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Importações de aço no Brasil disparam 34% em fevereiro

As importações de aço pelo Brasil em fevereiro somaram 629 mil toneladas, o maior patamar mensal desde maio do ano passado, impulsionadas em parte por produtos que ainda não foram alvo de medidas antidumping pelo Governo Federal, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Aço Brasil, que representa as siderúrgicas locais.

Bobinas laminadas a quente, por exemplo, tiveram um salto de mais de quatro vezes nas importações sobre fevereiro do ano passado, atingindo 60,4 mil toneladas, com os produtos planos como um todo registrando aumento de 84% na internalização, para 471,5 mil toneladas.

Enquanto isso, produtos laminados a frio, que já tiveram medidas antidumping aprovadas pelo governo, mostraram queda nas importações de fevereiro, recuando 26%, no caso das bobinas, a 24,9 mil toneladas.

As importações também foram fortes em produtos revestidos, cujo volume importado cresceu cerca de duas vezes e meia no período, para 281 mil toneladas.

As ações das três principais produtoras de aço listadas em bolsa do país caíam por volta das 14h. Usiminas perdia 3,7%, CSN mostrava recuo de 1,9% e Gerdau caía 0,8%.

O diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, já tinha alertado na semana passada para aumentos nas importações em fevereiro, algo que ele atribuiu a antecipações de compras pelos importadores. A expectativa do executivo é que as importações de aço no Brasil este ano caiam entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas.

No combinado do primeiro bimestre, as importações de aço no Brasil subiram 12,2% sobre o mesmo período de 2025, para 1,14 milhão de toneladas, segundo os dados do Aço Brasil.

Enquanto isso, a produção das usinas caiu 5,7% no mês passado na comparação anual, para 2,5 milhões de toneladas, pressionada por queda de 3,2% nos produtos longos, que somaram 781 mil toneladas.

As vendas de aço pelas usinas no Brasil também recuaram no período, 3,1%, para 1,6 milhão de toneladas, mostrando baixa de 4,5% no bimestre.

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/03/2026

 

EUA e Brasil negociam acordo sobre minerais críticos, diz diplomata norte-americano

O encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, afirmou nessa quarta-feira (18) que o país está em negociações com o Brasil para um acordo sobre cadeias de suprimento de minerais críticos, em meio a tensões diplomáticas com o governo brasileiro, que se retirou na semana passada de fórum patrocinado pela embaixada norte-americana.

"Temos uma proposta para um acordo em nível federal. Estamos discutindo, tivemos algumas discussões preliminares, mas ainda estamos esperando", afirmou Escobar, após assinar um acordo separado com o estado de Goiás, em uma cerimônia antes do fórum nesta quarta-feira.

Representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não puderam comparecer ao Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos em São Paulo devido a um conflito com um compromisso anterior, informou um porta-voz.

O evento patrocinado pela embaixada dos EUA, realizado na Câmara Americana de Comércio Amcham Brasil, em São Paulo, teve como objetivo incentivar a criação de redes entre investidores norte-americanos e empresas brasileiras que buscam produzir minerais críticos. O Citi e a Anglo American estavam entre as empresas presentes.

Os EUA têm se esforçado para obter acesso a reservas de minerais críticos, especialmente às cadeias de suprimento de terras raras, atualmente dominadas por empresas chinesas.

Washington vê o Brasil como um alvo potencial para bilhões de dólares em investimentos, comentou um porta-voz da embaixada dos EUA, acrescentando que US$ 600 milhões já foram investidos pela Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, conhecida como DFC, e pelo banco EXIM.

ATRITO DIPLOMÁTICO

No entanto, as tensões diplomáticas entre Washington e Brasília lançaram uma sombra sobre o evento da embaixada.

Autoridades de Brasília cancelaram a participação no evento, depois que um funcionário dos EUA pediu, na semana passada, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, o que foi visto por Brasília como uma tentativa de se intrometer em assuntos internos. O Brasil barrou a entrada do enviado, alegando "falseamento" dos motivos da visita.

