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Indústrias calculam o ‘preço’ do tarifaço

A fabricante de armas Taurus espera em algum momento reaver US$ 18 milhões pagos em tarifas de exportação para os Estados Unidos, as quais foram derrubadas em fevereiro pela Suprema Corte do país. Assim como ela, outras grandes companhias brasileiras, exportadoras ou com produção na América do Norte, passaram a segunda metade de 2025 buscando formas de contornar os impactos do tarifaço.

Passada a safra de balanços do quarto trimestre e do exercício de 2025, indústrias como Tupy, Iochpe-Maxion, WEG e a própria Taurus fazem as contas dos estragos que as tarifas americanas fizeram em suas contas.

“A nossa guerra acabou”, afirmou o diretor-presidente da Taurus, Salesio Nuhs, na teleconferência de resultados do quarto trimestre da companhia, ao referir-se ao fim da cobrança da tarifa de 50% que vinha incidindo sobre os embarques para os EUA. Armas não entraram na lista de produtos isentos da sobretaxa de 40%, anunciada por Donald Trump em julho do ano passado e somada à alíquota “recíproca” de 10% aplicada inicialmente.

A multinacional brasileira Iochpe-Maxion, com atuação em 14 países na produção de rodas para veículos e insumos para a indústria de transporte, registrou um impacto de R$ 700 milhões em sua receita devido ao tarifaço. Como tem quatro unidades no México e nos EUA, a companhia não teve efeitos diretos das tarifas, já que, por acordos regionais, seus produtos fabricados no México são isentos quando o destino é o mercado americano. Mas sua produção foi impactada por uma queda no volume de vendas de rodas de aço e chassi para caminhões de grande porte. Foi um efeito indireto, já que, com as tarifas, as importações americanas caíram, levando junto o volume e o preço dos fretes e a vontade dos transportadores de renovar a frota.

“A queda de volumes esteve muito mais relacionada ao enfraquecimento da demanda final do que a um efeito direto das tarifas”, resume Renato Salum, diretor financeiro e de relações com investidores da Iochpe-Maxion, ao Valor. “A queda da produção de caminhões na América do Norte no ano passado teve um efeito mais indireto do que direto das tarifas. O comprador final não percebe imediatamente o impacto inflacionário nos preços, o que aumenta a incerteza e leva ao adiamento da decisão de compra, afetando a demanda ao longo da cadeia, inclusive no México”, afirma Salum.

Segundo o executivo, em termos financeiros, a Iochpe-Maxion teve “uma redução de aproximadamente R$ 700 milhões no faturamento, o equivalente a cerca de 35% da receita [da área] de componentes estruturais na América do Norte”.

Segundo Salum, com base em conversas com clientes e análises de consultorias especializadas, há expectativa de normalização da demanda no segundo semestre de 2026. “Essa visão é sustentada pelo aumento dos pedidos de veículos extrapesados observado desde o fim de 2025, movimento que se intensificou no início deste ano.”

Para a Taurus, a nova tarifa de 10% anunciada por Trump no mesmo dia da decisão judicial, com base em outro dispositivo, este da Lei de Comércio, foi praticamente compensada pelo aumento de 7% que a companhia implementou sobre os preços dos seus produtos praticados nos EUA ainda no início do tarifaço, segundo Nuhs.


"Queda de volumes esteve mais relacionada ao enfraquecimento da demanda final”
— Renato Salum

Para minimizar os efeitos, a companhia também ativou linhas de montagem na subsidiária Taurus USA, no Estado da Geórgia, passando a exportar peças, que têm valor agregado menor do que os produtos já montados. Hoje, são fabricadas na unidade todas as pistolas da família G.

“Além disso, tomamos medidas radicais com relação à produtividade, seja por redução de pessoas, ou por alteração dos nossos processos produtivos”, conta Nuhs ao Valor. Mesmo assim, a Taurus estima em US$ 18 milhões o montante pago em tarifas em 2025 e no início deste ano.

A Taurus chegou a contratar dois escritórios de advogados nos EUA para buscar a devolução das tarifas e recentemente decidiu seguir com um só.

