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Flutuação dos preços dos aços longos no mercado spot: tendências e análise

Nos últimos meses, os índices dos aços longos no mercado spot brasileiro, como arame, barra chata, perfil I (viga), tubo industrial redondo e vergalhão, apresentaram variações que refletem tanto a estabilidade quanto a volatilidade do mercado. Fatores como a demanda de setores-chave (construção civil, infraestrutura e indústria automobilística) e os impactos externos da economia global, além de políticas fiscais e taxas de câmbio, foram determinantes na flutuação desses preços.

1. Aço Arame: estabilidade com recuperação ocasional

O índice do aço arame iniciou 2023 com o valor de 238,25 em março, mantendo-se estável até julho do mesmo ano. No entanto, a partir de agosto de 2023, o índice sofreu uma queda acentuada, atingindo 229,50, o que representou uma variação de -3,8%. A partir de agosto de 2024, o mercado passou a experimentar uma recuperação significativa, com o índice apresentando um aumento de 12%, alcançando 228,30. Já em março de 2025, o índice se estabilizou em 228,50, com uma leve variação positiva de 2% no mês.

Após a análise do aço arame, vamos examinar a evolução do aço barra chata, que, apesar de também ter experimentado flutuações, seguiu uma trajetória distinta de variação.

2. Aço Barra Chata: flutuações acentuadas e recuperação gradual

O índice da barra chata apresentou grandes oscilações ao longo de 2023, com uma variação expressiva de 10,1% entre março e abril de 2023, subindo para 407,50, mas depois enfrentando uma queda de -6% em maio de 2023. Essa instabilidade continuou até o final de 2023, quando o índice subiu novamente para 370,75 em dezembro. Durante o início de 2024, o índice teve uma recuperação gradual, com variações positivas de 6% em fevereiro de 2025, alcançando 404,50. No entanto, em março de 2025, o índice sofreu uma leve queda de 0,1%, ficando em 404,25.

3. Aço Perfil I (Viga): tendências de estabilidade com pequenas oscilações

O índice do aço perfil I (viga) mostrou uma evolução constante ao longo do ano, com um pico significativo de 10% em abril de 2023, subindo para 381,50. Após esse aumento inicial, o índice foi experimentando uma série de pequenas oscilações. Em janeiro de 2024, o índice caiu para 325,80, com uma variação negativa de -4,2%. Contudo, a partir de julho de 2024, o índice começou a subir novamente, com um aumento de 8,1% em agosto, atingindo 340. Em março de 2025, o índice estava em 357,75, com uma leve variação negativa de -0,1%.

4. Aço Tubo Industrial Redondo: estabilidade com recuperações intermitentes

O índice do aço tubo industrial redondo iniciou 2023 com uma estabilidade de 335,75. Contudo, no segundo semestre de 2023, o índice apresentou uma leve queda, atingindo 306 em dezembro de 2023. Em fevereiro de 2024, o índice teve uma recuperação de 5%, chegando a 321,00, seguido por uma estabilidade no valor até abril de 2024. Durante o segundo semestre de 2024, o índice novamente aumentou, com um crescimento de 5,3% em agosto. O índice de março de 2025 se estabilizou em 351,00, com uma leve variação negativa de -0,1%.

5. Aço Vergalhão: oscilações e recuperações ao longo do ano

O índice do aço vergalhão teve variações consideráveis, com uma alta de 10% em abril de 2023, alcançando 387,50. Após essa alta, o índice sofreu uma queda de -4,0% em junho de 2023, caindo para 372,00. A partir de agosto de 2024, o índice se recuperou, atingindo 370,65, com uma variação positiva de 6,5%. Em março de 2025, o índice estava em 358,50, com uma queda de -2,0%, refletindo uma desaceleração após um ano de crescimento.

Fatores que influenciam a flutuação dos Índices dos Aços Longos

A flutuação dos índices dos aços longos, assim como os aços planos, é influenciada por uma série de fatores, incluindo a variação da demanda de setores-chave como construção civil, infraestrutura e indústria automobilística. As políticas fiscais e a taxa de câmbio também desempenham um papel importante, já que esses elementos impactam diretamente os custos de produção, especialmente em relação aos insumos importados.