As autoridades brasileiras receberam uma proposta para um memorando de entendimento em fevereiro, disseram três pessoas com acesso ao assunto à Reuters. Mas a proposta parecia ser uma cópia de uma proposta enviada a outro país, incluindo o nome do país errado, disse uma pessoa à Reuters. O erro foi corrigido posteriormente.

As negociações estão em andamento com o escritório do representante de Comércio dos EUA, disseram as fontes, e como parte de uma possível visita de Lula a Washington.

No entanto, uma reunião entre Lula e o presidente Donald Trump, que deveria ocorrer em Washington neste mês, foi adiada em meio ao conflito entre EUA e Israel com o Irã e ao atrito diplomático entre Brasil e EUA.

PROCESSAMENTO LOCAL

As autoridades federais brasileiras expressaram sua frustração em particular com a decisão dos EUA de assinar o acordo com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), adversário político de Lula. A medida foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal, disse uma autoridade brasileira que acompanha o assunto.

O acordo estabelece a cooperação entre os EUA e Goiás em diversas áreas, como o mapeamento do potencial mineral, a conexão dos mineradores locais com a tecnologia norte-americana e o aprimoramento das regulamentações, informou o governo estadual em um comunicado.

Goiás tem reservas de lítio, nióbio e é a sede da única empresa que produz comercialmente terras raras no Brasil, a Serra Verde, apoiada pelos EUA.

O governo estadual informou que o acordo visa promover "capacidades completas de processamento e fabricação de valor agregado, incluindo separação de terras raras, metalização, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes de neodímio" em Goiás.

Fazer avanços no processamento doméstico é uma prioridade para Lula, de acordo com um funcionário do Ministério do Comércio Exterior brasileiro, que pediu anonimato para discutir as negociações em andamento.

As autoridades norte-americanas identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que poderiam reforçar os esforços internacionais para diversificar o fornecimento, diminuindo o domínio da China em minerais críticos.

 
Fonte: Folha de São Paulo
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/03/2026

Setorial Siderurgia e Mineração | Março 2026

Dados da indústria e da siderurgia na China seguem mistos, enquanto nos EUA a produção de aço continua avançando, as importações recuaram e os preços continuaram se elevando.

Na China, o PMI industrial continuou se deteriorando em fevereiro e segue abaixo da linha de 50 pontos, mantendo a expectativa de enfraquecimento da atividade. Por outro lado, dados mais recentes referentes a janeiro/26 mostram que a produção e o consumo de aço mostraram expressiva recuperação em relação aos fracos volumes do mês anterior (+10,4% e +12,4%, respectivamente), suportados pela sazonalidade favorável de início de ano, porém houve queda na comparação anual (-8,1% e -12,2%). Diante do consumo mais fraco, os preços de aço na região continuaram lateralizados pelo sexto mês consecutivo e encerraram o mês de fevereiro em torno de US$ 470/t.

Já nos EUA, as cotações da bobina laminada a quente continuaram se elevando e encerraram o mês de fevereiro no maior patamar em 2 anos. A produção de aço continuou avançando no primeiro mês do ano (+1,7% m/m), enquanto as importações retraíram 6,4% m/m, mantendo a dinâmica observada desde a adoção da tarifa de importação sobre o aço.

No Brasil, as importações de aço voltaram a crescer

Na siderurgia brasileira, a maioria das métricas mostrou recuperação em janeiro, com destaque para o volume de importações de aço, que voltou a se elevar, após a desaceleração vista nos últimos meses de 2025. A entrada de aço importado somou 516 kt (+34,8% m/m), e representou 25,7% do consumo no país.

Preços de minério ficaram abaixo dos US$ 100/t em fevereiro, mas ganharam força após o reforço de medidas de suporte ao setor siderúrgico chinês.

Com relação ao minério de ferro, os estoques continuaram em elevação, atingindo recentemente o maior patamar desde abril/22 – movimento sazonal típico do início do ano, quando há estocagem em preparação para a parada de diversas indústrias durante o feriado do Ano Novo Lunar na China. Como consequência, observou?se leve pressão sobre as cotações ao longo de fevereiro, com os preços ficando ligeiramente abaixo de US$ 100/t. Em março, no entanto, os preços voltaram a subir após o governo chinês reiterar a intenção de enfrentar o excesso de capacidade produtiva do setor siderúrgico, o que pode trazer uma perspectiva mais favorável para a indústria.

