilidade de que o comitê inclua na pauta da sessão as investigações antidumping sobre: ??1) bobinas ou chapas laminadas a frio (decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026); e 2) produtos laminados planos revestidos (decisão final prevista para 2 de março de 2026).

Os produtos de aço pré-pintados sujeitos às novas tarifas representam aproximadamente 5% do total das importações de aço do Brasil. Entre as empresas que acompanha, apenas a CSN está exposta a esses produtos, avalia o Morgan.

“Esperamos que o mercado reaja positivamente, visto que a decisão melhora o sentimento do mercado e elimina a incerteza causada pela percepção de inação do governo no apoio às siderúrgicas nacionais. Dito isso, permanecemos céticos quanto à eficácia a longo prazo das medidas corretivas, dada a prevalência histórica de práticas de evasão. Portanto, acreditamos que as importações permanecerão elevadas em 2026, embora as ações provavelmente continuem a subir no curto prazo, reagindo favoravelmente à decisão do governo”, avalia o Morgan.

O Itaú BBA avalia que, com o avanço das medidas de defesa comercial, a perspectiva para a indústria siderúrgica brasileira torna-se mais construtiva, com a Usiminas e a CSN destacando-se como principais beneficiárias.

 
Fonte: Infomoney
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 30/01/2026

Alta de tarifas sobre aço importado pode reconfigurar setor e destravar investimentos industriais

O governo federal aprovou recentemente um aumento nas tarifas de importação de diversos produtos siderúrgicos, em uma ação que sinaliza uma mudança de rumo na política comercial voltada ao setor do aço. A decisão, tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), eleva alíquotas para aproximadamente 25% em um conjunto de produtos importados e impõe direitos antidumping com duração de cinco anos sobre aços pré-pintados provenientes de mercados como China e Índia, em resposta a práticas consideradas predatórias de concorrência.

Embora a medida atinja cerca de 10% do total importado, ela representa um ponto de inflexão para um segmento que vinha relatando pressões crescentes. Nos últimos anos, o volume de aço importado entrou em expansão significativa — com laminados importados crescendo 168% acima da média histórica entre 2000 e 2019 — impulsionando a participação de importados no mercado doméstico para aproximadamente 21%, bem acima dos níveis tradicionais.

A indústria argumenta que essas importações, muitas vezes ofertadas a preços muito abaixo dos praticados internamente, têm prejudicado a competitividade do parque fabril nacional, corroendo margens e desestimulando novos investimentos. Em um contexto global de excesso de capacidade produtiva, especialmente em países asiáticos, a entrada de volumes a preços muito baixos é vista por produtores locais como uma ameaça estrutural à sustentabilidade do setor.

No Espírito Santo, estado que abriga uma das maiores plantas siderúrgicas do país, essa nova postura do governo é interpretada como um fator potencial para destravar projetos de expansão que vinham sendo adiados. Há cerca de um ano, havia planos para investimentos bilionários na construção de novas linhas de laminação e galvanização, mas o excesso de importações teria desestimulado a decisão final de investimento. Com a nova política tarifária, o ambiente de negócios pode se tornar mais propício à retomada desses planos, ainda que a efetividade das medidas dependa de sua implementação e de eventuais revisões ao longo do tempo.

Especialistas apontam que as barreiras tarifárias não são inéditas no cenário internacional, com exemplos similares observados em outras regiões, como na Europa, onde mecanismos de defesa comercial têm sido acionados para proteger mercados locais diante de fluxos de importação intensos. A combinação de antidumping e tarifas elevadas vem sendo adotada por diversos países como forma de equilibrar a competição e preservar capacidade produtiva interna frente a desequilíbrios externos.

No entanto, a pergunta que permanece é se essa estratégia tarifária conseguirá, de fato, reverter o quadro de desequilíbrio estrutural. Embora possa desestimular parte das importações predatórias e melhorar a competitividade da produção doméstica, o impacto sobre os preços finais ao consumidor, a produtividade industrial e a atração de novos investimentos ainda dependerá da evolução do cenário global de comércio e da capacidade de coordenação das políticas comerciais com outros incentivos à produção.