A fundição Tupy citou o tarifaço como um fator de pressão sobre as vendas de componentes estruturais, como blocos e cabeçotes de motores, no seu desempenho do quarto trimestre. A receita líquida com esse segmento de produtos recuou 5,1% na base anual, para R$ 1,31 bilhão no período.

Para este ano, o comando da fundição disse, na teleconferência de resultados, enxergar sinais positivos no cenário externo, com a redução de incertezas relativas às tarifas refletindo-se em um aumento de pedidos em montadoras, o que deve ampliar a produção da Tupy a partir do segundo semestre. Procurada, a empresa não quis comentar.

Em relatório, analistas do banco Safra apontaram que a remoção da tarifa de 50% deve aumentar a competitividade da WEG, permitindo a ela retomar exportações diretas do Brasil para os EUA, em vez de necessariamente usar o México como intermediário. Em entrevista ao Valor em outubro do ano passado, o diretor-financeiro, André Rodrigues, contou que a unidade mexicana da companhia estava quase que totalmente dedicada ao mercado dos EUA.

Na teleconferência do quarto trimestre, após a derrubada das tarifas, Rodrigues afirmou que ainda era cedo para desenhar um novo cenário e ressaltou que continua em vigor a tarifa de 50% colocada sobre importações de aço e alumínio e vários derivados, por meio da Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio. Em uma análise do balanço, o Citi afirmou que, apesar de a receita ter seguido pressionada, a margem bruta de 34% alcançada no quarto trimestre sugere que a WEG “está melhorando seu ‘mix’ e enfrentando os impactos das tarifas mais rapidamente do que o mercado havia antecipado”. Procurada, a WEG não quis comentar.

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 01/04/2026

 

EUA apostam bilhões em empresas sem histórico no setor de terras raras

O governo Trump está prestes a investir US$ 1,6 bilhão em uma mineradora que pretende extrair terras raras e fabricar ímãs de alta tecnologia nos EUA. Mas a empresa, que opera no prejuízo, ainda não fez nenhuma das duas coisas comercialmente.

O acordo com a USA Rare Earth faz parte de uma série de tratados similares que o governo Trump fechou no último ano, na busca por cadeias de suprimentos domésticas seguras para minerais críticos, incluindo terras raras.

Mas alguns especialistas do setor questionaram se as empresas escolhidas pelo governo são capazes de cumprir suas promessas, enquanto um executivo observou que empresas em estágio inicial como a USA Rare Earth não estão preparadas para "resolver problemas".

Além disso, empresas que conquistaram apoio governamental têm vínculos financeiros com pessoas próximas ao governo Trump, o que levou democratas a questionar os acordos.

As terras raras são cruciais para a segurança e economia dos EUA, e são usadas em ímãs presentes em carros elétricos, armamentos e uma ampla gama de indústrias. Mas sua produção é dominada pela China, que tem explorado seu controle restringindo o acesso a elas.

Heidi Crebo-Rediker, pesquisadora sênior do Council on Foreign Relations e ex-economista-chefe do Departamento de Estado, disse sobre as negociações do governo: "É uma questão de assumir riscos maiores, o que acredito que este governo está disposto a fazer. Em vez de verificar se o governo perde dinheiro em cada investimento, devemos olhar se o dinheiro está ajudando a aumentar a resiliência".

O governo estava adotando uma "abordagem tipo capital de risco, onde se você investe em 10 empresas e, se algumas delas têm sucesso, você pode ter uma grande diferença", disse Ryan Castilloux, diretor-geral do grupo de pesquisa em terras raras Adamas Intelligence.

Round Top, o depósito da USA Rare Earth em Sierra Blanca, Texas, nunca foi minerado comercialmente, mas espera-se que contenha 15 dos 17 elementos de terras raras.

O plano da empresa de produzir as chamadas terras raras "pesadas", que são especialmente difíceis de obter fora da China, foi fundamental para o interesse do governo na empresa, disse Joel Fetter, diretor-geral do grupo de lobby Clark Street Associates, que trabalhou na transação.

Mas ainda não está claro quanto de cada metal pode ser extraído. A USA Rare Earth, fundada em 2019, ainda não concluiu um chamado "estudo de viabilidade definitivo", um marco que analisa se os metais são recuperáveis e economicamente viáveis para mineração.