Exportações brasileiras de minério se mantiveram estáveis, mesmo com a redução dos embarques para a China, suportadas por fortes embarques para outros países asiáticos.

No Brasil, as exportações de minério de ferro em fevereiro permaneceram estáveis na comparação mensal, em 28,5 Mt, mas registraram alta de 12,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O preço médio avançou 1,7% m/m, para US$ 73,40/t. Os embarques para a China somaram 17,3 Mt (?15,2% m/m), reduzindo sua participação para 60,6% do total (?10,7 p.p. m/m). Essa queda foi compensada pelo forte aumento das exportações para outros países asiáticos, com destaque para Omã e Malásia, cujos volumes ficaram cerca de 30% e 15% acima da média dos últimos doze meses, respectivamente. Dados preliminares de março (até a segunda semana) indicam queda de 29% m/m no volume médio diário embarcado e recuo de 2,9% m/m no preço médio.

 
Fonte: InvesTalk
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/03/2026

 

Imposto de Importação bens de capital sobe e preocupa indústria

A decisão do governo brasileiro de elevar o Imposto de Importação sobre bens de capital reacendeu o debate sobre competitividade industrial e modernização tecnológica no país. A medida foi oficializada pela Resolução GECEX nº 852/2026, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) no fim de janeiro, e reajustou as alíquotas para mais de mil classificações fiscais de bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). Na prática, a nova regra eleva tarifas gradualmente até o limite de 20%, o que pode impactar custos produtivos, investimentos e, indiretamente, os preços ao consumidor.

Resolução eleva alíquotas de importação até 20%

A Resolução GECEX nº 852/2026 promoveu uma reestruturação nas alíquotas do Imposto de Importação para bens estratégicos utilizados pela indústria.

De acordo com a norma, os percentuais foram ajustados de forma escalonada:

Produtos com alíquota inferior a 7,2% passam para 7,2%;
Itens entre 7,2% e 12,6% passam para 12,6%;
Produtos acima desse patamar podem chegar a 20%.
O aumento pode alcançar até 7,2 pontos percentuais e afeta diretamente máquinas, equipamentos, peças e componentes utilizados em setores como infraestrutura, mineração e construção.

A medida atinge mais de mil classificações fiscais de BK e BIT, ampliando o alcance da nova política tarifária.

Governo recua parcialmente para produtos de informática

Após críticas do setor produtivo, o governo promoveu um recuo parcial na medida.

Segundo o conteúdo divulgado, houve revisão da tributação sobre produtos classificados como bens de informática e telecomunicações (BIT).

No entanto, os bens de capital (BK) — que incluem máquinas industriais, motores, válvulas e equipamentos utilizados em diversos setores produtivos — continuam sujeitos às novas alíquotas.

Com isso, o impacto principal permanece concentrado nos equipamentos essenciais para a operação e modernização da indústria.

Indústria aponta risco para modernização tecnológica

Para especialistas do setor, a elevação do imposto pode comprometer a capacidade de modernização da indústria brasileira.

Segundo Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group:

“Os bens de capital são essenciais para modernizar a indústria. O aumento das alíquotas pode elevar o custo de aquisição de máquinas e equipamentos justamente em um momento em que grande parte do parque industrial brasileiro já opera com equipamentos antigos”.

A avaliação aponta que a medida pode dificultar a renovação tecnológica em um cenário em que parte relevante das empresas já enfrenta limitações estruturais.

Impacto vai além das grandes indústrias

De acordo com Fracola, o impacto não se restringe às grandes empresas.

Os bens de capital (BK) incluem equipamentos amplamente utilizados no dia a dia da economia, como:

Bombas de elevação de líquidos;
Motores elétricos;
Redutores utilizados em sistemas industriais;
Equipamentos aplicados em obras e manutenção de infraestrutura.
Esses itens são fundamentais para diferentes cadeias produtivas, o que amplia o alcance da medida para além do setor industrial tradicional.