Em suma, a elevação do imposto de importação de aço representa uma tentativa clara do governo de reforçar a indústria nacional, resguardar empregos e criar um ambiente mais estável para projetos industriais de grande porte. A medida também reflete um movimento mais amplo de ajuste da política comercial em resposta a desafios externos, como o excesso de oferta global e práticas comerciais consideradas injustas, que têm pressionado setores intensivos em capital e mão de obra no Brasil e em outras economias.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 30/01/2026

Construção civil: alta carga tributária é empecilho maior que taxas de juros

Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que a taxa básica de juros pode iniciar a trajetória de queda do maior patamar das últimas duas décadas a partir de março, após a sexta reunião consecutiva de manutenção da alíquota anual de 15%, a Sondagem Indústria da Construção mostra que a elevada carga tributária nacional se tornou o principal empecilho enfrentado pelo segmento.

De acordo com o levantamento, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC), o entrave saltou cinco pontos percentuais entre o terceiro e quarto trimestre do ano passado, de 32,2% para 37,2%. Ultrapassa assim as taxas de juros elevadas, que passaram a ser a segunda maior preocupação dos industriais da construção (32,1%).

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, isso é reflexo de dois fatores. “O lançamento de programas importantes para o setor, assim como a expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajuda bastante as expectativas do setor da construção, por isso essa melhora já acontecendo desde o final do ano passado e se consolidando nesse início de 2026.”

Todos os índices de expectativas aumentaram no primeiro mês do ano, dando sequência ao otimismo observado em dezembro:

Novos empreendimentos e serviços (+1,8 ponto, para 52,9 pontos);
Número de empregados (+1,8 ponto, para 52,8 pontos);
Nível de atividade (+1,1 ponto, para 52,8 pontos);
Compras de matérias-primas (+0,8 ponto, para 52,5 pontos).
Insatisfações

Apesar das expectativas positivas, o setor ainda tem muito do que reclamar no panorama atual. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção registrou 48,6 pontos, enquanto a facilidade de acesso ao crédito atingiu 39 pontos no período, e o índice de satisfação com o lucro operacional caiu para 45,1, após recuo de 0,3 ponto. Todos ainda abaixo da linha satisfatória de 50 pontos.

“Quando se fala da construção, estamos falando de um produto de um ritmo de produção que envolve um período bastante longo, muitas vezes com uma necessidade muito grande de aporte de recursos em alguns momentos, muitas vezes com crédito para fazer os seus empreendimentos. À medida que o acesso ao crédito fica difícil por conta das taxas de juros bastante elevadas, isso afeta bastante o setor”, esclarece Azevedo.

Nesse cenário, o índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção fechou 2025 com 44,7 pontos. Esse é o pior resultado para o mês desde 2018. Com a atividade mais fraca, a Utilização da Capacidade Operacional se manteve estável em 67%, mesmo nível observado em dezembro de 2024, enquanto o índice do número de empregados caiu 1,2 ponto, para 45,7 pontos, ainda que acima da pontuação média para o mês (43,8 pontos).

Metodologia

A edição de dezembro de 2025 da Sondagem Indústria da Construção ouviu 315 empresas — 123 pequenas, 134 médias e 58 grandes — entre 5 e 14 de janeiro de 2026.

 
Fonte: Brasil 61
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 30/01/2026

Brasil deve ter o maior déficit fiscal na América Latina em 2026, diz chefe da Fitch

A América Latina tem apresentado melhoras em termos de déficit fiscal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) desde a pandemia, diferente de outros mercados emergentes. Contudo, o Brasil deve ter o maior déficit fiscal na América Latina em 2026, com a dívida do governo sendo uma das maiores da região, afirma a chefe de ratings soberanos da Fitch Ratings para Américas e Ásia-Pacífico, Shelly Shetty.

Ainda assim, a profissional menciona que a inflação no Brasil tem cedido e o crescimento econômico, aumentado.