Round Top tem um histórico que remonta a décadas de não ser desenvolvido, e especialistas do setor disseram que a concentração de terras raras no depósito — metal por unidade de rocha — era relativamente baixa, o que significa que podem ser mais caros e difíceis de extrair.

Em fevereiro, o Center for Strategic and International Studies dos EUA caracterizou o teor como "excepcionalmente baixo", o que, segundo eles, poderia desafiar a "viabilidade comercial" de Round Top.

Outro teste era a "sopa" de minerais do local, disse o Centro. A avaliação econômica preliminar de 2019 da USA Rare Earth disse que metade das vendas esperadas da mina viria não de terras raras, mas de outros metais, incluindo urânio, háfnio e lítio.

Merriman disse que produzir uma ampla variedade de minerais "complicaria significativamente o processamento e aumentaria os requisitos de capital".

A USA Rare Earth disse que a avaliação de 2019 não refletia mais seu plano de desenvolvimento atual — embora a CEO Barbara Humpton tenha dito a analistas em janeiro que o háfnio ainda seria um "divisor de águas" para a economia de Round Top.

A empresa mirava iniciar a mineração em escala comercial em 2028, em meio a um plano para competir com a China. O projeto envolve a extração de metais em Round Top, com testes indicando a possibilidade de recuperar quantidades relevantes de terras raras pesadas.

Humpton ingressou na USA Rare Earth em outubro, vinda da Siemens, onde liderava as operações nos EUA. Segundo Fetter, o acordo com o governo "se concretizou em questão de meses", após discussões iniciais com o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

O antigo banco de investimentos de Lutnick, Cantor Fitzgerald, apoiou a empresa na oferta pública via Spac e na captação de US$ 1,5 bilhão anunciada em janeiro. Os recursos eram uma das condições para o financiamento governamental provisório, que também exige a conclusão do estudo de viabilidade e o cumprimento de outros marcos.

A ligação com Lutnick gerou críticas de parlamentares democratas, que apontaram possível benefício à sua família e à antiga empresa. O Departamento de Comércio afirmou que o secretário cumpriu integralmente as regras de ética e que a Cantor não participou do acordo. A Casa Branca, por sua vez, disse que a prioridade é reforçar cadeias de suprimento estratégicas para a segurança nacional.

Outras empresas apoiadas pelo governo incluem a Vulcan Elements e sua parceira ReElement Technologies, que garantiram US$ 1,4 bilhão. A ReElement integra o portfólio da American Resources Corporation, que, em relatório recente, indicou "dúvida substancial" sobre sua capacidade de continuar operando, embora espere avançar na captação de recursos.

O Pentágono afirmou que o financiamento é diretamente com a ReElement, e que haverá diligências adicionais antes do desembolso. A American Resources contestou as críticas públicas, mas sem detalhar. Em seu balanço mais recente, reportou cerca de US$ 2,1 milhões em caixa.

A companhia também enfrenta processo movido pelo UMB Bank por US$ 45 milhões, relacionado a um financiamento firmado em 2023. A ação alega transferências irregulares de recursos, o que é negado pela empresa, que entrou com reconvenção. O caso deve ir a julgamento em 2027.

Apesar das dúvidas sobre a viabilidade de Round Top, a USA Rare Earth adquiriu a britânica Less Common Metals por US$ 217 milhões —um ativo considerado estratégico. A empresa possui expertise na transformação de terras raras em metais usados na fabricação de ímãs, embora opere com prejuízo e receita limitada.

A USA Rare Earth pretende expandir essa operação com novas unidades na França e nos Estados Unidos, incluindo uma fábrica de ímãs em Oklahoma, com planos de produção em escala até o fim da década. Especialistas apontam a Less Common Metals como uma peça relevante da cadeia fora da China.

Para o setor, um desafio central é a dependência de apoio público. Empresas argumentam que não conseguem competir com rivais chineses, que operam com custos mais baixos e maior escala. Isso tem impulsionado a defesa de mecanismos como preços mínimos garantidos —modelo já adotado em acordo com a MP Materials.

Humpton, no entanto, afirmou que a empresa não depende desse tipo de instrumento, citando a existência de demanda suficiente fora da China para sustentar o negócio.
 