Aumento pode pressionar custos e investimentos

Especialistas apontam que a elevação do Imposto de Importação sobre bens de capital pode desestimular investimentos em modernização tecnológica.

Atualmente, parte significativa das empresas depende da importação de equipamentos, já que a indústria nacional não atende plenamente à demanda ou não acompanha o ritmo de inovação global.

Nesse contexto, o regime de Ex-Tarifário tem sido utilizado como instrumento para viabilizar investimentos.

O mecanismo permite a importação de bens de capital sem similar nacional com alíquota zero, mediante análise técnica do governo.

No entanto, segundo especialistas, o processo pode levar cerca de quatro meses, considerando etapas como análise técnica, consulta pública e decisão final.

Competitividade pode ser afetada, diz especialista

Para Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, o aumento das tarifas pode reduzir a competitividade da indústria brasileira.

Segundo ele:

“Não é aumentando a alíquota de bens de capital que se incentiva a indústria nacional. Quando encarecemos máquinas e equipamentos, dificultamos a modernização do parque industrial e aumentamos o custo de produção frente aos concorrentes internacionais”.

A avaliação indica que o impacto pode se refletir diretamente na capacidade das empresas brasileiras de competir no mercado global.

Impacto pode chegar ao consumidor final

Embora a medida esteja relacionada ao comércio exterior, especialistas apontam que os efeitos podem atingir o consumidor.

O aumento no custo de importação de máquinas e equipamentos pode gerar impactos em diversos setores da economia.

Entre os possíveis reflexos estão:

Aumento no custo de equipamentos hospitalares e exames médicos;
Encarecimento de eletrodomésticos e televisores;
Impacto em obras de infraestrutura e mineração;
Aumento no custo de manutenção de equipamentos industriais.
Segundo Fracola:

“Quando o custo das máquinas sobe, isso acaba sendo incorporado ao preço final de produtos e serviços. É um efeito em cadeia que pode pressionar custos em diversos setores da economia”.

Governo cria alternativa temporária para empresas

Como medida emergencial, o governo publicou a Resolução GECEX nº 853/2026, que permite a redução temporária da alíquota para 0% em produtos anteriormente beneficiados.

Os pedidos podem ser apresentados até 31 de março de 2026.

Caso aprovados, terão validade provisória de até 120 dias.

A alternativa busca mitigar os efeitos imediatos da elevação das tarifas para empresas que já utilizavam regimes anteriores.

Medida exige reação rápida das empresas

Segundo Mauro Lourenço Dias, a alternativa oferecida pelo governo pode ajudar no curto prazo, mas exige agilidade.

De acordo com ele:

“Essa alternativa é importante, mas é temporária. As empresas precisam agir rapidamente e estruturar bem os processos para tentar mitigar os impactos no curto prazo”.

A avaliação indica que o benefício pode ser limitado no tempo, exigindo planejamento e ação imediata por parte das empresas.

Debate sobre política industrial é retomado

A decisão do governo reacende discussões sobre a política industrial brasileira.

O tema envolve o equilíbrio entre proteção da indústria nacional e manutenção da competitividade internacional.

Com algumas décadas de abertura comercial mais consistente, o Brasil ainda busca definir estratégias que incentivem a produção local sem comprometer investimentos e inovação.

Empresas já reavaliam custos e projetos

Diante das mudanças, empresas já iniciaram processos de revisão de contratos e planejamento financeiro.

Segundo Mauro Lourenço Dias:

“Quando há mudanças tributárias dessa magnitude, a previsibilidade dos negócios é afetada. Isso exige das empresas uma reavaliação rápida de investimentos e planejamento financeiro”.

A necessidade de adaptação imediata reflete o impacto direto das alterações tributárias sobre decisões estratégicas.