A Fitch trabalha com a projeção de que o País deve crescer apenas um pouco abaixo de 2,0% em 2026, enquanto os Estados Unidos devem crescer 2% e a China deve ver seu crescimento cair de 5% para 2,1% por conta da demanda interna menor. Inclusive, os investimentos da China para a América Latina permanecem baixos.

Juros e câmbio

O Brasil também é exceção na região no sentido de política monetária. “Vimos a maioria dos países da América Latina capazes de cortar as taxas de juros, com exceção do Brasil, onde há anos prolongados de taxas mais altas”, afirma Shetty.

Enquanto a maior parte dos países da América Latina tem visto um diferencial de juros em relação ao Federal Reserve (Fed) abaixo da média histórica, o Brasil é um ponto fora da curva. “Com isso, obviamente, há um pano de fundo de moeda amplamente apreciada e fortalecida ao longo de 2025”, diz a chefe de ratings soberanos da agência, citando também o peso colombiano, além do real, neste sentido.

Shetty afirmou ainda, durante webinar da agência de classificação de risco, que a desvalorização global do dólar tem sido benéfica para a América Latina.

 
Fonte: Infomoney
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 29/01/2026

Gecex impõe antidumping a aço pré-pintado de China e Índia e eleva tarifas de importação

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou nesta quarta-feira (28) um conjunto de medidas de defesa comercial voltadas ao setor siderúrgico brasileiro, incluindo a aplicação de direito antidumping definitivo sobre importações de aços pré-pintados originários da China e da Índia, além da elevação do Imposto de Importação para nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) do aço. As decisões atendem a reivindicações históricas dos produtores nacionais, que vêm alertando para o aumento de importações a preços considerados abaixo do custo de produção.

O antidumping definitivo para os aços pré-pintados terá vigência de cinco anos, conforme comunicado oficial do Gecex. A medida busca neutralizar práticas de concorrência desleal identificadas nas importações provenientes dos dois países asiáticos e é considerada estratégica para a proteção da indústria siderúrgica local. Empresas como a CSN estiveram entre as principais defensoras da aplicação do antidumping, especialmente após o governo já ter adotado providência semelhante para folhas metálicas no fim de agosto.

Além do antidumping, o Gecex aprovou o aumento temporário da alíquota do Imposto de Importação de nove NCMs do setor siderúrgico, que passarão dos atuais patamares de 10,8% a 12,6% para 25%, pelo período de 12 meses. Os produtos abrangidos incluem laminados planos a quente em rolos, chapas e fio-máquina, todos com produção nacional. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a elevação tarifária é direcionada exclusivamente a itens fabricados no Brasil.

Para os produtos que não possuem fabricação nacional, permanece a possibilidade de enquadramento no regime de ex-tarifário, mecanismo que permite a redução ou até a eliminação do imposto de importação. De acordo com o MDIC, a decisão busca equilibrar a proteção à indústria local com a necessidade de garantir o abastecimento da cadeia produtiva.

Em nota, o ministério ressaltou que o realinhamento tarifário está em consonância com movimentos internacionais adotados por outros países, respeita as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e tem como objetivo fortalecer a indústria nacional em áreas consideradas estratégicas, além de aumentar a resiliência das cadeias produtivas.

O Gecex também rejeitou a adoção de cotas de importação com alíquotas reduzidas para os novos NCMs, entendendo que esse mecanismo seria inadequado para conter de forma efetiva os fluxos de importações considerados atípicos no setor siderúrgico. A decisão reflete a preocupação do governo com o crescimento das importações, sobretudo da China, em volumes elevados e a preços que pressionam a competitividade das empresas brasileiras.

O setor siderúrgico, por sua vez, ainda aguarda novas decisões nos próximos meses. Há expectativa de que até março o governo avalie a possível aplicação de medidas antidumping também sobre aços laminados a quente, outro segmento considerado sensível pelos produtores nacionais.

Com as medidas anunciadas, o governo sinaliza um endurecimento na política de defesa comercial para o aço, em um contexto de crescente disputa global e de esforços para preservar a indústria de base no país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 29/01/2026