Fonte: Folha de São Paulo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 31/03/2026

 

Confronto entre Brasil e EUA expõe fragilidades da OMC e impõe novo realismo ao comércio global

O crescente embate comercial entre Brasil e Estados Unidos tem colocado à prova não apenas a relação bilateral entre as duas economias, mas também a efetividade da Organização Mundial do Comércio (OMC) como mediadora de disputas internacionais. O cenário atual revela um choque de realidade para o sistema multilateral de comércio, que enfrenta limitações cada vez mais evidentes diante das tensões geopolíticas.

Nos últimos meses, o Brasil recorreu à OMC para contestar medidas comerciais adotadas pelos EUA, incluindo tarifas consideradas excessivas sobre produtos brasileiros. O movimento segue o rito tradicional do organismo, que prevê consultas formais entre as partes antes de eventuais sanções. No entanto, o desfecho dessas disputas tem sido cada vez mais incerto.

Sistema de resolução de conflitos enfraquecido

Um dos principais problemas apontados é a paralisia do órgão de apelação da OMC, responsável por dar a palavra final em disputas comerciais. Sem esse mecanismo plenamente funcional, decisões acabam perdendo eficácia prática.

Na avaliação de analistas, isso reduz o poder do sistema multilateral e incentiva países a adotarem medidas unilaterais, mesmo que controversas. O caso envolvendo Brasil e Estados Unidos ilustra esse cenário: embora haja instrumentos formais para contestação, sua capacidade de impor soluções concretas está limitada.

Disputa comercial reflete mudança na ordem global

O confronto também reflete uma transformação mais ampla no comércio internacional. Potências econômicas têm priorizado interesses estratégicos domésticos, muitas vezes em detrimento das regras multilaterais.

Os Estados Unidos, por exemplo, vêm adotando políticas comerciais mais assertivas, com uso frequente de tarifas e medidas de proteção. Já o Brasil tenta preservar o funcionamento das instituições globais, apostando no diálogo e nas regras da OMC como forma de garantir previsibilidade.

Essa diferença de abordagem evidencia uma tensão central: enquanto países emergentes dependem mais de regras multilaterais, grandes potências têm maior capacidade de agir unilateralmente.

Impactos econômicos e riscos para o Brasil

Para o Brasil, o conflito traz riscos relevantes. As tarifas impostas pelos EUA afetam diretamente setores exportadores e podem reduzir a competitividade de produtos nacionais no mercado internacional.

Além disso, a incerteza jurídica e institucional dificulta o planejamento de empresas e investidores. Sem garantias claras de arbitragem internacional, o ambiente de negócios tende a se tornar mais volátil.

Por outro lado, o recurso à OMC ainda tem valor político e estratégico, ao reforçar a posição do país como defensor do multilateralismo e da previsibilidade nas relações comerciais.

OMC enfrenta crise de relevância

O episódio reforça uma percepção crescente: a OMC enfrenta uma crise de relevância. Criada para garantir equilíbrio e previsibilidade no comércio global, a instituição encontra dificuldades para lidar com um mundo mais fragmentado e competitivo.

A ausência de consenso entre grandes potências e o enfraquecimento de seus mecanismos decisórios colocam em dúvida sua capacidade de resolver conflitos de forma eficaz.

Um novo cenário para o comércio internacional

O confronto entre Brasil e Estados Unidos simboliza uma mudança estrutural no comércio global. A lógica baseada em regras e instituições multilaterais dá lugar, gradualmente, a um ambiente mais marcado por disputas diretas e interesses nacionais.

Para o Brasil, o desafio será equilibrar a defesa do sistema multilateral com a necessidade de proteger seus interesses econômicos em um cenário cada vez mais incerto.

Mais do que um episódio isolado, o embate atual indica que o comércio internacional está entrando em uma nova fase — menos previsível, mais estratégica e com regras em constante redefinição.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 30/03/2026

 

Com importações e estoques em alta, vendas de aço devem cair 4,2% no 1º trimestre

Durante o mês de fevereiro, as vendas de aços planos contabilizaram alta de 1,1% quando comparadas a janeiro, atingindo o montante de 297,2 mil toneladas frente a 293,9 mil toneladas do primeiro mês do ano. A alta, no entanto, não deve contribuir para um bom resultado no primeiro trimestre do ano, já que a expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de queda de 4,2% nos três primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo com projeção de elevação de 15% nas vendas para março, a expectativa do Instituto é de um trimestre com resultados aquém do ano passado. A justificativa do superintendente da entidade, Gilson Bertozzo, é que os estoques de aço no País seguem elevados, fato que tem preocupado o setor.