Além disso, a demanda por aços longos tende a ser mais sensível a flutuações econômicas, dado o uso em construções e obras de grande porte, que são diretamente afetadas por investimentos em infraestrutura.

Conclusão:

A expectativa para os próximos meses indica que o mercado continuará a apresentar oscilações, com possíveis aumentos ou quedas dependendo do cenário macroeconômico. Setores como a construção civil e a indústria automobilística devem seguir desempenhando papéis cruciais, sendo que mudanças nesses setores podem acelerar as flutuações. Além disso, a necessidade de adaptação às condições econômicas externas, como políticas de comércio internacional, pode reforçar as incertezas, tornando o mercado ainda mais dinâmico.

Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 01/04/2025

 

Diplomatas brasileiros negociam nos EUA saída para tarifaço

Uma comitiva do Ministério das Relações Exteriores viajou aos Estados Unidos na tentativa de negociar a flexibilização das tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. O grupo foi chefiado pelo embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty.

A visita, que ocorreu entre a última quarta-feira (26/3) e sexta-feira (28/3), faz parte dos esforços do governo brasileiro em dialogar com as autoridades norte-americanas para reverter os efeitos do tarifaço de Trump. Desde o último dia 12, está em vigor a tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio aos EUA, medida que afeta diretamente a indústria brasileira.

Impacto do tarifaço de Trump no Brasil

Desde que assumiu o mandato, o presidente Donald Trump tem anunciado uma série de medidas para proteger o mercado interno, que incluem a imposição de tarifas sobre a importação de produtos vindos de diversos países.
A taxação do aço afeta diretamente o Brasil, que é um dos principais exportadores do produto para os norte-americanos.
Em fevereiro, Trump também mencionou o etanol brasileiro ao decretar a política de reciprocidade de tarifas. “A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. No entanto, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre as exportações de etanol dos EUA”, disse Trump.
O governo brasileiro argumentou à administração de Trump que as medidas podem “comprometer gravemente” as relações comerciais entre os países.

Segundo fontes do Itamaraty, as conversas com as autoridades norte-americanas vão continuar nos próximos dias.

Na sexta, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo vai esperar até esta quarta-feira (2/4) para decidir quais medidas tomar diante das tarifas impostas. Esta é a data-limite para entrarem em vigor as tarifas recíprocas.

Durante viagem ao Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a mencionar a possibilidade de o Brasil adotar o princípio da reciprocidade e acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) em resposta às medidas. No entanto, nos bastidores, os negociadores têm defendido a manutenção do diálogo.

Fonte: Metrópoles
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 01/04/2025

 

China, Japão e Coreia do Sul aceleram negociações para um acordo trilateral de livre comércio

China, Japão e Coreia do Sul vão acelerar as negociações para um acordo trilateral de livre comércio e fortalecer sua cooperação para criar "um ambiente previsível de negócios e investimentos", informaram as nações em comunicado divulgado neste domingo, 30, após a 13ª Reunião Trilateral de Ministros da Economia e Comércio ocorrida em Seul, capital sul-coreana.

A reunião é a primeira nesse nível entre os três países em cinco anos e acontece em meio à guerra tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afeta ampla gama de produtos, como veículos, caminhões e autopeças.

As três nações são atingidas pelas taxações americanas: a Coreia do Sul e o Japão enquanto grandes exportadoras automotivas e a China afetada pelas tarifas de Trump sobre produtos agrícolas, aço e alumínio.

A reunião contou com a presença do Ministro da Indústria da Coreia do Sul, Ahn Duk-geun, seu colega japonês, Yoji Muto, e do Ministro do Comércio da China, Wang Wentao. Os três ministros asiáticos pediram para que as negociações para um acordo trilateral abrangente de livre comércio entre os países seja acelerado.

O ministro sul-coreano defendeu que os três países devem responder "conjuntamente" aos desafios globais compartilhados. "O ambiente econômico e comercial é marcado pela crescente fragmentação da economia global", pontuou Ahn.

Trump anunciou que aplicará tarifas personalizadas a cada parceiro comercial a partir da próxima quarta-feira, 2 de abril, para corrigir práticas que ele considera injustas. O presidente americano, no entanto, afirmou a repórteres na última semana que haveria "flexibilidade" nas tarifas.