 
Fonte: Contábeis
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 18/03/2026

CNI: 56% das empresas industriais pretendem investir em 2026, mas juros altos são barreira

Mais de metade (56%) dos empresários industriais planejam investir em 2026. É o que mostra a pesquisa Investimentos na Indústria 2025-2026, publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (17). Segundo o levantamento, 62% desses aportes vão dar sequência a projetos em andamento, enquanto 31% representam novas frentes de investimento.

Por outro lado, quase um quarto dos industriais (23%) não pretende investir este ano. A pesquisa detalha que 38% desses empresários adiaram ou cancelaram aportes que estavam em andamento.

“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Confira o comentário completo do economista:

 

Principais objetivos dos aportes

Melhoria do processo produtivo (48%);
Ampliação da capacidade produtiva (34%);
Lançamento de novos produtos (8%);
Adoção de novos processos produtivos (5%). 
Capital próprio segue como a principal fonte de financiamento do setor

Quanto às fontes de financiamento dos investimentos, 62% das empresas planejam recorrer apenas ou majoritariamente a recursos próprios, ao passo em que 28% delas pretendem captar recursos de terceiros, como bancos e demais instituições financeiras. Outros 11% não souberam informar. 

“O capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria há alguns anos e ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, explica Azevedo. 

Consumidor brasileiro continua sendo o principal alvo

A maior parte dos investimentos será voltada para atender a demanda nacional. Ao todo, 67% das empresas farão aportes tendo o mercado interno como único ou principal foco. Outros 24% declararam que os mercados interno e externo são o foco dos investimentos. Apenas 4% das empresas apontam o mercado externo como principal ou único foco dos investimentos.

Raio X do investimento em 2025

No ano passado, 72% das empresas da indústria de transformação investiram. No entanto, parte das empresas teve seus planos frustrados. O levantamento destaca que:

36% das empresas investiram conforme o planejamento inicial;
29% das empresas investiram parcialmente de acordo com o planejado;
4% adiaram os aportes para o ano seguinte; 
3% adiaram os aportes sem previsão de retorno;
2% postergaram os investimentos para o ano subsequente; 
2% cancelaram os investimentos.
Confira mais números de 2025:
 

 
 
 
 
 

Incertezas econômicas travaram investimento em 2025

Quando questionados sobre os principais obstáculos para a execução dos investimentos no ano passado, 63% dos empresários com planos de investimentos apontaram as incertezas econômicas. Também apareceram entre os maiores entraves a queda das receitas (51%), as incertezas setoriais (47%), a expectativa de baixa demanda (46%) e entraves tributários (45%). “A taxa de juros e a nova política comercial americana foram responsáveis por boa parte dessas dificuldades”, pontua Marcelo Azevedo. 

Já entre as empresas que adiaram ou cancelaram planos de investimento de 2025, 80% apontam a queda das receitas como o principal motivo. As incertezas econômicas (79%) e a expectativa de demanda insuficiente (73%) fecham a lista dos três entraves mais citados por esses empresários. 

Indústria investiu mais para qualificar mão de obra

Segundo o levantamento da CNI, a principal motivação para o investimento feito em 2025 foi o desenvolvimento de capital humano, com foco em qualificação, ganhos de produtividade ou redução de riscos associados ao trabalho. Quase 80% das empresas que investiram total ou parcialmente como planejado apontaram essa motivação como importante ou muito importante. 

“O alto percentual de empresas que investiram em capital humano se deve, entre outras coisas, à escassez de mão de obra qualificada e às transformações tecnológicas do mercado de trabalho”, diz Azevedo. 

Em seguida, aparecem inovação tecnológica (76%), impacto ambiental (65%) e eficiência energética (64%). Vale lembrar que os empresários podiam citar mais de uma motivação para o investimento. 

Em relação ao tipo ou natureza dos investimentos:

73% das empresas compraram máquinas ou equipamentos; 
50% atualizaram ou modernizaram plantas, fábricas ou armazéns;
38% efetuaram retrofit de máquinas ou equipamentos;
35% ampliaram, adquiriram ou construíram terrenos ou instalações;
Os empresários também mencionaram: investimentos em aquisição de ativos intangíveis e produtos de propriedade intelectual, como software e banco de dados; compra de equipamentos de informação e comunicação; e aquisição de máquinas ou equipamentos usados. 