O volume acumulado gira em torno de 1,13 milhão de toneladas contra 1,12 milhão de toneladas no mês passado, uma expansão de 0,8%, o que corresponde a quase quatro meses de comercialização. O nível que a entidade considera aceitável é de três meses de estoque.

Perspectivas para o segundo semestre

Para Bertozzo, as vendas só melhorarão no segundo semestre, quando os estoques de aço que estão nas mãos dos importadores forem reduzidos. “Acredito que teremos uns três meses de expurgo que tirarão do mercado os aventureiros”, afirmou.

O superintendente do Inda explica que a partir da redução dos estoques de importações, já com os efeitos das medidas antidumping, a indústria brasileira tem espaço para recuperar, ajustar preços e apresentar melhor desempenho.

“Estamos sustentando ainda que este ano será melhor do que 2025 e teremos um crescimento de 1,5%. Acreditamos que as medidas do governo foram acertadas e isso, a médio prazo, proporcionará um efeito positivo para nós”, afirmou.

Importações de aço seguem em alta

Ainda de acordo com os dados do Inda, as importações do aço no Brasil continuam em alta. No segundo mês do ano, o acréscimo foi de 91,7% se comparado ao mesmo mês do ano anterior.

Parte desse efeito foi justificado em função do calendário, já que o Carnaval do ano passado não ocorreu em fevereiro, deixando o mês de análise, em 2025, com mais dias úteis. Comparando as importações de fevereiro com janeiro deste ano, a alta foi de 79%, com volume total de 404,8 mil toneladas contra 225,6 mil.

Outro motivo apresentado pelo superintendente do Inda para a alta é o fato de as importadoras terem antecipado a nacionalização de muitos produtos. “Em função das ações antidumpingaplicadas pelo governo, as importadoras anteciparam a nacionalização dos produtos que estavam nos estaleiros e nos portos. Além disso, soubemos que muitos navios ainda em trânsito também tiveram seus produtos nacionalizados pelas importadoras, com vista aos preços praticados antes do antidumping”, comentou Bertozzo.

Guerra do Oriente Médio pressiona frete e eleva preço do aço

A escalada das tensões no Oriente Médio foi outro ponto comentado por Bertozzo. Segundo ele, o conflito já impactou o mercado do aço, mas a expectativa é de que esses impactos percam força nas próximas semanas.

De acordo com o superintendente do Inda, o aumento da insegurança internacional tem pressionado os custos de frete marítimo e contribuído para a alta dos preços do produto no exterior. “Se analisarmos os números, os preços das bobinas no mercado internacional já cresceram. O preço mundial subiu 5% e uma das causas é o reflexo da guerra”, explicou.

Apesar da pressão atual, a expectativa do setor é de que o cenário seja temporário. “A expectativa é de que essa insegurança não dure mais que duas a quatro semanas em função dos prejuízos que esse conflito já está trazendo para os Estados Unidos”, finalizou Bertozzo.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/03/2026

 

Produção mundial de aço cai 2,2% em fevereiro

A produção mundial de aço bruto para os 69 países que reportam à World Steel Association (worldsteel) foi de 141,8 milhões de toneladas em fevereiro de 2026, uma queda de 2,2% em relação a um ano antes. A China teve produção estimada de 76,1 milhões de toneladas, um declínio de 3,6% em relação a fevereiro do ano passado. Índia e Japão produziram 13,6 e 6,4 milhões de toneladas, com acréscimo de 7,7% enquanto a produção nipônica permaneceu estagnada, respectivamente. Já a Coreia do Sul produziu 4,8 milhões de toneladas e registrou leve aumento de 0,2% comparada com fevereiro de 2025. Ásia e Oceania responderam por 105,3 milhões de toneladas do total, um decréscimo de 1,9% sobre o mesmo mês de 2025.