Fonte: AFP
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 31/03/2025

 

Brasil e EUA terão mais um contato às vésperas do tarifaço de Trump

O principal negociador comercial de Donald Trump, Jamieson Greer, o chefe do USTR (US Trade Representative), planeja uma conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta segunda-feira, às vèsperas de novo choque tarifário prometido pela Casa Branca sobre produtos do mundo inteiro.

Fonte em Washington lembra que Greer vem conversando com alguns representantes de países que serão visados pela dita reciprocidade tarifária, como já aconteceu com o vice-primeiro ministro chinês He Lifeng, na semana passada.

Para o USTR, o governo Trump ‘está estabelecendo uma política comercial robusta e revigorada que promove o investimento e a produtividade nacionais, aprimora as vantagens industriais e tecnológicas dos EUA, defende nossa segurança econômica e nacional e beneficia os trabalhadores e as empresas americanas’.

Esta será a segunda conversa entre Vieira e Greer, e ocorre também no rastro de visita de missão brasileira a Washington, na semana passada, em contatos na Casa Branca, USTR, Departamento do Comércio, Departamento do Tesouro, Congresso americano e Camara do Comércio.

A conversa nesta segunda-feira tem seu peso, às vèsperas do novo tarifaço de Trump. Mas não se pode esperar nada decisivo, até porque só mesmo Trump vai decidir como será o dito ‘dia da liberação’ de exigência de reciprocidade tarifária.

Os brasileiros sabem como o jogo está funcionando em Washington, com ansiedade que é dos aliados mas também dos próprios assessores trumpianos.

No caso do Brasil, Trump implicou com a tarifa de importação de etanol pelo Brasil e ninguém na capital americana tem força para fazer ele mudar de ideia. A alíquota brasileira é de 18%, enquanto a americana sobre o etanol estrangeiro é de 2,5%.

Não só o Brasil, mas todos os países estão com a mesma dificuldade em relação ao que virá precisamente da Casa Branca na quarta-feira. A avaliação em geral é de que a reciprocidade pode se tornar uma carnificina na exportação de muitos países.

Nesse cenário, o Itamaraty assim como o MDIC continuam trabalhando sobre o tarifaço da reciprocidade, preparando o terreno porque o mundo não vai acabar na quarta-feira, 2 de abril. E continuará tentando restabelecer cotas para aço brasileiro nos EUA.

Sem surpresa, Donald Trump diz tudo e o contrário. Ele já afirmou que consideraria negociar as tarifas "apenas se as pessoas estiverem dispostas a dar algo de grande valor" aos EUA.

Depois, sugeriu que as tarifas recíprocas previstas para 2 de abril não irão tão longe quanto ele ameaçou originalmente. “Talvez eu dê vantagens a muitos países”, disse Trump. “Talvez sejamos ainda mais gentis do que isso.” Mais tarde, ele reiterou esse possível alívio, prevendo que as pessoas ficarão “agradavelmente surpresas” com as tarifas “um tanto conservadoras”, pelas quais ele visa substituição de importações.

O economista Peter Navarro, conhecido pelo anti-comércio e altamente favorável a tarifas, tem o ouvido de Trump. E defende os tarifaços, apesar do impacto economico no curto prazo. Para ele, trata-se de momento histórico envolvendo também instrumento fiscal.

Em entrevista à Tv Fox News, Navarro disse que o governo vai arrecadar mais de US$ 100 bilhões somente com as tarifas de 25% nas importações de automóveis e autopeças, anunciadas há alguns dias – e virá muito mais.

‘O que vamos esperar na próxima semana (será) para pagar o corte de impostos, que será o maior corte de impostos da história americana’, disse ele. ‘Serão milhares e milhares de dólares para as famílias de classe média. Ficaremos melhor porque teremos uma base forte de fabricantes para nos defender. Teremos salários mais altos, teremos milhões de empregos a mais e a vida será boa’.

A realidade poderá se bem diferente, como suspeita o mercado. O nacionalismo trumpiano pode causar nova recessão, retaliações, queda do crescimento global, em que todos pagarão.

Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 31/03/2025

Brasil vai recorrer à OMC contra tarifas dos EUA sobre aço e alumínio

O Brasil irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtores brasileiros, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao encerrar sua viagem ao Japão.

Lula foi questionado sobre as tarifas norte-americanas por jornalistas japoneses no momento em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a imposição de uma taxa de 25% para todos os automóveis fabricados fora dos Estados Unidos, incluindo o Japão. Já o Brasil teve as exportações de aço e alumínio taxadas também em 25% desde o dia 12 de março, e a expectativa é que novas medidas possam vir.

"Nós temos duas decisões a tomar: uma é recorrer na Organização Mundial do Comércio (OMC), que nós vamos recorrer. E a outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos. É colocar em prática a lei da reciprocidade", disse Lula na noite de quarta-feira — manhã de quinta em Tóquio — em entrevista. "Não dá pra gente ficar quieto, achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar os outros produtos."

A ideia de recorrer à OMC já havia sido admitida pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, que lidera as negociações sobre o aço com os norte-americanos, mas não havia ainda uma decisão tomada. Essa é a primeira vez que Lula confirma a intenção de recorrer.

A apelação a OMC pode ter dois resultados, normalmente: o país alvo da ação revisar suas medidas, ou se as mantiver, a organização autorizar o país que entrou com a ação a retaliar, o que o Brasil já admite fazer.

A intenção, por enquanto, é tentar manter a negociação entre os dois países para tentar retomar a política de cotas de exportação usada até este ano, mas até agora não houve avanços, e a preocupação do governo brasileiro é que outras tarifas possam vir. Há o temor de que, no anúncio de novas tarifas previsto para o próximo dia 2, mais produtos entrem nessa lista, ou que todas as exportações brasileiras passem a ser taxadas, o que já foi aventado pela Casa Branca.

Na entrevista, Lula criticou as medidas norte-americanas, apontou que podem provocar inflação no mercado dos Estados Unidos e que prejudicam o comércio mundial.

"Eu acho que o presidente Trump, como o presidente dos Estados Unidos, tem o direito de tomar decisões. O que ele precisa é medir as consequências dessas decisões. Qual será o efeito dessa decisão? Eu, sinceramente, acho que vai ser prejudicial aos Estados Unidos. Isso vai elevar o preço das coisas e pode levar a uma inflação que ele ainda não está percebendo", disse.

Durante a viagem ao Japão, Lula focou na abertura de novos mercados, com diálogo para retomar as negociações de uma acordo de comércio entre o país e o Mercosul, e também na defesa do multilateralismo e do livre comércio — ambos tema de uma declaração conjunta dos dois países. Destacou, inclusive, que esse será o tema central da reunião do Brics que o Brasil sedia em julho.

Na entrevista, ressaltou os problemas que vê no protecionismo atual.

"Eu acho muito ruim essa taxação, porque ao invés de a gente facilitar o comércio no mundo, a gente está dificultando o comércio no mundo. E esse protecionismo não ajuda nenhum país do mundo. Não ajuda. Vamos ver as consequências disso", afirmou.

Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 28/03/2025

 

7 formas como a inteligência artificial pode ser usada para revolucionar a mobilidade

2024 foi o ano em que as soluções de inteligência artificial (IA) se popularizaram entre o grande público e as empresas passaram a integrar essa tecnologia em setores como saúde, educação, finanças e automação. Na mobilidade, não foi diferente: a IA deixou de ser um conceito e passou a ser aplicada como ferramenta efetiva no dia a dia. Pelo menos em alguns lugares.

A empresa de pesquisa e consultoria Gartner prevê que, até 2026, mais de 70% das agências governamentais utilizarão IA para apoiar a tomada de decisões humanas.

É um avanço natural se levarmos em conta que a transformação das cidades tradicionais em smart cities passa necessariamente pela automação de processos e pela unificação de sistemas que antes estavam isolados. Não há como processar tantos dados em tempo real sem a ajuda de inteligência artificial.

Na lista a seguir, vamos conferir como a inteligência artificial pode ser usada (e já está sendo!) na mobilidade.

1) Automação de processos burocráticos

O condado de Palm Beach, na Flórida (EUA), passou a usar em 2017 um software de automação de documentos que utiliza algoritmos de aprendizado profundo e técnicas de aprendizado de máquina para automatizar tarefas.