O caixa das empresas continua sendo a principal fonte de financiamento. Em 2025, 62% das empresas usaram recursos próprias para fazer aportes. As demais fontes tiveram participação significativamente menor, com destaque para bancos comerciais privados (9%) e bancos de desenvolvimento (5%).

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 18/03/2026

 

Mercado espera início de cortes na Selic, mas se divide sobre magnitude

O cenário que parecia amplamente favorável para o início dos cortes de juros no Brasil foi alterado de modo brusco desde a eclosão da guerra no Oriente Médio. Com o salto dos preços do petróleo e as incertezas sobre os efeitos inflacionários que virão do conflito, economistas passaram a rever suas projeções nos últimos dias quanto aos próximos passos da política monetária. Se antes o mercado se ancorava na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) para acreditar em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, agora há uma leve maioria que acredita em uma redução menor, de 0,25 ponto, na quarta-feira.

É o que mostra a pesquisa realizada pelo Valor com 103 participantes do mercado, entre bancos, gestoras de recursos e consultorias. Enquanto 49 casas esperam que o Copom inicie o afrouxamento com um corte de 0,5 ponto, 53 se mostram mais cautelosas e acreditam que o colegiado irá reduzir os juros básicos em 0,25 ponto. Apenas uma instituição, a Neo Investimentos, vê a Selic parada em 15%.
 

 
 

Com os preços do barril de petróleo Brent se mantendo na faixa dos US$ 100 nos últimos dias, houve uma mudança radical na percepção dos investidores globais sobre a capacidade de os bancos centrais cortarem mais os juros ao longo deste ano. Nos EUA, importantes instituições financeiras já esperam que a taxa dos fed funds se mantenha inalterada ao menos até o fim do ano.

No Brasil não foi diferente. Ainda que a guerra não tenha sido suficiente para fazer os investidores abandonarem totalmente a hipótese de o Banco Central cortar os juros, uma dose adicional de cautela passou a ser incorporada nas expectativas. Prova disso é que grandes instituições financeiras, que esperavam um corte de 0,5 ponto, alteraram suas projeções para uma redução menor na taxa.

O Goldman Sachs foi uma das primeiras a rever suas expectativas. “O cenário-base do Banco Central foi alterado pelo conflito no Oriente Médio, que levou a uma forte alta nos preços do petróleo, fortalecimento do dólar, achatamento da curva de juros nos Estados Unidos, aumento da aversão ao risco e condições financeiras mais apertadas — tudo isso em meio a um ambiente de maior risco geopolítico global. Se não fossem esses acontecimentos, acreditamos que o Copom provavelmente realizaria um corte de 0,5 ponto”, afirma a equipe liderada por Alberto Ramos, que ainda vê uma pequena probabilidade de não haver corte nenhum na decisão desta semana.

“Não fosse o fato de o Copom já ter sinalizado um corte para esta reunião, é provável que optasse por não reduzir os juros neste momento”, conclui.

O BNP Paribas seguiu caminho semelhante e também passou a esperar um corte de 0,25 ponto. Segundo a equipe de América Latina, liderada pela ex-diretora de assuntos internacionais do BC, Fernanda Guardado, o aumento nos preços do petróleo deve impactar as projeções do Copom, ainda que o colegiado utilize uma abordagem para suavizar o impacto do choque no modelo.

“Mesmo no cenário mais benigno, que projeta o petróleo a US$ 74 por barril no fim do ano, a projeção do BC para o horizonte relevante sobe 0,2 ponto, afastando-se da meta e mais do que compensando a apreciação de 2,8% do real desde a reunião de política monetária de janeiro. Vale notar que o modelo do BC também incorpora premissas mais benignas para o hiato do produto e para a taxa de juros neutra do que aquelas utilizadas por nós e pela maioria dos analistas”, lembra Guardado.