A América do Norte e América do Sul produziram 8,5 milhões de toneladas e 3,1 milhões de toneladas de aço bruto em fevereiro de 2026, o que significa aumento de 0,5% e recuo de 7,7%, respectivamente, em relação ao mesmo mês do último ano. A produção dos Estados Unidos chegou a 6,5 milhões de toneladas, 5,8% a mais que em fevereiro de 2025, enquanto a produção brasileira somou 2,5 milhões de toneladas no segundo mês de 2026, ou 5,7% inferior ao mesmo mês do último ano. Estima-se que a Rússia teve produção estimada de 5 milhões de toneladas em fevereiro, queda de 10,2% e o Irã produziu (estimativa) 1,7 milhão de toneladas no mês e viu sua produção despencar 1,3% em fevereiro de 2026. Já a Turquia produziu 3 milhões de toneladas e cresceu 3,4% em fevereiro de 2026, enquanto os países da União Europeia somaram 9,8 milhões de toneladas, um recuo de 3,6% sobre fevereiro do último ano. No primeiro bimestre de 2026 houve uma produção de 298,2 milhões de toneladas de aço, um recuo de 1,5% quando comparado ao mesmo período do último ano.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/03/2026

 

Brasil refém do exterior? A verdade sobre a nossa dependência de fertilizantes em tempos de guerra

A escalada da guerra no Oriente Médio e o bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz colocam o Brasil em posição de vulnerabilidade no mercado internacional de insumos.

O País importa mais de 80% dos fertilizantes que consome e, em meio a um risco de desabastecimento, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta para a necessidade de retomar e fortalecer a indústria nacional de fertilizantes para garantir a segurança da produção brasileira.

Estas e outras informações estão no estudo Dependência de Fertilizantes Importados: Risco para o Agronegócio Brasileiro. Confira a íntegra do documento:

- Depende?ncia de Fertilizantes Importados.pdf(15,9 MB)

Vamos entender o cenário?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear o setor energético do Irã e, em resposta a esta incisiva, o Irã afirmou que poderia implantar minas navais nas rotas de acesso ao Golfo Pérsico.

O risco de ataques a navios cargueiros e a presença de minas marítimas dispararam os custos de seguro e frete, fazendo com que muitas embarcações evitem a região ou fiquem retidas em portos seguros.

Fazendo uma comparação, o Estreito de Ormuz é a garganta do Golfo Pérsico. E é por esse canal estreito que passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo e uma fatia grande dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados que o Brasil importa.

E as consequências?

Os preços dos insumos básicos, como a ureia, dispararam mais de 50% desde o início do ano. Uma das ponderações da CNI é que a excessiva dependência de um grupo concentrado de fornecedores externos compromete a competitividade da indústria nacional e onera toda a cadeia produtiva.

Além disso, a baixa competitividade da indústria brasileira passa pela alta volatilidade e pelos preços elevados do gás natural, insumo vital para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, adverte que o descompasso afeta a economia do país e suas exportações.

“Restrições ao fornecimento de fertilizantes no mercado externo elevam o custo da produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos. Então, a dependência externa também afeta nossas exportações e a segurança alimentar dos brasileiros. Em junho deste ano, por exemplo, o preço médio do gás natural ao consumidor industrial do Brasil foi de US$ 18,64/MMBtu (Milhão de Unidades Térmicas Britânicas), enquanto nos Estados Unidos foi de US$ 3,67/MMBtu, ou seja, valor muito superior ao praticado em mercados internacionais", aponta Fabrício Silveira.

Insumos vitais 

Os agrominerais, como potássio e fósforo, são insumos vitais para a indústria de fertilizantes e a agricultura. A atual dependência externa desses insumos ressalta a urgência de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no setor.

De acordo com levantamento da CNI, é fundamental desenvolver novas fontes de base mineral e práticas tecnológicas inovadoras, adaptadas ao clima tropical e subtropical do Brasil. O estudo defende a ampliação do conhecimento geológico, capaz de identificar jazidas com potencial agrícola ainda inexploradas.

Como reverter?

A CNI defende a execução de políticas robustas, como o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que pretende reduzir a dependência externa para 45% até 2050, e a Missão 1 da Nova Indústria Brasil (NIB), focada no adensamento da cadeia produtiva local.

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 25/03/2026