Ele é capaz de executar tarefas como classificação de documentos, extração e inserção de dados. Desde sua adoção, o condado economiza aproximadamente US$ 1,9 milhão por ano ao automatizar os registros eletrônicos de documentos, acelerando o processamento, aprimorando a precisão e aumentando a eficiência judicial.

Um software de automação de documentos como esse pode ser adaptado para o setor de mobilidade, especialmente em áreas como gestão de registros de veículos, licenciamento, multas e até mesmo na automação de processos relacionados a planejamento urbano e transporte público.

2) Gerenciamento de tráfego

Ferramentas de gerenciamento de tráfego baseadas em IA já existem. A cidade de Singapura, por exemplo, observou uma redução de 20% em seus congestionamentos e um aumento de 15% na velocidade média dos veículos nos horários de pico ao implementar uma solução de gerenciamento desse tipo.

A situação por lá estava crítica: entre 2017 e 2022, o número médio de viagens diárias saltou de 9 milhões para 16 milhões, e esse valor deve chegar a 20 milhões até 2030.

Como atender essa demanda sem construir mais estradas? O jeito foi recorrer à IA, o que economizou meio bilhão de dólares aos cofres públicos.

Em 2023, mais de 80% dos cruzamentos de tráfego de Singapura (cerca de 1.500) já eram gerenciados por sistemas de IA, tornando a cidade um dos ambientes urbanos mais integrados com IA no mundo. Até 2030, Singapura planeja expandir ainda mais o papel da IA na gestão urbana, incorporando-a em outras áreas críticas, como gestão de resíduos, eficiência energética e além.

Outro bom exemplo está em Melbourne, na Austrália: a empresa Acusensus criou uma tecnologia que analisa o comportamento de um motorista dentro do veículo, sendo capaz de detectar comportamentos arriscados ao volante, como o uso do celular. Essas informações são repassadas às autoridades.

Nos primeiros dois anos de uso, a partir de 2019, a cidade observou uma redução de 22% em fatalidades nos acidentes de trânsito e de 80% no uso de celular ao volante.

3) Gerenciamento do transporte público

Por falar em Singapura, por lá eles também utilizam IA para melhorar o transporte público. Desde 2020, a cidade usa um sistema que otimiza os horários dos trens e ônibus com IA, de modo que eles circulem quando e onde são mais necessários.

Resultado: o número de passageiros no transporte público aumentou em 25% e os tempos de espera em pontos de ônibus e estações de trem caíram 15%. Essas melhorias podem parecer pequenas, mas quando se considera os milhões de passageiros diários em Cingapura, o impacto é enorme.

A medida também levou a uma redução de 10% no consumo de combustível dos ônibus públicos, o que tornou o sistema mais sustentável.

Outro bom exemplo ocorre na Alemanha: ?a Deutsche Bahn, empresa ferroviária nacional do país, implementou a inteligência artificial em diversas áreas operacionais. Todos os trens, estações e trilhos são equipados com sensores que monitoram parâmetros críticos, como temperatura, vibração e pressão.

Esses dados são analisados por algoritmos de aprendizado de máquina para identificar padrões e anomalias, permitindo a previsão de possíveis falhas antes que ocorram.

Ao analisar o barulho do trem, por exemplo, é possível prever se as rodas precisam ser trocadas. Já a verificação automática de irregularidades nos trilhos e na sinalização colabora para a segurança do sistema, com alertas imediataos caso algo esteja fora do normal.

4) Melhorias nos serviços de entregas

A UPS, maior empresa de logística e entregas dos EUA, implementou em suas operações um sistema chamado ORION (On-Road Integrated Optimization and Navigation). Trata-se de um algoritmo de otimização que analisa dados detalhados, como informações sobre pacotes, preferências dos clientes, padrões de tráfego e condições climáticas em tempo real.

Com isso, o sistema determina as rotas mais eficientes para os motoristas, ajustando-se a possíveis mudanças ao longo do dia.

Desde sua implementação, o ORION trouxe benefícios como a redução da quilometragem percorrida, o que representa uma economia de mais de 160 milhões de quilômetros anualmente.