“Na nossa avaliação, uma estratégia preferível seria adotar uma postura de espera diante do cenário atual. O comitê poderia inclusive adiar o início do ciclo de afrouxamento para a reunião de abril, quando as autoridades presumivelmente teriam mais clareza tanto sobre a atividade doméstica quanto sobre o cenário geopolítico”, conclui.

Na visão de Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, a “chacoalhada” que a guerra provocou nos preços do petróleo e no ambiente global de aversão a risco “dá subsídio” para o BC tomar qualquer uma das três decisões possíveis, diz. “No fundo, acho que ele tem uma escolha entre manter, ou não, o ‘guidance’”, pontua o profissional ao mencionar a indicação, dada no comunicado da decisão do Copom em janeiro, de que os juros começariam a ser cortados em março.

Sobral, no entanto, avalia que o BC pode optar por manter a Selic parada, já que a decisão geraria o menor custo de credibilidade à autoridade, “conquistada a duras penas ano passado”, após um período turbulento no processo decisório da política monetária. “Acho que não seria absurdo ou muito contestável eles falarem da incerteza elevada e dizer que o cenário mudou [desde a última decisão].”

O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, foi outro que alterou sua projeção para o ritmo inicial do afrouxamento monetário após a eclosão do conflito no Oriente Médio. A estimativa inicial de uma redução de 0,5 ponto passou a ser de um corte de 0,25 ponto. Ainda que o episódio seja classificado como um choque de oferta, o que não deveria gerar uma resposta imediata de autoridades, a diretoria atual do Copom já demonstrou, em outras ocasiões, preferir adotar um viés mais conservador para a condução da política monetária.

“Teria espaço para um corte de 0,5 ponto, mas, dado o conservadorismo dessa diretoria, acreditamos que eles vão optar por começar de uma forma mais cautelosa. Se, na próxima reunião, o conflito tiver acabado, é possível acelerar o ritmo e compensar. Mas minha projeção de corte de 0,25 ponto é mais pelo conservadorismo da diretoria do que por achar que a cara da inflação no Brasil mudou”, avalia.

O corte na Selic neste momento, segundo Leal, é desejável, já que tem a função de calibrar a intensidade do aperto monetário vigente na economia.

“Começar a cortar os juros agora não é flexibilização: é normalização. Tivemos uma queda bastante importante da inflação corrente e das expectativas — um efeito colateral esperado dos juros altos. Ao reduzir a inflação corrente, houve um aperto adicional da política monetária. Os juros ficaram em 15%, mas a taxa real ex-post subiu. A partir do momento que você começa a reduzir os juros, você começa a trazer a política monetária para o mesmo nível de junho do ano passado, quando o Copom colocou a Selic em 15%”, avalia.

O argumento de que a restrição vigente na economia local é muito grande também é compartilhado pelo economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, para justificar o início dos cortes. Ele, no entanto, já possuía uma projeção de uma redução mais branda na Selic mesmo antes da eclosão da guerra.

“Sempre fomos mais cautelosos por duas razões: não vemos as expectativas ancoradas em nenhum horizonte de tempo. Isso não significa que não haja espaço para cortar os juros, mas que a prudência é necessária. E o segundo argumento é que há sinais de que a economia está acelerando e há preocupações com o comportamento de alguns preços, como a inflação de serviços e bens industriais”, afirma. “Esse já era o cenário de antes. Com as incertezas em relação à petróleo e ao câmbio, as preocupações ficam maiores”, aponta.

Assim, Padovani espera que o Banco Central comece o ciclo em um ritmo mais cauteloso, mas que acelere o passo adiante, quando houver mais convicção sobre o desenrolar do cenário macroeconômico. O BV espera que a autoridade monetária corte a Selic nas duas próximas reuniões em 0,25 ponto e, depois, acelera o ritmo para 0,5 ponto. Ao fim de 2026, a projeção para os juros básicos é de 12%.

A mediana das estimativas dos economistas para a Selic no fim do ano também subiu da última edição da pesquisa para cá. Em janeiro, o mercado esperava juros de 12,25% ao término de 2026, número que passou para 12,50% após a o início da guerra entre Estados Unidos e Irã.

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 16/03/2026