Por consequência, também diminuiu o consumo de combustível (menos 37 milhões de litros por ano) e as emissões de poluentes (menos 100 mil toneladas métricas de carbono por ano). Estimativas apontam uma redução de custos operacionais entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões por ano.

Mas essa é só a ponta do iceberg. Em 2024, a Amazon conduziu com êxito um teste de entrega com drones na cidade de San Salvo, na Itália. O MK-30, equipado com tecnologia avançada de visão computacional, foi capaz de navegar com segurança e evitar obstáculos durante o voo.

Agora, a empresa negocia com as autoridades italianas o lançamento oficial do serviço, que será chamado de Prime Air, ainda em 2025.

O Prime Air já está ativo em algumas localidades dos EUA, como Texas e Arizona, com a promessa de entregas de pacotes em até 60 minutos utilizando drones desenvolvidos pela Amazon.

5) Carros autônomos

Não é novidade que os carros autônomos serão uma parte importante da mobilidade no futuro. Diversos projetos estão em testes no mundo inteiro e já existe até mesmo a operação comercial de alguns veículos em áreas delimitadas.

Em 2023, a Waymo (divisão do Google para carros autônomos) divulgou uma pesquisa, feita em parceria com a empresa suíça Swiss Re, que analisou dados de 6,1 milhões de km percorridos pelos seus carros autônomos.

Os resultados foram que, na comparação com as viagens feitas por seres humanos, os desclocamentos com o Waymo Driver (a tecnologia de direção totalmente autônoma da Waymo) apresentaram 76% menos reclamações por danos materiais e nenhuma reclamação por lesões corporais.

É um contraste drástico em relação aos dados de motoristas humanos que estão na base da Swiss Re, os quais registram 1,11 reclamação a cada 1,6 milhão de km.

No ano passado, contudo, um instituto independente testou 14 sistemas de direção assistida nos EUA. Onze deles tiveram performance “pobre” e os outros três foram “aceitáveis”. Nenhum passou como “bom” – o Autopilot e o Full Self-Driving da Tesla, inclusive, foram os piores avaliados.

Apesar dos avanços comerciais, ainda estamos muito distantes de uma realidade em que esses sistemas de direção autônoma, seja parcial ou completa, sejam seguros.

6) Integração de ferramentas já existentes para carros com internet das coisas e smart cities

De acordo com um relatório da Partnership for Analytics Research in Traffic Safety, até 2023, cinco recursos de ADAS (sistema de assistência de direção avançada) alcançaram taxas de penetração no mercado superiores a 90% em novos veículos.

São eles: alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência, alerta de detecção de pedestres, frenagem automática de emergência para pedestres e alerta de saída de faixa. Todas essas ferramentas têm aprendizado de máquina e IA.

Outras ferramentas com IA que já estão em nossos carros são os sistemas de reconhecimento de voz, que permitem que o motorista interaja com o veículo sem tirar os olhos da estrada, e a fusão de dados de sensores, uma técnica que combina informações de vários sensores para criar uma imagem mais precisa do ambiente do carro.

Mais para frente, a tendência é que todos esses sistemas sejam integrados a outros, maiores, que conversem também com os outro veículos – é o conceito da internet das coisas (IoT).

Pensando ainda mais longe, esses dados serão usados para alimentar sistemas de smart cities, em que a gestão de componentes essenciais da cidade (controle de tráfego, saneamento, fornecimento de água e luz etc) é feita de forma inteligente, a partir de dados coletados em tempo real.

7) Gerenciamento de redes de recarga para carros elétricos

A IA pode desempenhar um papel fundamental na gestão da infraestrutura de estações de recarga de veículos elétricos, que vai crescer bastante nos próximos anos. Ela otimiza o uso de energia e minimiza a sobrecarga nas redes elétricas durante os horários de pico, prevê padrões de demanda e distribui a energia de forma eficiente pelo sistema. 

Por exemplo, a Tesla usa IA para controlar dinamicamente sua rede de supercarregadores nos EUA, e ajusta o fornecimento de energia com base em dados de uso em tempo real. Isso ajuda a evitar a sobrecarga das infraestruturas elétricas locais, especialmente em períodos de alta demanda.

Fonte: Automotive Business
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 28/03/2025